REPROGRAMAÇÃO EPIGENÉTICA PARCIAL: ENVELHECIMENTO CELULAR E MEDICINA REGENERATIVA: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA

PARTIAL EPIGENETIC REPROGRAMMING: CELLULAR AGING AND REGENERATIVE MEDICINE: A BIBLIOMETRIC ANALYSIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510312030


Palucia Solange Passamani1; Luciana L. de A. F. Felix Della Libera2; Geovana Passamani Vieira3; Elisvângela Freitas de Souza4; Luciana Torres Bezerra5; Maria Marlen Melo Veras6; Letícia Junqueira L. Rodrigues7; Zaine el Kadri8; Paulo Getúlio Passamani Torres9; Inês Nalita D’avila de Lima Alencar10


Resumo 

Introdução: O envelhecimento, processo natural que ocorre em todos os organismos, provoca  mudanças nas células e torna o corpo mais propenso a doenças como câncer e problemas  cardiovasculares, devido à perda da homeostase tecidual. Visando uma melhor compreensão  sobre a reprogramação epigenética, o presente artigo tem como objetivo analisar como a  reprogramação epigenética parcial pode ajudar a retardar ou reverter alguns sinais do  envelhecimento, favorecendo a saúde das células e abrindo novas possibilidades na medicina  regenerativa. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliométrica, na qual, primeiramente,  buscaram-se artigos científicos publicados na base de dados PubMed sobre os temas  “reprogramação celular”, “células-tronco pluripotentes induzidas” e “senescência celular  genética”. Foram selecionados apenas artigos completos, disponíveis em português, inglês ou  espanhol, e que abordassem o assunto no título, resumo ou descritores. Resultados:  Evidenciou-se que o interesse na área tem aumentado, especialmente em pesquisas realizadas  com células humanas e animais, envolvendo o estudo de mecanismos genéticos e novas  terapias. A literatura aponta a reprogramação epigenética parcial como uma estratégia  promissora: ela pode recuperar características jovens das células sem perda de identidade celular e poderá ser importante, no futuro, para tratar doenças relacionadas à idade. No entanto,  os estudos também indicam que ainda é necessário compreender melhor os mecanismos envolvidos e  garantir a segurança de potenciais tratamentos. Conclusão: Investir em pesquisas na área pode trazer  muitos benefícios para a saúde e longevidade no futuro. 

Palavras-chave: Epigenética. Envelhecimento. Reprogramação Celular. Senescência Genética Celular. 

Abstract 

Introduction: Aging, a natural process that occurs in all organisms, leads to changes in cells  and makes the body more prone to diseases such as cancer and cardiovascular disease, due to  the loss of tissue homeostasis. With a view to better understanding epigenetic reprogramming,  this article aims to analyze how partial epigenetic reprogramming can help delay or reverse  some signs of aging, promoting cellular health and opening new possibilities in regenerative  medicine. Methodology: A bibliometric review was conducted in which, first, scientific articles published in the PubMed database were searched on the topics “cellular reprogramming,”  “induced pluripotent stem cells,” and “genetic cellular senescence.” Only full articles available  in Portuguese, English, or Spanish that addressed the subject in the title, abstract, or des criptors were selected. Results: It was found that interest in the area has been increasing, especially in research conducted with human and animal cells, involving the study of genetic mechanisms and new therapies. The literature indicates partial epigenetic reprogramming as a promising strategy: it can restore youthful characteristics of cells without loss of identity. 

Keywords: Epigenetics. Aging. Cellular Reprogramming. Cellular Genetic Senescence. 

1. INTRODUÇÃO 

O envelhecimento é um processo multifatorial caracterizado pelo declínio progressivo  da função celular, alterações epigenéticas e perda da homeostase tecidual, tornando o organismo  mais vulnerável ao desenvolvimento de doenças crônicas e degenerativas (Gottlieb et al. 2007). 

