QUALITY OF LIFE OF ELDERLY PEOPLE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510131013
Caroline Sales Martins Pardo¹
Leticia Katiucia Gomes Robles¹
Rozinete dos Santos Gonçalves¹
RESUMO
A qualidade de vida da pessoa idosa tem se tornado um tema relevante nas últimas décadas, levando em consideração o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população mundial. Ter qualidade de vida significa bem-estar físico, mental, emocional e social e não somente ausência de doenças. O presente estudo tem como escopo analisar os fatores que influenciam a qualidade de vida na terceira idade, destacando medidas preventivas e de promoção à saúde. A problemática que envolve esta pesquisa busca identificar os principais fatores sociais, econômicos e emocionais que impactam a percepção de qualidade de vida na população idosa e como podem ser abordados para melhorar seu bem-estar? A metodologia utilizou-se da pesquisa qualitativa e bibliográfica do tipo exploratória e descritiva. Observou-se que existem fatores biopsicossociais que contribuem de forma positiva para a qualidade de vida nesse segmento etário. Ainda é fundamental a avaliação de políticas públicas ou serviços como programas sociais, análise dos centros de convivência, das unidades de saúde, fatores que impactam a vida dos idosos.
Palavras-chave: Sugere-se de 3 a 5 palavras, separadas entre si, por ponto final.
1. INTRODUÇÃO
O conceito de qualidade de vida do idoso envolve diferentes dimensões que vão além do estado físico e da ausência de doenças, pois é um fenômeno influenciado por inúmeros aspectos, tais como: biológico, dimensões psicossociais, os relacionamentos sociais, aspectos culturais e ainda relacionamento e participação social.
A qualidade de vida é uma construção dinâmica que é resultado da interação entre os diversos fatores e aspectos influenciadores, que se transforma em um padrão de vida com satisfação, promovendo a autonomia e a inclusão social do idoso.
O tema da qualidade de vida na terceira idade começou a ganhar destaque no país a partir da década de 1990, quando se passou a perceber claramente os efeitos do envelhecimento populacional em outros países. Nas décadas anteriores, a expectativa de vida no Brasil teve um aumento significativo por conta da melhoria das condições de saúde, saneamento e acesso aos serviços básicos.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira continua crescendo com uma mudança na sua estrutura etária da população. A população de idosos é a que mais cresce, fato que está relacionado a diversos fatores, tais como, elevação da expectativa de vida das pessoas e busca por uma melhor qualidade de vida.
A Constituição Federal de 1988 e a Política Nacional do Idoso (PNI) objetivam a promoção da longevidade com qualidade de vida para todas as idades, sendo que a diretriz da Política Nacional do Idoso estabelece em seu artigo 4º, a viabilizar de formas alternativas a participação, ocupação e a convivência do idoso, possibilitando seu convívio com às demais gerações. Por sua vez, o Estatuto do Idoso consolida esta política garantindo ao idoso os direitos relacionados a sua faixa etária (Brasil, 2006).
A partir da década de 1990, universidades, profissionais da saúde e movimentos sociais colocaram em suas pautas o referido tema e começaram a discutir mais ativamente o envelhecimento saudável, promovendo pesquisas, congressos e políticas voltadas à terceira idade.
A criação do Estatuto do Idoso em 2003, também é considerado um marco legal fundamental que veio para consolidar os direitos nas áreas de saúde, transporte, trabalho, moradia e assistência social para pessoas com mais de 60 anos, trazendo esse tema para o centro das discussões sobre políticas públicas.
A discussão sobre a qualidade de vida do idoso é fundamental devido ao envelhecimento crescente da população, o que demanda atenção especializada em saúde e políticas públicas. Essa análise ajuda a promover a autonomia e o bem-estar, reduzindo doenças e custos com saúde. Além disso, proporciona insights valiosos para futuras pesquisas e práticas de cuidado, assegurando uma vida digna e ativa para os idosos.
Nessa perspectiva, levantou-se a problemática sobre a qualidade de vida dos idosos: Quais são os principais fatores sociais, econômicos e emocionais que impactam a percepção de qualidade de vida na população idosa e como podem ser abordados para melhorar seu bem estar?
Entre as inúmeras hipóteses que buscam entender os fatores que influenciam o bem estar físico, psicológico e social dos idosos, acredita-se que a qualidade de vida pode estar ligada à manutenção de atividades físicas, sociais e mentais.
A qualidade de vida pode estar associada aos hábitos, valores e estilos de vida ao longo do envelhecimento, isto é, é preciso uma continuidade de hábitos, a manutenção de uma rotina que tinha na meia-idade. Outra hipótese bastante discutida é sobre o afastamento gradual das atividades sociais e profissionais por conta do envelhecimento natural.
O apoio da família, amigos e da comunidade é um fator determinante para o bem-estar na terceira idade, pois acredita-se que os laços sociais podem reduzir os riscos de depressão, isolamento e declínio cognitivo.
