PROTOCOLOS DE EXERCÍCIO PARA O ENVELHECIMENTO ATIVO: UMA REVISÃO SOBRE A EFICÁCIA DO TREINAMENTO INTERVALADO, COMBINADO E DOMICILIAR NA APTIDÃO FUNCIONAL DE IDOSOS

EXERCISE PROTOCOLS FOR ACTIVE AGING: A REVIEW OF THE EFFECTIVENESS OF INTERVAL, COMBINED, AND HOME-BASED TRAINING ON THE FUNCTIONAL FITNESS OF OLDER ADULTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511191157


Elinne Rayra Ventura Rodrigues1
Jéssica Farias Macedo2


Resumo

Introdução: A sarcopenia representa um desafio central da saúde pública no Brasil, diante do rápido envelhecimento populacional. O exercício físico, especialmente as modalidades de alta intensidade (HIIT) e combinadas (aeróbico e resistência), é uma intervenção principal, sendo crucial investigar sua eficácia e modelos de entrega prática. Objetivo: Avaliar a eficácia de diferentes modalidades de exercício (aeróbico, intervalado e combinado) na melhoria da exigência cardiorrespiratória, força muscular e capacidade funcional em idosos. Materiais e Método: Realizou-se uma Revisão de Literatura nas bases BVS, PubMed/MEDLINE e LILACS, concentrando-se em Ensaio Clínicos Randomizados (RCTs) publicados nos últimos 10 anos, com disciplinas de treinamento aeróbico, HIIT ou combinado em idosos (≥60 anos). Dos 2.192 artigos encontrados, 4 foram selecionados para riqueza qualitativa. Resultados: Os 4 RCTs incluídos confirmaram que o Treinamento Intervalado (HIIT/IATP-R) é altamente eficaz, promovendo aumentos significativos (até 16%) no VO₂pico. O HIIT não supervisionado apresentou elaboração ao supervisionado. O treinamento domiciliar combinado resultou em melhorias diretas na força muscular e na capacidade funcional (TUG e levantamento da cadeira) em idosos com sarcopenia. Contudo, o aumento na atividade vigorosa pode reduzir o ritmo da atividade física, proporcionando um efeito de deslocamento comportamental. Conclusão: O HIIT e o treinamento combinado são estratégias potentes e seguras, com alta adesão, especialmente em modelos de entrega domiciliar, e devem ser priorizados na prática clínica. É fundamental que futuras intervenções abordem também a redução do tempo sedentário total para melhorar os benefícios.   

Palavras-chave: “Idoso”. “Sarcopenia”. “Exercício Combinado”. “Capacidade Funcional”.

Abstract

Background: Sarcopenia represents a central public health challenge in Brazil, given the rapid aging population. Physical exercise, especially high-intensity interval training (HIIT) and combined modalities (aerobic and resistance), is a key intervention, making it crucial to investigate its effectiveness and practical delivery models. Pourpose: To assess the effectiveness of different exercise modalities (aerobic, interval, and combined) in improving cardiorespiratory fitness, muscle strength, and functional capacity in older adults. Methods: A literature review was conducted in the BVS, PubMed/MEDLINE, and LILACS databases, focusing on Randomized Controlled Trials (RCTs) published in the last 10 years, including studies on aerobic training, HIIT, or combined training in older adults (≥60 years). Of the 2,192 articles found, 4 were selected for qualitative richness. Results: The 4 included RCTs confirmed that Interval Training (HIIT/IATP-R) is highly effective, promoting significant increases (up to 16%) in peak VO₂. Unsupervised HIIT showed a a comparable effect to supervised HIIT. Combined home training resulted in direct improvements in muscle strength and functional capacity (TUG and chair stand) in older adults with sarcopenia. However, the increase in vigorous activity may reduce the pace of physical activity, providing a behavioral displacement effect. Conclusion: HIIT and combined training are powerful and safe strategies with high adherence, especially in home delivery models, and should be prioritized in clinical practice. It is crucial that future interventions also address the reduction of total sedentary time to enhance the benefits.

Keywords: “Elderly”. “Sarcopenia”. “Combined Exercise”. “Functional Capacity”.

