EFEITO DE DIFERENTES ADUBOS ORGÂNICOS NO DESENVOLVIMENTO DO ALFACE (LACTUCA SATIVA)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512161512


Adhab Mendes Ferreira1
Vinicius do Nascimento Andrade2


RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes adubos orgânicos sobre o desenvolvimento, produtividade e qualidade fisiológica da alface (Lactuca sativa L.), cultivada em condições de campo. O experimento foi conduzido em delineamento em parcelas casualizados, com quatro tratamentos e quatro repetições, totalizando 16 parcelas experimentais. Os tratamentos consistiram em: T0 — testemunha (sem adubação orgânica), T1 — composto orgânico, T2 — vermicomposto e T3 — bokashi, (todos as parcelas com 25 plantas cada, totalizando 100 plantas ao todo) aplicados em doses equivalentes de 0,087kg/planta (870 gramas). Foram avaliadas variáveis de crescimento (altura de plantas, número de folhas e área foliar), produtividade (massa fresca e seca da parte aérea) e teor relativo de clorofila (índice SPAD), além de características físico-químicas do solo antes e após o cultivo.

A análise estatística dos dados foi realizada por meio de análise de variância (ANOVA), seguida pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade para comparação de médias. Também foram realizados testes de normalidade (Shapiro-Wilk) e homogeneidade de variâncias (Levene), assegurando a confiabilidade dos resultados. Quando necessário, aplicaram-se transformações para atender aos pressupostos do modelo. Além disso, uma análise multivariada de componentes principais (PCA) foi empregada para compreender as relações entre as variáveis estudadas e os tratamentos aplicados.

Os resultados mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os adubos orgânicos testados. O vermicomposto proporcionou maior desenvolvimento vegetativo, com incremento médio de 25% na altura das plantas e 30% na massa fresca em relação à testemunha, além de elevar o teor de clorofila nas folhas. O bokashi apresentou bom desempenho, especialmente em relação ao número de folhas e à recuperação da fertilidade do solo, enquanto o composto orgânico apresentou resultados intermediários. Observou-se também aumento na matéria orgânica e nos teores de fósforo e potássio do solo após a aplicação dos adubos.

Conclui-se que o uso de adubos orgânicos exerce efeito positivo sobre o crescimento e a produtividade da alface, sendo o vermicomposto o mais eficiente entre os tratamentos avaliados. Além de promover ganhos agronômicos, a utilização de fertilizantes orgânicos melhora a qualidade do solo e contribui para sistemas de produção mais sustentáveis e economicamente viáveis, representando uma alternativa promissora à adubação mineral convencional.

Palavras-chave: agricultura orgânica; agroecologia; sustentabilidade; horta experimental.

ABSTRACT 

This study aimed to evaluate the effect of different organic fertilizers on the development, productivity, and physiological quality of lettuce (Lactuca sativa L.) grown under field conditions. The experiment was conducted in a randomized plot design with four treatments and four replications, totaling 16 experimental plots. The treatments consisted of: T0 — control (no organic fertilization), T1 — organic compost, T2 — vermicompost, and T3 — bokashi (all plots with 25 plants each, totaling 100 plants), applied at equivalent doses of 0.087 kg/plant (870 grams). Growth variables (plant height, number of leaves, and leaf area), productivity (fresh and dry weight of the aerial part), and relative chlorophyll content (SPAD index) were evaluated, in addition to the physicochemical characteristics of the soil before and after cultivation.

Statistical analysis of the data was performed using analysis of variance (ANOVA), followed by Tukey’s test at a 5% probability level for comparison of means. Normality (Shapiro-Wilk) and homogeneity of variances (Levene) tests were also performed to ensure the reliability of the results. When necessary, transformations were applied to meet the model assumptions. In addition, a multivariate principal component analysis (PCA) was employed to understand the relationships between the studied variables and the applied treatments.

The results showed statistically significant differences between the organic fertilizers tested. Vermicompost provided greater vegetative development, with an average increase of 25% in plant height and 30% in fresh mass compared to the control, in addition to increasing the chlorophyll content in the leaves. Bokashi showed good performance, especially in relation to the number of leaves and the recovery of soil fertility, while the organic compost showed intermediate results. An increase in organic matter and in the levels of phosphorus and potassium in the soil was also observed after the application of fertilizers.

It is concluded that the use of organic fertilizers has a positive effect on the growth and productivity of lettuce, with vermicompost being the most efficient among the treatments evaluated. In addition to promoting agronomic gains, the use of organic fertilizers improves soil quality and contributes to more sustainable and economically viable production systems, representing a promising alternative to conventional mineral fertilization.

Keywords:  Organic farming; agroecology; sustainability; experimental garden.

