PARTIAL EPIGENETIC REPROGRAMMING: CELLULAR AGING AND REGENERATIVE MEDICINE: A BIBLIOMETRIC ANALYSIS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510312030
Palucia Solange Passamani1; Luciana L. de A. F. Felix Della Libera2; Geovana Passamani Vieira3; Elisvângela Freitas de Souza4; Luciana Torres Bezerra5; Maria Marlen Melo Veras6; Letícia Junqueira L. Rodrigues7; Zaine el Kadri8; Paulo Getúlio Passamani Torres9; Inês Nalita D’avila de Lima Alencar10
Resumo
Introdução: O envelhecimento, processo natural que ocorre em todos os organismos, provoca mudanças nas células e torna o corpo mais propenso a doenças como câncer e problemas cardiovasculares, devido à perda da homeostase tecidual. Visando uma melhor compreensão sobre a reprogramação epigenética, o presente artigo tem como objetivo analisar como a reprogramação epigenética parcial pode ajudar a retardar ou reverter alguns sinais do envelhecimento, favorecendo a saúde das células e abrindo novas possibilidades na medicina regenerativa. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliométrica, na qual, primeiramente, buscaram-se artigos científicos publicados na base de dados PubMed sobre os temas “reprogramação celular”, “células-tronco pluripotentes induzidas” e “senescência celular genética”. Foram selecionados apenas artigos completos, disponíveis em português, inglês ou espanhol, e que abordassem o assunto no título, resumo ou descritores. Resultados: Evidenciou-se que o interesse na área tem aumentado, especialmente em pesquisas realizadas com células humanas e animais, envolvendo o estudo de mecanismos genéticos e novas terapias. A literatura aponta a reprogramação epigenética parcial como uma estratégia promissora: ela pode recuperar características jovens das células sem perda de identidade celular e poderá ser importante, no futuro, para tratar doenças relacionadas à idade. No entanto, os estudos também indicam que ainda é necessário compreender melhor os mecanismos envolvidos e garantir a segurança de potenciais tratamentos. Conclusão: Investir em pesquisas na área pode trazer muitos benefícios para a saúde e longevidade no futuro.
Palavras-chave: Epigenética. Envelhecimento. Reprogramação Celular. Senescência Genética Celular.
Abstract
Introduction: Aging, a natural process that occurs in all organisms, leads to changes in cells and makes the body more prone to diseases such as cancer and cardiovascular disease, due to the loss of tissue homeostasis. With a view to better understanding epigenetic reprogramming, this article aims to analyze how partial epigenetic reprogramming can help delay or reverse some signs of aging, promoting cellular health and opening new possibilities in regenerative medicine. Methodology: A bibliometric review was conducted in which, first, scientific articles published in the PubMed database were searched on the topics “cellular reprogramming,” “induced pluripotent stem cells,” and “genetic cellular senescence.” Only full articles available in Portuguese, English, or Spanish that addressed the subject in the title, abstract, or des criptors were selected. Results: It was found that interest in the area has been increasing, especially in research conducted with human and animal cells, involving the study of genetic mechanisms and new therapies. The literature indicates partial epigenetic reprogramming as a promising strategy: it can restore youthful characteristics of cells without loss of identity.
Keywords: Epigenetics. Aging. Cellular Reprogramming. Cellular Genetic Senescence.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo multifatorial caracterizado pelo declínio progressivo da função celular, alterações epigenéticas e perda da homeostase tecidual, tornando o organismo mais vulnerável ao desenvolvimento de doenças crônicas e degenerativas (Gottlieb et al. 2007).
Entre as manifestações moleculares do envelhecimento destacam-se a instabilidade genômica, o encurtamento dos telômeros, o acúmulo de mutações somáticas e modificações epigenéticas como a metilação do DNA e alterações em histonas (Santos et al. 2009).
Nos últimos anos, a reprogramação epigenética parcial — baseada na expressão transitória dos fatores de Yamanaka (OCT4, SOX2, KLF4 e c-MYC) — consolidou-se como uma alternativa inovadora para reverter marcas do envelhecimento sem induzir a perda de identidade celular (Saunders et al. 2010). Essa estratégia permite restaurar padrões de expressão gênica associados à juventude, remodelar o epigenoma e proporcionar maior resistência ao estresse oxidativo e à deterioração funcional das células (Murray et al. 2015).
