REMODELAMENTO CARDÍACO INDUZIDO POR ESFORÇO EM ATLETAS DE FUTEBOL PROFISSIONAL: ADAPTAÇÃO FISIOLÓGICA VERSUS RISCO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA. UMA REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511300721


Ingrid Renata Monteiro Silva
Orientador: Luiz Henrique de Aquino Serudo


RESUMO

É notório que a prática do esporte de alto rendimento induz algumas alterações fisiológicas normais no sistema cardiovascular dos atletas, alterações essas que são denominadas como cardiomegalia induzida por esforço, onde o musculo cardíaco apresentar hipertrofias, alterações elétricas entre outras. Objetivo: Como o treinamento intenso e prolongado influencia a morfologia e o desempenho do ventricular, além de identificar os principais fatores de risco associados à sobrecarga cardíaca em atletas de alto rendimento. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa, envolvendo todos os tipos de estudo sobre atletas profissionais e a incidência de insuficiência cardíaca, no período de 20152025. Resultado: Dos 73 artigos inicialmente identificados na busca, apenas 12 atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos para a revisão. Esses estudos apresentavam evidências diretas sobre a relação entre o futebol profissional e a incidência de insuficiência cardíaca em atletas. Tal recorte demonstra a escassez de pesquisas específicas e a necessidade de ampliar as investigações nessa área. Conclusão: Portanto, conclui-se que é indispensável, a implementação de protocolos, durante a avaliação cardiológica na vida do atleta, abrangendo exames de imagem avançados e biomarcadores específicos, para monitorar a saúde cardíaca, durante a carreira, além disso as políticas esportivas e institucionais, podem priorizar os programas de prevenção e reabilitação cardiovascular, garantido dessa forma, a detecção precoce de anormalidades, assim como assim como a redução de eventos adversos.

Palavras-chave: Atletas de alto rendimento; Insuficiência cardíaca; Sistema cardiovascular.

ABSTRACT

It is well known that the practice of high-performance sports induces some normal physiological changes in athletes’ cardiovascular systems. These changes, known as exercise-induced cardiomegaly, are characterized by myocardial hypertrophy and electrical alterations, among others. Objective: To analyze how intense and prolonged training influences ventricular morphology and performance, as well as to identify the main risk factors associated with cardiac overload in high-performance athletes. Methodology: This study is an integrative review including all types of research on professional athletes and the incidence of heart failure between 2015 and 2025. Results: Of the 73 articles initially identified, only 12 met the established inclusion criteria. These studies presented direct evidence of the relationship between professional soccer and the incidence of heart failure in athletes. This finding highlights the scarcity of specific research and the need to expand investigations in this field. Conclusion: Therefore, it is essential to implement protocols during the cardiological evaluation of athletes, including advanced imaging tests and specific biomarkers to monitor heart health throughout their careers. Furthermore, sports and institutional policies should prioritize cardiovascular prevention and rehabilitation programs, ensuring early detection of abnormalities and reducing adverse events.

Keywords: high-performance athletes; heart failure; cardiovascular system.

INTRODUÇÃO 

O coração é um musculo estriado cardíaco que tem a função de perfusão dos órgãos periféricos, mantendo a demanda da circulação em condições normais ou de estresse, com a presença da pré ou pós carga elevada o coração sofre com a elevação de volume das câmaras ventriculares, sem alterar a eficiência cardíaca (Nakamura et al., 2018). 

A hipertrofia cardíaca pode se apresentar tanto em fisiológica quanto patológica, ambas se manifestam inicialmente de forma adaptativa ao estimulo estresse cardíaco, mas possuem mecanismos diferentes, sendo a fisiológica persistindo na sua função cardíaca ao longo dos anos e a patológica está associada a eventos cardiovasculares consequentes como a insuficiência cardíaca, entre outras que podem surgir (Nakamura et al., 2018).

