REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511251020
Ivanice Lorana Fonseca Castro1; Marcos Vinícius Silva da Cruz2; Milena Gabriely Silva Durans3; Dinaelze Abrão Lopes4; Emerson Frank Silva de Souza5; Themistocles Yure Ferreira Silva6; Ana Rafaela Pereira Silva7; João Victor Ferreira Araújo8; Josinete Lins Melo9; Lana Priscila Barbosa Pereira10
RESUMO
O sono é um processo fisiológico fundamental para a restauração física, cognitiva e emocional do organismo, sendo determinante para o equilíbrio biológico, a qualidade de vida e a segurança do paciente. Sua adequada duração e qualidade estão diretamente relacionadas à manutenção das funções metabólicas, à regulação hormonal e ao desempenho profissional. No entanto, profissionais da área da saúde que atuam em regime de plantões noturnos ou turnos alternados encontram-se expostos a altos níveis de privação do sono, condição que repercute negativamente em múltiplas dimensões da vida humana. Este estudo teve como objetivo analisar os principais impactos da privação do sono entre trabalhadores da saúde, por meio de uma revisão bibliográfica integrativa realizada nas bases PubMed, BVS e Google Acadêmico, considerando publicações compreendidas entre os anos de 2015 e 2025. A amostra final foi composta por 20 estudos, organizados em três eixos de análise: repercussões fisiológicas, psicológicas/cognitivas e sociais. Os resultados indicaram que 14 artigos apontaram relação entre a privação do sono e o aumento da incidência de obesidade, doenças cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais e fadiga ocupacional. 04 estudos observaram maior prevalência de ansiedade, depressão, síndrome de burnout, déficits de memória e redução da atenção. Além disso, 02 pesquisas evidenciaram consequências sociais como isolamento, conflitos familiares e desgaste conjugal, o que reflete a sobrecarga física e emocional desses profissionais. Portanto, a privação do sono constitui um problema de caráter ocupacional, com potencial para comprometer a saúde do trabalhador, assim como a qualidade e segurança da assistência prestada ao paciente. Assim, destaca-se a importância de estratégias institucionais e políticas públicas que promovam a higiene do sono, a valorização do descanso e a gestão humanizada dos turnos de trabalho.
Palavras-chave: Fadiga ocupacional; Qualidade de vida; Turnos de trabalho.
ABSTRACT
Sleep is a fundamental physiological process for physical, cognitive, and emotional restoration, being a key determinant of biological balance, quality of life, and patient safety. Adequate sleep duration and quality are directly related to the maintenance of metabolic functions, hormonal regulation, and professional performance. However, healthcare professionals working night shifts or alternating schedules are highly exposed to sleep deprivation, a condition that negatively affects multiple dimensions of life. This study aimed to analyze the main impacts of sleep deprivation among healthcare workers through an integrative literature review conducted in the PubMed, BVS, and Google Scholar databases, covering publications from 2015 to 2025. The final sample consisted of 20 studies, organized into three axes of analysis: physiological, psychological/cognitive, and social repercussions. The results showed that 14 articles reported a direct association between sleep deprivation and increased incidence of obesity, cardiovascular diseases, gastrointestinal disorders, and occupational fatigue. In 04 studies, a higher prevalence of anxiety, depression, burnout syndrome, memory deficits, and reduced attention was observed. Additionally, 02 studies identified significant social consequences, such as isolation, family conflicts, and marital strain, reflecting the physical and emotional overload faced by these professionals. Therefore, sleep deprivation is an occupational problem that can compromise not only workers’ health but also the quality and safety of healthcare services. So it is essential to implement institutional strategies and public policies that promote sleep hygiene, emphasize the importance of rest, and encourage a more humanized management of work shifts.
Keywords: Occupational fatigue; Quality of life; Work shifts.
INTRODUÇÃO
O sono tem uma função reparadora: os circuitos cerebrais são reorganizados, as memórias são organizadas e as emoções são equilibradas. Se este processo é interrompido ou reduzido, o corpo perde sua capacidade de auto-regeneração. Ainda assim, o organismo continua a funcionar, mas em um estado de exaustão silenciosa; perdendo o desempenho e o equilíbrio das emoções. Nesse sentido, a ciência mostra que a falta de sono influencia a plasticidade neural, regulação hormonal, imunidade e sistemas endócrinos (Elizabethsky; Linck, 2024).
O cérebro privado de descanso tem seu desempenho mental comprometido, reagindo de forma desorganizada. Assim, o descanso fisiológico é considerado um mecanismo para o fortalecimento do sistema imunológico, regulação metabólica, consolidação de memórias e processamento do vivido. Logo a qualidade e a regularidade do repouso são determinantes para a saúde do indivíduo, bem como para a produtividade, segurança e socialização (Teixeira, 2022).
Esse processo fisiologico é essencial para a manutenção do corpo humano, com duração média de oito horas por dia, o que representa aproximadamente um terço do dia. Entretanto, essa média não é universal, podendo variar conforrme as condições ambientais e estilo de vida de cada indivíduo. Ainda que existam variações individuais durante o periodo do sono, o organismo consegue permanecer funcional com períodos menores de descanso, essa redução tende a comprometer gradualmente funções vitais relacionadas à restauração fisíca e mental do corpo (Abreu, 2020).
