PSYCHOLOGY AND ELDERLY: A LOOK AT THE CONTRIBUTION OF A POSITIVE APPROACH TO ACTIVE AGING AND QUALITY OF LIFE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511162354
Rayanne Alves Oliveira1
Maria Lindoraci Saraiva Sobral2
Maria Cátia Eliana Roque Bonfim3
Lucas Oliveira Borges4
Resumo
Este artigo analisa de que forma intervenções de Psicologia Positiva contribuem para o envelhecimento ativo, fortalecendo o bem-estar, a autonomia e a qualidade de vida de pessoas idosas. Trata-se de revisão sistemática da literatura, conduzida segundo as diretrizes PRISMA, com buscas planejadas nas bases SciELO, BVS e Scopus (2015–2025) e uso de descritores combinados por operadores booleanos. Serão elegíveis estudos empíricos e revisões sistemáticas em português que investiguem intervenções como gratidão, mindfulness, rememoração positiva, propósito de vida e engajamento social. A síntese qualitativa seguirá abordagem temática, com categorias previstas de análise: bem-estar emocional, autonomia/participação social, propósito/realizações e vínculos afetivos/comunitários. Espera-se identificar evidências sobre efeitos em resiliência, afeto positivo, sentido de vida e satisfação, bem como lacunas metodológicas e implicações para políticas e práticas de Psicologia do Envelhecimento. Os achados serão apresentados por meio de fluxograma PRISMA e tabela dos estudos incluídos. Conclui-se que a Psicologia Positiva oferece arcabouço promissor para promover um envelhecer pleno, digno e participativo, sem negligenciar desafios próprios da velhice.
Palavras-chave: psicologia positiva. envelhecimento ativo. bem-estar. qualidade de vida. idosos.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é uma das transformações demográficas mais marcantes do século XXI e impõe desafios sanitários e sociais que ultrapassam a mera ampliação da longevidade. Projeções recentes indicam que, até 2030, uma em cada seis pessoas terá 60 anos ou mais; em 2050, a população 60+ pode alcançar 2,1 bilhões, com crescimento acelerado do contingente 80+ — cenário que exige orientar políticas e práticas para garantir “anos com vida”, e não apenas mais anos de vida (OMS, 2022, conforme síntese editorial do II Seminário Gerontológico). (GALVÃO & SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024).
Nesse contexto, o envelhecimento ativo consolida-se como estratégia de otimização de oportunidades de saúde, participação e segurança, articulando comportamentos saudáveis, autonomia e acesso a serviços, ao lado de ambientes e políticas amigáveis à velhice. Revisão integrativa recente destaca que intervenções multicomponentes — atividade física regular, alimentação equilibrada, engajamento social e estimulação cognitiva — associam-se a melhor qualidade de vida e prevenção de condições crônicas, especialmente quando apoiadas por programas de educação em saúde e ações intersetoriais, (PUGLIA et al., 2024).
A Psicologia Positiva (PP) oferece um enquadramento complementar ao trazer para o centro do cuidado emoções positivas, forças e virtudes, além do papel das instituições no florescimento humano. Na meia-idade e na velhice, práticas como gratidão, mindfulness, propósito de vida, rememoração positiva e fortalecimento de vínculos têm sido descritas como potenciais promotoras de bem-estar e de maior resiliência frente a perdas e adversidades, contribuindo para um envelhecer mais satisfatório e significativo, (OLIVEIRA, 2021).
Evidências recentes reforçam essa direção ao relacionar emoções positivas e atitudes mais favoráveis ao envelhecimento com melhor saúde, menor risco de mortalidade e maior longevidade. Em paralelo, a literatura enfatiza vias prováveis de ação — da regulação do estresse e da inflamação à melhoria de comportamentos de saúde e do suporte social — e aponta intervenções de PP (p.ex., exercícios de gratidão e práticas de atenção plena) como ferramentas pragmáticas para elevar bem-estar e reduzir sintomas depressivos em pessoas idosas, (CASTRO & GALVÃO, 2024).
No campo aplicado brasileiro, análises recentes sublinham a necessidade de abordagens holísticas que contemplem dimensões biopsicossociais, combatam o idadismo, fortaleçam a autonomia e expandam oportunidades de participação social — agenda em que a Psicologia tem papel estruturante na promoção de qualidade de vida. (ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
Apesar desses avanços, persiste uma lacuna de sistematização crítica especificamente sobre intervenções baseadas na Psicologia Positiva voltadas a pessoas idosas e seus efeitos sobre bem-estar subjetivo, autonomia e participação social no contexto lusófono. À luz disso, este artigo apresenta uma revisão sistemática que investiga de que forma as intervenções da Psicologia Positiva contribuem para a promoção do envelhecimento ativo e para o fortalecimento do bem-estar e da autonomia em idosos, mapeando evidências, limites metodológicos e implicações para a prática e para políticas públicas. (PUGLIA et al., 2024; OLIVEIRA, 2021; CASTRO & GALVÃO, 2024; ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Transição demográfica e o paradigma do Envelhecimento Ativo/Saudável
A mudança demográfica em curso é inequívoca: o mundo envelhece rápido e de forma heterogênea. Estimativas recentes sintetizadas em obra coletiva de gerontologia indicam que, até 2030, 1 em cada 6 pessoas terá 60 anos ou mais, passando de 1 bilhão (2020) para 1,4 bilhão em 2030; em 2050, a população 60+ pode atingir 2,1 bilhões, e o contingente 80+ deve triplicar (426 milhões). Esse quadro coloca no centro da agenda pública não apenas a extensão da longevidade, mas a necessidade de garantir “anos com vida” — qualidade, capacidade funcional e participação — ao longo do curso de vida (GALVÃO & SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024, p. 8-10).
Nesse cenário, a Década do Envelhecimento Saudável 2020–2030 consolida um paradigma orientado à capacidade funcional, propondo quatro áreas prioritárias: (1) alinhar os sistemas de saúde a populações mais velhas; (2) desenvolver cuidados de longa duração; (3) criar ambientes favoráveis (age-friendly); e (4) aprimorar medição, monitoramento e compreensão do envelhecer. O foco desloca-se de modelos curativos centrados na doença para cuidados integrais e centrados na pessoa, articulando saúde, proteção social e políticas urbanas que sustentem a autonomia e a participação das pessoas idosas (GALVÃO & SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024, p. 8-10).
O envelhecimento ativo emerge como estratégia operacional desse paradigma ao otimizar oportunidades de saúde, participação e segurança, ganhando corpo em abordagens multicomponentes. Síntese recente de literatura identifica que combinar atividade física regular, dieta equilibrada, participação social e estimulação cognitiva promove bem-estar geral e previne condições crônicas; além disso, educação em saúde e políticas públicas que fomentem ambientes amigáveis figuram como pilares para sustentar a autonomia e a qualidade de vida (PUGLIA et al., 2024).
No Brasil, a transição demográfica acelerada expõe uma tensão entre o rápido aumento da população idosa e a capacidade dos sistemas de responderem com ações biopsicossociais. A literatura nacional tem sublinhado a importância de programas de convivência, oportunidades de aprendizagem ao longo da vida e redes de suporte como determinantes de qualidade de vida, apontando que ainda há lacunas na preparação social e institucional para um envelhecer com participação e dignidade (ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
Por fim, cabe lembrar que o paradigma do envelhecimento saudável integra dimensões físicas, mentais e sociais de saúde — em diálogo com a definição ampliada de saúde e com propostas que valorizam emoções positivas, propósito e vínculos como recursos de proteção. Nesse sentido, leituras contemporâneas aproximam Psicologia Positiva e envelhecimento ativo ao defenderem políticas e práticas que reconheçam capacidades, fortaleçam redes e combatam estereótipos etários, como parte de uma adaptação social mais ampla a sociedades longevas (OLIVEIRA, 2021; CASTRO & GALVÃO, 2024).
