REVISÃO DA LITERATURA: CANABIDIOL NA MODULAÇÃO DA DOENÇA DE PARKINSON NOS SINTOMAS MOTORES

LITERATURE REVIEW: CANNABIDIOL IN THE MODULATION OF PARKINSON’S DISEASE IN MOTOR SYMPTOMS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510220642


Maria Cleidiane Ferreira dos Santos


RESUMO 

Contexto: a Doença Parkinson é caracterizada pela a perda gradativa do teor de dopamina localizada no núcleo estriado, levando a perda dos  neurônios da substância negra. Os sintomas clínicos mais evidentes são divididos em motores e não motores Os sintomas motores incluem: bradicinesia, tremor em repouso e instabilidade postural, e sintomas não-motores: disosmia, ansiedade, depressão e insônia. O canabidiol vem sendo avaliado com um possível tratamento para a Doença de Parkinson. Objetivo: foi avaliar o efeito do canabidiol frente a sua modulação na doença de Parkinson. Metodologia: Foram utilizados bases de dados como Scielo, PubMed e Google Scholar para obtenção dos dados, sendo utilizados artigos do ano de 1995 até 2020. Resultados: Os resultados obtidos abordam a respeito do canabidiol ser um indicativo para o tratamento dos sintomas motores,  avaliando-se que o seu efeito reduz os sintomas mais característicos, como: bradicinesia, tremor e rigidez. Conclusões: Os efeitos do canabidiol são promissores e podem estar relacionados com a diminuição dos sintomas motores, mas que precisa ocorrer mais estudos para evidenciar seus efeitos, especialmente em in vivo. 

ABSTRACT 

Context: Parkinson’s disease is characterized by the gradual loss of dopamine content located in the striatum nucleus, leading to the loss of neurons in the substantia nigra. The most evident clinical symptoms are divided into motor and non-motor symptoms. Motor symptoms include: bradykinesia, tremor in rest and postural instability, and non-motor symptoms: dysosmia, anxiety, depression and insomnia. Cannabidiol has been evaluated as a possible treatment for Parkinson’s disease. Aim: to evaluate the effect of cannabidiol in terms of its modulation in Parkinson’s disease. Methodology: Databases such as Scielo, PubMed and Google Scholar were used to obtain data, using articles from 1995 to 2020. Results: The results obtained address the issue of cannabidiol being an indication for the treatment of motor symptoms, It is estimated that its effect reduces the most characteristic symptoms, such as: bradykinesia, tremor and rigidity. Conclusions: The effects of cannabidiol are promising and may be related to the reduction of motor symptoms, but more studies need to be carried out to demonstrate its effects. effects, especially in vivo

INTRODUCTION 

INTRODUÇÃO 

O déficit de dopamina está ligada à perda dos neurônios  da parte compacta da substância negra, no qual fornece inervação dopaminérgica no estriado, especialmente ao caudado e putame (GOODMAN; GILMAN, 2019). A fisiopatologia da Doença de Parkinson (DP) baseia-se na análise do teor de dopamina do núcleo estriado diminuído em mais de 80%, acarretando perda equivalente dos neurônios da substância negra(GOODMAN; GILMAN, 2019). 

Os gânglios basais  desempenham um papel fundamental, agindo como um sistema  colateral modulador que regula o fluxo de informações do córtex cerebral para os neurônios  do tipo motores que estão na medula espinal (GOODMAN; GILMAN, 2019).  

Os gânglios da base são constituídos por um grupo de núcleos subcorticais interconectados situados no mesencéfalo, diencéfalo e telencéfalo (PONZON; CAIRASCO, 1995).Os mesmos convergem para os gânglios basais informações advindas de diferentes áreas corticais, límbicas, talâmicas e mesencefálicas, no qual são integradas e divididas para estruturas subcorticais , como o tálamo e mesencéfalo, e áreas corticais, como motora suplementar, pré- motora, frontal, no qual estão relacionadas ao planejamento e memória da ação motora (PONZON; CAIRASCO, 1995).

