REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510232003
Claudiana de Lourdes Guilherme Gomes1
Patrícia de Souza Rodrigues2
Julie Dutra Monteiro Luis3
Katy Lisias Gondim Dias de Albuquerque4
Nadja de Azevedo Correia5
Karla Veruska Marques Cavalcante da Costa6
Resumo
A exposição à radiação ultravioleta pode gerar efeitos benéficos ou adversos a depender das características individuais (fototipo cutâneo), como também intensidade, duração e frequência da exposição solar. No Brasil, especialmente no Nordeste, os altos índices de radiação solar reforçam a necessidade da fotoproteção como medida preventiva e contribui para redução de distúrbios pigmentares, foto dano e envelhecimento precoce e carcinogênese induzida pela radiação solar.
O objetivo deste estudo foi avaliar o perfil dos estudantes da área da saúde da UFPB quanto ao conhecimento e hábitos relacionados à fotoproteção. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, realizado com discentes dos cursos da área da saúde do CCS e CCM. A coleta de dados ocorreu através de questionário online baseado no SEPI, a análise estatística utilizou programa Prisma (5.0). Participaram 304 estudantes da área da saúde, dos quais apenas 18,4% relataram ter recebido conhecimento acadêmico previamente a participação desta pesquisa. O conhecimento acerca o uso do protetor solar e as medidas de fotoproteção teve elevado índice de acerto, sobretudo entre aqueles que já possuíam conhecimento acadêmico prévio. E embora 90,5% evitem exposição solar nos horários de pico e 50% utilizem protetor com frequência, a adesão à reaplicação e ao uso de barreiras físicas, mostrou-se reduzida. Conclui-se que informações sobre uso de protetor solar e medidas de fotoproteção revelaram-se satisfatórias, principalmente para estudantes com conhecimento prévio, porém, foi identificada discrepância entre o saber teórico e a aplicação prática efetiva, especialmente quanto à reaplicação e ao uso de estratégias complementares de proteção.
Palavras-chave: Fotoproteção. Radiação Ultravioleta. Protetor Solar.
1 INTRODUÇÃO
O Sol é uma fonte essencial de energia que possibilita a existência da vida na Terra, exercendo efeitos positivos sobre a saúde humana. No entanto, alguns de seus impactos podem ser prejudiciais, especialmente à saúde da pele. A extensão desses efeitos depende de características individuais, como o fototipo cutâneo, bem como da intensidade, duração e frequência da exposição solar. Fatores como localização geográfica, estação do ano, horário do dia e condições climáticas também influenciam significativamente os efeitos da radiação solar sobre o organismo (Teixeira; Rosa; Vieira, 2019).
A luz solar é composta por um espectro contínuo de radiação eletromagnética, que inclui a luz visível, a radiação ultravioleta (UV) e a radiação infravermelha. Os raios UV, por sua vez, são classificados em UVA, UVB e UVC, com base em suas características eletrofísicas. Os raios UVC apresentam os comprimentos de onda mais curtos (100–280nm) e, consequentemente, possuem a maior energia. Os raios UVA, com comprimentos de onda mais longos (315–400nm), são menos energéticos, enquanto os raios UVB situam-se entre eles, com comprimentos de onda entre 290 e 320nm (Balogh et al., 2011; D’Orazio et al., 2013).
A exposição à radiação ultravioleta pode gerar efeitos adversos tanto agudos quanto crônicos. Entre os efeitos imediatos, destaca-se a queimadura solar. Já entre os efeitos de longo prazo, incluem-se o câncer de pele, o fotoenvelhecimento e os distúrbios pigmentares (Del Bino; Duval; Bernerd, 2018).
A fotoproteção é fundamental para a manutenção da saúde cutânea, contribuindo para a redução do risco de distúrbios pigmentares, prevenindo o envelhecimento precoce e a carcinogênese induzida pela radiação solar (Geisler et al., 2021). Conforme descrito por Schalka et al. (2014), a fotoproteção consiste em um conjunto de medidas destinadas a prevenir os danos agudos e crônicos causados pela radiação ultravioleta, além de promover a diminuição da exposição solar. Entre as principais estratégias de fotoproteção destacam-se a educação fotoprotetora, a utilização de fotoprotetores tópicos, a fotoproteção oral e os métodos mecânicos de barreira solar.
