SAÚDE MENTAL DOCENTE E BURNOUT: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO SOBRE O ENFRENTAMENTO PELA TEORIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL EM PROFESSORES DA REDE PÚBLICA DO ENSINO FUNDAMENTAL I E II

TEACHER MENTAL HEALTH AND BURNOUT: A BIBLIOGRAPHICAL STUDY ON COPING THROUGH COGNITIVE BEHAVIORAL THEORY IN PUBLIC ELEMENTARY AND ELEMENTARY SCHOOL TEACHERS I E II

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202509232125


Sandra Mara Lima Leal1
Laryssa Karas2


Resumo

Este estudo analisa os fatores que contribuem para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout em professores da rede pública de Ensino Fundamental I e II, bem como estratégias de enfrentamento, com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A pesquisa, de caráter bibliográfico e qualitativo, fundamenta-se na Psicologia do Trabalho para compreender o impacto das condições organizacionais na saúde docente. Os resultados apontam que o Burnout, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional, está associado à sobrecarga de tarefas, baixos salários e ausência de reconhecimento. A TCC mostra-se eficaz no manejo dos sintomas ao promover reestruturação cognitiva, autorregulação emocional e resiliência, mas seus efeitos são ampliados quando acompanhados de políticas institucionais que valorizem o professor. Conclui-se que o enfrentamento do Burnout requer abordagem integrada, unindo intervenções psicoterapêuticas e mudanças organizacionais.

Palavras-chave: Síndrome de Burnout. Saúde mental docente. Psicologia do Trabalho.

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a atuação docente na Educação Básica tem sido marcada por profundas transformações sociais, culturais e institucionais, que ampliaram significativamente as exigências impostas aos professores na sociedade contemporânea. No contexto do Ensino Fundamental I e II, os docentes enfrentam cotidianamente pressões que envolvem sobrecarga de trabalho, cumprimento de metas institucionais, precarização das condições laborais, baixos salários, ausência de reconhecimento profissional e demandas vindas de alunos, famílias, colegas, gestores e órgãos administrativos. Esse cenário contribui para o adoecimento físico e psíquico, configurando um problema de saúde ocupacional que merece atenção.

A Psicologia do Trabalho surge como uma abordagem fundamental para compreender os impactos das condições organizacionais sobre a saúde e o bem-estar dos professores. Essa vertente da psicologia analisa como a forma de gestão, a divisão das tarefas e as relações hierárquicas influenciam diretamente a vivência profissional. Nesse sentido, o estudo da Síndrome de Burnout torna-se particularmente relevante, já que se configura como uma resposta crônica ao estresse ocupacional prolongado, principalmente em atividades que exigem envolvimento interpessoal intenso, como a docência.

A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome da Exaustão Profissional, foi conceituada por Maslach e Jackson (1981) a partir de três dimensões centrais: o esgotamento emocional, a despersonalização — ou distanciamento afetivo em relação ao trabalho — e a diminuição da realização profissional. No ambiente escolar, especialmente na rede pública, a ausência de suporte institucional e a pressão exercida pela gestão escolar potencializam o surgimento desses sintomas, que vão desde a desmotivação e sensação de ineficácia até o desejo de abandonar a carreira.

A inclusão oficial do Burnout na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), sob o código QD85, em vigor desde 2022, reforça a necessidade de reconhecer o sofrimento psíquico como consequência direta de condições laborais inadequadas. Essa classificação amplia a responsabilidade das instituições e gestores escolares na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Pesquisas recentes (Medeiros, 2021; Schonfeld & Bianchi, 2019) têm evidenciado que o adoecimento docente não pode ser reduzido a fatores individuais, mas deve ser analisado no contexto das políticas educacionais, da forma de organização do trabalho e da qualidade da gestão escolar. Entre as profissões mais vulneráveis ao Burnout estão aquelas ligadas ao serviço público, como saúde, assistência social e educação, devido ao intenso envolvimento emocional e à falta de valorização profissional (Maslach & Leiter, 1999).