Essas hipóteses contribuem para um direcionamento de estudos e políticas voltadas ao melhoramento da qualidade de vida na terceira idade, destacando a suma importância de uma abordagem multidimensional que envolva profissionais da saúde, vínculos sociais, autonomia do idoso e bem-estar psicológico. Alguns estudos na área da Psicologia, Sociologia e Gerontologia apontam que a qualidade de vida de uma pessoa idosa faz alusão a presença de redes de apoio social, interações significativas, participação comunitária ou religiosa, sentimento de pertencimento e utilidade social, entre outras hipóteses.
Esta é uma pesquisa científica que se encaixa como uma pequena contribuição na seara do conhecimento, estando aberto a futuras considerações sobre o referido tema. Tendo em vista, que refletir sobre a qualidade de vida na terceira idade é um passo fundamental para combater o preconceito contra idosos e promover o respeito e a integração desse segmento na sociedade.
2. QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO
O envelhecimento é um processo natural na vida de todos os seres humanos, é uma etapa da vida, é uma experiência única e com diferenças na vida da pessoa, sendo um processo dinâmico e irreversível que estão ligados aos fatores biológicos, psíquicos e sociais (Mota; Oliveira e Batista, 2017).
Falar em qualidade de vida não é apenas falar de bem-estar físico, psicológico e saúde. A qualidade de vida é um conceito complexo e subjetivo, que pode variar de acordo com a percepção e experiência de cada indivíduo. Em geral, a qualidade de vida refere-se ao bem estar físico, mental, emocional e social de uma pessoa, englobando diversos aspectos da vida cotidiana. É importante ressaltar que a qualidade de vida é influenciada por fatores individuais, sociais, culturais e ambientais, e pode ser percebida de maneira diferente por cada pessoa. Portanto, a avaliação da qualidade de vida deve considerar a subjetividade e as necessidades específicas de cada indivíduo (Souza et al, 2019).
Quando o idoso vive com tranquilidade a fase idosa, a qualidade e a expectativa de vida são altas, o que contribui para a longevidade de indivíduos saudáveis, e para construção de um país mais desenvolvido, com expectativa de vida satisfatória ao cidadão. A população mundial tem se tornado cada vez mais idosa, em virtude da busca por hábitos mais saudáveis de vida, da evolução dos recursos tecnológicos do setor saúde e das baixas taxas de natalidade (Souza et al, 2019, p. 364).
É importante valorizar os idosos e incentivar sua participação social, reconhecendo a sabedoria e experiência que podem compartilhar. Quando os idosos são ativos e copartícipes em seu processo de saúde e doença, eles se tornam exemplos positivos para a sociedade.
O Estatuto do Idoso propõe, em relação às políticas públicas, a garantia de proteção e promoção dos direitos das pessoas idosas, incluindo medidas específicas relacionadas à saúde. São diretrizes que visam garantir a efetivação das políticas públicas voltadas para a saúde e bem-estar da população idosa, promovendo uma atenção digna e saudável aos idosos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2025 o Brasil será o sexto país no mundo com o maior número de idosos. A previsão é de um significativo aumento da população idosa no país, o que destaca a importância de identificar as condições que permitam um envelhecimento saudável, com boa qualidade de vida e senso pessoal de bem-estar (Mota, Oliveira e Batista, 2017). A hipótese de que a qualidade de vida na velhice está diretamente relacionada aos domínios físico, psicológico, social e ambiental, e que a satisfação com a vida atual e as expectativas positivas em relação ao futuro são indicadores de envelhecer bem. Ainda, a hipótese de que fatores biológicos, psíquicos e sociais influenciam o processo de envelhecimento, afetando a saúde física, mental e emocional dos idosos e sua qualidade de vida (Souza et al, 2019).
De acordo com Souza et al (2019) os idosos que expressam satisfação com a vida atual tendem a ter perspectivas mais positivas sobre o futuro. O estudo sugere que essa satisfação e expectativa podem ser indicativas de um envelhecimento bem-sucedido, contribuindo para a manutenção da autonomia e da participação social.
Nos países desenvolvidos a busca pela qualidade de vida tem sido um processo constante, tendo em vista o crescimento etário e numérico da população nas últimas décadas. Assim, é fundamental a adoção de padrões de excelência em relação aos padrões positivos de saúde e qualidade de vida, para que a população envelheça de forma ativa e autônoma por muito mais tempo (Ferreti et al, 2015).
Para Souza et al (2019) viver bem na terceira idade é um conceito que abrange uma variedade de fatores que impactam a qualidade de vida do idoso. Isso inclui a capacidade de exercer autonomia, permitindo ao idoso tomar decisões e realizar atividades cotidianas de forma independente. A participação ativa na vida social e em relações interpessoais é crucial para evitar o isolamento e a solidão.