Como citado anteriormente, a Doença de Parkinson  (DP)é caracterizada por uma perda dos neurônios dopaminérigocos (GOODMAN; GILMAN, 2019); Além disso, vale destacar que, a Doença de Parkinson ( DP) apresenta um desequilíbrio entre as vias inibitórias gabaérgicas e as vias excitatórias glutamatérgicas( HARIZ;BLOMSTEDT,2022). As células dopaminérgicas mortas na substância negra (SNc) faz com que haja a depleção de dopamina no estriado, incluindo o  caudado e putâmen (HARIZ;BLOMSTEDT,2022). Esse mecanismo faz com que ocorra mudanças na saída do corpo estriado (estriado e putâmen), fazendo com que ocorra a saída do corpo estriado de encontro ao globo pálido ao decorrer de duas vias: a primeira é a via indireta, no qual o estriado eleva sua inibição gabaérgica do globo pálido externo ( Gape), fazendo que haja uma diminuição da inibição do GPe no núcleo subtalâmico(STN). O núcleo subtalâmico se torna hiperativo e proporciona uma excitação glutamatergica elevada no globo pálido interno (GPi) e na substância negra reticulada( SNr), onde dois compartimentos se tornam hiperativos(HARIZ;BLOMSTEDT,2022). 

Concomitantemente, a atividade inibitória do estriado sobre o GPi pela via direta faz com que essa atividade seja diminuída , fazendo com que o estriado perca sua ação inibitória e haja uma maior atividade do GPi. Por sua hiperatividade ser constante, o GPi promove uma inibição elevada no tálamo motor, onde a sua atividade é diminuída no córtex (SILVESTRO et al, 2020).       Além da inibição presenciada no córtex, é visto que, os núcleos do tronco cerebral, abrangendo o centro locomotor no núcleo pedunculopontino( PPNN) . Os efeitos decorrentes das alterações nesses compartimentos citados anteriormente, são: acinesia, rigidez e tremores, que são bem evidentes na DP. Diante disso, tem sido discutido como o Canabis pode estar relacionado com uma melhora na qualidade de vida  dos pacientes  com Doença de Parkinson(SILVESTRO et al, 2020).

O canabidiol  é um fito canabinoide  não psicoativo renomado por apresentar propriedades benéficas, como ação antioxidante e anti-inflamatória. Além disso,o canabidiol é um composto que apresenta efeitos antidepressivos, ansiolíticos , anticonvulsivantes e antipsicóticos(SILVESTRO et al, 2020).Estudos vêm sendo realizados para avaliar que o canabidiol pode estar relacionado com o alívio dos sintomas da Doença de Parkinson, onde inclui a discinesia e a função motora(MORASH et al, 2022). 

O canabidiol tem mostrado um perfil de toxicidade baixo, assim como também a dependência. O seus efeitos neuroprotetores  são provenientes das propriedades antioxidantes e antiinflamatórias  como citados anteriormente, e por esse motivo, isso pode estar correlacionado com a modulação de um vasto número de alvos biológicos do cérebro , onde inclui os receptores e canais, envolvidos no progresso e  conservação de doenças neurodegenerativas (SILVESTRO et al, 2020). 

O objetivo deste estudo foi discorrer como a Doença de Parkinson , responsável pela sua hiperatividade patológica  pode passar  por uma neuromodulação por meio do canabidiol, o que agregaria para restabelecer os padrões normais de movimentos em pacientes com Doença de Parkinson. 

LITERATURE REVIEW

REVISÃO DA LITERATURA 

Doença de Parkinson e o canabidiol: correlação patológica e terapêutica 

A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa que acomete 3% da população na faixa etária dos 60 anos. Ela foi retratada primeiramente no de 1817 por James 

Parkinson através de um ensaio nomeado “ An Essay on the Shaking Palsy” , no qual  determinou a paralisia  como um movimento involuntário do tipo trêmulo, onde a força muscular estava diminuída, com uma disposição da curvatura do tronco para frente e  o ritmo acelerado da caminhada,preservando os sentidos e o intelecto sem lesões (FERREIRA et al, 2023). 

