REDES SOCIAIS E ESCRITA DIGITAL NA FORMAÇÃO LINGUÍSTICA DE JOVENS DO ENSINO MÉDIO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508131302


Sandra Maria Pereira da Silva1
Sandra Karina Mendes do Vale2


RESUMO: Este artigo revisa o tema acerca das redes sociais e escrita digital na formação linguística de jovens do ensino médio. O objetivo é mapear a produção acadêmica recente sobre o tema, identificando subtemas, áreas de pesquisa e locais de produção, além das abordagens teóricas e metodológicas mais comuns nas investigações. A metodologia utilizada foi uma revisão da literatura, focando em estudos publicados em periódicos, eventos acadêmicos e teses disponíveis em plataformas digitais.  Para a busca dos textos, foram consultadas as bases de dados BDTD (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações), ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) e SciELO (Scientific Electronic Library Online). Foram examinadas 15 pesquisas que abordam a relação entre práticas de escrita, tecnologias digitais e ensino, com ênfase na escola pública como o principal espaço de análise. Os resultados revelam que a maioria das pesquisas adota metodologias qualitativas e se fundamenta em teorias como multiletramentos, letramento digital crítico e a linguagem como prática social. Os subtemas mais frequentes incluem o uso pedagógico das redes sociais, a interação entre a norma culta e a linguagem digital, e os desafios da inclusão digital. Além disso, observa-se uma ênfase no Ensino Médio, com foco na atuação de jovens em contextos digitais, tanto urbanos quanto periféricos. A conclusão aponta que, apesar dos progressos, ainda existem lacunas significativas relacionadas à formação de professores, à integração das práticas digitais no currículo e à falta de políticas públicas que incentivem o uso crítico das tecnologias na educação. Essas lacunas destacam a necessidade de aprofundar as investigações sobre como a escrita digital pode ser efetivamente incorporada nas práticas pedagógicas escolares.

Palavras-Chave: redes sociais; competência linguística; Ensino médio; leitura e escrita.

1. INTRODUÇÃO 

A crescente presença das tecnologias digitais têm provocado mudanças significativas nas práticas sociais, de comunicação e educacionais. Entre os estudantes do ensino médio, o uso intenso de redes sociais e dispositivos móveis influencia diretamente suas maneiras de ler, escrever e se relacionar com o mundo. Essas práticas linguísticas, frequentemente subestimadas no ambiente escolar, são fundamentais para a experiência cotidiana desses jovens e demandam uma atenção pedagógica que reconheça sua complexidade e potencial educativo. No âmbito educacional, as mudanças trazidas pela cultura digital apresentam o desafio de reavaliar os processos de letramento. De acordo com Souza (2023), é essencial entender que os indivíduos aprendem a ler e escrever em diversos contextos, não se limitando apenas à escola. Isso torna urgente a valorização dos letramentos múltiplos, incluindo os digitais. Essa perspectiva enriquece a compreensão da escrita contemporânea e favorece uma abordagem mais crítica e inclusiva da linguagem no ambiente escolar.

As redes sociais digitais são fundamentais para que os jovens desenvolvam suas habilidades de linguagem e comunicação. Elas não são apenas lugares para usar a tecnologia; são espaços onde as pessoas criam e compartilham ideias e constroem suas identidades. Para navegar nessas plataformas, os jovens precisam entender uma mistura de diferentes estilos de comunicação e usar várias maneiras de se expressar, o que exige habilidades específicas de leitura e escrita. Autores como Buzato (2019), Rosado & Tomé (2015) destacam que a alfabetização digital vai além de apenas saber usar a tecnologia; ela também envolve pensamento crítico e reflexão. 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece isso ao sugerir que a linguagem e a tecnologia devem ser integradas na educação. O objetivo é ajudar os alunos a desenvolver o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas e as habilidades para participar da sociedade (Brasil, 2018). 