Medidas de fotoproteção são fundamentais para a prevenção dos efeitos nocivos induzidos pela radiação solar. A escolha do FPS deve considerar as características da pele, o tempo e a área de exposição, bem como o perfil de uso e a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda, no mínimo, o uso de produtos com FPS 30 (Schalka et al., 2014). O uso adequado do protetor solar configura-se como uma estratégia eficaz, especialmente quando associado ao uso de vestimentas e acessórios de barreira física, bem como à adoção de condutas que visem à redução da exposição direta ao Sol (Henderson et al., 2022; Mineroff; Nguyen; Jagdeo, 2023).
A exposição solar e as estratégias de fotoproteção são temas de grande relevância na prevenção e promoção da saúde pública, especialmente em regiões com alta incidência solar, como no Nordeste e em especial em João Pessoa/Paraíba. Nesse contexto, avaliar o conhecimento e os hábitos de fotoproteção entre os discentes matriculados em cursos da área da saúde é bastante importante para compreendermos se a formação acadêmica, está fortalecendo a educação fotoprotetora através de embasamento científico e se está impactando efetivamente em hábitos de prevenção.
Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo analisar o perfil de estudantes da área da saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) quanto ao conhecimento e aos hábitos relacionados à proteção solar, bem como identificar de que forma a base científica contribui para a construção dessas práticas. Para isso, foram avaliados discentes vinculados ao Centro de Ciências da Saúde (CCS) e ao Centro de Ciências Médicas (CCM), de modo a estabelecer a relação entre o conhecimento adquirido e sua aplicação prática nos cuidados com a exposição solar e no uso de fotoprotetores.
2 METODOLOGIA
3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA
Trata-se de um estudo de campo, transversal, descritivo e de natureza quali-quantitativa, que foi realizado a partir da elaboração e aplicação, via Google Forms®, de um instrumento estruturado preenchido voluntariamente por estudantes do Centro de Ciências da Saúde – CCS e Centro de Ciências Médicas – CCM da Universidade Federal da Paraíba – UFPB que aceitaram participar do estudo e concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Foram incluídos na pesquisa, discentes que durante a vigência da pesquisa estavam com a matrícula ativa nos cursos da área da saúde, sendo eles: Biomedicina, Farmácia, Fisioterapia, Enfermagem, Odontologia, Nutrição, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia do CCS e Medicina do CCM. Os critérios estabelecidos para a exclusão foram: alunos que não concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou discentes sem matrícula válida nos cursos mencionados anteriormente, durante o período do estudo (semestre 2024.1).
O cálculo amostral tomou como base o número de alunos matriculados nos cursos da saúde da UFPB durante o semestre de realização do estudo, sendo a população de discentes composta por 3.609 discentes. Foi realizado seguindo 95% como grau de confiança e uma margem de erro de 5,32%, dessa maneira foi possível determinar o tamanho da amostra de 310 participantes para esta investigação.
Por meio da plataforma Google Forms foi construído um instrumento de coleta de dados em formatação autoexplicativa com 22 questões de múltipla escolha, tendo como base o Sun Exposure And Protection Index (SEPI) (Detert et al., 2015), estruturado com a seção inicial contendo o TCLE e três seções subsequentes: Após acessar o instrumento era apresentado o TCLE que continha as informações e objetivos do estudo, somente após compreender e aceitar participar do estudo o aluno era direcionado para as seções seguintes. Caso não concordasse ou resolvesse desistir o questionário era encerrado. Na segunda seção foi coletado informações acadêmicas dos participantes da pesquisa que permitia avaliar a elegibilidade e inclusão na pesquisa; a terceira seção compreendeu questões relacionadas aos conhecimentos gerais acerca da fotoproteção e a última continha perguntas referentes aos hábitos individuais de uso da proteção solar.
A divulgação do instrumento para os discentes da UFPB foi realizada através de convites enviado por e-mails cadastrados no Sistema institucional – SIGAA encaminhado pela coordenação de cada curso, solicitando a participação e preenchimento do instrumento, de forma voluntária, a partir do link de acesso disponibilizado, bem como, também foi enviado QR-code e links de acesso em grupos de WhatsApp, formado por estudantes da área da saúde, direcionando-os ao referido instrumento de coleta de dados, nos período de outubro de 2023 à fevereiro de 2024.
