RELAÇÃO ENTRE NÍVEIS DE TESTOSTERONA E SINTOMAS DEPRESSIVOS EM HOMENS ACIMA DE 50 ANOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

RELATIONSHIP BETWEEN TESTOSTERONE LEVELS AND DEPRESSIVE SYMPTOMS IN MEN OVER 50 YEARS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161546


Galdino Toscano de Brito Neto1
Maria Heloísa Soares Marques2
Tercio de Oliveira Ramos3
Elayne Cristina de Oliveira Ribeiro4
Augusto José de Aragão5


Resumo 

Este estudo analisa as evidências científicas sobre a relação entre os níveis de testosterona (T) e a presença de sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos, bem como a eficácia e segurança da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) como tratamento adjuvante ou primário. A pesquisa fundamenta-se em uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de descrever a associação fisiopatológica entre o hipogonadismo e os sintomas depressivos e investigar os resultados clínicos da TRT nessa população selecionada. A metodologia empregou uma revisão integrativa, com a seleção final de 17 artigos científicos. Os resultados evidenciam que a prevalência de baixos níveis de testosterona está associada à gravidade dos sintomas depressivos. A TRT demonstrou ser eficaz na redução dos sintomas depressivos em homens hipogonadais a partir dos 50 anos, com taxas de melhora comparáveis ao uso de antidepressivos. No entanto, a análise reforça a importância crucial de uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada que precede o início do tratamento. Conclui-se que a TRT pode ser uma estratégia terapêutica promissora, segura e eficaz, quando a indicação é guiada pela análise detalhada do histórico clínico, das comorbidades e do risco cardiovascular do paciente. 

Palavras-chave: Testosterona. Sintomas Depressivos. Terapia de Reposição Hormonal. Homens a partir dos 50 anos. Envelhecimento.

Abstract 

This study analyzes the scientific evidence regarding the relationship between testosterone (T) levels and the presence of depressive symptoms in men aged 50 and older, as well as the efficacy and safety of Testosterone Replacement Therapy (TRT) as either an adjunctive or primary treatment. The research is based on an integrative literature review aimed at describing the pathophysiological association between hypogonadism and depressive symptoms and investigating the clinical outcomes of TRT in this selected population. The methodology employed an integrative review, with a final selection of 17 scientific articles. The results show that the prevalence of low testosterone levels is associated with the severity of depressive symptoms. TRT was shown to be effective in reducing depressive symptoms in hypogonadal men aged 50 and above, with improvement rates comparable to the use of antidepressants. However, the analysis emphasizes the crucial importance of a rigorous and individualized diagnostic assessment prior to treatment initiation. It is concluded that TRT can be a promising, safe, and effective therapeutic strategy when the indication is guided by a detailed analysis of the patient’s clinical history, comorbidities, and cardiovascular risk.

Keywords: Testosterone; Depressive Symptoms; Hormone Replacement Therapy; Men Aged 50 and Older; Aging.

1. INTRODUÇÃO 

A testosterona transcende a função reprodutiva, sendo reconhecida como um esteroide sexual neuroativo que atua de forma significativa no sistema nervoso central, influenciando funções como humor e vitalidade no contexto do envelhecimento (SNYDER et al., 2016; BARONE et al., 2022). Sintomas depressivos constituem um desafio de saúde pública global, com o Transtorno Depressivo Maior (TDM) projetado para ser uma das principais causas de ônus de doenças (DWYER et al., 2020). Em homens a partir dos 50 anos, o declínio natural dos níveis de testosterona estabelece uma importante via de investigação sobre o risco de exacerbação desses sintomas, visto que alterações endócrinas podem impactar diretamente a qualidade de vida (KANEDA et al., 2002; KURITA et al., 2014). 

O elo entre a deficiência androgênica e a sintomatologia depressiva é sustentado por mecanismos neurobiológicos complexos, nos quais a testosterona modula neurotransmissores como serotonina e dopamina, facilitando a neuroplasticidade (WALTHER et al., 2019; DWYER et al., 2020). Estudos recentes, como o TRAVERSE Trial, indicam uma alta coocorrência de sintomas depressivos em homens hipogonádicos, justificando um rastreamento rigoroso (BHASIN et al., 2024). Essa associação é reforçada por evidências de que a testosterona biodisponível e o desequilíbrio na razão estradiol/testosterona são preditores fortes para a gravidade dos sintomas, sendo que estudos longitudinais confirmam que o hipogonadismo aumenta a incidência de diagnósticos de depressão ao longo do tempo (CHEN et al., 2020; MONTEAGUDO et al., 2015; SHORES et al., 2004). 

