REABILITAÇÃO ORAL POR MEIO DE PRÓTESE TOTAL SUPERIOR E PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL INFERIOR: RELATO DE CASO CLÍNICO EM UMA IES DE PORTO VELHO/RO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510151152


Denise dos Santos Brandão1
Márcia Sales Cardoso Santos
Orientador: Prof. Ma. Caren Batista


Resumo  

O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente e global. O aumento da longevidade demanda atenção especial à saúde bucal, considerando que a perda dentária afeta funções essenciais como mastigação, estética facial, fala e autoestima. Este estudo discute os impactos da senescência sobre a saúde oral, com foco na moldagem para próteses, nas alterações fisiológicas do sistema estomatognático e nas principais opções de reabilitação protética. A abordagem interdisciplinar, associada à escolha correta do tipo de prótese, promove melhora funcional e psicossocial dos pacientes edentados. A reabilitação oral é um processo que envolve diversas áreas da odontologia, como periodontia, endodontia, implantodontia e estética. Apesar dos avanços técnicos, ainda é comum observar falhas na prevenção e na educação em saúde bucal entre adultos, o que contribui para a necessidade de tratamentos mais complexos na terceira idade. Para pacientes que perderam todos os dentes, a prótese total com oclusão bilateral balanceada é uma solução amplamente utilizada, pois proporciona estabilidade e distribuição equilibrada das forças durante a mastigação. Já as próteses parciais removíveis são alternativas eficazes e de menor custo, embora possam apresentar limitações estéticas. As próteses fixas, por sua vez, oferecem melhor desempenho funcional e aparência, mas exigem desgaste dos dentes adjacentes para sua instalação. Após a finalização do diagnóstico e dos procedimentos preparatórios, foi realizada a remoção cirúrgica dos remanescentes radiculares. A intervenção transcorreu conforme o esperado, com sucesso tanto durante o procedimento quanto na fase de recuperação imediata. O pós-operatório apresentou evolução clínica satisfatória, com resposta tecidual e inflamatória dentro dos padrões fisiológicos. As margens ao redor da área operada cicatrizaram adequadamente, conforme previsto no plano terapêutico, permitindo o início da confecção das próteses totais. A escolha do tratamento deve ser pautada pelas condições clínicas locais e sistêmicas do paciente, bem como por suas expectativas. Cabe ao profissional conduzir esse processo com clareza, responsabilidade e ética.  

Palavras-chave: saúde bucal; envelhecimento; prótese total; prótese parcial removível; reabilitação bucal.  

Abstract  

The increase in longevity demands special attention to oral health, considering that tooth loss affects essential functions such as chewing, facial aesthetics, speech, and self-esteem. This study discusses the impacts of senescence on oral health, focusing on prosthesis molding, physiological changes in the stomatognathic system, and the main prosthetic rehabilitation options. An interdisciplinary approach, combined with the correct choice of prosthesis type, promotes functional and psychosocial improvement for edentulous patients. Oral rehabilitation is a process that involves various fields of dentistry, such as periodontics, endodontics, implantology, and aesthetics. Despite technical advances, failures in prevention and oral health education among adults are still common, contributing to the need for more complex treatments in old age. For patients who have lost all their teeth, complete dentures with bilateral balanced occlusion are a widely used solution, as they provide stability and balanced distribution of forces during chewing. Removable partial dentures are effective and lower-cost alternatives, although they may present aesthetic limitations. Fixed prostheses, on the other hand, offer better functional performance and appearance but require the wear of adjacent teeth for installation. After completing the diagnosis and preparatory procedures, surgical removal of the remaining root fragments was performed. The intervention proceeded as expected, with success both during the procedure and in the immediate recovery phase. Postoperative evolution was clinically satisfactory, with tissue and inflammatory responses within physiological standards. The margins around the operated area healed properly, as planned in the therapeutic strategy, allowing the beginning of the fabrication of complete dentures. Treatment choice should be guided by the patient’s local and systemic clinical conditions, as well as their expectations. It is the professional’s responsibility to conduct this process with clarity, responsibility, and ethics.  

Keywords: oral health; aging; complete denture; removable partial denture; Mouth rehabilitation.  