A restrição do sono afeta diretamente na atenção e disposição mental do indivíduo. Em condições normais, após uma noite de descanso adequada, o nível de atenção tende a permanecer estável durante o dia, com leves variações relacionadas ao ritmo circadiano. Contudo, quando o período acordado se prolonga por varias horas sem pausas para o descanso fisiológico, o organismo passa a evidenciar uma tendência progressiva à diminuição do tempo de reação e do desempenho psicomotor, o que compromete a eficiência, segurança e a execução nas atividades diárias, principalmente as de natureza laboral (Tavares, 2023).
No entanto, nas últimas décadas, dormir bem tem se tornado mais difícil, refletindo a dificuldade de atender às demandas do estilo de vida atual. A urbanização acelerada, o uso intensivo de tecnologias e, acima de tudo, longas jornadas e turnos oscilantes podem ser as razões que explicam esse fenômeno. Isso porque, entre os diferentes modelos de atividade laboral, o trabalho em turnos, e em especial o noturno, destaca-se como um dos fatores mais prejudiciais à preservação do ciclo sono- vigília (Viana et al., 2019).
No setor da saúde, esse desafio se torna ainda mais evidente, isso porque os profissionais dessa áreas são expostos, de forma frequente, a jornadas extenuantes por períodos específicos. Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, devido à natureza ininterrupta dos serviços hospitalares, frequentemente são submetidos a plantões noturnos e escalas irregulares. Assim, acabam sofrendo com a falta de regularidade do sono, causando desequilíbrios metabólicos, emocionais e também sociais (Cattani et al., 2021). Apesar das evidências científicas apontarem os riscos do trabalho noturno, as políticas institucionais não têm tradição em preservar o bem estar do descanso dos trabalhadores (Arzalier-Daret, et al., 2017).
Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar os impactos da privação do sono em profissionais da saúde que atuam em regime de plantão noturno, bem como identificar as principais repercussões fisiológicas, psicológicas e sociais da alteração do sono nesses profissionais.
METODOLOGIA
Uma vez que os efeitos do sono não se restringem ao nível individual, eles interferem na qualidade de vida dos trabalhadores e na segurança dos pacientes e na eficiência da rede de saúde, coloca-se a questão central que orienta este estudo: quais são os principais impactos da privação do sono em profissionais da saúde submetidos a plantões noturnos e de que forma tais efeitos podem ser minimizados?
A fim de responder a essa pergunta, a pesquisa se classifica como qualitativa, de caráter exploratório, conduzida por meio de revisão bibliográfica integrativa (Gil, 2022). A busca foi realizada nas bases PubMed, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados os descritores: “sono”, “privação do sono”, “trabalho noturno”, “profissionais de saúde” e “enfermagem”, isolados ou combinados.
Quanto aos critérios de inclusão, foram selecionados artigos publicados no período de 2015 a 2025, disponíveis na língua portuguesa e que abordam diretamente a relação entre privação do sono e a saúde cognitiva. Estudos duplicados foram excluídos da coleta de dados, assim como publicações que figuram fora do recorte temporal ou nos idiomas não previstos e pesquisas que não tratam especificamente do tema.
Quanto aos procedimentos de análise, a pesquisa foi realizada por meio de categorização temática, agrupando os artigos conforme os impactos identificados (fisiológicos, psicológicos e sociais), o que poderá ser visualizado no quadro 2. Posteriormente, os resultados foram comparados criticamente ao referencial teórico existente.
A fim de garantir a transparência e a reprodutibilidade do percurso metodológico adotado, elaborou-se um fluxograma representando as etapas de identificação, triagem, seleção e análise dos estudos incluídos na revisão integrativa. A Figura 1, abaixo, sintetiza o processo desde a definição do problema de pesquisa e a busca nas bases de dados até a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão.
FIGURA 1 – Fluxograma do processo de identificação, triagem, seleção e inclusão dos artigos na revisão integrativa

Fonte: elaboração própria (2025).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O quadro 1, a seguir, apresenta uma síntese de estudos selecionados sobre os impactos do trabalho noturno e em turnos na saúde, qualidade de vida e desempenho de profissionais, com ênfase em enfermeiros, o que permite construir uma visão consolidada das evidências sobre os efeitos da privação do sono, alterações fisiológicas e ricos ocupacionais associados a jornadas noturnas.