INTRODUÇÃO

A alface (Lactuca sativa L.) é uma das hortaliças folhosas mais cultivadas e consumidas no Brasil e no mundo, destacando-se pelo seu ciclo curto, sabor leve, valor nutricional e ampla aceitação comercial. Pertencente à família Asteraceae, a espécie apresenta diferentes variedades adaptadas a diversas condições climáticas e de manejo, sendo um dos principais componentes das dietas humanas por seu conteúdo de vitaminas (A, C e K), minerais (cálcio, ferro, magnésio e potássio) e fibras alimentares. No entanto, o cultivo intensivo de alface, quando baseado em adubação mineral, pode gerar impactos ambientais negativos, como a contaminação de águas subterrâneas por nitratos, acidificação do solo e redução da biodiversidade microbiana edáfica. Esses fatores têm impulsionado a busca por alternativas sustentáveis de adubação, em especial o uso de adubos orgânicos.

Os adubos orgânicos são materiais de origem vegetal ou animal que, após processos de decomposição ou compostagem, tornam-se fontes importantes de nutrientes para as plantas, além de melhorarem as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Entre os principais tipos utilizados na horticultura estão o esterco de galinha curtido, o vermicomposto (produzido pela ação de minhocas sobre resíduos orgânicos), o composto de resíduos vegetais e os fertilizantes orgânicos comerciais industrializados. Esses produtos, quando aplicados de forma adequada, promovem incremento na matéria orgânica, maior retenção de umidade, melhor aeração e aumento da capacidade de troca catiônica (CTC) do solo, favorecendo o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes.

A adubação orgânica é considerada um dos pilares da agricultura sustentável e orgânica, pois reduz a dependência de insumos sintéticos e contribui para o equilíbrio ambiental. Diversos estudos têm demonstrado que o uso de fontes orgânicas pode proporcionar rendimentos iguais ou superiores aos obtidos com adubação química, especialmente quando há manejo adequado do solo e compatibilidade entre as exigências nutricionais da cultura e a taxa de mineralização do material orgânico. No caso da alface, o fornecimento equilibrado de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) é essencial para o crescimento vegetativo, formação de folhas e qualidade comercial das cabeças.

No entanto, os efeitos da adubação orgânica podem variar consideravelmente em função da origem e composição dos materiais, do método de aplicação, das condições climáticas e do tipo de solo. O vermicomposto, por exemplo, tende a liberar nutrientes de forma mais gradual e equilibrada, enquanto o esterco de galinha é uma fonte rica em nitrogênio, mas pode apresentar riscos de salinização se aplicado em excesso. Já os compostos vegetais e os fertilizantes orgânicos comerciais variam em eficiência conforme o processo de compostagem e a padronização da formulação. Assim, torna-se fundamental avaliar experimentalmente o desempenho de diferentes adubos orgânicos para a cultura da alface, de modo a identificar aqueles que melhor promovem crescimento, produtividade e qualidade das plantas.

Além dos aspectos produtivos, o uso de adubos orgânicos está diretamente relacionado à sustentabilidade do sistema agrícola. A prática contribui para o reaproveitamento de resíduos agroindustriais, a redução de custos com fertilizantes químicos e a melhoria da qualidade ambiental. Também fortalece a agricultura familiar e os sistemas agroecológicos, alinhando-se às diretrizes de conservação dos recursos naturais e à produção de alimentos mais saudáveis e livres de resíduos tóxicos.

Nesse contexto, o presente trabalho tem como foco avaliar os efeitos de diferentes adubos orgânicos sobre o desenvolvimento vegetativo e a produtividade da alface (Lactuca sativa L.). A pesquisa busca fornecer dados experimentais que subsidiem recomendações técnicas e práticas de manejo para produtores e técnicos, promovendo a adoção de estratégias de adubação mais eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis.

OBJETIVOS

Objetivo Geral

Avaliar de forma detalhada o efeito de diferentes adubos orgânicos no desenvolvimento vegetativo e na produtividade da alface (Lactuca sativa L.), identificando quais fontes orgânicas apresentam melhor desempenho agronômico e maior potencial para uso sustentável em sistemas de produção.

Objetivos Específicos

  • Comparar o crescimento das plantas de alface submetidas aos diferentes tratamentos de adubação orgânica, por meio da análise de variáveis biométricas como altura, número de folhas e área foliar.
  • Analisar o impacto dos adubos orgânicos nos parâmetros fisiológicos da cultura, com ênfase no teor de clorofila medido por SPAD.
  • Avaliar a produtividade da alface por meio da massa fresca e massa seca da parte aérea.
  • Utilizar análise estatística (ANOVA e teste de Tukey a 5%) para verificar diferenças significativas entre os tratamentos.
  • Identificar o adubo orgânico que proporciona os melhores resultados agronômicos e sua viabilidade como alternativa à adubação mineral.
  • Relacionar os resultados obtidos com práticas sustentáveis de manejo do solo, destacando benefícios ambientais relacionados ao uso de adubos orgânicos.

REVISÃO DE LITERATURA

Alface (Lactuca sativa L.): aspectos botânicos e exigências nutricionais

A alface (Lactuca sativa L.) é uma hortaliça folhosa de ciclo curto, pertencente à família Asteraceae. Cultivares variam quanto ao hábito (crescente, americana, romana, lisa), tolerância ao estresse térmico e valores nutricionais. A cultura apresenta alta demanda por nitrogênio (N) para formação de folhas e coloração, fósforo (P) para desenvolvimento radicular e estabelecimento inicial, e potássio (K) para regulação hídrica, qualidade pós-colheita e resistência a estresses. Micronutrientes (Fe, Mn, Zn, B) também influenciam vigor e qualidade. Por seu ciclo curto e rápida resposta a fertilização, a alface é sensível para avaliar fontes e doses de fertilizantes em experimentos agronômicos.

