PREVENÇÃO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA NA GESTAÇÃO POR MEIO DO TREINAMENTO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO: REVISÃO DE LITERATURA

PREVENTION OF URINARY INCONTINENCE DURING PREGNANCY THROUGH PELVIC FLOOR MUSCLE TRAINING: LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511111646


Jocélia Abreu Sousa1
Leticia Souza da Silveira1
Marcia Simone Ramos da Silva1
Silvia dos Santos Barbosa1
Thaiana Bezerra Duarte2


RESUMO 

Introdução: O treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) é o tratamento de  primeira linha na prevenção da incontinência urinária (IU) procedente da flacidez ou aumento  na tensão na musculatura perineal, na maioria das vezes ocasionadas por fatores anatômicos e processos fisiológicos que ocorrem na gestação. Objetivo: Avaliar o treinamento dos músculos  do assoalho pélvico como fator preventivo na incontinência urinária gestacional. Materiais e  método: Trata-se de um estudo de revisão de literatura, desenvolvido por meio de buscas nas  bases BVS, MEDLINE, PEDro, PubMed, Periódicos CAPES e SciELO, abrangendo  publicações entre 2013 e 2025. Os critérios de inclusão foram estudos de intervenção  fisioterapêutica que abordassem o TMAP como prevenção para IU em gestantes, estudos do  tipo ensaio clínico randomizado e quase experimental. Os critérios de exclusão foram estudos  publicados em idiomas diferentes do português, inglês e espanhol, anteriores a 2013 e não  disponíveis na íntegra Resultados: Foram obtidos 6 artigos que abordaram os objetivos deste  estudo. Os resultados evidenciaram que o TMAP promove aumento da força e resistência  muscular, melhora da consciência corporal, redução dos episódios de perda urinária e  consequente elevação da qualidade de vida das gestantes. Conclusão: O TMAP é uma  intervenção fisioterapêutica eficaz, segura e de baixo custo para a prevenção da incontinência  urinária durante a gestação, favorecendo o fortalecimento muscular e o controle esfincteriano.  Destaca-se a necessidade de padronização dos protocolos e novos estudos que consolidem as  evidências sobre sua efetividade. 

Palavras-chave: Assoalho Pélvico. Gestação. Incontinência Urinária. Prevenção. Qualidade de  Vida. 

ABSTRACT

Background: Pelvic floor muscle training (PFMT) is the first-line treatment in the prevention of urinary incontinence (UI) resulting from weakness or increased tension in the perineal  muscles, most often caused by anatomical factors and physiological processes that occur during  pregnancy. Purpose: To evaluate pelvic floor muscle training as preventive factor in  gestacional urinary incontinence. Methods: This is a literature review study, developed through  searches in the BVS, MEDLINE, PEDro, PubMed, CAPES Periodicals, SciELO, covering  publications between 2013 and 2025. Inclusion criteria were studies of physiotherapy  interventions addressing PFMT as a prevention for urinary incontinence (UI) in pregnant  women, randomized clinical trials, and quasi-experimental studies. Exclusion criteria were  studies published in languages other than English, Portuguese, and Spanish, prior to 2013, and  not available in full text. Results: Six articles addressing the objectives of this study were  obtained. The results showed that TMAP promotes increased muscle strength and endurance,  improved body awareness, reduced urinary incontinence episodes, and consequently improved  quality of life for pregnant women. Conclusion: TMAP is an effective, safe, and low-cost  physiotherapy intervention for the prevention of urinary incontinence during pregnancy,  promoting muscle strengthening and sphincter control. The need for standardization of  protocols and further studies to consolidate the evidence on its effectiveness is highlighted. 

Keywords: Pelvic Floor. Pregnancy. Incontinence Urinary. Prevention. Quality of Life.

1. INTRODUÇÃO 

A incontinência urinária (IU) é definida pela Sociedade Internacional de Incontinência  Urinária como uma queixa de perda involuntária de urina (Yang; Xiaowei, 2021). A IU pode  ser classificada de três formas, são elas: a incontinência urinária de esforço (IUE), a  incontinência urinária por urgência (IUU) e a incontinência urinária mista (IUM) (Amorim;  Silva; Ferro, 2023). 