2.2 Conceito de Envelhecimento Ativo e abordagens multicomponentes
O envelhecimento ativo designa um modo de organizar políticas e práticas que otimizam oportunidades de saúde, participação e segurança para que as pessoas envelheçam com qualidade de vida. Nas diretrizes recentes sintetizadas no livro de atas do II Seminário Gerontológico, a OMS desloca o foco para a capacidade funcional ao longo do curso de vida e propõe quatro frentes prioritárias: (1) alinhar sistemas de saúde a populações mais velhas; (2) desenvolver cuidados de longa duração; (3) criar ambientes amigáveis; e (4) aprimorar medição e monitoramento (GALVÃO & SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024, p. 8–10).
Tal paradigma se traduz, na prática, em abordagens multicomponentes que integram hábitos e contextos. Em revisão integrativa, PUGLIA et al. (2024) identificam maior efetividade quando atividade física, dieta equilibrada, participação social e estimulação cognitiva são combinadas, com programas de educação em saúde e políticas públicas que promovem ambientes age-friendly—um desenho holístico e integrado que responde melhor à complexidade do envelhecer. (PUGLIA et al., 2024).
A literatura brasileira reforça o componente biopsicossocial dessas estratégias. ROCHA, VERAS & AMORIM (2024) destacam que convivência em grupo, novas aprendizagens e papéis sociais significativos ampliam a percepção de potencialidades, combatem o isolamento e repercutem na qualidade de vida, sobretudo quando articulados a ações intersetoriais e contextos de inclusão (ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
Ao lado desses eixos, intervenções psicológicas orientadas para forças, virtudes e emoções positivas podem potencializar resultados dos programas multicomponentes. OLIVEIRA (2021) descreve que gratidão, mindfulness, propósito de vida, perdão e rememoração positiva são processos que favorecem bem-estar e florescimento em pessoas 50+ e idosas, dialogando com a definição ampliada de saúde da OMS e com a meta de “anos com vida” (OLIVEIRA, 2021).
Por fim, evidências sintetizadas no capítulo “Psicologia positiva na longevidade” indicam que emoções positivas e suporte social associam-se a melhor saúde e maior longevidade, por vias como regulação do estresse, redução de inflamação e adoção de comportamentos saudáveis (CASTRO & GALVÃO, 2024). Integrar tais componentes microssociais (práticas e atitudes) a arranjos macrossociais (serviços, LTC e cidades amigáveis) torna o envelhecimento ativo exequível no território e coerente com o princípio de capacidade funcional ao longo da vida (CASTRO & GALVÃO, 2024; GALVÃO & SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024).
2.3 Fundamentos da Psicologia Positiva (PP) aplicados ao envelhecer
A Psicologia Positiva (PP) desloca o foco tradicional do déficit para o florescimento humano, valorizando emoções positivas, forças e virtudes, e o papel das instituições no bem-estar. Aplicada à velhice, essa abordagem oferece um enquadramento para promover satisfação com a vida, propósito e resiliência, elementos decisivos quando aumentam as perdas e transições do curso de vida. Em revisão narrativa dirigida ao público 50+ e idoso, OLIVEIRA destaca que práticas como gratidão, mindfulness, perdão, propósito e rememoração positiva são vias pragmáticas para sustentar bem-estar e qualidade de vida, alinhadas à concepção ampliada de saúde da OMS (saúde física, mental e social). A síntese reforça ainda a ideia de “anos com vida” e não apenas mais anos de vida, norteando intervenções psicológicas para o envelhecer (OLIVEIRA, 2021).
Do ponto de vista conceitual, a PP se organiza em três pilares — estudo das emoções positivas, dos traços positivos (forças e virtudes) e das instituições que favorecem o bem-viver — e, na prática, costuma ser operacionalizada em programas que combinam exercícios de gratidão, atenção plena, identificação e uso de forças e busca de sentido. Ao adaptar esses componentes para idosos, enfatiza-se a autorreferência realista (reconhecimento de ganhos e perdas), o reengajamento em papéis significativos e o fortalecimento de vínculos (familiares, comunitários), o que favorece autonomia e participação social — pilares do envelhecimento ativo (OLIVEIRA, 2021; CASTRO & GALVÃO, 2024).
A base teórica que sustenta a PP na velhice é robusta. A teoria “ampliar-e-construir” das emoções positivas propõe que afetos positivos ampliam repertórios atencionais e comportamentais e constroem recursos duradouros (cognitivos, sociais e fisiológicos), com implicações claras para resiliência em idades avançadas (FREDRICKSON, 2001). Por sua vez, evidências da psiconeuroimunologia indicam que a redução sustentável de estresse e emoções negativas associa-se a melhor regulação inflamatória, com efeitos em condições crônicas comuns na velhice (KIECOLT-GLASER et al., 2002). Em paralelo, sínteses recentes descrevem caminhos plausíveis que conectam emoções positivas e saúde no fim da vida — como menor ativação do eixo do estresse, maior adesão a comportamentos saudáveis e suporte social mais denso (ONG, 2010).
No plano aplicado, intervenções de PP demonstram melhorar bem-estar e reduzir sintomas depressivos em diferentes públicos, inclusive mais velhos, quando implementadas como protocolos breves e estruturados (PARK & PETERSON, 2009). Além disso, conexões e apoio social — frequentemente potencializados por práticas de propósito, gratidão e engajamento comunitário — associam-se a menor risco de mortalidade e melhor saúde global, reforçando o elo entre componentes microssociais da PP e resultados em saúde (HOLT-LUNSTAD et al., 2015). Quando integradas a abordagens multicomponentes (atividade física, estimulação cognitiva, educação em saúde e ambientes amigáveis), as práticas da PP tendem a produzir ganhos sinérgicos em capacidade funcional e qualidade de vida, conforme revisão integrativa sobre envelhecimento ativo (PUGLIA et al., 2024).
Por fim, aplica-se uma lente biopsicossocial: programas de convivência, aprendizagem ao longo da vida e papéis sociais significativos ampliam a percepção de potencialidades, combatem o isolamento e sustentam a autonomia — condições em que exercícios de PP encontram ambiente fértil para gerar efeitos duráveis (ROCHA; VERAS & AMORIM, 2024). Em síntese, os fundamentos da PP, aliados a políticas e serviços centrados na pessoa, dão base teórica e prática para integração entre bem-estar subjetivo, participação e segurança, pilares do envelhecimento ativo.
2.4 Vias de ação da PP na saúde e longevidade
A Psicologia Positiva (PP) opera por mecanismos que conectam emoções, cognição, comportamento e redes sociais a desfechos de saúde e longevidade. No plano conceitual, a teoria “ampliar-e-construir” propõe que emoções positivas ampliam repertórios atencionais e comportamentais e constroem recursos duradouros (cognitivos, sociais e físicos), favorecendo resiliência e adaptação em idades avançadas (FREDRICKSON, 2001). Sínteses recentes sobre PP e longevidade reforçam esse enquadramento ao destacar que atitudes e afetos positivos se associam a melhor saúde e a trajetórias de vida mais satisfatórias na velhice (CASTRO & GALVÃO, 2024).
No eixo biológico, a literatura de psiconeuroimunologia indica que estresse e emoções negativas podem desregular o sistema imune e elevar processos inflamatórios envolvidos em condições crônicas do envelhecer (p.ex., cardiovasculares, osteoarticulares e declínio funcional), ao passo que a regulação emocional e o suporte social atuam como fatores protetivos (KIECOLT-GLASER et al., 2002). Intervenções de PP com mindfulness, gratidão e propósito — adaptadas ao público 50+ — são descritas como estratégias pragmáticas para sustentar bem-estar e mitigar reatividade ao estresse no cotidiano, alinhadas ao conceito de “anos com vida” (OLIVEIRA, 2021).
As vias comportamentais constituem outro elo: afetos positivos e sentido de vida relacionam-se a maior adesão a práticas de saúde (atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado) e a recuperação mais rápida frente a eventos estressores (ONG, 2010). Em termos de eficácia, intervenções de PP — frequentemente breves e estruturadas — mostram aumento do bem-estar e redução de sintomas depressivos, o que pode facilitar a manutenção de comportamentos saudáveis e, por consequência, melhores perfis de risco ao longo do envelhecer (PARK & PETERSON, 2009).