Entre as manifestações moleculares do envelhecimento destacam-se a instabilidade  genômica, o encurtamento dos telômeros, o acúmulo de mutações somáticas e modificações  epigenéticas como a metilação do DNA e alterações em histonas (Santos et al. 2009). 

Nos últimos anos, a reprogramação epigenética parcial — baseada na expressão  transitória dos fatores de Yamanaka (OCT4, SOX2, KLF4 e c-MYC) — consolidou-se como  uma alternativa inovadora para reverter marcas do envelhecimento sem induzir a perda de  identidade celular (Saunders et al. 2010). Essa estratégia permite restaurar padrões de expressão  gênica associados à juventude, remodelar o epigenoma e proporcionar maior resistência ao  estresse oxidativo e à deterioração funcional das células (Murray et al. 2015). 

Do ponto de vista global, pesquisas conduzidas em instituições de excelência como  Harvard, MIT, Salk Institute e centros europeus, colocam a reprogramação epigenética parcial  entre as mais promissoras fronteiras da biomedicina translacional (Brzeziński 2025). Ensaios realizados nessas instituições demonstram a possibilidade de prolongar a expectativa de vida  em modelos animais, promovendo reparo tecidual, restauração funcional e redução dos riscos  de tumorigênese ligados à reprogramação total, além de testar aplicações em doenças  neurodegenerativas, cardiovasculares e oncológicas (Lin et al. 2020). Projetos internacionais  vêm associando tecnologias de edição genética, inteligência artificial e análises multiômicas  para ampliar a precisão, segurança e aplicabilidade dessas abordagens em seres humanos,  influenciando diretamente políticas de saúde e estratégias globais de inovação biomédica (Brzeziński 2025; Yi et al. 2012). 

No contexto brasileiro, observa-se crescimento no interesse por pesquisas em  reprogramação epigenética, com universidades e institutos nacionais integrando colaborações  multicêntricas internacionais e adaptando essas tecnologias para investigação de doenças  prevalentes no país (Jornal da USP 2025). Apesar das limitações em infraestrutura e  financiamento, grupos brasileiros vêm participando ativamente da validação de modelos  experimentais, destacando-se principalmente pela coprodução científica em áreas como  envelhecimento e medicina regenerativa (Deng et al. 2025). 

Portanto, o objetivo desta pesquisa é analisar as evidências científicas mais recentes,  tanto nacionais quanto internacionais, e descrever as principais tendências, desafios e  perspectivas relacionados à reprogramação epigenética parcial, com ênfase nos contextos de  envelhecimento celular e medicina regenerativa. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

2.1 Epigenética 

A epigenética opera como uma camada de controle fundamental, regulando a expressão  gênica por meio de modificações do DNA, histonas e cromatina, sem alterar a sequência do  genoma — abrangendo processos que são dinâmicos, reversíveis e fortemente influenciados  pelo ambiente ao longo do ciclo de vida (Allis & Jenuwein, 2016). Essas marcações  epigenéticas são centrais para o desenvolvimento e diferenciação celular, mas também para  fenótipos associados ao envelhecimento, suscetibilidade a doenças crônicas e respostas  adaptativas ambientais (Feil & Fraga, 2012; Cedar & Bergman, 2012).  

Revisões em periódicos como Science Direct reforçam que desvios nos padrões de  metilação do DNA ou modificação de histonas podem desencadear distúrbios metabólicos, neurodegenerativos e diversos cânceres, tornando o epigenoma um alvo emergente para  intervenções biomédicas e terapias avançadas (Bird, 2007; Dawson & Kouzarides, 2012). 

2.2 Reprogramação Celular 

Em reprogramação celular, o advento dos fatores de Yamanaka (OCT4, SOX2, KLF4,  c-MYC) revolucionou a biomedicina ao permitir reverter células somáticas diferenciadas ao  estado pluripotente (iPSC), com competentes aplicações experimentais e clínicas (Takahashi &  Yamanaka, 2006; Hanna & Plath, 2013). 