Algumas pesquisas mostram que a gestação e o parto normal elevam a frequência de  incontinência urinária. Isso ocorre devido às modificações no assoalho pélvico. Dentre essas  alterações estão os processos fisiológicos que acontecem nesse período (Thomé et al., 2021).  No período gestacional também ocorrem diversas mudanças no corpo da mulher, como as  alterações hormonais, um exemplo é a liberação de hormônios como a relaxina e o estrogênio  que causam frouxidão ligamentar, consequentemente provocam modificação na estrutura  biomecânica, ou seja, ocasionam um relaxamento e aumento da mobilidade na articulação do  assoalho pélvico (Amorim; Silva; Ferro, 2023). 

A prevalência de incontinência urinária de esforço durante a gestação é de 31% em  mulheres nuliparas e 42% em mulheres multíparas. A gestação é um período em que muitas  mulheres apresentam a primeira queixa urinária sendo a incontinência urinária de esforço a  mais prevalente (Alves; Cunha, 2022). Portanto, a incontinência urinária é prevalente em  gestantes, há um aumento em relação a idade gestacional onde se agrava no 3° trimestre,  seguido pelo 2° e 1° trimestre, relativamente. Alguns estudos relacionam a força diminuída dos  músculos do assoalho pélvico a incontinência urinária de esforço (Romero et al., 2024). Porém,  no geral, a prevalência da IU em mulheres pode ocorrer com variações de 5% a 60%,  dependendo dos estudos que envolvem mulheres com características diferentes, como as  diferenças culturais (Thomé et al., 2021). 

A IU traz às pessoas relevantes repercussões físicas e sociais, ainda que não coloque em  risco a vida do paciente influencia diretamente em sua qualidade de vida. O treinamento dos  músculos do assoalho pélvico (TMAP) é considerado como terapia de primeira linha, ou seja,  na prevenção e tratamento da IU. Esse tratamento envolve exercícios dos músculos do assoalho  pélvico (MAP) resultando em aumento de força, contração mais eficiente dessa musculatura,  melhor resistência e relaxamento adequado (Alves; Cunha, 2022). O National Institute for  Health and Care Excellence (NICE 2015) indica o treinamento dos músculos do assoalho  pélvico (TMAP) como tratamento conservador de primeira linha para IUE (Yang; Xiaowei, 2021).

Na atualidade, a expressão funcionalidade do assoalho pélvico vem sendo consolidada  e utilizada no tratamento fisioterapêutico que envolve o treino de força, consciência corporal, a  educação da paciente, a utilização da musculatura de forma eficaz e a prevenção e melhora dos  sintomas das variadas patologias pélvicas (Romero et al., 2024).  

No que diz respeito ao assoalho pélvico, a fisioterapia influencia na prevenção de  incontinência urinária procedente da flacidez ou aumento de tensão na musculatura perineal  (Amorim; Silva; Ferro, 2023). Portanto, dentre tantas opções de tratamento proporcionados  para reduzir a gravidade dos sintomas e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com  incontinência urinária, através dos exercícios os músculos treinados se tornam menos propensos  a sofrerem danos, se recuperam com mais facilidade devido ao treinamento, além disso, há  chances de que os músculos treinados previamente possuam um reservatório de força maior  (Cabeleira et al., 2023). 

Em um estudo avaliaram a eficiência do TMAP na prevenção da IU em gestantes, com  tempo de gestação de 22 semanas. Utilizou-se um protocolo de exercícios que resumia-se em  sessões de 8 minutos de aquecimento, 30 minutos de aeróbico de baixo impacto que incluíam  10 minutos de treinamento de força geral, 10 minutos de TMAP e 7 minutos de desaquecimento,  o resultado foi que após essas 22 semanas houve grande eficiência na prevenção da IU nas  gestantes do grupo de intervenção (Romero et al., 2024). 

Diante da escassez científica sobre a prevenção da incontinência urinária na gestação,  surge a seguinte indagação: o treinamento dos músculos do assoalho pélvico é um fator que  pode prevenir a incontinência urinária gestacional? 

Perante a necessidade em desenvolver estudos relacionados à prevenção, o presente  estudo tem como objetivo primário avaliar o treinamento dos músculos do assoalho pélvico  como fator preventivo na incontinência urinária gestacional. Seguido dos objetivos secundários  que procuram avaliar a frequência do TMAP segundo protocolo; explicar como a técnica  TMAP pode fortalecer os músculos do assoalho pélvico nos casos de IU em gestantes; e  consequentemente demonstrar como os efeitos do fortalecimento da musculatura do assoalho  pélvico pode melhorar a qualidade de vida de gestantes. 