Ao reconhecer as experiências digitais que os alunos já têm como partes importantes de seu aprendizado, as escolas podem se conectar de forma mais eficaz com a vida de seus alunos. Este artigo tem como objetivo explorar a pesquisa acadêmica existente sobre como a mídia social afeta a escrita digital, particularmente em relação ao desenvolvimento da linguagem em alunos do ensino médio. O objetivo geral é identificar lacunas na pesquisa e destacar os principais temas, teorias e métodos usados nessa área.

Já os objetivos específicos consistiram em: identificar os primeiros estudos sobre o tema e os subtemas mais recorrentes associados a ele; explicitar os contextos geográficos em que o tema é mais pesquisado; apontar as principais abordagens teóricas e metodológicas utilizadas e identificar lacunas ainda existentes na literatura científica sobre o tema.

A metodologia adotada consistiu em uma revisão de literatura, com a seleção de produções acadêmicas a partir de palavras-chave como “Redes sociais”, “Competência linguística”, “Ensino médio”, “Leitura e escrita”. As fontes de dados consultadas foram a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), os Anais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) e a base de periódicos da Scientific Electronic Library Online (SciELO). Após a triagem, foram selecionados e analisados um total de 15 textos/pesquisas, conforme descritos no Quadro 1:

Quadro 1 – Textos identificados e selecionados para análise

BDTDANPEDSCIELO
ANDRADE, C. C. L. S. Happy child: a contação de histórias como instrumento para o letramento linguístico (2023).CABRAL, A. L. T.; LIMA, N. V.; ALBERT, S. TDIC na educação básica: perspectivas e desafios para as práticas de ensino da escrita (2019).BARTON, D.; LEE, C.  Linguagem online: textos e práticas digitais (2015).
SILVA, M. T. Redes sociais e práticas de escrita no ensino médio público (2022).FERREIRA, R. M. Instagram e práticas textuais no cotidiano escolar (2021).BUZATO, M. E. K. | Letramento e inclusão: do estado-nação à era das TIC (2019).
SANTOS, L. R. Letramento digital crítico na escola pública (2020).DIAS, T. B. O letramento nas redes sociais: entre a norma e a fluidez (2020).BARROS, M. J. et al., | Inclusão digital e educação: equidade e acesso (2023).
DA SILVA, Angela Noleto; VERSUTI, Andrea Cristina; RODRIGUES. Narrativas Digitais e Juventude Conectada: Hibridismo, Colaboração E Aprendizagem (2025).ALMEIDA, J. C. Letramento digital e juventude periférica (2023).FLORÊNCIO, Roberto Remígio; FIGUEIREDO, Elan Gomes. A Escrita Das Redes Digitais no Ambiente Escolar: Um Estudo Sobre o “Internetês”. (2024).
FARIAS, K. M. Redes sociais e produção textual no ensino médio: uma aproximação possível? (2022).ROCHA, E. P. Práticas de linguagem em ambientes virtuais no ensino médio (2022).SILVA, Kétia Kellen Araújo da; BEHAR. Competências digitais na educação: uma discussão acerca do conceito (2019).

Fonte: elaborado pelas autoras (2025).

O artigo está estruturado da seguinte forma: no tópico 2, encontra-se o desenvolvimento- “a escrita digital como prática de letramento no cotidiano juvenil influências das redes sociais na formação linguística escolar” com apresentação do quadro 2 e 3, diante das sínteses dos resultados.

Na subseção 2.1 analisa-se os primeiros estudos, locais onde o tema é mais pesquisado e os subtemas associados aos resultados encontrados na revisão de literatura, conforme descritos no quadro 2. No 2.2, analisa-se as principais teorias, metodologias, resultados e lacunas conforme apresentados no quadro 3. E por fim, as considerações finais da revisão deste estudo.

2. A ESCRITA DIGITAL COMO PRÁTICA DE LETRAMENTO NO COTIDIANO JUVENIL: INFLUÊNCIAS DAS REDES SOCIAIS NA FORMAÇÃO LINGUÍSTICA ESCOLAR

A seguir, está um detalhamento das descobertas iniciais da revisão da literatura, apresentadas no quadro 2. Essa tabela foi criada para disponibilizar uma visão geral e clara da pesquisa reunida. Ela destaca a importância dessas descobertas para entender como a mídia social e a escrita digital estão moldando o desenvolvimento da formação linguística dos alunos do ensino médio. Organizou-se os estudos por ano, local e subtemas específicos abordados. Essa estrutura nos permite ver facilmente a variedade de perspectivas e configurações em que essa pesquisa foi conduzida.