Trabalhos recentes demonstram que a expressão transitória, de reprogramação parcial,  pode reverter integralmente marcas essenciais do envelhecimento epigenético, restaurar  comprimento telomérico, remodelar mitocôndrias e suprimir fenótipos de senescência com  mínima perda de identidade celular, conforme evidenciado em artigos do Cell Reports e Nature  Communications (Ocampo et al., 2016; Sarkar et al., 2020). Estudos clássicos e  contemporâneos indicam que intervenções pela reprogramação parcial retardam a deterioração  dos tecidos, aumentam a plasticidade funcional e diminuem o risco tumoral em modelos  murinos e celulares humanos (Abad et al., 2013; Sarkar et al., 2020). 

2.3 Envelhecimento Celular e Medicina Regenerativa 

No contexto da medicina regenerativa, revisões e estudos evidenciam que técnicas  baseadas em células-tronco, reprogramação epigenética e engenharia tecidual estão na  vanguarda de terapias para doenças cardíacas, neurodegenerativas e tecidos em envelhecimento  avançado (Trounson & DeWitt, 2016; Zaborowski et al., 2021. A integração de inteligência artificial, edição genética e medicina regenerativa potencializa estratégias personalizadas,  ampliando perspectivas para prolongamento da saúde e recuperação funcional de tecidos  envelhecidos e degenerados, em consonância com a literatura mais atual e de maior impacto  (Huang et al., 2023; Sarkar et al., 2020). 

3. METODOLOGIA  

O percurso metodológico foi definido em seis etapas: elaboração da questão norteadora;  estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; busca nas bases de dados; avaliação  dos estudos incluídos; interpretação dos resultados e apresentação do levantamento. Como  questão norteadora tem–se: Quais os conhecimentos produzidos em artigos científicos  nacionais e internacionais sobre reprogramação epigenética parcial: envelhecimento celular e medicina regenerativa? Para alcançar os objetivos propostos neste estudo, foi realizada uma  busca sistemática no seguinte portal de bases de dados: National Center for Biotechnology Information (PUBMED), por ser uma base de dados de referência na área. Os descritores  utilizados foram “Cellular Reprogramming” AND “Induced Pluripotent Stem Cells” AND  “Genetic Cellular Senescence”. Estabeleceu-se como critérios de inclusão no estudo: artigos  completos disponíveis eletronicamente, nos idiomas português, inglês e espanhol que  apresentassem a temática proposta no título, resumo ou nos descritores. Constituíram critérios  de exclusão: cartas ao editor, relatos de casos, editoriais, publicados em outros idiomas com  exceção do português, inglês e espanhol.  

As bases de dados foram acessadas entre agosto de 2025 a outubro de 2025, sendo  obtidos ao todo 98 textos científicos, de 2005 até esta data. Assim, foram realizadas a leitura  de todos os resumos, eliminando os artigos científicos que não estavam de acordo com objetivo do estudo proposto para esta pesquisa, sendo excluídos também, artigos repetidos. Ainda,  aplicando-se os critérios de exclusão os textos científicos foram reduzidos para 69 artigos após  a revisão do texto inteiro. Com a intenção de melhor organizar e analisar os dados, construiu-se uma tabela no programa Excel contendo os seguintes indicadores: ano de publicação, país,  autores, revista e delineamento de estudo. Os dados foram agrupados e avaliados por meio de  estatística descritiva. 

Os autores e suas afiliações foram determinados com base nos campos estruturados do  resumo fornecido pelo PubMed. Sendo selecionado, 10 manuscritos que mais se adequam à  pesquisa em questão, coletou-se dados sobre o país de publicação definido pela origem do autor,  índice H, fator de impacto, taxas de processamento de artigos e resultados de indexação no  PubMed. 

A agregação, análise e criação de gráficos dos dados foram realizadas utilizando o programa R,  versão 4.0.1 (R Foundation for Statistical Computing, Viena, Áustria). As análises foram  conduzidas no R com bibliometrix (biblioAnalysis, biblioNetwork, networkPlot, thematicMap,  conceptualStructure, histNetwork/histPlot) e, quando conveniente, via interface biblioshiny. 