1  INTRODUÇÃO

O panorama demográfico brasileiro tem sofrido uma transformação profunda e acelerada, impulsionada pela queda da taxa de fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida. Projeções recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a proporção de idosos (60 anos ou mais) na população brasileira quase foi aplicada entre 2000 e 2023, com estimativa de atingir cerca de 37,8\% dos habitantes até 2070 (IBGE, 2024). Este avanço na longevidade exige a necessidade urgente de aprofundar o conhecimento sobre as condições crônicas que comprometem a qualidade e a funcionalidade do envelhecimento. Nesse contexto, a sarcopenia, definida pela perda progressiva de massa e força muscular, é um desafio central na saúde pública, por estar associada a desfechos negativos como quedas, fraturas e mortalidade (Kirk et al., 2024).

A sarcopenia deixou de ser vista como uma manifestação passiva do envelhecimento, sendo hoje reconhecida como uma condição patológica que exige intervenção proativa, ocorrendo não apenas à preservação da massa muscular, mas também à otimização da exclusão cardiorrespiratória e à capacidade funcional global. O exercício físico é universalmente aceito como a principal estratégia para o manejo dessa condição e para a promoção do envelhecimento do ativo.

Contudo, a busca pela prescrição de exercício mais eficiente evoluiu, abrangendo o debate sobre intensidade e modelo de entrega. Enquanto o treinamento aeróbico contínuo (moderado) é tradicionalmente valorizado, o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) tem emergido como uma alternativa robusta, demonstrando em metanálises ser um estímulo time-efficient e altamente eficaz para aumentar o VO₂ em adultos mais velhos, superando o treinamento de intensidade moderada para desfechos cardiovasculares (Weller et al., 2023). Além disso, o treinamento multicomponente (combinado), que integra os estímulos aeróbicos e de força/resistência, tem sido consistentemente recomendado como o padrão-ouro para o tratamento da sarcopenia, maximizando os ganhos de força e a função física (Hurst et al., 2022).

Além da eficácia intrínseca, a aplicabilidade prática do exercício é um fator limitante. As barreiras de acesso a centros de reabilitação contribuíram para a investigação de programas domiciliares. Evidências recentes de ensaios clínicos demonstram que o exercício de resistência progressiva e o treinamento combinado podem ser implementados com sucesso no ambiente domiciliar, resultando em ganhos de força e função em idosos, desde que haja progressão gradual e acompanhamento adequado, garantindo a segurança e alta adesão (McManus et al., 2022). A relevância dessa abordagem se estende à necessidade de influenciar os padrões de atividade física diária, combatendo o tempo sedentário que persiste mesmo em idosos que praticam exercícios estruturados (Patterson et al., 2021).

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo investigar a eficácia e a aplicabilidade de diferentes modalidades e protocolos de exercício incluindo o treinamento aeróbico, o intervalado e o combinado, bem como seus modelos de entrega na melhoria da força muscular, da capacidade funcional e dos marcadores de saúde cardiometabólica em idosos. Esta revisão de literatura busca consolidar o conhecimento existente, fornecido com subsídios científicos para que a intervenção por exercício seja baseada de forma otimizada na prática clínica.

O objetivo principal desta revisão de literatura é avaliar a eficácia de diferentes modalidades de exercício (aeróbico, intervalado e combinado) na melhoria da eficiência cardiorrespiratória, força muscular e capacidade funcional em idosos.

2  MATERIAIS E MÉTODO

O presente estudo configura-se como uma Revisão de Literatura, que visa sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre os benefícios de diferentes modalidades de treinamento físico como abordagem fisioterapêutica em idosos. A busca bibliográfica foi realizada no mês de novembro de 2025, concentrando-se em artigos publicados nos últimos 10 anos, de modo a privilegiar a literatura mais recente. As bases de dados eletrônicos utilizadas para o levantamento foram: Biblioteca Virtual em Saúde BVS, PubMed/MEDLINE e LILACS.

A seguinte estratégia de busca foi estruturada utilizando os descritores e palavras-chave, combinadas com os operadores booleanos “AND” e “OR”.  A busca principal aplicada foi a seguinte, com variações linguísticas e operadores de campo em todas base de dados “Aged” AND “Sarcopenia” AND “Aerobic Exercise” OR “Exercise” OR “Training” OR “Physical Fitness” AND “Functional Recovery” OR “Functional Performance” . Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram artigos originais do tipo ensaio clínico randomizado ou estudos experimentais e estão disponíveis na íntegra nos idiomas inglês ou português, terem como população-alvo idosos +/- 60 anos, incluindo aqueles com sarcopenia ou indivíduos sedentários e ativos na comunidade. Analisarem a intervenção de treinamento aeróbico, treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT/IATP) ou treinamento combinado.