Quadro 1 – Artigos incluídos na revisão de literatura
| Título / Autor(es) | Objetivo | Metodologia | Resultados |
| Impacto do trabalho noturno na saúde de enfermeiros (Araújo, 2025) | Analisar o impacto do trabalho noturno sobre o índice de massa corporal (IMC), a qualidade do sono, a qualidade de vida e os níveis de cortisol e da citocina inflamatória TNF em enfermeiros. | Estudo observacional quantitativo. | Os resultados demonstraram um comprometimento significativo na qualidade do sono e na saúde metabólica quando comparados ao grupo controle. |
| Efeitos do trabalho em turnos e coping em profissionais de enfermagem hospitalar (Antoniolli et al., 2021) | Analisar os efeitos do trabalho em turnos e estratégias de coping. | Estudo transversal com profissionais de enfermagem. | Estratégias de coping reduzem efeitos negativos, mas não eliminam distúrbios do sono. |
| Efeito da privação de sono após um turno noturno no gerenciamento de crises simuladas por residentes de anestesiologia: um estudo cruzado randomizado (Arzalier-Daret, et al., 2017) | Avaliar o efeito da privação de sono no manejo de crises anestésicas simuladas por residentes de anestesiologia. | Estudo cruzado, monocêntrico, randomizado e comparativo. | Demonstrou que a privação de sono está associada ao comprometimento do desempenho no gerenciamento de situações de crise por residentes de anestesiologia. |
| Avaliação da qualidade do sono em profissionais de saúde da emergência (Azambuja et al., 2023). | Avaliar a qualidade do sono de profissionais dos serviços de emergência e sua associação com o nível de fadiga e qualidade de vida | Estudo descritivo, transversal e correlacional com profissionais de saúde de hospital público. | Má qualidade do sono e de vida e níveis elevados de fadiga e necessidade de descanso |
| Eficácia de um programa individualizado de educação e acompanhamento sobre sono e trabalho em turnos para o manejo do transtorno do trabalho em turnos em enfermeiros: um ensaio clínico randomizado controlado (Booker et al., 2022) | Desenvolver e avaliar um programa de coaching individual para gestão do trabalho em turnos, com foco na educação sobre o sono, na promoção de uma boa higiene do sono e no fornecimento de estratégias comportamentais. | Ensaio clínico randomizado por conglomerados. | Estratégias institucionais melhoram a qualidade de vida e reduzem impactos da sobrecarga. |
| Trabalho noturno, qualidade do sono e adoecimento de trabalhadores de enfermagem (Cattani et al., 2021) | Analisar os fatores associados a qualidade do sono e a doenças em profissionais de enfermagem que trabalham em turno da noite. | Estudo transversal com questionários. | Trabalho noturno associado a fadiga, estresse, sexo e adoecimento físico/mental. |
| Repercussões do trabalho noturno na qualidade do sono e saúde de trabalhadores de enfermagem (Cattani et al., 2022) | Relacionar trabalho noturno com saúde e sono. | Estudo transversal, realizado com trabalhadores de enfermagem que atuavam em instituição hospitalar no turno noturno, com utilização de questionário | Constatou-se que os trabalhadores de enfermagem que atuavam no turno noturno experimentavam qualidade do sono ruim, e essa relação impacta na saúde física, psicológica e social. |
| Impactos da privação de sono na saúde mental dos profissionais da saúde (Carvalho et, 2025) | Analisar os efeitos da privação de sono na saúde mental dos profissionais de saúde e como isso impacta no desempenho e bem estar dos mesmos. | Pesquisa de campo exploratória. | A privação de sono em profissionais de saúde tem impactos negativos na saúde mental, trazendo prejuízos no contexto trabalhista, social e pessoal. |
| A privação de sono nos alunos da área de saúde em atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e suas consequências (Castilho et, 2015) | Investigar a privação do sono dos estudantes da área de saúde em atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Paracatu-MG. | Estudo tranversal. | Verificou-se que a maioria dos estudantes da área de saúde dos UBS de Paracatu-MG dormem em média 7 horas, o que pode acarretar uma má qualidade do sono provocando um baixo rendimento acadêmico |
| Relação entre qualidade do sono, hábitos alimentares e estado nutricional de profissionais da saúde que atuam no horário noturno de uma unidade de pronto atendimento (Felders; Scherer, Adami, 2024) | Avaliar a relação entre qualidade do sono, hábitos alimentares e estado nutricional dos profissionais da saúde que atuavam no horário noturno em uma Unidade de Pronto Atendimento. | Estudo de caráter transversal exploratório. | Os profissionais atuantes no período da noite apresentam em sua maioria excesso de peso, estilo alimentar mais frequentemente praticado a ingestão externa e não apresentam hábitos alimentares adequados. |
| Efeitos da privação de sono no desempenho cognitivo de enfermeiros que atuam em turnos (Kaliyaperumal, et al., 2017). | Avaliar a prevalência da privação de sono e seu impacto na cognição entre enfermeiros que trabalham em turnos. | Estudo transversal com cognição avaliada pelo questionário de Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA). | O desempenho cognitivo foi considerado prejudicado entre enfermeiros que trabalham em turnos, devido à má qualidade do sono e à diminuição do estado de alerta durante a vigília. |
