ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO DIGITAL COM PACIENTES PARA PREVENÇÃO E ACOMPANHAMENTO DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO: PROTOCOLO DE REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

DIGITAL COMMUNICATION STRATEGIES WITH PATIENTS FOR PREVENTION AND MONITORING OF CERVICAL CANCER: SYSTEMATIC LITERATURE REVIEW PROTOCOL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202509232145


Lucas Ramos dos Reis1
Micael Henrique da Silva Fontes1
Reginaldo Ribeiro1
Thyago Divino Souza Siriano1
Profa. Dra. Renata Dutra Braga2


Resumo 

O câncer de colo de útero (CCU) é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo,  embora seja amplamente prevenível com vacinação e rastreamento. A baixa adesão aos  protocolos de acompanhamento, muitas vezes causada por desinformação e barreiras de acesso,  compromete a eficácia das estratégias preventivas. Nesse contexto, as tecnologias de saúde  digital surgem como ferramentas promissoras para melhorar a comunicação e o engajamento  das pacientes. Este artigo apresenta uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) que objetivou  analisar as evidências científicas sobre a eficácia e as características de estratégias de  comunicação digital, como chatbots, na prevenção e acompanhamento do CCU. A busca foi  realizada nas bases de dados PubMed e IEEE Xplore, seguindo um protocolo rigoroso que  resultou na inclusão de nove estudos primários para análise. Os resultados indicam que  ferramentas digitais, em especial os chatbots, são relevantes e eficazes para aumentar a adesão  dos pacientes aos protocolos de acompanhamento, apresentando altos níveis de satisfação e  melhorando o acesso à informação. Contudo, a análise também revelou que o perfil social da  paciente — incluindo idade, renda e escolaridade — influencia significativamente a adoção  dessas tecnologias, evidenciando uma “divisão digital” que pode excluir populações  vulneráveis. A revisão identificou uma notável carência de estudos focados especificamente no  contexto do câncer de colo de útero no Brasil. Conclui-se que, apesar do grande potencial das  estratégias digitais, sua implementação deve ser planejada de forma a garantir a equidade e a  inclusão, com o desenvolvimento de abordagens personalizadas para superar as barreiras  socioeconômicas e culturais. 

Palavras-chave: Câncer de Colo de Útero. Saúde digital. Chatbot . Comunicação em Saúde.  Revisão Sistemática da Literatura.

1. INTRODUÇÃO 

O câncer de colo de útero (CCU) representa um desafio significativo para a  saúde pública global, figurando como o quarto tipo de câncer mais comum entre as  mulheres em todo o mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS)  apontam para centenas de milhares de novos casos e óbitos anualmente, com uma  incidência desproporcionalmente maior em países de baixa e média renda, onde o  acesso a serviços de prevenção e tratamento é frequentemente limitado (SUNG et al.,  2021). No Brasil, a situação não é menos alarmante. De acordo com o Instituto Nacional  de Câncer (2022), o CCU é o terceiro tumor maligno mais frequente na população  feminina (excluindo o câncer de pele não melanoma) e a quarta causa de morte por  câncer em mulheres no país. Essa realidade é particularmente trágica, considerando que  o CCU é uma doença amplamente prevenível e com altas taxas de cura quando  detectado precocemente. 

A principal causa do câncer de colo de útero é a infecção persistente por tipos  oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), um vírus sexualmente transmissível de  alta prevalência. A prevenção primária, através da vacinação contra o HPV, e a  prevenção secundária, por meio do rastreamento de lesões precursoras (como o exame  Papanicolau e testes de DNA-HPV), são estratégias fundamentais e comprovadamente  eficazes na redução da incidência e mortalidade pela doença. No entanto, a efetividade  dessas estratégias depende da adesão da população-alvo, da qualidade dos programas de  rastreamento e da capacidade do sistema de saúde em garantir o diagnóstico oportuno e  o seguimento adequado das pacientes com resultados alterados (INCA, 2016). 

Infelizmente, diversas barreiras dificultam o pleno sucesso dos programas de  controle do CCU. Entre elas, destacam-se a desinformação, o baixo nível de  conhecimento sobre a doença e suas formas de prevenção, dificuldades de acesso  geográfico e financeiro aos serviços de saúde, questões culturais e psicossociais que  geram receio ou constrangimento em relação aos exames preventivos, além de falhas na  organização dos serviços, como longas esperas por consultas e exames, e a perda de  seguimento de pacientes (ISLAM et al., 2017). Nesse contexto complexo e  multifatorial, a busca por soluções inovadoras que possam reduzir essas barreiras torna-se imperativa.

Sob essa perspectiva, as tecnologias digitais em saúde aparecem como uma  promissora vertente de investigação e intervenção. Ferramentas como aplicativos  móveis, plataformas online, sistemas de mensagens automatizadas, inteligência artificial  para análise de exames e prontuários eletrônicos têm o potencial de revolucionar a  maneira como a prevenção, o rastreamento, o diagnóstico e o acompanhamento do CCU  são conduzidos. Essas tecnologias podem facilitar o acesso à informação de qualidade,  promover a educação em saúde, otimizar a gestão de programas de rastreamento, enviar  lembretes para exames e consultas, auxiliar na interpretação de resultados, facilitar a  comunicação entre pacientes e profissionais de saúde e apoiar a tomada de decisão  clínica (RAZZAK et al., 2023). 