2. MATERIAIS E MÉTODO 

Trata-se de um estudo com abordagem do método de revisão de literatura, que condiz  com o método de síntese do conhecimento, foram coletados artigos dos anos 2013 a 2025.

Foram utilizadas as seguintes bases de dados neste estudo: BVS, MedLINE, PEDro,  PubMed, Periódicos CAPES, Scientific Eletronic Library Online (SciELO). A pesquisa empregou os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS)  cruzados com o operador booleano “AND” “gestação” AND “incontinência urinária” AND  “prevenção” AND “qualidade de vida”. As palavras chave foram utilizadas nos idiomas  português, inglês e espanhol. A busca nas bases de dados foi realizada entre Agosto e Setembro de 2025. 

Os critérios de inclusão foram estudos de intervenção fisioterapêutica que abordam o  TMAP como prevenção para IU em gestantes, estudos do tipo ensaio clínico randomizado e  estudo quase experimental. 

Os critérios de exclusão foram estudos publicados nos idiomas diferentes de inglês,  português e espanhol, publicados anteriormente ao ano de 2013 e estudos não disponíveis na  íntegra. 

Os resultados desta revisão foram compilados por meio de tabela, fluxograma e texto.

3. RESULTADOS  

Foram encontrados 143 artigos e após a análise sistemática foram selecionados 6 artigos que estavam de acordo com os critérios de inclusão e exclusão (Figura 1).

A tabela 1 mostra os autores, o tipo de estudo, objetivo, metodologia e resultados e é  composta pelos artigos da amostra incluídos após a análise sistemática. 

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.

Os resultados obtidos através da análise de amostras agrupadas neste estudo, evidencia  que o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) representa uma estratégia  fisioterapêutica eficaz e amplamente recomendada na prevenção da incontinência urinária (IU)  no período gestacional.  

A heterogeneidade dos estudos analisados se dissipa ao compará-los em seus  principais objetivos, ou seja, os estudos convergem quanto ao impacto positivo do TMAP na  prevenção, manutenção e recuperação da força muscular perineal, na redução da perda urinária  e consequentemente na melhoria da qualidade de vida das gestantes. Essa compatibilidade  destaca o papel essencial do fisioterapeuta na atenção pré-natal e na prevenção da saúde pélvica. 

No entanto, observa-se uma carência de protocolos padronizados de treinamento, além  de diferenças metodológicas relevantes entre os estudos como tempo de intervenção, frequência  das sessões e instrumentos de avaliação, o que limita a comparação direta dos resultados e a  generalização das evidências.  

Portanto conclui-se que o TMAP é uma intervenção de baixo custo, não invasiva e  com forte respaldo científico, mas que precisa de uma padronização de protocolo utilizado  especificamente na gravidez. 

4. DISCUSSÃO 

O presente estudo avaliou o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP)  como técnica de intervenção na prevenção da incontinência urinária (IU) no período  gestacional, uma intervenção de baixo custo e facilmente acessível. No entanto, observou-se a  heterogeneidade na metodologia dos estudos avaliados, o que presume a escassez de estudos  com boa qualidade metodológica. Após a análise dos resultados foi possível observar que o  TMAP pode ajudar a reduzir o risco de e IU durante a gravidez, e melhorar a qualidade de vida  das gestantes através da otimização dos músculos do assoalho pélvico. 

De acordo com Alves e Cunha (2022) o TMAP é uma técnica de intervenção capaz de  prevenir a incontinência urinária durante a gravidez, pois promove aumento da força muscular, e contribui na melhoria da resistência e relaxamento adequado, e promove o equilíbrio da  pressão intra-abdominal que está alterada devido ao crescimento uterino na gestação. A redução  da pressão uretral durante a gestação é causada pela influência hormonal, como os hormônios  progesterona e estrogênio que afetam diretamente os mecanismos de continência, além disso,  também está atrelada as alterações anatômicas resultantes do crescimento uterino e do peso  fetal na região pélvica. Os resultados obtidos estão de acordo com Szumilewicz et al. (2020)  onde apontam que o TMAP é um método eficaz para a prevenção de IU se executado no período  perinatal, e resume-se à contrações voluntárias regulares dos músculos do assoalho pélvico para  fortalecimento desse grupo muscular, com objetivo de promover melhor suporte aos órgãos  pélvicos, fator que é extremamente importante durante a gestação, pois nesse período os  músculos do assoalho pélvico encontram-se enfraquecidos devido ao crescimento do útero e as  alterações hormonais. Em apenas 6 semanas de treinamento obtém-se melhoria nas funções  desse grupo muscular.  

