PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL E SEUS BENEFÍCIOS NA QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511111627


Elaine Dias Silva de Souza1
Orientadora: Profa. Luciana Freitas Bezerra2
Coorientador: Paulo Victor da Costa Campos3


RESUMO

Este artigo realiza uma revisão de literatura sobre os benefícios da prótese parcial removível (PPR) na qualidade de vida de pacientes com perda dentária parcial. Através da análise de estudos recentes, foram investigados os impactos funcionais, estéticos e psicossociais da PPR, destacando sua relevância na odontologia contemporânea. Os resultados indicam que a PPR contribui significativamente para a restauração da função mastigatória, melhora da estética facial e aumento da autoestima, promovendo também a reinserção social do paciente. Além disso, o estudo ressalta a importância do acompanhamento clínico contínuo e da adesão às orientações de higiene para a longevidade e sucesso do tratamento. Apesar do avanço das próteses fixas e implanto-suportadas, a PPR mantém-se como uma alternativa acessível, eficaz e humanizada, especialmente para populações com restrições socioeconômicas. Por fim, enfatiza-se a necessidade de abordagens multidisciplinares para otimizar os resultados reabilitadores e promover benefícios duradouros ao paciente.

Palavras-chave: prótese parcial removível, qualidade de vida, reabilitação oral, autoestima, função mastigatória, odontologia reabilitadora.

INTRODUÇÃO

A perda dentária parcial é um problema comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, impactando não apenas a função mastigatória, mas também a fonética, a estética e a qualidade de vida dos pacientes (Marinho; Menegheli, 2024). Diante desse cenário, a reabilitação oral torna-se essencial para restaurar a harmonia do sistema estomatognático e proporcionar um melhor bem-estar ao indivíduo. Entre as opções de tratamento disponíveis, a prótese parcial removível (PPR) destaca-se como uma solução acessível e eficaz, especialmente para pacientes que, por razões anatômicas, sistêmicas ou financeiras, não podem se submeter a reabilitações fixas ou implanto-suportadas (Medeiros; Almeida, 2018).

A PPR é um dispositivo protético removível que visa substituir dentes ausentes e restabelecer as funções orais de maneira funcional e estética. Sua estrutura pode ser confeccionada em diferentes materiais, como metal, acrílico ou polímeros flexíveis, permitindo que o tratamento seja adaptado às necessidades individuais de cada paciente (Sugio et al., 2019). Além da devolução da capacidade mastigatória, essa modalidade de reabilitação previne o deslocamento dos dentes remanescentes, preservando a oclusão e evitando problemas futuros, como desequilíbrios na articulação temporomandibular (ATM) e reabsorção óssea acelerada (Girotto et al., 2022).

Os benefícios proporcionados pela prótese parcial removível vão além da função mastigatória. Estudos indicam que pacientes reabilitados com PPR apresentam melhora na autoestima e na sociabilidade, uma vez que a reabilitação estética desempenha um papel fundamental na percepção da própria imagem e na confiança ao sorrir e se comunicar (Silva, 2022). Além disso, a adaptação a esse tipo de prótese é geralmente rápida, especialmente quando há um correto planejamento e uma execução precisa do tratamento, com atenção à estabilidade, retenção e conforto do dispositivo (Braga; Sousa; Oliveira Júnior, 2024).

Entretanto, o sucesso da PPR depende de diversos fatores, incluindo o adequado planejamento protético, a qualidade dos dentes remanescentes e a adesão do paciente às recomendações de higiene e manutenção. Diferentemente das próteses fixas ou implantos suportadas, a PPR exige uma rotina de cuidados específicos para evitar problemas como acúmulo de biofilme, cáries nos dentes pilares e inflamações gengivais (Girotto et al., 2022). Dessa forma, o acompanhamento profissional regular é imprescindível para garantir a longevidade do tratamento e minimizar possíveis complicações (Ferreirra et al., 2018).

A escolha da prótese parcial removível como modalidade reabilitadora deve ser pautada em uma avaliação criteriosa, considerando não apenas a viabilidade técnica, mas também os impactos na qualidade de vida do paciente (Marinho; Meneghelli, 2024). Diante disso, este estudo tem como objetivo discutir os benefícios da PPR no contexto da odontologia reabilitadora, abordando sua influência na função mastigatória, na saúde oral e na autoestima dos pacientes. Para tanto, será realizada uma revisão de literatura, analisando as mais recentes evidências científicas sobre o tema. Além disso, serão apresentados os principais desafios e inovações relacionadas a essa modalidade terapêutica.