A análise dos dados obtidos foi realizada pelo Prisma (versão 5.0), os dados do estudo foram apresentados considerando as características das variáveis apresentadas através do cálculo de frequências absolutas e relativas. Para analisar a correlação entre variáveis quantitativas foram agrupadas em tabelas de contingência e utilizado o teste t de student não pareado, com nível de significância estatística de p<0,05.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
No período letivo de 2024.1 (calendário civil – outubro de 2023 à fevereiro de 2024) a Universidade Federal da Paraíba possuía 2871 alunos matriculados nos cursos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e 738 alunos com matrícula ativa no Centro de Ciências Médicas, totalizando 3.609 alunos. Nesse cenário, e com base no cálculo amostral 310 respostas ao questionário foram reunidas, entretanto seis desses participantes não eram estudantes da UFPB ou dos centros CCS e CCM, excluindo a sua participação, de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos, totalizando 304 participantes. Destes, 88,8% eram discentes do CCS, com maior participação dos alunos dos cursos de Biomedicina (24%), Farmácia (18,8%) e Enfermagem (10,9%).
Os estudantes que participaram da pesquisa, predominantemente eram jovens com faixa etária entre 21 e 23 anos (42,2%), com maior participação do público feminino (76,3%), matriculados principalmente nos anos iniciais dos cursos (36,2%). Quanto ao acesso a conhecimento acadêmico prévio sobre a fotoproteção, obtidos por meio disciplinas, projetos ou cursos foi identificado em apenas 18,4% (56) dos participantes, demonstrando que na fase do curso que se encontravam 81,6% (248) não teriam adquirido conhecimento científico em ambiente acadêmico, nem teriam vivenciado experiências acadêmicas sobre o assunto (Tabela 1).
Tabela 1 – Caracterização dos universitários quanto ao gênero, idade, semestre letivo, centro e conhecimento acadêmico sobre fotoproteção.


Para melhor identificar os cursos que os alunos tiveram mais contato com a temática, foram separados os dados por curso e observou-se que a Biomedicina com 34,2% (25), a Farmácia com 24,6% (14) e a Medicina com 25% (8) foram os principais cursos que abordaram a temática em disciplinas e projetos afins, enquanto o curso de Terapia Ocupacional foi o único curso que os alunos participantes, não obtiveram nenhum contato com a temática fotoproteção (n=10), demonstrado na Figura 1.
Figura 1 – Demonstrativo percentual agrupados por cursos da área da saúde do CCS e CCM/UFPB que participaram da pesquisa (Adesão) e valores percentuais da aquisição de conhecimento prévio sobre fotoproteção obtido por meios acadêmicos Conhecimento prévio / Sem conhecimento prévio).

Com dos dados expostos na Tabela 1 e na Figura 1, é possível observar que o índice de alunos que cursaram disciplinas, cursos e projetos afins com abordagem na temática fotoproteção foi baixo para todos os cursos avaliados, despertando um alerta sobre a abordagem da temática para os futuros profissionais da saúde que de maneira direta ou indireta poderão lidar com questões relacionadas à exposição solar e prevenção de danos principalmente à saúde da pele.
Para melhor avaliar este resultado, os ementários dos Projetos Pedagógicos (PPCs) vigentes dos cursos da área da saúde do CCS e CCM / UFPB foram consultados, e foi possível identificar componentes curriculares que, potencialmente, abordam a temática da fotoproteção e seus impactos na saúde na maioria dos cursos avaliados, mostrando que a falta de conhecimento prévio sobre o assunto pode ser decorrente do período letivo que o aluno estava matriculado, limitando/impedindo o ingresso em disciplinas específicas, que são ofertadas nos anos finais do curso; ou ainda, devido ao desinteresse, por parte do aluno, em participar de atividades extracurriculares opcionais que abordam a temática nos anos iniciais da graduação.
É importante mencionar que os cursos de Terapia Ocupacional, Enfermagem e Fonoaudiologia, nos PPCs vigentes não foram encontrados disciplinas com conteúdo específico abordando a proteção solar e seus cuidados em disciplinas regulares, corroborando, inclusive com os dados do gráfico que mostram o menor índice dos alunos que tiveram acesso prévio ao tema, sugerindo que os alunos destes cursos, que afirmaram ter o conhecimento acadêmico prévio, possam ter estudado o tema de maneira transversal em alguma disciplina ao longo do curso ou participado de capacitação acadêmica extracurricular.
Segundo Roque e Simões (2020) a educação em saúde, por meio de ações concretas, contribui para a promoção de comportamentos preventivos e para a redução de doenças na população e a inserção da temática da fotoproteção, perpassa por temas transversais que agregam na formação acadêmica beneficiando não apenas os estudantes e usuários dos serviços de saúde universitário, mas a comunidade em geral fomentando ações estratégicas e políticas públicas de prevenção, autocuidado e promoção de saúde nas diferentes áreas de atuação e níveis de atenção em saúde.