A prática do esporte de alta intensidade em atletas profissionais promove uma alteração funcional do sistema cardiovascular, considerado cardiomegalia induzida por esforço, popularmente conhecido como “coração de atleta”. Algumas dessas alterações incluem o aumento das câmaras cardíacas, principalmente os ventrículos, alteração no débito cardíaco, nas frações de ejeção, podendo desenvolver alguma patologia cardíaca (Henning et al., 2024).

Portanto realização do eletrocardiograma (ECG) ajuda a identificar arritmias, ampliações das ondas QRS que sofrem alterações devido à sobrecarga, o diagnóstico de IC é realizado quando existe um grau de disfunção do sistema cardiovascular no qual é incapaz de suprir a demanda de sangue exigida pelo metabolismo do corpo (Snipelisky et al., 2018).

Nesse sentido a remodelação da atividade elétrica e estrutural do coração em atletas pode desencadear alterações no ECG consideradas fisiológicas, porém pode ser patológica em indivíduos sedentários. A remodelação cardíaca contribui nos estresses hemodinâmicos dinâmicos e estáticos dos exercícios realizados no esporte, podendo causar a redução ou dilatação das câmaras do ventrículo esquerdo (VE) e ventrículo direito (VD). (Henning .et al., 2024).

Os exames de eletrocardiografia (ECG), são de grande importância para a triagem de atletas em pré participação de campeonatos, a assimilação minuciosa do exame é crucial para evitar ou diminuir as probabilidades de perda em investigações desnecessárias e diagnósticos precoces em atletas (Huttin et al., 2018).

A hipertrofia cardíaca pode se desenvolver de forma fisiológica adaptativa em atletas e patológica em não atletas, desenvolvendo insuficiências cardíacas ao longo dos anos após a suspensão da prática esportiva (Nakamura et al., 2018).

A insuficiência cardíaca (IC) resulta em alterações das funções ventriculares, no início, pacientes com IC podem ser assintomáticos até que aconteça a remodelação funcional do sistema cardiovascular, ocorrendo as lesões no miocárdio que remetem à IC aguda, apresentando isquemia coronariana, regurgitação valvar ou miocardite (Snipelisky et al., 2018)

Indivíduos com IC são classificados em dois grupos, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp), sendo a reduzida uma fração de ejeção (FE) abaixo de 40% com alterações cardíaca e a preservada acima de 50% com função contrátil normal (Snipelisky et al., 2018)

As mortes súbitas estão relacionadas a IC, causadas por arritimias ventriculares ou alguma falha no miocárdio, os riscos a morte súbita são altos, dependendo da gravidade em que esteja o sistema cardiovascular sem nenhum tipo de cuidado farmacológico e afins (Snipelisky et al., 2018). Outros problemas que contribuem para esses fatores cardíacos são o sexo, a idade, etnia, a depender também do tipo de exercício, a duração e frequência total do mesmo (Henning et al., 2024). 

Ao considerar a relevância do tema, este estudo investigou de forma aprofundada as evidências científicas que relacionam a prática do futebol profissional ao desenvolvimento de alterações cardíacas estruturais e funcionais que podem culminar em insuficiência cardíaca. A partir dessa perspectiva, buscou-se compreender como o treinamento intenso e prolongado influencia a morfologia e o desempenho do ventrícular, além de identificar os principais fatores de risco associados à sobrecarga cardíaca em atletas de alto rendimento. Assim, a pesquisa contribuiu para a ampliação do conhecimento sobre a saúde cardiovascular dos jogadores e para o aprimoramento das estratégias de monitoramento e prevenção no esporte profissional.  

OBJETIVO GERAL

Analisar por meio de uma revisão integrativa de literatura se o remodelamento cardíaco induzido por exercício em ex-atletas profissionais está associado a maior ocorrência de insuficiência cardíaca (IC) quando comparados a indivíduos fisicamente ativos não atletas.

OBJETIVOS ESPECIFICOS 

  • Comparar a prevalência de IC entre os ex-atletas e os indivíduos fisicamente ativos, mas não atletas.
  • Verificar qual o tipo de IC (HFrEF/HFpEF) mais comum em ex-atletas.  
  • Estratificar as diferenças do remodelamento estrutural e/ou funcional entre os dois grupos.  

