PROPOSTA DE ENSINO DE LITERATURA COM BASE EM CONCEIÇÃO EVARISTO, CAROLINA MARIA DE JESUS E MARIA FIRMINO DOS REIS PARA O ENSINO MÉDIO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202405021248


Alexandre Filho Campelo Lopes1


A proposta de ensino de literatura no ensino médio baseada nas obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmino dos Reis busca promover uma educação mais inclusiva e representativa, abordando a literatura brasileira por meio de vozes historicamente marginalizadas. A inclusão dessas autoras no currículo não só amplia o horizonte literário dos alunos, mas também contribui para uma compreensão mais profunda e diversificada da realidade social brasileira, refletindo sobre questões de raça, gênero e classe.

Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmino dos Reis são escritoras negras que, cada uma em seu tempo e com suas particularidades, retrataram em suas obras as vivências, desafios e resistências da população negra no Brasil. No entanto, essas autoras ainda são pouco exploradas no ensino de literatura, que historicamente privilegia autores homens, brancos e de classes sociais mais altas. O estudo de suas obras permite aos alunos acesso a narrativas que discutem a condição feminina negra, a pobreza, a escravidão e a luta por dignidade e reconhecimento.

Conceição Evaristo é conhecida por sua escrita potente e sensível, marcada pelo conceito de “escrevivência”, que ela define como uma escrita que nasce da experiência vivida, carregada de memórias e ancestralidade. Suas obras, como “Ponciá Vicêncio” e “Becos da Memória”, abordam temas como a identidade negra, o racismo e a desigualdade social, oferecendo uma rica fonte de análise para estudantes do ensino médio. Ao explorar sua obra, os alunos podem discutir as complexas interseções de raça, gênero e classe, além de refletirem sobre a importância da memória e da resistência cultural. Denise Combinato, Gislaine dos Reis e Deborah Bahiense (2021) destacam que a “escrevivência” de Evaristo revela vozes silenciadas na literatura brasileira, proporcionando um espaço de resistência e afirmação da identidade negra.

Carolina Maria de Jesus, com seu icônico diário “Quarto de Despejo”, oferece um testemunho direto e visceral da vida nas favelas de São Paulo na década de 1950. Sua escrita, embora marcada pela simplicidade estilística, é profundamente impactante ao revelar as condições extremas de pobreza e marginalização enfrentadas por muitos brasileiros. Carolina Maria de Jesus dá voz a uma parcela da população que frequentemente é silenciada, e sua inclusão no currículo escolar pode fomentar debates sobre desigualdade, direitos humanos e a luta pela sobrevivência digna. Segundo Jamile Carla dos Santos Afonso (2020), o apagamento de escritoras negras no ensino de literatura impede que os estudantes tenham acesso a essas narrativas essenciais, que são cruciais para uma compreensão completa da sociedade brasileira.

Maria Firmino dos Reis, considerada a primeira romancista negra do Brasil, trouxe à luz, em seu romance “Úrsula”, uma crítica contundente à escravidão e ao racismo. Publicado em 1859, “Úrsula” é uma obra pioneira que aborda a brutalidade do sistema escravocrata e a resistência dos escravizados. O estudo de sua obra permite aos alunos entender as raízes históricas do racismo no Brasil e a persistência de suas consequências na contemporaneidade. Além disso, sua obra enriquece o panorama literário com uma perspectiva que foi, por muito tempo, negligenciada pela historiografia oficial. Jordânia Freire e Naelza Araújo Wanderley (2023) ressaltam a importância da representatividade de mulheres negras na literatura brasileira, destacando como suas vozes oferecem novas perspectivas e desafios às narrativas hegemônicas.

A exclusão dessas escritoras dos currículos escolares é uma manifestação de um processo mais amplo de apagamento e silenciamento das vozes negras na literatura. Esse apagamento não apenas priva os alunos de um repertório literário diversificado, mas também perpetua estereótipos e desigualdades. Ao reconhecer e incluir essas autoras no ensino médio, estamos contribuindo para a construção de uma educação antirracista, que valoriza a diversidade cultural e promove a igualdade de oportunidades. Combinato, Reis e Bahiense (2021) argumentam que a inclusão dessas vozes silenciadas na educação é um passo crucial para combater o racismo estrutural e promover uma sociedade mais justa e equitativa.

Para implementar essa proposta de ensino, é essencial adotar metodologias que promovam a participação ativa dos alunos e a reflexão crítica. A utilização de metodologias interdisciplinares pode ser particularmente eficaz, integrando a literatura com disciplinas como história, sociologia e filosofia. Por exemplo, ao estudar “Quarto de Despejo”, os alunos podem analisar as condições socioeconômicas do Brasil nas décadas de 1950 e 1960, comparando-as com a situação atual das favelas e discutindo as políticas públicas voltadas para a redução da pobreza. Dos Santos Afonso (2020) enfatiza a necessidade de estratégias pedagógicas que incluam a diversidade de experiências e perspectivas, proporcionando uma educação que realmente reflita a pluralidade da sociedade brasileira.