Compreender a Síndrome de Burnout a partir da Psicologia do Trabalho possibilita lançar um olhar crítico sobre as condições estruturais que impactam a saúde dos docentes e construir estratégias de enfrentamento mais eficazes. Entre essas estratégias, destacam-se tanto medidas organizacionais — como maior suporte institucional e valorização profissional — quanto intervenções psicoterapêuticas, a exemplo da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que auxilia na reestruturação de pensamentos disfuncionais e no fortalecimento da resiliência emocional.

Diante desse contexto, torna-se fundamental investigar quais fatores organizacionais e institucionais favorecem o surgimento da Síndrome de Burnout entre professores da Educação Básica, no Ensino Fundamental I e II, bem como analisar de que forma a TCC pode ser utilizada como recurso de enfrentamento para minimizar os impactos desse adoecimento. Assim, este estudo tem como objetivo central compreender as condições que contribuem para o desenvolvimento do Burnout no magistério público, considerando seus efeitos sobre a saúde e a qualidade de vida docente.

Em frente aos desafios constantes enfrentados pelos professores na rotina escolar como a sobrecarga de trabalho, as cobranças institucionais e a escassez de reconhecimento, cresce a preocupação com o adoecimento emocional desses profissionais. A Síndrome de Burnout tem se destacado como uma das principais manifestações desse sofrimento psíquico, interferindo tanto na saúde mental quanto no desempenho profissional dos docentes. 

Nesse sentido, é fundamental investigar, com base nas evidências científicas, quais fatores estão mais associados ao desenvolvimento dessa síndrome no ambiente educacional, assim como compreender as consequências desse esgotamento para a vida e a carreira dos professores da rede pública de ensino. 

Além disso, torna-se necessário explorar as estratégias de enfrentamento apontadas pela literatura, com ênfase nas contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental. Por fim, responder à seguinte problemática: “Quais fatores do ambiente escolar favorecem o surgimento da Síndrome de Burnout em professores e de que forma a Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir para seu enfrentamento?”. Para responder a esta questão, foram consultadas bases de dados acadêmicas, livros, artigos científicos e outros recursos especializados, garantindo a abrangência e a atualidade das informações obtidas.

Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo central investigar os fatores que favorecem o surgimento da Síndrome de Burnout em professores da rede pública de ensino fundamental, à luz da Psicologia do Trabalho, considerando seus efeitos sobre a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.

Para tanto, busca-se, de maneira específica: identificar e caracterizar os principais elementos que contribuem para o desenvolvimento do Burnout na docência da educação básica; analisar as manifestações físicas, emocionais e comportamentais associadas à síndrome no contexto escolar; e explorar estratégias de enfrentamento, destacando o papel da Terapia Cognitivo-Comportamental como recurso terapêutico para o manejo desse sofrimento psíquico.

Essas diretrizes permitem compreender não apenas os determinantes do Burnout, mas também as possíveis intervenções que possam promover o bem-estar e a valorização dos professores em seu ambiente de trabalho.

Muitas vezes, podemos observar que o sofrimento emocional dos professores, em especial da rede pública de ensino, tem ganhado cada vez mais espaço nos debates sobre saúde mental no ambiente educacional. Em meio às exigências crescentes do cotidiano escolar – como a sobrecarga de tarefas, a pressão por resultados, a indisciplina em sala de aula, os baixos salários, a falta de recursos pedagógicos e o reconhecimento profissional escasso – vários docentes acabam vivenciando um processo de desgaste físico e emocional que afeta diretamente sua qualidade de vida e desempenho profissional (Benevides-Pereira, 2019).

Um dos quadros mais frequentes resultantes nessas situações é a Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno relacionado ao trabalho (CID-11, QD85), caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional (Maslach & Jackson, 1981).

A relevância deste estudo justifica-se por meio da necessidade de ampla visibilidade ao adoecimento psíquico que acaba atingindo os profissionais da educação, muitas vezes silenciado ou naturalizado. Além disso, é fundamental refletir sobre estratégias terapêuticas que possam amparar esses profissionais de maneira acessível, eficaz e humanizada.

