PROTECTION AND DEFENSE AND THE RELATIONSHIP BETWEEN FIRE SAFETY: PUBLIC EDUCATION STRATEGIES AND PROJECTS TO REDUCE DISASTER RISK
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508311723
João Vitor de Souza¹
Tiago Aragão de Almeida¹
Daniel Lipovetsky e Silva²
Resumo
O artigo analisa a relação entre a segurança contra incêndio e as ações de proteção e defesa civil, com foco nas estratégias educativas voltadas para a redução do risco de desastres. A pesquisa explora como a integração entre essas áreas pode fortalecer a resiliência das comunidades, destacando a importância da conscientização pública como ferramenta preventiva. A metodologia adotou a revisão bibliográfica de normativas, relatórios institucionais e estudos acadêmicos, além da análise de projetos públicos voltados à educação em segurança. Os resultados revelaram que campanhas educativas, treinamentos práticos e simulações de evacuação contribuem significativamente para a preparação da população diante de situações de emergência. Constatou-se, ainda, que a falta de articulação entre os órgãos responsáveis enfraquece a eficácia das ações preventivas. Conclui-se que a promoção de uma cultura de prevenção, por meio de abordagens intersetoriais e investimentos contínuos em educação, é fundamental para reduzir a vulnerabilidade das comunidades diante de incêndios e outros desastres.
Palavras-chave: Segurança contra incêndio; Proteção e defesa civil; Educação para prevenção.
1. INTRODUÇÃO
Incêndios podem transformar rapidamente a vida das pessoas, destruindo casas, empregos e o meio ambiente. No Brasil, esses eventos ocorrem frequentemente em áreas urbanas densamente povoadas, regiões rurais e florestais, destacando a necessidade de estratégias eficazes de gestão do risco de desastres (GRD). A segurança contra incêndios desempenha um papel essencial nesse contexto, com foco em medidas técnicas e operacionais, como o cumprimento de normas de construção, a instalação de sistemas de combate a incêndios e o treinamento de brigadas.
A Proteção e Defesa Civil trabalha para que comunidades estejam preparadas, reduzindo riscos e protegendo pessoas e bens. Seus objetivos incluem a redução de vulnerabilidades, o fortalecimento da resiliência das comunidades e a promoção de uma cultura menos reativa, focada nas ações que antecedem os desastres. Assim, a segurança contra incêndios se torna uma dimensão estratégica dentro do escopo da proteção civil, já que incêndios podem desencadear desastres de grandes proporções.
Essa integração aparece em ações concretas, como ensinar a população a identificar riscos, planejar cidades mais seguras e treinar equipes para agir em emergências.
No entanto, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais, como a falta de políticas públicas integradas e a baixa cultura de gestão do risco, reforçando a importância de iniciativas educativas para a redução de riscos. Claret e Etrusco (2022) destacam que a evacuação é a estratégia mais confiável para salvar vidas em incêndios, uma vez que a severidade desses eventos é difícil de controlar, sendo essencial que os projetos de edificações incluam medidas ativas e passivas para facilitar o escape das pessoas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este estudo examina como a segurança contra incêndio e a proteção civil se conectam, destacando programas educativos que ajudam a prevenir tragédias. Juntas, essas áreas ajudam a salvar vidas, proteger bens e garantir que comunidades enfrentem desastres com mais segurança.
A análise da relação entre segurança contra incêndio e as ações de proteção e defesa civil encontra respaldo em marcos teóricos que abordam a gestão de riscos de desastres (GRD). Por isso, a segurança contra incêndio, segundo Coppola (2015), deve ser compreendida como parte integrante da Gestão de Riscos de Desastres, envolvendo desde a análise de riscos até a implementação de estratégias de prevenção, mitigação e preparação.
Para Claret e Etrusco (2022), a reação ao fogo dos materiais de construção, especialmente nos revestimentos de pisos, paredes e tetos, influencia diretamente o tempo disponível para evacuação das pessoas, pois determina a rapidez com que condições insustentáveis se formam nos compartimentos afetados.
Tal contexto demonstra que a inobservância dos critérios normativos da segurança contra incêndio, no Brasil, regulamentados pelos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados e do Distrito Federal, possui íntima correlação com a Gestão de Risco de Desastres, sobretudo, porque as medidas de segurança contra incêndio colaboram – de forma determinante – para prevenção, mitigação e preparação visando a redução de sinistros (incêndios), os quais, dependendo de suas magnitudes, podem desencadear ou potencializar eventos catastróficos, causando risco à vida, à preservação ao patrimônio e, inviabilizando o desenvolvimento sustentável.