Os estágios de interesse abrangeram força, mobilidade, equilíbrio, funcionalidade, extrema cardiorrespiratória e qualidade de vida. Por outro lado, foram estabelecidos como critérios de exclusão de estudos que não estão disponíveis na íntegra, populações diferentes (como crianças, adultos jovens, atletas), que apresentassem o uso de tecnologia como abordagem terapêutica principal, ou envolveram pacientes que apresentavam comorbidades graves que poderiam interferir significativamente no protocolo de exercício (como insuficiência cardíaca grave ou hipoxemia grave). Após a realização das buscas, os artigos foram rigorosamente filtrados pelos critérios de inclusão e exclusão. Em seguida, foi feita uma leitura exploratória dos documentos de maneira clara e objetiva para garantir a relevância e adequação dos estudos. Os dados considerados relevantes foram extraídos dos estudos selecionados e a análise das sínteses dos achados será realizada de forma descritiva e qualitativa. Os resultados e a discussão das evidências serão apresentados em quadros e tabelas para organizar e facilitar a visualização e interpretação dos achados.

3  RESULTADOS 

Foram encontrados artigos nas bases PubMed, BVS, MEDline e Lilacs que através dos descritores utilizados tiveram relevância para estes estudos, onde foram encontrados no total de 2192 artigos, sendo duplicados 5, artigos selecionados para leitura de título e resumo 32, sendo excluídos 28 artigos, restando 4 artigos para elaboração do presente artigo de revisão, conforme a figura 1.

Figura 1- Fluxograma do estudo.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.

Os quatro estudos desenvolvidos (Liu M. et al., 2024; Sian TS et al., 2022; Wang X et al., 2020; e Bouaziz W et al., 2017) investigaram a eficácia de diferentes modalidades de exercícios incluindo treino combinado, treino intervalado de alta intensidade (HIIT) e treino aeróbico em populações idosas, focando em melhorias na prescrição cardiorrespiratória, força muscular, capacidade funcionais e aspectos comportamentais e cardiometabólicos.

A resistência cardiorrespiratória e a resistência ao exercício foram finais primários ou secundários em três dos quatro estudos, demonstrando melhorias consistentemente significativas através de diferentes protocolos de treinamento. Sendo eles o Treinamento Intervalado (HIIT/IATP-R), O estudo de Bouaziz W et al. (2017) , utilizando o Treinamento Aeróbico Intervalado com Sessões de Recuperação (IATP-R) em cicloergômetro, foi altamente eficaz, resultando em um aumento de +14,1% no Pico de Consumo de Oxigênio (VO₂pico) e um notável aumento de +19,2% na Potência Máxima Tolerada (MTP) em idosos sedentários. Da mesma forma, Sian TS et al. (2022) observaram um aumento de 16% no VO₂ pico com o HIIT não supervisionado. Treinamento Combinado de Liu M. et al. (2024) relatando melhorias significativas na capacidade cardiorrespiratória, medida pela Distância de Caminhada de 6 Minutos (TC6), após o programa domiciliar combinado (resistido e aeróbico). A Capacidade Funcional Global; O IATP-R de Bouaziz W et al. (2017) também melhorou a capacidade funcional global, aumentando a distância percorrida no Teste de Caminhada de 6 Minutos em +11,6%.

A força e a função muscular, cruciais para a prevenção da sarcopenia e fragilidade, foram melhoradas pelo treinamento resistido e combinado. O programa domiciliar progressivo de Liu M. et al. (2024) , focado em idosos com sarcopenia, demonstrou melhorias significativas na força dos músculos extensores e flexores do joelho.  O mesmo estudo de Liu M. et al. (2024) revisado em melhorias na função física, especificamente no desempenho do teste de levante da cadeira em 30 segundos e no teste Timed Up-and-Go (TUG).

Dois estudos focaram na eficácia de modelos de entrega de exercício fora do ambiente laboratorial, ambos confirmando a aplicabilidade e segurança dessas abordagens. HIIT Não Supervisionado (Domiciliar); Sian TS et al. (2022) concluíram que o HIIT sem equipamento, realizado em casa e de forma não supervisionada (H-HIIT), foi tão eficaz quanto o treino supervisionado em laboratório (L-HIIT) para melhorar o rendimento cardiorrespiratório e a tolerância ao exercício. O IATP-R (com recuperação) de Bouaziz W et al. (2017) apresentou uma taxa de adesão notavelmente alta ( 94,7% ), com zero eventos adversos, validando o protocolo como seguro e aplicável para a população idosa.