Além disso, é fundamental incorporar tecnologias e recursos didáticos inovadores que possam tornar o estudo dessas obras mais dinâmico e envolvente. Ferramentas digitais, como blogs, podcasts e vídeos, podem ser utilizadas para criar projetos interativos onde os alunos possam expressar suas interpretações das obras e suas reflexões sobre os temas abordados. A produção de conteúdo multimídia também pode ajudar a desenvolver habilidades importantes, como a escrita criativa, a argumentação crítica e a comunicação oral. Combinato, Reis e Bahiense (2021) destacam a importância do uso de tecnologias digitais para amplificar as vozes das mulheres negras na literatura, tornando suas narrativas mais acessíveis e impactantes.

A elaboração de planos de aula detalhados e sequências didáticas específicas para cada autora pode garantir que os professores tenham um guia claro sobre como abordar as obras em sala de aula. Esses planos devem incluir atividades variadas, como debates, rodas de leitura, produção de textos e análises comparativas, que estimulem o pensamento crítico e a expressão pessoal dos alunos. Por exemplo, após a leitura de “Úrsula”, os alunos podem ser convidados a escrever ensaios ou criar apresentações sobre a resistência à escravidão no Brasil e as contribuições de autores negros para a literatura nacional. Freire e Araújo Wanderley (2023) sugerem que atividades interativas e projetos colaborativos podem ser eficazes para engajar os alunos e aprofundar sua compreensão das obras estudadas.

A avaliação do impacto dessa proposta de ensino deve ser contínua e multifacetada, utilizando diferentes ferramentas para medir o engajamento dos alunos, a profundidade de suas análises e a capacidade de relacionar os conteúdos estudados com sua própria realidade. Questionários, autoavaliações e projetos finais podem ser utilizados para avaliar o progresso dos alunos e ajustar as abordagens pedagógicas conforme necessário. Combinato, Reis e Bahiense (2021) argumentam que a avaliação deve considerar não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento crítico e a capacidade de reflexão dos alunos.

Entretanto, a implementação dessa proposta enfrenta desafios significativos. Entre eles, a resistência de alguns setores do sistema educacional, a falta de recursos didáticos específicos e a necessidade de formação contínua dos professores. Para superar esses desafios, é importante promover a conscientização sobre a importância de uma educação inclusiva e antirracista, fornecer materiais de apoio aos professores e incentivar a formação continuada, incluindo cursos e oficinas que abordem as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmino dos Reis. Dos Santos Afonso (2020) ressalta a importância de políticas educacionais que incentivem a diversidade e a inclusão, proporcionando aos professores os recursos e o apoio necessários para implementar essas mudanças.

O sucesso dessa proposta pode ser exemplificado por iniciativas que já estão sendo implementadas em algumas escolas e projetos educativos. Por exemplo, algumas escolas têm desenvolvido projetos de leitura e produção literária que envolvem a obra dessas autoras, promovendo feiras literárias, concursos de redação e debates sobre racismo e inclusão. Essas iniciativas não só enriquecem o currículo escolar, mas também fortalecem a autoestima e o senso de pertencimento dos alunos, ao verem suas identidades e histórias refletidas na literatura que estudam. Freire e Araújo Wanderley (2023) apontam que esses projetos podem servir como modelos inspiradores, mostrando que é possível transformar o ensino de literatura em uma ferramenta poderosa para a inclusão e a justiça social.

A inclusão das obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmino dos Reis no currículo de ensino médio é uma proposta de ensino de literatura que visa promover uma educação mais justa, representativa e reflexiva. Ao trazer à tona as vozes dessas escritoras, estamos não só enriquecendo o repertório literário dos alunos, mas também oferecendo-lhes ferramentas para compreender e transformar a sociedade em que vivem. Como destaca Dos Santos Afonso (2020), o reconhecimento e valorização dessas autoras é um passo crucial para combater o apagamento histórico e construir um futuro mais inclusivo e igualitário.

Conceição Evaristo: Biografia e Contribuições Literárias

Conceição Evaristo é uma figura central na literatura brasileira contemporânea, cuja obra se destaca pela profundidade e sensibilidade com que aborda temas como a identidade negra, o racismo, a desigualdade social e a condição da mulher negra no Brasil. Nascida em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Evaristo cresceu em um contexto de pobreza e exclusão, mas encontrou na educação e na literatura um caminho de resistência e expressão. Sua trajetória de vida e sua produção literária refletem uma profunda conexão com a experiência afro-brasileira e a luta pela valorização das vozes negras na sociedade.