Tabela 01: Seleção dos principais artigos.

AUTORTÍTULOPAGANODOI
.(Yang et al.  2023)Reprogramação induzida quimicamente para reverter o envelhecimento celular.5966-5989 202310.18632/envelhecimento.204896.
(Simpson et al.  2021)Reprogramação celular e rejuvenescimento epigenético. 170 2021 10.1186/s13148 -021-01158-7.
(Chondrona siou et al.  2022)Rejuvenescimento multiômico  de tecidos envelhecidos naturalmente por meio de um  único ciclo dee13578 2022 10.1111/acel.13 578.
Göbel, Caro lin (Göbel et al.  2018)A interrupção da reprogramação em células-tronco pluripotentes induzidas não rejuvenesce as células estromais  mesenquimais humanas11676 2018 10.1038/s41598 -018-30069-6.
(Göbel et al.  2018)Terapias regenerativas baseadas em células-tronco pluripotentes induzidas no tratamento de declínio funcional e  doenças relacionadas ao envelhecimento— 2025 10.3390/células14080619.
(“Mecanismos  de rejuvenescimento celular  – Denoth‐ Lippuner – 2019 – FEBS  Letters – Wiley  Online Li brary”, s. d.)Mecanismos de rejuvenescimento celular. 3381-3392 2019 10.1002/1873- 3468.13483.
Hu, Kejin (Hu  2014)Todos os caminhos levam às  células-tronco pluripotentes  induzidas: as tecnologias das  iPSC1285-300 2014 10.1089/scd.201 3.0620.
(Lin, Ying Chu, 2014)Papel dos genes supressores  de tumores na reprogramação  de células humanas associada ao câncer…58 2014 10.1186/scrt447.
(Banito, Ana 2010)Células-tronco pluripotentes  induzidas e senescência:  aprendendo a biologia para  melhorar…353-9 2010 10.1038/em bor.2010.47.
(Abdal Dayem  et al. 2019)Produção de células-tronco  mesenquimais por meio da reprogramação de células tronco.— 2019 10.3390/ijms200 81922.
Fonte: A autora (2025).

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

A seguir, os resultados referentes aos artigos sobre reprogramação epigenética parcial:  envelhecimento celular e medicina regenerativa: 1) Distribuição cronológica dos estudos; 2) Rank de citações por periódicos em nível Goblal; 3) Rank de publicações em nível internacional;  4) Rank de publicações em nível Nacional; 5) Descritores mais citados e 6) Evolução temporal  dos temas mais citados em pesquisas sobre reprogramação epigenética, envelhecimento celular  e medicina regenerativa (2005–2024). 

A análise da distribuição cronológica da produção científica sobre reprogramação  epigenética parcial: envelhecimento celular e medicina regenerativa, revela oscilações na  frequência de publicações ao longo dos anos. Onde o maior pico de produtividade ocorreu em  2013, quando foram publicados 12 artigos, representando o maior volume anual da série  apresentada. Em 2012, foram publicados 5 artigos e, em 2017, 4 artigos, valores que não  configuram picos de produtividade. Entre 2018 e 2019 foram publicados apenas 10% do total  de artigos publicados entre 2005 e 2025. Observa-se, uma tendência de queda na produção  nesse período. Após o pico de 2013, nota-se uma diminuição gradual na produção científica,  atingindo o ponto mais baixo em 2018 (1 artigo) e chegando a 0 artigos em 2023. No entanto,  o gráfico indica uma possível retomada do interesse a partir de 2024, com 4 artigos, e um leve  aumento em 2025, com 5 artigos publicados. 

Figura 01: Distribuição dos artigos por ano de publicação. Rio Branco, AC, Brasil, 2025. Produção Anual Científica

Fonte: Pubmed, (2025).

A segunda variável analisada faz referência aos principais periódicos que publicam com foco na temática  abordada. Conforme Figura 02, abaixo. 

Figura 02: Rank de Citações por periódicos em nível Global. Rio Branco, AC, Brasil, 2025

Fonte: Pubmed, (2025).