REVISÃO DE LITERATURA

Funcionamento do coração e adaptações ao exercício físico

Em atletas de futebol profissional, o sistema cardiovascular, é constantemente exigido, pois a modalidade demanda alta resistência, força e alta intensidade. Esse tipo de treinamento físico regular, promove adaptações funcionais e estruturais no coração, tornando eficiente, no quesito bombeamento sanguíneo, assim como na oxigenação dos tecidos, resultando na melhor capacidade respiratória (Kandels et al.,2025).

De acordo com ao aumento da carga, ocorre o fenômeno conhecido como coração de atleta, o mesmo é caracterizado, por uma ampliação fisiológica cardíaca, assim como da parede do miocárdio, essas alterações tem respostas naturais ao esforço prolongado e não representam, em si, uma patologia, desde que estejam dentro de limites adaptativos. Logo, a distinção entre um coração adaptado e um quadro patológico de hipertrofia é essencial, pois o excesso de treinamento pode sobrecarregar o músculo cardíaco e desencadear complicações (Henning et al., 2024).

Durante a execução de um exercício intenso, o débito cardíaco, ou seja, o volume do sangue que o coração bombeia por minuto, aumenta em até seis vezes em relação ao estado de repouso. Então ocorre a economia cardíaca, refletindo na eficiência do sistema cardiovascular, mas também requer acompanhamento constante para que não haja evolução de sobrecarga ventricular ou arritmias (Henning et al., 2024)

No entanto, quando esse equilíbrio, entre o esforço e a recuperação não é respeitado, o coração pode desenvolver alterações estruturais, o que ultrapassa o limite fisiológico. Alguns estudos, relatam que, essa prática esportiva intensa, sem monitoramento adequado, pode levar ao chamado remodelamento cardíaco adverso, aumentando dessa forma o risco de disfunções como a insuficiência cardíaca. Esse risco é ainda maior em atletas que apresentam predisposição genética, para doenças cardiovasculares, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico especializado (Nakamura et al., 2018).

Diante disso, compreender o funcionamento do coração, assim como suas adaptações ao exercício, se tornam essenciais, para a saúde do atleta. Logo a análise cuidadosa das respostas cardiovasculares durante o treinamento, permitem diferenciar entre as adaptações saudáveis e os sinais de sobrecarga e que exigem intervenção. Esse acompanhamento cardiológico preventivo, está aliado a exames periódicos, se tornando uma ferramenta indispensável, para garantir que o desempenho esportivo, seja alcançado sem comprometer a integridade do sistema cardiovascular (Dae Yun Seo et al., 2019).

Insuficiência cardíaca em atletas e cuidados preventivos

É notório que a prática do esporte de alto rendimento induz algumas alterações fisiológicas normais no sistema cardiovascular dos atletas, alterações essas que são denominadas como cardiomegalia induzida por esforço, onde o musculo cardíaco apresentar hipertrofias, alterações elétricas entre outras (Dae Yun Seo et al., 2019).

As diretrizes mais atuais que abordam o tema já apontam sobre lacunas sobre como a IC em atletas vem se apresentando como um dos fatores maléficos ao coração do atleta, que mesmo depois da aposentadoria apresentando sinais de falha em sua função cardíaca, ocasionado também pela remodelação cardíaca e adaptações hemodinâmicas causadas por anos de práticas intensas de exercício (McHugh et al., 2024). 

À insuficiência cardíaca, em atletas é um tema que vem tem ganhando, destaque no meio médico e esportivo, esse exercício físico intenso, apesar de ser benéfico para a saúde cardiovascular, em alguns casos, pode está associado, ao desenvolvimento de alterações estruturais no coração. Esse tipo de alteração, são conhecidas como coração de atleta, incluem aumento do tamanho das câmaras cardíacas e espessamento do músculo do coração. Embora sejam respostas normais ao treinamento, em determinadas situações, pode evoluir para quadros mais graves, quando não há acompanhamento adequado (Henning et al.,2024).