Diante dessa intersecção clínica, a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) surge como uma intervenção potencial, cuja viabilidade como tratamento para o humor tem sido investigada desde estudos seminais sobre terapia adjuvante em depressão refratária (SEIDMAN; RABKIN, 1998). Ensaios clínicos demonstram que a TRT é eficaz na redução de escores de depressão em populações específicas, como homens com depressão subclínica (distimia) ou comorbidades metabólicas, apresentando taxas de remissão superiores ao placebo (SHORES et al., 2009; GILTAY et al., 2010). 

Entretanto, a complexidade desta intervenção é evidenciada pela heterogeneidade dos resultados. Enquanto a eficácia é observada em quadros leves ou distímicos, ensaios clínicos randomizados focados especificamente em pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) resistente a inibidores seletivos da recaptação da serotonina não conseguiram demonstrar superioridade estatística da suplementação intramuscular de testosterona em comparação ao placebo (SEIDMAN; MIYAZAKI; ROOSE, 2005). Essa distinção é crucial para delimitar o escopo terapêutico da reposição hormonal nesse contexto. 

A relevância deste estudo reside, portanto, na necessidade de consolidar as evidências mais recentes para guiar a tomada de decisão clínica, determinando em quais cenários a TRT é uma opção segura e eficaz. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi analisar e sintetizar as evidências científicas sobre a relação entre os níveis de testosterona e sintomas depressivos em homens com 50 ou mais anos, discutindo a eficácia e segurança da terapia hormonal na abordagem desses sintomas. 

2. METODOLOGIA 

O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, seguindo as seis etapas propostas para este tipo de metodologia por Mendes, Silveira e Galvão (2008). Quais sejam: elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na literatura, formação do banco de dados, avaliação dos estudos, discussão dos resultados e apresentação da revisão (MENDES, SILVEIRA E GALVÃO, 2008). 

A pergunta norteadora foi elaborada utilizando o acrônimo PICO (População: homens a partir dos 50 anos; Intervenção: Terapia de Reposição de Testosterona; Desfecho: Redução de sintomas depressivos), resultando na seguinte questão: “A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) é segura e eficaz para aliviar os sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos com baixos níveis séricos de testosterona?”. 

Foram considerados para inclusão artigos que abordassem a associação entre testosterona e sintomas depressivos, e/ou ensaios clínicos randomizados (RCTs) que investigassem a eficácia e segurança da TRT para homens com sintomas depressivos e hipogonadismo. 

A busca foi efetuada em bases de dados bibliográficas eletrônicas, incluindo PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e SciELO atribuindo alcance da bibliografia existente. 

Foram utilizados os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus equivalentes no Medical Subject Headings (MeSH). Utilizou-se os descritores: “Testosterona” (Testosterone), “Sintomas depressivos” (Depressive Symptoms), “Terapia de Reposição Hormonal” (Hormone Replacement Therapy), “Hipogonadismo” (Hypogonadism) e “50 anos ou mais” (Aged 50 years or more). As combinações foram realizadas utilizando os operadores booleanos AND, OR e NOT. 

2.1 Critérios de Elegibilidade e Seleção 

Foram incluídos estudos originais cuja publicação ocorreu entre os anos de 1998 e 2024 integralmente disponíveis em português ou inglês. O foco da amostra foram artigos que abordavam a relação entre os níveis de testosterona e os sintomas depressivos, e/ou a eficácia da TRT como intervenção nestes sintomas, em homens a partir dos 50 anos.  

2.2 Critérios de Inclusão e Exclusão 

Como critérios de inclusão, centrou-se em Ensaios Clínicos Randomizados (RCTs), Estudos Observacionais, Estudos de Coorte (Prospectivos) e Estudos Transversais. Definição laboratorial de hipogonadismo (Testosterona Total ≤ 300ng/dL ou Testosterona Livre ≤ 6ng/dL), conforme estabelecido pelos principais ensaios clínicos sobre o tema. 

Para critérios de exclusão considerou-se estudos de caso, relatos de caso, editoriais e artigos que relatassem o uso de Testosterona com doses suprafisiológicas (uso abusivo), ou que incluíssem populações com câncer de próstata ou mama preexistentes (risco absoluto para a TRT). Foram excluídos também artigos com resumos indisponíveis ou não disponibilizados integralmente. 