Diante do potencial das soluções tecnológicas no combate ao câncer de colo de  útero, torna-se importante compreender o panorama atual das pesquisas e  implementações nessa área. Um mapeamento robusto e sistemático do estado da arte é  fundamental para identificar as tecnologias já desenvolvidas, avaliar sua eficácia,  reconhecer as lacunas de conhecimento existentes e direcionar futuros esforços de  pesquisa e desenvolvimento. A revisão sistemática da literatura (RSL) executada com  rigor metodológico e transparência, permite resumir as evidências científicas de forma  ampla e imparcial. Isso minimiza erros e dá uma base sólida para decisões em saúde e  novas pesquisas (SAMPAIO; MANCINI, 2007). 

A presente proposta de revisão sistemática da literatura se concentra em uma  lacuna específica e de crescente relevância no campo das tecnologias digitais aplicadas  ao controle do CCU: comunicação entre ferramentas digitais e pacientes. Embora  muitas ferramentas possam existir com foco em aspectos clínicos ou gerenciais, a  maneira como essas tecnologias interagem, informam, engajam e capacitam as pacientes  é um componente crítico para sua aceitação, usabilidade e, consequentemente, para o  impacto positivo nos desfechos de saúde. Uma comunicação falha, inadequada ou inexistente por parte da ferramenta digital pode comprometer todo o potencial da  solução, resultando em baixa adesão, ansiedade desnecessária, ou até mesmo na tomada  de decisões equivocadas por parte das usuárias. 

Esta revisão sistemática buscará, portanto, mapear e analisar criticamente as  evidências científicas publicadas sobre as características e a eficácia dos mecanismos de  comunicação implementados em ferramentas digitais voltadas para a prevenção, rastreamento, diagnóstico ou acompanhamento do câncer de colo de útero, com foco na  interação com a paciente. Ao identificar modelos de comunicação bem-sucedidos e  áreas que necessitam de maior desenvolvimento, esta pesquisa visa contribuir para a  otimização de estratégias de saúde digital que possam, de fato, impactar a saúde das  mulheres em relação à sua saúde e fortalecer a luta contra o câncer de colo de útero. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

O câncer de colo de útero (CCU) consolida-se como um relevante problema de  saúde pública global, com incidência e mortalidade desproporcionalmente maiores em  países de baixa e média renda (SUNG et al., 2021). No Brasil, a doença figura entre as  principais causas de morte por câncer na população feminina, uma realidade alarmante,  visto que é uma enfermidade amplamente prevenível (Instituto Nacional de Câncer,  2022). A principal etiologia do CCU é a infecção persistente por subtipos oncogênicos  do Papilomavírus Humano (HPV). Estratégias de prevenção primária e secundária,  como a vacinação e o rastreamento, são comprovadamente eficazes, mas sua efetividade  depende diretamente da adesão da população e da capacidade do sistema de saúde de  garantir o seguimento adequado das pacientes (INCA, 2016). 

O sucesso dos programas de controle do CCU é frequentemente dificultado por  um conjunto complexo de barreiras. Entre elas, destacam-se a desinformação,  dificuldades de acesso geográfico e financeiro, questões culturais e falhas na  organização dos serviços, como a perda de seguimento de pacientes com resultados  alterados (ISLAM et al., 2017). Essas falhas comprometem a continuidade do cuidado e  reduzem o impacto positivo das ações de rastreamento, tornando imperativa a busca por  soluções inovadoras para superá-las. 

Nesse cenário, as tecnologias de saúde digital emergem como uma vertente  promissora, com foco na otimização da comunicação com a paciente. Ferramentas como  chatbots, aplicativos móveis e sistemas de mensagens automatizadas têm o potencial de  não apenas disseminar informação qualificada, mas também de atuar ativamente no  engajamento e na retenção das mulheres no protocolo de cuidado (RAZZAK et al.,  2023). A comunicação eficaz por meio dessas tecnologias é um componente crítico para  enviar lembretes, facilitar agendamentos e apoiar as usuárias, garantindo sua conexão  contínua ao sistema de saúde. A maneira como essas tecnologias interagem, informam e capacitar as pacientes é, portanto, fundamental para fortalecer a luta contra o câncer de  colo de útero. 

3. METODOLOGIA 

3.1. Escopo, Objetivos e Questões de Pesquisa 

O Goal-Question-Metric (GQM) é uma abordagem metodológica estruturada  desenvolvida por Victor Basili, Giuseppe Caldiera e Hans Dieter Rombach (1994) para  estabelecer um programa de medição orientado a objetivos específicos. Esta  metodologia fornece um framework sistemático que conecta objetivos organizacionais  ou de pesquisa com métricas quantificáveis, passando por questões intermediárias que  orientam a coleta e análise de dados. 

Objetivo Geral: O objetivo desta revisão sistemática, baseado no GQM, foi analisar  estudos primários para levantar dados acerca dos métodos de comunicação de  prevenção do câncer de colo de útero com o propósito de investigar a retenção de  pacientes ao protocolo de acompanhamento com respeito aos meios tecnológicos e  tradicionais do ponto de vista de mulheres brasileiras na faixa etária de 25 a 65 anos no  contexto de controle de câncer do colo de útero através do exame preventivo. 

Seguindo o propósito da Revisão Sistemática de Literatura, visamos responder  às seguintes questões de pesquisa (QP): 

Questão de pesquisa derivada 1: Qual a relevância do uso de ferramentas de  comunicação como chatbot para acompanhamento de mulheres que participam do  exame de acompanhamento e preventivo de câncer. 