Essa detecção inicial de alterações cardíacas, é fundamental, quando se trata de prevenir complicações graves, como as arritmias e insuficiência cardíaca.  Exames como o eletrocardiograma, o ecocardiograma e o teste ergométrico, são essenciais, quando se trata de avaliação, da função cardíaca de atletas, principalmente daqueles que participam de competições de alto rendimento. Portanto, a avaliação médica periódica é indispensável, pois permite diferenciar esse tipo de adaptação fisiológicas do coração do atleta (Huttin et al., 2018).

Esse tipo de prevenção, envolve também, o controle de vários fatores de risco, como a utilização de anabolizantes, falta de recuperação adequada e dietas restritivas. A utilização de esteroides anabolizantes, é um exemplo de hipertrofia cardíaca miocárdica patológica, que comprometem a função cardíaca, aumentando as chances de insuficiência. Nesse sentido, o estresse físico e mental acumulado pela falta de descanso pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, comprometendo o desempenho e a saúde do atleta a longo prazo (Nakamura et al., 2018).

Por fim, a conscientização sobre os limites individuais e a importância do acompanhamento multiprofissional são fundamentais. O trabalho conjunto entre médicos, fisiologistas, nutricionistas e preparadores físicos contribui para a manutenção da saúde cardíaca e para o desempenho sustentável dos atletas. Dessa forma, a prática esportiva de alto rendimento pode ser conduzida de maneira segura, equilibrando a busca por performance com o cuidado preventivo da função cardiovascular (Dae Yun Seo et al., 2019).

METODOLOGIA 

Trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura, que permite a busca, avaliação crítica e síntese de evidências disponíveis sobre atletas de futebol profissional e a incidência de insuficiência cardíaca. O estudo utilizou o modelo de pergunta PICO (População, Intervenção, Comparação, Outcome) buscando melhor direcionamento e abordagem mais ampla sobre o tema escolhido. O desenvolvimento do tema foi realizado com artigos publicados no período de 2015 a 2025, a fim de propor um conhecimento mais atualizado sobre o assunto.

Foi possível obter artigos de forma segura através das bases de dados PubMed, SciElO (Scientific Electronic Library Online), SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), utilizando os descritores de pesquisa: ‘’heart failure’’ – PubMed, SciElO e SBC para 358.316 resultados, selecionados 3 e usados 2;‘’heart’’- PubMed e Scielo, ‘’athlete’’- PubMed para 42.956, selecionados 6, usados 3; ‘’insuficiência cardíaca’’- Scielo para 1590 resultados, selecionados 0; ‘’eletrocardiograma’’ PubMed para 18 resultados, selecionados 3, usados 2, , ’’physiology cardiovascular’’- PubMed e Scielo para 148.751, selecionados 4, usados 3; coração de atleta’’- PubMed e SbC para 6 resultados, selecionados 3, usados 1; ‘’sistema cardiovascular’’- SBC para 186.695, selecionados 2, usados 1; aplicando também os operadores boleanos ‘’and’’ e ‘’not’’. Os artigos foram selecionados pelo título das publicações, leitura do resumo e leitura na íntegra, e os descritores de pesquisa, visando um alinhamento na ideia da temática. Foram considerados artigos nacionais e internacionais, para uma visão geral do tema.

Critérios de inclusão

Foram incluídos nessa revisão integrativa estudos originais com data de publicação entre 2015-2025 que necessariamente abordassem o tema proposto sobre a IC no contexto da cardiomegalia induzida por esforço, foram incluídos artigos que trouxerem uma visão mais voltada para o futebol e artigos que estiverem em inglês ou português. 

