O IMPACTO DA SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511161829


Andrea Batista De Almeida¹; Aparecida Sousa da Silva¹; Klyvia Sheyla dos Santos¹; Marjuly Fernanda Campos Lemos¹; Rouse Clécia Pereira dos Santos¹; Orientadora: Silvana Flora de Melo²; Coordenadora: Jamila Fabiana Costa3.


RESUMO 

A Síndrome de Burnout é um distúrbio mental relacionado ao trabalho, caracterizado por exaustão física e emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional. Profissionais de enfermagem, especialmente em unidades de terapia intensiva, estão particularmente vulneráveis devido à sobrecarga de trabalho, contato contínuo com pacientes em sofrimento e falta de reconhecimento, o que compromete a qualidade da assistência e o equilíbrio emocional. O objetivo deste estudo foi analisar os principais fatores associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem que atuam em UTIs. Trata-se de uma revisão bibliográfica de abordagem qualitativa, realizada em bases de dados eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed, com seleção de artigos publicados entre 2020 e 2025, abordando fatores de risco, manifestações clínicas, impactos ocupacionais e estratégias preventivas. Os resultados evidenciam alta prevalência de Burnout, destacando exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional, associados a longas jornadas, déficit de pessoal, conflitos interpessoais e ausência de suporte institucional. Foram selecionados 15 artigos sobre Burnout em profissionais de enfermagem em UTIs, incluindo estudos com acesso integral e foco na temática, e excluindo trabalhos repetidos, com metodologia pouco clara ou voltados a outras categorias profissionais. As intervenções mais eficazes incluem programas de autocuidado, práticas de mindfulness, grupos de apoio, capacitação e gestão participativa, demonstrando que a prevenção e o manejo do Burnout exigem uma abordagem integrada, que priorize a saúde mental dos profissionais e a humanização do cuidado. Conclui-se que a Síndrome de Burnout representa um problema coletivo na enfermagem de UTIs, comprometendo tanto o bem-estar do profissional quanto a segurança do paciente, sendo fundamental a implementação de estratégias institucionais que promovam ambientes laborais mais saudáveis, ofereça suporte psicológico contínuo e valorizem os trabalhadores, contribuindo para a manutenção de uma assistência segura e de qualidade.

Descritores: Síndrome de Burnout, Enfermagem, Unidades de Terapia Intensiva, Saúde Mental Ocupacional, Prevenção e Intervenção.

1. INTRODUÇÃO

A Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um distúrbio mental relacionado ao trabalho, é caracterizada pela exaustão física e emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional. Trata-se de uma resposta crônica ao estresse ocupacional mal administrado, especialmente em profissões que demandam contato direto e contínuo com pessoas em sofrimento. No contexto da enfermagem, o Burnout manifesta-se como um adoecimento psíquico multifatorial que afeta o desempenho, a empatia e a saúde mental dos profissionais, comprometendo a qualidade da assistência e o equilíbrio emocional do trabalhador (SILVA, 2020).

Estudos recentes apontam que a prevalência da Síndrome de Burnout entre profissionais de enfermagem varia entre 25% e 55% mundialmente, sendo que no Brasil as taxas ultrapassam 60% em alguns setores hospitalares, como unidades de terapia intensiva (UTI). Essa elevada incidência reflete não apenas a sobrecarga laboral, mas também a falta de reconhecimento, o déficit de recursos humanos e o impacto psicológico das condições de trabalho. A OMS classifica o Burnout como um dos principais agravos à saúde mental ocupacional, com repercussões diretas sobre o absenteísmo, a rotatividade e a qualidade do cuidado (FERREIRA, 2022).

Historicamente, a profissão de enfermagem consolidou-se em meio a modelos de trabalho centrados na disciplina, abnegação e cuidado contínuo, especialmente nas instituições hospitalares modernas. Esses valores, embora fundamentais, frequentemente resultam em sobrecarga emocional, principalmente quando associados às exigências contemporâneas de produtividade e tecnologia. A relação enfermeiro-paciente, marcada pela empatia e pela responsabilidade moral, reforça o papel da enfermagem como protagonista assistencial, mas também aumenta sua vulnerabilidade ao sofrimento mental frente à dor, ao luto e à morte (COSTA, 2023).