Rocha (2018) destaca que o ensino sobre fotoproteção e prevenção do câncer de pele é essencial na formação de profissionais da saúde. Profissionais capacitados nesse tema estão mais aptos a disseminar informações e estimular a adoção de medidas protetivas pela população, contribuindo para a diminuição da incidência da doença. A promoção da saúde envolve não apenas o ensino teórico, mas inclui ações diversas e comunicação abordando temas essenciais e relevantes como a fotoproteção, reforçando a integração da ciência, a conscientização e a educação sobre os benefícios e riscos da exposição solar (Silva et al., 2025).
Com base nas evidências coletadas, o estudo foi dividido em dois grupos: os participantes da pesquisa com conhecimento acadêmico prévio e os sem conhecimento acadêmico prévio sobre proteção solar até o momento da pesquisa (Tabela 2).
Tabela 2 – Valores absolutos e percentuais do conhecimento sobre fotoproteção entre discentes com (CCAP) e sem SCAP) formação acadêmica prévia, a partir do instrumento de pesquisa


Grupo sem conhecimento acadêmico prévio.
Fonte: Autora, 2024.
A partir dos dados apresentados na tabela 2, percebe-se que houve alto índice de acertos quando os discentes foram questionados sobre a aplicação de fotoprotetores anterior à exposição solar e sobre as condições de reaplicação. Os entrevistados também demonstraram entender a necessidade de escolher fotoprotetores com proteção contra os espectros UVA e UVB, e de evitar a exposição solar durante os horários de maior incidência de radiação. Ou seja, independente do acesso ao conhecimento acadêmico, o índice de acerto nos dois grupos foi estatisticamente maior que as demais alternativas incorretas do instrumento utilizado.
Entretanto, quando comparados entre os grupos com e sem conhecimento acadêmico prévio, verificou-se uma diferença estatisticamente significativa tanto para as “alternativas corretas”, quanto para as “demais alternativas” entre grupos, com maior número de acerto e menor índice de erro para o CCAP. Isso sugere que o contexto educacional desempenha um papel crucial na compreensão das práticas de fotoproteção, de modo que o grupo CCAP pode ter recebido informações mais detalhadas e embasadas em evidências sobre o tema, o que pode explicar sua maior precisão nas respostas.
Estudiosos ratificam essa ideia quando sugere que ações educacionais têm o potencial de influenciar os processos de tomada de decisão intencionais ao aumentar o conhecimento e influenciar o comportamento humano nas questões associadas aos aspectos sociais e cognitivos (Roque Ferreira; Simões; Ferreira, 2020).
Considerando também que o índice de acerto no SCAP também foi relevante, percebese que mesmo os estudantes da área da saúde que não adquiriram conhecimentos acadêmicos específicos sobre o assunto, também são detentores de informações de ciências básicas, biomédicas, meios informais de comunicação e de senso comum oriundas de outras fontes de disseminação de conhecimento, viabilizam os cuidados e a prevenção dos riscos à fotoexposição, inclusive de temáticas que podem tratar de maneira indireta o assunto prevenção em saúde, no qual a fotoproteção está inserida.
Em seu estudo, Bonfá e colaboradores (2014) observaram que a maioria dos adultos entrevistados relatou ter conhecimento sobre os riscos da exposição solar principalmente por meio da mídia, enquanto as orientações médicas foram menos mencionadas. Isso evidencia o papel relevante da mídia na disseminação de informações sobre fotoproteção. Ricardo et al. (2022) compararam diferentes formatos de campanhas educativas sobre saúde da pele e concluíram que os vídeos foram mais atrativos e eficazes do que os panfletos na transmissão das informações.
Diante desse cenário, é fundamental reconhecer o impacto de fontes alternativas de informação. No entanto, a produção e divulgação desses conteúdos devem estar fundamentadas em evidências científicas e alinhadas às inovações educacionais, reforçando o papel central das instituições de ensino superior na formação de profissionais da saúde aptos a atuar como agentes disseminadores de conhecimento confiável.
No estudo de Dallazem e colaboradores (2019) foi verificado resultados em que estudantes da área da saúde de Santa Maria-RS obtiveram desempenho satisfatório em frente ao conhecimento sobre fotoproteção e Câncer de pele quando comparados à estudantes de outras áreas. Nesse panorama, esses resultados sugerem que estudantes da área da saúde podem ter maior familiaridade com o assunto, e os autores, Dallazem et al. (2019), ainda propõe que isso pode ser um bom indicativo de desenvolvimento, pois há uma potencial formação de profissionais capazes de compartilhar informações fundamentais sobre a proteção solar de maneira criteriosa.