JUSTIFICATIVA

A reabilitação oral é um dos pilares da odontologia moderna, sendo essencial para restaurar a função mastigatória, a estética e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com a perda dentária parcial. No entanto, a escolha da melhor modalidade de tratamento depende de fatores individuais, como condições anatômicas, sistêmicas e socioeconômicas. Nesse contexto, a prótese parcial removível (PPR) continua sendo uma alternativa viável e amplamente utilizada, oferecendo benefícios funcionais e psicológicos aos pacientes (Medeiros; Almeida, 2018).

Apesar da relevância da PPR, observa-se uma necessidade constante de atualização científica sobre seus impactos clínicos e sociais, especialmente diante dos avanços tecnológicos em materiais e técnicas de confecção. Estudos indicam que a adaptação do paciente à PPR e sua satisfação com o tratamento estão diretamente relacionadas ao planejamento adequado e à qualidade da reabilitação, fatores que influenciam desde a preservação da oclusão até a prevenção de problemas como reabsorção óssea e alterações na articulação temporomandibular (Girotto et al., 2022; Sugio et al., 2019).

Além dos aspectos funcionais, a literatura aponta que a reabilitação estética promovida pela PPR tem um impacto significativo na autoestima e na socialização dos pacientes, contribuindo para uma melhor percepção da própria imagem e maior confiança ao sorrir e se comunicar (Silva, 2022; Braga; Sousa; Oliveira Júnior, 2024). Contudo, para que esses benefícios sejam alcançados, é fundamental que haja um acompanhamento profissional adequado e uma abordagem educativa sobre a manutenção e os cuidados com a prótese, evitando complicações como inflamações gengivais e acúmulo de biofilme (Ferreira et al., 2018).

Diante disso, torna-se imprescindível revisar criticamente a literatura científica sobre a prótese parcial removível, analisando suas vantagens, limitações e inovações no campo da odontologia reabilitadora. Este estudo justifica-se pela necessidade de reunir e discutir as evidências mais recentes sobre o tema, proporcionando uma visão abrangente que auxilie na tomada de decisões clínicas e na otimização dos tratamentos protéticos. A realização desta revisão bibliográfica permitirá consolidar conhecimentos atualizados sobre a PPR, contribuindo para o aprimoramento das condutas profissionais e para uma reabilitação oral mais eficaz e humanizada.

OBJETIVOS

Objetivo Geral

Analisar os benefícios da prótese parcial removível (PPR) na qualidade de vida dos pacientes, considerando seus impactos na função mastigatória, na estética, na saúde oral e no bem-estar psicossocial, a partir de uma revisão bibliográfica das evidências científicas mais recentes.

Objetivos Específicos

Identificar os principais fatores que influenciam a escolha da PPR como modalidade de reabilitação oral, levando em conta aspectos anatômicos, sistêmicos e socioeconômicos. Avaliar seus efeitos na preservação da oclusão e na manutenção da saúde do sistema estomatognático. Discutir sua influência na autoestima e na sociabilidade dos pacientes, analisando o impacto da reabilitação estética na percepção da própria imagem. Revisar as recomendações para manutenção e higiene da PPR, ressaltando a importância do acompanhamento profissional na longevidade do tratamento. Apresentar as principais inovações tecnológicas e científicas que buscam aprimorar a adaptação, o conforto e a durabilidade da prótese.

METODOLOGIA

A metodologia deste artigo acadêmico foi desenvolvida por meio de uma revisão sistemática da literatura, com o objetivo de investigar os benefícios da prótese parcial removível (PPR) na qualidade de vida de pacientes com perda dentária parcial. Serão incluídos tanto estudos qualitativos quanto quantitativos, que abordem de forma direta as implicações funcionais, estéticas e psicossociais da utilização da PPR.

O processo de investigação terá início com a seleção criteriosa das fontes de dados, priorizando bases científicas amplamente reconhecidas, como PubMed, Scopus, Google Scholar, Bireme e Dental Resource. Nessas plataformas, serão conduzidas buscas sistemáticas com o objetivo de reunir publicações atualizadas e pertinentes ao escopo da pesquisa.

A definição dos critérios de inclusão será fundamental para assegurar a relevância e a qualidade dos estudos selecionados. Serão incluídos apenas artigos publicados nos últimos dez anos, que envolvam pacientes adultos reabilitados com prótese parcial removível. Os estudos devem abordar, obrigatoriamente, aspectos como função mastigatória, saúde oral, autoestima e impactos psicossociais.

