CLINICAL MANIFESTATIONS AND ANTIVIRAL THERAPIES IN FELINE HERPESVIRUS TYPE 1 (FHV-1): A LITERATURE REVIEW
MANIFESTACIONES CLÍNICAS Y TERAPIAS ANTIVIRALES EN EL HERPESVIRUS FELINO TIPO 1 (FHV-1): UNA REVISIÓN DE LA LITERATURA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511070137
Marcelly Duarte de Moura¹
Raphael Grillo²
RESUMO
O Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) é um dos principais agentes responsáveis por infecções respiratórias e oculares em gatos domésticos, apresentando elevada prevalência e potencial de recorrência devido à sua capacidade de latência nos gânglios trigeminais. O presente estudo teve como objetivo revisar os aspectos virológicos, epidemiológicos, clínicos e terapêuticos relacionados ao FHV-1, destacando os avanços científicos no diagnóstico e manejo da infecção. Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, baseada em publicações científicas indexadas entre 2020 e 2025, selecionadas nas bases PubMed, ScienceDirect, Scielo e MDPI. Foram analisados quinze estudos que abordaram desde a estrutura viral e mecanismos de replicação até as manifestações clínicas oftálmicas e estratégias terapêuticas. Os resultados apontaram que o vírus mantém comportamento persistente e reativável, especialmente em situações de estresse e imunossupressão, ocasionando conjuntivite, ceratite e sequestro corneano. O diagnóstico precoce, por meio de técnicas moleculares e citológicas, é essencial para a definição do tratamento adequado. As terapias antivirais combinadas, aliadas ao suporte nutricional e imunomodulador, mostraram-se eficazes na redução da carga viral e na prevenção de recidivas. Conclui-se que a infecção por FHV-1 exige abordagem multidimensional, envolvendo diagnóstico rápido, tratamento integrado e orientação ao tutor, reforçando o papel do médico-veterinário na prevenção e controle da doença.
Palavras-chave: Herpesvírus felino tipo 1; Conjuntivite; Ceratite; Terapêutica antiviral; Diagnóstico laboratorial.
ABSTRACT
Feline Herpesvirus type 1 (FHV-1) is one of the main agents responsible for respiratory and ocular infections in domestic cats, showing high prevalence and recurrence potential due to its ability to establish latency in trigeminal ganglia. This study aimed to review virological, epidemiological, clinical, and therapeutic aspects of FHV-1, highlighting scientific advances in diagnosis and management. It is a narrative literature review based on scientific publications indexed between 2020 and 2025 in PubMed, ScienceDirect, Scielo, and MDPI databases. Fifteen studies addressing viral structure, replication mechanisms, ocular manifestations, and therapeutic strategies were analyzed. Results indicated that the virus persists and reactivates, especially under stress and immunosuppression, leading to conjunctivitis, keratitis, and corneal sequestration. Early diagnosis through molecular and cytological techniques is essential to guide treatment. Combined antiviral therapies, along with nutritional and immunomodulatory support, proved effective in reducing viral load and preventing recurrences. It is concluded that FHV-1 infection requires a multidimensional approach involving rapid diagnosis, integrated treatment, and owner education, reinforcing the veterinarian’s role in prevention and disease control.
Keywords: Feline herpesvirus type 1; Conjunctivitis; Keratitis; Antiviral therapy; Laboratory diagnosis.
RESUMEN
El Herpesvirus felino tipo 1 (FHV-1) es uno de los principales agentes responsables de infecciones respiratorias y oculares en gatos domésticos, con alta prevalencia y potencial de recurrencia debido a su capacidad de latencia en los ganglios trigéminos. El presente estudio tuvo como objetivo revisar los aspectos virológicos, epidemiológicos, clínicos y terapéuticos del FHV-1, destacando los avances científicos en su diagnóstico y tratamiento. Se trata de una revisión narrativa de la literatura basada en publicaciones científicas indexadas entre 2020 y 2025 en las bases PubMed, ScienceDirect, Scielo y MDPI. Se analizaron quince estudios que abarcan desde la estructura viral y los mecanismos de replicación hasta las manifestaciones oculares y estrategias terapéuticas. Los resultados mostraron que el virus puede persistir y reactivarse, especialmente bajo estrés e inmunosupresión, provocando conjuntivitis, queratitis y secuestro corneal. El diagnóstico precoz mediante técnicas moleculares y citológicas es fundamental para la elección del tratamiento adecuado. Las terapias antivirales combinadas, junto con el apoyo nutricional e inmunomodulador, resultaron eficaces para reducir la carga viral y prevenir recurrencias. Se concluye que la infección por FHV-1 requiere un abordaje multidimensional, que integre diagnóstico rápido, tratamiento combinado y orientación al tutor, reforzando el papel del médico veterinario en la prevención y el control de la enfermedad.