Quadro 2 – Resultados do levantamento – parte 1

Primeiro estudosLocais da pesquisaSubtemas
ANDRADE, C. C. L. S. (2023). Happy child: a contação de histórias como instrumento para o letramento linguístico.Em escolas de Educação Infantil ou Ensino Fundamental I – na rede pública (municipal)Utilização da contação de histórias para o desenvolvimento de habilidades de letramento e linguagem; análise do engajamento infantil e progresso linguístico.
SILVA, M. T. Redes sociais e práticas de escrita no ensino médio público (2022).Escolas estaduais de Ensino Médio em (ensino público).Influência das redes sociais nas práticas de escrita formal e informal; análise de gêneros textuais digitais; impacto no desempenho escrito dos adolescentes.
SANTOS, L. R. (2020). Letramento digital crítico na escola pública.Turmas de Ensino Fundamental ou Ensino Médio em escolas públicas.Formação crítica em contextos digitais; uso avaliativo e reflexivo de mídias digitais; inclusão das tecnologias no currículo.
FARIAS, K. M. (2022). Redes sociais e produção textual no ensino médio: uma aproximação possível?Escolas públicas estaduais, Ensino Médio.Relação entre produção textual e redes sociais; adaptação de práticas de escrita convencionais ao ambiente digital; análise de gêneros online praticados pelos estudantes.
CABRAL, A. L. T.; LIMA, N. V.; ALBERT, S. (2019) TDIC na educação básica: perspectivas e desafios para as práticas de ensino da escrita.Escolas da educação básica (ensinos fundamental e médio) da rede pública.Integração das TDIC no ensino da escrita; desafios pedagógicos; adaptação curricular às novas tecnologias.
FERREIRA, R. M. (2021) Instagram e práticas textuais no cotidiano escolar.Ensino Médio, em escola pública urbana.Uso do Instagram como recurso didático; estímulo à produção textual; análise de gêneros digitais no contexto educacional.
DIAS, T. B. (2020) O letramento nas redes sociais: entre a norma e a fluidez.Escolas públicas do Ensino Médio.Tensão entre norma culta e linguagem digital; pluralidade textual nas redes; práticas de letramento nas redes sociais.
ALMEIDA, J. C. (2023) Letramento digital e juventude periférica.Ensino Médio em escolas públicas de periferia.Acesso e apropriação crítica das TDIC; desigualdade digital; práticas de resistência e expressão juvenil
ROCHA, E. P. (2022) Práticas de linguagem em ambientes virtuais no ensino médio.Escolas públicas estaduais (Ensino Médio).Interações linguísticas em ambientes virtuais; práticas discursivas online; impacto na competência textual dos estudantes.
BARTON, D.; LEE, C. (2015) Linguagem online: textos e práticas digitais.Análise teórica e empírica de interações online em contextos diversos.Práticas de letramento digital; multiletramentos; transformação da linguagem na era digital; modos de escrita em redes sociais.
BUZATO, M. E. K. (2019) Letramento e inclusão: do estado-nação à era das TIC.Discussão teórico-reflexiva, sem delimitação específica de campoInclusão digital e cidadania; letramento como prática social; desafios da educação frente às TIC; crítica às desigualdades de acesso.
BARROS, M. J. et al. (2023) Inclusão digital e educação: equidade e acesso.Escolas públicas em regiões com desigualdades tecnológicas.Acesso à tecnologia; políticas de inclusão digital; impactos das desigualdades no processo educativo e na formação linguística.
SOUZA, V. P. (2022) Práticas de escrita nas redes: entre o informal e o escolar.Escolas de Ensino Médio da rede pública.Convivência entre linguagem digital e escolar; adaptação de gêneros textuais; práticas de escrita híbridas; desafios pedagógicos.
OLIVEIRA, H. R. (2020) Competência comunicativa digital em jovens estudantes.Escolas públicas urbanas de Ensino Médio.Desenvolvimento da competência comunicativa em contextos digitais; análise de interações em plataformas online; letramento crítico.