Em contrapartida, os critérios de exclusão envolverão a retirada de estudos que não tratem diretamente da PPR, pesquisas envolvendo populações pediátricas e revisões de literatura que não apresentem dados empíricos. A coleta de dados será realizada por meio de um formulário estruturado, elaborado para a extração das informações essenciais de cada estudo, incluindo: autor, ano de publicação, objetivos, metodologia empregada, principais resultados, conclusões e limitações observadas.

A análise dos dados será conduzida de forma qualitativa e quantitativa, agrupando os achados por categorias temáticas que envolvem: impacto na função mastigatória, qualidade de vida, estética e saúde bucal. Os resultados serão organizados e apresentados por meio de tabelas, quadros e gráficos explicativos, facilitando a visualização e compreensão dos dados extraídos.

Na etapa de discussão, os achados serão comparados com os dados já consolidados na literatura, com ênfase nas contribuições que a PPR oferece à qualidade de vida dos pacientes, os desafios enfrentados durante a fase de adaptação e as inovações recentes em materiais e técnicas reabilitadoras. Serão ainda destacados os avanços que a odontologia vem promovendo para melhorar a experiência clínica e subjetiva do paciente usuário de PPR.

Por fim, a conclusão apresentará uma síntese dos principais achados da revisão, acompanhada de recomendações para futuras pesquisas e práticas clínicas, reforçando a importância de considerar não apenas os benefícios funcionais, mas também os aspectos estéticos e psicossociais no planejamento da reabilitação protética. Cabe ressaltar que todos os estudos analisados foram conduzidos com aprovação ética, assegurando o respeito aos direitos autorais e a contribuição científica ética e responsável para o campo da odontologia reabilitadora.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A odontologia contemporânea tem como um de seus principais objetivos a preservação e a restauração da função oral, não apenas em seu aspecto mastigatório, mas também na dimensão estética e psicossocial. A perda dentária parcial, cada vez mais frequente em diferentes faixas etárias, compromete funções essenciais, como a mastigação e a fonética, além de impactar diretamente a autoestima e a qualidade de vida do indivíduo. Nesse cenário, a prótese parcial removível (PPR) mantém-se como uma modalidade de tratamento de grande relevância, mesmo diante do crescimento das alternativas fixas e implanto-suportadas. A literatura aponta que a PPR apresenta vantagens clínicas e socioeconômicas que justificam sua ampla utilização, constituindo um recurso terapêutico acessível, versátil e de significativa importância para a odontologia reabilitadora.

Segundo Marinho e Menegheli (2024), a reabilitação oral com próteses removíveis, sejam totais ou parciais, têm impactos expressivos na qualidade de vida dos pacientes, indo além da devolução da função mastigatória. Os autores destacam que a estética reabilitada influencia diretamente na percepção da imagem pessoal, promovendo maior segurança, confiança e sociabilidade. Nesse sentido, a PPR cumpre uma dupla função: ao mesmo tempo em que possibilita a recuperação funcional, também atende a uma demanda subjetiva e social, auxiliando no enfrentamento das limitações emocionais decorrentes da ausência dentária. Essa visão amplia a compreensão do papel da PPR, mostrando que ela deve ser considerada não apenas como uma solução clínica, mas também como uma ferramenta de reinserção social.

Medeiros e Almeida (2018) corroboram essa perspectiva ao enfatizar que a satisfação dos pacientes reabilitados com PPR está diretamente relacionada ao impacto psicossocial do tratamento. Para os autores, a prótese parcial removível, ainda que por vezes vista como uma solução de menor prestígio em comparação aos implantes, permanece sendo uma alternativa válida e eficaz, sobretudo por sua relação custo-benefício. O baixo custo e a maior acessibilidade financeira a tornam viável para diferentes perfis socioeconômicos, especialmente em contextos de saúde pública ou em comunidades com acesso restrito a tecnologias mais avançadas. Além disso, Medeiros e Almeida observam que o processo de adaptação à PPR é relativamente rápido, desde que haja planejamento adequado e acompanhamento profissional, reforçando a importância de uma abordagem clínica criteriosa.

No campo biomecânico, Braga, Sousa e Oliveira Júnior (2024) ressaltam que a longevidade e a funcionalidade da PPR dependem de uma observância rigorosa dos princípios de retenção, estabilidade e suporte. A literatura indica que falhas no planejamento biomecânico resultam em desconforto, instabilidade e até mesmo em danos aos dentes remanescentes. Assim, o sucesso do tratamento está diretamente ligado à integração entre conhecimento técnico e personalização terapêutica. Esse aspecto reforça a necessidade de um olhar multidimensional do cirurgião-dentista, que deve considerar tanto a estrutura anatômica e oclusal do paciente quanto os fatores estéticos e subjetivos. Dessa forma, a prótese parcial removível não deve ser encarada como um recurso padronizado, mas como uma solução adaptável e dependente de um planejamento individualizado.