Palabras clave: Herpesvirus felino tipo 1; Conjuntivitis; Queratitis; Terapia antiviral; Diagnóstico de laboratorio.
1 INTRODUÇÃO
As doenças oculares em felinos domésticos configuram um desafio recorrente na clínica veterinária, dada a sua elevada prevalência e o impacto direto que exercem sobre a visão, o bem-estar e a qualidade de vida dos animais. Dentre os agentes infecciosos responsáveis por alterações oftálmicas, o Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV1) destaca-se como o principal patógeno envolvido em quadros de conjuntivite e ceratite ulcerativa, sendo reconhecido mundialmente pela sua ampla disseminação e persistência no ambiente (Reinhard et al., 2020; Lewin et al., 2021). A infecção ocular por FHV-1 apresenta curso agudo, recorrente e de difícil controle, o que exige do médico-veterinário uma abordagem clínica criteriosa e baseada em evidências científicas (Ledbetter et al., 2022).
O FHV-1 pertence à família Herpesviridae e ao gênero Varicellovirus, sendo um vírus de DNA de fita dupla com tropismo marcante pelas células epiteliais da conjuntiva e da córnea (Zhang et al., 2020). Após a infecção primária, o vírus tende a permanecer latente nos gânglios trigeminais, podendo ser reativado diante de condições de estresse, imunossupressão ou uso prolongado de corticosteroides (Kopecny et al., 2020; Synowiec et al., 2023). Essa característica de latência e reativação intermitente explica a recorrência frequente das manifestações clínicas e as dificuldades associadas ao manejo terapêutico prolongado. Estudos apontam que a maioria dos gatos adultos apresenta soropositividade para o FHV-1, o que confirma a relevância epidemiológica dessa virose (Cavalheiro et al., 2023).
As manifestações oculares associadas ao FHV-1 variam conforme a fase e a intensidade da infecção, podendo incluir conjuntivite serosa ou mucopurulenta, ceratite ulcerativa dendrítica, blefaroespasmo e, em casos mais severos, sequestro corneano e simbléfaro (Lewin, 2023; Ledbetter et al., 2025). Essas lesões resultam da necrose epitelial e da resposta inflamatória intensa que acometem a superfície ocular. Além disso, a infecção viral pode favorecer infecções bacterianas secundárias, que agravam o quadro clínico e prolongam o tempo de recuperação (O’Leary et al., 2021). A ceratite herpética felina, em especial, é reconhecida por causar dor intensa, edema corneano e perda visual parcial, demandando protocolos terapêuticos que combinem antivirais tópicos, antibióticos profiláticos e medidas de suporte ocular (Ledbetter et al., 2022).
Do ponto de vista clínico, a doença apresenta grande variabilidade, indo de formas leves e autolimitadas a casos graves com comprometimento bilateral e crônico. A reativação viral é o principal fator responsável pelas recidivas, podendo ser desencadeada por mudanças de ambiente, desmame, gravidez ou doenças concomitantes (Lewin et al., 2021; Yang et al., 2024). A infecção ocular pelo FHV-1 possui também relevância epidemiológica, uma vez que a eliminação viral ocorre pelas secreções oculares, nasais e orais por até três semanas após o contágio, contribuindo para a disseminação entre gatos de diferentes faixas etárias (Synowiec et al., 2023). Essa dinâmica reforça a importância do diagnóstico precoce e do isolamento sanitário dos animais acometidos em abrigos, clínicas e colônias
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Aspectos virológicos e epidemiológicos do FHV-1
O Herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1) é reconhecido como o principal agente etiológico das infecções respiratórias e oculares em felinos domésticos, sendo responsável por elevada morbidade e frequente recorrência clínica. Trata-se de um vírus de DNA de fita dupla, pertencente à família Herpesviridae e ao gênero Varicellovirus, caracterizado por sua capacidade de estabelecer infecção latente e reativações periódicas ao longo da vida do hospedeiro (Zhang et al., 2020).