A Psicologia do Trabalho surge como um campo essencial para compreender os efeitos do ambiente organizacional na saúde dos professores, enquanto a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem demonstrado resultados positivos na promoção do bem-estar e na reestruturação de padrões disfuncionais de pensamento e comportamento (Beck, 1997; Knapp & Beck, 2008).

Ao investigar como a TCC pode contribuir para o enfrentamento da Síndrome de Burnout, o presente trabalho busca oferecer fundamentos teóricos e práticos que sirvam como suporte tanto para os profissionais, quanto para gestores escolares e demais responsáveis pelas políticas institucionais. Compreender os mecanismos terapêuticos dessa abordagem auxilia na criação de estratégias ainda mais adequadas às reais necessidades dos docentes, promovendo ambientes educacionais mais saudáveis, prevenindo o agravamento do sofrimento psíquico e contribuindo para a valorização da carreira docente (Carlotto & Câmara, 2004).

Por fim, espera-se que o desenvolvimento e a pesquisa deste estudo possam favorecer ações voltadas à prevenção do Burnout, estimulando o cuidado com a saúde emocional dos profissionais da educação, reduzindo assim os impactos negativos da síndrome em relação à produtividade, à qualidade das relações interpessoais e à permanência dos professores em sala de aula.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

A Síndrome de Burnout caracteriza-se por exaustão emocional, despersonalização e diminuição da sensação de realização no trabalho, afetando principalmente profissionais submetidos a condições laborais desgastantes. Embora tenha sido inicialmente descrita por Freudenberger (1974), somente nas últimas décadas a Psicologia do Trabalho aprofundou sua compreensão sobre esse fenômeno, destacando sua estreita relação com as condições organizacionais e sociais em que o trabalhador está inserido.

Segundo Maslach e Leiter (2016), o Burnout resulta da exposição prolongada a estressores crônicos no ambiente de trabalho, manifestando-se em três dimensões fundamentais: esgotamento emocional, distanciamento afetivo das atividades e sensação de ineficácia. Essa perspectiva evidencia que o fenômeno não se reduz a uma questão individual, mas emerge das dinâmicas institucionais, especialmente em contextos de elevada pressão por produtividade e reconhecimento insuficiente.

Autores como Medeiros et al. (2021) reforçam essa dimensão social do Burnout ao apontar que ambientes de trabalho fragilizados e marcados por instabilidade, cobrança excessiva e precariedade de recursos contribuem para o adoecimento psíquico dos profissionais. Compreender o Burnout, portanto, exige uma análise crítica das condições estruturais, deslocando a responsabilidade exclusiva do indivíduo e evidenciando o papel das instituições na saúde ocupacional.

Nesse sentido, Schonfeld e Bianchi (2019) inserem o Burnout em um campo mais amplo de sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, ressaltando que suas manifestações frequentemente se sobrepõem a quadros de depressão e ansiedade. No contexto docente, a vulnerabilidade ao Burnout é agravada por políticas educacionais que ampliam a carga de trabalho e negligenciam a valorização profissional. Medeiros (2022) argumenta que o ambiente escolar, ao impor múltiplas demandas simultâneas e limitações institucionais, contribui para a perda do sentido do trabalho e para o esgotamento emocional dos professores da rede pública.

Dejours (2009) enfatiza que o sofrimento no trabalho não se limita a um problema psicológico individual, mas está profundamente ligado à organização do trabalho, que pode tanto gerar prazer quanto promover adoecimento, dependendo da forma como está estruturada.

Em meio a esse cenário, as intervenções psicoterapêuticas, em especial a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), assumem papel relevante. Beck (2013) destaca que a TCC atua na modificação de pensamentos e crenças disfuncionais que alimentam o ciclo de estresse e exaustão, promovendo reestruturação cognitiva, autorregulação emocional e desenvolvimento de estratégias adaptativas. Knapp et al. (2004) reforçam que essa abordagem é particularmente eficaz para profissionais em contextos de alta demanda, oferecendo ferramentas práticas para o enfrentamento de desafios cotidianos.