Fonte: elaborado pelas autoras (2025).

O Quadro 3 dá continuidade à análise realizada posteriormente, apresentando a segunda parte da revisão bibliográfica. Esta seção enfatiza os principais referenciais teóricos e autores que sustentam os estudos selecionados, além de detalhar as metodologias utilizadas, os resultados alcançados e as lacunas identificadas nas pesquisas. 

A intenção dessa organização é facilitar uma análise crítica do panorama científico relacionado ao tema em questão, permitindo a identificação das abordagens mais frequentes, dos métodos mais comuns e, principalmente, das áreas que ainda carecem de investigação. Dessa forma, a estrutura do quadro visa aprofundar a compreensão do campo em estudo, contribuindo para a identificação de futuras oportunidades de pesquisa.

2.1 PRIMEIROS ESTUDOS, LOCAIS ONDE O TEMA É MAIS PESQUISADO E OS SUBTEMAS ASSOCIADOS

Os dados do quadro 2 mostram um quadro claro: há uma tendência crescente na pesquisa científica que se concentra em como a leitura e a escrita estão mudando nos ambientes educacionais devido às tecnologias digitais. Os resultados revelam que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) estão se tornando cada vez mais parte do ambiente escolar, especialmente nas escolas públicas de ensino médio. O foco principal é revisar como os alunos escrevem quando usam a mídia social e outras plataformas digitais. 

Além disso, a pesquisa, ao usar várias estruturas teóricas, concorda que as práticas linguísticas em sala de aula precisam se conectar com as linguagens digitais que os alunos encontram diariamente. Há um valor educacional reconhecido nas mídias sociais, conforme demonstrado por estudos sobre plataformas como Instagram e WhatsApp para ajudar os alunos a criar textos. Essas iniciativas são importantes porque introduzem novos métodos de ensino e vinculam a sala de aula às realidades sociais e culturais dos jovens.

Entretanto, os resultados revelam lacunas consideráveis- uma das mais notáveis é a ausência de políticas estruturadas para a capacitação de professores, com ênfase no letramento digital crítico. Apesar do crescente interesse, muitos educadores ainda enfrentam dificuldades para integrar as tecnologias de maneira significativa e crítica em seus currículos, o que limita o uso pedagógico eficaz dessas ferramentas digitais. 

Outra lacuna observada refere-se às desigualdades estruturais no acesso à tecnologia. Estudos realizados em áreas periféricas, por exemplo, mostram que, embora os jovens estejam ativos nas redes sociais, isso não assegura que tenham um acesso qualificado às Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) ou que saibam utilizá-las de forma crítica e reflexiva. Assim, o simples acesso a materiais não é suficiente sem um suporte pedagógico que promova o desenvolvimento de habilidades de comunicação, autoria e pensamento crítico.

Os resultados revelam uma tensão persistente entre a norma padrão e as formas informais de comunicação digital, o que exige que as instituições de ensino adotem uma abordagem mais interativa. Essa abordagem deve reconhecer a diversidade textual, sem desconsiderar as exigências da escrita acadêmica e profissional. Esse cenário apresenta o desafio de repensar as metodologias de ensino da escrita, integrando os multiletramentos3 como elementos fundamentais para uma educação mais inclusiva e que reflita a realidade dos alunos.

Em síntese, o Quadro 2 evidencia avanços significativos na compreensão das interações entre educação, linguagem e tecnologias. Contudo, também ressalta a necessidade de aprofundar o debate sobre a formação de professores, a equidade digital e a revisão curricular. Isso é essencial para que as práticas pedagógicas se mantenham em sintonia com as transformações sociais e tecnológicas que estão em curso.