Hipótese para a questão 1: A ferramenta auxilia na retenção da mulher ao protocolo de  acompanhamento. 

Hipótese nula para a questão 1: A ferramenta não tem influência na retenção da  mulher ao protocolo de acompanhamento. 

Questão de pesquisa derivada 2: Qual a influência do perfil social da mulher no uso  da ferramenta de comunicação chatbot? 

Hipótese para a questão 2: A faixa etária da mulher influencia no uso de chatbot.

Hipótese nula para a questão 2: A faixa etária da mulher não influencia no uso de  chatbot. 

Métricas possíveis 1.1: Taxa de uso de chatbot pelas mulheres que realizaram o  primeiro atendimento na unidade básica de saúde.

Métricas possíveis 1.2: Taxa de retorno de mulheres usuárias do chatbot durante o  acompanhamento para realização de exames preventivos. 

Métricas possíveis 2.1: Quantidade de mulheres de cada faixa etária; escolaridade;  localização e perfil socioeconômico que utilizaram o chatbot. 

Figura 1 – Ferramenta Goal Question Metric.

Fonte: Autores do artigo.

3.2. Estratégia de Busca para Seleção de Estudos Primários 

Para nortear a condução desta revisão sistemática da literatura e assegurar uma  abordagem metodológica clara e focada, será empregada a estratégia PICOC  (População, Intervenção, Comparação, Outcome/Desfecho e Contexto). Este modelo  permitirá a delimitação precisa da questão de pesquisa, o estabelecimento de critérios de  inclusão e exclusão de estudos de forma transparente e a orientação da estratégia de  busca bibliográfica, garantindo que os artigos selecionados sejam pertinentes para  responder aos objetivos propostos sobre a comunicação entre ferramentas digitais e  pacientes no âmbito do câncer de colo de útero. 

A estratégia de busca bibliográfica será sistematicamente construída a partir dos  elementos definidos no framework PICOC. Cada componente – População, Intervenção, 

Comparação (quando aplicável), Desfecho e Contexto – será desdobrado em um  conjunto de termos de busca, incluindo palavras-chave, sinônimos e descritores  controlados (KITCHENHAM, B.; CHARTERS, S., 2007). Estes termos serão  subsequentemente combinados através de operadores booleanos (AND, OR, NOT) para  formar strings de busca abrangentes e específicas, adaptadas às sintaxes das diferentes  bases de dados eletrônicas que serão consultadas, visando maximizar a recuperação de  estudos relevantes para a revisão o que permitiu produzir o quadro 1: 

Quadro 1. Elementos transformados em palavras-chave. 

Elemento Palavras-chave possíveis
P (Population) Usuários (mulheres) de sistema de saúde para prevenção de câncer de  colo de útero. 
(“women” OR “female” OR “user”) AND (“cervical cancer” OR  “uterine cancer” OR “health system”)
I  (Intervention)Uso de ferramentas de comunicação para ínicio ao atendimento a  prevenção do câncer de colo de útero 
(“digital health” OR “chatbot” OR “Artificial Intelligence”)
C  (Comparison)—-
(—)
O (Outcome) Aumento da taxa de retenção da mulher com o uso do chatbot
(“Retention” OR “Retention rate” OR “engagement”)
C (Context) Saúde pública, revisão de políticas públicas de comunicação, atenção  primária. 
(“primary care” OR “public health” OR “public communication  policies” )
Fonte: Autores do estudo.

A seguinte string foi definida e utilizada para realizar as buscas: (“women” OR “female” OR “user”) AND (“cervical cancer” OR “cancer” OR  “health system“) AND (“digital health” OR “chatbot” OR “Artificial Intelligence”)  AND (“Retention” OR “Retention rate” OR “engagement”) AND (“primary care”  OR “public health” OR “public communication policies” ).

Para a execução da busca bibliográfica, foram selecionadas estrategicamente  duas bases de dados proeminentes que cobrem os domínios interdisciplinares do  problema de pesquisa. A primeira, PubMed, foi escolhida por ser uma referência  fundamental na área médica e de ciências da saúde, contendo uma vasta coleção de  literatura biomédica e clínica. Complementarmente, a base IEEE Xplore Digital Library  foi selecionada devido ao seu foco extensivo em publicações da área da computação,  engenharias e tecnologia. As strings de busca desenvolvidas a partir do framework  PICOC serão adaptadas e aplicadas em ambas as bases para identificar estudos que  abordem a interseção entre soluções tecnológicas e os aspectos de saúde relacionados ao  câncer de colo de útero, conforme delimitado anteriormente. 

3.3. Processo de Seleção dos Estudos 

3.3.1. Critérios de Inclusão e Exclusão 

Para a seleção dos estudos foram definidos critérios de inclusão e exclusão,  adotados para selecionar estudos relevantes que estejam de acordo com a proposta, os  objetivos e as questões de pesquisa deste estudo, sendo eles: 

Critérios de Inclusão 

1. Estudos que apresentam alguma abordagem relacionado à saúde digital e ao  câncer, para a área de conhecimento com foco em tecnologias digitais aplicadas ao rastreamento ou acompanhamento. 