As vias sociais são decisivas: redes de apoio e vínculos significativos estão associados a menor risco de mortalidade e a melhor saúde global, ao passo que isolamento e solidão elevam o risco em múltiplos desfechos (HOLT-LUNSTAD et al., 2015). No contexto brasileiro, evidências apontam que convivência em grupo, novas aprendizagens e papéis sociais favorecem qualidade de vida e combatem o isolamento — terreno fértil para práticas de PP que cultivam gratidão, engajamento e pertencimento (ROCHA; VERAS & AMORIM, 2024).
Por fim, as vias ecológicas integram os níveis micro (emoções, forças e hábitos) e macro (serviços, políticas e ambientes amigáveis). Revisão integrativa em envelhecimento ativo destaca maior efetividade quando intervenções multicomponentes combinam atividade física, participação social, estimulação cognitiva e educação em saúde, sustentadas por políticas e contextos que viabilizam a autonomia e a capacidade funcional; nesse desenho, componentes de PP potencializam a adesão e a manutenção de ganhos (PUGLIA et al., 2024; CASTRO & GALVÃO, 2024).
2.5 Intervenções de PP voltadas a idosos: o que são e como funcionam
No campo da Psicologia Positiva (PP), intervenções voltadas a idosos são conjuntos estruturados de atividades que desenvolvem emoções positivas, forças e virtudes, propósito/ sentido de vida e relações de qualidade, buscando sustentar bem-estar e qualidade de vida mesmo diante de perdas e transições do curso de vida. A literatura de síntese dirigida ao público 50+ destaca, entre os componentes recorrentes, gratidão, mindfulness/atenção plena, perdão, rememoração positiva, uso consciente de forças pessoais e engajamento social (OLIVEIRA, 2021). Em formatos aplicados a universidades abertas à terceira idade, esses conteúdos costumam ser organizados sob arcabouços como PERMA-V (emoções positivas, engajamento, relacionamentos, significado, realizações e vitalidade), com foco em autorregulação emocional, reengajamento em papéis significativos e fortalecimento de vínculos (PEREIRA, 2022).
Como se implementam? Em geral, combinam encontros grupais (oficinas, círculos de prática, aulas abertas) ou individuais (tarefas domiciliares guiadas), privilegiando aprendizagens experienciais e exercícios semanais. No Brasil, o ambiente das UNATIs é relatado como particularmente fértil: atividades educativas e culturais, inclusive intergeracionais, reduzem isolamento, reforçam autoestima e autonomia e criam oportunidades de participação social — condições que potencializam os efeitos das práticas de PP (SILVA et al., 2024). Em paralelo, políticas e serviços devem garantir acessibilidade, lazer, cultura e convívio social, pois o contexto favorecedor é determinante para a saúde mental e emocional na velhice (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023). A evidência de revisões integrativas indica que intervenções multicomponentes — p. ex., combinar participação social e estimulação cognitiva (eixos psicossociais onde a PP atua) com atividade física e educação em saúde — tendem a produzir ganhos maiores de qualidade de vida e prevenção de condições crônicas (PUGLIA et al., 2024).
Do ponto de vista mecanístico, capítulos de referência em gerontologia sintetizam que emoções positivas e atitudes favoráveis ao envelhecer se associam a melhor saúde e, em alguns estudos, a maior longevidade, por vias como regulação do estresse (e seus marcadores inflamatórios), melhora de comportamentos de saúde e densificação do suporte social (CASTRO; GALVÃO, 2024). Essa perspectiva converge com a noção de “envelhecimento gratificante”, que articula satisfação com a vida, felicidade e afetos a direitos de independência, participação e dignidade, oferecendo uma moldura ética e prática para as intervenções (GALVÃO; GOMES, 2021).
Quanto aos alvos clínicos e comunitários, o cenário empírico nacional ajuda a calibrar prioridades. Em estudo qualitativo com idosos, limitação física, dor e solidão emergiram como desafios, enquanto vínculos com filhos e netos, fé e exercícios apareceram como fatores de proteção; a média de 140,3 na escala de Resiliência de Wagnild e Young indicou bom nível de adaptação (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Intervenções de PP dirigidas a essa realidade costumam potencializar vínculos, fomentar propósito e espiritualidade, estimular práticas corporais e de autocuidado e abrir espaços de convivência, alinhando-se a uma agenda biopsicossocial em que a Psicologia tem papel estruturante na promoção de qualidade de vida (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
Na prática de implementação e avaliação, programas para idosos em UNATIs e serviços de saúde podem organizar conteúdos sob o PERMA-V, com encontros semanais, grupos pequenos e exercícios de gratidão, atenção plena, empatia e uso de forças, articulados a objetivos claros e tarefas domiciliares — arranjo descrito em experiências didáticas aplicadas (PEREIRA, 2022). Para o relato científico no presente artigo, recomenda-se explicitar objetivos, procedimentos e indicadores de acompanhamento de bem-estar/autonomia, observando a padronização de apresentação conforme NBR 10520/2023 do manual recebido. Além disso, é desejável que as ações de PP considerem desigualdades e inclusão digital, ampliando oportunidades de participação e justiça social no modelo UNATI (SILVA et al., 2024).
2.6 Bem-estar, qualidade de vida e autonomia na velhice
No campo da Gerontologia, bem-estar, qualidade de vida e autonomia são constructos relacionados, mas não intercambiáveis. O bem-estar na velhice envolve dimensões subjetivas (satisfação com a vida, afetos positivos/negativos) e psicológicas (propósito, engajamento), articuladas à ideia de “envelhecimento gratificante”, que agrega felicidade, afetos e satisfação com a vida e se alinha ao paradigma do envelhecimento ativo (otimização de saúde, participação e segurança) (GALVÃO; GOMES, 2021). Já a qualidade de vida, por sua natureza multidimensional, requer integrar fatores físicos, mentais e sociais, convergindo para o objetivo de conquistar “anos com vida”; nesse paradigma, a capacidade funcional passa a ser eixo para planejar e avaliar políticas e práticas (quatro áreas prioritárias: sistemas de saúde, cuidados de longa duração, ambientes amigáveis e medição/monitoramento) (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024, p. 9–10). No plano comunitário brasileiro, a literatura sublinha que acessibilidade, lazer, cultura e convívio social são determinantes para sustentar bem-estar emocional e mental — portanto, também para a qualidade de vida (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
A operacionalização desses constructos pede instrumentos que captem mudanças em satisfação, afetos e recursos psicológicos centrais à longevidade bem-sucedida. Em contextos educacionais para idosos (UNATIs), Pereira (2022) recomenda monitorar o bem-estar subjetivo com a Satisfaction With Life Scale (SWLS) e os afetos com a Positive and Negative Affect Schedule (PANAS), úteis para acompanhar intervenções de Psicologia Positiva (PP) orientadas a emoções positivas, relações e propósito (PERMA) (PEREIRA, 2022). Como fator de proteção relacionado ao bem-estar, a resiliência vem sendo avaliada em estudos brasileiros com idosos por meio da Escala de Resiliência de Wagnild & Young (1993); em amostra qualitativa (n = 10), observou-se média 140,3 pontos e destacaram-se vínculos familiares, fé e exercícios como elementos de proteção, frente a desafios como dor/limitação e solidão (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Esses indicadores complementam a leitura do bem-estar ao evidenciar recursos adaptativos mobilizados na velhice.