Além disso, manter uma boa saúde tanto física quanto mental é fundamental para um envelhecimento saudável. As condições do ambiente ao redor, como suporte familiar e recursos disponíveis na comunidade, também desempenham um papel significativo na qualidade de vida. Nesse sentido, ter uma visão positiva da vida e expectativas otimistas sobre o futuro são elementos que contribuem para um viver bem. A inclusão dos idosos em serviços de saúde e atividades sociais é vista como essencial para promover essa qualidade de vida e garantir um envelhecimento satisfatório. Portanto, viver bem envolve a integração de diversas dimensões que influenciam a vida do idoso, promovendo um estado de bem-estar global (Souza et al, 2019).
De acordo com Cabral (2015) é importante a relação entre saúde e qualidade de vida para a compreensão que ter saúde na terceira idade não é apenas ausência de doenças. É fundamental que o idoso interaja e participe da vida em sociedade, tendo em vista que o envelhecimento não o afasta das atividades cotidianas, nem os torna alheios a realidade da vida. Muitos são os fatores que estão relacionados e associados a qualidade de vida, por isso, repensar as ações para elaboração de novas estratégias é de vital importância na busca de proporcionar melhorias nas condições de vida e saúde na terceira idade (Campos et al, 2014). Quantos aos fatores relacionados a qualidade de vida, Sousa et al (2019, p. 6) demonstra que:
Fatores sociodemográficos, psicossociais, espirituais, dentre outros, contribuem para a qualidade de vida. Ressalta-se também, a importância da família, do poder público e da sociedade como um todo na busca de conferir essa qualidade de vida. Considerando o envelhecimento um fenômeno social, entende-se que estratégias e ações sejam repensadas, reelaboradas e executadas com o intuito de proporcionar aos idosos uma qualidade de vida digna.
Esses fatores interagem de maneiras complexas e podem afetar tanto a saúde física quanto a saúde mental dos idosos, refletindo-se na sua percepção de qualidade de vida. Referências que podem ser úteis para aprofundar a compreensão destes fatores incluem estudos sobre gerontologia e saúde pública, que discutem as interações entre esses fatores demográficos e a qualidade de vida na população idosa.
Moreli (2022, p. 28) acrescenta que é preciso ter um novo olhar para a terceira idade:
Nos dias de hoje é notável que ainda há muito trabalho a ser feito, começando por uma mudança na percepção social da velhice, que intrinsecamente observa a ideia do envelhecer como algo naturalmente ruim, assim como atrela o valor social a posição de trabalho, gerando um estigma sobre aqueles que já não podem ou não devem mais trabalhar.
A aposentadoria é frequentemente percebida como uma libertação das obrigações de trabalho, permitindo que muitos explorem novos interesses, hobbies e atividades que não podiam realizar anteriormente. A percepção negativa da sociedade em relação ao envelhecimento pode influenciar a maneira como os idosos veem a si mesmos. Contudo, muitos tentam desafiar esses estereótipos, buscando ativos e significativos papéis na sociedade. Nesse entendimento, observa-se que o Brasil está entre os países com o crescimento acelerado da população idosa, o que urge de imediato políticas públicas com a criação de modelos de atenção integral a esse segmento, buscando colaborar e solucionar as questões mais relevantes em relação ao atendimento social e saúde dos idosos no país. Mesmo tendo um trabalho reconhecido pela sociedade brasileira, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é muito burocrático e sofre com falta de humanidade nos atendimentos, resultados de exames demorados e cansativos, o que faz o idoso procurar por várias vezes o atendimento para complementar o seu ciclo de consultas (Saidel & Campos, 2020).
2.1 A importância de uma vida saudável
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira continua crescendo com uma mudança na sua estrutura etária da população. A população de idosos é a que mais cresce, fato que está relacionado a diversos fatores, tais como, elevação da expectativa de vida das pessoas e busca por uma melhor qualidade de vida.
A velhice pode ser impactada pela ausência de atividades físicas, má alimentação e doenças nas fases anteriores, entre outros fatores, que podem levar a diminuição das habilidades motoras, deixando com maior lentidão e pode impactar nas atividades diárias do idoso (Elias, 2012).
As modificações na condição etária populacional que tem como característica o crescimento do número de indivíduos acima de certa idade, considerado como o começo da velhice é definida como o envelhecimento populacional (Andrade et al., 2012). O envelhecimento corresponde a um processo natural da vida, isto é, comum a todos os indivíduos e que promove alterações decorrentes de diversos aspectos. No entanto, o envelhecimento ocorre de forma e ritmo particular em cada ser humano (Almeida; Lourenço, 2007).
Para Veras, Caldas e Cordeiro (2013), é provável que essa população cresça de forma notável nos próximos anos, saindo de uma média de 20 milhões em 2010 para cerca de 65 milhões em 2050, o que certamente espelhará sobre os sistemas de saúde, que além da aumento de indivíduos nestas características, precisará se adaptar as diversas carências da população, e por se tratar de uma população idosa, esse envelhecimento populacional, necessitará de novas estratégias, capacidades e propostas que acolham as necessidades para os sistemas de saúde, tanto os públicos como os privados.