2. Os métodos, ferramentas e práticas para comunicação, uso de inteligência  artificial, chatbot de Engenharia de Requisitos de Software que foram citados em algum  trabalho; 

3. Artigos que apresentem o cenário de comunicação na atenção primária.

4. Somente artigos de estudos primários e secundários. 

Critérios de Exclusão

1. Artigos com idioma diferente do inglês e português; 

2. Artigos incompletos (estudos que não foram encontrados na íntegra);

3. Artigos indisponíveis via acesso acadêmico gratuito. 

4. Artigos que não estão claramente relacionados com as questões da pesquisa

5. Artigos que estão em duplicidade em base de dados. 

6. Trabalhos opinativos. 

7. Artigos que não envolvam o tópico de comunicação na saúde.

8. Artigos com mais de 5 anos de publicação 

A seleção dos estudos foi realizada em fases, com o intuito de aplicar os critérios  de inclusão e exclusão para a obtenção dos estudos relevantes e alinhados à proposta do  trabalho. 

3.3.2. Critérios de Qualidade 

Os critérios de qualidade foram instruídos de forma a afunilar as escolhas de  seleção de artigos, garantindo uma base metodologicamente mais adequada e robusta  para os fins do estudo, sendo eles: 

1. A metodologia e os resultados são claros e são replicáveis? 

2. O artigo aborda o tema exatidão e relevância ? 

3. O estudo tem base empírica? 

4. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi utilizada apropriadamente  na formulação das conclusões? 

5. O viés de publicação ou conflito de interesse foi considerado? 

3.4. Realização da revisão 

3.4.1. Busca e seleção de estudos 

A aplicação da estratégia de busca resultou na identificação inicial de 143  referências, sendo 103 provenientes da base de dados PubMed e 40 da IEEE Xplore.  Após a remoção de 2 artigos que não estavam disponíveis via acesso acadêmico, 141  estudos foram submetidos à fase de triagem. Nesta etapa, com a aplicação de filtros e a  leitura dos títulos e resumos, 130 artigos foram eliminados (118 por não ser possível  identificar correlação com a temática e 12 por não responderem à pergunta do estudo). 

Consequentemente, 11 artigos foram selecionados para avaliação completa  através da leitura na íntegra. Desses, 3 artigos foram excluídos por não responderem à  pergunta do estudo após a análise aprofundada. Ao final do processo de seleção, 9  estudos foram considerados elegíveis e incluídos na amostra final da revisão, sendo 7  originários da PubMed e 2 da IEEE Xplore. Todas as informações foram dispostas no  layout do Diagrama Prisma conforme figura 2. 

Segue abaixo o Diagrama Prisma com o fluxo de seleção: 

Figura 2. Diagrama Prisma da análise de artigos.

Fonte: Autores do estudo.

3.5. Extração de dados 

De cada artigo que compõe a amostra final desta revisão sistemática foram  extraídos os seguintes elementos de informação, visando subsidiar a análise e a síntese  dos achados: a base de dados de origem, os autores, o título completo do artigo, as  palavras-chave utilizadas pelos autores, o ano de publicação, o conceito ou foco  principal do estudo em relação ao problema de pesquisa, a classificação Qualis do  periódico (quando aplicável e identificável), a referência bibliográfica completa, a  metodologia empregada no estudo, os principais resultados observados e as limitações  apontadas pelos próprios autores. Este processo de extração de dados foi padronizado  para garantir consistência e permitir uma síntese comparativa dos achados. 

3.6. Avaliação da qualidade metodológica 

Essencialmente, a avaliação da qualidade de artigos permite uma interpretação  mais crítica e ponderada dos resultados, evitando conclusões potencialmente enviesadas  e aumentando a robustez da revisão. 

Para determinar a qualidade metodológica dos artigos incluídos nesta revisão,  foi empregado um protocolo de avaliação baseado em cinco critérios específicos (C1 a  C5). A cada um desses critérios foi atribuída uma pontuação de acordo com o nível de  conformidade do estudo: Nota 1 foi designada quando o critério não era atendido; Nota  3 quando era atendido parcialmente; e Nota 5 quando o critério era plenamente atendido. A classificação final da qualidade de cada artigo foi estabelecida pela soma  das notas obtidas nos cinco critérios, categorizando os estudos da seguinte forma: Baixa  Qualidade para uma soma de 5 a 12 pontos, Média Qualidade para 13 a 20 pontos, e  Alta Qualidade para estudos que alcançaram de 21 a 25 pontos. Os dados foram  inseridos no quadro 2 a seguir: 

Quadro 2. Avaliação da qualidade dos artigos selecionados.

Fonte: Autores do estudo.

Considerando que após a aplicação dos critérios de avaliação da qualidade  metodológica os 09 estudos incluídos nesta revisão sistemática apresentaram  consistentemente pontuações de qualidade média a alta, este é um indicativo positivo  para a robustez geral dos nossos achados. A ausência de estudos classificados com baixa  qualidade significa que o corpo de evidências analisado possui um nível satisfatório de  rigor metodológico e um menor risco de vieses significativas que poderiam  comprometer a validade dos resultados individuais. 

Esse panorama de qualidade média a alta nos artigos selecionados confere  maior confiabilidade às conclusões desta revisão. Consequentemente, as inferências e  implicações derivadas da análise dos dados tendem a ser mais sólidas e fidedignas,  fortalecendo o potencial impacto desta revisão para a área de conhecimento em questão. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

A análise dos estudos que foram selecionados nesta revisão indica uma  relevância significativa do uso de ferramentas de comunicação digital, com destaque  para os chatbots, no contexto do acompanhamento de pacientes oncológicos e na  promoção da adesão a exames preventivos e de seguimento. A hipótese de que “A  ferramenta auxilia na retenção da mulher ao protocolo de acompanhamento” encontra  uma confirmação substancial nos trabalhos selecionados e avaliados. 