| Efeitos de tirar uma soneca ou fazer uma pausa imediatamente após o turno da noite na recuperação da fadiga e nos episódios de sono de enfermeiros: um estudo quase-experimental (Konya et al., 2025). | Examinar os efeitos de um cochilo ou pausa de 30 minutos imediatamente após um turno noturno de 16 horas na recuperação da fadiga e nos episódios de sono entre enfermeiros. | Estudo cruzado quase-experimen tal conduzido com 62 enfermeiros que trabalhavam em turnos noturnos de 16 horas | Fazer uma soneca ou pausa imediatamente após o turno da noite pode ser uma medida para lidar com problemas de fadiga/sono entre enfermeiros. |
| Examinando o impacto da privação de sono no desempenho do raciocínio médico entre residentes e médicos anestesiologistas: um estudo prospectivo (Ramier et al., 2024). | Avaliar o impacto de longas jornadas de trabalho consecutivas no desempenho do raciocínio médico de médicos anestesiologistas e intensivistas (residentes e seniores). | Estudo multicêntrico, prospectivo e cruzado foi conduzido em 5 hospitais públicos. | O desempenho do raciocínio clínico de anestesiologistas é reduzido após um plantão de 24 horas em comparação com um período de descanso. |
| Fatores de risco psicossociais no trabalho e qualidade do sono em profissionais de saúde: estudo transversal (Rohwedder et al., 2024). | Investigar os fatores psicossociais do trabalho, as características do sono e a correlação entre esses aspectos em profissionais de saúde. | Estudo transversal realizado por meio de questionários. | Maior prevalência de Burnout, estresse, demandas emocionais, ritmo de trabalho e conflitos trabalho-família. |
| Riscos ocupacionais em profissionais de enfermagem de uma Unidade de Terapia Intensiva adulta, localizada em um município de Pernambuco (Santos et al., 2021) | Identificar riscos ocupacionais em enfermagem. | Estudo descritivo com abordagem quantitativa. | Privação do sono identificada como risco ocupacional que compromete a segurança. |
| Efeitos da privação parcial do sono nos profissionais da saúde (Santos et al., 2025). | Investigar o impacto do trabalho por turnos, especialmente o noturno sobre a qualidade do sono e aspectos fisiológicos. | Estudo clínico que utilizou os parâmetros do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). | Má qualidade do sono no grupo de trabalhadores noturnos, bem como queixas de ansiedade, depressão e hipertensão. |
| Fundamentos do sono, sonho e qualidade de vida sob perspectiva neurocientífica (Teixeira, 2022). | Explicar bases fisiológicas do sono. | Estudo empírico | Descreve mecanismos do sono e consequências da privação prolongada. |
| O trabalho noturno diminui o desempenho cognitivo dos médicos da UTI (Maltese et al., 2016) | Avaliar o impacto do plantão noturno em uma unidade de terapia intensiva (UTI) no desempenho cognitivo de um grupo de intensivistas. | Quatro habilidades cognitivas foram testadas utilizando a Escala de Inteligência Wechsler para Adultos e o Teste de Classificação de Cartas de Wisconsin. | As habilidades cognitivas dos intensivistas foram significativamente alteradas após um plantão noturno na UTI. |
| Qualidade de vida e sono de enfermeiros nos turnos hospitalares (Viana et al., 2019). | Garantir a qualidade de vida e o bem-estar de duas enfermeiras em seus turnos hospitalares. | Estudo de natureza quantitativa, de corte transversal, descritivo e analítico. | Em todos os índices de qualidade do sono, os dados mostraram percepção melhor para trabalhadores do diurno quando comparados aos do noturno. A qualidade de vida em todos os domínios para o grupo diurno foi melhor que aqueles que trabalhavam no noturno (p=0,024). |
| A cronodisrupção como fator de risco para sobrepeso e obesidade (Peruchi et al., 2022) | Comparar se há diferença no índice de massa corporal (IMC) e na glicemia de jejum entre trabalhadores diurnos e noturnos | Estudo descritivo e qualitativo, com temporalidade transversal e amostragem censitária, que avaliou parâmetros antropométricos, bioquímicos e dietéticos de trabalhadores diurnos e noturnos. | Apresentação de IMC elevado e má qualidade de sono. |
Fonte: elaboração própria (2025).
A análise revelou que 14 dos 20 artigos selecionados destacaram os impactos fisiológicos da privação do sono, evidenciando maior prevalência de obesidade, doenças cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais e fadiga ocupacional entre trabalhadores noturnos. Outros 18 estudos abordaram predominantemente os aspectos psicológicos e cognitivos, relatando sintomas de ansiedade, depressão, irritabilidade, síndrome de Burnout, além de dificuldades de memória e queda da atenção sustentada. Por fim, 12 artigos enfatizaram os efeitos sociais e familiares, relacionando o trabalho em turnos ao isolamento social, à redução do convívio familiar e ao aumento de conflitos conjugais.