Wright et al. (2018), entretanto, alertam que os benefícios da TCC podem ser limitados se não houver simultaneamente transformações nas condições de trabalho. Intervenções individuais precisam ser acompanhadas por mudanças organizacionais para garantir a sustentabilidade do cuidado à saúde mental no ambiente profissional. Essa perspectiva integrada é corroborada por Maslach e Leiter (2016), que defendem uma abordagem sistêmica, na qual o suporte psicológico caminhe lado a lado com políticas institucionais voltadas ao bem-estar e à valorização do trabalhador.

Assim, a análise da Síndrome de Burnout sob a ótica da Psicologia do Trabalho evidencia que o esgotamento emocional dos professores da rede pública não decorre apenas de características individuais, mas, principalmente, das exigências e da estrutura do ambiente organizacional. A combinação de intervenções clínicas, como a TCC, com mudanças institucionais, voltadas para a gestão escolar e valorização docente, é fundamental para promover a saúde mental e assegurar a qualidade da prática pedagógica.

METODOLOGIA 

Esta pesquisa foi desenvolvida por meio de uma investigação bibliográfica, de natureza qualitativa, com abordagem exploratória e descritiva. O estudo tem como objetivo compreender os fatores que contribuem para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout em professores da rede pública, analisando os impactos desse esgotamento emocional e profissional sobre a saúde, a qualidade de vida e a atuação no ambiente escolar. Além disso, busca-se identificar estratégias de enfrentamento discutidas na literatura científica, com ênfase nas contribuições da Psicologia do Trabalho e nas intervenções da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Ao optarmos pela pesquisa bibliográfica justificamos a possibilidade de reunir, organizar e interpretar produções acadêmicas já publicadas, permitindo ao pesquisador ampliar a compreensão teórica sobre o fenômeno investigado. Gil (2008) destaca que esse tipo de investigação baseia-se na análise de materiais como artigos científicos, livros, dissertações e teses, possibilitando contato com diferentes perspectivas. Severino (2007) acrescenta que a pesquisa bibliográfica é essencial na construção de referenciais conceituais sólidos, especialmente em estudos que buscam compreender fenômenos complexos em múltiplas dimensões, como o adoecimento psíquico no trabalho docente.

Para garantir a relevância das fontes utilizadas, realizou-se um Estudo do Estado da Arte, cujo objetivo foi mapear as principais produções científicas sobre a Síndrome de Burnout em professores da rede pública, com atenção especial aos fatores causais, às manifestações clínicas e às estratégias de intervenção, incluindo a aplicação da TCC. A busca por materiais ocorreu em bases de dados acadêmicas, como SciELO (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Além disso, foram consultados livros especializados nas áreas de Psicologia do Trabalho, saúde mental e psicoterapia cognitiva.

Utilizamos descritores como “Síndrome de Burnout”, “Burnout em professores”, “estresse ocupacional”, “doença relacionada ao trabalho”, “psicologia do trabalho”, “saúde ocupacional”, “terapia cognitivo-comportamental” e “intervenções psicológicas”. Em algumas situações, as buscas foram ampliadas por meio de termos equivalentes em inglês, como “Burnout syndrome”, “occupational stress” e “cognitive behavioral therapy”, a fim de contemplar a literatura internacional e ampliar o alcance do estudo.

As publicações selecionadas contemplam o período de 2010 a 2024, com exceção de produções clássicas, como as de Maslach, consideradas fundamentais para a compreensão do fenômeno. Como critérios de inclusão, foram considerados materiais que abordassem, de forma direta ou indireta, o Burnout relacionado à docência, com relevância teórica, consistência metodológica e reconhecimento científico. Foram excluídos estudos voltados a outras categorias profissionais, textos opinativos, produções sem revisão por pares e documentos duplicados nas bases de dados.