No estudo de Assis et al. (2015) avaliaram a utilização de um manual de orientação de  exercícios diários (MOED) para o assoalho pélvico (AP), para este estudo foram escolhidas  gestantes primigestas, com idades entre 20 e 35 anos, as quais estavam em acompanhamento  pré-natal. As participantes foram divididas em três grupos: Gref; Gsup e Gobs, as mesmas  foram orientadas individualmente quanto a anatomia do AP, e como deveria ser feita a  contração perineal para estimulação do assoalho pélvico, após a execução correta as  participantes receberam o MOED. Todas as 87 gestantes recrutadas realizaram os registros do  protocolo durante todo o período de seguimento, o MOED continha as orientações quanto a  realização diária de contrações perineais em quatro posições: em decúbito lateral esquerdo e sentada em uma cadeira ou em decúbito dorsal com flexão de tronco em 45° onde foram  solicitadas 10 contrações lentas, sustentadas por 6 segundos, e 3 contrações rápidas. Nas  posições sentada com as pernas cruzadas e em pé foram solicitadas 5 contrações lentas,  sustentadas por 6 segundos e 3 contrações rápidas, e durante as transições entre as contrações  lentas e rápidas e de uma postura a outra, foram solicitados repouso de 60 segundos. Além  disso, o manual continha um calendário mensal onde as gestantes registravam os dias em que  os exercícios eram realizados em suas residências. 

Enquanto que no estudo de Hege et al. (2021) foram escolhidas gestantes saudáveis  com 18 anos ou mais e feto único vivo, as participantes foram divididas em grupo de  intervenção e grupo de exercícios. As gestantes do grupo de intervenção receberam um  programa de exercícios padronizado de 12 semanas, os exercícios eram realizados em casa duas  vezes na semana e também, realizavam sessões de exercícios em grupo uma vez por semana sob orientação de um fisioterapeuta. Os exercícios em grupo incluíam sessões de 30 a 35  minutos de aeróbica com intensidade moderada, 20 a 25 minutos de exercícios de força que  envolviam músculos do assoalho pélvico e 15 minutos de TMAP, além de exercícios  respiratórios e de relaxamento. O TMAP buscou o aumento da força nos músculos esqueléticos,  as participantes foram orientadas a realizar três séries de 8 a 12 contrações próximas ao máximo, a manter a contração por 6 a 8 segundos e, se possível, adicionar 3 contrações rápidas ao final  da contração. As gestantes do grupo de exercícios receberam informações verbais, foram  devidamente orientadas quanto a forma correta de contração perineal e foram avaliadas através  da palpação vaginal. 

Os resultados encontrados em Assis et al. (2015) apontam que a utilização do MOED  para o AP em mulheres primíparas durante o período gestacional, reduziu em 51,7% a  ocorrência de incontinência urinária nas participantes, e especificamente no Gsup e Gobs houve  redução do número de gestantes incontinentes em 44,8%, além de aumentar o fortalecimento  da musculatura perineal. Enquanto que no estudo de Hege et al. (2021), avaliaram a prevalência  de IU nos grupos de exercícios e controle três meses após o parto. Os resultados apontaram  menor prevalência de IU 3 meses pós-parto nas mulheres do grupo de exercícios (29%), em  comparação ao grupo controle (38%), ou seja, os resultados mostraram que a implementação  de um programa de exercícios pré-natais que incluíam. O TMAP, resultou em efeito protetor sobre a IU aos três meses pós-parto. Corroborando com o estudo anterior, o qual demonstrou  que os exercícios para o AP podem aumentar a força muscular pélvica e reduzir a gravidade de  IU, tanto em relação a frequência com que acontece quanto ao volume de perda urinária, o que  promove melhora nos sintomas e na qualidade de vida das gestantes. 