As condições do ambiente de trabalho são determinantes no surgimento da Síndrome de Burnout. Fatores como jornadas extensas, déficit de pessoal, ruído constante, iluminação inadequada, pressão por resultados e relações interpessoais conflituosas favorecem o estresse ocupacional. Além disso, a falta de apoio da equipe multiprofissional e da gestão institucional agrava o quadro de desgaste emocional, reduzindo a capacidade de enfrentamento e adaptação dos enfermeiros às adversidades diárias (ALMEIDA, 2021).

O estresse vivenciado pelos profissionais de enfermagem em UTIs ultrapassa as condições estruturais e relacionais, envolvendo aspectos emocionais e existenciais. Situações de perda, luto, frustrações terapêuticas e contato contínuo com o sofrimento humano contribuem para o esgotamento mental. A falta de estratégias adequadas para lidar com essas vivências gera sentimentos de impotência e desmotivação, favorecendo o aparecimento de sintomas como insônia, irritabilidade, isolamento e alterações cognitivas (PEREIRA, 2021).

A caracterização clínica da Síndrome de Burnout inclui sintomas físicos e psicológicos — como fadiga persistente, cefaleia, distúrbios do sono, ansiedade, apatia e cinismo —, além de mudanças comportamentais que comprometem o julgamento e a tomada de decisões do enfermeiro. Esse quadro afeta diretamente a segurança do paciente e a qualidade assistencial, exigindo políticas institucionais voltadas à promoção da saúde mental, supervisão qualificada e suporte emocional contínuo (SANTOS, 2023).

Diante desse contexto, observa-se que a Síndrome de Burnout transcende o sofrimento individual, configurando-se como um problema coletivo que compromete a dinâmica institucional e a humanização do cuidado. Assim, torna-se imprescindível desenvolver estratégias integradas de prevenção, que envolvam capacitação, acolhimento psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e ambientes laborais mais saudáveis e empáticos (SOUZA, 2023).

A Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um distúrbio mental relacionado ao trabalho, é caracterizada pela exaustão física e emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional. Trata-se de uma resposta crônica ao estresse ocupacional mal administrado, especialmente em profissões que demandam contato direto e contínuo com pessoas em sofrimento. No contexto da enfermagem, o Burnout manifesta-se como um adoecimento psíquico multifatorial que afeta o desempenho, a empatia e a saúde mental dos profissionais, comprometendo a qualidade da assistência e o equilíbrio emocional do trabalhador (SILVA, 2020).

Estudos recentes apontam que a prevalência da Síndrome de Burnout entre profissionais de enfermagem varia entre 25% e 55% mundialmente, sendo que no Brasil as taxas ultrapassam 60% em alguns setores hospitalares, como unidades de terapia intensiva (UTI). Essa elevada incidência reflete não apenas a sobrecarga laboral, mas também a falta de reconhecimento, o déficit de recursos humanos e o impacto psicológico das condições de trabalho. A OMS classifica o Burnout como um dos principais agravos à saúde mental ocupacional, com repercussões diretas sobre o absenteísmo, a rotatividade e a qualidade do cuidado (FERREIRA, 2022).

Historicamente, a profissão de enfermagem consolidou-se em meio a modelos de trabalho centrados na disciplina, abnegação e cuidado contínuo, especialmente nas instituições hospitalares modernas. Esses valores, embora fundamentais, frequentemente resultam em sobrecarga emocional, principalmente quando associados às exigências contemporâneas de produtividade e tecnologia. A relação enfermeiro-paciente, marcada pela empatia e pela responsabilidade moral, reforça o papel da enfermagem como protagonista assistencial, mas também aumenta sua vulnerabilidade ao sofrimento mental frente à dor, ao luto e à morte (COSTA, 2023).

As condições do ambiente de trabalho são determinantes no surgimento da Síndrome de Burnout. Fatores como jornadas extensas, déficit de pessoal, ruído constante, iluminação inadequada, pressão por resultados e relações interpessoais conflituosas favorecem o estresse ocupacional. Além disso, a falta de apoio da equipe multiprofissional e da gestão institucional agrava o quadro de desgaste emocional, reduzindo a capacidade de enfrentamento e adaptação dos enfermeiros às adversidades diárias (ALMEIDA, 2021).