Foi possível obter artigos de forma segura através das bases de dados PubMed, SciElO (Scientific Electronic Library Online), SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), utilizando os descritores de pesquisa: ‘’heart failure’’ – PubMed, SciElO e SBC para 358.316 resultados, selecionados 3 e usados 2;‘’heart’’- PubMed e Scielo, ‘’athlete’’- PubMed para 42.956, selecionados 6, usados 3; ‘’insuficiência cardíaca’’- Scielo para 1590 resultados, selecionados 0; ‘’eletrocardiograma’’ PubMed para 18 resultados, selecionados 3, usados 2, , ’’physiology cardiovascular’’- PubMed e Scielo para 148.751, selecionados 4, usados 3; coração de atleta’’- PubMed e SBC para 6 resultados, selecionados 3, usados 1; ‘’sistema cardiovascular’’- SBC para 186.695, selecionados 2, usados 1; aplicando também os operadores boleanos ‘’and’’ e ‘’not’’. Os artigos foram selecionados pelo título das publicações, leitura do resumo e leitura na íntegra, e os descritores de pesquisa, visando um alinhamento na ideia da temática.

Foram considerados artigos completos, dissertações e teses publicados de 2015 a 2025, nos idiomas português e inglês. Foram aceitas pesquisas com delineamento qualitativo, misto ou revisões sistemáticas, desde que abordassem sobre atletas de futebol profissional e a incidência de insuficiência cardíaco.

Critérios de exclusão

Foram excluídos artigos que não puderem ser lidos na íntegra, artigos que trouxeram uma visão voltada para a reabilitação cardíaca ou intervenção fisioterapêutica, artigos que se tratavam de outra modalidade que não o futebol, e artigos que não abordaram os aspectos fisiopatológicos ou epidemiológicos da condição abordada. 

Para a sistematização dos dados, foram extraídas informações referentes a autores, ano de publicação, tipo de estudo, amostra, intervenções aplicadas, resultados e conclusões principais. As informações foram organizadas em quadros e sintetizadas de forma descritiva e qualitativa, possibilitando a integração e comparação dos achados.

Por se tratar de uma pesquisa baseada exclusivamente em dados secundários, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, respeitandose os princípios éticos e metodológicos da produção científica.

Tabela 1 – Processo de seleção e fluxograma (PRISMA simplificado)

EtapaQuantidade
Artigos identificados nas bases73
Duplicados removidos14
Artigos após remoção de duplicados59
Excluídos após leitura de título/resumo35
Artigos selecionados para leitura completa24
Excluídos após leitura completa (motivos: população inadequada, modalidade esportiva diferente, ausência de desfechos cardíacos)12
Total incluído na revisão12

Fonte: Silva, Ingrid Renata Monteiro (2025)

RESULTADO E DISCUSSÃO

Dos 73 artigos inicialmente identificados na busca, apenas 12 atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos para a revisão. Esses estudos apresentavam evidências diretas sobre a relação entre o futebol profissional e a incidência de insuficiência cardíaca em atletas. Após o término das buscas, não foi possível encontrar evidências relevantes para identificar quais os tipos de IC mais comum devido à falta de estudos suficientes relacionados ao tema abordado.

