PREVENTION OF URINARY INCONTINENCE DURING PREGNANCY THROUGH PELVIC FLOOR MUSCLE TRAINING: LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511111646
Jocélia Abreu Sousa1
Leticia Souza da Silveira1
Marcia Simone Ramos da Silva1
Silvia dos Santos Barbosa1
Thaiana Bezerra Duarte2
RESUMO
Introdução: O treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) é o tratamento de primeira linha na prevenção da incontinência urinária (IU) procedente da flacidez ou aumento na tensão na musculatura perineal, na maioria das vezes ocasionadas por fatores anatômicos e processos fisiológicos que ocorrem na gestação. Objetivo: Avaliar o treinamento dos músculos do assoalho pélvico como fator preventivo na incontinência urinária gestacional. Materiais e método: Trata-se de um estudo de revisão de literatura, desenvolvido por meio de buscas nas bases BVS, MEDLINE, PEDro, PubMed, Periódicos CAPES e SciELO, abrangendo publicações entre 2013 e 2025. Os critérios de inclusão foram estudos de intervenção fisioterapêutica que abordassem o TMAP como prevenção para IU em gestantes, estudos do tipo ensaio clínico randomizado e quase experimental. Os critérios de exclusão foram estudos publicados em idiomas diferentes do português, inglês e espanhol, anteriores a 2013 e não disponíveis na íntegra Resultados: Foram obtidos 6 artigos que abordaram os objetivos deste estudo. Os resultados evidenciaram que o TMAP promove aumento da força e resistência muscular, melhora da consciência corporal, redução dos episódios de perda urinária e consequente elevação da qualidade de vida das gestantes. Conclusão: O TMAP é uma intervenção fisioterapêutica eficaz, segura e de baixo custo para a prevenção da incontinência urinária durante a gestação, favorecendo o fortalecimento muscular e o controle esfincteriano. Destaca-se a necessidade de padronização dos protocolos e novos estudos que consolidem as evidências sobre sua efetividade.
Palavras-chave: Assoalho Pélvico. Gestação. Incontinência Urinária. Prevenção. Qualidade de Vida.
ABSTRACT
Background: Pelvic floor muscle training (PFMT) is the first-line treatment in the prevention of urinary incontinence (UI) resulting from weakness or increased tension in the perineal muscles, most often caused by anatomical factors and physiological processes that occur during pregnancy. Purpose: To evaluate pelvic floor muscle training as preventive factor in gestacional urinary incontinence. Methods: This is a literature review study, developed through searches in the BVS, MEDLINE, PEDro, PubMed, CAPES Periodicals, SciELO, covering publications between 2013 and 2025. Inclusion criteria were studies of physiotherapy interventions addressing PFMT as a prevention for urinary incontinence (UI) in pregnant women, randomized clinical trials, and quasi-experimental studies. Exclusion criteria were studies published in languages other than English, Portuguese, and Spanish, prior to 2013, and not available in full text. Results: Six articles addressing the objectives of this study were obtained. The results showed that TMAP promotes increased muscle strength and endurance, improved body awareness, reduced urinary incontinence episodes, and consequently improved quality of life for pregnant women. Conclusion: TMAP is an effective, safe, and low-cost physiotherapy intervention for the prevention of urinary incontinence during pregnancy, promoting muscle strengthening and sphincter control. The need for standardization of protocols and further studies to consolidate the evidence on its effectiveness is highlighted.
Keywords: Pelvic Floor. Pregnancy. Incontinence Urinary. Prevention. Quality of Life.
1. INTRODUÇÃO
A incontinência urinária (IU) é definida pela Sociedade Internacional de Incontinência Urinária como uma queixa de perda involuntária de urina (Yang; Xiaowei, 2021). A IU pode ser classificada de três formas, são elas: a incontinência urinária de esforço (IUE), a incontinência urinária por urgência (IUU) e a incontinência urinária mista (IUM) (Amorim; Silva; Ferro, 2023).