Ainda em relação à estrutura e materiais, Sugio et al. (2019) discutem os diferentes tipos de PPR, evidenciando a evolução tecnológica e o impacto da escolha do material sobre a experiência do paciente. As próteses confeccionadas em metal, embora reconhecidas pela durabilidade, podem gerar desconforto estético em alguns casos, enquanto as de acrílico e polímeros flexíveis oferecem maior discrição visual e conforto, ainda que apresentem limitações de resistência. Os autores destacam que a escolha do material não deve ser pautada apenas pela durabilidade, mas também pela aceitação estética, pelo conforto de uso e pela adaptação psicológica do paciente. Nesse sentido, a odontologia contemporânea vem buscando alternativas cada vez mais inovadoras, unindo resistência, biocompatibilidade e estética.

Além dos aspectos materiais, a literatura ressalta a função preventiva da PPR. Girotto et al. (2022) apontam que a utilização da prótese não apenas restaura a função mastigatória, mas também contribui para prevenir problemas adicionais, como deslocamento dentário, alterações oclusais e complicações articulares. A ausência dentária parcial, quando não tratada, pode resultar em sobrecarga dos dentes remanescentes e em desequilíbrios na articulação temporomandibular, comprometendo a saúde do sistema estomatognático como um todo. Dessa forma, a PPR atua como um recurso terapêutico capaz de interromper processos degenerativos que comprometeriam ainda mais a saúde bucal e sistêmica do paciente.

No campo psicossocial, Silva (2022) reforça que a PPR exerce papel fundamental na autoestima e na qualidade de vida. A reabilitação estética devolve ao paciente a confiança para sorrir, interagir socialmente e restabelecer vínculos interpessoais, aspectos muitas vezes negligenciados na prática clínica, mas de relevância central na perspectiva do paciente. O autor destaca que a ausência dentária pode gerar sentimentos de inferioridade, isolamento e até depressão, enquanto a reabilitação protética, ao devolver a estética e a função, contribui para a reintegração social e para a saúde mental do indivíduo.

No entanto, apesar dos inegáveis benefícios, a literatura também chama atenção para os desafios relacionados à manutenção e à longevidade da PPR. Ferreira et al. (2018), ainda que tenham investigado pacientes com próteses totais, destacam aspectos que também se aplicam às PPRs: o sucesso do tratamento depende do acompanhamento clínico contínuo e da adesão do paciente às orientações de higiene e uso. A falta de cuidado adequado pode levar ao acúmulo de biofilme, ao desenvolvimento de cáries em dentes pilares e a inflamações gengivais. Nesse sentido, o acompanhamento profissional deve ser compreendido como parte integrante e indispensável do tratamento, e não apenas como uma etapa complementar.

Al-Dwari et al. (2015) compararam pacientes usuários de overdenture mandibular e de PPR, verificando que o grupo com PPR apresentou índices menos favoráveis em parâmetros subjetivos de satisfação, habilidade mastigatória e qualidade de vida. Apesar disso, o estudo reforça que a PPR continua desempenhando papel importante em situações de limitações financeiras ou estruturais, sendo fundamental para a reinserção social.

Em contrapartida, revisões sistemáticas mais recentes demonstram índices de satisfação significativos com a PPR. Al-Jabrah et al. (2023) identificaram taxas de contentamento entre 50% e 81%, associadas a variáveis como idade, gênero, experiência prévia, além do tipo de material utilizado na confecção, sendo que próteses flexíveis e estéticas tendem a gerar maior aceitação. Essa constatação reforça a necessidade de individualizar o planejamento terapêutico, considerando não apenas o custo, mas também fatores subjetivos do paciente.

A qualidade de vida relacionada à saúde oral é outro ponto recorrente. Berretin-Felix e Nishioka (2015) observaram que, embora os pacientes apresentem melhora significativa nos primeiros anos de uso da PPR, complicações clínicas, como desconforto e inflamações gengivais, podem reduzir parte desses benefícios. Esse achado converge com os resultados de Ahmed et al. (2017), que avaliaram adultos sudaneses e encontraram limitações funcionais e psicológicas associadas ao uso prolongado, destacando a importância da adesão a protocolos de higiene e acompanhamento contínuo.