1. Introdução  

O crescimento da população idosa decorre do aumento da expectativa de vida, associado à melhora das condições sociais e aos avanços terapêuticos na medicina (Ferreira, 2008). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2018), em 2050 haverá mais de 2 bilhões de pessoas acima dos 60 anos. No Brasil, estima-se que a população com mais de 65 anos saltará de 9,83% em 2020 para 21,87% em 2050 (IBGE, 2021). Esse cenário exige políticas públicas eficazes e atenção à qualidade de vida no envelhecimento, onde a saúde bucal desempenha papel relevante.  

A perda dentária por cárie ou doença periodontal afeta diretamente o sorriso, a fonética, a mastigação e a estética facial (Moreira et al., 2011). Tais prejuízos comprometem a autoestima e a vida social dos pacientes. A ausência de dentes também gera reabsorção óssea mandibular e maxilar, alterando os tecidos moles e a aparência facial (Filho et al., 2021), além de reduzir a efetividade muscular da face.  

O envelhecimento populacional traz consigo uma série de desafios para os sistemas de saúde, especialmente no que diz respeito à manutenção da qualidade de vida. A saúde bucal, muitas vezes negligenciada, desempenha papel crucial nesse contexto, pois está diretamente relacionada à nutrição, comunicação e bem-estar psicológico dos indivíduos. A perda dentária, comum na terceira idade, pode comprometer a ingestão de alimentos, levando à desnutrição e agravamento de doenças sistêmicas. (Ferrera, M. L., 2008)  

Além disso, alterações fisiológicas como a diminuição da salivação (xerostomia), reabsorção óssea alveolar e alterações na mucosa oral tornam o processo de reabilitação mais complexo. Essas mudanças exigem adaptações nos materiais protéticos e nas técnicas de moldagem, para garantir conforto e funcionalidade. A escolha de materiais resilientes e biocompatíveis é essencial para evitar lesões e promover a longevidade das próteses. (Filho, m. J. S. F. Et al., 2021)  

A avaliação clínica deve ser minuciosa, considerando não apenas os aspectos odontológicos, mas também as condições sistêmicas do paciente, como diabetes, hipertensão e osteoporose. Essas comorbidades podem interferir na cicatrização, na resposta inflamatória e na adaptação às próteses. Por isso, a integração entre odontologia e medicina é fundamental para o sucesso terapêutico. (Taques, p. A. Et al., 2020)  

A tecnologia tem contribuído significativamente para a reabilitação bucal, com o uso de scanners intraorais, softwares de planejamento digital e impressoras 3D. Esses recursos permitem maior precisão na confecção das próteses, reduzindo o tempo de tratamento e aumentando a taxa de sucesso. A odontologia digital também facilita a comunicação entre os profissionais envolvidos, promovendo uma abordagem mais colaborativa. (Abensur, g. M. Et al., 2022)  

Do ponto de vista psicossocial, a reabilitação bucal pode transformar a vida do idoso. A recuperação da estética facial e da capacidade de se alimentar adequadamente eleva a autoestima e favorece a reintegração social. Muitos pacientes relatam melhora na qualidade do sono, no humor e na disposição após a instalação das próteses, evidenciando o impacto positivo do tratamento. (Filho, m. J. S. F. Et al, 2021)  

É importante destacar que a educação em saúde bucal deve começar antes da terceira idade. Campanhas de prevenção, acompanhamento periódico e orientação sobre higiene oral são estratégias eficazes para reduzir a necessidade de reabilitação complexa no futuro. A atuação de equipes multidisciplinares, incluindo dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos, potencializa os resultados e promove cuidado integral. A manutenção das próteses também requer atenção contínua. Consultas regulares para ajustes, limpeza profissional e avaliação da mucosa são indispensáveis para evitar complicações como estomatite protética, candidíase e hiperplasia. O paciente deve ser instruído sobre os cuidados diários, como a higienização correta e o armazenamento adequado das próteses. (ZARB, G. A.,1984)  

Por fim, a reabilitação bucal no envelhecimento não deve ser vista apenas como uma solução estética ou funcional, mas como uma estratégia de promoção da saúde e dignidade. Este trabalho visa demonstrar que é possível a confecção de próteses dentárias bem adaptadas com estética e função restabelecidas, mesmo que em um atendimento gratuito em clínica escola. Em nosso futuro próximo como cirurgiões dentistas, devemos entender que o profissional de odontologia tem o papel de acolher, orientar e tratar com empatia, respeitando as limitações e expectativas de cada paciente. O compromisso ético e técnico é o alicerce para uma prática humanizada e eficaz.  