Já no estudo de Jinapun (2024) participaram da pesquisa gestantes nuliparas de parto  único, com 20 a 24 semanas de gestação, sem histórico de IU, de 18 a 35 anos de idade. As  participantes foram divididas em grupo de intervenção e grupo TMAP, as mulheres do grupo  TMAP assistiram a um vídeo o qual mostrava o impacto da IU na gravidez, os benefícios dos  exercícios do assoalho pélvico e instruções para o TMAP. Além disso, as participantes foram  orientadas e treinadas por um profissional. Porém, as participantes do grupo de intervenção não  receberam nenhum tipo de programa de exercícios. Foi realizado pelo pesquisador o exame  vaginal, para que as mulheres fossem orientadas a contrair os músculos do assoalho pélvico  corretamente (escore de Brink). Num período de 12 semanas as gestantes foram orientadas a  realizar o TMAP três vezes ao dia, durante pelo menos cinco dias por semana. As sessões  consistiam em 20 séries de exercícios para os músculos do assoalho pélvico, cada série era uma  combinação de 10 segundos de contração e 10 segundos de relaxamento. Quanto ao local e posição para a realização dos exercícios, as participantes foram orientadas a fazê-los durante as  atividades diárias, quando fosse conveniente para as mesmas.  

Kocaoz et al. (2013) conduziram um estudo experimental quase randomizado e  controlado, participaram do estudo mulheres entre 20 e 35 anos de idade, que estavam entre 14°  e a 20° semana gestacional. As mulheres foram divididas em grupo de controle e grupo de  intervenção, os pesquisadores aplicaram um formulário contendo questões sociodemográficas,  histórico de gravidez e parto, hábitos pessoais e histórico ginecológico. As participantes de  ambos os grupos foram treinadas para usar um “diário urinário”. Tanto as gestantes do grupo  controle quanto grupo de intervenção receberam treinamento sobre os músculos do assoalho  pélvico, as sessões dos exercícios consistiam em três aplicações, que continham exercícios para  contração e relaxamento, repetidos 10 vezes, as gestantes foram solicitadas a contrair os  músculos ao máximo e a manter a posição por 10 segundos. Foram distribuídos folhetos com  informações relevantes durante visita domiciliar na 12° semana. As participantes do grupo de  intervenção receberam orientação e treinamento para a realização dos exercícios, informações  quanto a anatomia e fisiologia dos órgãos reprodutivos e do trato urinário, funções dos músculos  do assoalho pélvico e condições que enfraquecem esses músculos como a gravidez e o parto  normal, etc. 

Diferente dos estudos anteriores Jinapun (2024) realizou uma avaliação de desfecho  ao final do 3° trimestre de gestação, o desfecho primário foi um autorrelato de IU que obteve  pontuação de 16,7 no Inventário de Desconforto Urogenital (UDI-6), e o desfecho secundário  demonstrou o impacto da IU na qualidade de vida, avaliado pelo Questionário de Impacto de  Incontinência – 7 (IIQ-7), ambos os questionários foram considerados confiáveis para avaliar a  gravidade dos sintomas de IU e seu impacto na QV das participantes. Os resultados dos  desfechos primário e secundário revelaram que com 36-38 semanas de gestação, menos  mulheres no grupo de intervenção (TMAP) relataram IU do que no grupo controle, ou seja,  20,6% versus 94,1%. Houve divergência com os estudos anteriores onde apontaram que a prevalência e a gravidade da IUE aumentam especificamente no 3° trimestre de gestação, como  relata Kocaoz et al (2013). Apesar dessa divergência entre os estudos quanto à prevalência de  IU no terceiro trimestre de gestação, ambos os estudos concordam que o TMAP é uma  intervenção de baixo custo, seguro e eficaz, que pode ser realizado por mulheres no conforto  de suas casas, principalmente no início da gravidez para prevenir IUE que pode se desenvolver  devido a deficiências neuromusculares e alterações no tecido conjuntivo, pois o TMAP  realizado de forma correta e contínua pode prevenir a IUE devido ao aumento da pressão de fechamento uretral durante a gestação e no período pós-parto.

Szumilewicz et al. (2021) realizaram um ensaio quase experimental com 260  puérperas, caucasianas, as participantes deste estudo não foram randomizadas, as mesmas se  voluntariaram individualmente para a avaliação após o parto. Foram realizadas avaliações pré intervenção do grupo de treinamento, além disso, o grupo foi submetido a sessões de exercícios  3 vezes por semana durante o período gestacional, enquanto o grupo controle não foram  submetidas a nenhuma intervenção. Nas sessões de treinamento as participantes estavam em  decúbito dorsal, mantendo os quadris e joelhos dobrados aproximadamente a 90°, elas foram  orientadas a ativar os músculos do assoalho pélvico ao máximo, mantendo os abdominais,  pernas e nádegas relaxadas; e ao comando relaxar – “relaxe todo o corpo”. Após as sessões as  mulheres recebiam o feedback verbal para mensurar seu desempenho e biofeedback para  analisar como contraíam e relaxavam os músculos, foi disponibilizado sessões educacionais às  participantes que não realizavam contração adequada dos músculos do assoalho pélvico.  