Desde cedo, Evaristo demonstrou uma paixão pela leitura e pela escrita, apesar das dificuldades financeiras que sua família enfrentava. Ela conciliou os estudos com o trabalho como empregada doméstica, uma realidade comum para muitas mulheres negras brasileiras. Esse período de sua vida é crucial para entender a carga de autenticidade e de crítica social presente em sua obra. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e obteve o mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), além de um doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

A obra de Conceição Evaristo é marcada pela utilização do termo “escrevivência”, conceito que ela desenvolveu para descrever sua escrita que emerge das vivências e experiências cotidianas. Segundo Evaristo (2005), a escrevivência é uma escrita que vai além da simples representação; é uma auto-apresentação, onde a mulher negra narra sua própria história, suas dores, suas alegrias e suas resistências. Essa perspectiva é essencial para compreender a profundidade de sua obra, que não apenas retrata, mas também vivencia a realidade das personagens, conferindo-lhes uma dimensão humana e palpável.

Um dos aspectos mais significativos da escrita de Evaristo é seu comprometimento com a etnografia afro-descendente, como destaca Omar da Silva Lima (2009). A autora utiliza sua obra para documentar e valorizar a cultura afro-brasileira, resgatando memórias, tradições orais e práticas culturais que foram historicamente marginalizadas. Em seu romance “Ponciá Vicêncio”, por exemplo, Evaristo narra a história de uma família negra, explorando as consequências do racismo estrutural e da desigualdade social. A obra é um retrato vívido das dificuldades enfrentadas pelas comunidades negras, mas também de sua resiliência e capacidade de superação.

Outro trabalho crucial de Evaristo é “Becos da Memória”, onde ela novamente explora a temática da memória e da identidade. Neste livro, a autora tece uma narrativa que mistura elementos autobiográficos com ficção, criando um mosaico de histórias que refletem a experiência coletiva de resistência e luta da população negra brasileira. A utilização de uma estrutura narrativa fragmentada e poética reforça a ideia de que a memória é algo fluido e multifacetado, difícil de capturar em sua totalidade, mas essencial para a compreensão do presente e a construção do futuro.

Laura Pizzutti Beulck (2021) argumenta que a obra de Evaristo pode ser vista como um “teto todo seu”, em referência à famosa obra de Virginia Woolf, “Um Teto Todo Seu”. Beulck destaca que, assim como Woolf propôs a necessidade de um espaço próprio para que as mulheres pudessem escrever e se expressar, Evaristo cria, através de sua escrevivência, um espaço literário onde as vozes das mulheres negras podem emergir com força e autenticidade. Esse espaço é vital para a literatura brasileira, pois desafia e amplia as narrativas tradicionais, incluindo perspectivas que foram historicamente silenciadas.

A tradição oral também desempenha um papel fundamental na obra de Conceição Evaristo, como observa Marluce Freitas de Santana (2016). A autora incorpora elementos da oralidade em sua escrita, utilizando uma linguagem que remete às práticas culturais africanas e afro-brasileiras de contação de histórias. Essa estratégia não só enriquece o texto literário, mas também reafirma a importância da oralidade como forma de preservação e transmissão de saberes. Em “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, por exemplo, Evaristo utiliza a tradição oral para dar voz a mulheres negras de diferentes gerações, cujas histórias de vida se entrelaçam em uma narrativa poderosa e comovente.

Além de sua produção literária, Conceição Evaristo tem uma atuação importante como intelectual e ativista. Ela participa de diversos eventos e projetos que promovem a literatura negra e o combate ao racismo. Sua obra tem sido objeto de estudos acadêmicos e de discussões em diversos contextos, destacando-se como uma referência essencial para aqueles que buscam entender as complexas relações raciais no Brasil e a luta por igualdade e justiça social. Evaristo recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Jabuti de Literatura, o que reforça a importância de sua contribuição para a literatura brasileira.

A escrita de Evaristo, portanto, não pode ser vista apenas como uma produção literária, mas como um ato político e de resistência. Sua obra desafia as convenções estéticas e temáticas da literatura tradicional, propondo uma nova forma de narrativa que coloca a experiência negra no centro. Esse enfoque é crucial em um país marcado por profundas desigualdades raciais, onde a população negra continua a enfrentar inúmeras barreiras socioeconômicas e culturais. Ao dar voz a personagens que representam essa realidade, Evaristo não apenas denuncia as injustiças, mas também celebra a força e a resiliência da comunidade negra.