A seleção dos artigos ocorreu em dois momentos. Primeiramente, foi realizada a leitura dos títulos e resumos. Na segunda fase, a leitura integral dos artigos foi executada para confirmar a adequação e elegibilidade. Posteriormente, as informações essenciais dos trabalhos escolhidos, tais como autores, ano de publicação, título, objetivos e conclusões, foram coletadas e compiladas em um quadro analítico. O processo de seleção resultou em 17 estudos que formaram o corpus de análise para esta revisão, conforme demonstrado na Seção de Resultados. 

A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio de leitura narrativa, com foco em: 1. determinar a correlação entre níveis séricos de testosterona e a ocorrência dos sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos; 2. avaliar a eficácia da TRT na melhora desses sintomas depressivos; 3. Identificar a segurança da TRT nesta população. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O processo de seleção dos artigos culminou em 24 estudos, dos quais foram excluídos 7, por conta da redundância e critérios de exclusão. Os 17 remanescentes forneceram as evidências para esta revisão. Os achados principais de cada estudo estão sintetizados na Tabela 1, a seguir. 

Tabela 1 – Características dos estudos utilizados na revisão integrativa sobre a relação entre níveis de testosterona e sintomas depressivos em homens acima de 50 anos.

AUTOR E ANO DESENHO DO ESTUDO TÍTULO E OBJETIVO PRINCIPAIS RESULTADOS E CONCLUSÃO 
ALMEIDA et al. (2008) Estudo transversal Low free testosterone concentration as a potentially treatable cause of depressive symptoms in older men. Objetivo: Investigar se baixos níveis séricos de testosterona livre em homens mais velhos estão associados a sintomas de depressão e se essa relação é independente de morbidades físicas concomitantes.A baixa testosterona livre (no quintil mais baixo) está fortemente associada à depressão em homens idosos, independentemente de outras doenças físicas. Os autores sugerem que essa pode ser uma causa tratável, defendendo a realização de ensaios clínicos randomizados para testar se a reposição de testosterona poderia melhorar o humor nesses homens.
BERCEA et al. (2012) Estudo observacional (transversal). Serum testosterone and depressive symptoms in severe OSA patients. Objetivo: investigar relação entre testosterona sérica e sintomas depressivos em pacientes com apneia obstrutiva do sono grave. Baixos níveis de testosterona foram associados a maiores sintomas depressivos em pacientes com apneia obstrutiva do sono (AOS) grave. Conclui que alterações hormonais podem estar relacionadas ao humor nesse grupo. 
BHASIN et al. (2024) Ensaio clínico randomizado (TRAVERSE Trial). Depressive Syndromes in Men with Hypogonadism in the TRAVERSE Trial. Objetivo: avaliar impacto da reposição de testosterona em sintomas depressivos em homens com hipogonadismo. A terapia com testosterona reduziu sintomas depressivos em homens hipogonádicos. Conclui que a reposição hormonal pode beneficiar o humor nesse público. 
CHEN et al. (2020) Estudo transversal. Bioavailable testosterone is associated with symptoms of depression in adult men. Objetivo: examinar associação entre testosterona biodisponível e sintomas depressivos. Baixa testosterona biodisponível foi associada a maiores sintomas depressivos. Conclui que testosterona pode ter papel na fisiopatologia da depressão masculina. 
GILTAY et al. (2010) Ensaio clínico randomizado. Effects of testosterone supplementation on depressive symptoms and sexual dysfunction in hypogonadal men with metabolic syndrome. Objetivo: avaliar efeitos da suplementação de testosterona em sintomas depressivos e função sexual. Reposição reduziu sintomas depressivos e melhorou função sexual. Conclui que testosterona pode ser útil em homens hipogonádicos com síndrome metabólica. 
JOSHI et al. (2010) Coorte longitudinal. Low free testosterone levels and depressive symptoms in older men. Objetivo: investigar associação entre testosterona livre e sintomas depressivos em idosos. Testosterona livre baixa associou-se à prevalência e incidência de sintomas depressivos. Conclui que hormônio é marcador relevante para saúde mental em idosos. 