A Doença de Parkinson é dita como uma doença neurodegenerativa, progressiva e crônica. Os sintomas clínicos mais evidentes são divididos em motores e não motores(FERREIRA et al, 2023; DEMAAGD;PHILIP,2015). Os sintomas motores incluem: bradicinesia, tremor em repouso e instabilidade postural, e sintomas não-motores: disosmia, ansiedade, depressão e insônia (FERREIRA et al, 2023; DEMAAGD;PHILIP,2015).   Na Doença de Parkinson  os gânglios da base são acometidos na região do cérebro relacionado a motricidade(DEMAAGD;PHILIP,2015). Os gânglios da base (GB) são estruturas subcorticais que são responsáveis  por modular a iniciação e a execução dos movimentos(HARIZ;BLOMSTEDT,2022). São constituídos pelo corpo estriado dorsal, composto pelo caudadoputâmen (CPu); globo pálido interno (GPi); globo pálido externo (GPe); substância nigra pars reticulada (SNpr); substância nigra pars compacta (SNpc) e núcleo subtalâmico (NST)(HARIZ;BLOMSTEDT,2022). Os gânglios da base recebem os sinais aferentes diretamente do córtex sensorial-motor, guiando-os para o tálamo, retornando ao córtex sensorial para o movimento ser efetivo(FERREIRA et al, 2023).  O caudadoputâmen (CPu) é a porta de entrada dos gânglios da  base (GB), no qual recebe projeções corticais de neurônios glutamatérgicos, e a saída se dá por meio do globo pálido interno (GPi) associadamente com a substância nigra pars reticulada (SNpr), ditos como os principais núcleos de saída(FERREIRA et al, 2023). 

Os gânglios da base possuem um circuito constituído por duas vias sinápticas. A primeira via é a direta, que é composta por receptores D1 na região do corpo estriado que  efetua projeções para a região do globo pálido externo (GPe), concluindo as projeções para a região do Globo Pálido interno (GPi) e Substância Nigra pars reticulada (SNpr). Quanto a via indireta, apresenta as mesmas vias de transição que a via direta faz e os locais que passam , também são os mesmos, tendo uma diferença da ação do corpo estriado sobre o globo pálido externo, pois essa via age de forma inibitória(FERREIRA et al, 2023 ;HARIZ;BLOMSTEDT,2022)). Diante disso, os distúrbios que acometem os movimentos são originados através da deficiência na secreção de dopamina na região caudadoputâmen (CPu), resultando instabilidade na rede sináptica e consequentemente morte dos neurônios, atribuindo os sintomas da Doença de Parkinson (DP) (FERREIRA et al, 2023;HARIZ;BLOMSTEDT,2022). Os neurônios dopaminérgicos que passam por alterações morfológicas na estrutura das células neuronais, é possível avaliar uma redução dos espinhos dendríticos  de neurônios do tipo espinhosos na região do estriado e as alterações sinápticas que acometem a vida direta e indireta (FERREIRA et al, 2023;HARIZ;BLOMSTEDT,2022). 