Os dados organizados no Quadro 2, abaixo, sintetizam a frequência dos principais impactos identificados:
Quadro 2 – Categorias de impactos da privação do sono em profissionais da saúde.
| Categoria de impacto | Número de artigos | Principais efeitos relatados |
| Fisiológicos | 14 | Obesidade, distúrbios gastrointestinais, fadiga, alterações lipídicas, risco cardiovascular, pior qualidade do sono |
| Psicológicos/Cognitivos | 4 | Ansiedade, depressão, irritabilidade, Burnout, déficit de memória e atenção, estresse, queda de alerta |
| Sociais/Qualidade de Vida | 2 | Isolamento social, conflitos familiares, impacto no convívio familiar |
Fonte: elaboração própria (2025).
Por meio desse quadro, é possível visualizar que os impactos fisiológicos aparecem com maior destaque na literatura, o que confirma a hipótese de que a alteração do sono interfere diretamente na saúde metabólica e cardiovascular dos profissionais. A forte presença de artigos sobre aspectos psicológicos também indica a relevância do tema para a saúde mental, reforçando a ideia de que a privação do sono não se limita a repercussões biológicas, mas afeta intensamente o equilíbrio emocional e cognitivo. Já os efeitos sociais, embora menos numerosos nos artigos analisados, revelam um campo que merece maior aprofundamento, pois envolvem não apenas a vida pessoal do trabalhador, mas também a qualidade dos serviços prestados à população.
Uma vez estabelecido o panorama de consequências que a privação do sono impõe aos profissionais, torna-se essencial compreender a relevância do sono como um processo biológico restaurador. Afinal, a compreensão de seus mecanismos e funções primárias serve como base para justificar a gravidade dos impactos observados. O sono adequado desempenha papel fundamental na consolidação da memória, na regulação do humor e no equilíbrio imunológico, de modo que sua interrupção ou redução pode gerar consequências significativas para a saúde e para o desempenho laboral (Teixeira, 2022).
Nesse sentido, compreender os mecanismos que regulam o sono, como o ciclo circadiano, torna-se essencial para analisar os impactos da privação de sono na prática profissional em saúde e suas repercussões na qualidade de vida.
Sono, ritmo circadiano e impactos fisiológicos
A duração e a qualidade do sono são influenciadas por fatores endógenos e ambientais, sendo o ciclo circadiano um dos principais mecanismos reguladores. O termo circadiano deriva do latim circa diem, que significa cerca de um dia, e refere-se a oscilações fisiológicas que se repetem em períodos próximos a 24 horas (Teixeira, 2022). Conforme apontam Kaliyaperumal, et al. (2017), o ritmo circadiano é coordenado pelo Núcleo Supraquiasmático (NSQ), localizado no hipotálamo, que recebe informações diretas da retina sobre a luminosidade ambiental. É com base nesses estímulos que o NSQ regula a secreção de melatonina pela glândula pineal, um hormônio que é o marcador biológico da noite e que promove o início do sono, sinalizando ao corpo o período adequado de descanso.
Além da regulação do sono e da vigília, o ciclo circadiano influencia diversos processos metabólicos e fisiológicos, como a temperatura corporal, a secreção hormonal, o apetite e o desempenho cognitivo. Essa organização temporal garante que o organismo mantenha sua homeostase, adaptando-se ao ambiente natural de alternância entre luz e escuridão (Peruchi et al., 2022).
Entretanto, quando ocorre uma dessincronização desse ciclo, situação frequente em trabalhadores noturnos, diversos sistemas do organismo sofrem repercussões negativas. Profissionais da saúde que atuam em plantões noturnos são obrigados a permanecer em vigília durante a noite e a dormir durante o dia, momento em que a secreção de melatonina está reduzida devido à luminosidade e à maior atividade social e ambiental. Essa inversão provoca dificuldades para iniciar e manter o sono, resultando em menor duração e qualidade do repouso (Felders; Scherer e Adami, 2024).
Os metabolismos são amplamente impactados pela privação de sono e dessensibilização circadiana. De acordo com o estudo de Viana et al. (2019), os funcionários noturnos têm uma probabilidade aumentada de vários distúrbios metabólicos,como obesidade, resistência à insulina e dislipidemia; todos desempenham um papel crítico no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Para Cattani et al. (2022) funcionários noturnos sempre se queixam de azia, refluxo e mudança de apetite, sendo o hábito de horários de alimentação alterados e alimentos fáceis, mas pouco nutritivos, a causa raiz.
Em termos de prevalência, um estudo observacional de Carvalho et al. (2025) com profissionais de saúde de hospitais públicos e privados em Goiás revelou que 50,4% apresentavam sonolência diurna excessiva e 55,7% relatavam baixa qualidade do sono, segundo o EPWORTH Sleepiness Scale e o PSQI. Entre os fatores associados, destacam-se sedentarismo, excesso de álcool e faixa etária entre 20 e 49 anos; por outro lado, peso corporal adequado se mostrou protetor.
Esse cenário é ainda pior em outros contextos de serviços, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Conforme apontam Konya et al. (2025), turnos noturnos e exposição excessiva a emergências causam altos níveis de estresse, ansiedade, falta de concentração e baixa qualidade de vida, especialmente nesses profissionais. O sono também é deficiente entre profissionais de ambientes hospitalares em locais de serviços intensos, como emergências. Nos hospitais, a maioria dos profissionais tem um sono ruim, está fatigada e com hábitos de sono e vigília comprometidos; isso resulta na qualidade do seu desempenho, imagem própria e rompimentos de relacionamento (Viana et al., 2019).