KANEDA & FUJII (2002) Estudo transversal. No relationship between testosterone levels and depressive symptoms in aging men. Objetivo: avaliar se há relação entre testosterona e sintomas depressivos em homens idosos. Não encontrou relação significativa. Conclui que testosterona pode não estar associada à depressão nessa população. 
KHOSLA S. et al (2001) Estudo longitudinal de coorte Relationship of serum sex steroid levels to longitudinal changes in bone density in young versus elderly men. Avaliar as mudanças longitudinais da densidade mineral óssea em homens jovens e idosos e verificar sua relação com níveis séricos de estrogênios e testosterona. O estrogênio é determinante para o ganho de massa óssea em jovens e para a perda óssea em idosos, sendo que baixos níveis de estradiol biodisponível em homens mais velhos podem explicar grande parte dessa perda e indicar necessidade de medidas preventivas. 
KURITA et al. (2014) Estudo transversal. Low Testosterone Levels, Depressive Symptoms, and Falls in Older Men. Objetivo: investigar relação entre testosterona, depressão e quedas. Baixa testosterona associada a maiores sintomas depressivos e risco de quedas. Conclui que hormônio pode influenciar humor e funcionalidade. 
MONTEAGUDO et al. (2015) Estudo transversal. Imbalance of sex-hormones and depression in obese men. Objetivo: avaliar desequilíbrio hormonal e sintomas depressivos em homens obesos. Homens deprimidos apresentaram menor testosterona e maior estradiol. Conclui que desequilíbrio hormonal pode contribuir para depressão em obesos. 
POPE JUNIOR et al (2003) Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo controlado. Testosterone gel supplementation for men with refractory depression: a randomized, placebo controlled trial. Objetivo: Verificar se a suplementação de testosterona via gel transdérmico tem efeito antidepressivo em homens com depressão resistente e níveis baixos ou limítrofes de testosterona. Achados preliminares sugerem que o gel de testosterona pode ter efeitos antidepressivos em homens deprimidos com baixos níveis de testosterona, representando um subgrupo possivelmente sub-reconhecido. 
SEIDMAN, MIYAZAKI & ROOSE (2005) Ensaio clínico randomizado duplo-cego. Intramuscular testosterone supplementation to SSRI in treatment-resistant depressed men. Objetivo: testar testosterona como adjuvante ao ISRS em depressão resistente. Testosterona reduziu sintomas depressivos em homens resistentes ao ISRS. Conclui que terapia combinada pode ser eficaz. 
SEIDMAN & RABKIN (1998) Estudo clínico aberto. Testosterone replacement therapy for hypogonadal men with SSRI-refractory depression. Objetivo: avaliar reposição de testosterona em homens hipogonádicos com depressão refratária. Houve melhora significativa dos sintomas depressivos. Conclui que reposição é alternativa terapêutica válida. 
SHORES et al. (2009) Ensaio clínico randomizado duplo-cego. Testosterone treatment in hypogonadal older men with subthreshold depression. Objetivo: testar testosterona em homens idosos com depressão subclínica. Redução moderada dos sintomas depressivos. Conclui que pode beneficiar depressão leve em hipogonádicos. 
SHORES et al. (2004) Coorte retrospectiva. Increased incidence of diagnosed depressive illness in hypogonadal older men. Objetivo: avaliar incidência de depressão em homens hipogonádicos. Homens hipogonádicos apresentaram maior incidência de depressão. Conclui que hipogonadismo é fator de risco. 
SNYDER et al. (2016) Ensaio clínico randomizado (Testosterone Trials). Effects of Testosterone Treatment in Older Men. Objetivo: avaliar efeitos da testosterona em vários desfechos, incluindo humor. Tratamento melhorou humor e vitalidade em parte dos participantes. Conclui que testosterona tem efeitos positivos moderados em idosos com deficiência hormonal. 
WANG et al. (2004) Estudo clínico de coorte longitudinal Long-Term Testosterone Gel (AndroGel) Treatment Maintains Beneficial Effects on Sexual Function and Mood, Lean and Fat Mass, and Bone Mineral Density in Hypogonadal Men. Objetivo: Avaliar os efeitos a longo prazo do uso diário de gel de testosterona em homens hipogonadais sobre função sexual, humor, composição corporal (massa magra e gordura) e densidade mineral óssea. O uso contínuo de AndroGel teve efeitos benéficos semelhantes aos de aplicações injetáveis ou outras formas transdérmicas (melhora sexual, humor, composição corporal e densidade óssea), mas é essencial monitorar para risco prostático e eritrocitose durante o tratamento. 

Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados dos estudos selecionados (2025). 

3.1 A Relação Causal entre Baixa Testosterona e Sintomas Depressivos 

Estudos de coorte em populações idosas confirmam que baixos níveis séricos de testosterona estão associados à maior prevalência de sintomas depressivos (ALMEIDA et al., 2008). Além da depressão, o hipogonadismo tem um impacto sistêmico, sendo também correlacionado com condições clínicas crônicas do envelhecimento, como o aumento do risco de osteoporose (KHOSLA et al., 2001). Esta evidência reforça a importância de considerar a deficiência androgênica como um fator de risco multidimensional, necessitando de uma abordagem terapêutica que considere a interconexão entre saúde hormonal, mental e musculoesquelética (ALMEIDA et al., 2008; KHOSLA et al., 2001). 

A investigação da relação entre baixos níveis de testosterona e a sintomatologia depressiva em homens com idade a partir dos 50 anos demonstra uma associação inversa frequente na literatura científica (BHASIN et al., 2024; KURITA et al., 2014). Contudo, a evidência sobre essa correlação não é universalmente homogênea, com alguns estudos iniciais não encontrando uma relação significativa entre a Testosterona Total (TT) sérica e os escores de depressão em amostras com baixa prevalência de sintomas graves (KANEDA et al., 2002).  

Essa inconsistência é significativamente mitigada pela constatação de que a correlação mais robusta e clinicamente relevante ocorre com a Testosterona Livre ou Bioativa, e não com a TT (CHEN et al., 2020). 

O foco na testosterona livre mostra que este é o preditor mais significativo da sintomatologia, um achado reforçado por Joshi e colaboradores (2010). Em uma análise prospectiva e longitudinal que abrangeu 10 anos, ajustada para fatores médicos e de estilo de vida, demonstraram que níveis baixos de Testosterona Livre não só se associam à prevalência, mas também predizem o risco de desenvolver novos episódios depressivos. 

Joshi e colaboradores (2010) especificam que homens com níveis de Testosterona Livre abaixo de 220 pmol/l (o quintil mais baixo da amostra) tinham quase o dobro do risco de desenvolver sintomas depressivos incidentes. Essa evidência prospectiva, supera as limitações inerentes aos estudos puramente transversais e fornece um forte apoio à hipótese de que a deficiência de testosterona livre é um fator de risco causal no desenvolvimento de distúrbios de humor. 

A natureza prospectiva desta associação é um ponto central da investigação (JOSHI et al., 2010). Em um estudo de coorte seminal, Shores et al. (2004) acompanharam homens idosos e descobriram que aqueles com hipogonadismo (baixos níveis de testosterona) apresentavam uma incidência significativamente aumentada de desenvolver um novo diagnóstico de doença depressiva. Esta descoberta (SHORES et al., 2004) fortalece a hipótese de que a baixa testosterona não é apenas um marcador concomitante, mas um fator de risco temporal que precede o desenvolvimento da depressão. 

A complexidade da relação é ainda influenciada por comorbidades, como a obesidade, onde o desequilíbrio entre o Estradiol e a Testosterona (razão E2/T) demonstra uma associação mais forte com a gravidade dos sintomas depressivos do que os níveis isolados de T (MONTEAGUDO et al., 2015).  

Similarmente, em pacientes com apneia obstrutiva do sono severa, os níveis de testosterona sérica se correlacionam com os sintomas depressivos, indicando que a deficiência hormonal pode ser um mediador em quadros clínicos complexos (BERCEA et al., 2012). Do ponto de vista clínico, a baixa testosterona e os sintomas depressivos também se associam a outros desfechos negativos importantes no envelhecimento, como o risco aumentado de quedas em homens idosos (KURITA et al., 2014). 

3.2 Eficácia da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) como antidepressivo 

A investigação sobre a eficácia da TRT como tratamento antidepressivo sugere um papel modulador do hormônio em esferas emocionais e comportamentais (POPE JR. et al., 2003). Em ensaios clínicos, a reposição hormonal demonstrou ser capaz de melhorar o humor e reduzir os níveis de ansiedade em homens com baixos níveis de testosterona. É relevante notar que o tratamento com testosterona não demonstrou estar associado a um aumento significativo da agressão ou hostilidade, um achado que aborda uma preocupação comum e apoia a viabilidade da TRT para a modulação de sintomas neuropsiquiátricos (POPE JR. et al., 2003). 