Carolina Maria de Jesus: Biografia e Contribuições Literárias

Carolina Maria de Jesus é uma figura icônica na literatura brasileira, cuja vida e obra oferecem uma perspectiva única sobre a pobreza, a marginalização e a resistência. Nascida em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, Minas Gerais, Carolina enfrentou inúmeros desafios ao longo de sua vida, incluindo a pobreza extrema e o preconceito racial. Ela cresceu em uma família humilde, sem acesso a recursos básicos e com poucas oportunidades de educação formal. Apesar dessas adversidades, Carolina desenvolveu uma paixão pela leitura e pela escrita desde jovem, o que a levou a se tornar uma das vozes mais importantes da literatura brasileira do século XX.

Carolina Maria de Jesus mudou-se para São Paulo na década de 1940, em busca de melhores condições de vida. Ela se estabeleceu na favela do Canindé, onde trabalhou como catadora de papel para sustentar a si mesma e seus filhos. Foi nesse ambiente de extrema pobreza que Carolina começou a escrever seus diários, registrando de forma detalhada e crua a vida na favela. Seus escritos capturam a realidade brutal das favelas brasileiras, com suas dificuldades diárias, injustiças sociais e a luta constante pela sobrevivência. Em 1958, o jornalista Audálio Dantas descobriu Carolina e seus escritos, resultando na publicação de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” em 1960.

O impacto de “Quarto de Despejo” foi imediato e significativo. O livro vendeu milhares de cópias e foi traduzido para diversos idiomas, trazendo reconhecimento internacional para Carolina. A obra oferece uma visão direta e visceral da vida na favela, descrita através dos olhos de alguém que vivenciou essas dificuldades em primeira mão. A narrativa de Carolina é marcada por sua honestidade brutal e pela capacidade de transmitir a dureza da vida na favela com uma voz autêntica e inconfundível. Segundo Fernanda Rodrigues de Miranda (2013), a experiência marginal de Carolina e sua construção estética são centrais para entender a profundidade de sua obra. Carolina utiliza uma linguagem simples e direta, mas carregada de emoção e crítica social, desafiando as normas literárias da época e criando um novo espaço para a literatura marginal.

A importância de Carolina Maria de Jesus como intelectual também merece destaque. Carla Maria dos Santos Silva (2023) argumenta que Carolina deve ser reconhecida não apenas como uma escritora, mas como uma intelectual que contribuiu significativamente para a compreensão da sociedade brasileira. Sua obra não é apenas um relato pessoal, mas uma análise crítica das estruturas sociais que perpetuam a pobreza e a exclusão. Carolina utiliza sua escrita para denunciar as injustiças e desigualdades que presenciou, oferecendo uma perspectiva que muitas vezes é ignorada pelas narrativas tradicionais. Sua capacidade de articular essas questões complexas a partir de sua própria experiência vivida coloca-a em um lugar de destaque na intelectualidade brasileira.

Além de “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus escreveu outras obras importantes, como “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-Favelada”, publicado em 1961. Nesse livro, Carolina narra sua vida após a fama repentina, abordando as novas dificuldades e desafios que enfrentou fora da favela. Embora tenha conseguido sair do Canindé, Carolina continuou a enfrentar preconceitos e dificuldades financeiras, evidenciando como a mudança de circunstâncias não necessariamente altera as estruturas de opressão. Essa obra complementa “Quarto de Despejo”, oferecendo uma visão mais ampla da trajetória de Carolina e das complexidades de sua luta por uma vida digna.

A escrita de Carolina Maria de Jesus é frequentemente caracterizada como “escrita de si”, um termo explorado por Christiane Vieira Soares Toledo (2011) em sua dissertação. Toledo analisa os diários de Carolina como um exemplo de escrita de si, onde a autora narra suas próprias experiências e reflexões. Essa forma de escrita permite uma exploração profunda da subjetividade e da identidade, oferecendo uma janela íntima para a vida de Carolina. Os diários não são apenas relatos de eventos, mas também espaços de introspecção e análise crítica, onde Carolina reflete sobre sua condição, suas aspirações e suas desilusões. Essa dimensão introspectiva da obra de Carolina contribui para sua riqueza e complexidade, tornando-a uma leitura essencial para aqueles interessados em entender a subjetividade e a resistência no contexto da marginalidade.

A contribuição literária de Carolina Maria de Jesus vai além de suas obras publicadas. Ela também escreveu poesias, contos e peças de teatro, muitos dos quais permanecem inéditos. Esses escritos complementam sua obra principal, oferecendo diferentes perspectivas sobre suas experiências e pensamentos. A poesia de Carolina, por exemplo, é marcada por sua sensibilidade e capacidade de capturar a beleza e a dor da vida cotidiana. Seus contos e peças de teatro exploram temas variados, desde as dificuldades da vida na favela até questões mais amplas de identidade e resistência. Esse corpo de trabalho diversificado evidencia a versatilidade e a profundidade de Carolina como escritora.