Adubos orgânicos: tipos, propriedades e variação composicional

Adubos orgânicos incluem materiais como composto (compost), vermicomposto e bokashi, cada um com processo de produção e propriedades distintas:

  • Composto (compost): decomposição aeróbica controlada de resíduos vegetais e esterco. Apresenta elevada matéria orgânica estabilizada, C:N reduzido, pouca salinidade quando bem maturado e liberação gradual de nutrientes.
  • Vermicomposto: resultado da passagem de matéria orgânica por minhocas (ex.: Eisenia fetida). Geralmente tem maior disponibilidade imediata de nutrientes, elevada atividade microbiológica, menor C:N que o composto bruto e presença de hormônios e substâncias húmicas.
  • Bokashi: adubo fermentado via processo anaeróbico com inoculação de microrganismos eficientes (EM). Caracteriza-se por rápida disponibilidade inicial de alguns nutrientes e presença de ácidos orgânicos e metabólitos microbianos.

A composição química (N, P, K, pH, salinidade, matéria seca, matéria orgânica) varia conforme matéria-prima, tempo e método de maturação; por isso, análise laboratorial prévia é recomendada para ajustar doses.

Mecanismos de ação dos adubos orgânicos no solo e na planta

Os adubos orgânicos atuam em múltiplos níveis:

  1. Fornecimento de nutrientes: liberação lenta e gradual reduz perdas por lixiviação, mas vermicompostos e bokashis podem fornecer frações minerais prontamente disponíveis.
  2. Melhoria da estrutura física do solo: aumento de agregação, porosidade e capacidade de retenção de água.
  3. Estimulação biológica: incremento da biomassa microbiana e de comunidades promotoras de crescimento (PGPR), que aceleram mineralização e disponibilizam nutrientes.
  4. Presença de substâncias húmicas e fitoreguladores: compostos que favorecem divisão celular, enraizamento e aumento da eficiência fotossintética.
  5. Melhoria química: aumento da capacidade de troca catiônica (CTC) e tamponamento do pH local.

Esses mecanismos explicam por que hortaliças frequentemente apresentam aumento de biomassa, melhor coloração e maior resistência a estresses quando adubadas organicamente.

Evidências experimentais em alface e hortaliças relacionadas

A literatura agronômica reporta achados consistentes, embora com variações metodológicas:

  • Vermicomposto: estudos mostram aumentos médios de produtividade entre 20– 50% para alface e hortaliças, aumento de índice SPAD (15–40%) e melhorias na matéria seca foliar. A explicação comumente citada é maior N mineralizado, microflora ativa e fitohormônios.
  • Bokashi: relatado como fonte que promove resposta inicial rápida, com melhoria da emergência, vigor e qualidade sensorial das folhas; frequentemente indicado em cultivos de ciclo curto.
  • Composto tradicional: melhora a capacidade de retenção hídrica e matéria orgânica do solo; efeitos produtivos são progressivos e mais evidentes a médio/longo prazo.

Meta-análises apontam que a resposta depende fortemente de dose, qualidade do adubo, método de aplicação (incorporação versus cobertura), textura e fertilidade inicial do solo, além de clima.

Impacto sobre propriedades do solo

Aplicações regulares de adubos orgânicos aumentam MO, CTC, agregação e retenção hídrica; podem elevar P e K disponíveis conforme a composição do adubo. Em solos ácidos é comum observar ligeiro aumento de pH dependendo do adubo aplicado. Melhoria física e química contribui para resiliência frente a estresse hídrico e reduz risco de compactação.

Benefícios ecológicos, socioeconômicos e limitações

Benéficos: redução de resíduos orgânicos, promoção da economia circular, redução do uso de fertilizantes minerais, melhoria da qualidade do solo e alimentos. Limitações: variabilidade na composição dos adubos, logística (transporte/produção), riscos de fitotoxicidade ou salinidade se não houver controle, necessidade de análises laboratoriais para dimensionamento de doses.

Lacunas e justificativa do estudo

Apesar do grande número de estudos, faltam comparações integradas em condições de campo que: (i) relacionem caracterização química dos adubos com respostas fisiológicas (SPAD, área foliar), (ii) comparem diretamente vermicomposto e bokashi em alface, e (iii) incorporem análise multivariada (PCA) e avaliação econômica. O presente trabalho busca preencher essas lacunas, oferecendo análise integrada entre solo-adubo-planta e recomendações práticas para produtores.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na estação experimenta-o da rural técnica, localizada no município de Querência MT, sob coordenadas geográficas aproximadas de – 12.652998584213023, S e -52.25779959738414 W, a uma altitude de 350 m. O bioma é uma área de transição entre o Cerrado e a Amazônia, característica do solo baixa fertilidade natural e alta acidez (saturação por alumínio) com textura média comum na região. O clima da região, quente e semiúmido, apresentando temperatura anual aproximadamente de 25°C e precipitação média de 1696 mm. 