Algumas pesquisas mostram que a gestação e o parto normal elevam a frequência de incontinência urinária. Isso ocorre devido às modificações no assoalho pélvico. Dentre essas alterações estão os processos fisiológicos que acontecem nesse período (Thomé et al., 2021). No período gestacional também ocorrem diversas mudanças no corpo da mulher, como as alterações hormonais, um exemplo é a liberação de hormônios como a relaxina e o estrogênio que causam frouxidão ligamentar, consequentemente provocam modificação na estrutura biomecânica, ou seja, ocasionam um relaxamento e aumento da mobilidade na articulação do assoalho pélvico (Amorim; Silva; Ferro, 2023).
A prevalência de incontinência urinária de esforço durante a gestação é de 31% em mulheres nuliparas e 42% em mulheres multíparas. A gestação é um período em que muitas mulheres apresentam a primeira queixa urinária sendo a incontinência urinária de esforço a mais prevalente (Alves; Cunha, 2022). Portanto, a incontinência urinária é prevalente em gestantes, há um aumento em relação a idade gestacional onde se agrava no 3° trimestre, seguido pelo 2° e 1° trimestre, relativamente. Alguns estudos relacionam a força diminuída dos músculos do assoalho pélvico a incontinência urinária de esforço (Romero et al., 2024). Porém, no geral, a prevalência da IU em mulheres pode ocorrer com variações de 5% a 60%, dependendo dos estudos que envolvem mulheres com características diferentes, como as diferenças culturais (Thomé et al., 2021).
A IU traz às pessoas relevantes repercussões físicas e sociais, ainda que não coloque em risco a vida do paciente influencia diretamente em sua qualidade de vida. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) é considerado como terapia de primeira linha, ou seja, na prevenção e tratamento da IU. Esse tratamento envolve exercícios dos músculos do assoalho pélvico (MAP) resultando em aumento de força, contração mais eficiente dessa musculatura, melhor resistência e relaxamento adequado (Alves; Cunha, 2022). O National Institute for Health and Care Excellence (NICE 2015) indica o treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) como tratamento conservador de primeira linha para IUE (Yang; Xiaowei, 2021).
Na atualidade, a expressão funcionalidade do assoalho pélvico vem sendo consolidada e utilizada no tratamento fisioterapêutico que envolve o treino de força, consciência corporal, a educação da paciente, a utilização da musculatura de forma eficaz e a prevenção e melhora dos sintomas das variadas patologias pélvicas (Romero et al., 2024).
No que diz respeito ao assoalho pélvico, a fisioterapia influencia na prevenção de incontinência urinária procedente da flacidez ou aumento de tensão na musculatura perineal (Amorim; Silva; Ferro, 2023). Portanto, dentre tantas opções de tratamento proporcionados para reduzir a gravidade dos sintomas e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com incontinência urinária, através dos exercícios os músculos treinados se tornam menos propensos a sofrerem danos, se recuperam com mais facilidade devido ao treinamento, além disso, há chances de que os músculos treinados previamente possuam um reservatório de força maior (Cabeleira et al., 2023).
Em um estudo avaliaram a eficiência do TMAP na prevenção da IU em gestantes, com tempo de gestação de 22 semanas. Utilizou-se um protocolo de exercícios que resumia-se em sessões de 8 minutos de aquecimento, 30 minutos de aeróbico de baixo impacto que incluíam 10 minutos de treinamento de força geral, 10 minutos de TMAP e 7 minutos de desaquecimento, o resultado foi que após essas 22 semanas houve grande eficiência na prevenção da IU nas gestantes do grupo de intervenção (Romero et al., 2024).
Diante da escassez científica sobre a prevenção da incontinência urinária na gestação, surge a seguinte indagação: o treinamento dos músculos do assoalho pélvico é um fator que pode prevenir a incontinência urinária gestacional?
Perante a necessidade em desenvolver estudos relacionados à prevenção, o presente estudo tem como objetivo primário avaliar o treinamento dos músculos do assoalho pélvico como fator preventivo na incontinência urinária gestacional. Seguido dos objetivos secundários que procuram avaliar a frequência do TMAP segundo protocolo; explicar como a técnica TMAP pode fortalecer os músculos do assoalho pélvico nos casos de IU em gestantes; e consequentemente demonstrar como os efeitos do fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico pode melhorar a qualidade de vida de gestantes.
2. MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de um estudo com abordagem do método de revisão de literatura, que condiz com o método de síntese do conhecimento, foram coletados artigos dos anos 2013 a 2025.