Em território brasileiro, autores como Elaine Gonçalves (2024) destacam que a gestão do risco de incêndios está diretamente ligada às políticas de proteção civil, ressaltando a necessidade de integração entre os órgãos públicos e a comunidade. Na obra PROFIRE: Do Zero ao Projeto Aprovado, Gonçalves apresenta diretrizes práticas para a elaboração de projetos de segurança contra incêndios, abordando não apenas os aspectos técnicos, como normas e exigências legais, mas também a importância da conscientização pública como estratégia de prevenção e mitigação de riscos.
Nesse contexto, normas prescritivas estabelecem exigências mínimas para os materiais de construção, regulamentos baseados em desempenho dependem do modelamento de incêndio para avaliar a adequação desses materiais à segurança da edificação (Claret e Etrusco, 2022).
Porém, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012) reforça uma abordagem sistêmica, pois estabelece que a redução de riscos depende da articulação entre as diferentes esferas do poder público e a sociedade.
Logo, essa perspectiva é complementada por Freitas (2018), que enfatiza a necessidade de programas educativos e treinamentos contínuos para capacitar a população a lidar com situações de emergência.
Outrossim, importa frisar que o tempo total necessário para o escape seguro de uma edificação sinistrada considera fatores como: detecção precoce do incêndio, acionamento do sistema de alarme, pré-movimento e deslocamento dos ocupantes da edificação, os quais são influenciados tanto pelas características individuais das pessoas quanto pela arquitetura da edificação (CLARET; ETRUSCO, 2022).
Nesse sentido, cabe destacar que os fatores de ocupação utilizados nas normas brasileiras podem subestimar a densidade real de pessoas em centros comerciais, indicando a necessidade de ajustes baseados em dados locais para estimar corretamente o tempo de evacuação (CLARET; ETRUSCO, 2022).
Além disso, é de fundamental importância ressaltar que a intersetorialidade das ações, somada à educação e ao planejamento urbano adequado, é essencial para fortalecer a resiliência das comunidades frente a desastres, visto que o modelamento de incêndio no Brasil enfrenta desafios específicos, como: a ausência de ensaios nacionais que considerem materiais, geometria dos ambientes, ventilação e fatores culturais, tornando imprescindível a realização de pesquisas locais para garantir estimativas confiáveis do tempo de escape seguro das edificações (CLARET; ETRUSCO, 2022).
Por consequência, autores como Cardona (2004) e Kelman (2012) propõem uma abordagem integrada de gestão do risco, envolvendo políticas públicas, tecnologia e capacitação social.
Portanto, a fundamentação teórica evidencia que a integração entre a segurança contra incêndio e a proteção civil, aliada a projetos educativos é essencial para reduzir a vulnerabilidade das comunidades e promover uma cultura de gestão do risco.
3. METODOLOGIA
A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, com o objetivo de analisar a relação entre segurança contra incêndio e as ações de proteção e defesa civil, destacando as estratégias educativas voltadas para a redução do risco de desastres.
3.1. Procedimentos de Coleta de Dados
A coleta de dados foi realizada por meio de:
Revisão bibliográfica: Foram analisadas obras acadêmicas, livros técnicos, artigos científicos e documentos institucionais relacionados à segurança contra incêndio, proteção civil e educação em gestão do risco de desastres. Autores como Coppola (2015), Gonçalves (2024) e Freitas (2018) foram fundamentais para embasar teoricamente o estudo.
Análise documental: Foram examinadas legislações, normas técnicas e relatórios oficiais, como a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012) e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros, usando como referência os estados de Minas Gerais, Paraíba e São Paulo, além de materiais disponibilizados por órgãos públicos.
Estudo de casos: Projetos públicos de educação preventiva em âmbito nacional foram analisados, como o programa “Escola Segura” e campanhas de conscientização promovidas por Corpos de Bombeiros e Defesas Civis estaduais.
3.2. Análise de Dados
Os dados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2011), permitindo identificar categorias temáticas relacionadas à integração entre segurança contra incêndio e proteção civil. Essa análise possibilitou a compreensão das práticas educativas existentes, suas limitações e seu potencial de aprimoramento.