Do ponto de vista global, pesquisas conduzidas em instituições de excelência como Harvard, MIT, Salk Institute e centros europeus, colocam a reprogramação epigenética parcial entre as mais promissoras fronteiras da biomedicina translacional (Brzeziński 2025). Ensaios realizados nessas instituições demonstram a possibilidade de prolongar a expectativa de vida em modelos animais, promovendo reparo tecidual, restauração funcional e redução dos riscos de tumorigênese ligados à reprogramação total, além de testar aplicações em doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e oncológicas (Lin et al. 2020). Projetos internacionais vêm associando tecnologias de edição genética, inteligência artificial e análises multiômicas para ampliar a precisão, segurança e aplicabilidade dessas abordagens em seres humanos, influenciando diretamente políticas de saúde e estratégias globais de inovação biomédica (Brzeziński 2025; Yi et al. 2012).
No contexto brasileiro, observa-se crescimento no interesse por pesquisas em reprogramação epigenética, com universidades e institutos nacionais integrando colaborações multicêntricas internacionais e adaptando essas tecnologias para investigação de doenças prevalentes no país (Jornal da USP 2025). Apesar das limitações em infraestrutura e financiamento, grupos brasileiros vêm participando ativamente da validação de modelos experimentais, destacando-se principalmente pela coprodução científica em áreas como envelhecimento e medicina regenerativa (Deng et al. 2025).
Portanto, o objetivo desta pesquisa é analisar as evidências científicas mais recentes, tanto nacionais quanto internacionais, e descrever as principais tendências, desafios e perspectivas relacionados à reprogramação epigenética parcial, com ênfase nos contextos de envelhecimento celular e medicina regenerativa.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Epigenética
A epigenética opera como uma camada de controle fundamental, regulando a expressão gênica por meio de modificações do DNA, histonas e cromatina, sem alterar a sequência do genoma — abrangendo processos que são dinâmicos, reversíveis e fortemente influenciados pelo ambiente ao longo do ciclo de vida (Allis & Jenuwein, 2016). Essas marcações epigenéticas são centrais para o desenvolvimento e diferenciação celular, mas também para fenótipos associados ao envelhecimento, suscetibilidade a doenças crônicas e respostas adaptativas ambientais (Feil & Fraga, 2012; Cedar & Bergman, 2012).
Revisões em periódicos como Science Direct reforçam que desvios nos padrões de metilação do DNA ou modificação de histonas podem desencadear distúrbios metabólicos, neurodegenerativos e diversos cânceres, tornando o epigenoma um alvo emergente para intervenções biomédicas e terapias avançadas (Bird, 2007; Dawson & Kouzarides, 2012).
2.2 Reprogramação Celular
Em reprogramação celular, o advento dos fatores de Yamanaka (OCT4, SOX2, KLF4, c-MYC) revolucionou a biomedicina ao permitir reverter células somáticas diferenciadas ao estado pluripotente (iPSC), com competentes aplicações experimentais e clínicas (Takahashi & Yamanaka, 2006; Hanna & Plath, 2013).
Trabalhos recentes demonstram que a expressão transitória, de reprogramação parcial, pode reverter integralmente marcas essenciais do envelhecimento epigenético, restaurar comprimento telomérico, remodelar mitocôndrias e suprimir fenótipos de senescência com mínima perda de identidade celular, conforme evidenciado em artigos do Cell Reports e Nature Communications (Ocampo et al., 2016; Sarkar et al., 2020). Estudos clássicos e contemporâneos indicam que intervenções pela reprogramação parcial retardam a deterioração dos tecidos, aumentam a plasticidade funcional e diminuem o risco tumoral em modelos murinos e celulares humanos (Abad et al., 2013; Sarkar et al., 2020).
2.3 Envelhecimento Celular e Medicina Regenerativa
No contexto da medicina regenerativa, revisões e estudos evidenciam que técnicas baseadas em células-tronco, reprogramação epigenética e engenharia tecidual estão na vanguarda de terapias para doenças cardíacas, neurodegenerativas e tecidos em envelhecimento avançado (Trounson & DeWitt, 2016; Zaborowski et al., 2021. A integração de inteligência artificial, edição genética e medicina regenerativa potencializa estratégias personalizadas, ampliando perspectivas para prolongamento da saúde e recuperação funcional de tecidos envelhecidos e degenerados, em consonância com a literatura mais atual e de maior impacto (Huang et al., 2023; Sarkar et al., 2020).