O Brasil hoje é um “jovem país de cabelos brancos”. A cada ano, 650 mil novos idosos são incorporados à população brasileira (…). O número de idosos no Brasil passou de 3 milhões, em 1960, para 7 milhões, em 1975, e 20 milhões em 2008 – um aumento de quase 700% em menos de 50 anos (Veras, 2009, p.549).
É notório que o processo de envelhecimento acarreta muitas modificações, de forma fisiológica, vinculadas a elementos biológicos, psicológicos e sociais, elementos estes relacionados com a fragilidade, e consequentemente, a vulnerabilidade. Em razão dessas condições o idoso pode ser acometido por doenças variadas, e estas, podem ocasionar ao mesmos restrições e diversas implicações, físicas ou psicológicas (Mallman et al., 2015).
Dessa forma, os idosos começaram a ter lugar de relevância na saúde pública, e essa parte populacional começou a ser uma das prioridades dentre as diversas questões de saúde sanitária, após pesquisas apresentarem os significativos gastos com saúde vinculados às internações e tempo de ocupação de leitos, que cresceram gradualmente de acordo com o avanço da idade dos idosos, incluindo o grande crescimento da população idosa no Brasil (Guedes et al., 2017).
O envelhecimento é algo que motiva agitações na Política de Saúde Pública, pois tem dificuldade em dar conta do número crescente da população idosa. As estimativas brasileiras fazem seu prenúncio de que até 2025 o Brasil será o sexto país do mundo com maior número de pessoas idosas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (GOMES et al., 2018, p.4).
Após essas pesquisas, é possível observar a relevância dos debates vinculados ao processo de envelhecimento saudável, ativo e com qualidade de vida. Como Diretrizes do Pacto pela Saúde, contempla-se: o Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e Pacto de Gestão. Sendo que a saúde do idoso surge como parte componente e relevante do Pacto pela Vida, correspondendo a uma das seis prioridades firmadas entre as três esferas de governo (Silva e Veloso, 2019).
A Política Nacional da Saúde do Idoso, por sua vez, tem como principal objetivo a promoção de uma qualidade de vida na terceira idade, uma capacidade funcional ampliada ou até mesmo estável, recuperação da saúde, assim como a precaução a patologias, e até a reabilitação, de forma que os mesmos consigam continuar incluídos nos meios sociais, assegurando-lhes sua independência e autonomia (Aveiro et al., 2011).
Além disso, a Constituição Federal de 1988 e a Política Nacional do Idoso (PNI) objetivam a promoção da longevidade com qualidade de vida para todas as idades, sendo que a diretriz da Política Nacional do Idoso estabelece em seu artigo 4º, a viabilizar de formas alternativas a participação, ocupação e a convivência do idoso, possibilitando seu convívio com às demais gerações. Por sua vez, o Estatuto do Idoso consolida esta política garantindo ao idoso os direitos relacionados à sua faixa etária (Brasil, 2006). O envelhecimento é um processo de experiência conquistado no decorrer dos anos, engrandecendo a vida do indivíduo e as que com ele coabitam, de maneira que a sabedoria e os conhecimentos obtidos possibilitam-lhe habilidades que o fazem capaz de tomar decisões quanto a diversos aspectos na vida, dessa forma, assegurar a dignidade da pessoa humana e a qualidade de vida é fundamental para que atinja o fim social desejável De acordo com os autores, esses fatores levam o idoso a uma menor participação e inserção social, tendo em vista as limitações de mobilidade e independência da pessoa, prejudicando a sua vida social e sua capacidade de realizar coisas comuns no dia a dia, ainda de segundo Locatelli e Vieira (2016, p. 70):
O ser humano apresenta uma série de mudanças psicológicas com o envelhecimento, que resultam da dificuldade de adaptações a novos papéis sociais, falta de motivações, autoimagem ruim, dificuldade de mudanças rápidas, perdas orgânicas e afetivas, suicídios, somatizações, paranoia e hipocondria (Locatelli e Vieira, 2016, p. 70).
Assim, é perceptível que a manutenção de um determinado padrão de atividade física se torna essencial para que o idoso adquira uma condição na qual possa ter energia e vitalidade suficientes para o desempenho de suas atividades diárias (Fachinetto et al, 2016).
Para Fachinetto et al (20165), com o passar dos anos é inevitável uma gradativa redução da capacidade dos sistemas do organismo humano em relação à sua eficácia, assim, a atividade física é fundamental com pessoas no processo de envelhecimento, tendo em vista que o declínio ocorre após os 50 anos, atingindo uma média de 15% ao ano.
Para que o idoso mantenha ou adquira uma boa qualidade de vida é importante a prática regular de atividades físicas, que pode ser caracterizada como qualquer movimento corporal, que tenha gastos energéticos e produza músculos e proporcione inúmeros benefícios: longevidade, redução das taxas de morbidade e mortalidade e prevenção cognitiva com redução de quedas e fraturas, independência e autonomia nas atividades diárias. Além dos benefícios físicos, a prática de atividades físicas influência no psicológico com a melhoria da autoimagem, autoestima e interação social. (Nascimento 2021).