3.3. Limitações da Pesquisa
A pesquisa concentrou-se em fontes bibliográficas e documentais, não abrangendo a realização de entrevistas ou levantamentos quantitativos. Portanto, os resultados refletem a análise das informações disponíveis e podem ser complementados por futuros estudos empíricos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados mostram que, quando a educação, o treinamento e a proteção civil caminham juntos, os riscos de desastres diminuem de forma concreta. Programas como “Escola Segura”, no Estado de São Paulo; “Defesa Civil nas Comunidades”, no Estado da Paraíba; e “Bombeiro nas Escolas”, no Estado de Minas Gerais, demonstraram impactos positivos.
Estudos sobre modelamento de evacuação indicam que a velocidade de deslocamento e o fluxo de pessoas em rotas de escape dependem diretamente da densidade populacional, da largura efetiva das saídas e do tempo de pré-movimento, parâmetros que devem ser considerados em simulações de treinamento para segurança escolar e comunitária (Claret e Etrusco, 2022).
Por exemplo, no estado de São Paulo, o “Escola Segura” promove treinamentos periódicos com simulações de evacuação em escolas públicas e privadas. Relatórios da Defesa Civil paulista indicam que nas escolas participantes houve uma redução de 40% nas ocorrências de incêndios e situações de pânico entre 2018 e 2022.
No estado da Paraíba, a iniciativa Defesa Civil nas Comunidades, implementada no município de João Pessoa, envolve líderes comunitários e voluntários em capacitações sobre prevenção e resposta a incêndios. Segundo a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil da Paraíba (2022), bairros com treinamentos contínuos responderam mais rapidamente a emergências, reduzindo danos materiais e riscos à vida.
Nesse contexto, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (2025), por meio do Projeto Bombeiro nas Escolas, apenas entre os dias 18 e 21 de agosto desse ano, no município de Rio Acima – MG, os profissionais dessa corporação capacitaram um público de mais de 1060 crianças, ofertando-lhes conhecimentos e noções básicas de segurança, fortalecendo a cultura de autoproteção entre os menores, por intermédio de ações educativas e lúdicas.
Assim, nesta oportunidade, cabe destacar que os bombeiros militares promoveram com o público alvo do projeto exercícios simulados de evacuação nas escolas do município e que tal ação visou disseminar práticas e fortalecer estratégias relacionadas intrinsecamente com a Gestão de Risco de Desastre, sobretudo, no que se refere à prevenção e à preparação para desastres.
Portanto, esse exemplo demonstra o enorme alcance social de iniciativas dessa natureza, no oferecimento de oficinas, palestras e treinamentos práticos.
4.1. Programas Educativos e sua Aplicação Regional
Os estudos de caso analisados destacaram iniciativas estaduais que ilustram a eficácia das ações de gestão do risco de desastres. No estado de São Paulo, o programa “Escola Segura”, coordenado pela Defesa Civil estadual em parceria com o Corpo de Bombeiros e as secretarias municipais de educação, tem promovido treinamentos periódicos com simulações de evacuação em escolas públicas e privadas.
Ademais, tais atividades, além de capacitar estudantes e educadores, fomentam a cultura de gestão do risco desde a infância.
Além disso, os relatórios da Defesa Civil paulista indicam que, nas escolas participantes, houve uma redução de 40% nas ocorrências de acidentes relacionados a incêndios e situações de pânico em ambientes escolares entre 2018 e 2022 (Governo do Estado de São Paulo, 2023).
Outrossim, no estado da Paraíba, a iniciativa “Defesa Civil nas Comunidades”, implementada no município de João Pessoa, tem se destacado pela abordagem participativa, envolvendo líderes comunitários e voluntários em capacitações para ações de prevenção/mitigação e preparação para respostas a incêndios e outros desastres.
Nesse panorama, segundo dados da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil da Paraíba (2022), bairros que receberam treinamentos contínuos apresentaram uma resposta mais rápida em situações emergenciais, reduzindo os danos materiais e os riscos à vida.
De mais a mais, reforça-se o exemplo do estado de Minas Gerais, mediante o Projeto “Bombeiro nas Escolas”, desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar o qual somente no ano de 2025, em parceria com as secretarias municipais de educação, tem alcançado milhares de estudantes em todo o estado, conforme dados do site desta corporação. Essa iniciativa oferece palestras, treinamentos práticos e materiais educativos sobre prevenção de incêndios, mitigação de riscos, preparação para desastres e primeiros socorros.