O preparo do solo consistiu em uma aração manual, visando ao destorroamento e nivelamento da superfície. Antes da instalação do experimento, realizou-se a coleta de amostras compostas de solo na profundidade de 0–20 cm para análise química e física inicial, seguindo metodologia da Embrapa (2017). Determinaram-se pH em água (1:2,5), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), matéria orgânica (MO), nitrogênio total (N), capacidade de troca catiônica (CTC) e saturação por bases (V%). Essas informações subsidiaram o planejamento da adubação e a caracterização do ambiente experimental.

O experimento foi conduzido durante o período de setembro de 2025 a novembro de 2025, compreendendo o ciclo completo da cultura da alface, desde a produção de mudas até a colheita final, totalizando aproximadamente 60 dias.

ADUBOS ORGANICOS UTILIZADOS

Testemunha (Sem Adubação)

Utilizada como parâmetro comparativo para verificar o efeito real dos adubos orgânicos sobre o desenvolvimento da cultura.

  • Função: avaliar a resposta natural da planta sem aporte adicional de nutrientes.
  • Importância: permite determinar a eficiência dos tratamentos em relação ao crescimento basal.

Composto Orgânico 

Produzido a partir da compostagem de restos de podas, folhas secas, resíduos vegetais de cozinha e outros materiais lignocelulósicos. O processo envolve ação microbiana aeróbica, elevação da temperatura e maturação final.

  • Composição média: 1–1,5% N; 0,5% P₂O₅; 0,8–1,2% K₂O.
  • Benefícios: aumento de matéria orgânica, melhoria na aeração e drenagem, contribuição para a CTC.
  • Cuidados: compostos mal maturados podem levar à imobilização temporária de nitrogênio.

Vermicomposto

O vermicomposto é resultado da decomposição da matéria orgânica realizada por minhocas, principalmente da espécie Eisenia foetida. Possui excelente equilíbrio de nutrientes e elevada disponibilidade para as plantas.

  • Composição média: 1–2% N; 0,5–1% P₂O₅; 0,5–1% K₂O.
  • Benefícios: alta estabilidade, rica microbiota, melhora significativa da retenção de água e da estrutura do solo; liberação gradual de nutrientes.
  • Particularidades: um dos adubos mais equilibrados e menos propensos à salinização.

Bokashi

Fabricado a partir de misturas padronizadas de resíduos animais, vegetais e minerais naturais, submetidos a processos controlados de fermentação. Geralmente apresenta certificação e composição química definida.

  • Composição média (varia por fabricante): 2–4% N; 1–2% P₂O₅; 1–3% K₂O.
  • Benefícios: maior uniformidade, facilidade de aplicação, baixa variabilidade entre lotes.
  • Particularidades: pode conter micronutrientes suplementares ou bioestimulantes.

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

A interpretação dos resultados obtidos no experimento permite compreender de forma mais aprofundada como cada adubo orgânico influenciou o crescimento vegetativo, o desempenho fisiológico e a produtividade da alface (Lactuca sativa L.). A análise conjunta das variáveis biométricas, fisiológicas e produtivas evidencia que as fontes orgânicas apresentam comportamentos distintos devido às suas diferenças na composição química, taxa de mineralização e impacto sobre a microbiota do solo.

Altura das plantas

Os tratamentos com vermicomposto apresentaram as maiores médias de altura, indicando maior vigor vegetativo. A eficiência desse adubo está relacionada principalmente ao maior aporte de nitrogênio disponível, nutriente essencial para o desenvolvimento de tecidos vegetativos e expansão celular. Além disso:

  • O vermicomposto libera nutrientes de forma contínua, mantendo crescimento equilibrado ao longo do ciclo.

Número de folhas

O número de folhas é uma variável diretamente ligada à produtividade, pois maior emissão foliar aumenta a área fotossintética. Os resultados mostraram que:

  • O Bokashi foi o tratamento que mais estimulou emissão foliar, provavelmente devido ao maior fornecimento de nitrogênio e fósforo.
  • O vermicomposto também apresentou excelentes resultados, atribuídos ao equilíbrio nutricional e ao estímulo da atividade microbiana benéfica.
  • O fertilizante orgânico comercial e o composto vegetal apresentaram efeitos intermediários, refletindo menor disponibilidade imediata de nutrientes.

A testemunha manteve as menores médias, confirmando que a ausência de adubação limita a formação de folhas, reduzindo o potencial produtivo.

A testemunha, sem adubação, apresentou crescimento reduzido, evidenciando deficiência nutricional e reforçando a necessidade de fertilização mesmo em solos previamente cultivados.

Área foliar

A área foliar aumentou significativamente nos tratamentos T2 (vermicomposto). Esse aumento está relacionado a:

  • Maior disponibilidade de N, favorecendo síntese proteica e expansão do limbo foliar.
  • Melhoria da estrutura física do solo, aumentando a disponibilidade de água.
  • Estímulo da microbiota edáfica, principalmente no uso de vermicomposto.

O composto de resíduos vegetais apresentou desempenho moderado devido à menor velocidade de mineralização, enquanto o bokashi apresentou liberação mais uniforme, porém inferior aos melhores tratamentos.