A abordagem qualitativa adotada possibilitou a análise interpretativa e crítica dos conteúdos levantados, considerando as múltiplas dimensões que envolvem o sofrimento psíquico no contexto do trabalho docente. A natureza exploratória, por sua vez, buscou ampliar o conhecimento existente, identificar lacunas na produção acadêmica e reunir contribuições relevantes para a compreensão das estratégias de enfrentamento, com ênfase nas intervenções terapêuticas aplicadas à realidade dos professores afetados pela Síndrome de Burnout.

Por fim, os dados analisados servirão de base para a discussão teórica, oferecendo subsídios para refletir sobre estratégias de prevenção e promoção da saúde mental no ambiente escolar. O estudo pretende, assim, contribuir para a valorização do professor como sujeito ativo em seu trabalho e para o enfrentamento de condições organizacionais que favorecem o adoecimento psíquico.

RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados indicam que o enfrentamento do Burnout exige uma abordagem integrada, combinando intervenções individuais, como a TCC, com mudanças organizacionais e políticas institucionais que valorizem o docente e promovam condições de trabalho saudáveis. A gestão escolar desempenha papel central nesse processo, sendo responsável por criar ambientes que minimizem estressores, fortaleçam a motivação e favoreçam o engajamento profissional.

Diante da crescente sobrecarga de trabalho, da desvalorização profissional, das múltiplas exigências emocionais e dos desafios diários enfrentados pelos professores, supõe-se que a incidência da Síndrome de Burnout no contexto educacional esteja fortemente relacionada à ausência de suporte institucional eficaz, à falta de políticas que promovam a valorização docente e à escassez de estratégias adequadas para o enfrentamento do estresse ocupacional (Maslach & Leiter, 1999; Benevides-Pereira, 2019).

Além disso, compreende-se que a utilização de intervenções baseadas na Psicologia do Trabalho, aliadas à Terapia Cognitivo-Comportamental, possa desempenhar um papel fundamental na prevenção dos sintomas do Burnout, ao promover mecanismos de autorregulação emocional, resiliência e autocuidado (Beck, 1997; Carlotto, 2010).

Nesse sentido, entende-se que tais abordagens não apenas auxiliam na redução do esgotamento físico e mental, mas também favorecem a manutenção do engajamento profissional, a melhoria da qualidade das relações interpessoais no ambiente escolar e o fortalecimento da qualidade do ensino, impactando positivamente a saúde mental e a satisfação dos docentes em sua carreira (Maslach & Leiter, 1999; Benevides-Pereira, 2019).

CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, fica evidente que a Síndrome de Burnout representa um desafio significativo para a saúde mental dos professores e para a qualidade do trabalho docente. Fatores como sobrecarga de atividades, falta de reconhecimento profissional, exigências institucionais intensas e demandas emocionais contínuas configuram elementos que favorecem o desenvolvimento dessa condição, tornando essencial a implementação de estratégias eficazes de prevenção e intervenção.

Ao longo deste estudo, foram analisadas e discutidas diversas publicações relevantes, incluindo artigos científicos, livros e pesquisas, que abordam a Síndrome de Burnout no contexto docente e as estratégias de enfrentamento, com destaque para a Terapia Cognitivo-Comportamental. A revisão bibliográfica permitiu identificar os fatores que contribuem para o desenvolvimento do Burnout, suas manifestações físicas, emocionais e comportamentais, bem como as intervenções terapêuticas mais efetivas, oferecendo subsídios teóricos e práticos para a promoção da saúde mental dos professores.

Portanto, espera-se que este estudo contribua tanto para o aprofundamento do conhecimento teórico sobre o tema quanto para a promoção de práticas institucionais e terapêuticas capazes de prevenir o adoecimento psíquico, apoiar o bem-estar emocional e valorizar a carreira docente na rede pública de ensino fundamental.

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1Discente do Curso Superior de Psicologia  do Centro Universitário Campo Real Campus Santa Cruz Guarapuava-PR e-mail: psi-sandraleal@camporeal.edu.br
2Docente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Campo Real Campus Santa Cruz Guarapuava-PR Pós Graduada em Saúde Mental e Psicopatologia (TIUITI PR). e-mail: prof_laryssakaras@camporeal.edu.br