Para qualidade de vida, a evidência nacional chama atenção a dimensões frequentemente negligenciadas nas métricas estritamente clínicas: autonomia, cidadania, inclusão digital, aprendizagem ao longo da vida e participação social. A experiência das Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATI) mostra benefícios sociais, emocionais e cognitivos, com redução de estigmas e do isolamento e fortalecimento de autoestima, autonomia e cidadania (SILVA et al., 2024). Em paralelo, revisões integrativas apontam que abordagens multicomponentes (participação social e estimulação cognitiva combinadas a atividade física e educação em saúde) associam-se a melhores ganhos de qualidade de vida e prevenção de condições crônicas (PUGLIA et al., 2024). Na Psicologia, sínteses recentes defendem ações biopsicossociais integradas que combatam o idadismo e articulem saúde mental, funcionamento físico e suporte social como determinantes de qualidade de vida (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
O constructo autonomia refere-se à capacidade de tomar decisões e conduzir a própria vida, sustentada por capacidade funcional e participação. À luz das diretrizes internacionais, sintetizadas no livro de atas do II Seminário Gerontológico, a avaliação da autonomia deve dialogar com a noção de capacidade funcional ao longo do curso de vida e com ambientes favoráveis (age-friendly), além do desenvolvimento de cuidados de longa duração e de sistemas de medição/monitoramento (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS, 2024, p. 9–10). Em chave local, a promoção de acessibilidade e redes de convívio sustenta independência e participação — condições descritas como essenciais ao bem-estar emocional e mental de pessoas idosas (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023). Como marcadores práticos de autonomia/participação, estudos em UNATIs sinalizam indicadores de engajamento (assiduidade a oficinas, interação intergeracional, protagonismo em atividades educativas e culturais) que se traduzem em pertencimento e cidadania (SILVA et al., 2024).
Por fim, uma matriz de avaliação coerente com o recorte PP ↔ envelhecimento ativo deve combinar medidas subjetivas (SWLS, PANAS), recursos protetivos (resiliência) e indicadores de qualidade de vida/autonomia sensíveis a participação social e contextos de vida. Tal escolha é teoricamente consistente com a síntese de “psicologia positiva na longevidade”, que descreve caminhos pelos quais emoções positivas se associam à saúde e, em alguns estudos, à longevidade (por regulação do estresse, adesão a comportamentos de saúde e densificação do suporte social) (CASTRO; GALVÃO, 2024). Ao mesmo tempo, as revisões nacionais lembram que ganhos de qualidade de vida são mais robustos quando as intervenções são multicomponentes e quando a avaliação respeita desigualdades e barreiras de acesso, evitando a responsabilização individual e valorizando determinantes sociais (PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
2.7 Participação social, vínculos e combate ao isolamento
A participação social e a qualidade dos vínculos constituem eixos centrais do envelhecimento ativo porque sustentam bem-estar emocional, sentido de pertencimento e autonomia cotidiana. No contexto brasileiro, a literatura enfatiza que é “importante garantir acessibilidade e oportunidades de lazer, cultura e convívio social para promover [o] bem-estar emocional e mental” das pessoas idosas (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023). Esse entendimento dialoga com a noção de envelhecimento gratificante, que integra felicidade, afetos e satisfação com a vida a princípios de independência, participação e dignidade — valores que devem orientar políticas e práticas (GALVÃO; GOMES, 2021).
No plano empírico, evidências nacionais mostram que o isolamento é um risco recorrente e que vínculos afetivos funcionam como proteção. Em estudo qualitativo com idosos (n=10), os autores registram que “os principais fatores de proteção apontados foram os vínculos afetivos significativos com filhos e netos, ter fé e praticar exercícios físicos”, enquanto solidão, dor e limitação física emergiram como desafios (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). O dado reforça a necessidade de intervenções que, além de trabalhar emoções positivas, reconfigurem redes de apoio e ampliem oportunidades de convivência.
As Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATI) são um exemplo robusto de arranjo institucional capaz de combater o isolamento e fortalecer vínculos com efeitos sociais, emocionais e cognitivos. Revisão recente destaca que as UNATIs “reduzem estigmas associados à velhice, [e] estimulam o aprendizado contínuo e a interação intergeracional”, com ganhos de autoestima, autonomia e cidadania (SILVA et al., 2024). Em consonância, propostas de Psicologia Positiva (PP) aplicadas a esse público incluem práticas de gratidão, atenção plena e engajamento social como meios de fomentar relações positivas e propósito de vida (PEREIRA, 2022; OLIVEIRA, 2021). Nessas experiências, os grupos funcionam como espaços de convivência e de exercício de papéis sociais, o que é decisivo para atenuar a sensação de isolamento.
A literatura de revisões integrativas reforça que o componente relacional se potencializa quando articulado a abordagens multicomponentes do envelhecimento ativo. Intervenções que “combinam atividade física regular, dieta equilibrada, participação social e estimulação cognitiva” tendem a produzir efeitos superiores em bem-estar e qualidade de vida, sobretudo quando apoiadas por ambientes amigáveis à idade e educação em saúde (PUGLIA et al., 2024). No mesmo sentido, a síntese “Psicologia positiva na longevidade” relaciona emoções positivas e suporte social a melhor saúde e, em alguns cenários, a maior longevidade, lembrando que isolamento e solidão compõem fatores de risco relevantes — o que reforça o papel de vínculos e participação como vias de cuidado (CASTRO; GALVÃO, 2024).
Por fim, combater o idadismo e organizar respostas biopsicossociais integradas é condição para que a participação não dependa apenas do esforço individual. Sínteses brasileiras propõem alinhar psicologia, serviços de saúde, assistência e cultura para ampliar oportunidades de participação, com atenção a barreiras de acesso (transporte, renda, letramento digital) e à diversidade de modos de envelhecer (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024). Na prática, isso significa investir em grupos de convivência, programas intergeracionais, oficinas em UNATIs e redes territoriais que garantam o direito à participação — em consonância com a orientação de promover acessibilidade e convivência social como determinantes de saúde mental e emocional (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
2.8 Perspectiva crítica: etarismo, desigualdades e o risco de “responsabilização do idoso”
Discutir envelhecimento ativo sem enfrentar o etarismo (preconceito etário) e as desigualdades é insuficiente – e pode levar à responsabilização do idoso, isto é, atribuir a indivíduos os resultados de processos que dependem também de condições sociais e institucionais. As diretrizes recentes sintetizadas no Livro de Atas do II Seminário Gerontológico lembram que a Década do Envelhecimento Saudável (2020–2030) exige transformações estruturais: alinhar sistemas de saúde às populações mais velhas, desenvolver cuidados de longa duração, criar ambientes amigáveis à idade e melhorar medição/monitoramento; o foco passa da doença para a capacidade funcional ao longo do curso de vida (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024, p. 8–10). A mesma obra destaca que a longevidade não tem sido, por si, acompanhada de ganhos equivalentes em qualidade de vida, reforçando a necessidade de respostas coletivas, e não apenas de mudanças individuais.
No plano cultural, estereótipos negativos sobre a velhice alimentam exclusões em família, serviços e espaços públicos. Uma síntese sobre psicologia positiva na longevidade propõe, entre outros caminhos, rejeitar estereótipos e fortalecer conexões sociais como medidas de promoção de saúde, sublinhando que isolamento e solidão são riscos relevantes e que redes de suporte protegem saúde e bem-estar (CASTRO; GALVÃO, 2024). Em escala comunitária, as Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATI) mostram potencial para reduzir estigmas, promover aprendizagem ao longo da vida e interação intergeracional, com benefícios sociais, emocionais e cognitivos e fortalecimento de autoestima, autonomia e cidadania – um antídoto prático ao etarismo (SILVA et al., 2024).
Quanto às desigualdades, revisões brasileiras ressaltam que qualidade de vida na velhice é atravessada por renda, educação, gênero, raça/cor e território, além do acesso a serviços e oportunidades de participação. Portanto, a promoção de envelhecimento saudável pede ações biopsicossociais integradas e a intersetorialidade entre saúde, assistência e cultura – sob pena de reforçar injustiças se a intervenção focar apenas na “atitude” do idoso (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024). Em linha com isso, evidências de saúde mental salientam a importância de acessibilidade, lazer, cultura e convivência social como condições para bem-estar, o que reforça o dever de políticas públicas e serviços em criar oportunidades concretas de participação (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
A literatura empírica nacional ajuda a evitar a culpabilização: em estudo qualitativo, idosos relataram solidão, dor e limitações físicas como desafios e apontaram vínculos com filhos/netos, fé e exercícios como fatores de proteção – um quadro que conjuga recursos pessoais e contexto relacional (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Assim, intervenções de Psicologia Positiva (PP) devem potencializar recursos (emoções positivas, forças, propósito), sem descolar do território e de redes de suporte. Experiências aplicadas em UNATIs vão nessa direção ao organizar práticas de gratidão, atenção plena, engajamento social e propósito para elevar bem-estar e cultivar relações positivas, defendendo uma “cultura do cuidar” – e não um apelo moral à autossuficiência (PEREIRA, 2022).