Foram utilizadas as seguintes bases de dados neste estudo: BVS, MedLINE, PEDro, PubMed, Periódicos CAPES, Scientific Eletronic Library Online (SciELO). A pesquisa empregou os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) cruzados com o operador booleano “AND” “gestação” AND “incontinência urinária” AND “prevenção” AND “qualidade de vida”. As palavras chave foram utilizadas nos idiomas português, inglês e espanhol. A busca nas bases de dados foi realizada entre Agosto e Setembro de 2025.
Os critérios de inclusão foram estudos de intervenção fisioterapêutica que abordam o TMAP como prevenção para IU em gestantes, estudos do tipo ensaio clínico randomizado e estudo quase experimental.
Os critérios de exclusão foram estudos publicados nos idiomas diferentes de inglês, português e espanhol, publicados anteriormente ao ano de 2013 e estudos não disponíveis na íntegra.
Os resultados desta revisão foram compilados por meio de tabela, fluxograma e texto.
3. RESULTADOS
Foram encontrados 143 artigos e após a análise sistemática foram selecionados 6 artigos que estavam de acordo com os critérios de inclusão e exclusão (Figura 1).

A tabela 1 mostra os autores, o tipo de estudo, objetivo, metodologia e resultados e é composta pelos artigos da amostra incluídos após a análise sistemática.
Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.











Os resultados obtidos através da análise de amostras agrupadas neste estudo, evidencia que o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) representa uma estratégia fisioterapêutica eficaz e amplamente recomendada na prevenção da incontinência urinária (IU) no período gestacional.
A heterogeneidade dos estudos analisados se dissipa ao compará-los em seus principais objetivos, ou seja, os estudos convergem quanto ao impacto positivo do TMAP na prevenção, manutenção e recuperação da força muscular perineal, na redução da perda urinária e consequentemente na melhoria da qualidade de vida das gestantes. Essa compatibilidade destaca o papel essencial do fisioterapeuta na atenção pré-natal e na prevenção da saúde pélvica.
No entanto, observa-se uma carência de protocolos padronizados de treinamento, além de diferenças metodológicas relevantes entre os estudos como tempo de intervenção, frequência das sessões e instrumentos de avaliação, o que limita a comparação direta dos resultados e a generalização das evidências.
Portanto conclui-se que o TMAP é uma intervenção de baixo custo, não invasiva e com forte respaldo científico, mas que precisa de uma padronização de protocolo utilizado especificamente na gravidez.
4. DISCUSSÃO
O presente estudo avaliou o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) como técnica de intervenção na prevenção da incontinência urinária (IU) no período gestacional, uma intervenção de baixo custo e facilmente acessível. No entanto, observou-se a heterogeneidade na metodologia dos estudos avaliados, o que presume a escassez de estudos com boa qualidade metodológica. Após a análise dos resultados foi possível observar que o TMAP pode ajudar a reduzir o risco de e IU durante a gravidez, e melhorar a qualidade de vida das gestantes através da otimização dos músculos do assoalho pélvico.
De acordo com Alves e Cunha (2022) o TMAP é uma técnica de intervenção capaz de prevenir a incontinência urinária durante a gravidez, pois promove aumento da força muscular, e contribui na melhoria da resistência e relaxamento adequado, e promove o equilíbrio da pressão intra-abdominal que está alterada devido ao crescimento uterino na gestação. A redução da pressão uretral durante a gestação é causada pela influência hormonal, como os hormônios progesterona e estrogênio que afetam diretamente os mecanismos de continência, além disso, também está atrelada as alterações anatômicas resultantes do crescimento uterino e do peso fetal na região pélvica. Os resultados obtidos estão de acordo com Szumilewicz et al. (2020) onde apontam que o TMAP é um método eficaz para a prevenção de IU se executado no período perinatal, e resume-se à contrações voluntárias regulares dos músculos do assoalho pélvico para fortalecimento desse grupo muscular, com objetivo de promover melhor suporte aos órgãos pélvicos, fator que é extremamente importante durante a gestação, pois nesse período os músculos do assoalho pélvico encontram-se enfraquecidos devido ao crescimento do útero e as alterações hormonais. Em apenas 6 semanas de treinamento obtém-se melhoria nas funções desse grupo muscular.