O modelo domiciliar de Liu M. et al. (2024) obteve boa adesão (82,9% a 85,4%), apoiando as propostas de programas de exercício remoto e progressivo em idosos com condições específicas (sarcopenia). Os estudos também abordaram a influência do exercício em marcadores de saúde cardiometabólica e padrões de atividade física diária.

Sian TS et al. (2022) descobriu que o HIIT, mesmo em sessões curtas e sem equipamento, levou a melhorias na pressão arterial e na sensibilidade à glicose  O estudo de Wang X et al. (2020) sobre a dose de treino aeróbico revelou um aumento significativo tanto na Atividade Física Moderada a Vigorosa (MVPA) quanto no número de passos diários. No entanto, sugeriu-se também uma redução no tempo de Atividade Física Leve (LPA), indicando um efeito de deslocamento de tempo em que os idosos substituem o LPA pelo tempo sedentário.

4  DISCUSSÃO

A presente discussão visa comparar e analisar criticamente os resultados de quatro ensaios clínicos recentes (Liu M. et al., 2024; Sian TS et al., 2022; Wang X et al., 2020; e Bouaziz W et al., 2017) que avaliam diferentes modalidades de intervenção de exercício em populações idosas. As descobertas demonstram um consenso na eficácia de protocolos de alta intensidade e modelos de entrega domiciliar, ao mesmo tempo que levantam questões sobre a aplicabilidade e o impacto em padrões comportamentais diários.

Os resultados obtidos nos estudos de Bouaziz W et al. (2017) e Sian TS et al. (2022) reforçam a literatura atual que preconiza o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) como o método mais eficiente para aumentar o Pico de Consumo de Oxigênio em adultos idosos , superando tipicamente o treinamento contínuo de intensidade moderada.

BouazizW et al. (2017) reportaram um aumento de +14,1% no VO₂ e +19,2% na Potência Máxima Tolerada (MTP) utilizando o Treinamento Aeróbico Intervalado com Sessões de Recuperação (IATP-R). Esses ganhos robustos são comparáveis  a revisões sistemáticas que indicam aumentos de HIIT em idosos. A incorporação estratégica de períodos de recuperação ativa e de baixa intensidade no protocolo é crucial e pode ser uma técnica justificativa para a alta adesão. Isso sugere que o design cuidadoso do protocolo pode mitigar a percepção de esforço extremo, que muitas vezes é uma barreira para a adesão em idades avançadas.

Por sua vez, Sian TS et al. (2022) geraram um aumento com um protocolo de HIIT sem equipamento e não supervisionado. Esse achado é técnico significativo, pois demonstra que os estímulos fisiológicos necessários para induzir a biogênese mitocondrial e as adaptações centrais e periféricas podem ser atingidos através de exercícios com peso corporal. refutando a necessidade de equipamentos especializados ou supervisão constante para resultados fisiológicos de alta magnitude. A equivalência de resultados entre o treino supervisionado em laboratório (L-HIIT) e o domiciliar não supervisionado (H-HIIT) é uma discussão de alta relevância clínica e de saúde pública.

O estudo de Liu M. et al. (2024) foca no treinamento combinado (resistido e aeróbico) em idosos com sarcopenia, um grupo que se beneficia primariamente do componente resistido para combater a perda de massa e força muscular.

A combinação é essencial, pois o treinamento resistido otimiza a força muscular (confirmado pelas melhorias nos extensores/flexores do joelho) e o treinamento aeróbico (caminhada) otimiza a ACR e a capacidade funcional. O achado de melhoria no teste Timed Up-and-Go (TUG) e no levante da cadeira em 30 segundos é uma evidência de transferência funcional direta para as Atividades da Vida Diária (AVDs), que é o objetivo final na intervenção para sarcopenia e fragilidade.

O aspecto mais crítico desta pesquisa é a entrega domiciliar progressiva e graduada . A progressão individualizada, ajustada pela Escala de Esforço Percebido ( RPE ), é um ponto avançado. Um RPE permite que uma intervenção seja segura e ajustável em um ambiente não supervisionado, diferentemente de métodos tradicionais baseados em repetições máximas (RM), que são inviáveis  fora do laboratório. A boa adesão sugere que a percepção de controle e a conveniência de superam as barreiras logísticas, concordando com a necessidade de modelos de reabilitação mais flexíveis para doenças crônicas.