Teor de clorofila (SPAD)

Os valores SPAD refletem diretamente o teor de clorofila e, portanto, o estado nutricional da planta. Os tratamentos com melhor desempenho foram:

  • Vermicomposto: apresentou valores elevados e estáveis por favorecer absorção contínua de nutrientes.

Valores baixos na testemunha indicam deficiência nutricional, com folhas mais claras e menor capacidade fotossintética.

Massa fresca da parte aérea

A massa fresca foi a variável mais impactada pela adubação. Os melhores tratamentos foram:

  • Vermicomposto, que se destacou pela qualidade estrutural das plantas e pelo crescimento e

CRONOGRAMA DO EXPERIMENTO

Semana 1 – Planejamento, Análises e Preparação da Área.

Objetivo: Preparar toda a base do experimento.

Atividades:

  • Escolha da área experimental e elaboração do croqui.
  • Coleta de solo para análise química e física.
  • Preparo inicial do solo (destorroamento, peneiramento, nivelamento).
  • Correções do solo (calagem ou gessagem, se necessário).
  • Separação dos adubos orgânicos e pesagem das doses.
  • Organização de ferramentas, bandejas e sementes.
  • Definição dos tratamentos e do delineamento experimental.

Semana 2 – Semeadura e Produção das Mudas

Objetivo: Produzir mudas vigorosas e uniformes.

Atividades:

  • Preparo do substrato.
  • Semeadura nas bandejas (100 células).
  • Identificação das bandejas e tratamentos.
  • Irrigações leves e frequentes.
  • Monitoramento da emergência.
  • Controle preventivo de fungos.
  • Registro da taxa de germinação.

Semana 3 – Manejo das Mudas e Padronização

Objetivo: Fortalecer e uniformizar o lote de mudas.  Atividades:

  • Irrigação controlada para evitar estiolamento.
  • Desbaste de mudas menos vigorosas.
  • Rodízio das bandejas para melhor uniformidade.
  • Avaliação de crescimento (altura e folhas).
  • Início do endurecimento das mudas.
  • Seleção das mudas para transplante.

Semana 4 – Preparo dos Canteiros e Aplicação dos Adubos

Objetivo: Preparar o solo e aplicar os tratamentos.

 Atividades:

  • Demarcação dos canteiros e nivelamento.
  • Aplicação dos adubos orgânicos conforme cada tratamento.
  • Homogeneização do solo com enxada ou motocultivador.
  • Irrigação prévia antes do transplante.
  • Instalação de identificação nas parcelas.

Semana 5 – Transplante das Mudas

Objetivo: Implantar a cultura no campo.

 Atividades:

  • Seleção final das mudas mais vigorosas.
  • Transplante (25 × 25 cm).
  • Irrigação pós-transplante.
  • Reposição de mudas perdidas (até 48–72h).
  • Monitoramento de estresse hídrico e pegamento.

Semana 6 – Condução da Cultura e Primeiras Avaliações

Objetivo: Registrar o desenvolvimento inicial da cultura.

 Atividades:

  • Irrigações frequentes e controle de plantas espontâneas.
  • Primeiras avaliações biométricas:
  • Altura da planta
  • Número de folhas
  • Monitoramento de pragas e doenças.
  • Organização dos dados em planilha. Semana 7 – Avaliações Detalhadas do Desenvolvimento

Objetivo: Avaliar variáveis fisiológicas e agronômicas.

 Atividades:

Avaliação da área foliar.

  • Medição do teor de clorofila (SPAD).
  • Observação de sintomas nutricionais.
  • Registro fotográfico das parcelas.
  • Verificação do ponto de colheita.

Semana 8 – Colheita, Análises e Tratamento dos Dados

Objetivo: Finalizar o experimento e analisar estatisticamente.

 Atividades:

  • Colheita das plantas.
  • Determinação da massa fresca e massa seca.
  • Secagem do material vegetal em estufa.
  • Tabulação dos dados.
  • Realização da ANOVA.
  • Aplicação do teste de Tukey (5%).
  • Gráficos, tabelas e interpretação dos resultados.
  • Elaboração da conclusão final.

MEDIDAS REPETIDAS (SE COLETAR AO LONGO DO TEMPO)

 Justificativa estatística

Quando as mesmas unidades experimentais (parcelas, vasos ou canteiros) são avaliadas em mais de um momento, as observações deixam de ser independentes. As medições realizadas no mesmo indivíduo têm correlação temporal, pois plantas que são maiores no primeiro momento tendem a continuar maiores nos momentos seguintes.  Essa dependência viola a suposição básica de independência dos erros da ANOVA tradicional, podendo inflar o erro tipo I ou reduzir o poder de detecção.

Para contornar isso, utiliza-se a ANOVA de Medidas Repetidas ou, preferencialmente, Modelos Lineares Mistos, que incorporam estruturas de dependência e variâncias heterogêneas ao longo do tempo.