Dessa maneira, o projeto “Bombeiro nas Escolas” segue as fases da Gestão de Riscos de Desastres (GRD), contribuindo para a redução de riscos, a capacitação da população e o aumento da resiliência da comunidade escolar.
Com isso, o projeto em questão desenvolve ações de prevenção, as quais envolvem atividades educativas e de conscientização para evitar a ocorrência de incêndios e outros desastres, enquanto a mitigação se concentra em estratégias para reduzir os impactos de um desastre, como a implementação de medidas de segurança.
No que diz respeito à preparação, o projeto em tela oferece capacitação e treinamentos práticos para situações de emergência, garantindo que a população saiba como agir antes e durante um desastre.
Por fim, no aspecto de resposta, o projeto “Bombeiro nas Escolas” ensina noções de primeiros socorros e de como agir durante um evento crítico, fortalecendo a capacidade de reação da comunidade.
4.2. Exemplos de Desastres e Lições Aprendidas
Os resultados também apontaram que a ausência de programas contínuos e integrados de gestão do risco contribui para a vulnerabilidade das comunidades, como evidenciado por desastres recentes e históricos. O rompimento da barragem de Brumadinho (MG), em 2019, exemplifica como a falta de treinamento adequado e de sistemas de alerta eficazes pode resultar em tragédias de grandes proporções.
De acordo com o Relatório Final da CPI de Brumadinho (2019), muitos trabalhadores e moradores próximos não possuíam conhecimento sobre as rotas de fuga e os procedimentos de evacuação, o que agravou as consequências do desastre, evidenciando a falta de preparação para emergências, uma fase crucial do ciclo da proteção e defesa civil.
As queimadas que assolaram os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, em 2020, também evidenciaram a necessidade de campanhas educativas voltadas para a prevenção e mitigação de incêndios, complementadas por treinamentos específicos para o combate inicial de focos de incêndio.
Além disso, conforme consta no Relatório de Monitoramento de Queimadas do Brasil, referente ano de 2020, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 2021), a falta de conscientização sobre práticas agrícolas seguras e a ausência de treinamentos comunitários contribuíram para a rápida propagação das chamas, resultando na destruição de áreas naturais e prejuízos socioeconômicos.
De modo análogo, os incêndios urbanos, como os ocorridos na Boate Kiss, em Santa Maria (no estado do Rio Grande do Sul), em 2013, e no Edifício Joelma, no estado de São Paulo, em 1974, reforçam a importância das ações educativas como ferramenta de prevenção, mitigação de riscos e preparação para respostas.
Nesse contexto, o Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito da Boate Kiss (2014) indicou que a falta de conhecimento sobre as saídas de emergência e a ausência de treinamentos em evacuação contribuíram para o elevado número de vítimas. Logo, observa-se que as ações educativas se enquadram nas fases de prevenção (informação sobre saídas), mitigação (redução de riscos) e preparação (treinamentos em evacuação).
De modo semelhante, o incêndio do Edifício Joelma revelou a carência de normas rígidas à época e a necessidade de campanhas permanentes para conscientizar a população sobre medidas de autoproteção, além da necessidade de melhorias em sistemas de segurança e planos de emergência para proteção das pessoas e das edificações.
4.3. Desafios e Oportunidades Identificados
Mesmo com progressos, ainda existem problemas. Muitos programas educativos acontecem de maneira esporádica, o que reduz sua eficácia. Em estados com maior articulação, como São Paulo e Minas Gerais, o impacto dessas iniciativas é mais consistente, em contrapartida outras regiões, com menor integração, ainda enfrentam dificuldades para manter as iniciativas de enorme alcance social.
Nesse cenário, mais uma vez, cabe destacar que a densidade populacional observada em centros comerciais e em escolas pode ser superior às normas nacionais prescritivas, exigindo ajustes no planejamento de evacuação e uma maior frequência de simulados para garantir a segurança da população (CLARET; ETRUSCO, 2022).
Por isso, a falta de sistematização para avaliar o impacto das campanhas educativas — que, por vezes, se desenvolvem sem métricas claras — dificulta a identificação e a parametrização de boas práticas, bem como a replicação de iniciativas bem-sucedidas por parte do poder público e da sociedade civil organizada. Sobretudo porque, como já demonstrado neste artigo, estudos sobre o tempo de pré-movimento indicam que ocupantes não treinados podem levar mais tempo para iniciar a evacuação, o que corrobora diretamente a importância de treinamentos regulares e de sinalização eficiente (CLARET; ETRUSCO, 2022).