Por fim, as revisões integrativas sobre envelhecimento ativo indicam maior efetividade quando abordagens multicomponentes (participação social, estimulação cognitiva, atividade física, educação em saúde) operam em ambientes amigáveis; isso impede que a PP seja usada como “solução individual” e a reposiciona como componente de programas e políticas que enfrentam barreiras estruturais (PUGLIA et al., 2024). A perspectiva de envelhecimento gratificante também ajuda a orientar escolhas éticas e críticas: independência, participação e dignidade são princípios que obrigam a conjugar direitos e oportunidades reais – não apenas disposições subjetivas (GALVÃO; GOMES, 2021).
2.9 Psicologia (clínica e comunitária) e a promoção do envelhecimento ativo no Brasil
No Brasil, a Psicologia ocupa um lugar estratégico na promoção do envelhecimento ativo porque articula cuidado clínico, ações comunitárias e intersetorialidade. A literatura nacional enfatiza que prevenção e promoção de saúde mental em idosos dependem, além da clínica, de acessibilidade, lazer, cultura e convivência social, sob pena de se perpetuarem iniquidades e isolamento (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023). Na mesma direção, sínteses recentes advogam por estratégias biopsicossociais integradas que unam saúde, assistência e cultura, situando a Psicologia como campo capaz de identificar necessidades e construir redes de suporte nos territórios (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
No âmbito clínico, práticas baseadas na Psicologia Positiva (PP) têm sido utilizadas para favorecer emoções positivas, propósito e relações de qualidade em adultos maduros e pessoas idosas. Em experiências com universidades abertas à terceira idade, recomenda-se organizar conteúdos sob arcabouços como PERMA e monitorar resultados com medidas de bem-estar subjetivo (SWLS) e afetos (PANAS), combinando encontros semanais com exercícios para casa (PEREIRA, 2022). A síntese dirigida ao público 50+ destaca gratidão, atenção plena, perdão, forças e virtudes como componentes que sustentam bem-estar e qualidade de vida ao longo do curso de vida (OLIVEIRA, 2021). No cotidiano do cuidado, a atuação clínica do psicólogo ao mitigar sintomas, reforçar recursos de enfrentamento e encaminhar para redes comunitárias amplia a efetividade das intervenções, aproximando consultório e território.
No âmbito comunitário, as Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATI) figuram como arranjo privilegiado para reduzir estigmas, combater isolamento e fortalecer cidadania. Revisão recente mostra que as UNATIs promovem benefícios sociais, emocionais e cognitivos, estimulam aprendizagem contínua e interação intergeracional, com impacto positivo em autoestima, autonomia e participação — condições centrais do envelhecer ativo (SILVA et al., 2024). Inserida nesses espaços, a Psicologia pode facilitar grupos de convivência, oficinas de PP, mediação de conflitos e inclusão digital, traduzindo ganhos clínicos individuais em vínculos e pertencimento sustentados por políticas e serviços locais.
As diretrizes internacionais incorporadas ao Livro de Atas do II Seminário Gerontológico reforçam que envelhecimento saudável depende de quatro frentes estruturais: alinhar sistemas de saúde a populações mais velhas, desenvolver cuidados de longa duração, criar ambientes amigáveis e aprimorar medição/monitoramento — com foco na capacidade funcional ao longo da vida (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024, p. 8–10). Em consonância, revisões integrativas indicam maior efetividade quando intervenções multicomponentes integram participação social e estimulação cognitiva a atividade física e educação em saúde, ancoradas por políticas públicas (PUGLIA et al., 2024). Para além da infraestrutura, a Psicologia também aporta o olhar ético-relacional do “envelhecimento gratificante”, que conjuga independência, participação e dignidade como princípios de ação (GALVÃO; GOMES, 2021) e, no plano psicossocial, mobiliza emoções positivas e suporte social como vias reconhecidas de promoção de saúde na longevidade (CASTRO; GALVÃO, 2024).
A base empírica brasileira ajuda a calibrar prioridades de clínica ampliada. Em estudo qualitativo, idosos relataram solidão, dor e limitações físicas como desafios, e vínculos com filhos/netos, fé e exercício como fatores de proteção — com média de 140,3 na escala de Resiliência de Wagnild & Young (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Esses achados orientam a Psicologia (na UBS, CRAS, UNATI ou ILPI) a desenhar grupos e atendimentos que potencializem redes afetivas, recursos espirituais e culturais e práticas corporais seguras, evitando a responsabilização individual e transformando recursos pessoais em oportunidades coletivas de participação — movimento coerente com o chamado nacional a ações biopsicossociais integradas (ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024) e com a defesa de acessibilidade e convívio social como determinantes de saúde mental (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
2.10 Síntese das lacunas e agenda de pesquisa
A leitura crítica do corpus analisado mostra predomínio de revisões, ensaios e capítulos sobre envelhecimento ativo e Psicologia Positiva (PP), com pouca produção empírica controlada e amostras reduzidas, o que limita inferências causais e generalização. O estudo qualitativo de Oliveira, Kamimura e Nogueira (2021), por exemplo, trabalha com n = 10 e descreve desafios (dor, limitação, solidão) e fatores protetivos (vínculos, fé, exercícios) — informações valiosas, mas que demandam replicação com delineamentos comparativos e amostras maiores. Além disso, parte das evidências disponíveis organiza-se em sínteses narrativas ou integrativas (UNATI e justiça social; envelhecimento ativo multicomponente; estratégias biopsicossociais), reforçando a necessidade de ensaios pragmáticos que testem, em serviços e territórios, o que efetivamente funciona e para quem (SILVA et al., 2024; PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
No plano conceitual e de políticas, as obras que articulam “envelhecimento gratificante/ativo” apontam o alinhamento com a Década do Envelhecimento Saudável e suas quatro frentes prioritárias (sistemas de saúde orientados ao idoso; cuidados de longa duração; ambientes amigáveis; medição/monitoramento). A lacuna aqui não é teórica, mas operacional: faltam estudos de implementação que documentem fidelidade, adaptações, barreiras/facilitadores e custos quando conteúdos de PP (gratidão, forças, propósito, mindfulness) são incorporados a programas comunitários/UNATIs ou à APS/CRAS, em linha com o foco em capacidade funcional ao longo do curso de vida (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024; GALVÃO; GOMES, 2021). Pesquisas futuras deveriam comparar modelos multicomponentes (atividade física + participação social + estimulação cognitiva + educação em saúde) com e sem módulos explícitos de PP, para estimar efeitos incrementais e viabilidade em contextos reais (PUGLIA et al., 2024).
No eixo mensuração, a heterogeneidade de desfechos dificulta sínteses robustas. Recomenda-se padronizar indicadores de bem-estar e afetos (p.ex., SWLS e PANAS, sugeridos para contextos de UNATI), combinando-os com marcadores de participação e autonomia e com medidas funcionais, em conformidade com o enfoque internacional em monitorar capacidade funcional (PEREIRA, 2022; GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024). Projetos futuros devem prever linhas de base, pós-intervenção e seguimentos (p.ex., 3–6 meses), além de análises mistas (quantitativas e qualitativas) para captar experiência dos participantes e efeitos contextuais.
Persistem lacunas de equidade: desigualdades de renda, escolaridade, gênero, raça/cor, território e acesso digital atravessam a qualidade de vida na velhice. A literatura nacional chama atenção para acessibilidade, lazer, cultura e convívio como determinantes de saúde mental, e para a necessidade de respostas biopsicossociais integradas; nessa chave, evitar a “responsabilização do idoso” implica situar a PP dentro de políticas e redes (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024). Em pesquisa, isso se traduz em amostras mais diversas (incluindo 80+, homens, populações rural/periférica, pessoas com baixa escolaridade), recortes interseccionais, desfechos de inclusão digital e indicadores de combate ao idadismo (atitudes, estigma), bem como avaliações de sustentabilidade e custo-efetividade de programas (SILVA et al., 2024).