No estudo de Assis et al. (2015) avaliaram a utilização de um manual de orientação de exercícios diários (MOED) para o assoalho pélvico (AP), para este estudo foram escolhidas gestantes primigestas, com idades entre 20 e 35 anos, as quais estavam em acompanhamento pré-natal. As participantes foram divididas em três grupos: Gref; Gsup e Gobs, as mesmas foram orientadas individualmente quanto a anatomia do AP, e como deveria ser feita a contração perineal para estimulação do assoalho pélvico, após a execução correta as participantes receberam o MOED. Todas as 87 gestantes recrutadas realizaram os registros do protocolo durante todo o período de seguimento, o MOED continha as orientações quanto a realização diária de contrações perineais em quatro posições: em decúbito lateral esquerdo e sentada em uma cadeira ou em decúbito dorsal com flexão de tronco em 45° onde foram solicitadas 10 contrações lentas, sustentadas por 6 segundos, e 3 contrações rápidas. Nas posições sentada com as pernas cruzadas e em pé foram solicitadas 5 contrações lentas, sustentadas por 6 segundos e 3 contrações rápidas, e durante as transições entre as contrações lentas e rápidas e de uma postura a outra, foram solicitados repouso de 60 segundos. Além disso, o manual continha um calendário mensal onde as gestantes registravam os dias em que os exercícios eram realizados em suas residências.
Enquanto que no estudo de Hege et al. (2021) foram escolhidas gestantes saudáveis com 18 anos ou mais e feto único vivo, as participantes foram divididas em grupo de intervenção e grupo de exercícios. As gestantes do grupo de intervenção receberam um programa de exercícios padronizado de 12 semanas, os exercícios eram realizados em casa duas vezes na semana e também, realizavam sessões de exercícios em grupo uma vez por semana sob orientação de um fisioterapeuta. Os exercícios em grupo incluíam sessões de 30 a 35 minutos de aeróbica com intensidade moderada, 20 a 25 minutos de exercícios de força que envolviam músculos do assoalho pélvico e 15 minutos de TMAP, além de exercícios respiratórios e de relaxamento. O TMAP buscou o aumento da força nos músculos esqueléticos, as participantes foram orientadas a realizar três séries de 8 a 12 contrações próximas ao máximo, a manter a contração por 6 a 8 segundos e, se possível, adicionar 3 contrações rápidas ao final da contração. As gestantes do grupo de exercícios receberam informações verbais, foram devidamente orientadas quanto a forma correta de contração perineal e foram avaliadas através da palpação vaginal.
Os resultados encontrados em Assis et al. (2015) apontam que a utilização do MOED para o AP em mulheres primíparas durante o período gestacional, reduziu em 51,7% a ocorrência de incontinência urinária nas participantes, e especificamente no Gsup e Gobs houve redução do número de gestantes incontinentes em 44,8%, além de aumentar o fortalecimento da musculatura perineal. Enquanto que no estudo de Hege et al. (2021), avaliaram a prevalência de IU nos grupos de exercícios e controle três meses após o parto. Os resultados apontaram menor prevalência de IU 3 meses pós-parto nas mulheres do grupo de exercícios (29%), em comparação ao grupo controle (38%), ou seja, os resultados mostraram que a implementação de um programa de exercícios pré-natais que incluíam. O TMAP, resultou em efeito protetor sobre a IU aos três meses pós-parto. Corroborando com o estudo anterior, o qual demonstrou que os exercícios para o AP podem aumentar a força muscular pélvica e reduzir a gravidade de IU, tanto em relação a frequência com que acontece quanto ao volume de perda urinária, o que promove melhora nos sintomas e na qualidade de vida das gestantes.