Dessa maneira, deve-se considerar os projetos sociais e as campanhas educativas no campo da proteção e defesa civil como um conjunto amplo de ações comunicacionais e pedagógicas, que podem incluir palestras, distribuição de materiais informativos, workshops, treinamentos, simulados e o uso de mídias diversas para disseminar conhecimento sobre todas as fases que envolvem a gestão do risco de desastres.
Portanto, surgem oportunidades para aprimorar tais políticas públicas, visto que a integração entre segurança contra incêndios e proteção civil, aliada ao uso de tecnologias digitais, como aplicativos de alerta e plataformas de ensino a distância, pode ampliar o alcance das campanhas dessa natureza.
Por fim, importa destacar que parcerias entre órgãos públicos, setor privado e sociedade civil também favorecem o fortalecimento da capacidade de resposta das comunidades e promovem – de forma efetiva – uma cultura de gestão do risco de desastres, abrangendo prevenção, mitigação e preparação. E, por conseguinte, ampliam a capacidade de resposta de capacidade de recuperação das comunidades após uma catástrofe.
5. CONCLUSÃO
A presente pesquisa demonstra que a atuação conjunta entre a segurança contra incêndio e as ações de proteção e defesa civil é essencial para a redução do risco de desastres. A análise de programas estaduais mostrou que simulações de evacuação, treinamentos de pré-movimento e ajustes nas rotas de escape, considerando densidade populacional e fluxo de pessoas, contribuem diretamente para a eficácia das ações educativas e a segurança da população.
Ademais, a análise de programas estaduais, como o “Escola Segura” em São Paulo, o “Defesa Civil nas Comunidades” na Paraíba e o “Bombeiro nas Escolas” em Minas Gerais, revelou que a articulação entre os órgãos responsáveis e a sociedade civil fortalece a resiliência das comunidades, preparando-as para enfrentar situações de emergência com mais eficácia.
Logo, a segurança contra incêndio, tradicionalmente associada às normas técnicas, aos sistemas de proteção passiva e ativa e ao combate direto às chamas, tem se mostrado mais eficaz quando compreendida como parte integrante das políticas de proteção civil.
Portanto, a segurança contra incêndio compõe a Proteção e Defesa Civil (PDC), sendo uma área de atuação específica dentro do seu escopo mais amplo, cujos objetivos: proteger vidas, preservar o patrimônio e garantir o desenvolvimento sustentável, alinham-se diretamente com o escopo da proteção e defesa civil, visto que essa visa, sobretudo, fortalecer a resiliência social.
Por isso, destaca-se que essa intersecção de campos de atuação não se limita à resposta emergencial, mas se estende à gestão do risco por meio da conscientização e da capacitação das comunidades.
Assim, os exemplos apresentados neste artigo reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas e permanentes, voltadas à capacitação da população para a prevenção e a mitigação dos riscos de desastres, bem como ao preparo das pessoas para agir, por meio de medidas eficientes e eficazes, em situações de emergência e catástrofes. Nesse contexto, a educação pública configura-se como uma poderosa ferramenta de gestão de riscos de desastres.
Além disso, ações voltadas à capacitação do público geral evidenciam que a formação contínua de profissionais das áreas de segurança e defesa civil também é crucial. Dessa forma, Corpos de Bombeiros Militares, agentes de defesa civil, educadores e gestores públicos precisam estar alinhados em termos de conhecimento técnico e práticas de gestão do risco de desastres, pois, atuação conjunta desses atores em estados como São Paulo, Paraíba e Minas Gerais, comprovou a importância da articulação entre as instituições para redução da vulnerabilidade das comunidades locais.
Por outro lado, a pesquisa também identificou desafios persistentes como: a descontinuidade de programas educativos, a falta de métricas para avaliação de impacto e a fragmentação das ações entre diferentes órgãos dificultam a consolidação de uma cultura de gestão do risco em nível nacional, sobretudo, porque, em regiões onde a articulação interinstitucional é frágil, as ações preventivas tendem a ser pontuais e menos eficazes. Por consequência, tal lacuna apenas reforça a necessidade de políticas públicas integradas, que promovam a cooperação entre os diversos atores envolvidos na gestão de riscos.