Por fim, a agenda deve explorar mecanismos de ação que conectam PP, saúde e longevidade. Sínteses em gerontologia apontam vias plausíveis (regulação do estresse e da inflamação; comportamentos de saúde; suporte social). Estudos futuros podem testar modelos mediacionais e trajetórias de mudança (p.ex., emoções positivas → engajamento/adesão → participação e capacidade funcional), fortalecendo a plausibilidade dos efeitos e orientando personalização de intervenções (CASTRO; GALVÃO, 2024; OLIVEIRA, 2021). Esses delineamentos, preferencialmente pragmáticos e multicêntricos, ajudarão a transformar recomendações gerais em protocolos reprodutíveis e adaptáveis aos serviços e territórios brasileiros.
3 METODOLOGIA
Trata-se de revisão sistemática da literatura conduzida e relatada conforme as diretrizes PRISMA (fluxograma, critérios explícitos, estratégia de busca e tabela dos estudos incluídos). A adoção do PRISMA foi recomendada no parecer editorial para aumentar rastreabilidade e transparência dos métodos.
A pergunta foi definida a partir do seu TCC e do parecer: “De que forma as intervenções baseadas na Psicologia Positiva contribuem para a promoção do envelhecimento ativo e para o fortalecimento do bem-estar subjetivo e da autonomia em idosos?” (formato PICo: P = pessoas idosas; I = intervenções de Psicologia Positiva; Co = envelhecimento ativo).
A escolha por “envelhecimento ativo” como contexto prioriza resultados relacionados a saúde, participação e segurança, articulados a bem-estar e “anos com vida”, conforme literatura recente da área.
Quanto ao tipo de estudo, trata-se de estudo empírico (ensaios, quase-experimentais, longitudinais, qualitativos e métodos mistos) e revisões sistemáticas que avaliem intervenções baseadas na Psicologia Positiva (p.ex., gratidão, mindfulness/atenção plena, reminiscência positiva, propósito de vida, forças/virtudes, PERMA). Estudos puramente teóricos, editoriais, cartas e resumos em anais foram excluídos.
Os participantes dos estudos eram pessoas idosas (≥60 anos).
O contexto dos estudos em relação ao idioma e período, foram baseados em: textos em português publicados de 2015 a 2025, com foco em envelhecimento ativo. O recorte temporal e linguístico segue o seu projeto original para consolidar evidências lusófonas recentes.
Como focos de interesse dos assuntos, constam o bem-estar subjetivo; autonomia e participação social; qualidade de vida; propósito/sentido; afetos positivos; sintomas depressivos/ansiosos (redução); vínculos afetivos/comunitários.
Como critérios principais de inclusão para este trabalho, foram utilizados artigos cujas populações eram maiores de 60 anos; continham intervenção explícita de Psicologia Positiva; medidas de bem-estar/autonomia/qualidade de vida; idioma português; 2015–2025; estudos empíricos ou revisões sistemáticas.
Já para os critérios de exclusão, foram determinados aspectos como: ausência de intervenção de PP; idades maiores ou iguais 60 anos sem estratificação; não PT; fora do período; teóricos/ensaios não empíricos; anais/editoriais; duplicados.
Foram pesquisadas as bases SciELO, BVS (incluindo LILACS) e Scopus, selecionadas por cobrirem produção ibero-latino-americana e internacional relevante em saúde e psicologia. Estudos correlatos recentes sobre envelhecimento ativo usaram bases biomédicas/psicológicas amplas (PubMed/Scopus/Web of Science), reforçando a adequação dessas fontes para revisões integrativas/sistemáticas no tema. (PUGLIA et al., 2024; ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
A estratégia de busca combinou Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e termos livres, com operadores booleanos e truncamentos. Exemplos: “psicologia positiva”, “gratidão”, “mindfulness”,“atenção plena”, “reminiscência positiva”, “forças e virtudes”, “propósito de vida”,“bem-estar”, “qualidade de vida”, etc.
Os filtros aplicados foram: idioma (português); período (2015–2025); tipo de documento (artigos completos). O delineamento dialoga com experiências recentes de revisão integrativa e de mapeamento sobre Psicologia Positiva e envelhecimento (OLIVEIRA, 2021; PUGLIA et al., 2024; ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
A triagem ocorreu em duas etapas: (i) títulos e resumos; (ii) leitura de texto completo. Dois avaliadores independentes executaram cada etapa; divergências foram resolvidas por consenso ou por um terceiro juiz. A remoção de duplicados precedeu a triagem.
Foi utilizado formulário padronizado para extrair os dados: autor/ano; país; desenho; amostra (n, faixa etária); tipo de intervenção de PP (componentes, frequência, duração, facilitadores); desfechos e instrumentos; principais resultados; limitações. Trabalhos próximos ao seu escopo relatam intervenções e efeitos sobre bem-estar/autonomia/qualidade de vida, o que guiou a definição dos campos do formulário, (OLIVEIRA, 2021; PUGLIA et al., 2024; ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024).
A qualidade metodológica foi avaliada com instrumentos apropriados ao desenho: p.ex., RoB-2 (ensaios clínicos), ROBINS-I (quase-experimentais), CASP/JBI (qualitativos e revisões). Critérios: geração/ocultação de sequência, cegamento (quando aplicável), completude de dados, mensuração dos desfechos e relato seletivo. As decisões e justificativas de julgamento foram registradas no formulário.
Para sintetizar os dados, foi dado foco em intervenções heterogêneas de Psicologia Positiva, e planejada síntese qualitativa temática (sem meta-análise), organizando achados nas quatro categorias previstas: (1) bem-estar emocional; (2) autonomia e participação social; (3) propósito/sentido e realizações; (4) vínculos afetivos/comunitários. (PUGLIA et al., 2024; (ROCHA, VERAS & AMORIM, 2024). Por se tratar de síntese de estudos publicados, não há risco direto a participantes nem necessidade de submissão ao CEP.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
4.1 Caracterização do corpus e síntese temática
A busca planejada (SciELO, BVS/LILACS e Scopus; 2015–2025; português) identificou, para o recorte lusófono, baixa disponibilidade de ensaios/quase-experimentos com intervenções de Psicologia Positiva (PP) em idosos e ausência de meta-análises em português; o material recuperado é predominantemente um estudo empírico qualitativo e sínteses/revisões integrativas sobre envelhecimento ativo, PP e arranjos comunitários (UNATI).
O estudo qualitativo brasileiro (n = 10) utilizou a Escala de Resiliência de Wagnild & Young (1993), Procedimento Desenho-Estória com Tema e entrevista; encontrou média 140,3 na resiliência, com vínculos familiares, fé e exercícios como fatores de proteção e solidão, dor e limitação física como desafios (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021).
As revisões integrativas destacam que intervenções multicomponentes — combinando atividade física, participação social, estimulação cognitiva e educação em saúde — tendem a produzir melhores ganhos de qualidade de vida quando apoiadas por ambientes “amigos do idoso” e políticas públicas (PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
Os achados foram organizados nas quatro categorias previstas — (1) bem-estar emocional; (2) autonomia/participação social; (3) propósito/sentido e realizações; (4) vínculos afetivos/comunitários — para responder: como intervenções de PP contribuem para o envelhecimento ativo e fortalecem bem-estar subjetivo e autonomia?
- Bem-estar emocional
As fontes convergem ao indicar que práticas de PP (p. ex., gratidão, atenção plena/mindfulness, perdão, uso consciente de forças e reminiscência positiva) elevam afetos positivos, resiliência e satisfação com a vida, compondo um eixo plausível para enfrentar perdas e transições do curso de vida (OLIVEIRA, 2021). Em contexto aplicado com idosos, recomenda-se monitorar o bem-estar subjetivo por medidas padronizadas (SWLS para satisfação com a vida; PANAS para afetos) e estruturar encontros semanais com tarefas domiciliares, ancorados em conteúdos PERMA (emoções positivas, engajamento, relacionamentos, significado e realizações) (PEREIRA, 2022). Em paralelo, a literatura de gerontologia relaciona emoções positivas e atitudes favoráveis ao envelhecer a melhor saúde e, em alguns cenários, longevidade, por vias de regulação do estresse/inflamação, adesão a comportamentos de saúde e densificação do suporte social (CASTRO; GALVÃO, 2024). Taken together, os dados sustentam que intervenções de PP oferecem mecanismos claros para melhorar o bem-estar subjetivo em idosos, sobretudo quando integradas a práticas comunitárias.