A Doença de Parkinson tem como tratamento farmacológico a administração de precursores da dopamina como a levodopa, contudo  essa medicação diminui o seu efeito farmacoterapêutico ao longo do tempo, e ocasiona reações adversas  graves , incluindo a discinesia tardia, conhecida como movimentos involuntários (CRIPPA et al, 2019). Os receptores do tipo canabinóide CB1 e CB2, como também compostos endocanabinoides (Naracdonoil etanolamina ou anandamida, e 2-aracdonoil glicerol ou 2-AG) são achados em vastas concentrações em áreas do cérebro envolvidas no processamento e execução de movimentos corporais, como os gânglios da base, por exemplo (CRIPPA et al, 2019; SANTOS; HALLAK;CRIPPA, 2019).Os estudos feitos em humanos relatam que o sistema endocanabinóide passa por modificações neuroquímicas no decorrer da evolução da Doença de Parkinson (DP), ocorrendo redução na quantidade de receptores CB1 na fase inicial da doença  assim como também o aumento da expressão dos receptores CB2 e dos endocanabinoides durante as fases intermediárias e avançadas da doença de Parkinson (DP), conduzindo ao possível uso terapêutico com o canabidiol no tratamento da doença (CRIPPA  et al, 2019; SANTOS; HALLAK;CRIPPA, 2019). Diante disso, os estudos pré-clínicos propõe que, a depender em qual fase a patologia esteja e das diferentes subáreas dos gânglios de bases estejam atrelados, o canabidiol pode ter a capacidade de modular as  grandes alterações neuroquímicas nos neurotransmissores , como o glutamato e GABA  (ácido gamaaminobutírico) devido a diminuição dos níveis de dopamina na Doença de Parkinson por meio da ativação ou inibição dos receptores canabinoide.O canabidiol (CBD) tem por finalidade agir nos receptores, mas isso acontece  a depender da quantidade de CBD que se encontra concentrada. Quando sua concentração está baixa, ele atua de maneira alostérica nos receptores CB1  (PATRÍCIO et al, 2020; FERREIRA et al, 2023).   

O canabidiol (CBD) tem ação agonista inverso nos receptores CB1  e CB2. Mas, esse canabinoide apresenta também elevada capacidade de  aderir a forma agonista diante aos agonistas dos receptores canabinóides  situados na região do cérebro, atuando com ação moduladora alostérica do tipo negativa (PATRÍCIO et al, 2020; FERREIRA et al, 2023). 

METODOLOGIA  

Utilizando os descritores em cada base de dados  SciELO, PubMed, Google Scholar, foram selecionados 34 artigos, destes foram escolhidos 23 para sua elucidação no estudo, no qual demonstraram-se adequados às palavras chaves usadas na busca. Os 10 artigos foram excluídos por apresentarem divergências e incompatibilidade referentes às informações da Doença de Parkinson (DP) tratada por meio da substância química Canabidiol (CBD). Os resultados  foram reunidos em grupos por meio da similaridade de informações como, por exemplo: Modulação na Doença de Parkinson;  Mecanismo do Canabidiol no cérebro; Como o Canabidiol age nos receptores CB1 e CB2; Canabidiol como estratégia terapêutica  na Doença de Parkinson. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A degeneração que acomete os neurônios dopaminérgicos dentro da substância negra pars compacta  (SNpc), apresenta uma das características patológicas da Doença de Parkinson, e a avaliação dos níveis de dopamina e dos neurônios dopaminérgicos é utilizado como um indicador de neuroproteção primária (PRAKASH; CARTER, 2021). 

A diminuição das funções motora e cognitiva em modelos de camundongos com a Doença de Parkinson, foi visto em estudos realizados, onde  essa perda foi atribuído a perda de neurônios dopaminérgicos , no qual teve indução por meio da neurotoxina no SNpc, decorrendo em uma via estriatal  de aspecto disfuncional e com uma super estimulação de neurônios GABAérgicos que inervam o tálamo (PRAKASH; CARTER, 2021). Devido a interconectividade diminuída  entre o córtex cerebral e os gânglios da base, isso acarreta no comprometimento das funções motoras, no qual foi evidenciado através do desempenho reduzido  em testes comportamentais de roedores(PRAKASH; CARTER, 2021). 

Os tratamentos farmacoterapêuticos mais vigentes para a Doença de Parkinson, são enfatizados em aliviar  os sintomas motores característicos , fazendo com que haja uma compensação da perda da dopamina na via nigroestrial,  sem que ocorra uma progressão da doença (GIULIANO et al, 2021). Deste modo, o estabelecimento e a caracterização de novos parâmetros terapêuticos que sejam capazes de retardar o processo neurodegenerativo que é característico da Doença de Parkinson e que é um dos maiores desafio nesse campo de estudo (GIULIANO et al, 2021). 