3. METODOLOGIA
O percurso metodológico foi definido em seis etapas: elaboração da questão norteadora; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; busca nas bases de dados; avaliação dos estudos incluídos; interpretação dos resultados e apresentação do levantamento. Como questão norteadora tem–se: Quais os conhecimentos produzidos em artigos científicos nacionais e internacionais sobre reprogramação epigenética parcial: envelhecimento celular e medicina regenerativa? Para alcançar os objetivos propostos neste estudo, foi realizada uma busca sistemática no seguinte portal de bases de dados: National Center for Biotechnology Information (PUBMED), por ser uma base de dados de referência na área. Os descritores utilizados foram “Cellular Reprogramming” AND “Induced Pluripotent Stem Cells” AND “Genetic Cellular Senescence”. Estabeleceu-se como critérios de inclusão no estudo: artigos completos disponíveis eletronicamente, nos idiomas português, inglês e espanhol que apresentassem a temática proposta no título, resumo ou nos descritores. Constituíram critérios de exclusão: cartas ao editor, relatos de casos, editoriais, publicados em outros idiomas com exceção do português, inglês e espanhol.
As bases de dados foram acessadas entre agosto de 2025 a outubro de 2025, sendo obtidos ao todo 98 textos científicos, de 2005 até esta data. Assim, foram realizadas a leitura de todos os resumos, eliminando os artigos científicos que não estavam de acordo com objetivo do estudo proposto para esta pesquisa, sendo excluídos também, artigos repetidos. Ainda, aplicando-se os critérios de exclusão os textos científicos foram reduzidos para 69 artigos após a revisão do texto inteiro. Com a intenção de melhor organizar e analisar os dados, construiu-se uma tabela no programa Excel contendo os seguintes indicadores: ano de publicação, país, autores, revista e delineamento de estudo. Os dados foram agrupados e avaliados por meio de estatística descritiva.
Os autores e suas afiliações foram determinados com base nos campos estruturados do resumo fornecido pelo PubMed. Sendo selecionado, 10 manuscritos que mais se adequam à pesquisa em questão, coletou-se dados sobre o país de publicação definido pela origem do autor, índice H, fator de impacto, taxas de processamento de artigos e resultados de indexação no PubMed.
A agregação, análise e criação de gráficos dos dados foram realizadas utilizando o programa R, versão 4.0.1 (R Foundation for Statistical Computing, Viena, Áustria). As análises foram conduzidas no R com bibliometrix (biblioAnalysis, biblioNetwork, networkPlot, thematicMap, conceptualStructure, histNetwork/histPlot) e, quando conveniente, via interface biblioshiny.
Tabela 01: Seleção dos principais artigos.
| AUTOR | TÍTULO | PAG | ANO | DOI |
| .(Yang et al. 2023) | Reprogramação induzida quimicamente para reverter o envelhecimento celular. | 5966-5989 | 2023 | 10.18632/envelhecimento.204896. |
| (Simpson et al. 2021) | Reprogramação celular e rejuvenescimento epigenético. | 170 | 2021 | 10.1186/s13148 -021-01158-7. |
| (Chondrona siou et al. 2022) | Rejuvenescimento multiômico de tecidos envelhecidos naturalmente por meio de um único ciclo de | e13578 | 2022 | 10.1111/acel.13 578. |
| Göbel, Caro lin (Göbel et al. 2018) | A interrupção da reprogramação em células-tronco pluripotentes induzidas não rejuvenesce as células estromais mesenquimais humanas | 11676 | 2018 | 10.1038/s41598 -018-30069-6. |
| (Göbel et al. 2018) | Terapias regenerativas baseadas em células-tronco pluripotentes induzidas no tratamento de declínio funcional e doenças relacionadas ao envelhecimento | — | 2025 | 10.3390/células14080619. |
| (“Mecanismos de rejuvenescimento celular – Denoth‐ Lippuner – 2019 – FEBS Letters – Wiley Online Li brary”, s. d.) | Mecanismos de rejuvenescimento celular. | 3381-3392 | 2019 | 10.1002/1873- 3468.13483. |
| Hu, Kejin (Hu 2014) | Todos os caminhos levam às células-tronco pluripotentes induzidas: as tecnologias das iPSC | 1285-300 | 2014 | 10.1089/scd.201 3.0620. |
| (Lin, Ying Chu, 2014) | Papel dos genes supressores de tumores na reprogramação de células humanas associada ao câncer… | 58 | 2014 | 10.1186/scrt447. |
| (Banito, Ana 2010) | Células-tronco pluripotentes induzidas e senescência: aprendendo a biologia para melhorar… | 353-9 | 2010 | 10.1038/em bor.2010.47. |
| (Abdal Dayem et al. 2019) | Produção de células-tronco mesenquimais por meio da reprogramação de células tronco. | — | 2019 | 10.3390/ijms200 81922. |
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A seguir, os resultados referentes aos artigos sobre reprogramação epigenética parcial: envelhecimento celular e medicina regenerativa: 1) Distribuição cronológica dos estudos; 2) Rank de citações por periódicos em nível Goblal; 3) Rank de publicações em nível internacional; 4) Rank de publicações em nível Nacional; 5) Descritores mais citados e 6) Evolução temporal dos temas mais citados em pesquisas sobre reprogramação epigenética, envelhecimento celular e medicina regenerativa (2005–2024).