Sua estrutura viral é composta por um nucleocapsídeo icosaédrico, envolto por um tegumento proteico e uma camada lipídica externa, que contém glicoproteínas fundamentais para o processo de adesão e penetração nas células epiteliais da conjuntiva, córnea e trato respiratório superior (Synowiec et al., 2023). Essa conformação complexa confere ao vírus alta afinidade por tecidos mucosos e explica o tropismo ocular observado nos animais infectados.
Do ponto de vista genético, o FHV-1 apresenta um genoma com aproximadamente 135 kb, codificando diversas proteínas estruturais e não estruturais envolvidas em replicação, evasão imunológica e manutenção da latência (Zhang et al., 2020). O mecanismo de replicação viral ocorre no núcleo das células epiteliais, onde o DNA viral é transcrito em mRNA pelas enzimas do hospedeiro. A síntese de proteínas virais leva à lise celular e à liberação de novos vírions, que infectam células adjacentes. Após a fase aguda, o vírus migra pelos axônios sensoriais até os gânglios trigeminais, onde permanece em estado latente. Durante a latência, há supressão da expressão gênica viral, mantendo-se apenas transcritos latentes associados (LATs), responsáveis pela persistência silenciosa do agente (Yang et al., 2024).
A reativação do FHV-1 pode ser desencadeada por diversos fatores ambientais ou fisiológicos, como estresse, imunossupressão e uso de corticosteroides, condições que favorecem a replicação viral e a recidiva dos sinais clínicos (Kopecny et al., 2020). Essa característica é um dos principais desafios enfrentados pelos médicos-veterinários, uma vez que a infecção tende a tornar-se crônica e de manejo prolongado.
De acordo com Deng et al. (2024), a capacidade do vírus de permanecer latente e ressurgir sob estímulos imunológicos faz parte de uma estratégia evolutiva altamente eficiente, observada em diversos alfaherpesvírus, o que garante sua ampla disseminação entre populações felinas. Além disso, cepas isoladas em diferentes regiões do mundo apresentam pequenas variações genéticas, mas mantêm alta conservação nas regiões responsáveis pela codificação de proteínas estruturais, o que explica a similaridade clínica observada nos casos de infecção.
Em estudos recentes de caracterização molecular, Deng et al. (2024) identificaram variações genômicas entre isolados de diferentes continentes, destacando a estabilidade genética do FHV-1 e sua baixa taxa de mutação quando comparado a outros vírus de DNA. Essa estabilidade genômica é um dos fatores que contribuem para a eficácia de vacinas e terapias antivirais já existentes, embora não impeça a ocorrência de surtos em populações felinas.
Do ponto de vista evolutivo, o FHV-1 compartilha homologia significativa com o Herpesvírus canino tipo 1 e o Herpesvírus bovino tipo 1, o que reforça sua relação filogenética com outros membros da subfamília Alphaherpesvirinae (Yang et al., 2024). No que diz respeito à epidemiologia, estudos internacionais estimam que até 97% dos gatos tenham sido expostos ao vírus em algum momento da vida, sendo a infecção primária mais frequente em filhotes e animais jovens (Lewin et al., 2021). A transmissão ocorre principalmente por contato direto com secreções oculares, nasais e orais, embora também possa ocorrer por fômites contaminados em ambientes com alta densidade populacional, como abrigos, gatis e clínicas veterinárias (Cavalheiro et al., 2023).
O vírus é sensível a desinfetantes comuns, porém pode permanecer viável por curtos períodos em superfícies úmidas, facilitando a disseminação indireta. A taxa de prevalência é significativamente maior em regiões tropicais e subtropicais, onde as condições ambientais favorecem a persistência viral e a suscetibilidade imunológica dos animais (Lewin A. C., 2023).
A importância epidemiológica do FHV-1 também está associada ao comportamento social dos gatos. Animais que vivem em colônias ou abrigos estão sujeitos a altos níveis de estresse e exposição contínua, o que favorece a reativação do vírus e a infecção de indivíduos suscetíveis (Kopecny et al., 2020). De forma semelhante, Lewin et al. (2021) observaram que gatos adultos, mesmo assintomáticos, podem atuar como portadores e disseminadores, eliminando o vírus de forma intermitente por longos períodos. Essa característica explica a dificuldade de erradicação da doença e a necessidade de medidas sanitárias rigorosas, especialmente em ambientes coletivos.