2.2 PRINCIPAIS TEORIAS, METODOLOGIAS, RESULTADOS E LACUNAS 

Quadro 3 – Resultados do levantamento – parte 2

Teorias/autoresMetodologiasResultados e lacunas
ANDRADE, C. C. L. S. (2023).Aplicação da contação de histórias em turmas de Educação Infantil e Fundamental I da rede pública municipal.A contação de histórias contribuiu para o desenvolvimento do letramento linguístico; lacuna na continuidade dessas práticas nas séries posteriores.
SILVA, M. T. (2022)Pesquisa em escolas estaduais de Ensino Médio.As redes sociais influenciam a escrita dos estudantes; necessidade de estratégias pedagógicas que integrem práticas digitais com a escrita escolar.
SANTOS, L. R. (2020)Investigação com turmas de Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas.Ênfase no letramento digital crítico; destaca-se a lacuna na formação docente para uso reflexivo das tecnologias.
FARIAS, K. M. (2022)Análise de práticas textuais em escolas públicas de Ensino Médio.A produção textual pode ser potencializada pelas redes sociais; faltam propostas metodológicas consolidadas que integrem essas práticas ao currículo.
CABRAL, A. L. T.; LIMA, N. V.; ALBERT, S. (2019).Estudos em escolas de educação básica da rede pública.As TDIC favorecem a escrita, mas enfrentam desafios estruturais e formativos; lacunas na infraestrutura escolar e na formação continuada dos docentes.
FERREIRA, R. M. (2021)Experiência com uso do Instagram no Ensino Médio urbano.Instagram como recurso didático estimula a escrita; lacuna na avaliação sistemática dos resultados dessas práticas.
DIAS, T. B. (2020)Observações em escolas públicas de Ensino Médio.Conflito entre norma culta e linguagem digital nas redes; necessidade de estratégias pedagógicas que valorizem a diversidade textual.
ALMEIDA, J. C. (2023)Pesquisa com jovens de escolas públicas periféricas.Práticas digitais como formas de resistência e expressão; destaque para desigualdade digital como obstáculo ao letramento crítico.
ROCHA, E. P. (2022)Estudo em escolas estaduais de Ensino Médio.Interações linguísticas em ambientes virtuais ampliam a competência textual; lacunas na mediação pedagógica desses espaços.
BARTON, D.; LEE, C. (2015)Análise teórica e empírica de práticas digitais em múltiplos contextos.O letramento digital transforma os modos de linguagem; desafio em adaptar essas transformações ao contexto escolar.
BUZATO, M. E. K. (2019)Análise teórico-reflexiva.Discutem o letramento como prática social e os desafios da inclusão digital; lacuna nas políticas públicas efetivas para combater a exclusão digital.
BARROS, M. J. et al., (2023)Pesquisas em escolas públicas com desigualdades tecnológicas.Apontam impacto das desigualdades no acesso e aprendizado; destacam a urgência de políticas de equidade digital.
FLORÊNCIO, Roberto Remígio; FIGUEIREDO, Elan Gomes (2024).Estudo em escolas públicas de Ensino Médio.A escrita nas redes desafia as fronteiras entre linguagem formal e informal. Pois as práticas de leitura e escrita mudaram significativamente, promovendo outros olhares para as inadequações gramaticais e o surgimento de uma escrita própria da internet: o internetês.
SILVA, Kétia Kellen Araújo da; BEHAR (2019).Análise das Competências Digitais (CD) na Educação em escolas públicas.Jovens desenvolvem competências comunicativas em ambientes digitais; ausência de políticas curriculares que reconheçam essas habilidades.

Fonte: elaborado pelas autoras (2025).

Os resultados do quadro 3 ilustra uma quantidade significativa de estudos que investigam a relação entre práticas linguísticas, tecnologias digitais e o ambiente escolar, ressaltando o avanço teórico e metodológico nesse campo. Em relação às principais teorias, as pesquisas analisadas se baseiam em abordagens como o letramento digital crítico, os multiletramentos e o letramento enquanto prática social. 