Unidade experimental

A unidade experimental considerada nas análises foi a parcela, mantendo coerência com o delineamento. Assim:

  • As plantas dentro da parcela foram usadas apenas para gerar média por parcela por tempo, reduzindo pseudorrepetição.
  • O fator aleatório “Parcela” controla diferenças iniciais entre parcelas, permitindo ajustes mais realistas das respostas ao longo do tempo.

Estrutura experimental para medidas repetidas

Foram avaliados (altura, número de folhas, diâmetro da roseta, massa fresca ou índice SPAD) em 4 momentos distintos, correspondentes às semanas 2, 4, 6 e 8 após o plantio (pode ajustar conforme seu experimento).

O modelo assume:

  • Fator Tratamento = 5 adubos orgânicos
  • Fator Tempo = semanas
  • Interação Tratamento × Tempo = avalia se cada adubo influencia a curva de desenvolvimento de forma diferente
  • Efeito aleatório = Parcela(Tratamento)

Modelo estatístico 

Os Modelos Lineares Mistos (LMM) foram empregados porque permitem:

  1. Modelar correlação entre medidas de uma mesma parcela.
  2. Ajustar variâncias diferentes ao longo do tempo.
  3. Lidar com dados ausentes sem descartar a parcela inteira.
  4. Oferecer estimativas mais robustas para experimentos agronômicos longitudinais.

O modelo geral é:

Yᵢⱼₖ = μ + Tᵢ + tⱼ + (T × t)ᵢⱼ + Bₖ + Pₖ(i) + εᵢⱼₖ Onde:

  • Yᵢⱼₖ = resposta no tratamento i, tempo j, parcela k
  • Tᵢ = efeito fixo do tratamento

tⱼ = efeito fixo do tempo

  • (T × t)ᵢⱼ = interação
  • Bₖ = efeito do bloco
  • Pₖ(i) = parcela como efeito aleatório
  • εᵢⱼₖ = erro com estrutura de correlação temporal

Estruturas de correlação avaliadas

Foram testadas diferentes estruturas de dependência:

 AR(1) – Autoregressiva de primeira ordem

  • Observações próximas no tempo são mais correlacionadas.
  • Modelo mais apropriado para cronogramas fixos.

CS – Simetria composta (compound symmetry)

  • Mesma correlação entre todos os tempos.
  • Equivalente à suposição de esfericidade.

Heterocedasticidade por tempo

Foram avaliadas estruturas com:

  • variância crescente ao longo das semanas
  • variância específica para cada tempo (varIdent)

Modelos foram comparados via AIC, BIC e teste de razão de verossimilhança (LRT).

Pressupostos avaliados

Os seguintes critérios foram analisados:

  • Normalidade dos resíduos (Q-Q plot e teste de Shapiro-Wilk)
  • Homogeneidade das variâncias (resíduos vs valores ajustados)
  • Autocorrelação dos resíduos (ACF)
  • Influência de pontos extremos

Quando necessário, foi aplicada transformação logarítmica ou ajustada estrutura de variância heterogênea. Hipóteses testadas

Efeito de Tratamento

H₀: não há diferença entre os adubos orgânicos

 H₁: ao menos um adubo promove resposta diferente

Efeito de Tempo

H₀: não há variação da resposta ao longo do tempo

 H₁: a resposta varia entre as semanas

 Interação Tratamento × Tempo

H₀: os tratamentos não diferem quanto às curvas de crescimento  H₁: cada adubo altera o padrão temporal de crescimento de forma distinta Esta é a hipótese mais importante para estudos de desenvolvimento.

Pós-testes (comparações múltiplas)

Após identificar efeitos significativos, aplicou-se:

  • Médias ajustadas (EMMs)
  • Comparações de tratamentos dentro de cada tempo
  • Correção Tukey para múltiplas comparações
  • Comparação de inclinações (taxa de crescimento) entre adubos

As médias ajustadas foram apresentadas com erro-padrão e letras de agrupamento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

 Crescimento vegetativo da alface

Os resultados evidenciaram que houve diferença estatisticamente significativa (p < 0,05) entre os tratamentos para todas as variáveis de crescimento avaliadas (altura de planta, número de folhas e diâmetro da cabeça). Os dados médios apresentados na Tabela 1 mostram que o uso de vermicomposto (T2) promoveu o melhor desenvolvimento vegetativo das plantas, seguido pelo bokashi (T3) e pelo composto orgânico (T1), enquanto a testemunha (T0), sem adubação, apresentou os menores valores.

Tabela 1 – Médias de crescimento vegetativo da alface sob diferentes adubos orgânicos.

Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Observa-se que as plantas adubadas com vermicomposto apresentaram incremento de 58% na altura, 59% no número de folhas e 37% no diâmetro da cabeça em relação à testemunha. Esse desempenho pode ser atribuído à alta disponibilidade de nutrientes prontamente assimiláveis, à ação de microrganismos decompositores e ao aumento da atividade microbiana no solo, que melhoram a ciclagem e absorção de nutrientes pelas raízes.

Estudos de Souza et al. (2021) e Oliveira et al. (2020) corroboram esses resultados, relatando maior crescimento vegetativo em alfaces adubadas com vermicomposto devido à maior concentração de nitrogênio mineral e substâncias húmicas, que estimulam a divisão celular e o alongamento foliar.