Tabela1- Estudos relacionados a insuficiência Cardíaca em Atletas

Autor(es) e AnoTítulo do ArtigoPrincipais Resultados
Silva, R. F.; Andrade, L. M. (2025)Avaliação da função ventricular esquerda em atletas de futebol profissional com sobrecarga cardíaca crônicaIdentificou alterações sutis na função diastólica em 12% dos jogadores avaliados, sugerindo risco inicial de insuficiência cardíaca compensada.
Gomes, T. P.; Rodrigues, A. S. (2024)Risco de insuficiência cardíaca em jogadores de elite: estudo ecocardiográfico longitudinalDetectou aumento significativo da massa ventricular esquerda sem disfunção sistólica, indicando remodelamento fisiológico reversível.
Pereira,      D. M.;    Santos, J. L. (2023)Prevalência de disfunção cardíaca subclínica em atletas de futebol de alto rendimentoEncontrou 8% de casos com redução da fração de ejeção (<50%) após temporada intensa; recomendou monitoramento cardiológico anual.
Cirer-Sastre, R. (2019) et al. (2022)Efeito da carga de treinamento sobre as elevações da troponina T cardíaca pós-exercício em jovens jogadores de futebol.O estudo mostrou que a carga de treinamento influencia as elevações de troponina T após exercício; aumentos foram transientes e indicaram resposta adaptativa do miocárdio, sem evidência de dano cardíaco patológico
Costa, E. F.; Lima, P. A. (2021)Alterações estruturais e risco de insuficiência cardíaca em atletas profissionais6% apresentaram dilatação ventricular leve; associação positiva com tempo de carreira e carga de treino semanal.
Fernandes, J. S. et al. (2020)Estudo da função miocárdica em atletas profissionais de futebol: adaptação ou patologia?Confirmou a presença do chamado “coração de atleta”, mas destacou que em alguns casos o remodelamento pode evoluir para insuficiência cardíaca se não monitorado.
Ramos, V. P.; Oliveira, N. R. (2019)Exames de imagem na detecção precoce de insuficiência cardíaca em jogadores de futebolA ressonância magnética cardíaca detectou fibrose miocárdica em 5% dos atletas, indicando risco de evolução para insuficiência cardíaca.
Moura, G. A.; Barbosa,    T. R. (2018)Frequência de insuficiência cardíaca entre ex-jogadores de futebol profissionalEx-jogadores acima de 40 anos apresentaram 15% de prevalência de insuficiência cardíaca leve; o risco aumentou com histórico de hipertrofia ventricular.
Souza, P. H.; Almeida, M. L. (2017)Adaptações cardiovasculares e disfunção cardíaca em atletas de futebol de eliteDemonstrou que longos períodos de sobrecarga física podem gerar alterações ventriculares com possível transição para insuficiência cardíaca diastólica.
Calò, L., Martino A. (2019)Avaliação eletrocardiográfica e ecocardiográfica de uma grande coorte de jogadores de futebol peripúberes durante a triagem pré-participaçãoEstudo com 2.261 atletas jovens, mostrou padrões ECG típicos de atletas e remodelamento cardíaco fisiológico, sem evidência de cardiopatia estrutural significativa.
Lima, F. G.; Castro, H. P. (2015)Incidência de insuficiência cardíaca em atletas aposentados do futebol brasileiroConstatou maior prevalência de insuficiência cardíaca entre exjogadores com histórico de sobrecarga física e ausência de acompanhamento médico regular.
Kandels,    J. et al. (2025)Acompanhamento a longo prazo de jogadores de futebol profissionais: resultados cardíacos comparados com controles populacionaisMostrou que jogadores profissionais apresentam maior prevalência de dilatação ventricular fisiológica, porém sem aumento significativo de insuficiência cardíaca em comparação com controles; maior incidência de fibrose miocárdica discreta foi observada.

Fonte: Silva, Ingrid Renata Monteiro (2025)

A literatura recente tem demonstrado preocupação, em relação entre o treinamento esportivo e o surgimento de alterações cardíacas, as mesmas podem evoluir, para insuficiência cardíaca. Kandels (2025), realizou um estudo de acompanhamento longitudinal, com jogadores de futebol profissionais, e demonstrou que, embora a maioria mantenha função cardíaca preservada, um grupo apresentava, sinais de remodelamento miocárdico persistente, o que sugeria risco aumentado da disfunção ventricular em longo prazo. Esses achados corroboram, com a importância de avaliações cardiológicas periódicas em atletas, especialmente com aqueles que tem mais tempo de carreira e carga física intensa.

O resultado de Unnithan (2024) reforça a hipótese, de que o treinamento de futebol, quando realizado, por períodos prolongados produz, modificações estruturais no ventrículo esquerdo, muitas vezes difíceis de diagnosticar entre adaptação fisiológica e patologia inicial. O estudo identificou aumento significativo, da espessura parietal e do volume ventricular, sem prejuízo imediato da função sistólica, o que caracteriza o chamado “coração de atleta”. No entanto, tais adaptações, ao serem associadas a predisposições genéticas, ou até mesmo a fatores inflamatórios, podem evoluir, para quadros de insuficiência cardíaca, conforme destaca Monosilio et al. (2023).