A satisfação do paciente com o uso de chatbots foi estudada como no trabalho  de revisão sistemática de (WANG et al., 2023) que na maioria dos estudos (14 de 21)  sobre chatbots no cuidado oncológico relatou boa satisfação do paciente. De forma  similar, a revisão sistemática e meta-análise de (LIN et al., 2025), focada em chatbots para educação sobre câncer de mama, revelou que uma expressiva maioria das participantes demonstraram alta satisfação (85% a 99%), sendo esta comparável à obtida  com aconselhamento humano tradicional. Essa alta taxa de satisfação é um indicador  importante, pois está intrinsecamente ligada ao potencial de engajamento contínuo dos  pacientes com as ferramentas e consequentemente com os protocolos de saúde  recomendados. 

Os chatbots demonstraram ser eficazes na melhoria da comunicação centrada no  paciente, facilitando o acesso a informações relevantes sobre o câncer e ampliando o  acesso ao cuidado (WANG et al., 2023). As aplicações dessas ferramentas são diversas,  abrangendo desde a triagem e prevenção do câncer até o suporte ao tratamento,  monitoramento e gerenciamento da condição. No contexto específico da educação sobre  câncer de mama, as intervenções mediadas por chatbots não apenas melhoraram o  conhecimento sobre a doença (com uma taxa média de sucesso de 90,8%), mas também  contribuíram para a redução de sintomas em pacientes (LIN et al., 2025). 

O estudo de WELCH et al., 2020 com o chatbot “ItRunsInMyFamily.com”  evidenciou a viabilidade de coletar, em larga escala, informações através de ferramenta  digital sobre histórico familiar de saúde para avaliação de risco hereditário de câncer,  alcançando um alto nível de engajamento dos usuários, com mais de 14.000 interações.  O estudo ainda apontou o impacto de estratégias digitais para aumentar a adesão ao  rastreamento do câncer do colo do útero em uma clínica de atenção primária no Reino  Unido. Foram implementados vídeos educativos enviados por SMS, e-mails com  informações, além de um sistema online de agendamento. O estudo observou um  aumento significativo na taxa de rastreamento, especialmente entre mulheres de 50 a 64  anos. O trabalho mostrou que houve aumento da taxa de rastreamento cervical de 77%  para 80,5% entre mulheres de 25–49 anos; 82% para 97% entre mulheres de 50–64  anos. Isso demonstra que ferramentas digitais, como vídeos e agendamentos online,  aumentam a participação em programas de rastreamento, especialmente entre grupos  vulneráveis em áreas rurais e desfavorecidas. 

Para Tandon; Dhir e Islam (2024) as intervenções de saúde móvel digital  conhecidas como mHealth que frequentemente incorporam funcionalidades de chatbot foram percebidas pelos usuários como acessíveis e úteis. O trabalho destacou que essas  ferramentas podem aprimorar a experiência de cuidado, potencialmente reduzindo  visitas hospitalares desnecessárias e fomentando um maior engajamento do paciente com seu próprio tratamento. Sharma et al. (2022) reforçam essa perspectiva, indicando  que chatbots podem otimizar processos como agendamentos e diminuir tempos de  espera. Deve-se pontuar ainda que o trabalho de Haith et al. (2025) foi o único  selecionado que trata diretamente sobre uso de um chatbot para impacto direto na  prevenção e identificação de câncer de colo de útero. O estudo ainda conclui que  estratégias digitais mais amplas, como o envio de vídeos educativos via SMS e e-mails  informativos, também demonstraram impacto positivo, aumentando significativamente  a adesão ao rastreamento do câncer do colo do útero. Adicionalmente, intervenções  digitais se mostraram eficazes em promover comportamentos preventivos, como o  aumento da proteção solar e do autoexame da pele entre jovens adultos (Heckman et  al., 2024). 

O quadro 3 sumariza os principais achados dos artigos que fundamentam a  relevância das ferramentas de comunicação digital para o acompanhamento e a retenção  de pacientes no contexto oncológico. 

Quadro 3: Evidências da Relevância das Ferramentas de Comunicação Digital no Acompanhamento e Retenção de Pacientes com Câncer