O gráfico apresenta, para cada periódico, a quantidade de vezes que um artigo foi  mencionado por outros pesquisadores em publicações científicas. O artigo mais citado é de  Kalluri R., publicado em 2020 na revista Science, que chega a quase 9.000 restrições e liderança  com ampla vantagem sobre os demais. Em seguida, aparecem artigos de Yáñez-Mó M., Rupa Moole R., Statello L. e López-Otín C., o que indica grande influência em suas áreas. Os demais  artigos apresentados continuam sendo bastante relevantes, pois também receberam muitos  comentários e utilizações. 

Na figura 03, demonstra-se a quantidade de artigos científicos publicados por  pesquisadores de diferentes países e como esses trabalhos foram produzidos: se apenas por  pessoas do mesmo país ou em conjunto com pesquisadores de outros países. Os Estados Unidos  e Japão aparecem como os países que mais publicam artigos, principalmente feitos por equipes  do próprio País. Já países como França, Alemanha, Itália, Bélgica e Áustria têm menos  publicações, mas uma percentagem maior dos seus artigos é feita em parceria internacional. Em  resumo, os resultados mostram que EUA e Japão são líderes na produção científica de autores  locais, enquanto os países europeus se destacam pela colaboração entre diferentes nações. 

Figura 03: Rank de publicações em Nível Internacional. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

Fonte: Pubmed, (2025).

Ao comparar com o Brasil figura 04, percebe-se uma situação diferente, quase todas as  publicações envolvem colaboração entre países diferentes, ou seja, trabalhos feitos por equipes  internacionais. O percentual de artigos com esse tipo de parceria chega perto de 100%, e  praticamente não há trabalhos feitos apenas por autores de um único país. A quantidade total  de artigos e colaborações internacionais é pequena (cerca de 9 trabalhos). 

Entre os autores mais relevantes, poucos nomes aparecem com destaque, enquanto a  maioria tem apenas uma publicação. Em resumo, a produção científica desse grupo é marcada  por co-publicolaborações internacionais e pouco volume total de artigos, o que é compatível com  o menor reconhecimento individual dos autores devido à forma compartilhada de produção. 

Figura 04: Rank de publicações em nível Nacional. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

Fonte: Pubmed, (2025).

Os resultados da figura 5, referente aos descritores mais citados, se conectam  diretamente à pergunta de pesquisa, ao mostrar os principais temas abordados em artigos  científicos nacionais e internacionais sobre reprogramação epigenética parcial, envelhecimento  celular e medicina regenerativa. O fato dos termos “humanos”, “animais”, “envelhecimento”,  “neoplasias” e “senescência celular” serem os mais citados indica que o conhecimento  produzido envolve estudos focados em diferentes modelos biológicos (tanto seres humanos  quanto animais), além de abordar doenças relevantes como o câncer e processos fundamentais  para a medicina regenerativa, como envelhecimento e diferenciação celular. 

Assim, fica evidente que as pesquisas científicas nessa área geram conhecimentos sobre  os mecanismos genéticos e celulares envolvidos no envelhecimento e em doenças, assim como  estratégias potenciais para regeneração de tecidos. O destaque para “epigênese genética”,  “transdução de sinal” e “senescência celular” mostra que há um enfoque importante nas vias  moleculares e celulares que regulam a reprogramação epigenética e a renovação das células.  

Dessa forma, os gráficos demonstram que a produção científica contribui para entender  tanto os fundamentos biológicos do envelhecimento quanto às possibilidades práticas da  medicina regenerativa. 

Figura 05: Descritores mais citados. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

Fonte: Pubmed, (2025).

A figura 06 mostra como o uso dos principais descritores (“humanos”, “animais”,  “neoplasias”, etc.) evoluiu ao longo dos anos, de 2005 a 2024. Percebe-se que o termo  “humanos” cresce de forma consistente e se mantém bem acima dos demais até 2024, indicando  um interesse maior nas pesquisas em estudos com seres humanos. O termo “animais” também apresenta um crescimento relevante, mas em quantidade menor, deixando claro que há muitos  estudos em modelos animais, porém menos do que com humanos. 