De mais a mais, em termos de políticas públicas, verifica-se, conforme resultados desta pesquisa, que cabe ao poder público, em suas diferentes esferas, priorizar a implementação de programas educativos contínuos e integrados, com foco na prevenção de incêndios e na capacitação das comunidades, para fortalecer o Sistema Nacional de Defesa Civil.
Por fim, conclui-se que a relação entre segurança contra incêndio e proteção civil deve ser compreendida como um processo contínuo e multidimensional, que envolve não apenas a adoção de normas técnicas e a instalação de sistemas de proteção contra incêndios, pânico e emergência, mas também a capacitação das populações e a atuação coordenada entre os diversos atores responsáveis pela gestão de riscos de desastres, uma vez que somente por meio dessa abordagem integrada e sistêmica será possível reduzir a vulnerabilidade das comunidades, minimizar os impactos dos desastres e promover um ambiente mais seguro e resiliente para todos.
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA MINAS. Corpo de Bombeiros já realizou mais de 2,4 mil treinamentos de segurança nas escolas de Minas Gerais. Disponível em: <https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/corpo-de-bombeiros-ja-realizou-mais-de-2-4mil-treinamentos-de-seguranca-nas-escolas-de-minas-gerais>. Acesso em: 24 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20112014/2012/lei/l12608.htm>. Acesso em: 24 fev. 2025.
CLARET, M.; ETRUSCO, P. Tempo de escape em edificações: os desafios do modelamento de incêndio no Brasil. REM Revista Escola de Minas, v. 55, n. 4, p. 257–261, 1 out. 2002.
COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO DA BOATE KISS. Relatório final da CPI da Boate Kiss. Brasília: Câmara dos Deputados, 2014.
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MINAS GERAIS. Projeto Bombeiro nas Escolas promove educação e segurança para mais de mil crianças em Rio Acima. Disponível em: https://www.bombeiros.mg.gov.br/projeto-bombeiro-nas-escolas-promove-educacao-eseguranca-para-mais-de-mil-criancas-em-rioacima#:~:text=A%20atividade%20refor%C3%A7ou%20pr%C3%A1ticas%20de,e%20fortale cimento%20da%20seguran%C3%A7a%20comunit%C3%A1ria. Acesso em: 27 ago. 2025.
COPPOLA, D. P. Introduction to International Disaster. 3. ed. London: Elsevier, 2015.
DEFESA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Programa Escola Segura: Relatório de Resultados 2018-2022. São Paulo, 2023.
EDUARDO; PORTELLA, S.; OLIVEIRA, S. S. O rejeito e suas diversas marcas: saúde dos trabalhadores da Defesa Civil no rompimento da barragem de Fundão. Saúde em Debate, v. 44, n. spe2, p. 272–283, 1 jul. 2020.
GONÇALVES, E. PROFIRE: Do zero ao projeto aprovado. 2. ed. São Paulo: Independente, 2024.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Alerta SP: aplicativo de alertas meteorológicos e emergenciais. São Paulo, 2023. Disponível em: <https://www.spsemprealerta.sp.gov.br/>. Acesso em: 24 fev. 2025.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Escola Segura: Relatório de Avaliação de Impacto. São Paulo, 2023.
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Relatório de Monitoramento de Queimadas no Brasil – 2020. São José dos Campos, 2021.
KELMAN, J. A gestão do risco de desastres naturais no Brasil. Revista USP, São Paulo, n. 94, p. 20-29, dez. 2012. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/50888>. Acesso em: 24 fev. 2025.
MIGUEL, M. M. Educação e Bombeiros vão ofertar capacitação em segurança na escola para 146 mil professores e colaboradores rede estadual. Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Disponível em: <https://www.educacao.mg.gov.br/educacao-e-bombeirosvao-ofertar-capacitacao-em-seguranca-na-escola-para-146-mil-professores-e-colaboradoresrede-estadual/>. Acesso em: 24 jun. 2025.
PARAÍBA. Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil. Relatório de Impacto do Programa Defesa Civil nas Comunidades em João Pessoa. João Pessoa, 2022.
RELATÓRIO FINAL DA CPI DE BRUMADINHO. Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal sobre o rompimento da barragem de Brumadinho. Brasília, 2019.
1Alunos da Pós-Graduação em Proteção e Defesa Civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Santa Luzia
2Professor orientador da Pós-Graduação em Proteção e Defesa Civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Santa Luzia