As relações entre imunossupressão e replicação viral têm sido amplamente documentadas. Segundo Synowiec et al. (2023), o FHV-1 possui mecanismos que modulam a resposta imune do hospedeiro, reduzindo a atividade de linfócitos T e macrófagos, o que favorece a persistência viral. Essa modulação imune está intimamente relacionada à produção de citocinas pró-inflamatórias, que agravam o quadro ocular e prolongam o processo infeccioso. Animais portadores de doenças concomitantes, como leucemia felina (FeLV) e imunodeficiência felina (FIV), tendem a desenvolver manifestações clínicas mais severas, com recidivas frequentes e maior risco de complicações oftálmicas (Lewin A. C., 2023).
De acordo com Cavalheiro et al. (2023), estudos realizados no Brasil confirmam a ampla presença do FHV-1 em populações urbanas e rurais, indicando prevalência significativa em regiões do Centro-Oeste e Sudeste. Esses achados reforçam a necessidade de programas de vigilância epidemiológica e vacinação sistemática, sobretudo em colônias de gatos e em instituições de abrigo. A infecção endêmica observada em diferentes municípios brasileiros acompanha a tendência global, evidenciando que o FHV-1 é um patógeno de grande importância sanitária para a medicina veterinária nacional (Tabela 1).
Tabela 1 – Etapas do ciclo replicativo do Herpesvírus felino tipo 1
| Fase do ciclo viral | Local predominante | Mecanismo biológico principal | Consequência clínica |
| Adsorção e entrada | Superfície epitelial conjuntival e nasal | Ligação das glicoproteínas virais a receptores celulares e endocitose mediada por receptores | Início da infecção primária com conjuntivite e rinite |
| Replicação nuclear | Núcleo das células epiteliais | Síntese de DNA viral e produção de proteínas estruturais | Lise celular e liberação de vírions |
| Migração neural | Axônios sensoriais do nervo trigêmeo | Transporte axonal retrógrado de partículas virais | Estabelecimento da latência |
| Latência e reativação | Gânglios trigeminais | Supressão da expressão gênica e manutenção de transcritos latentes (LATs) | Infecção persistente e recidivas sob estresse |
O conhecimento aprofundado da estrutura e do ciclo biológico do FHV-1 é essencial para a compreensão de sua persistência e da dificuldade em controlar surtos clínicos. Zhang et al. (2020) reforçam que a replicação nuclear e a fase latente representam os principais alvos para o desenvolvimento de novas terapias antivirais. Além disso, a caracterização molecular e filogenética recente permite identificar possíveis variantes regionais e avaliar a eficácia das vacinas disponíveis, ajustando estratégias de controle.
A correlação entre os fatores ambientais e a susceptibilidade dos gatos também tem relevância epidemiológica. Deng et al. (2024) relatam que a exposição a ambientes de alta umidade e densidade populacional aumenta a probabilidade de infecção cruzada, enquanto condições de confinamento e estresse térmico agravam a reativação do vírus latente. A manutenção de condições sanitárias adequadas, associada à vacinação e ao isolamento de indivíduos sintomáticos, constitui a principal medida preventiva.
O FHV-1 representa um dos agentes virais mais importantes da patologia felina contemporânea, combinando estabilidade genética, elevada taxa de infecção e potencial de recidiva prolongada. A análise dos aspectos virológicos e epidemiológicos demonstra que a infecção não se limita ao trato respiratório superior, mas afeta também estruturas oculares sensíveis, tornando-se uma preocupação recorrente na clínica e na saúde coletiva animal (Lewin A. C., 2023; Cavalheiro et al., 2023). A vigilância constante, o avanço das pesquisas moleculares e a implementação de programas de prevenção são fundamentais para reduzir o impacto dessa virose e melhorar o prognóstico dos animais acometidos.
2.2. Manifestações clínicas oftálmicas
As manifestações oftálmicas decorrentes da infecção pelo Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) são amplamente reconhecidas como uma das principais causas de morbidade ocular em felinos domésticos (Tabela 2).