Relato de Caso  

Paciente do sexo feminino, 48 anos de idade, parda, procurou os serviços da Clínica de Odontologia da Faculdade São Lucas com a necessidade de substituição da prótese total superior, em uso há 06 anos, e instalação da prótese parcial inferior, sendo que esta nunca fez uso. A busca se deu pois a PT superior, já não satisfazia mais a paciente em termos estéticos e funcionais. Ela não comunicou a existência de sintomatologia dolorosa sendo que as áreas do remanescente do rebordo não apresentavam sinais de hiperplasia, sinais inflamatórios ou patologias associadas ao constante e longo período de uso da prótese. A paciente não obtinha informações da necessidade de retirar a sua prótese no período noturno, o que é essencialmente recomendado para que se mantenha sua correta higiene, sendo instruída para tal em consulta na clínica escola São Lucas.  

Iniciou-se o processo pré-operacional da reabilitação, sendo executada anamnese, exame clínico, físico e exames complementares. Tais exames confirmaram então, a necessidade da substituição da prótese antiga e uso da prótese inferior. Os achados clínicos iniciais (figura 1), exames complementares, radiografia panorâmica e radiografias periapicais (figura 2). Aspecto da paciente sem uso de próteses (Figura 3) constataram a presença de dentes insatisfatórios, necessitando de raspagem, restauração, exodontia de raiz residual e dentes planejados para a exodontia, visando melhorar a retenção no uso de prótese superior e inferior. Foi necessário executar as extrações de 03 dentes sendo os elementos 28, 35 e 38.  

No dia 11 de junho de 2024, foi realizada a exodontia da raiz residual do dente 35, sob anestesia local, mediante a administração de cinco tubetes de mepivacaína a 2% com vasoconstritor, com o objetivo de promover analgesia eficaz durante todo o ato cirúrgico. Após adequada assepsia e antissepsia da região operatória, procedeu-se à incisão e descolamento mucoperiostal para exposição da raiz residual. A remoção foi realizada com o auxílio de instrumentos cirúrgicos específicos (alavancas e fórceps), respeitando os princípios de técnica atraumática. A raiz foi completamente removida, sem intercorrências ou complicações associadas. O alvéolo foi criteriosamente inspecionado, não sendo identificados fragmentos radiculares remanescentes, nem comunicação com estruturas anatômicas adjacentes. Realizou-se a curetagem e regularização do leito ósseo, seguido por irrigação com solução fisiológica estéril. A hemostasia foi obtida de forma satisfatória, e a ferida operatória foi suturada com material apropriado. O paciente recebeu orientações pós-operatórias, incluindo recomendações quanto à higiene oral, alimentação, repouso e sinais de alerta, além da prescrição de dipirona 500 mg, de 6 em 6 horas, durante três dias, em caso de dor.  

Posteriormente, no dia 11 de setembro de 2024, procedeu-se à exodontia do dente 28, também sob anestesia local, mediante administração de dois tubetes de articaína a 4% com epinefrina 1:100.000, que proporcionaram bloqueio anestésico eficaz para a realização do procedimento. Após antissepsia da cavidade oral, realizou-se o acesso ao dente por meio de técnica convencional. A luxação foi realizada com alavancas apropriadas, seguida da remoção do elemento dentário com o uso de fórceps adequado. O procedimento transcorreu sem intercorrências, com remoção íntegra do dente e preservação das estruturas anatômicas adjacentes. O alvéolo foi inspecionado, irrigado com solução fisiológica estéril e não apresentou necessidade de curetagem ou regularização óssea. A hemostasia foi obtida de forma espontânea e satisfatória, e a ferida operatória foi suturada conforme protocolo clínico. O paciente foi devidamente orientado quanto aos cuidados pós-operatórios, e foi prescrito dipirona 500 mg, de 6 em 6 horas, durante três dias, em caso de dor.  