O estudo realizado por Booker et al. (2022) avaliou o uso de um programa individualizado de educação e coaching do sono para enfermeiros, através do qual é possível medir sintomas de perturbação do sono durante plantões noturnos. O programa combinou ensino personalizado, higiene do sono e estratégias de restauração para turnos de trabalho e acompanhamento. Os resultados refletem uma influência nos parâmetros de insônia. Os sintomas de insônia foram reduzidos, significando que os enfermeiros adormeceram e dormiram de forma mais contínua, o que foi sustentado e melhorado na fase subsequente. O impacto na sonolência diurna também refletiu melhorias. No grupo de intervenção, o nível de sonolência foi reduzido. No grupo de controle, o nível observado foi o mesmo de antes da intervenção. O valor da redução reside no fato de que a sonolência diurna melhorará e se tornará um fator de qualidade de vida no trabalho. Essa redução influencia o monitoramento adequado e a atenção no trabalho.
Além da insônia, a intervenção impactou a sonolência diurna. No grupo que participou do programa, os níveis de sonolência diminuíram, enquanto o grupo controle manteve os mesmos padrões observados antes da intervenção. Essa redução é importante porque influencia diretamente a qualidade de vida ocupacional: melhora a atenção durante os turnos, reduz a fadiga e potencialmente diminui o risco de erros ou acidentes relacionados ao trabalho (Booker et al., 2022).
Ainda que a saúde mental não fosse o foco principal do estudo de Booker et al. (2022), foi possível perceber efeitos indiretos positivos, como maior sensação de controle sobre o trabalho e redução do cansaço mental. A adesão ao programa foi satisfatória, demonstrando que profissionais de saúde podem se engajar em programas estruturados mesmo com carga intensa de trabalho, especialmente quando o acompanhamento é personalizado e contínuo.
Nesse sentido, os dados obtidos por Booker et al. (2022) sustentam sua hipótese de que é urgente repensar a estrutura interna das instituições de saúde, de forma que seja reconhecido que a fadiga é um risco ocupacional real. Para isso, os mesmos autores sugerem modelos de escalas baseados em rotações progressivas, do turno diurno para o noturno, e a garantia de, no mínimo, dez horas de intervalo entre os turnos. Isso surge como uma estratégia eficaz para preservar a saúde do trabalhador, reduzir o estresse fisiológico e melhorar a segurança e a qualidade da assistência prestada.
Além disso, os estudos produzidos por Maltese et al., (2016) revelaram que o plantão noturno em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) provoca prejuízos significativos em várias funções cognitivas dos intensivistas, incluindo memória de trabalho, velocidade de processamento, raciocínio perceptual e flexibilidade cognitiva. Esses déficits ocorreram tanto em médicos experientes quanto em residentes, o que indica que a experiência profissional não protege contra os efeitos da privação de sono. Além disso, mesmo após duas horas de descanso, apenas a flexibilidade cognitiva mostrou recuperação parcial, enquanto as demais habilidades permaneceram comprometidas. Os autores destacam que essas alterações cognitivas podem representar um risco tanto para a segurança dos pacientes quanto para a saúde dos próprios profissionais, reforçando a necessidade de investigar estratégias para mitigar tais efeitos.
Do ponto de vista neurobiológico, os estudos produzidos por Carvalho et al. (2025) demonstram que a privação de sono exerce um efeito significativo sobre o equilíbrio emocional e o funcionamento cognitivo. Essas perturbações acarretam implicações profundas na saúde mental, evoluindo para transtornos psiquiátricos e queda significativa da qualidade de vida. Além disso, Peruchi et (2022) observou que o déficit de sono, em adultos, está associado a doenças cardiovasculares, obesidade, transtornos psiquiátricos e alterações epigenéticas, o que revela o caráter sistêmico e grave da privação crônica do sono.
Impactos psicológicos e cognitivos
No campo emocional, conforme pontuam Ramier et al. (2024), a privação do sono enfraquece os mecanismos de controle e aumenta respostas impulsivas. A irritabilidade, a dificuldade em lidar com frustrações e a tendência a estados de tristeza profunda se tornam mais frequentes. Percebe-se uma diminuição acentuada na tolerância ao estresse; é por isso que pessoas emocionalmente exaustas tendem a relatar crises de ansiedade e humor. Além disso, a insônia ou sono inadequado é, de fato, um desencadeador comum para o surgimento posterior de sintomas depressivos ou ansiosos.
Do ponto de vista psicológico, a privação de sono provoca alterações emocionais perceptíveis desde os primeiros dias de exposição, o que, conforme Antoniolli et al. (2021), acaba por favorecer o aparecimento de sintomas ansiosos e depressivos, frequentemente relatados por enfermeiros e médicos em regime de plantão. Além disso, a alteração do ciclo circadiano compromete a regulação de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o controle do humor e da motivação. Assim, é perceptível que a irregularidade do sono reflete no estado psicológico imediato, da mesma forma que aumenta o risco de transtornos mentais em médio e longo prazo (Konya et al., 2025).