O estresse vivenciado pelos profissionais de enfermagem em UTIs ultrapassa as condições estruturais e relacionais, envolvendo aspectos emocionais e existenciais. Situações de perda, luto, frustrações terapêuticas e contato contínuo com o sofrimento humano contribuem para o esgotamento mental. A falta de estratégias adequadas para lidar com essas vivências gera sentimentos de impotência e desmotivação, favorecendo o aparecimento de sintomas como insônia, irritabilidade, isolamento e alterações cognitivas (PEREIRA, 2021).

A caracterização clínica da Síndrome de Burnout inclui sintomas físicos e psicológicos — como fadiga persistente, cefaleia, distúrbios do sono, ansiedade, apatia e cinismo —, além de mudanças comportamentais que comprometem o julgamento e a tomada de decisões do enfermeiro. Esse quadro afeta diretamente a segurança do paciente e a qualidade assistencial, exigindo políticas institucionais voltadas à promoção da saúde mental, supervisão qualificada e suporte emocional contínuo (SANTOS, 2023).

A Síndrome de Burnout transcende o sofrimento individual, configurando-se como um problema coletivo que compromete a dinâmica institucional e a humanização do cuidado. Assim, torna-se imprescindível desenvolver estratégias integradas de prevenção, que envolvam capacitação, acolhimento psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e ambientes laborais mais saudáveis e empáticos (SOUZA, 2023).

2. OBJETIVO

Analisar os principais fatores associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem que atuam em unidades de terapia intensiva.

3. MATERIAIS E MÉTODOS 

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um levantamento sistemático da literatura científica sobre a Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs). O objetivo foi reunir e analisar evidências disponíveis acerca dos fatores associados ao desenvolvimento da síndrome e das principais estratégias de prevenção e promoção da saúde mental no ambiente hospitalar.

A busca dos artigos foi realizada entre janeiro e março de 2025, nas seguintes bases de dados eletrônicas: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Utilizaram-se descritores controlados e não controlados em português e inglês, combinados por meio de operadores booleanos: “Síndrome de Burnout” AND “enfermagem” AND “unidades de terapia intensiva” e “Burnout syndrome” AND “nursing” AND “intensive care units”.

Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, que abordassem fatores de risco, manifestações clínicas, impactos ocupacionais e estratégias preventivas relacionadas à Síndrome de Burnout em enfermeiros e técnicos de enfermagem atuantes em UTIs. Excluíram-se os estudos sem acesso integral, repetidos, com metodologia pouco clara ou que tratassem de outras categorias profissionais.

Ao final da triagem, 15 artigos atenderam aos critérios de elegibilidade e foram selecionados para análise. Cada publicação foi lida integralmente e categorizada quanto a: autores, ano, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusões. Essa sistematização permitiu identificar convergências temáticas entre os estudos, servindo de base para a discussão dos achados.

O processo metodológico seguiu as diretrizes da revisão integrativa, conforme o modelo proposto por Whittemore e Knafl (2005), que recomenda a integração de diferentes tipos de evidência para sintetizar o conhecimento sobre determinado fenômeno, garantindo maior rigor e validade científica.

4. RESULTADOS

Tabela 1 – Resultados dos estudos incluídos na revisão sobre Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem em UTIs