ArtigoTipo de Ferramenta/Intervenção PrincipalPrincipais Achados Relevantes para QP1
Wang et al.,  2023Chatbots Alta satisfação do usuário; melhoria na comunicação  centrada no paciente, acessibilidade à informação e  acesso ao cuidado; eficácia demonstrada em triagem,  prevenção, monitoramento e gerenciamento de  diferentes tipos de câncer.
Lin et al., 2025 Chatbots Elevada satisfação (85-99%), comparável ao  aconselhamento humano; melhora significativa na  aquisição de conhecimento sobre câncer de mama;  contribuição para a redução de sintomas. Promove  suporte educacional personalizado e interativo.
Tandon; Dhir;  Islam, 2024mHealth (incluindo  chatbots)Percebidas como acessíveis e úteis; potencial para  melhorar a experiência de cuidado, reduzir visitas  hospitalares desnecessárias e promover o engajamento  ativo do paciente com seu tratamento.
Sharma et al.,  2022Chatbots Auxiliam no diagnóstico, educação do paciente,  monitoramento de sintomas e coleta de dados. Potencial  para otimizar agendamentos e reduzir tempos de espera  em serviços de saúde.
Welch et al.,  2020Chatbot (“ItRunsInMyFamily.co m”)Demonstrou viabilidade e alto engajamento na coleta de  histórico familiar de saúde em larga escala para  avaliação de risco hereditário de câncer, alcançando  milhares de usuários.
Haith et al.,  2025Estratégias Digitais  (SMS, e-mail,  agendamento online)Implementação de vídeos educativos via SMS, e-mails  informativos e sistema online de agendamento resultou  em aumento significativo na taxa de rastreamento do  câncer do colo do útero.
Heckman et  al., 2024Intervenções Digitais  (website interativo,  mensagens  personalizadas)Intervenções digitais ativas automáticas aumentaram  significativamente a proteção solar e a prática do  autoexame da pele em jovens adultos, quando  comparadas a um panfleto eletrônico.
Ezeigwe et al.,  2025Aplicativos de Saúde e  Bem-Estar MóvelAlta taxa de adoção (80,9%) entre indivíduos que  buscam informações sobre câncer, indicando um grande  potencial para engajamento e disseminação de  informações de saúde através dessas plataformas.

Fonte: Autores do estudo.

Conclui-se, portanto, que as evidências coletadas suportam fortemente a  relevância dos chatbots e outras ferramentas de comunicação digital. Elas não apenas  melhoram a satisfação e o acesso à informação, mas também demonstram potencial para  aumentar o engajamento e a adesão aos protocolos de acompanhamento e prevenção do  câncer, respondendo afirmativamente à questão de pesquisa. 

A segunda questão da pesquisa visa compreender como o perfil social da  mulher, incluindo fatores como faixa etária, escolaridade e condição socioeconômica,  influencia a adoção e o uso de ferramentas de comunicação digital, como os chatbots. A  hipótese de que a faixa etária da mulher influencia o uso de chatbot é confirmada e  ampliada pelos achados da revisão bibliográfica, os quais demonstram uma complexa  interação de múltiplos fatores sociodemográficos.

O estudo transversal de Ezeigwe et al. (2025) oferece dados relevantes sobre esta  questão. A análise demonstrou que participantes mais jovens (faixa etária de 18 a 34  anos) apresentaram uma probabilidade 3,70 vezes maior de utilizar aplicativos de saúde  e bem-estar em comparação com indivíduos na faixa etária de 75 anos ou mais. Além da  idade, a renda familiar e o nível educacional aparecem como fatores significativos:  indivíduos com renda familiar anual ≥ US$ 50.000 tiveram chances 49% maiores de  usar esses aplicativos, e graduados universitários (ou com níveis educacionais mais  altos) apresentaram 1,87 vezes mais chances de uso em comparação com aqueles com  diploma de ensino médio ou menos. O acesso à internet também se mostrou um fator  fundamental com usuários da internet tendo mais de 3 vezes mais chances de utilizar  aplicativos de saúde. As descobertas ressaltam a existência de uma ‘divisão digital’ na  saúde, caracterizada por barreiras significativas que dificultam o engajamento de grupos  mais velhos, com menor renda, escolaridade e acesso à internet com as tecnologias de  saúde digital. 

Outros estudos complementam essa visão, como é o caso do trabalho de (WANG et al., 2023) que alerta para a “possível desigualdade e exclusão de populações  marginalizadas” como uma limitação potencial dos chatbots. No que se refere a  limitação de idade, (TANDON; DHIR; ISLAM, 2024) observaram que a  predominância de sistemas baseados em texto, com pouca exploração de interfaces de  voz, pode excluir perfis de usuários como idosos ou pessoas com limitações motoras,  além de ressaltar que muitos estudos são focados em contextos específicos, limitando a  generalização para diferentes populações ou países. (SHARMA et al., 2022) também  apontaram para a fragmentação da literatura, com concentração geográfica em países  desenvolvidos e amostras frequentemente pouco diversas (ex: predominância de  mulheres brancas em alguns estudos). 

Por outro lado, é importante notar que algumas estratégias podem ter sucesso em  engajar grupos específicos. O estudo de Haith et al. (2025) sobre estratégias digitais  para rastreamento de câncer de colo de útero no Reino Unido mostrou um aumento  particularmente notável na adesão entre mulheres de 50 a 64 anos, sugerindo que, com  abordagens adequadas e contextualizadas, grupos etários mais velhos também podem  ser efetivamente engajados. Contudo, a generalização dos resultados de estudos que se  concentram em populações muito específicas, como mulheres com câncer de mama em estágio inicial ou com alto risco genético (LIN et al., 2025), para a população feminina  em geral deve ser feita com prudência. 

O quadro 4 sintetiza os principais achados relacionados à influência do perfil  social no uso de ferramentas de comunicação digital. 

Quadro 4: Influência de Fatores do Perfil Social no Uso de Ferramentas de Comunicação Digital em  Saúde.