Já no estudo de Jinapun (2024) participaram da pesquisa gestantes nuliparas de parto único, com 20 a 24 semanas de gestação, sem histórico de IU, de 18 a 35 anos de idade. As participantes foram divididas em grupo de intervenção e grupo TMAP, as mulheres do grupo TMAP assistiram a um vídeo o qual mostrava o impacto da IU na gravidez, os benefícios dos exercícios do assoalho pélvico e instruções para o TMAP. Além disso, as participantes foram orientadas e treinadas por um profissional. Porém, as participantes do grupo de intervenção não receberam nenhum tipo de programa de exercícios. Foi realizado pelo pesquisador o exame vaginal, para que as mulheres fossem orientadas a contrair os músculos do assoalho pélvico corretamente (escore de Brink). Num período de 12 semanas as gestantes foram orientadas a realizar o TMAP três vezes ao dia, durante pelo menos cinco dias por semana. As sessões consistiam em 20 séries de exercícios para os músculos do assoalho pélvico, cada série era uma combinação de 10 segundos de contração e 10 segundos de relaxamento. Quanto ao local e posição para a realização dos exercícios, as participantes foram orientadas a fazê-los durante as atividades diárias, quando fosse conveniente para as mesmas.
Kocaoz et al. (2013) conduziram um estudo experimental quase randomizado e controlado, participaram do estudo mulheres entre 20 e 35 anos de idade, que estavam entre 14° e a 20° semana gestacional. As mulheres foram divididas em grupo de controle e grupo de intervenção, os pesquisadores aplicaram um formulário contendo questões sociodemográficas, histórico de gravidez e parto, hábitos pessoais e histórico ginecológico. As participantes de ambos os grupos foram treinadas para usar um “diário urinário”. Tanto as gestantes do grupo controle quanto grupo de intervenção receberam treinamento sobre os músculos do assoalho pélvico, as sessões dos exercícios consistiam em três aplicações, que continham exercícios para contração e relaxamento, repetidos 10 vezes, as gestantes foram solicitadas a contrair os músculos ao máximo e a manter a posição por 10 segundos. Foram distribuídos folhetos com informações relevantes durante visita domiciliar na 12° semana. As participantes do grupo de intervenção receberam orientação e treinamento para a realização dos exercícios, informações quanto a anatomia e fisiologia dos órgãos reprodutivos e do trato urinário, funções dos músculos do assoalho pélvico e condições que enfraquecem esses músculos como a gravidez e o parto normal, etc.
Diferente dos estudos anteriores Jinapun (2024) realizou uma avaliação de desfecho ao final do 3° trimestre de gestação, o desfecho primário foi um autorrelato de IU que obteve pontuação de 16,7 no Inventário de Desconforto Urogenital (UDI-6), e o desfecho secundário demonstrou o impacto da IU na qualidade de vida, avaliado pelo Questionário de Impacto de Incontinência – 7 (IIQ-7), ambos os questionários foram considerados confiáveis para avaliar a gravidade dos sintomas de IU e seu impacto na QV das participantes. Os resultados dos desfechos primário e secundário revelaram que com 36-38 semanas de gestação, menos mulheres no grupo de intervenção (TMAP) relataram IU do que no grupo controle, ou seja, 20,6% versus 94,1%. Houve divergência com os estudos anteriores onde apontaram que a prevalência e a gravidade da IUE aumentam especificamente no 3° trimestre de gestação, como relata Kocaoz et al (2013). Apesar dessa divergência entre os estudos quanto à prevalência de IU no terceiro trimestre de gestação, ambos os estudos concordam que o TMAP é uma intervenção de baixo custo, seguro e eficaz, que pode ser realizado por mulheres no conforto de suas casas, principalmente no início da gravidez para prevenir IUE que pode se desenvolver devido a deficiências neuromusculares e alterações no tecido conjuntivo, pois o TMAP realizado de forma correta e contínua pode prevenir a IUE devido ao aumento da pressão de fechamento uretral durante a gestação e no período pós-parto.
Szumilewicz et al. (2021) realizaram um ensaio quase experimental com 260 puérperas, caucasianas, as participantes deste estudo não foram randomizadas, as mesmas se voluntariaram individualmente para a avaliação após o parto. Foram realizadas avaliações pré intervenção do grupo de treinamento, além disso, o grupo foi submetido a sessões de exercícios 3 vezes por semana durante o período gestacional, enquanto o grupo controle não foram submetidas a nenhuma intervenção. Nas sessões de treinamento as participantes estavam em decúbito dorsal, mantendo os quadris e joelhos dobrados aproximadamente a 90°, elas foram orientadas a ativar os músculos do assoalho pélvico ao máximo, mantendo os abdominais, pernas e nádegas relaxadas; e ao comando relaxar – “relaxe todo o corpo”. Após as sessões as mulheres recebiam o feedback verbal para mensurar seu desempenho e biofeedback para analisar como contraíam e relaxavam os músculos, foi disponibilizado sessões educacionais às participantes que não realizavam contração adequada dos músculos do assoalho pélvico.