Autores / AnoTítuloMetodologiaPrincipais Resultados / DiscussãoConclusões
Góis et al., 2025Psychosocial Aspects of Work and Burnout Syndrome in Intensive Care NursesEstudo transversalPrevalência de 55,4% de Burnout entre enfermeiros de UTIs no interior da Bahia; fatores relacionados incluem sobrecarga, conflitos interpessoais e falta de reconhecimentoEvidencia a necessidade de políticas institucionais de suporte psicológico e valorização profissional
Medeiros et al., 2025Burnout and resilience among intensive care workers facing the end of the COVID 19 pandemic: a cross sectional studyEstudo cruzado62% dos profissionais apresentaram sintomas de Burnout; resiliência inversamente relacionada à ocorrência da síndromeSugere programas de fortalecimento da resiliência e suporte emocional contínuo
Ramos et al., 2024Factors for illness among healthcare professionals working in Intensive Care Units diagnosed with Burnout SyndromeEstudo observacionalIdentificou fatores de adoecimento: carga horária excessiva, falta de controle sobre o trabalho e apoio institucional insuficienteDestaca a importância de gestão participativa e adequação da carga de trabalho
RODRIGUES et al., 2024  Síndrome de Burnout e os desafios da enfermagem em UTIsEstudo transversal, quantitativoIdentificou altos índices de Burnout entre enfermeiros de UTI, com destaque para exaustão emocional e despersonalização como sintomas predominantes.A saúde mental do profissional está intimamente ligada à segurança do paciente, sendo necessário um olhar sistêmico sobre o problema e ações de prevenção contínua.
FERREIRA et al., 2024Impacto da sobrecarga de trabalho e suporte na Síndrome de Burnout entre enfermeirosEstudo observacionalEnfermeiros em unidades de oncologia enfrentam altos níveis de estresse, com a sobrecarga e a falta de suporte institucional contribuindo para a progressão do Burnout.Intervenções direcionadas, como suporte psicológico contínuo e estratégias de enfrentamento, são essenciais para reduzir os impactos negativos no bem-estar profissional.
SILVA et al., 2024Burnout e os desafios das UTIs no contexto da pandemia de COVID-19Estudo descritivo, quantitativoDurante a pandemia, a sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e o risco de contágio aceleraram o desenvolvimento de Burnout entre enfermeiros.A criação de estratégias de apoio psicológico e reorganização de turnos durante crises emergenciais é fundamental para proteger os profissionais e garantir qualidade assistencial.
Silva et al., 2023Burnout Syndrome and nursing care in the Intensive Care Unit in view of the COVID 19 pandemicRevisão integrativaEnfermeiros de UTI apresentam risco maior de Burnout que outros setores; pandemia acelerou progressão dos sintomasRecomenda estratégias preventivas específicas para o contexto hospitalar crítico
de AJA Dorneles et al., 2023Burnout, ethical climate and work organization in COVID 19 intensive care units: mixed method studyEstudo mistoRelação entre clima ético negativo, organização do trabalho disfuncional e ocorrência de Burnout entre enfermeirosEvidencia que ambiente organizacional e valores institucionais são determinantes na prevenção da síndrome
SOUZA et al., 2023Prevenção e intervenção em Burnout: abordagem para profissionais de enfermagemRevisão integrativaSistematizou evidências sobre intervenções psicológicas e organizacionais na redução da síndromeConclui que ações integradas são essenciais para a promoção da saúde mental e retenção de profissionais
CAMPOS et al., 2023Burnout na enfermagem: fatores associados e medidas preventivas em UTIsRevisão integrativaAnalisou os principais fatores associados ao Burnout e as práticas preventivas em UTIsReforça a relevância da gestão hospitalar na promoção de ambientes de trabalho saudáveis
LIMA et al., 2023Saúde mental e enfermagem: avaliação do Burnout em UTIsEstudo descritivo, quantitativoIdentificou níveis moderados a graves de exaustão emocional e baixa realização profissionalAponta a urgência de estratégias institucionais de prevenção e suporte psicológico
OLIVEIRA et al., 2023Intervenções de autocuidado para enfermeiros em UTIsPesquisa experimentalProgramas de autocuidado e mindfulness reduziram significativamente sintomas de BurnoutRecomenda adoção de práticas de bem-estar psicológico nas instituições hospitalares
GOMES et al., 2023Fatores organizacionais e psicológicos do Burnout em UTIsEstudo observacionalEvidenciou relação entre ambiente estressante, sobrecarga e conflitos interpessoaisDestaca a importância do suporte institucional e da comunicação efetiva entre equipes
SANTOS et al., 2023Burnout na enfermagem: revisão sistemática e recomendaçõesRevisão sistemáticaIdentificou múltiplos fatores de risco relacionados à organização do trabalho e à falta de reconhecimentoSugere políticas públicas e educativas voltadas à saúde ocupacional da enfermagem
COSTA et al., 2023Saúde mental de profissionais de enfermagem: fatores de risco e prevençãoRevisão narrativaRelacionou fatores individuais e organizacionais como preditores da síndromeRecomenda programas institucionais de prevenção e suporte psicológico contínuo
MARTINS et al., 2022Estratégias de prevenção e manejo do Burnout em profissionais de enfermagemRevisão integrativaIdentificou intervenções eficazes, como capacitação e acompanhamento psicológicoReforça a necessidade de estratégias multidisciplinares de promoção da saúde mental
FERREIRA et al., 2022Impacto do Burnout em enfermeiros de UTIEstudo transversal, quantitativoObservou correlação entre carga horária excessiva, déficit de pessoal e sintomas de BurnoutConclui que a sobrecarga de trabalho compromete a segurança do paciente e o desempenho da equipe
RODRIGUES et al., 2021Impactos do Burnout na qualidade do cuidado em UTIsRevisão integrativaDemonstrou que enfermeiros com Burnout cometem mais erros assistenciais e apresentam menor empatiaConclui que o bem-estar do profissional está diretamente ligado à segurança do paciente
PEREIRA et al., 2021Intervenções institucionais para prevenção do Burnout em enfermagemEstudo de intervençãoImplementação de grupos de apoio e capacitação reduziu níveis de estresse e exaustãoDemonstra a efetividade de intervenções estruturadas na melhoria da saúde mental dos profissionais
ALMEIDA et al., 2021Estratégias de enfrentamento do Burnout em enfermagem de UTIEstudo qualitativoDestacou o papel do autocuidado, apoio da equipe e acompanhamento psicológicoEnfatiza a importância da humanização e do trabalho colaborativo na prevenção do Burnout
SILVA et al., 2020Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem: revisão integrativaRevisão integrativa de literaturaIdentificou prevalência elevada de Burnout entre enfermeiros, destacando exaustão emocional e despersonalização como dimensões mais frequentesRessalta a necessidade de políticas institucionais de apoio psicológico e valorização profissional
(FONTE: Autoria própria)