Por fim, no dia 16 de outubro de 2024, foi realizada a exodontia do dente 38, sob anestesia local, utilizando-se seis tubetes de articaína a 4% com epinefrina 1:100.000, a fim de garantir anestesia eficaz e controle adequado da dor intraoperatória, considerando a complexidade anatômica do procedimento. Após antissepsia da cavidade oral, realizou-se o acesso ao dente por meio de incisão em região retromolar, seguida de descolamento mucoperiostal. O procedimento exigiu osteotomia parcial para exposição adequada da coroa dentária, com posterior odontosecção, permitindo a remoção em etapas, conforme indicação clínica. O dente foi removido em sua totalidade, sem intercorrências ou comprometimento das estruturas adjacentes. O alvéolo foi criteriosamente inspecionado e irrigado com solução fisiológica estéril. A hemostasia foi alcançada de forma eficaz, e a ferida cirúrgica foi suturada com fio de sutura apropriado. O paciente recebeu orientações pós-operatórias completas, abrangendo higiene, dieta, repouso e sinais de possível complicação, além da prescrição de dipirona 500 mg, de 6 em 6 horas, durante três dias, em caso de dor. Após a conclusão do diagnóstico e dos procedimentos pré-operatórios, foi realizada a exodontia dos remanescentes radiculares. A intervenção cirúrgica ocorreu dentro da normalidade esperada, obtendo êxito tanto no intraoperatório quanto na fase pós-operatória.  

O período pós-cirúrgico apresentou evolução clínica favorável, com resposta tecidual e inflamatória dentro dos padrões fisiológicos. As margens adjacentes ao campo cirúrgico cicatrizaram conforme o planejamento terapêutico, o que viabilizou o início da confecção das próteses totais. Evidenciando a necessidade de uso de próteses dentárias que recuperem todos os dentes perdidos, no final do processo reabilitador, a paciente apresentou fratura de incisivo central inferior esquerdo novamente, devido a sobrecarga de uso na mastigação, sendo que este elemento exercia a função de mastigação e formação do bolo alimentar por falta dos molares inferiores. Este elemento então, foi restaurado pela segunda vez num período de 12 meses, durante o processo reabilitador.  

Na (figura 4), observa-se a paciente utilizando, a prótese antiga e na (figura 5) as próteses novas, evidenciando os resultados obtidos com a reabilitação oral. Visto que a prótese antiga evidenciava o desvio da linha média inferior, sendo que a prótese total nova, pôde readequar esse alinhamento de modo a tornar a estética e oclusão mais satisfatórias.  

Figura 1 Achados clínicos iniciais. 

Fonte: Autoria Própria 

Figura 2 – Radiografia panorâmica e Radiografias periapicais 

Fonte: Autoria Própria

Figura 3 Aspecto da paciente sem uso de próteses (DVR) e Sorriso Edêntulo. 

Fonte: Autoria Própria

Figura 4 – Prótese total superior antiga  

Fonte: Autoria Própria

Figura 5 – Prótese total superior e PPR inferior novas  

Fonte: Autoria Própria

Discussão  

As consultas iniciais voltadas à avaliação clínica e ao diagnóstico representam um ponto decisivo para o sucesso nos tratamentos odontológicos. Nessas etapas, torna-se fundamental a realização de registros detalhados da documentação odontológica, como prontuários, exames complementares, modelos de estudo e fotografias clínicas. Além do valor técnico, esses registros têm caráter legal, podendo ser utilizados em processos judiciais como fonte de esclarecimento.  

No caso de pacientes totalmente edêntulos, é essencial documentar o máximo de detalhes anatômicos e orofaciais, contribuindo para uma abordagem personalizada e segura. As radiografias, quando interpretadas em conjunto com o exame clínico e a anamnese, constituem ferramentas valiosas para a detecção de alterações ósseas, raízes residuais e outras patologias não visíveis por métodos convencionais. Radiografias de menor complexidade técnica, como as periapicais e oclusais, são amplamente empregadas nos protocolos de reabilitação com próteses totais. Álvares e Tavando (2009) destacam a radiografia oclusal como uma técnica de fácil execução e especialmente útil em pacientes edêntulos para identificação de raízes residuais, dentes supranumerários ou inclusos.  

Autores como Ramalli (2012) e Leite et al. (2008) defendem a realização da radiografia panorâmica antes do início da reabilitação com próteses totais, considerando-a indispensável para avaliar potenciais complicações de forma abrangente. Paralelamente, Farman et al. (2014) e a ADA (2012) reforçam o papel da radiografia oclusal na mensuração da extensão vestíbulo-lingual de lesões, além de permitir o diagnóstico de fraturas, dentes inclusos, restos radiculares, corpos estranhos e cálculos salivares.  