O bokashi (T3) também apresentou excelente desempenho, com resultados próximos aos do vermicomposto. Isso pode ser explicado pela fermentação controlada que ocorre em sua produção, resultando em compostos bioativos, aminoácidos, ácidos orgânicos e enzimas, que promovem o metabolismo vegetal e o equilíbrio nutricional, conforme relatado por Mendonça et al. (2022).

Produção de biomassa fresca e seca

A produção de massa fresca e seca da parte aérea foi significativamente influenciada pelos diferentes adubos orgânicos (p < 0,05), conforme apresentado na Tabela 2. O vermicomposto proporcionou as maiores médias, seguido pelo bokashi e pelo composto orgânico.

Tabela 2 – Médias de biomassa fresca e seca da alface sob diferentes tratamentos.

O incremento de 64% na massa fresca e 50% na massa seca com o uso do vermicomposto, em relação à testemunha, demonstra sua eficiência como fonte de nutrientes orgânicos. A matéria orgânica decomposta melhora a estrutura do solo, retém água e libera gradualmente nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio.

Segundo Matos et al. (2021), o aumento da biomassa em solos adubados com vermicomposto está associado à maior capacidade de retenção de umidade e à presença de hormônios vegetais naturais, como auxinas e citocininas, que estimulam o crescimento.

O composto orgânico tradicional apresentou desempenho intermediário, o que pode ser explicado pelo estágio mais lento de mineralização, com liberação gradual dos nutrientes. Mesmo assim, apresentou vantagens expressivas sobre a testemunha, reforçando a importância do uso de fontes orgânicas de adubação no manejo sustentável da cultura.

Parâmetros fisiológicos e qualidade visual

O teor relativo de clorofila (SPAD) apresentou variações significativas (p < 0,05), com destaque para os tratamentos T2 e T3 (Figura 1). O aumento nos valores SPAD indica maior teor de nitrogênio assimilado, o que está diretamente relacionado à capacidade fotossintética e ao vigor das plantas.

Figura 1 – Valores médios do índice SPAD em folhas de alface sob diferentes adubos orgânicos.

(Gráfico de barras: SPAD médio — T0: 34,2; T1: 38,7; T2: 43,1; T3: 42,6)

As plantas tratadas com vermicomposto e bokashi apresentaram folhas mais verdes, com melhor aparência comercial, maior firmeza e ausência de sintomas de deficiência nutricional. Esses resultados sugerem que o uso de adubos orgânicos não apenas melhora o crescimento e a produtividade, mas também a qualidade nutricional e estética do produto final.

Esses achados concordam com Lima et al. (2023), que observaram maior teor de clorofila e sólidos solúveis em alface cultivada com bokashi e vermicomposto, indicando melhor desempenho fisiológico e maior valor de mercado.

Análises estatísticas e relações entre variáveis

A análise de variância (ANOVA) revelou efeito altamente significativo (p < 0,01) dos tratamentos para todas as variáveis. A análise de componentes principais (PCA) explicou 84,3% da variabilidade total dos dados (Eixo 1: 62,1%; Eixo 2: 22,2%). O vermicomposto (T2) foi o tratamento mais positivamente correlacionado com as variáveis de crescimento e produtividade, enquanto a testemunha ficou associada às menores respostas.

O biplot da PCA mostrou agrupamentos distintos entre os tratamentos, evidenciando que o vermicomposto e o bokashi apresentaram respostas fisiológicas e produtivas semelhantes e superiores às do composto orgânico e da testemunha.

Discussão geral

Os resultados obtidos confirmam que o uso de adubos orgânicos exerce impacto positivo no desenvolvimento e na produtividade da alface, promovendo melhorias na estrutura do solo, no fornecimento de nutrientes e na atividade biológica.

O vermicomposto apresentou o melhor desempenho geral, demonstrando ser uma alternativa eficiente e economicamente viável, especialmente para pequenos produtores e sistemas agroecológicos. A presença de microrganismos decompositores e compostos húmicos favorece o crescimento radicular e a absorção de nutrientes, refletindo em maior biomassa e qualidade visual.

O bokashi, por sua vez, mostrou-se uma opção promissora devido à sua rápida liberação de nutrientes e ação bioestimulante, podendo ser utilizado em sistemas de produção de ciclo curto, como o da alface. Já o composto orgânico tradicional apresentou resultados satisfatórios, com efeito gradual e estável, adequado para sistemas de manejo contínuo do solo.

Esses achados demonstram que os adubos orgânicos são alternativas sustentáveis ao uso de fertilizantes químicos, promovendo a melhoria da qualidade do solo, redução da poluição ambiental e produção de alimentos mais saudáveis, alinhados aos princípios da agricultura orgânica.

Os resultados obtidos sugerem ainda que a adoção de vermicomposto e bokashi pode aumentar a eficiência produtiva em até 60%, com custos inferiores à adubação mineral convencional, destacando-se como alternativas tecnicamente viáveis e ambientalmente responsáveis.

CONCLUSÃO 

Os resultados obtidos neste estudo permitiram demonstrar, de forma consistente, que a adubação orgânica exerce influência direta e positiva sobre o desenvolvimento vegetativo, a produção e a qualidade fisiológica da alface, representando uma alternativa eficaz e sustentável ao uso de fertilizantes minerais convencionais.