No campo da eficácia do tratamento, Yoshida et al. (2017) confirmam que o impacto positivo da PPR sobre a qualidade de vida está relacionado, sobretudo, à substituição de dentes anteriores, que favorece tanto a estética quanto a função mastigatória. Já Stark, Ziebert e Wöstmann (2017), em revisão sistemática, apontam que fatores como idade, número de dentes substituídos e a situação da arcada oposta influenciam diretamente na percepção do paciente, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada.

A qualidade técnica da prótese também foi apontada como determinante. Fujimori et al. (2008) demonstraram que próteses confeccionadas com maior rigor biomecânico estavam diretamente relacionadas a melhores índices de qualidade de vida, mensurados pelo OHIP, sugerindo que a excelência na execução clínica pode mitigar queixas relacionadas ao uso da PPR.

Por fim, Martins (2024), em um acompanhamento longitudinal de um ano, demonstrou altos índices de satisfação (média 8,81/10), com impacto mínimo nos domínios físicos, emocionais e sociais. O principal desafio relatado foi a mastigação de alimentos mais duros, o que reforça a necessidade de orientações alimentares específicas e ajustes periódicos.

Diante dessas evidências, observa-se que, embora a PPR seja considerada uma opção de menor prestígio frente a implantes e próteses fixas, seu papel permanece essencial. A literatura aponta que os benefícios vão além da restauração funcional, abrangendo aspectos psicossociais e de autoestima. Entretanto, para garantir maior longevidade e conforto, o acompanhamento profissional e a confecção de próteses de qualidade são elementos indispensáveis. Assim, a PPR mantém-se como uma modalidade reabilitadora viável, eficaz e humanizada, especialmente para populações com restrições financeiras ou anatômicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prótese parcial removível (PPR) permanece como uma modalidade terapêutica essencial na reabilitação oral de pacientes com perda dentária parcial, sobretudo em contextos nos quais acessibilidade e custo representam fatores determinantes. Os achados desta revisão evidenciam que os benefícios da PPR transcendem a mera restauração funcional da mastigação, abrangendo melhorias significativas na estética, na saúde bucal e no bem-estar psicossocial dos pacientes.

Os impactos positivos da PPR na qualidade de vida revelam-se múltiplos e interdependentes. Ao restabelecer a função mastigatória, a prótese contribui para uma nutrição adequada, favorecendo a manutenção da saúde sistêmica. Paralelamente, a recuperação estética devolve ao paciente segurança, autoconfiança e sociabilidade, elementos essenciais para a reinserção social e para o enfrentamento das limitações emocionais decorrentes da ausência dentária. Tais aspectos corroboram estudos que destacam a influência direta da PPR na autoestima, na satisfação pessoal e na reintegração comunitária.

Todavia, para que esses benefícios se concretizem, é imprescindível a realização de um planejamento individualizado, a confecção de próteses de qualidade e o acompanhamento clínico contínuo. Evidências indicam que a percepção de qualidade técnica da prótese impacta diretamente a satisfação e a saúde oral do paciente, sendo que próteses mal adaptadas podem reduzir ou mesmo anular os benefícios esperados. Da mesma forma, a adesão do paciente a orientações de higiene e a consultas periódicas é fundamental para prevenir complicações como inflamações gengivais, desconforto mastigatório e comprometimento da função.

Além disso, a literatura reforça que fatores individuais, como idade, número de dentes substituídos e substituição de dentes anteriores, influenciam significativamente os resultados reabilitadores. Nesse sentido, a PPR não deve ser encarada como uma solução padronizada, mas como um recurso adaptável, cuja efetividade depende da integração entre conhecimento técnico, tecnologia empregada e expectativas do paciente.

Diante das evidências apresentadas, recomenda-se a ampliação de estudos que explorem não apenas os aspectos biomecânicos e funcionais da PPR, mas também suas repercussões psicossociais e culturais, em diferentes realidades socioeconômicas. Abordagens multidisciplinares e centradas no paciente poderão contribuir para tratamentos mais humanizados, eficazes e sustentáveis.

Conclui-se, portanto, que a prótese parcial removível permanece uma alternativa válida, necessária e atual na prática odontológica. Seu uso criterioso e planejado tem o potencial de promover não apenas a restauração oral, mas também a transformação da qualidade de vida dos pacientes, consolidando a PPR como uma ferramenta indispensável na odontologia contemporânea.

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1Graduanda em Odontologia
2Especialista em Prótese Dentária, Especialista em DTM e Dor Orofacial e Mestre em Ciências da Saúde.
3Especialista em Odontopediatra