A análise da distribuição cronológica da produção científica sobre reprogramação epigenética parcial: envelhecimento celular e medicina regenerativa, revela oscilações na frequência de publicações ao longo dos anos. Onde o maior pico de produtividade ocorreu em 2013, quando foram publicados 12 artigos, representando o maior volume anual da série apresentada. Em 2012, foram publicados 5 artigos e, em 2017, 4 artigos, valores que não configuram picos de produtividade. Entre 2018 e 2019 foram publicados apenas 10% do total de artigos publicados entre 2005 e 2025. Observa-se, uma tendência de queda na produção nesse período. Após o pico de 2013, nota-se uma diminuição gradual na produção científica, atingindo o ponto mais baixo em 2018 (1 artigo) e chegando a 0 artigos em 2023. No entanto, o gráfico indica uma possível retomada do interesse a partir de 2024, com 4 artigos, e um leve aumento em 2025, com 5 artigos publicados.
Figura 01: Distribuição dos artigos por ano de publicação. Rio Branco, AC, Brasil, 2025. Produção Anual Científica

A segunda variável analisada faz referência aos principais periódicos que publicam com foco na temática abordada. Conforme Figura 02, abaixo.
Figura 02: Rank de Citações por periódicos em nível Global. Rio Branco, AC, Brasil, 2025

O gráfico apresenta, para cada periódico, a quantidade de vezes que um artigo foi mencionado por outros pesquisadores em publicações científicas. O artigo mais citado é de Kalluri R., publicado em 2020 na revista Science, que chega a quase 9.000 restrições e liderança com ampla vantagem sobre os demais. Em seguida, aparecem artigos de Yáñez-Mó M., Rupa Moole R., Statello L. e López-Otín C., o que indica grande influência em suas áreas. Os demais artigos apresentados continuam sendo bastante relevantes, pois também receberam muitos comentários e utilizações.
Na figura 03, demonstra-se a quantidade de artigos científicos publicados por pesquisadores de diferentes países e como esses trabalhos foram produzidos: se apenas por pessoas do mesmo país ou em conjunto com pesquisadores de outros países. Os Estados Unidos e Japão aparecem como os países que mais publicam artigos, principalmente feitos por equipes do próprio País. Já países como França, Alemanha, Itália, Bélgica e Áustria têm menos publicações, mas uma percentagem maior dos seus artigos é feita em parceria internacional. Em resumo, os resultados mostram que EUA e Japão são líderes na produção científica de autores locais, enquanto os países europeus se destacam pela colaboração entre diferentes nações.
Figura 03: Rank de publicações em Nível Internacional. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

Ao comparar com o Brasil figura 04, percebe-se uma situação diferente, quase todas as publicações envolvem colaboração entre países diferentes, ou seja, trabalhos feitos por equipes internacionais. O percentual de artigos com esse tipo de parceria chega perto de 100%, e praticamente não há trabalhos feitos apenas por autores de um único país. A quantidade total de artigos e colaborações internacionais é pequena (cerca de 9 trabalhos).
Entre os autores mais relevantes, poucos nomes aparecem com destaque, enquanto a maioria tem apenas uma publicação. Em resumo, a produção científica desse grupo é marcada por co-publicolaborações internacionais e pouco volume total de artigos, o que é compatível com o menor reconhecimento individual dos autores devido à forma compartilhada de produção.
Figura 04: Rank de publicações em nível Nacional. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

Os resultados da figura 5, referente aos descritores mais citados, se conectam diretamente à pergunta de pesquisa, ao mostrar os principais temas abordados em artigos científicos nacionais e internacionais sobre reprogramação epigenética parcial, envelhecimento celular e medicina regenerativa. O fato dos termos “humanos”, “animais”, “envelhecimento”, “neoplasias” e “senescência celular” serem os mais citados indica que o conhecimento produzido envolve estudos focados em diferentes modelos biológicos (tanto seres humanos quanto animais), além de abordar doenças relevantes como o câncer e processos fundamentais para a medicina regenerativa, como envelhecimento e diferenciação celular.
Assim, fica evidente que as pesquisas científicas nessa área geram conhecimentos sobre os mecanismos genéticos e celulares envolvidos no envelhecimento e em doenças, assim como estratégias potenciais para regeneração de tecidos. O destaque para “epigênese genética”, “transdução de sinal” e “senescência celular” mostra que há um enfoque importante nas vias moleculares e celulares que regulam a reprogramação epigenética e a renovação das células.