Entre as consequências mais significativas está a síndrome de burnout, reconhecida pela OMS como uma patologia individual. Relativamente psicopatológica, essa condição é definida como um fenômeno ocupacional e consiste em exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional (OMS, 2020). Dada a alta carga de estresse à qual os profissionais de saúde estão expostos, esta condição é muito frequente. As causas são os longos e exaustivos turnos, muitas vezes marcados por noites sem dormir, e a privação de sono atua como um fator potencial (Rohwedder et al., 2024). Em ambientes hospitalares, dados o ritmo acelerado e as incumbencias da organização, os sinais de burnout encontram terreno fértil, o que constrói um cenário caótico tanto para o indivíduo quanto para as instituições (Cattani et al., 2021).
Outra função importante provida pelo sono no campo cognitivo é a consolidação da memória e da capacidade de aprendizagem (Castilho et al., 2015). Na fase mais profunda do sono, especialmente na etapa conhecida como sono REM (Rapid Eye Movement), diariamente o cérebro é lavado com uma reorganização abundante de relações sinápticas para fixar o que foi ensinado no dia. Quando esse estágio é interrompido ou encurtado, ocorre um impacto direto na memória de curto e longo prazo, dificultando a retenção e o resgate de conteúdos.
Entre os profissionais da área da saúde, a privação de sono tem se mostrado particularmente prejudicial: muitos relatam lapsos de memória envolvendo protocolos clínicos, procedimentos técnicos e orientações recebidas durante trocas de plantão, o que eleva significativamente o risco de falhas e erros na assistência ao paciente (Kaliyaperumal, et al., 2017).
Outro aspecto relevante mencionado pela literatura é a redução da capacidade de atenção sustentada. A sonolência diurna compromete a vigilância, provocando lapsos de concentração em tarefas que exigem precisão e rapidez. Essa condição é particularmente crítica em setores como unidades de terapia intensiva, emergência e centro cirúrgico, onde a atenção contínua é indispensável para a segurança do paciente. Os estudos realizados por Kaliyaperumal et al. (2017) apontam que o risco de erros médicos e de enfermagem cresce proporcionalmente ao número de horas de trabalho noturno e à intensidade da privação de sono.
A tomada de decisão também é fortemente afetada, já que o raciocínio lógico, a capacidade de julgamento e a velocidade de resposta diminuem significativamente após longos períodos de vigília. Conforme enfatizam Santos et al. (2021), em profissionais de saúde, essa limitação cognitiva pode comprometer a escolha das condutas clínicas mais adequadas, atrasar intervenções emergenciais e até colocar em risco a vida dos pacientes. Inclusive, Konya et al. (2025) afirmam que a dificuldade de raciocínio rápido está associada ao aumento de acidentes de trabalho, como perfurocortantes ou quedas, que têm maior incidência em plantões noturnos prolongados.
Santos et al. (2025) também destaca o impacto da privação do sono na criatividade e na resolução de problemas. Para Freitas e Nunes (2019) essas habilidades, fundamentais para a adaptação a situações imprevistas, são prejudicadas pela fadiga cognitiva: o profissional perde a capacidade de pensar de forma flexível e, permanecendo em uma rotina rígida, não consegue mudar o foco ou encontrar inovação.
Impactos sociais e na qualidade de vida
Nos aspectos sociais, o estudo de Rohwedder et al. (2024) sobre residência médica destacou que os plantões longos e a privação contínua de sono estão relacionados a pior desempenho, com risco aumentado de acidentes, maior probabilidade de erros médicos e desgaste profissional. Os autores ainda destacam que o trabalho noturno se relaciona com maiores taxas de divórcio, evidenciando o impacto em relacionamentos e estabilidade familiar (Rohwedder et al., 2024).
Nesse cenário, a qualidade de vida é significativamente impactada: o desgaste físico e psicológico limita a satisfação pessoal, a capacidade de lazer, a convivência familiar e a saúde social. A fadiga preenche todas as 24 horas do profissional, deixando pouca possibilidade de desempenho em esferas extraprofissionais e contribuindo para o distanciamento e dissolução de relacionamentos (Azambuja et al., 2023).
Os problemas de obesidade e doenças cardiovasculares relatados por Felders, Scherer e Adami (2024), corroboram com o argumento proposto por Peruchi et al. (2022), na medida em que ambos os trabalhos identificaram relação clara entre privação do sono, metabolismo alterado e aumento do risco cardíaco. Além disso, também é possível identificar distúrbios gastrointestinais e fadiga, o que reforça as conclusões de Cattani et al. (2022), que associaram os plantões noturnos a hábitos alimentares inadequados e desequilíbrios no sistema digestório.