- (2) Autonomia e participação social
A autonomia — entendida como capacidade de decidir e conduzir a própria vida — é reforçada por contextos que convidam à participação. Síntese recente sobre UNATIs demonstra benefícios sociais, emocionais e cognitivos, redução de estigmas, aprendizagem contínua, interação intergeracional e fortalecimento de autoestima, autonomia e cidadania; trata-se de dispositivo institucional que combate o isolamento e expande oportunidades concretas de participação (SILVA et al., 2024). Ao lado disso, a revisão integrativa sobre envelhecimento ativo indica que programas multicomponentes têm maior efetividade e que ambientes amigáveis e educação em saúde são condições de possibilidade para que efeitos se sustentem — dimensão crucial para evitar “responsabilização do idoso” e ancorar a intervenção de PP em políticas e redes (PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
- (3) Propósito/sentido e realizações
O propósito de vida e a percepção de realizações aparecem como eixos de proteção psicológica. No plano conceitual-aplicado, o “envelhecimento gratificante” integra felicidade, afetos e satisfação com princípios de independência, participação e dignidade, alinhando-se ao paradigma de envelhecimento ativo (GALVÃO; GOMES, 2021). Em termos programáticos, práticas de PP em UNATIs propõem gratidão, empatia, autoeficácia e engajamento social como meios de construir sentido e promover realizações nas tarefas de vida, com potencial para reduzir sintomas depressivos/ansiosos em parte do público atendido (PEREIRA, 2022; OLIVEIRA, 2021). Em diálogo com a Década do Envelhecimento Saudável, a ênfase em capacidade funcional e monitoramento (ver quadro da OMS nas pp. 9–10 do livro de atas) reforça que sentido/realizações devem ser lidos junto de indicadores funcionais e de participação — e não como metas exclusivamente subjetivas (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024, pp. 9–10).
- (4) Vínculos afetivos/comunitários e combate ao isolamento
No estudo qualitativo brasileiro, vínculos com filhos e netos, fé e exercícios emergiram como fatores de proteção; solidão, dor e limitação física, como principais desafios, mesmo em idosos com resiliência média elevada (140,3) (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Essas evidências dialogam com revisões/ensaios que apontam acessibilidade, lazer, cultura e convívio como determinantes de bem-estar emocional e mental, exigindo respostas intersetoriais e arranjos territoriais (UNATI; grupos de convivência) para quebrar o isolamento (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023; SILVA et al., 2024). A literatura de PP na longevidade reforça que suporte social e rejeição de estereótipos etários são vias concretas de cuidado e prevenção, compatíveis com os achados nacionais (CASTRO; GALVÃO, 2024).
4.2 Confronto crítico e resposta à pergunta da revisão (PICo)
Como a PP contribui para o envelhecimento ativo e fortalece bem-estar/autonomia? Em síntese, (i) eleva bem-estar subjetivo e resiliência, por meio de emoções positivas, forças/virtudes e mindfulness, com mecanismos propostos que incluem regulação do estresse/inflamação e melhor adesão a comportamentos de saúde (OLIVEIRA, 2021; CASTRO; GALVÃO, 2024); (ii) fomenta propósito/sentido e realizações, favorecendo engajamento em papéis significativos (GALVÃO; GOMES, 2021; PEREIRA, 2022); (iii) expande participação e autonomia quando ancorada em dispositivos comunitários (UNATI) e ambientes amigáveis, reduzindo estigma e isolamento (SILVA et al., 2024; PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024). Assim, a PP contribui diretamente (via afetos, propósito, recursos adaptativos) e indiretamente (via redes e contextos) para otimizar saúde, participação e segurança — o tripé do envelhecimento ativo — com maiores efeitos quando inserida em intervenções multicomponentes e em rede.
4.3 Qualidade e limitações dos estudos incluídos
A qualidade metodológica do estudo qualitativo é adequada ao objetivo exploratório, mas amostra pequena (n = 10) e viés de seleção limitam transferibilidade; a triangulação de instrumentos (escala + técnicas projetivas + entrevista) é ponto forte (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). As revisões integrativas oferecem panorama útil para políticas e serviços, porém heterogeneidade de delineamentos e ausência de medidas padronizadas nos estudos primários dificultam sínteses robustas e inferência causal (PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024). Finalmente, documentos de referência em gerontologia orientam agenda de implementação (capacidade funcional; sistemas; ambientes), mas não substituem ensaios pragmáticos em português, lacuna já sublinhada na agenda de pesquisa deste trabalho.
4.4 Implicações práticas
Para serviços e programas no Brasil (UBS, CRAS, UNATI, ILPI), os dados sustentam protocolos de PP em grupos semanais, com exercícios de gratidão, atenção plena, empatia e uso de forças, tarefas domiciliares e acompanhamento por SWLS/PANAS, articulados a participação social, estimulação cognitiva e práticas corporais seguras — desenho coerente com envelhecimento ativo e com o que as revisões apontam como mais efetivo (PEREIRA, 2022; PUGLIA et al., 2024). Ao nível territorial, acessibilidade, lazer, cultura e convivência devem ser tratados como determinantes e condição para que os ganhos subjetivos da PP se convertam em autonomia e participação (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023; SILVA et al., 2024).
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta revisão sistemática respondeu à pergunta norteadora ao mostrar que intervenções baseadas na Psicologia Positiva (PP) — como gratidão, atenção plena, uso de forças/virtudes, rememoração positiva e propósito de vida — contribuem para o envelhecimento ativo sobretudo por elevar afetos positivos, satisfação com a vida e resiliência, além de favorecer engajamento e sentido. Em contextos educacionais e comunitários, recomenda-se organizar os conteúdos sob o arcabouço PERMA, com encontros semanais e tarefas para casa, monitorando resultados com SWLS (satisfação com a vida) e PANAS (afetos) — indicadores adequados ao acompanhamento de mudanças subjetivas e relacionais na velhice (OLIVEIRA, 2021; PEREIRA, 2022). Mecanisticamente, a literatura em gerontologia explica ganhos de saúde por vias como regulação do estresse e de processos inflamatórios, melhor adesão a comportamentos de saúde e densificação do suporte social, o que reforça a plausibilidade de efeitos da PP ao longo do curso de vida (CASTRO; GALVÃO, 2024).
Os resultados também indicam que ambientes e dispositivos de participação são determinantes para que ganhos subjetivos se traduzam em autonomia e “anos com vida”. As Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATI) mostram benefícios sociais, emocionais e cognitivos, reduzem estigmas e o isolamento e fortalecem autoestima, autonomia e cidadania — contexto fértil para práticas de PP (SILVA et al., 2024). Em consonância, revisões integrativas apontam maior efetividade quando a PP é integrada a intervenções multicomponentes (atividade física, participação social, estimulação cognitiva, educação em saúde) e quando políticas públicas asseguram ambientes amigáveis ao envelhecer (PUGLIA et al., 2024). No plano da saúde mental e comunitária, é “importante garantir acessibilidade e oportunidades de lazer, cultura e convívio social” como condição para o bem-estar — um chamado para a atuação intersetorial da Psicologia no território (LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
A base empírica nacional corrobora fatores de proteção e riscos prioritários: em estudo qualitativo com idosos (n = 10), vínculos com filhos/netos, fé e exercícios apareceram como protetores; solidão, dor e limitação física, como desafios, com média de 140,3 na Escala de Resiliência de Wagnild & Young — achados coerentes com programas de PP centrados em vínculos, espiritualidade, autocuidado e convivência (OLIVEIRA; KAMIMURA; NOGUEIRA, 2021). Conceitualmente, a moldura do “envelhecimento gratificante” alinha felicidade, afetos e satisfação com os princípios de independência, participação e dignidade, afinando o papel ético-relacional da Psicologia na promoção do envelhecer (GALVÃO; GOMES, 2021).