Diante disso, os estudos realizados com o uso do Cannabis, estão relacionados com o alívio de sintomas da Doença de Parkinson, incluindo  discinesia e da função motora (MORASH et al, 2022). Outras evidências foram vistas a respeito do uso do Cannabis  e como foi visto seu efeito em animais tratados, no qual foi possível avaliar uma redução relevante da degeneração terminal estriatal  e a perda de corpo celular no Sistema Nervoso Central (SNC)  em contraste com animais não tratados com a substância ( MORASH et al, 2022). Nesse sentido, MORASH et al ( 2022, p.8) destaca que “Curiosamente, o aumento da sobrevida dos neurônios dopaminérgicos foi acompanhado por uma recuperação do desempenho. Os resultados deste estudo concordam com descobertas anteriores, apoiando ainda mais a ação neuroprotetora e sintomática do tratamento com  Canabidiol (CBD) em diferentes modelos in vivo de neurodegeneração”(FERREIRA et al, 2023).O CBD, fitocanabioide , representa uma nova classe de compostos caracterizados  por efeitos  benéficos, incluindo doenças neurodegenerativas (SILVESTRO et al, 2020). 

Outros estudos revelaram que, além dos efeitos protetores  do CBD, há também um suposto efeito antidiscinético  do CBD em camundongos hemi parkinsonianos  que são tratados com L-DOPA (MONTEIRO-JUNIOR et al, 2015).Além disso, outros estudos realizados sugeriram que, uma variedade de casos e relatos chegaram a conclusão que os canabinóides podem possuir potenciais efeitos benéficos sobre os sintomas motores da Doença de Parkinson, incluindo  acinesia, tremor , discinesia e protege os neurônios impossibilitando a redução da atividade tirosina hidroxilase e a diminuição de dopamina na substância negra   (BUHMANN et al, 2019; CRIPPA et al, 2019). 

Estudos sobre a modulação do sistema canabinóide tem sido investigado a respeito  de como o mesmo pode representar uma ferramenta potencial  para aliviar movimentos involuntários anormais ( AIMs) induzidos  por L-DOPA( FERREIRA- JUNIOR et al, 2020;MARCHION et al, 2020). Os endocanabinoides , como AEA ( Anandamida) e  2- AG ( 2- araquidonoil glicerol) apresentaram aumento  no corpo estriado e    na substância negra de primatas não humanos com lesão de MPTP, mas o 2-AG se encontrou diminuído no globo externo pallidus ( FERREIRA- JUNIOR, 2020; MARCHION et al, 2020).  O tratamento  com a administração de  L- DOPA  foi capaz de restaurar  os  níveis dos endocanabinóides em animais não discinéticos, porém não nos discinéticos ( FERREIRA- JUNIOR, 2020; MARCHION et al, 2020). Diante disso, foi analisado que, a síntese e a degradação do AEA estavam aumentadas no globus pallidus de primatas com Doença de Parkinson sem tratamento, mas não de animais discinéticos ( FERREIRA- JUNIOR, 2020; MARCHION et al, 2020).   Diante do que foi citado anteriormente, outros estudos mostraram que a presença dos metabólitos desregulados , incluindo  AEA e 2-AG  se encontraram no corpo estriado de ratos discinéticos.(FERREIRA- JUNIOR, 2020; MARCHION et al, 2020). Contudo, quando a administração  de ambos endocanabidinoides ocorreram  na forma intraestriatal  em ratos hemiparkinsonianos antes do tratamento com  L-DOPA , ocorreu a prevenção do aparecimento de  Discinesia induzida por L-DOPA) LID .(FERREIRA- JUNIOR, 2020; MARCHION et al, 2020). 