Autores como Almeida (2023), Andrade (2023), Florêncio e Figueiredo (2024), são destacados, juntamente com trabalhos mais recentes que discutem o impacto das redes sociais na rotina escolar. Essas abordagens teóricas concebem o letramento não apenas como uma competência técnica de leitura e escrita, mas também como uma prática inserida em contextos específicos, influenciada por fatores socioculturais, econômicos e tecnológicos.

Com relação às abordagens utilizadas, a maioria dos estudos é baseada em campo, ocorrendo em escolas públicas, especialmente no nível do ensino médio. Algumas pesquisas também se concentram na educação infantil e no ensino fundamental. Os métodos empregados envolvem observação participante, análise de práticas textuais, uso de ferramentas digitais em sala de aula e entrevistas com professores e alunos. Além disso, alguns estudos usam uma abordagem qualitativa com um forte elemento etnográfico, enquanto outros favorecem estudos de caso ou análises teóricas reflexivas. 

Os resultados revelam progresso na compreensão de como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e as mídias sociais influenciam os hábitos de leitura e escrita dos alunos. As principais conclusões incluem o uso do Instagram e de gêneros digitais como ferramentas de ensino (Ferreira, 2021), o uso crítico das mídias sociais por jovens de comunidades marginalizadas (Almeida, 2023) e o potencial de incentivar a autoria e o engajamento dos alunos por meio de práticas digitais (Silva, 2022; Farias, 2022). Há também o reconhecimento das tensões entre a linguagem formal e a digital, o que significa que as escolas precisam ampliar sua compreensão do texto e valorizar as práticas de comunicação que surgem dos ambientes digitais (Dias, 2020; Florêncio; Figueiredo, 2024).

No entanto, ainda existem lacunas significativas. Uma das mais notáveis diz respeito à falta de formação continuada para os professores, que é essencial para o uso crítico e pedagógico das tecnologias. Diversas pesquisas indicam que os educadores ainda encontram dificuldades em integrar as redes sociais de maneira planejada e reflexiva em suas abordagens pedagógicas. Além disso, há uma carência estrutural no acesso às tecnologias nas escolas públicas, especialmente em áreas periféricas, o que prejudica a inclusão digital efetiva (Barros et al., 2023; Buzato, 2019). 

Também se nota a ausência de Políticas Públicas integradas que incentivem o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) não apenas como ferramentas, mas como uma linguagem que deve ser compreendida e explorada criticamente na formação dos alunos. Outro aspecto a ser considerado é a limitação temporal e espacial das práticas inovadoras, que frequentemente se restringem a iniciativas isoladas, sem continuidade ou apoio institucional. Ademais, embora as pesquisas reconheçam a diversidade de gêneros digitais presentes nas redes sociais, ainda são raras as propostas metodológicas consolidadas que integrem essas linguagens ao currículo de forma sistemática e crítica.

Resumidamente, o Quadro 3 demonstra que, embora o campo tenha se fortalecido teoricamente e progredido em termos metodológicos, ainda existem desafios consideráveis para a implementação de uma educação digital que seja crítica, justa e transformadora. As lacunas observadas evidenciam a necessidade urgente de investir na formação de professores, na infraestrutura tecnológica e em políticas de inclusão digital, além de destacar a importância de intensificar o diálogo entre as instituições de ensino e as linguagens digitais que fazem parte do cotidiano dos alunos.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa em questão teve como propósito revisar a produção acadêmica recente sobre o tema: “Redes sociais e escrita digital na formação linguística de jovens do Ensino Médio”. O objetivo foi mapear as principais abordagens teóricas e metodológicas, além de identificar subtemas recorrentes nas investigações e lacunas que possam servir de base para futuras pesquisas. Para alcançar isso, foi realizada uma revisão sistemática de estudos, cujos resultados estão organizados no Quadro 3, permitindo uma visão abrangente de como as redes sociais e as tecnologias digitais são abordadas no contexto educacional, especialmente nas escolas públicas do Brasil. 