Outros descritores como “neoplasias”, “transdução de sinal”, “envelhecimento”,  “epgênese genética”, “diferenciação celular”, “senescência celular” e “ratos” também têm  crescido ao longo dos anos, embora em menor escala. Isso mostra que esses temas, apesar de  menos frequentes, também tiveram aumentos gradativos de interesse na literatura científica  relacionada à reprogramação epigenética e envelhecimento celular. 

Comparando com os gráficos anteriores, que exibem o total acumulado de cada  descritor, este novo gráfico complementa a análise ao revelar a evolução temporal desses temas,  porém quais áreas vêm ganhando mais destaque ano a ano. Em resumo, ambos os gráficos apontam que “humanos” e “animais” são os assuntos mais treinados, mas os gráficos de linha  adicionam a informação de que o interesse por esses descritores cresce de modo constante — mostrando tendências de pesquisa e possíveis mudanças nas prioridades científicas ao longo do  tempo. 

Figura 06: Evolução temporal dos temas mais citados em pesquisas sobre reprogramação epigenética,  envelhecimento celular e medicina regenerativa (2005–2024).

Fonte: Pubmed, (2025).

5 . CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O presente estudo evidencia que a reprogramação epigenética parcial constitui uma das  áreas mais inovadoras e promissoras da biomedicina translacional, sobretudo quando aplicada  ao envelhecimento celular e à medicina regenerativa. O levantamento bibliométrico revela  ampliação contínua do interesse científico sobre o tema, com predominância de pesquisas  envolvendo seres humanos e animais, além de forte abordagem em mecanismos genéticos,  senescência celular e neoplasias. A bibliometria demonstra que a produção internacional é mais  expressiva, enquanto a contribuição nacional ocorre majoritariamente em colaboração com  grupos estrangeiros. 

Os resultados apresentam expressivo avanço na compreensão dos processos  moleculares envolvidos no envelhecimento e apontam para o desenvolvimento de novas  terapias com potencial de restaurar a funcionalidade de tecidos e órgãos, minimizando riscos  anteriormente associados à reprogramação celular total, como tumorgenicidade. Destaca-se,  porém, que ainda existem desafios a serem superados, principalmente quanto à confirmação  dos mecanismos moleculares, das vias epigenéticas específicas e dos impactos a longo prazo  dessas intervenções no organismo. 

O cenário atual reforça a necessidade de estudos futuros bem delineados que explorem  não apenas as bases biológicas e genéticas do envelhecimento, mas também tragam aplicações  clínicas seguras e ampliem a abrangência de métodos para diferentes faixas etárias, doenças e  sistemas. Assim como no campo das terapias naturais para o câncer, observa-se que a  multiplicidade de mecanismos gera dificuldades em determinar os alvos celulares exatos e o  impacto global das intervenções. Portanto, recomenda-se a continuidade e diversificação das  pesquisas sobre reprogramação epigenética parcial, buscando consolidar perspectivas de  prolongamento da longevidade e melhoria da qualidade de vida de envelhecidos e pacientes  com doenças degenerativas. 

Concluindo, o presente trabalho sintetiza os conhecimentos atuais produzidos na área,  contribui para o fortalecimento do debate científico e aponta caminhos essenciais para novos  avanços em medicina regenerativa e no enfrentamento do envelhecimento fisiológico e  patológico.

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. e-mail: paluarrabal@gmail.com ORCID: 0009-0008-7751-1200
2Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0007-4169-5434
3Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0004-3488-2002
4Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0000-1004-1023
5Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0005-7649-1138
6Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0007-0460-7837
7Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0006-9749-9151
8Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0002-1254-8260
9Médico Generalista.
10Orientadora. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde na Amazônia  Ocidental – PPGCSAO/UFAC. Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. e-mail: ines.alencar@sou.ufac.br ORCID: 0009-0004-8916-6476