Os estudos mostraram que, o WIN  55,212-2 , produto  químico sintético  derivado do aminoalquilindol, com ações semelhantes aos canabidinoides  naturais, mostrou  prevenir  movimentos involuntários anormais (AIMs) induzidos por L-DOPA .(FERREIRA- JUNIOR, 2020).As modificações que esse componente pode induzir, por meio dos receptores  canabudinoides, CB1 e CB2, é um indicativo com um potencial  alvo terapêutico  para a fase ativa da LID   , assim como também diminuiu a atividade da proteína kinase A (PKA) no estriado dorsal ipsilateral de ratos com discinesia  com lesão de 6-OHDA .(FERREIRA- JUNIOR, 2020). 

SANTOS, 2018 relataram que, os experimentos com modelos murinos, serviram  para avaliar a ação do CBD na progressão da Doença de Parkinson, esses animais foram submetidos a uma inoculação de  com 6-hidroxildopamina , um composto orgânico neurotóxico que está relacionado com a destruição seletiva de neurônios dopaminérgicos e noradrenérgicos no cérebro de camundongos. Ao realizar esses estudos, foi visto que , a administração do CBD para os camundongos que foram inoculados com a 6-hidroxildopamina , recuperou a depleção de dopamina induzida pela  6-OHDA, assim como também  houve um regulamento positivo dos níveis anteriores  da enzima superóxido dismutase. 

Diante disso, vale destacar que, os efeitos neuroprotetores foram vistos após a aplicação instantânea,  após o tratamento do 6- OHDA com CBD (SANTOS, 2018). As características de proteção do CBD nos modelos murinos  da Doença de Parkinson, foram as propriedades antioxidantes e o retardamento da progressão da doença, no qual foi sugerido  estágios anteriores, ao invés de posteriores(SANTOS, 2018). 

Nos modelos murinos, foram vistos também  como a co-aplicação de 1-methyl-4phenyl-1,2,3,6-tetrahydropyridine (MPTPp), precursor químico da neurotoxina MPP+, que é responsável pelos os sintomas definitivos  da Doença de Parkinson( ELSAIDA; KLOIBERB; FOLL, 2019). Essa  co-aplicação do MPTPp e o canabidiol (CBD), trouxeram os efeitos protetores sobre o alívio dos sintomas e a progressão foram observados( ELSAIDA; KLOIBERB; FOLL, 2019).  

Além disso, foi visto que, o CBD apresentou resultados positivos na restauração mitocondrial que sofre dano por meio do acúmulo de ferro,  constantemente  notado  nos  gânglios da base dos afetados com a Doença de Parkinson, no qual o excesso de ferro pode levar ao estresse oxidativo e dano celular (ELSAIDA; KLOIBERB; FOLL,2019).O CBD foi capaz de reverter completamente os efeitos  estimulados pelo ferro nas duas proteínas essenciais, como o complexo TOM (Translocase Membrana Externa) e o complexo  TIM (Translocase Membrana Interna), ambas necessárias para manter a homeostasia mitocondrial (ELSAIDA; KLOIBERB; FOLL, 2019). Outrossim, a coadministração do CBD nos modelos murinos carregados de ferro, reduziu-se os níveis de caspase 3 e inibindo a apoptose no tecido do hipocampo, no qual os resultados foram amplamente fortalecidos e mais evidenciados quanto às propriedades antioxidantes e anti -apoptóticas do CBD ( ELSAIDA; KLOIBERB; FOLL, 2019; PATRÍCIO et al, 2020). 

Em seu estudo , RIEDER, 2020, relatou os estudos clínicos em animais e humanos, no qual um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Brasil, envolveu o uso de CBD para a Doença de Parkinson. Um dos estudos foi avaliar quatro pacientes com Doença Parkinson com distúrbio comportamental do sono (RMEM). Logo após, foi avaliado que todos os pacientes tiveram reduções instantâneas,  fundamentais  e persistentes  na frequência do distúrbio de comportamento do sono, posteriormente o tratamento com CBD, foi visto que , os movimentos complexos de RBD retornaram com constância  e com maior intensidade basal(RIEDER, 2020). 