São inúmeros os efeitos advindos de um estilo de vida saudável, de acordo com pesquisas, a redução com gastos de medicamentos para tratar problemas relacionados ao sedentarismo ou inatividade física. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), os exercícios proporcionam melhoria na qualidade de vida e um envelhecimento ativo com benefícios físicos, psicológicos e sociais, entre os inúmeros benefícios das atividades físicas praticados por idosos estão: melhoria no condicionamento físico, controle de peso, mobilidade, equilíbrio, interação social, controle de doenças, melhoria no sistema cardiovascular e redução do estresse (SBGG, 2017).
2.2 Desafios na promoção da qualidade de vida dos idosos
Mesmo com os avanços em relação a promoção da qualidade de vida da população da terceira idade, ainda existem algumas barreiras que “afeta o acesso dos idosos aos cuidados de saúde, limitando a qualidade da atenção, da proteção e da promoção da saúde dessa população” (Schenker e Costa, 2019, p. 1378). De acordo com os autores, o atendimento de doenças crônicas poderia ser de forma integral e não somente articulado em redes. A desarticulação das redes é um grande desafio que precisa ser superado para um melhor atendimento dos idosos no país.
Além da articulação das redes, os autores apontam outros desafios enfrentados na atenção à saúde da população idosa, por exemplo, barreiras geográficas e características do território tendem a influenciar e dificultar a acessibilidade, o que pode levar a limitação a busca por cuidados por parte do idoso (Schenker e Costa, 2019). Muitos dos desafios precisam de uma abordagem mais integrada e colaborativa na busca de melhorar a assistência a essa população.
As mudanças sociais e familiares, como o status das mulheres e os novos valores familiares, impactam a disponibilidade de apoio familiar para os idosos. Com uma previsão de que o número de cuidadores formais aumentará significativamente, é fundamental garantir que esse suporte seja efetivo e acessível (Inouye, 2010).
De acordo com Inouye et al (2010) há uma necessidade de sensibilizar a sociedade e os formuladores de políticas sobre a importância da saúde e bem-estar dos idosos. Isso inclui a adoção de práticas que promovam um ambiente social e físico inclusivo e favorável ao envelhecimento.
As tensões entre as famílias dos idosos e a equipe sugerem a necessidade do fortalecimento da rede de apoio ao idoso e da qualificação dos profissionais de modo que possam ter uma postura mais compreensiva em relação às questões que envolvem a família. São muitos os desafios enfrentados pela família no cuidado de um idoso, que podem gerar desgaste físico, emocional e grande sobrecarga de tarefas no seu cotidiano (Schenker e Costa, 2019, p. 10).
A dinâmica familiar desempenha um papel crucial na qualidade de vida dos idosos, com relações positivas contribuindo para uma melhor autoestima, maior participação social e, consequentemente, uma vida mais satisfatória.
São inúmeros os fatores que agravam a vulnerabilidade da população idosa, o que dificulta o acesso aos serviços de saúde, problemas como mobilidade, dependência financeira, custos dos medicamentos entre outros, esses fatores somados aprofundam as desigualdades sociais no país (Ribeiro, 2025).
(…) a qualidade de vida é o produto de uma série de comportamentos adotados pelos idosos, não sendo influenciada por apenas um componente. Ademais, fatores sociais como renda, etnia, escolaridade e estado conjugal também podem interferir nas condições de vida dessa população e consequentemente na sua percepção de qualidade de vida.
Entre outros problemas enfrentados pelo grupo da terceira idade, faltam profissionais em geriatria e gerontologia, genericamente, o que pode se observar um financiamento para atendimentos rápidos, procedimentos e cirurgias em detrimento a um atendimento que leve em consideração mais tempo de consulta, de escuta e atenção (Ribeiro, 2025). Por isso, de acordo com Ribeiro (2025, on-line) “o fortalecimento da atenção primária à saúde é fundamental para um bom atendimento aos pacientes idosos. Para o médico, esse atendimento deve ocorrer de forma multidisciplinar, com profissionais que tenham uma visão geriátrica e gerontologia”.
Apesar dos avanços, algumas barreiras persistem, afetando o pleno acesso dos idosos aos cuidados de saúde, limitando a qualidade da atenção, da proteção e da promoção à saúde dessa população. O cuidado aos usuários com doenças crônicas deve acontecer de modo integral, o que só é possível se articulado em rede. A desarticulação das redes intra e intersetoriais, apontada como uma fragilidade nesse estudo, mostra-se um desafio a ser superado (Schenker e Costa, 2019, p. 10).
Segundo Ferreira, Meireles e Ferreira (2018), apesar dos avanços nos mecanismos para melhorar a vida do idoso, ainda existem grandes desafios a serem superados na promoção da saúde e qualidade de vida desse grupo. Para os autores, um dos principais problemas está relacionado à falta de ferramentas específicas de avaliação dos componentes de estilo de vida e como os mesmos interagem entre si e afetam a saúde do grupo da terceira idade.