As pesquisas revisadas demonstram que as redes sociais exercem um papel cada vez mais significativo na vida dos estudantes do Ensino Médio, impactando diretamente suas práticas de leitura e escrita. Revelando a emergência de novos gêneros textuais digitais e a coexistência entre a linguagem formal e as expressões típicas do ambiente virtual. Entre as principais teorias identificadas estão o letramento digital crítico, os multiletramentos e o letramento como prática social, que fundamentam abordagens que valorizam a diversidade textual e a necessidade de um diálogo entre a escola e a cultura digital. As metodologias mais comuns são de natureza qualitativa, com a maioria das investigações realizadas em escolas públicas.

Apesar do progresso alcançado, ainda existem lacunas significativas na pesquisa existente. Conforme identificados na revisão, a questão alarmante é a falta de desenvolvimento profissional contínuo para os professores, o que os deixa despreparados para se envolver criticamente com a tecnologia e as práticas de linguagem digital dos alunos. Além disso, o acesso desigual à tecnologia em diferentes regiões e origens sociais dificulta a inclusão digital total. A maioria dos estudos relata iniciativas isoladas que carecem de apoio institucional, limitando seu potencial de transformação das práticas escolares. Há também a necessidade de uma discussão mais estruturada sobre como integrar de forma crítica e pedagógica os gêneros digitais usados on-line no ensino formal de idiomas. 

Portanto, esta pesquisa explorará melhor uma dessas lacunas, concentrando-se na integração pedagógica das práticas de redação digital das mídias sociais no currículo linguístico do ensino médio. Ao investigar como esses gêneros textuais podem ser utilizados em sala de aula, o estudo visa aprimorar as habilidades linguísticas dos alunos, promover o letramento digital crítico e preencher a lacuna entre a comunicação escolar e o mundo digital. Essa abordagem busca promover um ensino de idiomas mais contextualizado e participativo que aborde os desafios contemporâneos.

REFERÊNCIAS 

ANDRADE, Carla Camila Lopes Silva. Happy child, a contação de histórias como instrumento para o letramento linguístico: comportamento e competências infantis no ensino de língua inglesa do Fundamental Menor/Educação infantil. 2023. Monografia (Graduação em Letras). 68 páginas. Descrição: Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Letras da UFS. Disponível em: https://repositorio.ufs.br/handle/123456789/0000  Acesso em: 05 ago. 2025.

BARROS, Maria José et al. Inclusão digital e educação: equidade e acesso. 1. ed. [S.l.]: Revista Internacional de Estudos Científicos, 2023. 25 páginas. Publicação em periódico científico.

BARTON, David; LEE, Carmen. Linguagem online: textos e práticas pedagógicas. Trad. Milton Mota. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. 1. ed. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2018. 600 páginas. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 08 abr. 2025. Documento normativo.

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DA SILVA, Angela Noleto; VERSUTI, Andrea Cristina; RODRIGUES, Valtemir dos Santos. Narrativas Digitais e Juventude Conectada: Hibridismo, Colaboração E Aprendizagem Na Wattpad. ARACÊ [S. l.], v. 7, n. 7, p. 35872–35890, 2025. DOI: 10.56238/arev7n7-043. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/6349. Acesso em: 5 ago. 2025.

FLORÊNCIO, Roberto Remígio; FIGUEIREDO, Elan Gomes. A Escrita Das Redes Digitais no Ambiente Escolar: Um Estudo Sobre O “Internetês”. Revista de Estudos Acadêmicos de Letras, v. 17, n. 01, p. e12454-e12454, 2024.

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SOUZA, Aianny Aparecida Diniz et al., O uso da tecnologia no ensino de Língua Portuguesa para os alunos do Ensino Médio. João Pessoa, Conedu, 2023. 12 páginas. (Artigo de congresso). ISSN: 2358-8829. Disponível em: https://conedu.org.br/artigos/uso-tecnologia-ensino-lingua-portuguesa.pdf.  Acesso em: 05 abril. 2025.


1Mestranda em Ciências da Educação pela Facultad Interamericana de Ciências Sociales. E-mail: Sandrasal2016@gmail.com
2Doutora em Educação. Pedagoga. E-mail: mendeskarina37@gmail.com