Além disso, REIDER 2020, trouxe mais evidências e resultados de estudos clínicos com  pacientes com  Doença de Parkinson,  por meio de um estudo duplo-cego exploratório de CBD em comparação com o placebo. Esse estudo incluiu vinte e um pacientes com Doença de Parkinson sem apresentar demência ou comorbidades psiquiátricas, no qual foram divididos em 3 grupos , com 7 pessoas cada. O primeiro grupo recebeu apenas placebo, o segundo recebeu  CBD 75 mg/dia e  o terceiro CBD 300 mg/dia. Os pacientes que participaram desse estudo foram avaliados em relação ao escore de sintomas motores e gerais Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson [UPDRS]) e bem-estar e qualidade de vida (Questionário da Doença de Parkinson [PDQ-39]). Foi avaliado que não houve diferenças entre os grupos com relação a pontuação motora. Contudo, o grupo tratado com com CBD 300 mg//dia obtiveram pontuações médias totais de maneira significativamente diferentes no PDQ-39. Deste  modo, os autores retratam um possível efeito do CBD na melhora da qualidade de vida com os pacientes com DP sem comorbidades psiquiátricas. 

Em seu estudo, FERREIRA-JUNIOR 2020, relatou o estudo clínico a respeito do uso do CBD . Foi visto que, o uso do CBD 300 mg/ dia em comparação com o placebo melhorou  a mobilidade , bem-estar emocional, cognição e comunicação.  Os autores sugerem que esse efeito ocorre por meio das propriedades ansiolítica, antidepressiva e antipsicótica do CBD. O uso do CBD é bem tolerado  em humanos, e estes efeitos positivos poderiam ser uma alternativa promissora para a farmacoterapia da Doença de Parkinson. Estudos pré-clínicos  apontam que, o uso de canabinóides exógenos  mostram sua capacidade de agir como neuroprotetora para a dopamina (DA), atuando na produção de neurônios, no qual reduz o estresse oxidativo  e neuroinflamação , e também, proporciona alívio dos sintomas motores da Doença de Parkinson (MORASH et al, 2022; FERREIRA et al, 2023). 

Os canabinóides podem restaurar de maneira singular , a homeostasia do cálcio mitocondrial, sinalização do cálcio intracelular, e atribui proteção contra o estresse oxidativo citotóxico  que, de outra maneira, age prejudicando os neurônios que produzem dopamina (DA)  (MORASH et al, 2022). Estudos com pacientes que possuem a Doença de Parkinson relataram alívio dos sintomas quando fizeram o uso do cannabis, no qual relataram melhorias e diminuições na bradicinesia, tremor, rigidez muscular e  discinesia em ordem decrescente de significância (MORASH et al, 2022).  

Os canabinóides têm ação direta relacionada aos sinais motores e é visto que ele age nos receptores 5-HT1A, que tem papel vital na regulação de sinais motores presente em diversas regiões do cérebro associado com o controle motor (FARIA et al, 2020).Assim, a severidade do tremor parece estar relacionada com a  redução neste receptor, ou seja, a diminuição da concentração do neurotransmissor no receptor (FARIA et al, 2020). 