A questão central da eficácia da TRT para o tratamento de sintomas depressivos foi abordada por múltiplos estudos, dentre os quais grandes ensaios clínicos randomizados (RCTs) (WALTHER et al., 2019).  

Um estudo de ensaios clínicos randomizados (RCTs) sugere que a TRT está associada a uma redução significativa nos sintomas depressivos em homens hipogonádicos (WALTHER et al., 2019).  

Embora significativo, o efeito terapêutico da TRT é considerado modesto, mas sua magnitude de eficácia é comparável à de alguns antidepressivos, contudo não os substitui quando necessários (SNYDER, P. J. et al., 2016). A evidência mais forte aponta que a TRT é particularmente eficaz em homens hipogonádicos que apresentam sintomas depressivos de intensidade leve a moderada, ou depressão subclínica (distimia ou depressão menor), e não em quadros de Transtorno Depressivo Maior (BHASIN et al., 2024). 

Esta eficácia em quadros não-maiores é corroborada por ensaios clínicos randomizados focados. Em um estudo duplo-cego controlado por placebo em homens hipogonadais com depressão subclínica (distimia ou depressão menor), Shores et al. (2009) demonstraram que os homens tratados com TRT tiveram uma redução significativamente maior nos escores de depressão. Notavelmente, a taxa de remissão foi substancialmente maior no grupo TRT (52,9%) em comparação com o placebo (18,8%) (SHORES et al., 2009). Este achado fornece evidência primária direta de que a TRT é uma intervenção eficaz para a depressão subclínica em homens idosos hipogonádicos. 

Contudo, é fundamental delimitar o escopo da eficácia da TRT, pois a evidência para seu uso no Transtorno Depressivo Maior (TDM) é majoritariamente negativa. Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, Seidman, Miyazaki e Roose (2005) investigaram a suplementação de testosterona intramuscular como adjuvante em homens com TDM resistente ao tratamento (refratários aos ISRS). Os resultados deste estudo não demonstraram diferença estatisticamente significativa na melhora dos sintomas depressivos entre o grupo TRT e o grupo placebo (SEIDMAN; MIYAZAKI; ROOSE, 2005). Este achado é crucial e reforça a conclusão de que a TRT não deve ser considerada uma intervenção de primeira linha para o TDM, mas sim para os quadros subclínicos (distimia) e sintomas de humor associados ao hipogonadismo (SHORES et al., 2009). 

Resultados do Testosterone Trials (TTrials) demonstraram que a TRT resultou em melhor humor e menor gravidade dos sintomas depressivos em homens a partir dos 65 anos com baixos níveis de Testosterona Total (SNYDER et al., 2016). De forma complementar, o grande ensaio clínico TRAVERSE Trial confirmou que a TRT leva a melhorias pequenas, mas significativamente maiores no humor e na energia em comparação com o placebo, em uma população de alto risco cardiovascular (BHASIN et al., 2024). 

Portanto, a TRT pode ser considerada uma abordagem eficaz, seja como monoterapia para depressão subclínica em hipogonádicos ou como terapia adjuvante em casos mais complexos, sendo sua indicação baseada na restauração dos níveis hormonais fisiológicos e na avaliação do perfil de risco (POPE JR. et al., 2003).  

3.3 Segurança e Implicações Clínicas da TRT 

As implicações clínicas da TRT extrapolam o foco estrito sobre os sintomas depressivos, estendendo-se a sistemas orgânicos mais amplos. No campo da segurança neurocomportamental, a administração de testosterona, em doses terapêuticas, não se correlacionou com desfechos adversos como o aumento da agressividade ou da ansiedade patológica, conforme evidenciado em estudos controlados (POPE JR. et al., 2003). Em um contexto mais abrangente, a correção da deficiência androgênica tem o potencial de impactar positivamente comorbidades importantes da terceira idade, como a densidade mineral óssea, sendo a baixa testosterona um preditor conhecido de risco para osteoporose (KHOSLA et al., 2001). 

Nesta perspectiva de tratamento contínuo, evidências longitudinais demonstram que a reposição de testosterona é capaz de sustentar efeitos benéficos duradouros não apenas no humor e na função sexual, mas também na composição corporal, promovendo o aumento da massa magra e a manutenção da densidade mineral óssea. Esses achados sugerem que a TRT oferece um benefício clínico para o homem idoso, atuando simultaneamente na saúde física e mental com um perfil de segurança bem estabelecido quando monitorado adequadamente (WANG et al., 2004). 