Artigo (Fonte) Fatores do Perfil Social  IdentificadosImpacto Observado no Uso e Adoção
WANG et al.,  2023Populações marginalizadas Risco de desigualdade e exclusão no acesso  e uso de chatbots.
LIN et al., 2025 Populações específicas de pacientes  (ex: câncer de mama hereditário,  estágio inicial)Resultados podem ter generalização limitada  para a população feminina em geral ou para  outros contextos de câncer.
TANDON;  DHIR; ISLAM,  2024Idosos, pessoas com limitações  motoras, diversidade populacional  e geográficaPredominância de interfaces textuais pode  ser uma barreira. Muitos estudos são  contextualmente específicos, dificultando a  generalização dos achados para diferentes  perfis de usuários ou sistemas de saúde.
SHARMA et  al., 2022Concentração geográfica (países  desenvolvidos), amostras pouco  diversas (ex: mulheres brancas,  idosos em alguns contextos)Literatura fragmentada, o que limita a  aplicabilidade global dos resultados e a  compreensão das necessidades de grupos  minoritários.
(MAIR et al.,  2023)Populações asiáticas, fatores  culturais, escolaridade,  experiências prévias com  tecnologia, preocupações com  privacidade de dadosAdoção de mHealth influenciada por  incentivos, apoio governamental,  personalização, facilidade de uso e  relevância cultural. Experiências negativas  anteriores e preocupações com dados podem  atuar como barreiras significativas
(HAITH et al.,  2025)Faixa etária (mulheres de 50-64  anos), populações rurais e  socioeconomicamente  desfavorecidasEstratégias digitais demonstraram ser  eficazes em aumentar a adesão ao  rastreamento, especialmente entre mulheres  mais velhas e em áreas com menor acesso a 
serviços.
(HECKMAN et  al., 2024)Jovens adultos, localização  geográfica (norte dos EUA)Recrutamento via mídias sociais foi bem sucedido para engajar jovens adultos. A  amostra de conveniência e a localização  geográfica podem, contudo, limitar a  generalização dos resultados.
EZEIGWE et  al. (2025)Idade (18-34 anos vs. 75+ anos),  renda familiar, nível educacional,  acesso à internetEvidenciou disparidades significativas:  indivíduos mais jovens, com maior renda,  maior escolaridade e acesso à internet são  significativamente mais propensos a usar  aplicativos de saúde. Destaca a “divisão  digital” na saúde.
Fonte: Autores do estudo.

Em resumo, a hipótese de que a faixa etária influencia o uso de chatbots e outras  ferramentas digitais é fortemente sustentada. Além disso, outros fatores sociais como  nível de renda, escolaridade, acesso à internet e contexto cultural desempenham papéis  cruciais, moldando o acesso, a aceitação e a utilização dessas tecnologias na área da  saúde. Para que as ferramentas digitais atinjam seu pleno potencial de forma equitativa,  é imperativo que essas diferenças sejam reconhecidas e abordadas no design e na  implementação das intervenções digitais. 

A análise aprofundada dos artigos selecionados permite identificar um conjunto  de tendências tecnológicas proeminentes que estão moldando o desenvolvimento e a  aplicação de ferramentas de comunicação digital no cuidado oncológico e na promoção  da saúde, tal qual o amadurecimento e especialização de agentes conversacionais como chatbots. 

Essa tecnologia, em específico, continua sendo central nesta tarefa, evoluindo de  simples respondentes baseados em regras para sistemas mais sofisticados que utilizam  Inteligência Artificial (IA). Observa-se uma tendência à especialização, com chatbots  sendo desenvolvidos para nichos específicos como educação sobre tipos particulares de  câncer, avaliação de risco hereditário, ou suporte ao manejo de sintomas.

A eficácia dos chatbots está cada vez mais atrelada aos avanços em IA,  especialmente em Processamento de Linguagem Natural (NLP) e aprendizado de  máquina. O trabalho de Sharma, D. et al. (2022) discute que essas tecnologias são  fundamentais para permitir que os chatbots compreendam as nuances da linguagem  humana, interpretem as intenções dos usuários com maior precisão e gerem respostas  mais contextuais, empáticas e úteis. 

Os aplicativos móveis de saúde e bem-estar (mHealth apps) são uma tendência  consolidada, com alta taxa de adoção entre diversos públicos, incluindo aqueles que  buscam informações sobre câncer. A tendência é a integração desses aplicativos com  outras plataformas e dispositivos, além da incorporação de funcionalidades mais  interativas e personalizadas, incluindo chatbots. Essa foi uma tendência apontada nos  trabalhos de Heckman, C. et al. (2024) e Sharma, D. et al. (2022). 

Em vez de depender de um único canal digital, as estratégias mais eficazes  tendem a ser multicanal, combinando SMS, e-mail, notificações em aplicativos, vídeos  educativos, plataformas web interativas e, quando apropriado, contato humano.  Modelos híbridos, que integram o digital com o cuidado presencial, também ganham  força. Essas são tendências evidenciadas nos trabalhos de Sharma, D. et al. (2022),  Haith, L. et al. (2025), Welch, B. M. et al. (2020) e Heckman, C. et al. (2024). 

Os estudos apontam também para desafios em relação às implicações éticas, a  segurança de dados de pacientes e a conformidade com regulamentações ao usar  tecnologias digitais em oncologia. Os trabalhos de Tandon A. et al. (2023), Mair, J. L.  et al. (2023) e Sharma, D. et al. (2022) destacam preocupações recorrentes com  privacidade e segurança de dados nos estudos analisados. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Por fim, esta Revisão Sistemática da Literatura evidenciou que ferramentas  digitais de comunicação têm um papel importante no contexto de prevenção e  acompanhamento de pacientes pertencentes ao grupo de risco de câncer de colo de  útero. Os estudos analisados demonstram que estas ferramentas contribuem de forma  significativa para aumentar a adesão das mulheres aos protocolos de acompanhamento,  facilitando o acesso à informação e a experiência da mulher.