Embora exames intrabucais e extrabucais permitam avaliar áreas extensas, é comum a ocorrência de distorções e sobreposições anatômicas que podem comprometer a acurácia diagnóstica. Nesse contexto, a radiografia panorâmica supera as limitações dos métodos convencionais, proporcionando informações essenciais que não são captadas por técnicas mais simples, ainda que apresente menor definição de detalhes em comparação à periapical.  

Apesar da abrangência restrita das radiografias periapicais e oclusais nas estruturas maxilo-mandibulares, elas permanecem como ferramentas frequentes na reabilitação com próteses totais. Estudos comparativos entre radiografias periapicais, panorâmicas e oclusais demonstram que a periapical é a técnica mais apropriada para pacientes edêntulos, seguida pela panorâmica e, por último, pela oclusal. Ainda assim, a associação entre radiografias periapicais e oclusais favorece um diagnóstico mais completo e preciso, otimizando o planejamento do tratamento protético.  

A moldagem é essencial para confeccionar uma prótese estável, confortável e funcional (Stefel, 1954). Trata-se da reprodução precisa dos contornos anatômicos, obtida por técnicas anatômicas ou funcionais, escolhidas conforme exame clínico do paciente (Zarb, 1984; Vergani, 2022). O uso de materiais adequados e a correta seleção da técnica influenciam diretamente na retenção e na longevidade da prótese. Tendo como base estes conhecimentos, e após as exodontias necessárias, foi realizada a moldagem anatômica e funcional da paciente.  

A reabilitação oral envolve múltiplas especialidades, como periodontia, endodontia, implantodontia e estética (Taques et al., 2020). Contudo, observa-se ainda negligência na prevenção e educação em saúde bucal entre adultos, o que aumenta a necessidade de tratamentos complexos em idosos (Probst et al., 2019). Para pacientes edentados totais, a prótese total com oclusão bilateral balanceada é uma abordagem amplamente adotada, promovendo equilíbrio das forças oclusais durante a mastigação (Christensen et al., 2018).  

Já as próteses parciais removíveis são eficazes e acessíveis, embora apresentem limitações estéticas. As próteses fixas oferecem melhor função e aparência, mas exigem preparo dos dentes vizinhos. Por fim, os implantes dentários representam a alternativa mais moderna, reunindo estética e funcionalidade superiores, embora exijam maior investimento financeiro (Barbosa et al., 2021).  

A escolha do tratamento deve considerar as expectativas do paciente, as condições locais e sistêmicas, e ser conduzida com clareza e ética pelo profissional (Abensur et al., 2022). Pacientes economicamente desfavorecidos, que buscam uma clínica escola para cuidados em saúde bucal, ou ainda a confecção de próteses dentárias, criam grandes expectativas em poder voltar a sorrir. Este trabalho demonstra que é possível o reestabelecimento da função e da estética, bem como  da qualidade de vida do indivíduo, mediante o uso de próteses bem adaptadas e confeccionadas de forma criteriosa. As próteses descritas neste caso, foram doadas a paciente, tendo em vista que a mesma não conseguiria arcar com os custos do trabalho protético. Ficou evidente a grande necessidade da população que muitas vezes não pode reabilitar o sorriso por questões financeiras, e neste âmbito, o SUS não alcança os cidadãos Porto-Velhenses, pois nosso município não fornece próteses dentárias à população.  

6. Conclusão  

A reabilitação oral é essencial para promoção da qualidade de vida do jovem ou idoso. Para além da função mastigatória, a restauração da estética, da fonética e da autoestima impacta profundamente o bem-estar geral. A abordagem clínica deve ser personalizada, multidisciplinar e baseada na ciência, garantindo ao paciente autonomia e saúde integral.  

A reabilitação oral apresentada neste relato de caso, realizada por meio da prótese total superior e da prótese parcial removível inferior, demonstrou-se eficaz na recuperação da função mastigatória, estética e fonética da paciente, promovendo não apenas a restauração da saúde bucal, mas também impacto positivo em sua autoestima e qualidade de vida.  

O êxito do tratamento confirma a importância do diagnóstico preciso, do planejamento criterioso e da execução técnica adequada, associados ao acompanhamento pós-operatório. Além disso, o caso reforça o papel social da odontologia, especialmente no âmbito das clínicas-escola, ao possibilitar acesso a terapias que muitas vezes não seriam viáveis para pacientes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Dessa forma, a prática odontológica reafirma sua função transformadora, unindo ciência, técnica e compromisso ético em benefício do paciente. 

Referências  

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