Apesar do sucesso inicial de “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus enfrentou dificuldades para manter sua carreira literária. O preconceito racial e a discriminação social continuaram a ser barreiras significativas, limitando suas oportunidades de publicação e reconhecimento. Além disso, a pressão da fama e as expectativas do público e da mídia criaram novos desafios para Carolina, que muitas vezes se sentiu isolada e incompreendida. No entanto, sua perseverança e determinação em continuar escrevendo e lutando por sua voz são testemunhos de sua força e resiliência.

A obra de Carolina Maria de Jesus teve um impacto duradouro na literatura brasileira e continua a inspirar escritores, acadêmicos e ativistas. Sua capacidade de capturar a realidade da vida na favela com tanta autenticidade e emoção fez dela uma voz indispensável na luta contra a desigualdade social e o racismo. Através de seus escritos, Carolina deu visibilidade a uma parcela da população brasileira que muitas vezes é ignorada ou estereotipada, humanizando suas experiências e destacando sua dignidade e resistência.

Carolina Maria de Jesus faleceu em 13 de fevereiro de 1977, mas seu legado literário e intelectual continua vivo. Suas obras são estudadas e celebradas em todo o mundo, e sua vida serve como um exemplo poderoso de como a literatura pode ser uma ferramenta de resistência e transformação social. A trajetória de Carolina, desde sua infância pobre em Sacramento até seu reconhecimento como uma das grandes escritoras brasileiras, é uma história de luta, coragem e determinação. Sua voz, emergindo das margens da sociedade, desafia-nos a reexaminar nossas próprias percepções de pobreza, raça e justiça social.

Maria Firmina dos Reis: Biografia e Contribuições Literárias

Maria Firmina dos Reis é uma figura seminal na literatura brasileira, reconhecida por ser a primeira romancista afro-brasileira. Nascida em 11 de março de 1825, em São Luís do Maranhão, Maria Firmina cresceu em um ambiente de significativas adversidades sociais e econômicas, o que não a impediu de se destacar como uma das mais importantes escritoras do século XIX. Sua vida e obra são marcadas pela luta contra a escravidão e a desigualdade social, temas que permeiam suas narrativas literárias e refletem sua profunda preocupação com a justiça e a humanidade.

Firmina nasceu em uma sociedade profundamente marcada pela escravidão e pelo racismo. Apesar das barreiras impostas pela sua condição de mulher negra, ela teve acesso à educação, o que era raro para mulheres de sua época e condição social. Maria Firmina trabalhou como professora e utilizou sua posição para promover a educação e a consciência social. Sua carreira literária começou em um momento em que poucas mulheres, e menos ainda mulheres negras, eram publicadas no Brasil. Seu primeiro romance, “Úrsula”, publicado em 1859, é considerado o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira e, possivelmente, o primeiro romance escrito por uma mulher negra nas Américas.

O romance “Úrsula” é uma obra revolucionária que aborda a escravidão de maneira sensível e crítica, oferecendo uma perspectiva inovadora e profundamente humana sobre a experiência dos escravizados. Luciana Martins Diogo (2016) analisa como Firmina, através de sua escrita, transcende a sujeição imposta pela sociedade e constrói uma subjetividade única e poderosa. Em “Úrsula”, Firmina utiliza uma narrativa que dá voz aos escravos, permitindo que suas experiências e sentimentos sejam ouvidos de forma clara e impactante. Essa abordagem contrasta fortemente com a literatura da época, que frequentemente desumanizava ou ignorava a perspectiva dos escravizados. Firmina, ao colocar os escravos como sujeitos centrais de sua narrativa, desafia as normas literárias e sociais, propondo uma nova forma de ver e entender a realidade da escravidão.

Além de “Úrsula”, Maria Firmina dos Reis escreveu várias outras obras que exploram temas sociais e humanitários. Seu conto “Gupeva”, publicado em 1861, é uma peça significativa dentro do movimento indianista, que buscava valorizar a cultura e os povos indígenas do Brasil. Rafael Balseiro Zin (2017) destaca como “Gupeva” representa uma importante digressão indianista na obra de Firmina, onde ela utiliza a figura do indígena para criticar a colonização e a exploração dos povos nativos. Através de sua narrativa, Firmina demonstra uma sensibilidade e um respeito profundos pela cultura indígena, propondo uma visão mais justa e humanizada da história brasileira.