Nesse sentido, observa-se que há dificuldade para implementar novas estratégias preventivas e eficazes, levando em consideração que o envelhecimento da população ocorre de forma acelerado, como é o caso do Brasil, que tem enfrentado um aumento contínuo desse grupo populacional, sendo de vital importância a ampliação dos recursos e políticas públicas de saúde para esse público (Ferreira, Meireles e Ferreira,2018).
As redes de apoio social precisam de fortalecimento, pois o aumento do nível de atividade social por meio de intervenções bem-sucedidas, tendem a melhorar de forma significante a percepção de qualidade de vida dos idosos (Ferreira, Meireles e Ferreira, 2018).
3. METODOLOGIA
Este estudo tem como objetivo analisar os fatores que influenciam a qualidade de vida na terceira idade, destacando medidas de prevenção à saúde. A pesquisa é de abordagem qualitativa e bibliográfica, com recorte temporal de 2015 a 2025 e aborda aspectos como a importância da atividade física, alimentação, suporte familiar e políticas públicas voltadas para os idosos.
De acordo com Matias-Pereira (2016, p.86) também pode ser classificada como pesquisa exploratória: pois, busca se familiarizar com os fenômenos surgidos durante a pesquisa, explorando os próximos passos mais profundamente e com maior precisão, para o autor a pesquisa “lida com fenômenos: prevê a análise hermenêutica dos dados coletados”. Quanto aos objetivos é classificada como exploratória e descritiva.
Trata-se de uma revisão bibliográfica, que se apresenta como um método que proporciona a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática, determinando o conhecimento atual sobre uma temática específica, já que é conduzida de modo a identificar, analisar e sintetizar resultados de estudos independentes sobre o mesmo assunto (Gil, 2022).
O estudo justifica-se diante do envelhecimento populacional brasileiro e a necessidade de assegurar bem-estar, autonomia e integração social à pessoa idosa.
De acordo com Gil (2022), a revisão bibliográfica é considerada a base das pesquisas científicas, tendo em vista que, para desenvolver uma pesquisa em um campo de conhecimento é preciso entender e discutir o que já foi produzido por outros pesquisadores.
Entre os principais estudos analisados, Ferreira, Meireles e Ferreira (2018) contribuem ao abordarem a avaliação do estilo de vida e qualidade de vida em idosos, enquanto Inouye et al. (2010) enfocam as percepções de suporte familiar e sua relação com a qualidade de vida na terceira idade.
Já Hansel et al. (2020) acrescentam ao estudo ao investigar as demandas no itinerário terapêutico de idosos, reforçando a compreensão dos fatores que impactam esse segmento, entre outros que foram devidamente citados nesse estudo.
Entre os desafios identificados, destacam-se a acessibilidade aos serviços de saúde, a desarticulação das redes de atenção e o enfraquecimento dos laços familiares. A proposta visa contribuir com o conhecimento acadêmico e a valorização da terceira idade.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção serão apresentados os dados resultantes da revisão bibliográfica analisando a qualidade de vida na terceira idade através dos artigos que foram selecionados para compor a amostra deste estudo. Os resultados encontrados vão de encontro com os objetivos propostos nesta pesquisa. A análise ampla da literatura demonstrou que a atividade física regular está entre os fatores que são associados positivamente, sendo assim, idosos que praticam atividades físicas têm melhores condições em domínios físicos e mentais. Isso associado a uma alimentação adequada, com boas relações sociais, participação em grupos e rede de apoio social, evitando o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
Para este estudo foram selecionados 30 artigos nas bases eletrônicas Scielo e Google, onde foram realizadas as leituras e posteriormente selecionados 21 artigos para análise final. A seleção das literaturas para o desenvolvimento desta pesquisa está descrita abaixo (quadro 1) levando em consideração, autores, qualidade do método utilizado, os critérios de inclusão, principalmente relacionado a questão da qualidade de vida nos grupos de terceira idade que foram publicados em revistas científicas:
Quadro 1- Resultado da seleção dos artigos de acordo com o título
| Autor (es) | Título | Objetivo Geral | Considerações Finais |
| TORRES, K.R.B.O; CAMPOS, M.R; LUIZA, V.L; CALDAS, C.P. | Evolução das políticas públicas para a saúde do idoso no contexto do Sistema Único de Saúde. | Apresentar uma reflexão acerca da trajetória do desenvolvimento da política pública de saúde voltada para o idoso, cotejada com a evolução dos indicadores da saúde dos idosos propostos no Pacto pela Saúde e no Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde. | A consolidação das políticas públicas de saúde, especialmente aquelas ligadas à APS, permanece sendo o grande desafio à garantia da integralidade no cuidado ao idoso. |