Para compreender os hábitos de fotoproteção da amostra foi utilizado questões sobre fotoproteção solar adaptadas do questionário Validation of sun exposure and protection index (SEPI) (Detert et al., 2015) o qual é uma ferramenta útil para avaliar o comportamento relacionado à exposição solar e proteção, permitindo identificar se a partir do conhecimento existem adaptações de ações pessoais e mudanças de hábitos (Knipping et al., 2023).
No presente estudo, 50% dos discentes, sem distinção por curso, relataram que aplicam protetor solar com frequência, destes apenas 24% aplicam com frequência elevadas. Ao analisar o uso de protetor solar durante a exposição ao Sol por curso, observou-se que os cursos de Terapia Ocupacional (40%), Odontologia (37%) e Nutrição (33,3%) apresentaram os maiores percentuais ao assinalarem que fazem uso “sempre”, indicando que esses cursos têm uma adesão significativamente maior ao uso constante de protetor solar durante a exposição solar.
Observando um panorama geral na Figura 2A, outros cursos como Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Terapia Ocupacional e Nutrição demonstraram uma alta frequência no uso de fotoprotetores, de modo que pelo menos 50% alunos desses cursos afirmaram aplicá-los “sempre” ou “muitas vezes” ao se exporem ao Sol, sugerindo que o hábito diário vem sendo executado pela maioria dos estudantes da área da saúde como uma medida consciente de fotoproteção, importante para prevenção dos efeitos deletérios da radiação solar para a saúde.
Em relação a reaplicação, Da Costa, Farias e Oliveira (2021) afirma que esse ato é indispensável para uma proteção eficaz, que deve ser feito a cada 2 a 3 horas, ou pelo menos 3 vezes ao dia. Nesta pesquisa, 50% dos discentes revelaram que fazem a reaplicação apenas uma vez ao dia e 34,2% não fazem nenhuma reaplicação independente das condições expostas.
Figura 2 – Representação gráfica do hábito de aplicação e reaplicação de fotoprotetores de toda amostra e dividido por curso

Entre os cursos analisados, Biomedicina registrou a maior taxa de adesão à reaplicação de fotoprotetores dentro dos parâmetros recomendados, com 20,5% dos participantes afirmando realizar a reaplicação tópica de duas a três vezes ao dia. Por outro lado, Medicina apresentou o menor índice de reaplicações, com metade dos participantes (50%) admitindo não realizar nenhuma reaplicação, como demonstrado no Figura 2B.
Embora os cursos de Biomedicina seguido pelo curso de Medicina estejam entre os cursos que os estudantes que obtiveram maior contato acadêmico com a temática fotoproteção, é possível inferir que os estudantes do curso de biomedicina parecem ser os acadêmicos com as ações práticas de prevenção mais efetivas quando comparados aos demais cursos da área da saúde da UFPB.
Com base nos hábitos de aplicação e reaplicação de fotoprotetores pelos universitários e dos conhecimentos por eles declarados, percebe-se uma lacuna entre conhecer os hábitos adequados e praticá-los adequadamente. A abordagem da transmissão de conhecimento deve ir além de apenas informar sobre a importância do uso correto de protetor solar, incentivando também a integração desses hábitos na rotina diária das pessoas.
Estes dados corroboram com Coelho et al. (2020) que afirma que é crucial investir na educação da população universitária por meio de componentes curriculares específicos sobre a temática e campanhas de conscientização mais eficazes.
Adicionalmente, no presente estudo, a investigação sobre a taxa de utilização de outras medidas protetoras também foi baixa, de modo que apenas 26,3% dos alunos fazem o uso de roupas que cubram o corpo como método fotoprotetor com maior frequência e 35,9% deles responderam que fazem uso “às vezes”, como mostrado no Figura 3A, sugerindo que a prática eficaz de medidas de proteção e prevenção dos fotodanos não são praticadas pela maioria dos estudantes que participaram desta pesquisa.
Figura 3 – Representação gráfica da utilização de outras medidas fotoprotetoras.

Fonte: Autora, 2024.