Apesar dos resultados positivos na eficácia, a decisão de iniciar a TRT deve ser baseada em uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada, dado que a terapia não é isenta de riscos potenciais. Um dos principais riscos relatados é o aumento dos níveis de hemoglobina, que pode levar à policitemia, uma complicação hematológica que exige monitoramento regular do hematócrito (SNYDER et al., 2016).  

Preocupações urológicas, como o risco de hipertrofia prostática e a ativação de um câncer de próstata subclínico, requerem que o diagnóstico de hipogonadismo seja confirmado por medições de testosterona sérica, acompanhado por um rastreio detalhado do Antígeno Prostático Específico (PSA) e dos sintomas do trato urinário (SNYDER et al., 2016).  

Embora estudos iniciais tenham levantado preocupações sobre o risco cardiovascular (CV), grandes ensaios randomizados, como o TRAVERSE Trial, não encontraram um padrão de aumento de risco CV adverso grave, mas ressaltaram a necessidade de vigilância a longo prazo (BHASIN et al., 2024).  

Contudo, em alguns estudos observacionais, a normalização do nível de testosterona foi associada à redução da incidência de infarto do miocárdio e da mortalidade por todas as causas (SNYDER et al., 2016). Em última análise, a indicação da TRT deve ser personalizada, considerando a relação risco-benefício, as comorbidades, como a apneia obstrutiva do sono (apneia do sono), e um rigoroso acompanhamento clínico, que guie a tomada de decisão compartilhada com o paciente (BERCEA et al., 2012). 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

As evidências analisadas confirmam uma relação significativa entre o hipogonadismo e a prevalência de sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos, destacando a testosterona biodisponível como um importante preditor biológico dessa sintomatologia. Clinicamente, a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) demonstrou eficácia na melhora do humor e redução de sintomas depressivos, apresentando resultados mais robustos em quadros de depressão subclínica (distimia) e intensidade leve a moderada, em contraste com uma resposta limitada no Transtorno Depressivo Maior resistente, reforçando seu papel como um modulador neuropsiquiátrico seguro que não está associado ao aumento da agressividade. 

Em suma, a viabilidade terapêutica da TRT depende imperativamente de um diagnóstico rigoroso e individualizado, que pondere a relação risco-benefício diante de comorbidades preexistentes, como apneia do sono e perfil cardiovascular. A terapia estabelece-se como uma estratégia promissora para a promoção da qualidade de vida no envelhecimento masculino, desde que a sua indicação seja acompanhada de monitoramento clínico contínuo de parâmetros de segurança, como a policitemia e a saúde prostática, integrando o equilíbrio hormonal ao manejo da saúde mental.

REFERÊNCIAS 

ALMEIDA, O. P.; YEAP, B. B.; HANKEY, G. J.; JAMROZIK, K.; FLICKER, L. Low free testosterone concentration as a predictor of future depression in older men: the Health In Men Study. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Oxford, v. 93, n. 5, p. 1843– 1849, maio 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1001/archgenpsychiatry.2007.33. Acesso em: 2 nov. 2025. 

BARONE, B. et al. The Role of Testosterone in the Elderly: What Do We Know? International Journal of Molecular Sciences, v. 23, n. 7, p. 3535, mar. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijms23073535. Acesso em: 29 out. 2025 

BERCEA, R. M. et al. Serum testosterone and depressive symptoms in severe OSA patients. Andrologia, 2012, v. xx, p. 1-6. Disponível em: https://doi.org/10.1111/and.12022. Acesso em: 14 nov. 2025. 

BHASIN, S. et al. Depressive Syndromes in Men With Hypogonadism in the TRAVERSE Trial: Response to Testosterone-Replacement Therapy. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 109, n. 6, p. 1814–1826, fev. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1210/clinem/dgae026. Acesso em: 2 nov. 2025. 

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1Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, galdinotoscano@gmail.com
2Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, mheloisamarquessoares@gmail.com
3Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, tercioramos@gmail.com
4Centro Universitário de João Pessoa, Doutora, elayne@unipe.edu.br
5Centro Universitário de João Pessoa, Mestre, aragaoa@uol.com.br