| SAIDEL, M. G. B.; CAMPOS, C. J. G. | A percepção dos profissionais de saúde sobre o cuidado ao idoso | Compreender as percepções da equipe de um Centro de Atenção Psicossocial sobre o cuidado ao idoso. | O estudo contribui com esclarecimentos a serem abordados em estudos de intervenção para potencializar a transformação do cuidado. |
| HANSEL, C. G. et al. | Demandas no itinerário terapêutico de idosos: um estudo descritivo | Analisar as demandas no itinerário terapêutico de idosos na rede de saúde. | O estudo indica que existe a necessidade de avaliações e intervenções de enfermagem sensíveis às vivências do idoso nos diferentes níveis de atenção. |
| SOUZA, M.C; VIANA, J.A; SILVA, R.A; QUIXABEIRA, A.P; SANTANA, M.D.O; FERREIRA, R.K.A. | Qualidade de vida de idosos: Um estudo com a terceira idade | Avaliar a qualidade de vida da população idosa do CRAS de Augustinópolis, segundo o instrumento desenvolvido pelo World Health Organization Quality of Life Group (Grupo WHOQOL). | Conclui-se a importância do empoderamento do idoso e da sua inserção nos serviços de saúde e convivência social, a exemplo do grupo de idosos do CRAS, como mecanismos para prestação da assistência ampliada a essa população. |
| CAPANEMA, B.S.V; FANK, F; MAZO, G.Z. | Prescrição e Orientação de atividade física para idosos longevos | Descrever e discutir a prescrição e orientação de atividade físicas para idosos longevos, pessoas com 80 anos ou mais de idade, sob o ponto de vista teórico | A atividade física e a redução do comportamento sedentário pode desempenhar um papel importante na prevenção e diminuição do quadro de sarcopenia e fragilidade. Além do mais, as intervenções por meio do exercício físico podem prevenir, controlar, reabilitar as demais condições de saúde desta população. |
| FACHINETO, S; BERTÉ, J; SILVA, B.M; GUARESCHI JUNIOR, L.P. | Efeitos de um programa de exercícios físicos sobre variáveis fisiológicas, musculares e metabólicas em mulheres da meia idade e terceira-idade | Analisar os efeitos de um programa de exercícios físicos sobre variáveis fisiológicas, musculares e metabólicas em 30 mulheres da meia idade e da terceira idade, residentes no município de São Miguel do Oeste-SC. | Conclui-se que o programa de exercícios contribuiu para a manutenção e melhoria da saúde fisiológica, metabólica e muscular das mulheres participantes. |
| CAMPOS, A. C. V.; CORDEIRO, E. C.; REZENDE, G. P.; VARGAS, A. M. D.; FERREIRA, E. F. | Qualidade de vida de idosos praticantes de atividade física no contexto da estratégia saúde da família | Descrever o perfil sociodemográfico e avaliar a relação de interdependência entre a qualidade de vida de idosos e a atividade física, diante de possíveis fatores determinantes. | Conclui-se que existe uma relação de interdependência positiva entre alta qualidade de vida dos idosos e prática de atividades físicas regulares, que parece ser mais influenciada pela ausência de depressão, maior capacidade cognitiva e boa funcionalidade familiar. |
Fizeram parte desse estudo 21 artigos publicados em periódicos (revistas científicas), 03 publicações em blogs (sites) especializados e 02 Trabalho de Conclusão de Curso. Ainda foram devidamente citados nas referências 02 livros de metodologia científica e 01 manual do Ministério da Saúde. Porém, foram colocados no quadro 1 acima, somente as publicações mais recentes dentre as selecionadas.
Os resultados apontam que os determinantes para a qualidade de vida na terceira idade estar relacionada com seus determinantes, implicações, variações e as devidas intervenções para melhorá-la. De acordo com os estudos, a qualidade de vida é algo que envolve bem-estar subjetivo, saúde física, capacidade funcional, boa saúde mental, interações nas relações sociais, a importância do ambiente, autonomia, sentido e propósito na vida.
De maneira geral, as pesquisas associam a saúde física e funcionalidade como fatores essenciais para uma melhor qualidade de vida na terceira idade Quanto mais independência para o desenvolvimento de atividades do cotidiano, melhora a qualidade de vida, nessa perspectiva, a presença de doenças crônicas, limitações nas atividades diárias, dores, mobilidade reduzida são considerados fatores negativos e preditores de pior qualidade de vida.
Algumas lacunas são apontadas no decorrer dos estudos, tendo em vista que muitos são transversais, o que pode limitar inferências de causalidade, não podendo dessa maneira afirmar com certeza se os fatores citados causariam melhora ou piora da qualidade de vida, ou o inverso. Alguns estudos, mede a qualidade de vida através de pesquisas realizadas com questionários autorrelatados, o que traz subjetividade nas respostas e pode depender muito da cultura, das expectativas pessoais e mesmo da adaptação ao envelhecimento.
Nesse sentido, observou-se que há variações nos instrumentos utilizados pelos pesquisadores, o que dificulta comparações entre regiões ou países, tendo em vista que as respostas podem variar conforme a cultura, classe social ou gênero.