Em 1887, Firmina publicou “A Escrava”, um conto que mais uma vez aborda a brutalidade da escravidão, mas agora com um enfoque ainda mais direto e contundente. Kamila Sales de Sousa et al. (2021) analisam como Firmina utiliza “A Escrava” para explorar a experiência das mulheres maranhenses na escravatura. Este conto é uma poderosa denúncia das condições desumanas vividas pelas mulheres escravizadas, destacando a violência física e emocional a que eram submetidas. Firmina utiliza sua narrativa para dar voz a essas mulheres, permitindo que suas histórias de sofrimento e resistência sejam conhecidas e reconhecidas.

A contribuição de Maria Firmina dos Reis para a literatura brasileira vai além de suas temáticas inovadoras e de sua posição pioneira como escritora negra. Sua obra é marcada por uma qualidade literária que combina uma narrativa envolvente com uma crítica social incisiva. Firmina utiliza uma linguagem rica e evocativa, capaz de transmitir a complexidade das emoções e das situações que descreve. Sua habilidade em criar personagens profundos e realistas, que refletem a diversidade e a humanidade dos oprimidos, é um dos aspectos mais notáveis de sua escrita.

Firmina também se destaca por sua coragem em abordar temas controversos e por sua insistência em utilizar a literatura como um instrumento de mudança social. Em uma época em que a maioria dos escritores evitava discutir a escravidão de maneira tão explícita, Firmina não apenas expôs as injustiças do sistema escravista, mas também propôs uma visão de igualdade e respeito pelos direitos humanos. Sua obra desafia os leitores a confrontar as realidades da opressão e a considerar a possibilidade de um mundo mais justo e compassivo.

A importância de Maria Firmina dos Reis na literatura brasileira tem sido reconhecida de maneira crescente nas últimas décadas. Pesquisadores e críticos literários têm redescoberto e reavaliado sua obra, destacando sua relevância histórica e literária. Firmina é agora celebrada como uma pioneira que abriu caminho para futuras gerações de escritores e escritoras negros no Brasil, contribuindo para a construção de uma literatura mais diversa e inclusiva.

Além de seu impacto literário, Firmina também teve uma influência significativa como educadora e ativista. Ela fundou a primeira escola mista no Maranhão, um ato de coragem e progressismo em uma sociedade profundamente segregada. Através de sua escola, Firmina promoveu a educação como um meio de emancipação e empoderamento, especialmente para meninas e mulheres negras. Sua visão de uma educação inclusiva e igualitária foi uma extensão natural de seus valores literários e humanitários.

Maria Firmina dos Reis faleceu em 11 de novembro de 1917, mas seu legado continua a inspirar e influenciar. Sua obra oferece uma visão poderosa e necessária da história e da cultura brasileira, destacando a importância da resistência e da luta pela justiça. Firmina não apenas documentou as condições de seu tempo, mas também lançou uma luz sobre as possibilidades de transformação e esperança. Sua vida e obra são um testemunho da força e da resiliência das mulheres negras, e de sua capacidade de usar a literatura como um meio de resistência e empoderamento.

Metodologias para o Ensino de Literatura no Ensino Médio

O ensino de literatura no ensino médio enfrenta inúmeros desafios, especialmente quando se busca incorporar obras de escritoras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis, que trazem à tona questões de raça, gênero e classe social. Para abordar essas obras de maneira eficaz, é crucial desenvolver metodologias que não apenas transmitam o conteúdo literário, mas que também envolvam os estudantes de forma crítica e interativa.

Ana Paula Mélo de Santana (2014) propõe uma metodologia integradora para o ensino de língua e literatura, que se mostra especialmente relevante ao trabalhar com as obras dessas escritoras. A metodologia integradora sugere uma abordagem holística que conecta a análise literária com contextos históricos, sociais e culturais. No caso das obras de Evaristo, de Jesus e de Reis, isso implica discutir não apenas os textos em si, mas também as condições de vida das autoras, as realidades que retratam e as influências que moldaram suas escritas. Por exemplo, ao estudar “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus, os alunos podem explorar a vida nas favelas de São Paulo nos anos 1950 e 1960, examinando como a autora documenta sua realidade e as estratégias literárias que usa para dar voz aos marginalizados.

Maykon Gonçalves Müller e colaboradores (2017) discutem a metodologia interativa de ensino Peer Instruction, que pode ser adaptada para o ensino de literatura. Esta metodologia envolve a participação ativa dos alunos através de discussões em grupo e questionamentos dirigidos. No contexto das obras de Evaristo, de Jesus e de Reis, Peer Instruction pode ser utilizada para promover debates sobre temas como racismo, desigualdade social e resistência. Por exemplo, após a leitura de trechos de “Úrsula” de Maria Firmina dos Reis, os alunos podem ser divididos em pequenos grupos para discutir questões sobre a representação da escravidão e o papel da mulher negra na narrativa. Posteriormente, essas discussões podem ser compartilhadas com a classe, promovendo um ambiente de aprendizagem colaborativa e crítica.