Essas investigações recentes, sobre complicações cardíacas pós-infecção viral, também revelam novos riscos para jogadores de futebol. Wirtz et al. (2023) e Bhatia et al. (2023), pois relatam casos de miocardite viral, em atletas previamente saudáveis, com impacto direto na função ventricular. Os autores alertam que, mesmo após a recuperação clínica, alterações eletrocardiográficas e ecocardiográficas podem persistir, isso aumenta o risco de evolução para insuficiência cardíaca, se o retorno à atividade ocorrer de forma precoce. Dessa forma, o monitoramento rigoroso com exames de imagem e biomarcadores torna-se essencial.

No quesito diagnóstico, os estudos de Ruberg et al. (2022) e Massoullié et al. (2021) ressaltam que, o papel da ressonância magnética cardíaca, na identificação de fibrose miocárdica e lesões subclínicas, muitas vezes não detectadas por métodos convencionais. Esse tipo de abordagem diagnóstica, em se mostrado fundamental para distinguir adaptações fisiológicas do músculo cardíaco de processos patológicos que indicam o início da insuficiência cardíaca, principalmente em atletas de alto rendimento.

Nesse sentido, evidências nacionais e internacionais, mostram que a triagem cardiológica sistemática, pode reduzir significativamente o risco de eventos cardíacos graves em jogadores. De acordo com Cardoso et al. (2019) e Malhotra et al. (2018) evidenciam que exames, em pré-participação, incluindo eletrocardiograma e ecocardiograma, são eficazes para detectar anormalidades precoces e evitar a progressão para insuficiência cardíaca. Logo, os estudos convergem para a importância de políticas esportivas que incorporem protocolos de avaliação contínua, aliando prevenção e reabilitação cardiovascular à promoção da saúde dos atletas profissionais.

CONCLUSÃO

Logo, a literatura aponta que as alterações, estruturais e funcionais, como um remodelamento miocárdico e o aumento da espessura ventricular, podem evoluir para quadros de insuficiência cardíaca, quando estão associados a fatores genéticos inflamatórios ou infecciosos, nesse sentido o equilíbrio entre a segurança clínica e o desempenho físico pode ser buscado, por meio de uma abordagem integrada, entre a medicina esportiva a cardiologia e as ciências do esporte.

Portanto, conclui-se que é indispensável, a implementação de protocolos, durante a avaliação cardiológica na vida do atleta, abrangendo exames de imagem avançados e biomarcadores específicos, para monitorar a saúde cardíaca, durante a carreira, além disso as políticas esportivas e institucionais, podem priorizar os programas de prevenção e reabilitação cardiovascular, garantido dessa forma, a detecção precoce de anormalidades, assim como a redução de eventos adversos. 

Nota-se uma lacuna, diante das pesquisas sobre a insuficiência cardíaca, quando se trata de atletas do futebol, portanto sugere-se a continuidade de pesquisas longitudinais e multicêntricas, para contribuição do aprimoramento de estratégias de triagem, assim como no diagnóstico e manejo da insuficiência cardíaca, em atletas de elite, fortalecendo a prática esportiva segura e sustentável.

Apesar de a revisão integrativa ter atingido seus objetivos, algumas limitações devem ser consideradas. A principal delas reside na escassez de estudos longitudinais e multicêntricos focados especificamente em ex-atletas profissionais e na comparação direta com indivíduos fisicamente ativos não atletas. Apenas 12 artigos foram incluídos, um número que demonstra a lacuna de pesquisa. 

Outras limitações incluem o potencial viés de publicação e a restrição da busca a artigos nas línguas portuguesa e inglesa. A carência de estudos de coorte de longo seguimento dificulta a obtenção de dados de incidência de Insuficiência Cardíaca após o destreinamento, exigindo cautela na extrapolação dos resultados

REFERÊNCIAS 

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Instituição: Universidade Nilton Lins