Tabela 2 – Principais manifestações oculares associadas à infecção pelo FHV-1 em felinos
| Tipo de lesão ocular | Sinais clínicos predominantes | Exames diagnósticos indicados | Possíveis complicações |
| Conjuntivite aguda | Hiperemia, secreção serosa ou mucopurulenta, edema palpebral | Citologia conjuntival, PCR | Coinfecções bacterianas |
| Ceratite ulcerativa | Dor intensa, opacidade, úlcera dendrítica com fluoresceína positiva | Lâmpada de fenda, coloração com fluoresceína, PCR | Perfuração corneana, opacidade permanente |
| Sequestro corneano | Mancha marrom-escura na córnea, opacidade e dor ocular | Exame clínico e histopatológico | Necessidade de ceratectomia |
| Ceratite eosinofílica | Placas brancas, prurido, secreção viscosa | Citologia, teste de citocinas | Recidiva após imunossupressão |
| Infecção crônica | Lagrimejamento persistente, ceratite recorrente | PCR quantitativo, cultura viral | Fibrose e perda visual |
Fonte: Lewin (2023).
O vírus apresenta um tropismo marcante pelo epitélio conjuntival e corneano, resultando em inflamação, ulceração e, em casos crônicos, fibrose e comprometimento visual permanente (Lewin, 2023). As lesões oculares associadas ao FHV-1 ocorrem tanto em infecções primárias quanto em reativações, sendo influenciadas pela imunidade do hospedeiro, pelo ambiente e pela virulência da cepa viral. De modo geral, a conjuntivite e a ceratite herpética são as formas clínicas mais observadas, embora outras complicações, como o sequestro corneano, também possam ocorrer (Reinhard et al., 2020).
Durante a infecção primária, os sinais oculares surgem de forma aguda, geralmente acompanhados de sintomas respiratórios, como espirros, rinorreia e febre.
A conjuntivite é caracterizada por hiperemia, edema palpebral e secreção serosa, (Figura1), que pode evoluir para mucopurulenta com infecções bacterianas secundárias (Reinhard et al., 2020).
Figura 1 – Conjuntivite aguda durante o curso de uma infecção por FHV.

A ceratite, por sua vez, ocorre pela replicação viral direta nas células epiteliais da córnea, levando à necrose e à exposição do estroma subjacente (Yang et al., 2024). Em casos mais graves, observam-se ulcerações dendríticas, consideradas lesões típicas da ceratite herpética, que podem ser identificadas por meio da coloração com fluoresceína (Figura 2). Essas úlceras apresentam bordas ramificadas e fluorescência característica, facilitando o diagnóstico diferencial em relação a outras causas de ceratopatia (Ledbetter et al., 2022).
Figura 2 – Úlcera corneal grande em um gato com infecção por FHV. A úlcera foi corada com corante fluoresceína (verde brilhante)

A infecção ocular pelo FHV-1 pode ser dividida em três fases clínicas principais: a fase aguda, a fase latente e a fase de reativação. Na fase aguda, predominam sinais inflamatórios intensos, como blefaroespasmo, lacrimejamento e fotofobia (Lewin, 2023). Já na fase latente, o vírus permanece inativo nos gânglios trigeminais, podendo ser reativado por estímulos de estresse, imunossupressão ou doenças concomitantes (Synowiec et al., 2023).
A fase de reativação é frequentemente observada em gatos adultos, especialmente em situações de mudança de ambiente, internações ou introdução de novos animais no mesmo espaço. Durante esse período, os sintomas oculares retornam, muitas vezes de forma mais branda, mas com potencial para causar lesões recorrentes que levam a opacificação corneana e perda parcial da visão (Ledbetter et al., 2025).
O sequestro corneano é uma complicação relativamente comum das infecções crônicas por FHV-1, caracterizado pela necrose focal da córnea e deposição de pigmento escuro, conferindo aspecto enegrecido à lesão (Lewin, 2023). Essa condição é resultado da necrose estromal associada à inflamação persistente e à exposição prolongada da córnea.
Yang et al. (2024) observaram, em estudos histopatológicos, que a degeneração epitelial e a infiltração de células inflamatórias são processos centrais no desenvolvimento do sequestro. O tratamento dessa condição requer intervenção cirúrgica, geralmente por meio de ceratectomia superficial, seguida de terapia antiviral e suporte com colírios lubrificantes e antibióticos profiláticos.
Xiao et al. (2024) analisaram as alterações transcriptômicas em córneas de gatos infectados experimentalmente, identificando aumento da expressão de genes relacionados a processos inflamatórios, apoptose celular e degradação da matriz extracelular. Esses achados reforçam o papel da resposta imune exacerbada na patogênese da ceratite herpética felina. As alterações moleculares detectadas sugerem que o dano tecidual não decorre apenas da replicação viral, mas também da resposta inflamatória local, o que explica a gravidade das lesões mesmo após a diminuição da carga viral.