Outra abordagem metodológica é baseada nas teorias de Vygotsky, como discutido por Sara Maria Souza Nogueira e colaboradores (2019). Vygotsky destaca a importância do contexto social e da interação no processo de aprendizagem, sugerindo que os alunos aprendem melhor quando trabalham juntos e com a orientação de um professor ou de colegas mais experientes. Aplicar essa perspectiva ao ensino das obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis implica criar atividades que envolvam cooperação e reflexão conjunta. Por exemplo, um projeto de leitura compartilhada onde os alunos, orientados pelo professor, leem e analisam “Ponciá Vicêncio” de Evaristo, discutindo como a autora constrói a subjetividade da personagem principal e como isso reflete as experiências de mulheres negras na sociedade brasileira.

Além dessas metodologias, o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) pode enriquecer o ensino de literatura. Nogueira et al. (2019) exploram como as TIC podem ser integradas no ensino médio para tornar o aprendizado mais dinâmico e acessível. Ferramentas digitais como blogs, fóruns de discussão e plataformas de e-learning podem ser usadas para criar espaços onde os alunos possam compartilhar suas análises e reflexões sobre as obras de Evaristo, de Jesus e de Reis. Por exemplo, os alunos podem criar blogs onde publicam resenhas e ensaios sobre “Becos da Memória” de Conceição Evaristo, incentivando a escrita crítica e a interação com os colegas. Além disso, o uso de vídeos e documentários sobre as autoras e os contextos históricos de suas obras pode proporcionar uma compreensão mais profunda e envolvente.

Para tornar essas metodologias efetivas, é essencial que os professores estejam bem preparados e sensíveis às questões que as obras dessas autoras levantam. Isso inclui uma formação contínua que os capacite a lidar com temas como racismo, gênero e desigualdade de forma crítica e informada. Workshops e cursos de capacitação podem ajudar os professores a desenvolver estratégias pedagógicas que promovam a inclusão e a valorização da diversidade cultural e social representada nas obras de Evaristo, de Jesus e de Reis.

Um exemplo prático de aplicação dessas metodologias pode ser a implementação de um projeto interdisciplinar que combine literatura com história e sociologia. Os alunos podem investigar o contexto histórico e social das obras de Maria Firmina dos Reis, como a abolição da escravatura e a luta por direitos das mulheres, e relacionar esses temas com as narrativas literárias. Essa abordagem integradora não apenas enriquece a compreensão dos textos, mas também permite que os alunos façam conexões significativas entre a literatura e o mundo real.

Além disso, é importante considerar a avaliação de forma a refletir a natureza interativa e crítica das metodologias propostas. Em vez de focar apenas em provas e testes tradicionais, os professores podem utilizar avaliações formativas que incentivem a reflexão contínua e o engajamento dos alunos. Portfólios, projetos de pesquisa, apresentações e debates são formas de avaliação que permitem aos alunos demonstrar sua compreensão das obras de maneira criativa e crítica. Por exemplo, após estudar “A Escrava” de Maria Firmina dos Reis, os alunos podem criar um projeto multimídia que explore as diferentes dimensões da obra, incluindo análises literárias, contexto histórico e sua relevância contemporânea.

Ao implementar essas metodologias, é crucial criar um ambiente de sala de aula que seja inclusivo e respeitoso, onde todos os alunos se sintam à vontade para expressar suas opiniões e perspectivas. Isso inclui a promoção de um diálogo aberto e a valorização das experiências e vozes diversas dos estudantes. As obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis oferecem uma oportunidade única para explorar temas complexos e muitas vezes dolorosos, e é responsabilidade do educador facilitar essas discussões de maneira sensível e respeitosa.

Benefícios da proposta para o desenvolvimento dos alunos

A proposta de ensino de literatura com base nas obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis para o ensino médio oferece inúmeros benefícios para o desenvolvimento dos alunos. Integrar essas autoras ao currículo não só enriquece a experiência literária dos estudantes, mas também promove um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e reflexivo.

Primeiramente, a metodologia integradora defendida por Ana Paula Mélo de Santana (2014) enfatiza a conexão entre língua e literatura, propondo uma abordagem holística que permite aos alunos entenderem a literatura dentro de seus contextos sociais, históricos e culturais. Isso é particularmente relevante quando se trabalha com autoras como Evaristo, de Jesus e de Reis, cujas obras estão profundamente enraizadas nas realidades sociais e históricas do Brasil. Ao explorar essas obras, os alunos não apenas desenvolvem suas habilidades de leitura e interpretação, mas também adquirem uma compreensão mais ampla e crítica do mundo ao seu redor. Eles aprendem a reconhecer e valorizar a diversidade cultural e social, o que contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e engajados.