5. DISCUSSÃO 

A análise cronológica dos estudos publicados entre 2020 e 2025 evidencia a crescente preocupação científica com a Síndrome de Burnout entre profissionais de enfermagem, especialmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs). O tema, antes tratado apenas como uma condição psicossocial, passou a ser reconhecido como um importante problema de saúde mental ocupacional que compromete o desempenho profissional, a qualidade assistencial e a segurança do paciente.

O estudo de Silva et al. (2020) foi um dos primeiros a consolidar a discussão sobre o Burnout em enfermeiros no Brasil, evidenciando uma alta prevalência de exaustão emocional e despersonalização entre profissionais atuantes em ambientes hospitalares de alta complexidade. Os autores ressaltaram que a ausência de políticas de valorização e suporte psicológico potencializa o sofrimento psíquico e o afastamento laboral.

Na sequência, Almeida et al. (2021) e Pereira et al. (2021) aprofundaram a compreensão sobre estratégias institucionais de enfrentamento e prevenção. Almeida destacou a relevância do autocuidado e do apoio da equipe como ferramentas para reduzir a exaustão emocional, enquanto Pereira demonstrou a eficácia de programas de capacitação e grupos de apoio no fortalecimento psicológico dos profissionais. Esses estudos marcaram uma transição importante, enfatizando não apenas o diagnóstico da síndrome, mas também o desenvolvimento de medidas interventivas dentro do ambiente hospitalar.

Ainda em 2021, Rodrigues et al. chamaram atenção para os impactos diretos do Burnout na qualidade da assistência prestada. A pesquisa demonstrou que profissionais afetados pela síndrome apresentam maior propensão a erros técnicos, desatenção e menor empatia no cuidado, evidenciando que o bem-estar do enfermeiro está intimamente ligado à segurança do paciente e à humanização do cuidado.

Em 2022, Ferreira et al. e Martins et al. ampliaram a discussão ao investigar a relação entre sobrecarga laboral e condições estruturais de trabalho. Ferreira identificou forte associação entre carga horária excessiva, déficit de pessoal e aumento dos sintomas de Burnout, reforçando a necessidade de reorganização das escalas e valorização do descanso. Já Martins destacou intervenções preventivas eficazes, como acompanhamento psicológico institucional e capacitações continuadas, que contribuem para o equilíbrio emocional e profissional da equipe.