De acordo com Ledbetter et al. (2022), os casos de ceratite herpética podem ser classificados em ulcerativos e não ulcerativos. Na forma não ulcerativa, ocorre edema corneano e opacidade difusa, enquanto na forma ulcerativa observa-se erosão epitelial e infiltração leucocitária. A progressão para ceratite estromal, embora menos comum, representa uma forma grave da doença e pode levar à perfuração corneana se não houver intervenção imediata. O’Leary et al. (2021) acrescentam que as terapias antivirais tópicas, embora eficazes, não impedem totalmente a recorrência, o que indica que o controle clínico deve incluir o manejo das causas predisponentes, como estresse e coinfecções.
Os diagnósticos diferenciais das oftalmopatias felinas incluem conjuntivites bacterianas, clamidiose, micoplasmose e infecções fúngicas (Lewin, 2023). A diferenciação é essencial, pois essas doenças podem coexistir com o FHV-1, agravando o quadro clínico e dificultando a resposta terapêutica. A clamidiose felina, por exemplo, apresenta secreção ocular semelhante, mas com menor frequência de úlceras corneanas. Já a micoplasmose pode causar blefaroespasmo persistente e infiltração conjuntival sem a presença de lesões dendríticas típicas. A correta identificação do agente etiológico é, portanto, indispensável para evitar terapias inadequadas.
Para o diagnóstico laboratorial, diversos métodos podem ser empregados, como a citologia conjuntival, o isolamento viral, a imunofluorescência direta e a reação em cadeia da polimerase (PCR). Entre esses, o PCR é considerado o padrão-ouro, pois detecta pequenas quantidades de DNA viral com alta especificidade (Lewin, 2023). Segundo Reinhard et al. (2020), a combinação de diagnóstico clínico e molecular aumenta a acurácia na confirmação da infecção, especialmente em casos de portadores assintomáticos. A citologia conjuntival, embora menos específica, pode revelar a presença de células epiteliais com inclusões intranucleares características da replicação viral.
Os achados clínicos de Ledbetter et al. (2025) destacam ainda que a inflamação ocular decorrente do FHV-1 pode evoluir para ceratite eosinofílica, uma condição imunomediada que cursa com presença de infiltrado eosinofílico e placas brancas na córnea. Essa forma de inflamação crônica, embora não necessariamente causada por replicação viral ativa, é frequentemente associada à exposição prévia ao FHV-1. O tratamento inclui o uso de corticosteroides tópicos ou ciclosporina, sempre com cautela, pois a imunossupressão pode reativar a infecção latente (Synowiec et al., 2023).
A observação clínica detalhada continua sendo o principal instrumento diagnóstico para o manejo das oftalmopatias por FHV-1. Entretanto, o uso combinado de exames complementares permite uma abordagem mais precisa e individualizada. Lewin (2023) enfatiza que o reconhecimento precoce das lesões e a diferenciação entre infecção ativa e latente são essenciais para prevenir danos irreversíveis à córnea. Além disso, a avaliação periódica do paciente é necessária para identificar recidivas e ajustar o protocolo terapêutico.
Em suma, as manifestações clínicas oftálmicas associadas ao FHV-1 são multifacetadas e variam de formas leves de conjuntivite a quadros graves de ceratite ulcerativa e sequestro corneano. O curso clínico depende da interação entre a virulência viral e a resposta imune do hospedeiro (Yang et al., 2024). O manejo adequado requer não apenas o controle da infecção, mas também a prevenção de recidivas e o monitoramento contínuo da saúde ocular. A integração entre exame clínico detalhado, diagnóstico molecular e terapêutica racional é a estratégia mais eficaz para preservar a visão e o bem-estar dos felinos afetados (Reinhard et al., 2020; Ledbetter et al., 2022; Lewin, 2023).
2.3. Terapias antivirais e manejo clínico
O tratamento das infecções oculares causadas pelo Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) representa um dos maiores desafios da clínica veterinária contemporânea, devido ao caráter recorrente e persistente da infecção. A abordagem terapêutica deve considerar o controle da replicação viral, o manejo das manifestações clínicas e a prevenção das recidivas, buscando reduzir o desconforto ocular e preservar a integridade da córnea (Reinhard et al., 2020).
Entre os antivirais utilizados, destacam-se o famciclovir, o cidofovir, a idoxuridina, a trifluridina e o ganciclovir, que atuam inibindo a DNA polimerase viral. (Tabela 3). Além disso, terapias adjuvantes e medidas de suporte, como suplementação e controle ambiental, são essenciais para evitar a reativação viral (Lewin, 2023).