Dessa forma, os gráficos demonstram que a produção científica contribui para entender tanto os fundamentos biológicos do envelhecimento quanto às possibilidades práticas da medicina regenerativa.
Figura 05: Descritores mais citados. Rio Branco, AC, Brasil, 2025.

A figura 06 mostra como o uso dos principais descritores (“humanos”, “animais”, “neoplasias”, etc.) evoluiu ao longo dos anos, de 2005 a 2024. Percebe-se que o termo “humanos” cresce de forma consistente e se mantém bem acima dos demais até 2024, indicando um interesse maior nas pesquisas em estudos com seres humanos. O termo “animais” também apresenta um crescimento relevante, mas em quantidade menor, deixando claro que há muitos estudos em modelos animais, porém menos do que com humanos.
Outros descritores como “neoplasias”, “transdução de sinal”, “envelhecimento”, “epgênese genética”, “diferenciação celular”, “senescência celular” e “ratos” também têm crescido ao longo dos anos, embora em menor escala. Isso mostra que esses temas, apesar de menos frequentes, também tiveram aumentos gradativos de interesse na literatura científica relacionada à reprogramação epigenética e envelhecimento celular.
Comparando com os gráficos anteriores, que exibem o total acumulado de cada descritor, este novo gráfico complementa a análise ao revelar a evolução temporal desses temas, porém quais áreas vêm ganhando mais destaque ano a ano. Em resumo, ambos os gráficos apontam que “humanos” e “animais” são os assuntos mais treinados, mas os gráficos de linha adicionam a informação de que o interesse por esses descritores cresce de modo constante — mostrando tendências de pesquisa e possíveis mudanças nas prioridades científicas ao longo do tempo.
Figura 06: Evolução temporal dos temas mais citados em pesquisas sobre reprogramação epigenética, envelhecimento celular e medicina regenerativa (2005–2024).

5 . CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo evidencia que a reprogramação epigenética parcial constitui uma das áreas mais inovadoras e promissoras da biomedicina translacional, sobretudo quando aplicada ao envelhecimento celular e à medicina regenerativa. O levantamento bibliométrico revela ampliação contínua do interesse científico sobre o tema, com predominância de pesquisas envolvendo seres humanos e animais, além de forte abordagem em mecanismos genéticos, senescência celular e neoplasias. A bibliometria demonstra que a produção internacional é mais expressiva, enquanto a contribuição nacional ocorre majoritariamente em colaboração com grupos estrangeiros.
Os resultados apresentam expressivo avanço na compreensão dos processos moleculares envolvidos no envelhecimento e apontam para o desenvolvimento de novas terapias com potencial de restaurar a funcionalidade de tecidos e órgãos, minimizando riscos anteriormente associados à reprogramação celular total, como tumorgenicidade. Destaca-se, porém, que ainda existem desafios a serem superados, principalmente quanto à confirmação dos mecanismos moleculares, das vias epigenéticas específicas e dos impactos a longo prazo dessas intervenções no organismo.
O cenário atual reforça a necessidade de estudos futuros bem delineados que explorem não apenas as bases biológicas e genéticas do envelhecimento, mas também tragam aplicações clínicas seguras e ampliem a abrangência de métodos para diferentes faixas etárias, doenças e sistemas. Assim como no campo das terapias naturais para o câncer, observa-se que a multiplicidade de mecanismos gera dificuldades em determinar os alvos celulares exatos e o impacto global das intervenções. Portanto, recomenda-se a continuidade e diversificação das pesquisas sobre reprogramação epigenética parcial, buscando consolidar perspectivas de prolongamento da longevidade e melhoria da qualidade de vida de envelhecidos e pacientes com doenças degenerativas.
Concluindo, o presente trabalho sintetiza os conhecimentos atuais produzidos na área, contribui para o fortalecimento do debate científico e aponta caminhos essenciais para novos avanços em medicina regenerativa e no enfrentamento do envelhecimento fisiológico e patológico.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. e-mail: paluarrabal@gmail.com ORCID: 0009-0008-7751-1200
2Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0007-4169-5434
3Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0004-3488-2002
4Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0000-1004-1023
5Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0005-7649-1138
6Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0007-0460-7837
7Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0006-9749-9151
8Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. ORCID: 0009-0002-1254-8260
9Médico Generalista.
10Orientadora. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde na Amazônia Ocidental – PPGCSAO/UFAC. Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Uninorte – UNINORTE, Rio Branco, Acre, Brasil. e-mail: ines.alencar@sou.ufac.br ORCID: 0009-0004-8916-6476