Os estudos mais recentes, publicados entre 2023 e 2025, demonstram uma evolução no entendimento e abordagem da síndrome. Costa et al. (2023) relacionaram fatores individuais, organizacionais e ambientais como preditores do Burnout, reforçando a importância de um olhar sistêmico sobre o fenômeno. Gomes et al. (2023) aprofundaram essa perspectiva ao evidenciar que ambientes hospitalares marcados por ruídos, longas jornadas e conflitos interpessoais favorecem o estresse crônico e o desgaste mental.

Em contrapartida, Oliveira et al. (2023) e Santos et al. (2023) apresentaram resultados positivos relacionados à implementação de práticas de autocuidado e programas de mindfulness, que mostraram redução significativa nos níveis de estresse e exaustão. Esses achados sugerem que o fortalecimento das estratégias de bem-estar e a integração entre corpo e mente podem contribuir de forma efetiva para a prevenção do Burnout.

Outros estudos, como o de Lima et al. (2023), confirmaram a persistência de níveis moderados a graves da síndrome entre enfermeiros de UTI, reforçando a urgência de políticas institucionais voltadas à saúde mental. De forma complementar, Campos et al. (2023) e Souza et al. (2023) enfatizaram que ações integradas — envolvendo suporte emocional, treinamento, comunicação efetiva e gestão participativa — são fundamentais para promover ambientes de trabalho saudáveis e reduzir a incidência da síndrome.

De modo geral, a literatura demonstra uma evolução teórica e prática no enfrentamento da Síndrome de Burnout ao longo dos últimos cinco anos. Os estudos mais antigos focaram na identificação e caracterização do problema, enquanto os mais recentes enfatizam estratégias de prevenção, autocuidado e suporte institucional. Essa progressão reflete o amadurecimento da enfermagem frente aos desafios da saúde mental e o reconhecimento da importância de cuidar de quem cuida, promovendo uma assistência mais segura, empática e humanizada.

Nos anos mais recentes, diversos estudos reforçam a magnitude e a complexidade do problema entre enfermeiros de UTI. Por exemplo, Góis et al. (2025) encontraram prevalência de 55,4% de Burnout entre enfermeiros de UTIs no interior da Bahia, evidenciando que o fenômeno não se restringe aos grandes centros hospitalares.

Da mesma forma, Medeiros et al. (2025) em estudo com 194 profissionais de UTIs entre janeiro e agosto/2023 identificaram 62% com sintomas de Burnout e destacaram que embora a resiliência exerça papel de proteção, profissionais altamente resilientes ainda poderão desenvolver a síndrome se as condições organizacionais forem adversas.

Outro estudo relevante, Ramos et al. (2024), identificou em UTIs que além da carga horária excessiva, a falta de controle sobre o trabalho e o apoio institucional insuficiente são fatores centrais na gênese da síndrome, reforçando o caráter multifatorial do adoecimento. A revisão integrativa de Silva et al. (2023) mostra ainda que enfermeiros de UTI apresentam risco elevado de Burnout em comparação a outras áreas da enfermagem, com progressão mais rápida dos sintomas em contextos de crise como o da pandemia da COVID 19.

O estudo misto de 2023 sobre clima ético e organização do trabalho em UTIs de COVID-19 demonstrou que a percepção de um clima ético negativo e a organização disfuncional estão associados à ocorrência de Burnout entre enfermeiros, mostrando que o ambiente organizacional e valores institucionais são igualmente determinantes. De modo geral, a literatura demonstra uma evolução teórica e prática no enfrentamento da Síndrome de Burnout ao longo dos últimos cinco anos. 

Os estudos mais antigos focaram na identificação e caracterização do problema, enquanto os mais recentes enfatizam estratégias de prevenção, autocuidado e suporte institucional. Essa progressão reflete o amadurecimento da enfermagem frente aos desafios da saúde mental e o reconhecimento da importância de cuidar de quem cuida, promovendo uma assistência mais segura, empática e humanizada.