Tabela 3 – Principais antivirais utilizados no manejo clínico do FHV-1 em felinos
| Antiviral | Via de administração | Frequência | Observações clínicas principais |
| Famciclovir | Oral | 2 a 3 vezes ao dia | Alta eficácia; boa tolerância; ideal para infecções agudas |
| Cidofovir | Tópica (0,5%) | 2 vezes ao dia | Potente; pode causar irritação ocular em uso prolongado |
| Ganciclovir | Tópica (0,15%) | 3 a 4 vezes ao dia | Boa penetração corneana; útil em ceratites ulcerativas |
| Trifluridina / Idoxuridina | Tópica | 4 a 6 vezes ao dia | Eficaz; difícil adesão ao tratamento domiciliar |
| L-lisina | Oral | 1 a 2 vezes ao dia | Resultados variáveis; uso adjuvante preventivo |
O famciclovir é considerado a principal droga sistêmica de escolha para o tratamento de infecções agudas por FHV-1. Estudos clínicos controlados demonstraram sua eficácia na redução dos sinais oculares e respiratórios, bem como na diminuição da eliminação viral (Reinhard et al., 2020). O fármaco é um pró-fármaco do penciclovir, que se converte em sua forma ativa após metabolização hepática, inibindo seletivamente a DNA polimerase do vírus. O uso do famciclovir oral em gatos apresenta boa tolerabilidade, sendo relatados poucos efeitos adversos gastrointestinais. Ledbetter et al. (2022) observaram que, quando combinado ao uso tópico de ganciclovir, o famciclovir promoveu maior taxa de resolução clínica e menor tempo de recuperação. Essa combinação potencializa o efeito antiviral, ao agir tanto de forma sistêmica quanto local sobre as células infectadas.
Outro antiviral amplamente estudado é o cidofovir, um análogo de nucleosídeo de citosina com potente ação inibitória sobre a replicação do FHV-1. Sua formulação tópica a 0,5% permite aplicação duas vezes ao dia, o que facilita a adesão ao tratamento. Contudo, Ledbetter et al. (2025) relataram que o uso prolongado pode causar irritação conjuntival e ceratite superficial, especialmente em animais sensíveis. Por essa razão, o cidofovir é recomendado para infecções oculares agudas, mas deve ser substituído por terapias menos tóxicas em tratamentos prolongados.
O’Leary et al. (2021) alertaram ainda para as variações de concentração em formulações manipuladas, que podem comprometer a eficácia e segurança do medicamento, reforçando a importância de padronização farmacêutica na prática clínica.
As terapias tópicas com ganciclovir, trifluridina e idoxuridina continuam sendo amplamente empregadas, especialmente em casos de ceratite ulcerativa e conjuntivite associadas ao FHV-1. O ganciclovir apresenta alta penetração corneana e reduz significativamente a carga viral em infecções oculares moderadas (Ledbetter et al., 2022). Já a trifluridina e a idoxuridina, embora eficazes, exigem aplicações frequentes (a cada 4 a 6 horas), o que limita seu uso em ambiente domiciliar. De acordo com Lewin (2023), a escolha entre terapia tópica e sistêmica deve ser baseada na gravidade do quadro, na tolerância do paciente e na disponibilidade dos fármacos, sendo recomendável o uso combinado em casos de ceratite extensa ou infecção sistêmica concomitante.
Além dos antivirais convencionais, novas abordagens terapêuticas vêm sendo investigadas. Zhang et al. (2020) descreveram um mecanismo de supressão da replicação viral mediado pelo microRNA miR-101, que atua sobre o gene celular SOCS5, reduzindo a produção de citocinas inflamatórias e, consequentemente, a replicação do FHV-1. Essa descoberta abre perspectivas para terapias genéticas e imunomoduladoras que possam controlar a infecção sem causar os efeitos colaterais observados em antivirais tradicionais. Complementarmente, Yang et al. (2024) desenvolveram um modelo experimental com vírus-repórter capaz de acelerar a triagem de novos compostos antivirais, otimizando o processo de pesquisa e desenvolvimento de fármacos veterinários.