O estudo de Folador e Siqueira (2022) objetivou identificar a importância da qualidade de vida na saúde do idoso, através de uma visão integral e individualizada em relação aos cuidados que devem ser dados ao grupo da terceira idade. Evidenciou-se a relevância de estratégias baseadas na humanização, prevenção e atenção multidisciplinar que promovam saúde física e mental, por meio de ações preventivas, estímulo a hábitos de vida saudáveis, como prática de exercícios regularmente, alimentação balanceada e interação social são elementos essenciais para alcançar uma vida saudável.
Para Ferreira, Meireles e Ferreira (2018), alguns elementos são necessários e fundamentais para uma boa qualidade de vida nessa fase da vida, é preciso ter estilo de vida como atividade física habitual, alimentação adequada, composição corporação, moderação no uso do álcool, não fazer uso do tabagismo e ter boas relações sociais. De acordo com os autores, não é um único componente que define a qualidade de vida e sim a interação de diversos componentes sociais e psicossociais.
Numa abordagem genérica dos autores referendados nesse estudo, uma vida saudável na terceira idade é de vital importância pois promove a saúde física e mental, contribui para a prevenção de doenças crônicas, melhora a autonomia e consequentemente a qualidade de vida, potencializando o bem-estar do indivíduo em todas as esferas.
A adoção de um novo estilo de vida é um mecanismo eficaz na prevenção de complicações decorrentes de doenças ou limitações físicas, pois favorece o funcionamento cognitivo e emocional, reforçando a capacidade de adaptação e interação social ao longo do processo de envelhecimento.
Nesse sentido, investir em hábitos saudáveis é fundamental para o bem-estar integrador e melhora da percepção de uma qualidade de vida em todas as fases da vida, principalmente na terceira idade.
Segundo Souza et al (2019), a saúde do idoso enfrenta diversos desafios, principalmente no que se refere a qualidade de vida, tanto fatores individuais, quanto aos relacionados a contextos sociais e estruturais.
A falta de ferramentas específicas e abrangentes para que se possa fazer uma avaliação dos componentes do estilo de vida dos idosos, dificulta que novas políticas públicas sejam desenvolvidas para um atendimento eficaz com suas devidas intervenções (Souza et al, 2019). No mesmo entendimento, acredita-se que as desigualdades sociais e econômicas também são um grande desafio, fator que influencia no acesso aos recursos de serviços de saúde e outras estratégias de envelhecimento ativo. Por exemplo, idosos com renda insuficiente para investir em qualidade de vida, pessoas com baixa escolaridade e isoladas socialmente apresentam menor percepção do que seria viver bem na terceira idade, o que dificulta a implementação ações que garantam equidade.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo aborda a questão da qualidade de vida na terceira idade, onde destacou-se o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população como fenômeno mundial. Nas últimas três décadas, o debate sobre envelhecimento saudável vem ganhando destaque, impulsionado pelos avanços das políticas públicas, como o Estatuto do Idoso de 2003, onde foram consolidados direitos e promoveram atenção especial as necessidades dessa faixa etária.
A qualidade de vida nessa fase é um tema multifacetado, pois abrange fatores físicos, emocionais, sociais e ambientais. Para que o envelhecimento saudável seja promovido e alcançado é preciso investimento em ações que favoreçam a saúde, a autonomia e a inclusão dos idosos.
A construção de uma boa qualidade de vida exige uma abordagem ampla que venha reconhecer os aspectos culturais, psicossociais, ambientais e sua importância, o envelhecimento deve estar na pauta de discussões de toda a sociedade objetivando a promoção de uma vida digna, plena e com sentido para essa faixa etária.
Quanto à problemática desse estudo, a análise revela que são inúmeros os fatores que contribuem para a percepção da qualidade de vida, incluindo fatores biopsicossociais, como condições de saúde, suporte familiar, as relações sociais, renda insuficiente e fatores emocionais.
Todos esses fatores estão interligados e a sua influência pode ser mitigada pelas políticas públicas, programas sociais, fortalecimento da atenção primária à saúde, além de campanhas de conscientização sobre a mudança de percepção do envelhecimento. Uma abordagem humanizada e interdisciplinar contribui de forma significativa para o melhoramento da saúde e o bem-estar dos idosos, promovendo dessa forma uma vida com mais qualidade e dignidade.
Entre os desafios estão a falta de ferramentas específicas para a avaliação, as desigualdades sociais e econômicas que privam grande parte de idosos a terem acesso aos serviços de saúde. É preciso superar essas barreiras para garantir políticas eficazes e com equidade para que promova o envelhecimento ativo e com qualidade de vida.
Portanto, evidenciou-se que a prática de atividades físicas de forma habitual, uma boa alimentação e o fortalecimento das redes sociais contribuem para que o idoso tenha melhor qualidade de vida. Ainda, é preciso integrar os serviços de saúde e a atenção multidisciplinar para o enfrentamento dos desafios que cercam o envelhecimento, com destaque as políticas públicas e a necessidade da promoção de ações preventivas e de suporte ao idoso.
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1Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade do Amazonas – UNAMA Campus: Porto Velho RO.