O estudo de Szumilewicz et al. (2020) está de acordo com a intervenção de exercícios utilizado por Zhang et al. (2025). Este programa de exercícios abordou uma dinâmica complexa relacionada à gravidez e ao parto, onde serviu como medida preventiva contra os distúrbios prevalentes nesse período, como a IU. A intervenção foi elaborada em concordância às diretrizes atuais. As sessões foram conduzidas por um especialista certificado em exercícios para a gravidez e pós-parto, foram três sessões semanais, cada sessão continha duração de 60 minutos, e consistiam em atividades complementares e inter-relacionadas, que se dividiam em 5 minutos de aquecimento, 20 minutos de aeróbicas, 10 minutos de treinamento de força, 10 minutos de exercícios de equilíbrio e coordenação, 7 minutos de TMAP que envolviam contrações do assoalho pélvico lentas e rápidas coordenadas com a respiração, 5 minutos de alongamento e relaxamento e 3 minutos de comunicação pós sessões.
De acordo com Zhang et al. (2025) os achados indicam que uma proporção significativamente maior de mulheres no Grupo Experimental (GE) relatou nunca ter apresentado IU (64%), enquanto o Grupo Controle (GC) apresentou frequências mais altas de IU para categorias mais graves. Cerca de 7% do GC relataram IU várias vezes ao dia, enquanto no GE apenas 3%, indicando que exercícios regulares, que incluem TMAP, podem ajudar a diminuir o risco de IU no período gestacional. No entanto, Assis et al. (2015) frisam que os resultados positivos quanto ao fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, dá-se através do tratamento eficaz da IU, porém exige dedicação, esforço e perseverança por parte das mulheres. Os autores ainda supõem que o impacto positivo do tratamento será melhor se o protocolo de TMAP, além de basear-se em princípios fisiológicos confiáveis, garantindo a contração perineal correta, tenham a supervisão e apoio dos profissionais de saúde envolvidos para adesão ao tratamento.
Embora os resultados do presente estudo apontem a eficácia do TMAP na prevenção da IU e na melhoria da qualidade de vida, é fundamental reconhecer as limitações que influenciaram no desenvolvimento desta revisão de literatura. A pesquisa foi restrita a artigos publicados entre 2013 e 2025, e indexados as bases de dados BVS, MedLINE, PEDro, PubMed, Periódicos CAPES, Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Dentre as principais limitações estão estudos relevantes publicados em outros períodos ou em bases regionais que não tenham sido incluídos, escassez de estudos primários recentes influenciados pela estratégia de busca, que embora abrangente, concentrou-se em bases de dados específicas, o que caracteriza viés de seleção e publicação, viés temporal e limitações da estratégia de busca. Além disso, a heterogeneidade dos resultados relacionados aos estudos primários sobre o TMAP é um desafio que afeta a capacidade de realizar sínteses quantitativas e estabelecer protocolos de intervenção padronizados, com relação à frequência, duração e intensidade das sessões de exercícios, bem como, as combinações de técnicas que dificultam a comparação direta dos resultados.
5. CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo mostraram que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) é uma intervenção fisioterapêutica eficaz, segura e de baixo custo para a prevenção da incontinência urinária em gestantes. A prática regular desses exercícios contribui para o fortalecimento da musculatura perineal, reduz os episódios de perda urinária e melhora a qualidade de vida durante o período gestacional, demonstrando a importância da atuação fisioterapêutica na saúde da mulher.
Mesmo com os resultados positivos, ainda existe falta de padronização nos protocolos de intervenção e diferenças metodológicas entre os estudos, o que dificulta a comparação dos achados e a criação de diretrizes clínicas mais sólidas. Por isso, novas pesquisas com amostras maiores e métodos mais bem definidos são necessárias para fortalecer as evidências científicas e estimular o uso do TMAP como estratégia preventiva na gestação.
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