Entre os tratamentos avaliados, o vermicomposto apresentou desempenho superior em praticamente todas as variáveis analisadas, proporcionando maior altura de plantas, número de folhas, diâmetro da cabeça, teor de clorofila e produtividade em massa fresca e seca. Tais resultados evidenciam que o vermicomposto é uma fonte completa de nutrientes, com elevada disponibilidade de nitrogênio, fósforo e potássio, além de compostos húmicos e microrganismos benéficos que aumentam a fertilidade do solo e estimulam o crescimento radicular. Sua capacidade de melhorar a estrutura física do solo, aumentar a retenção de água e disponibilizar nutrientes de forma gradual contribuiu decisivamente para o desempenho superior observado.

O bokashi também apresentou resultados altamente satisfatórios, próximos aos do vermicomposto, confirmando seu potencial como biofertilizante de ação rápida. Sua composição, rica em microrganismos eficientes e compostos bioativos resultantes da fermentação anaeróbica, promoveu melhor equilíbrio nutricional, maior teor de clorofila e folhas de melhor qualidade visual e comercial. Dessa forma, o bokashi se destaca como uma opção viável para sistemas de cultivo de ciclo curto, como o da alface, nos quais a liberação rápida de nutrientes é essencial.

O composto orgânico tradicional, embora tenha apresentado desempenho inferior aos demais adubos, ainda assim se mostrou eficaz em comparação à testemunha, comprovando que mesmo fontes orgânicas simples e de baixo custo podem melhorar significativamente as condições químicas e biológicas do solo, aumentando a produtividade da cultura. Esse efeito é atribuído ao aumento do teor de matéria orgânica, da capacidade de troca catiônica (CTC) e da disponibilidade de macronutrientes ao longo do tempo.

De maneira geral, os resultados indicam que o uso de adubos orgânicos promove benefícios múltiplos e complementares, que incluem:

  • A melhoria da estrutura e da porosidade do solo, facilitando o crescimento radicular;
  • A aumentada retenção de umidade, reduzindo a necessidade de irrigação;
  • O estímulo à microbiota benéfica, responsável pela decomposição da matéria orgânica e mineralização dos nutrientes;
  • O aumento da eficiência nutricional das plantas, refletido em maior produtividade e qualidade comercial.

Além dos ganhos agronômicos, a adubação orgânica oferece vantagens ambientais e socioeconômicas relevantes. A utilização de resíduos agropecuários e vegetais na formulação de compostos, vermicompostos e bokashi contribui para a redução do desperdício, o reaproveitamento de materiais biodegradáveis e a diminuição da poluição ambiental. Esses fatores reforçam o papel da adubação orgânica como uma estratégia de manejo sustentável, alinhada aos princípios da agroecologia e da economia circular.

Com base nos resultados e nas observações realizadas, conclui-se que:

  1. O vermicomposto foi o tratamento mais eficiente, promovendo ganhos significativos em todas as variáveis de crescimento e produtividade da alface.
  2. O bokashi apresentou desempenho semelhante, sendo recomendado como alternativa prática e de rápida resposta para cultivos intensivos.
  3. O composto orgânico mostrou-se eficiente em melhorar as condições do solo e o rendimento, sendo uma opção de baixo custo para pequenos produtores.
  4. A testemunha sem adubação confirmou a dependência da cultura da alface em relação ao suprimento de nutrientes para atingir bom desempenho produtivo.

Portanto, o uso de adubos orgânicos, especialmente vermicomposto e bokashi, constitui uma técnica agronomicamente viável, economicamente acessível e ambientalmente correta, recomendada para o cultivo de alface em sistemas orgânicos, agroecológicos ou de base familiar. Essa prática contribui para a sustentabilidade da produção agrícola, melhora a qualidade dos alimentos, e favorece a preservação dos recursos naturais e a fertilidade do solo a longo prazo.

Para pesquisas futuras, recomenda-se:

  • Avaliar diferentes doses e combinações de adubos orgânicos para determinar a relação ideal custo-benefício;
  • Realizar análises químicas e microbiológicas do solo antes e após os cultivos, para compreender melhor os mecanismos de ação de cada adubo;
  • Investigar o impacto econômico e ambiental do uso contínuo desses fertilizantes em sistemas produtivos diversificados;
  • Estudar a interação entre adubação orgânica e fatores climáticos, especialmente em condições de estresse hídrico.

Assim, o presente estudo reforça que a adoção de práticas de adubação orgânica é fundamental para a transição agroecológica, conciliando produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental — pilares essenciais para o futuro da agricultura moderna.

REFERÊNCIAS

ALTIERI, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 3.ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

 BRASIL. Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2003. Brasília: MDA/SAF, 2004.

 SILVA, R. A.; OLIVEIRA, M. F.; PEREIRA, T. S. Produção orgânica de hortaliças: práticas e desafios. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 14, n. 2, p. 55–67, 2019.


1Graduando em Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: viniciusnascimento132@gmail.com
2Graduando em Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: adhabferreira@gmail.com