Os resultados demonstram que o exercício intenso traz benefícios sistêmicos que vão além do ACR e da força, mas também revelam complexidade na mudança de hábitos diários. O estudo de Sian TS et al. (2022) destacaram ganhos clínicos em saúde cardiometabólica (melhora da pressão arterial e sensibilidade à glicose com redução da insulina em, sublinhando que o HIIT é uma estratégia terapêutica eficaz não apenas para o condicionamento físico, mas também para a resiliência física geral do idoso.

Estudo de Wang X et al. (2020) levanta uma discussão crítica sobre as disciplinas aeróbicas. Embora ambas as doses de caminhada aumentem a Atividade Física Moderada a Vigorosa, observou-se uma redução significativa no tempo de Atividade Física Leve. Este efeito de deslocamento de tempo sugere que o aumento do tempo de exercício estruturado pode levar os indivíduos a compensarem, diminuindo o movimento incidental ou a atividade leve ao longo do dia. Esse achado é vital para o desenvolvimento de programas sustentáveis, pois indica que o foco deve ser tanto no aumento do exercício de alta intensidade (para benefícios fisiológicos) quanto na redução do tempo sedentário total (para evitar o deslocamento da LPA), algo que programas de intervenção muitas vezes não abordam particularmente.

5  CONCLUSÃO

Os resultados analisados  confirmam que o exercício de alta intensidade, especificamente o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade HIIT, é uma estratégia potente para o aumento da emissão cardiorrespiratória VO₂pico em idosos. Foi demonstrado que o HIIT oferece ganhos fisiológicos simpatizantes, como o aumento da tolerância ao exercício e da potência muscular, sendo um método seguro e bem aceito, com elevadas taxas de adesão, especialmente quando o protocolo de recuperação é otimizado.

Além disso, os estudos confirmaram a eficácia do treinamento combinado (multicomponente), com a integração de exercícios resistidos e aeróbicos, como abordagem crucial para o manejo da sarcopenia, resultando em melhorias diretas na força muscular (extensores/flexores do joelho) e na capacidade funcional (TUG e teste de levantamento da cadeira).

Um ponto central desta revisão é a validação dos modelos de entrega domiciliar (não supervisionado) . Os achados indicam que o HIIT e o treinamento combinado podem ser implementados com sucesso no ambiente doméstico, sendo eficazes na promoção de melhorias cardiorrespiratórias e de força em idosos. Esses modelos são fundamentais para transportar as barreiras logísticas e promover a continuidade do exercício na vida diária.

Apesar da clareza das descobertas sobre a eficácia do treinamento de alta intensidade e combinado, é importante destacar a dificuldade em encontrar um número extenso de artigos que combinam de forma direta os três pilares centrais deste estudo (HIIT, Treinamento Combinado e Modelo Domiciliar) em uma única intervenção. A escassez de pesquisas que abordam simultaneamente esses fatores em populações clínicas específicas, como idosos com sarcopenia confirmada, impõe uma limitação na profundidade de certas análises comparativas.

Os dados apontam uma direção clara para a prática clínica da fisioterapia e da geriatria: a prescrição de intensidade e a flexibilidade do ambiente são chaves para o sucesso. Ó HIIT e os protocolos combinados domiciliares devem ser priorizados em programas de promoção da saúde do idoso.

No entanto, é fundamental observar o efeito de deslocamento comportamental, onde o aumento da atividade física vigorosa estruturada (exercício) pode levar à redução do tempo gasto em atividades leves no restante do dia. Isso sugere que as intervenções futuras devem focar não apenas na dose do exercício, mas também na redução do tempo sedentário total. Além disso, a heterogeneidade dos protocolos, dos instrumentos de avaliação e das disposições impõe cautela na generalização completa dos resultados, embora as tendências de eficácia e segurança sejam claras.

Conclui-se que o treinamento de alta intensidade e os modelos flexíveis e multicomponentes representam a fronteira mais promissora da intervenção por exercício para melhorar a funcionalidade, exigindo cardiorrespiratória e saúde metabólica na população idosa.

REFERÊNCIAS 

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1 Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2 Especialista em FISIOTERAPIA Traumato-Ortopédica, Docente do Curso de
Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE
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