O uso de chapéus e bonés como medida de proteção ao fotodano tiveram menor adesão entre os participantes, de maneira que 37,5% nunca fazem o uso e 20,1% usam raramente, como representado no Figura 3B. No estudo de Ferreira et al. (2018) com estudantes de diferentes áreas de graduação, o uso de boné e chapéu foi o meio de fotoproteção mais utilizado (37,8%) durante a exposição intencional ao Sol, quando exclui-se o filtro solar, contudo quando verificados se faziam o uso diariamente essa taxa cai para 8,6%.
Nesse sentido, nota-se que os universitários desta pesquisa possuem menores taxas utilização de outros métodos de fotoproteção que podem estar relacionadas à subestimação da eficácia desses outros meios preventivos. Apesar disso, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia o sucesso da fotoproteção adequada depende da combinação do maior número de medidas fotoprotetoras possível (Schalka et al., 2014).
Dentre as medidas de fotoproteção, a diminuição da exposição solar em horários de maior incidência UV foi a mais praticada entre os estudantes dos quais 59,9% relataram que sempre evitam se expor, nesses momentos, e 30,6% muitas vezes, conforme retratado no Figura 4A.
Figura 4 – Comportamentos de exposição solar e de bronzeamento entre estudantes universitários

Outro hábito inadequado é o ato de expôr-se ao Sol com intenção de se bronzear, que muitas vezes é motivado pela aparência que o bronzeamento garante a qual é valorizada na cultura brasileira (Lorca; Pontes, 2022). No presente estudo, os estudantes não seguem essa tendência, de modo que eles raramente (37,5%) ou nunca (34,9%) tomam banho de Sol com intenção de bronzear-se, percebendo que os hábitos de exposição variam entre as populações, como mostrado no Figura 4B, sugerindo que para os participantes do estudo, essa prática não é buscada, independente do impacto cultural ou motivacional.
Perante o exposto, fica evidente que as estratégias de educação e conscientização devem abordar não só o embasamento científico sobre a importância das medidas de fotoproteção, mas também as estratégias de pô-las em prática, considerando os contextos culturais e sociais, para que assim possam promover efetivamente uma mudança verdadeira de hábitos praticados de forma segura e eficaz.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos achados deste estudo, observa-se que a oferta e/ou o acesso a disciplinas, cursos e/ou outras formas de atividades complementares relacionados à fotoproteção na formação dos estudantes da área da saúde da UFPB estão atendidos através de disciplinas e/ou atividades complementares.
As informações sobre o uso do protetor solar e as medidas de fotoproteção demonstraram ser, em geral, satisfatórias entre os estudantes, sobretudo entre aqueles que já possuíam conhecimento acadêmico prévio sobre o tema. Dentre os cursos avaliados, destacaram-se Biomedicina, Medicina e Farmácia como os que apresentaram maior adesão ao conhecimento técnico relacionado à proteção contra os efeitos da radiação ultravioleta.
Contudo, apesar do bom desempenho teórico, foi identificada uma discrepância significativa entre o conhecimento adquirido e a prática efetiva de comportamentos em relação ao uso de fotoprotetores, especialmente em situações que exigem reaplicação do protetor solar ou o uso de estratégias complementares.
Dessa forma, os dados desta pesquisa indicam que o contexto educacional exerce um papel determinante na consolidação de estratégias eficazes de fotoproteção e que contribui não apenas para a formação crítica e preventiva dos futuros profissionais, mas também para a promoção da saúde e a redução dos riscos associados à exposição solar inadequada e as consequências que ela oferece.
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1Discente da Graduação de Biomedicina da Universidade Federal da Paraíba Campus I João Pessoa/PB e-mail: claudianaggomes@gmail.com
2Discente da Graduação de Biomedicina da Universidade Federal da Paraíba Campus I João Pessoa/PB e-mail: pcrodrigues67@gmail.com
3Discente da Graduação de Farmácia da Universidade Federal da Paraíba Campus I João Pessoa/PB e-mail: juliedutra.brejo@gmail.com
4Docente da Universidade Federal da Paraíba – UFPB Campus I Doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos – área de Concentração Farmacologia (PPGPNSB/UFPB). e-mail: katy_lisias@yahoo.com.br
5Docente da Universidade Federal da Paraíba – UFPB Campus I Doutora em Ciências – área de concentração farmacologia – USP (PPGF/USP). e-mail: nadjaacorreia@gmail.com
6Docente da Universidade Federal da Paraíba – UFPB Campus I Doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos – área de Concentração Farmacologia (PPGPNSB/UFPB). e-mail: karlaveruska@yahoo.com.br