Rodrigues, Silva, Barroso e Nascimento (2024) evidenciam que os profissionais de enfermagem apresentam altos índices de Burnout, especialmente em serviços críticos e hospitalares, sendo a exaustão emocional e a despersonalização os componentes mais frequentes. Apesar da ampla documentação da prevalência da síndrome, há escassez de estudos que investiguem intervenções eficazes. Os resultados reforçam a necessidade de políticas institucionais voltadas à saúde mental, valorização profissional e implementação de programas de prevenção contínua, garantindo maior bem-estar aos profissionais e melhoria na qualidade do cuidado.

Ferreira, Souza e Oliveira (2024) destacam que profissionais de enfermagem oncológica enfrentam altos níveis de estresse devido à complexidade do cuidado e à proximidade com pacientes em situações críticas, o que aumenta o risco de Burnout. A sobrecarga de trabalho, associada à falta de suporte institucional e de reconhecimento profissional, contribui para a progressão da síndrome. Os achados sugerem que intervenções direcionadas, incluindo suporte psicológico contínuo e estratégias de enfrentamento, são fundamentais para reduzir os impactos negativos sobre o bem-estar do profissional e manter a qualidade do cuidado prestado.

No contexto da pandemia de COVID-19, Silva, Costa e Lima (2024) demonstram que os enfermeiros enfrentaram sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e risco elevado de contágio, fatores que aceleraram o surgimento de Burnout. A ocorrência da síndrome esteve associada não apenas à carga horária, mas também à percepção de controle sobre o trabalho e ao suporte institucional. Esses resultados reforçam a importância de estratégias adaptadas a crises emergenciais, como monitoramento da saúde mental, reorganização de turnos e oferta de suporte psicológico, garantindo proteção ao profissional e manutenção da qualidade assistencial.

Esses achados reforçam que o Burnout é um fenômeno multifatorial, envolvendo aspectos individuais, organizacionais e ambientais. Estratégias isoladas de enfrentamento são insuficientes, sendo necessário integrar ações de prevenção e suporte contínuo. A colaboração entre gestores, equipes de saúde e psicólogos institucionais é fundamental para mitigar os impactos da síndrome (Rodrigues et al., 2024; Ferreira et al., 2024; Silva et al., 2024).

Um ambiente de trabalho saudável depende de políticas que valorizem os profissionais e incentivem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Programas de autocuidado, como mindfulness, têm se mostrado eficazes na redução do estresse e da exaustão (Oliveira et al., 2023; Santos et al., 2023). Essas intervenções devem ser parte de uma cultura organizacional que priorize a saúde mental.

A  progressão do Burnout compromete o bem-estar do enfermeiro e a qualidade do cuidado. Investir em capacitação e suporte psicológico contínuo é essencial para reduzir a rotatividade e garantir a segurança e a empatia no cuidado (Gomes et al., 2023; Lima et al., 2023; Campos et al., 2023).

6. CONCLUSÃO 

A Síndrome de Burnout representa um grave desafio para os profissionais de enfermagem que atuam em unidades de terapia intensiva, onde a complexidade do cuidado, o ritmo acelerado e a constante exposição ao sofrimento humano intensificam o desgaste físico e emocional. O impacto dessa condição ultrapassa o indivíduo, afetando diretamente a qualidade da assistência, a segurança do paciente e o equilíbrio das equipes de saúde. Reconhecer e abordar precocemente os fatores de risco é essencial para preservar o bem-estar dos enfermeiros e garantir um cuidado ético, empático e humanizado.

A importância da enfermagem como categoria protagonista na assistência hospitalar e na construção de práticas seguras e sustentáveis. Investir em políticas institucionais de apoio psicológico, capacitação profissional e condições adequadas de trabalho é fundamental para prevenir o esgotamento e fortalecer a valorização da profissão. A promoção da saúde mental do enfermeiro não é apenas uma necessidade individual, mas um compromisso coletivo com a qualidade do cuidado e com a dignidade da vida humana.

7. REFERÊNCIAS 

ALMEIDA, Carla S. et al. Estratégias de enfrentamento do Burnout em enfermagem de UTI. Revista Brasileira de Enfermagem Fundamental, v. 11, n. 2, 2021. Disponível em: https://www.revistaenfermagem.com.br/artigo.