No contexto clínico, Deng et al. (2024) identificaram diferenças na resposta terapêutica entre cepas de FHV-1, sugerindo que variações genéticas podem influenciar a sensibilidade a determinados antivirais. Essa variabilidade justifica a importância do diagnóstico molecular antes da definição do protocolo terapêutico, garantindo maior precisão na escolha dos medicamentos. O uso de antivirais deve ser acompanhado de medidas de suporte ocular, como lubrificantes tópicos, antibióticos profiláticos e controle da inflamação. A administração de colírios antibióticos (como oxitetraciclina ou eritromicina) previne infecções bacterianas secundárias, comuns em casos de ulceração corneana (Lewin, 2023).
A suplementação com L-lisina, apesar de amplamente utilizada, apresenta resultados controversos. Segundo Lewin (2023), alguns estudos indicam que a L-lisina poderia competir com a arginina, aminoácido essencial para a replicação viral, enquanto outros não encontraram benefícios significativos. Por isso, seu uso deve ser avaliado individualmente, considerando a resposta clínica e o risco de efeitos gastrointestinais. O manejo clínico deve também contemplar a redução de fatores de estresse, o isolamento dos animais doentes e a manutenção de um ambiente sanitariamente controlado, fundamentais para prevenir reativações virais (Cavalheiro et al., 2023).
De acordo com Capozza et al. (2021), a presença de coinfecções virais ou bacterianas pode comprometer a eficácia terapêutica e agravar o quadro clínico. Assim, a avaliação integral do paciente é essencial, especialmente em gatos imunossuprimidos ou com infecções concomitantes, como FIV ou FeLV. Nessas situações, o uso de agentes imunomoduladores, como interferon felino recombinante e interleucina-12, tem sido proposto como alternativa adjuvante, promovendo a modulação da resposta imune e a redução das recidivas (Lewin, 2023).
O manejo clínico das infecções por FHV-1 deve adotar uma abordagem multimodal, combinando antivirais, imunomoduladores e suporte clínico. Lewin (2023) enfatiza que a adesão do tutor ao tratamento e o acompanhamento contínuo são determinantes para o sucesso terapêutico. Em locais com alta densidade populacional, como abrigos, a implementação de protocolos profiláticos é indispensável para reduzir a circulação viral. O monitoramento sorológico e a vacinação periódica também são ferramentas essenciais para o controle epidemiológico (Cavalheiro et al., 2023).
O tratamento do FHV-1 requer uma abordagem individualizada, considerando a condição clínica do paciente, o estágio da infecção e a resposta terapêutica. A integração entre terapias antivirais comprovadas, suplementação adjuvante e manejo ambiental adequado constitui a base para minimizar recidivas e melhorar o prognóstico dos felinos acometidos (Ledbetter et al., 2025; Lewin, 2023; Deng et al., 2024).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos estudos revisados permitiu compreender a complexidade das infecções oculares causadas pelo Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1), especialmente quanto à sua patogênese, recorrência e impacto clínico sobre a saúde ocular dos felinos. As evidências apontam que o vírus apresenta comportamento persistente, com capacidade de latência e reativação, o que explica a alta taxa de recidivas observada em animais infectados. Esse comportamento reforça a importância de abordagens terapêuticas contínuas e bem estruturadas, que considerem não apenas o controle dos sinais clínicos imediatos, mas também a prevenção das reativações virais a longo prazo.
Os principais achados demonstram que a infecção pelo FHV-1 pode se manifestar sob diversas formas clínicas, variando desde quadros leves de conjuntivite até processos graves de ceratite ulcerativa e sequestro corneano. Essa diversidade de manifestações reforça a necessidade de diagnóstico rápido e preciso, capaz de distinguir a infecção ativa de outras doenças oftálmicas semelhantes. A utilização de métodos complementares, como exames citológicos e moleculares, contribui significativamente para a confirmação do agente etiológico e para a definição do protocolo terapêutico mais adequado.
O tratamento eficaz do FHV-1 depende de terapias antivirais combinadas, capazes de agir simultaneamente sobre diferentes etapas do ciclo viral. A associação entre antivirais sistêmicos e tópicos, complementada por medidas de suporte, tem se mostrado a estratégia mais promissora no controle das manifestações clínicas e na redução da carga viral. Além disso, o uso criterioso de imunomoduladores e a manutenção de um ambiente estável e livre de fatores estressantes desempenham papel fundamental na prevenção das recidivas, assegurando melhor qualidade de vida aos animais afetados.
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¹Marcelly Duarte de Moura, acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Guarulhos
²Raphael Grillo, docente do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Guarulhos