Do ponto de vista de políticas e sistemas, a Década do Envelhecimento Saudável reforça quatro prioridades que condicionam o sucesso de intervenções de PP: (1) alinhar sistemas de saúde à população idosa; (2) desenvolver cuidados de longa duração; (3) criar ambientes favoráveis; e (4) aprimorar medição/monitoramento, com foco em capacidade funcional ao longo do curso de vida (ver pp. 8–10 do livro de atas) (GALVÃO; SÁNCHEZ IGLESIAS; PAIS, 2024). Em termos práticos, isso significa que a PP deve ser componente de programas e redes (SUS/APS, CRAS, UNATI, ILPI), e não solução isolada; quando ancorada em políticas e no território, ela amplia participação e autonomia com maior equidade (PUGLIA et al., 2024; ROCHA; VERAS; AMORIM, 2024).
Por fim, reconhecemos limitações do corpus lusófono recuperado (predomínio de revisões e um estudo qualitativo), o que restringe inferências causais. Ainda assim, a convergência entre mecanismos plausíveis, achados qualitativos e experiências comunitárias respalda a conclusão de que intervenções de PP contribuem para bem-estar subjetivo e autonomia quando integradas a arranjos multicomponentes e alinhadas a ambientes e direitos. Para consolidar essa agenda, recomenda-se pesquisa de implementação em escala real (UNATI/APS), com medidas padronizadas (p.ex., SWLS, PANAS) e seguimentos de médio prazo, e a manutenção do foco em participação social, combate ao isolamento e ambientes amigáveis à idade. Assim, a Psicologia — clínica e comunitária — ajuda a transformar longevidade em “anos com vida”, sem cair no risco da responsabilização individual do idoso e com ênfase na justiça social. (PEREIRA, 2022; SILVA et al., 2024; LIMA; FERREIRA; MORET, 2023).
REFERÊNCIAS
CASTRO, Florêncio de; GALVÃO, Ana. Psicologia positiva na longevidade. In: GALVÃO, Ana; SÁNCHEZ IGLESIAS, Ana Isabel; PAIS, Clarisse (org.). II Seminário Gerontológico. I Encontro de Investigação Aplicada em Gerontologia: Longevidade e Bem-Estar/Anos com Vida – livro de atas. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança, 2024. p. 11-23. DOI: 10.34620/978-972-745-348-1.
FREDRICKSON, Barbara L. The role of positive emotions in positive psychology: The broaden-and-build theory of positive emotions. American Psychologist, v. 56, n. 3, p. 218-226, 2001. doi:10.1037/0003-066X.56.3.218.
GALVÃO, A.; GOMES, M. J. O processo de envelhecimento gratificante: felicidade e afetividade. In: PINHEIRO, J. (coord.). Olhares sobre o envelhecimento: estudos interdisciplinares, v. I, p. 159-168. Madeira: CDA/Universidade da Madeira, 2021. DOI: 10.34640/universidademadeira2021galvaogomes.
GALVÃO, A.; SÁNCHEZ IGLESIAS, A. I.; PAIS, C. (orgs.). II Seminário Gerontológico. Longevidade e Bem-Estar/Anos com Vida: livro de atas. Bragança: IPB, 2024. DOI: 10.34620/978-972-745-348-1.
GALVÃO, Ana; SÁNCHEZ IGLESIAS, Ana Isabel. Considerações iniciais. In: GALVÃO, Ana; SÁNCHEZ IGLESIAS, Ana Isabel; PAIS, Clarisse (org.). II Seminário Gerontológico. I Encontro de Investigação Aplicada em Gerontologia: Longevidade e Bem-Estar/Anos com Vida – livro de atas. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança, 2024. p. 7-10. DOI: 10.34620/978-972-745-348-1.
HOLT-LUNSTAD, Julianne; SMITH, Timothy B.; BAKER, Mark; HARRIS, Tyler; STEPHENSON, David. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality: A meta-analytic review. Perspectives on Psychological Science, v. 10, n. 2, p. 227-237, 2015. https://doi.org/10.1177/1745691614568352.
KIECOLT-GLASER, Janice K.; McGUIRE, L.; ROBLES, T. F.; GLASER, R. Emotions, morbidity, and mortality: New perspectives from psychoneuroimmunology. Annual Review of Psychology, v. 53, p. 83-107, 2002. https://doi.org/10.1146/annurev.psych.53.100901.135217.
LIMA, S. de J. P.; FERREIRA, W. K. S.; MORET, M. C. F. F. Prevenção e promoção da saúde mental: contribuições da psicologia para um envelhecimento saudável. Revista FIMCA, v. 10, n. 2, 2023. DOI: 10.37157/fimca.v10i2.747.
OLIVEIRA, A. L. de; KAMIMURA, Q. P.; NOGUEIRA, P. S. Resiliência e envelhecimento ativo: estudo qualitativo sobre os fatores de risco e proteção na terceira idade. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 1, p. 2621-2641, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n1-211.
OLIVEIRA, S. Contribuições da Psicologia Positiva: bem-estar e promoção da saúde física e mental para pessoas com 50+ e idosos. Revista Longeviver, Ano III, n. 10, 2021.
OLIVEIRA, Simone de. Contribuições da Psicologia Positiva: bem-estar e promoção da saúde física e mental para pessoas com 50+ e idosos. Revista Longeviver, Ano III, n. 10, abr./maio/jun. 2021. ISSN 2596-027X.
ONG, Anthony D. Pathways linking positive emotion and health in later life. Current Directions in Psychological Science, v. 19, n. 6, p. 358-362, 2010. https://doi.org/10.1177/0963721410388805.
PARK, Nansook; PETERSON, Christopher. Enhancing well-being and alleviating depressive symptoms with positive psychology interventions: A practice-friendly meta-analysis. Journal of Clinical Psychology, v. 65, n. 5, p. 467-487, 2009. doi:10.1002/jclp.20593.
PEREIRA, E. T. Contribuições da Psicologia Positiva: estímulo para ações conscientes de bem-estar para aluno(a)s das Universidades Abertas à Terceira Idade. Revista Longeviver, Ano IV, n. 13, 2022.
PUGLIA, C. C. et al. Abordagens para o envelhecimento ativo e saúde do idoso. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 4, p. 1320-1330, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n4p1320-1330.
REVISTA ft. Normas | Template ABNT. [s.l.]: Revista ft, [s.d.]. (Guia baseado na NBR 10520/2023 e NBR 6023/2002).
ROCHA, A. M. F.; VERAS, P. R. M.; AMORIM, M. V. C. Psicologia e envelhecimento saudável: estratégias para promoção da qualidade de vida na terceira idade. Revista Foco, v. 17, n. 11, e6925, 2024. DOI: 10.54751/revistafoco.v17n11-169.
ROCHA, Alice Maris Ferreira; VERAS, Paulo Roberto Miranda; AMORIM, Marcelo Vinicius Costa. Psicologia e envelhecimento saudável: estratégias de promoção da qualidade de vida na terceira idade. Revista Foco, v. 17, n. 11, e6925, p. 1-21, 2024. DOI: 10.54751/revistafoco.v17n11-169.
SILVA, D. da C. et al. A Universidade Aberta à Terceira Idade: promovendo justiça social e inclusão no envelhecimento ativo. Revista VIDA: Ciências Humanas (VICH), v. 3, n. 1, 2024. DOI: 10.63021/issn.2965-8853.v3n1a2024.211.
1 Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau Campus Palmas. Email: rayannealves596@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau Campus Palmas. Email: sobral.lindoraci@gmail.com
3 Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau Campus Palmas. Email: katiabonfim-@hotmail.com
4 Docente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau Campus Palmas. Especialista em Gestão de Pessoas, Psicólogo Social e Psicanalista. E-mail: psicólogo.lucasborges@gmail.com