O estudo de Szumilewicz et al. (2020) está de acordo com a intervenção de exercícios  utilizado por Zhang et al. (2025). Este programa de exercícios abordou uma dinâmica complexa  relacionada à gravidez e ao parto, onde serviu como medida preventiva contra os distúrbios  prevalentes nesse período, como a IU. A intervenção foi elaborada em concordância às  diretrizes atuais. As sessões foram conduzidas por um especialista certificado em exercícios  para a gravidez e pós-parto, foram três sessões semanais, cada sessão continha duração de 60  minutos, e consistiam em atividades complementares e inter-relacionadas, que se dividiam em  5 minutos de aquecimento, 20 minutos de aeróbicas, 10 minutos de treinamento de força, 10  minutos de exercícios de equilíbrio e coordenação, 7 minutos de TMAP que envolviam  contrações do assoalho pélvico lentas e rápidas coordenadas com a respiração, 5 minutos de  alongamento e relaxamento e 3 minutos de comunicação pós sessões.  

De acordo com Zhang et al. (2025) os achados indicam que uma proporção  significativamente maior de mulheres no Grupo Experimental (GE) relatou nunca ter  apresentado IU (64%), enquanto o Grupo Controle (GC) apresentou frequências mais altas de  IU para categorias mais graves. Cerca de 7% do GC relataram IU várias vezes ao dia, enquanto  no GE apenas 3%, indicando que exercícios regulares, que incluem TMAP, podem ajudar a  diminuir o risco de IU no período gestacional. No entanto, Assis et al. (2015) frisam que os  resultados positivos quanto ao fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, dá-se através  do tratamento eficaz da IU, porém exige dedicação, esforço e perseverança por parte das  mulheres. Os autores ainda supõem que o impacto positivo do tratamento será melhor se o  protocolo de TMAP, além de basear-se em princípios fisiológicos confiáveis, garantindo a contração perineal correta, tenham a supervisão e apoio dos profissionais de saúde envolvidos  para adesão ao tratamento. 

Embora os resultados do presente estudo apontem a eficácia do TMAP na prevenção  da IU e na melhoria da qualidade de vida, é fundamental reconhecer as limitações que  influenciaram no desenvolvimento desta revisão de literatura. A pesquisa foi restrita a artigos  publicados entre 2013 e 2025, e indexados as bases de dados BVS, MedLINE, PEDro, PubMed,  Periódicos CAPES, Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Dentre as principais  limitações estão estudos relevantes publicados em outros períodos ou em bases regionais que  não tenham sido incluídos, escassez de estudos primários recentes influenciados pela estratégia  de busca, que embora abrangente, concentrou-se em bases de dados específicas, o que  caracteriza viés de seleção e publicação, viés temporal e limitações da estratégia de busca. Além  disso, a heterogeneidade dos resultados relacionados aos estudos primários sobre o TMAP é  um desafio que afeta a capacidade de realizar sínteses quantitativas e estabelecer protocolos de  intervenção padronizados, com relação à frequência, duração e intensidade das sessões de  exercícios, bem como, as combinações de técnicas que dificultam a comparação direta dos  resultados. 

5. CONCLUSÃO 

Os resultados deste estudo mostraram que o treinamento dos músculos do assoalho  pélvico (TMAP) é uma intervenção fisioterapêutica eficaz, segura e de baixo custo para a  prevenção da incontinência urinária em gestantes. A prática regular desses exercícios contribui  para o fortalecimento da musculatura perineal, reduz os episódios de perda urinária e melhora  a qualidade de vida durante o período gestacional, demonstrando a importância da atuação  fisioterapêutica na saúde da mulher. 

Mesmo com os resultados positivos, ainda existe falta de padronização nos protocolos  de intervenção e diferenças metodológicas entre os estudos, o que dificulta a comparação dos  achados e a criação de diretrizes clínicas mais sólidas. Por isso, novas pesquisas com amostras  maiores e métodos mais bem definidos são necessárias para fortalecer as evidências científicas  e estimular o uso do TMAP como estratégia preventiva na gestação.

REFERÊNCIAS  

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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE. 

2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário  do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.