A implementação da metodologia de Peer Instruction, discutida por Müller et al. (2017), oferece uma forma interativa de ensino que envolve os alunos de maneira ativa no processo de aprendizagem. Esta metodologia incentiva a colaboração e o diálogo entre os estudantes, permitindo que eles compartilhem suas perspectivas e ideias sobre as obras de Evaristo, de Jesus e de Reis. Ao discutir temas como racismo, desigualdade social e resistência, os alunos desenvolvem habilidades críticas e analíticas essenciais para seu crescimento intelectual. Além disso, a participação ativa no processo de ensino-aprendizagem promove a autoconfiança e a capacidade de argumentação, preparando-os para enfrentar desafios acadêmicos e profissionais futuros.

Jamile Carla Dos Santos Afonso (2020) destaca a importância de abordar o apagamento de escritoras negras no ensino de literatura. Incluir autoras como Evaristo, de Jesus e de Reis no currículo escolar é um passo significativo para corrigir essa lacuna histórica e garantir uma representação mais justa e equitativa na educação literária. Este reconhecimento contribui para a valorização das identidades e histórias negras, promovendo um ambiente de aprendizado mais inclusivo e diversificado. Para os alunos negros, em particular, essa inclusão tem um impacto profundo, pois eles veem suas próprias experiências e culturas refletidas nos textos estudados, o que pode aumentar seu interesse e engajamento com a literatura.

Além dos benefícios cognitivos e acadêmicos, a proposta também promove o desenvolvimento emocional e social dos alunos. A leitura das obras dessas autoras permite que os estudantes entrem em contato com narrativas de resistência, superação e luta por justiça, o que pode inspirá-los e fortalecer sua resiliência. Ao se identificarem com as histórias e personagens apresentados, os alunos podem desenvolver empatia e uma compreensão mais profunda das experiências dos outros. Isso é fundamental para a formação de indivíduos socialmente responsáveis e sensíveis às questões de justiça e equidade.

A proposta de ensino baseada nas obras de Evaristo, de Jesus e de Reis também prepara os alunos para um mundo cada vez mais globalizado e multicultural. Ao desenvolver uma consciência crítica sobre as questões de raça, gênero e classe, os estudantes estão melhor equipados para interagir de maneira respeitosa e informada em ambientes diversos. Eles aprendem a valorizar a diferença e a lutar contra preconceitos e discriminações, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Outro aspecto importante é o desenvolvimento das habilidades de comunicação. A metodologia de Peer Instruction, que promove discussões em grupo e a troca de ideias, ajuda os alunos a desenvolverem suas habilidades de expressão oral e escrita. Eles aprendem a articular seus pensamentos de maneira clara e coerente, a ouvir e respeitar as opiniões dos outros e a construir argumentos sólidos. Essas habilidades são essenciais não apenas para o sucesso acadêmico, mas também para a vida pessoal e profissional dos alunos.

Além disso, o estudo das obras de Evaristo, de Jesus e de Reis pode estimular a criatividade dos alunos. A riqueza narrativa e a profundidade temática dessas autoras oferecem uma fonte inesgotável de inspiração para projetos de escrita, artes visuais e outras formas de expressão criativa. Os alunos podem ser incentivados a criar suas próprias histórias, poemas ou peças teatrais baseados nas temáticas exploradas nas obras estudadas, desenvolvendo assim suas habilidades criativas e sua capacidade de inovar.

A integração dessas autoras no currículo também pode contribuir para a construção de uma memória histórica mais inclusiva e representativa. Como ressaltado por Dos Santos Afonso (2020), o apagamento das escritoras negras na literatura brasileira é uma questão de justiça histórica. Ao estudar suas obras, os alunos têm a oportunidade de conhecer e reconhecer a importância dessas figuras na construção da identidade cultural brasileira. Isso não só enriquece seu conhecimento histórico, mas também fortalece seu senso de pertencimento e identidade cultural.

A utilização de tecnologias da informação e comunicação (TIC) pode potencializar ainda mais esses benefícios. Ferramentas digitais como blogs, fóruns de discussão e plataformas de e-learning podem ser usadas para criar espaços onde os alunos possam compartilhar suas análises e reflexões sobre as obras de Evaristo, de Jesus e de Reis. Isso promove a escrita crítica e a interação com os colegas, além de desenvolver habilidades tecnológicas que são cada vez mais necessárias no mundo moderno.

Para os professores, a implementação dessa proposta também traz benefícios significativos. A formação contínua e a capacitação para lidar com temas complexos como racismo e desigualdade social são oportunidades para o desenvolvimento profissional e pessoal. Os professores se tornam mediadores de um processo de aprendizagem mais dinâmico e significativo, capazes de inspirar e engajar seus alunos de maneira mais eficaz.

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