Foi evidenciado que, quando bem implementados, as ferramentas de  comunicação digital, como os chatbots, podem reduzir barreiras como falta de  informação, dificuldades de acesso e desmotivação. Ademais, foi possível identificar  que o perfil social e econômico das usuárias influencia diretamente a adoção dessas  ferramentas. Tal constatação reforça a importância de considerar a diversidade  socioeconômica no plano de implementação e no desenvolvimento de soluções de saúde  digital, garantindo inclusão e igualdade de acesso. 

Apesar disso, a literatura carece de mais estudos focados em populações  diversas, em especial em países em desenvolvimento. Há escassez de evidências  específicas voltadas para a comunicação de saúde digital no contexto do câncer de colo  de útero em mulheres brasileiras. 

Como recomendação de futuras pesquisas, sugere-se o aprofundamento em  estratégias personalizadas de comunicação que contemplem diferentes perfis sociais,  avaliando de forma longitudinal a relação entre o tipo de comunicação digital e o  engajamento da mulher no protocolo de atendimento. No âmbito da saúde pública, a  implementação deste tipo de tecnologia deve ser implementada de forma cuidadosa,  com foco na equidade, acessibilidade e qualidade da informação, contribuindo para o  fortalecimento de políticas de prevenção do câncer de colo de útero. 

REFERÊNCIAS 

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INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA  (INCA). Estimativa 2023: incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro. INCA,  2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/ptbr/assuntos/cancer/numeros/estimativa Acesso em: 25 maio de 2025. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da  Silva. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2. ed.  rev. atual. Rio de Janeiro: INCA, 2016. 114 p. ISBN 978-85-7318-296-5. 

EZEIGWE, Ogochukwu Juliet et al. Technological-Based Interventions in Cancer and  Factors Associated With the Use of Mobile Digital Wellness and Health Apps Among  Cancer Information Seekers: Cross-Sectional Study. J Med Internet Res, v. 27, p.  e63403, 5 fev. 2025.

HAITH, Lisa et al. A Retrospective Observational Study on the Impact of Digital  Strategies to Boost Cervical Screening Uptake in Primary Care. Cancer Control, v. 32,  p. 10732748251330705, fev. 2025. 

HECKMAN, Carolyn J. et al. Digital Interventions to Modify Skin Cancer Risk  Behaviors in a National Sample of Young Adults: Randomized Controlled Trial.  Journal of Medical Internet Research, v. 26, p. e55831, 2 jul. 2024. 

ISLAM, Rakibul M. et al. Barriers to Cervical Cancer and Breast Cancer Screening  Uptake in Low-Income and Middle-Income Countries: A Systematic Review. Asian  Pacific Journal of Cancer Prevention, v. 18, n. 7, jul. 2017. 

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LIN, Shih-Jung et al. Chatbots for breast cancer education: a systematic review and  meta-analysis. Supportive Care in Cancer, v. 33, n. 1, p. 55, jan. 2025. 

MAIR, Jacqueline Louise et al. Exploring the potential of mobile health interventions to  address behavioural risk factors for the prevention of non-communicable diseases in  Asian populations: a qualitative study. BMC Public Health, v. 23, n. 1, p. 753, 24 abr.  2023. 

RAZZAK, Md Abdur et al. Digital health interventions for cervical cancer care: A  systematic review and future research opportunities. PLOS ONE, v. 18, n. 12, p.  e0296015, 15 dez. 2023. 

SAMPAIO, Rf; MANCINI, Mc. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese  criteriosa da evidência científica. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 11, n. 1, p. 83– 89, fev. 2007. 

SHARMA, Deepali et al. Chatbots in Healthcare: Challenges, Technologies and  Applications. In: 2022 4TH INTERNATIONAL CONFERENCE ON ARTIFICIAL  INTELLIGENCE AND SPEECH TECHNOLOGY (AIST). 2022 4th International  Conference on Artificial Intelligence and Speech Technology (AIST). Delhi, India:  IEEE, 9 dez. 2022. Disponível em: <https://ieeexplore.ieee.org/document/10065328/>.  Acesso em: 2 jun. 2025 

SUNG, Hyuna et al. Global Cancer Statistics 2020: GLOBOCAN Estimates of  Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA: A Cancer  Journal for Clinicians, v. 71, n. 3, p. 209–249, maio 2021. 

TANDON, Anushree; DHIR, Amandeep; ISLAM, Nazrul. Mobile Health Interventions  for Cancer Care and Support: The Next Level of Digitalization in Healthcare? IEEE  Transactions on Engineering Management, v. 71, p. 6173–6189, 2024. 

WANG, Alexander et al. The Use of Chatbots in Oncological Care: A Narrative  Review. International Journal of General Medicine, v. Volume 16, p. 1591–1602,  maio 2023.

WELCH, Brandon M. et al. Using a Chatbot to Assess Hereditary Cancer Risk. JCO  Clinical Cancer Informatics, n. 4, p. 787–793, nov. 2020.


1Discentes da Disciplina de Metodologia Científica do Curso Engenharia de Software da Universidade  Federal de Goiás. E-mail: lucasramos01@discente.ufg.br, fontes@ufg.br, reginaldoribeiro@discente.ufg.br,  thyagodivino@dicente.ufg.br
2Docente da Disciplina de Metodologia Científica do Curso de Engenharia de Software da Universidade  Federal de Goiás Email: renataf@inf.ufg.br.