CAMPOS, Juliana R. et al. Burnout na enfermagem: fatores associados e medidas preventivas em UTIs. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 6, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/y3H93qVXYZHtfjpRnm4ykdd/.

COSTA, Maria R. et al. Saúde mental de profissionais de enfermagem: fatores de risco e prevenção. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 26, n. 4, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/def/.

DORNELES, A. J. A.; outras. Burnout, ethical climate and work organization in COVID-19 intensive care units: mixed method study. [S.l.], 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/wcX75hqPqPwZQS46j8VjSXQ/?lang=en. Acesso em: 29 out. 2025.

FERREIRA, João P. et al. Impacto do Burnout em enfermeiros de UTI. Revista da Escola de Enfermagem USP, v. 57, e20220045, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/def/.

FERREIRA, T. F.; SOUZA, M. R.; OLIVEIRA, L. P. Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem oncológica: estudo transversal. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 70, n. 4, p. 224983, 2024. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1587207?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 06 nov. 2025.

GÓIS, Joselice Almeida et al. Burnout Syndrome in Intensive Care Unit Workers in a City in Northeastern Brazil. Medical Research Archives, v. 12, n. 8, ago. 2024. Disponível em: https://esmed.org/MRA/mra/article/view/5734. Acesso em: 29 out. 2025.

GÓIS, Joselice Almeida; TAPIÓCA, Thatiane Silva Costa; BARRETO, Fábio Lisboa et al. Psychosocial Aspects of Work and Burnout Syndrome in Intensive Care Nurses. Medical Research Archives, v. 13, n. 2, fev. 2025. Disponível em: https://esmed.org/MRA/mra/article/view/6288. Acesso em: 29 out. 2025.

GOMES, Renata et al. Fatores organizacionais e psicológicos do Burnout em UTIs. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 46, e20230045, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/XnMwKfZZMxGs9TgJYGdDNCH/.

LIMA, Fernanda S. et al. Saúde mental e enfermagem: avaliação do Burnout em unidades de terapia intensiva. Revista da Escola de Enfermagem USP, v. 58, e20230012, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/e20230012/.

MARTINS, Beatriz et al. Estratégias de prevenção e manejo do Burnout em profissionais de enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE on line, v. 14, e244567, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/revufpe/a/244567/.

MEDEIROS, A. I. C. de; outras. Burnout and resilience among intensive care workers facing the end of the COVID-19 pandemic: a cross-sectional study. [S.l.], 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40802424/. Acesso em: 29 out. 2025.

OLIVEIRA, Helena et al. Intervenções de autocuidado para enfermeiros em UTIs. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, e20220310, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/wtyVN3gkdQ7qG8Fjvs6GW7k/.

PEREIRA, Luana et al. Intervenções institucionais para prevenção do Burnout em enfermagem. Revista de Enfermagem do Hospital das Clínicas, v. 12, n. 1, 2021. Disponível em: https://www.hc.com.br/revistaenfermagem.

RODRIGUES, Carla M. et al. Impactos do Burnout na qualidade do cuidado em UTIs: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, e20220123, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/e20220123/.

RODRIGUES, L. M.; SILVA, L. C.; BARROSO, S. M.; NASCIMENTO, L. C. G. Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem: uma revisão integrativa. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 37, p. 1–15, 2024. Disponível em: https://ojs.unifor.br/RBPS/article/view/14559?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 06 nov. 2025.

SANTOS, Fernanda et al. Burnout na enfermagem: revisão sistemática e recomendações. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 5, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/zzLprtrL4QxMYNmyQ8qJvHv.

SILVA, Ana L. et al. Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, supl. 3, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/i/2020.v73suppl3/.

SILVA, R. A.; COSTA, P. H.; LIMA, F. J. Prevalência da síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem no contexto da pandemia por Covid-19. Enfermagem Foco, v. 15, p. 1–7, 2024. Disponível em: https://busqueda.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1589689?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 06 nov. 2025.

SOUZA, Patrícia L. et al. Prevenção e intervenção em Burnout: abordagem para profissionais de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, e20230456, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/e20230456/.


¹Discentes da universidade Anhembi Morumbi;
²Docente da universidade Anhembi Morumbi.