A Doença Parkinson , como citada anteriormente, é caracterizada pela a  degeneração que acomete os neurônios dopaminérgicos dentro da substância negra pars compacta  e diminuição dos níveis de dopamina nessa região (PRAKASH; CARTER, 2021). Diante disso, SRINIVASAN  et al, 2021 em seu estudo relatou que, uma das características contribuintes para a caracterização da Doença de Parkinson, é  a mutação  da neuroproteína Alfa-Sinucleína, transcrita pele gene SNCA . A Alfa-Sinucleína está presente na modulação do transporte de vesículas sinápticas e a liberação de neurotransmissores, como também está associada à homeostase do cálcio( SRINIVASAN  et al, 2021). Ainda foi visto que, ela regula a distribuição da vesícula sináptica e o tamanho do terminal pré-sináptico. As mutações genéticas que acometem  essa neuro proteína, faz com que haja o desdobramento em sua forma amilóide, que são compostos de fibras e fibrilas, também chamados de agregados, que consistem em proteínas  irregulares mal dobradas, abundantes em folhas betas (SRINIVASAN  et al, 2021).A deposição desses agregados amiloide está relacionado a deterioração celular e  disfuncionamento neuronal. Além disso, é visto que, essa mutação está relacionada com a efetivação do estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e proteassômica. Foi proposto que o aumento dos níveis de Alfa-Synucleina diminui a neurotransmissão de dopamina e glutamina,  levando a interação com o complexo de proteínas SNARE ,modulando o tráfego vesicular do retículo endoplasmático de Golgi ,impedindo o priming vesicular e diminuindo o contato sináptico e ocasionando  decadência neuronal( SRINIVASAN  et al, 2021; MUHAMMAD et al, 2022) 

A administração  do CBD  reduziu o acúmulo de agregados amilóide da neuro proteína  Alfa-Sinucleína e a peroxidação lipídica , quando foi avaliado  do dia um até o dia cinco de tratamento α-sinucleína  muscular humana (MUHAMMAD et al, 2022).A sua ação está relacionada  com o arranjo lipídico desarranjado  para manter uma via de sinalização celular satisfatória (MUHAMMAD et al, 2022).Além do efeito anti-agregativo de Alfa-Sinucleína, foi validado que,  o incremento de deposições lipídicas pelo CBD resultou na ativação da via autofágica celular para combater as proteínas mal dobradas  ou fazer sua associação à mediação dos sistemas de proteassoma semelhantes à ubiquitina (MUHAMMAD et al, 2022).Esses autofagossomos  são essenciais para manter as proteínas mal dobradas,  agregadas e danificadas disponíveis para os lisossomos fazer o processo de degradação (MUHAMMAD et al, 2022).Deste modo, a hipótese levantada é que o efeito  do CBD pode estar relacionado a expressões mais altas de proteassomas similares à ubiquitina, que estão vinculadas em distúrbios relacionados à idade  para correção das insuficiências na homeostase das proteínas  (MUHAMMAD et al, 2022). 

Diante do que foi mencionado, os resultados mais constantes, falam a respeito a ação significativa do canabidiol, pela as atividades neuroprotetora e antioxidantes, o que poderia  representar um recurso terapêutico para demarcar a extensão e os danos graves neuronais da Doença de Parkinson nos sintomas motores, em especial. 

Tabela 1. Trabalhos científicos que avaliam o uso  do Canabidiol nos sintomas motores da Doença de Parkinson 

LID* :Discinesia Induzida por Levodopa     *REM:Movimento Rápido dos Olhos  

CONCLUSÃO 

Os estudos revisados aqui indicam que o Canabidiol ajuda na modulação e melhora dos sintomas da Doença de Parkinson. Seus efeitos  avaliados nos sintomas motores e não motores foram amplamente importantes , no que diz respeito a melhora dos sintomas crônicos. Contudo, deve ocorrer um estudo mais aprofundado a respeito do uso do canabidiol na modulação da Doença de Parkinson. 

REFERÊNCIAS 

BUHMANN, C.  et alEvidence for the use of cannabinoids in Parkinson’s disease. J Neural Transm (Vienna). v. 126, n.7, p.913-924 ,2019. doi:10.1007/s00702-019-02018-8 

CRIPPA, José Alexandre S et al. Is cannabidiol the ideal drug to treat non-motor Parkinson’s disease symptoms?. European archives of psychiatry and clinical neuroscience.vol. 269,1 (2019): 121-133. doi:10.1007/s00406019-00982-6 

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