Na mesma senda, Araújo (2025) afirma em seu estudo que as consequências do trabalho noturno também se manifestaram no plano metabólico: 74% dos enfermeiros noturnos foram classificados com sobrepeso ou obesidade, em contraste com apenas 30% do grupo controle da pesquisa, o que revela uma diferença estatisticamente significativa. Esses achados corroboram com os estudos anteriores, na medida em que afirma que a dessincronização circadiana e a privação de sono crônica, impostas pelo turno da noite, são fatores de risco que comprometem o descanso e a saúde metabólica dos enfermeiros.
Já no âmbito psicológico, os apontamentos de Antoniolli et al. (2021), que identificaram sintomas ansiosos e depressivos entre enfermeiros, e de Cattani et al. (2021), que associaram a privação do sono à maior incidência de burnout, também confirmam as alegações de Arzalier Daret et al., (2017). Os déficits cognitivos relatados nos artigos analisados também convergem com as observações de Kaliyaperumal et al. (2017), Freitas e Nunes (2019), que evidenciaram a redução da memória, da atenção e da capacidade de tomada de decisão em profissionais privados de sono.
Quanto aos impactos sociais, Arzalier-Daret, et al. (2017), relacionam o trabalho em turnos ao desgaste das relações pessoais e ao aumento do risco de divórcio. Isso é consistente com o que Maltese et al. (2016) descrevem, já que apontam que a qualidade de vida no trabalho depende do equilíbrio entre responsabilidades profissionais e pessoais, frequentemente comprometido em regimes noturnos.
Por sua vez, Araújo (2025) identificou uma prevalência alarmante de distúrbios de sono e comprometimento metabólico entre enfermeiros que trabalham no turno noturno. A maioria dos profissionais que participaram do estudo (76%) apresentou distúrbios moderados ou graves de sono, um índice significativamente superior ao grupo controle da pesquisa. As principais áreas afetadas foram a qualidade subjetiva, a presença de interrupções durante o sono e as disfunções manifestadas durante o dia, como sonolência e fadiga. Além disso, a má qualidade do sono estava negativamente correlacionada com a percepção da qualidade de vida, atingindo de forma mais evidente os domínios físico e psicológico desses profissionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo mostrou que a privação de sono dos profissionais de saúde não é apenas um incômodo pessoal. O desequilíbrio contínuo entre os períodos de vigília e repouso, consequência direta dos plantões noturnos e das jornadas extenuantes, tem uma alta correlação com um risco ocupacional real e de grande impacto. Isso porque trata-se de uma condição que ameaça tanto a integridade física e mental do trabalhador, quanto a segurança do paciente. As evidências reunidas nos últimos anos confirmam que o trabalho contínuo em ambientes hospitalares, marcados por alta demanda e pressão constante, gera uma perturbação biológica persistente.
No nível físico, privar-se de sono pode exercer efeitos extensos e cumulativos. Além disso, o sono perturbado e a perda da fase REM prejudicam a capacidade do corpo de rejuvenescer suas funções fisiológicas, o que resulta na deterioração da saúde física e também da integração da memória. A fadiga mental e o sono insuficiente levam ao aparecimento de sintomas relacionados à ansiedade, depressão e da síndrome de Burnout.
Nessas condições, é evidente que a resposta não pode apenas aconselhar os indivíduos a “tentar dormir mais”. É necessário repensar o organograma das instituições de saúde. A fadiga deve ser considerada um sério risco ocupacional, que exige políticas de intervenções específicas e planejadas. Também é importante garantir que os profissionais recebam pelo menos 10 horas de descanso entre os turnos. As instituições devem apoiar programas relacionados à higiene do sono.
Assim, o sono deve ser considerado como um marcador de segurança e qualidade no trabalho em saúde. Investir em horas de trabalho, zonas de descanso e iniciativas de bem-estar dos trabalhadores é tanto uma necessidade ética quanto pragmática. O gerenciamento do sono e a segurança de profissionais e pacientes, cortes de custos ligados a erros e excessos, e o foco principal na saúde do trabalhador podem ser assegurados garantindo que os indivíduos descansem o suficiente.
Finalmente, a privação do sono entre profissionais da saúde surge como uma epidemia silenciosa, com consequências físicas, psicológicas e sociais amplas. A solução para esse desafio deve ser desenhada coletivamente, como uma política institucional em formato de acordo com a abordagem baseada em evidências. Apenas quando houver uma mudança real na organização do trabalho, juntamente com a valorização do descanso e das pausas, é que aqueles que cuidam dos outros poderão se manter saudáveis o suficiente para nutrir os outros e garantir a qualidade do cuidado.
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1 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR) Polo Pinheiro. (Ivaniceloranafonsecacastro@gmail.com).
2 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR) Polo Pinheiro. (sillvav979@gmail.com).
3 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR) Polo Pinheiro. (milenaaagabrielly@gmail.com).
4 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Enfermeira.
5 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Enfermeiro.
6 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Enfermeiro. Especialista em Gestão, Planejamento e auditoria em saúde.
7 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Farmacêutica. Especialista em Análises Clínicas.
8 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Farmacêutico.
9 Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Enfermeira.
10Orientadora. Docente da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR). Doutora em Química Análitica. (proflanabp33@gmail.com).
