TIRZEPATIDA NO TRATAMENTO DA OBESIDADE: REVISÃO DE LITERATURA SOBRE EFICÁCIA, SEGURANÇA E PERSPECTIVAS CLÍNICAS

TIRZEPATIDE IN THE TREATMENT OF OBESITY: LITERATURE REVIEW ON EFFICACY, SAFETY AND CLINICAL PERSPECTIVES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511251041


Ítalo Rezende Franco¹
Gabriel Sousa Albuquerque²
Eduardo Venancio Vasconcelos³
Bruno Leonardo Cardoso Barros⁴
Yasmin Gonçalves Amaral⁵
Isabela Silveira de Oliveira Carballal⁶


Resumo

O estudo analisou a eficácia, segurança e perspectivas clínicas da tirzepatida no tratamento da obesidade, uma condição crônica que afeta a saúde física e mental dos indivíduos. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases PubMed, LILACS e BVS, considerando artigos publicados nos últimos cinco anos em português, inglês ou espanhol, seguindo os critérios do PRISMA-ScR para garantir rigor e transparência na seleção dos estudos. Os resultados mostraram que a tirzepatida promove redução significativa do peso corporal em diferentes populações, incluindo adultos com sobrepeso, obesidade moderada a grave e condições associadas, como diabetes tipo 2 e apneia obstrutiva do sono. Estudos comparativos indicaram que a tirzepatida é mais eficaz que outros medicamentos, como a semaglutida, tanto na perda de peso quanto na redução da massa gorda e do apetite, além de melhorar parâmetros metabólicos, como glicemia, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e pressão arterial. O fármaco também trouxe benefícios para a qualidade de vida, refletindo no bem-estar físico e psicológico dos pacientes. Quanto à segurança, os efeitos adversos mais comuns foram leves ou moderados, relacionados ao sistema gastrointestinal, sem relatos de complicações graves. Os achados indicam que a tirzepatida é uma alternativa eficaz e não invasiva, podendo ser incorporada a programas multidisciplinares de manejo da obesidade. Limitações como o curto período de acompanhamento e o tamanho reduzido das amostras sugerem a necessidade de estudos futuros mais amplos e de longo prazo para confirmar os resultados e avaliar efeitos sustentáveis.

Palavras-chave: Tirzepatida; Obesidade; Perda de peso; Eficácia; Segurança.

1 INTRODUÇÃO

A obesidade é considerada uma das condições crônicas mais prevalentes e desafiadoras da atualidade, configurando-se como um problema de saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), sua incidência vem aumentando de forma acelerada nas últimas décadas, atingindo indivíduos de diferentes faixas etárias, gêneros e contextos socioeconômicos (Brasil, 2025). Essa doença multifatorial caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, resultante de um desequilíbrio entre ingestão e gasto energético, e está fortemente associada a comorbidades como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias, doenças cardiovasculares, apneia do sono e alguns tipos de câncer. Além dos impactos fisiológicos, a obesidade afeta significativamente a qualidade de vida, a autoestima e a saúde mental dos pacientes, demandando estratégias terapêuticas eficazes e seguras para seu controle e tratamento (Santolin, 2021).

O manejo da obesidade tem se baseado em mudanças no estilo de vida, incluindo intervenções nutricionais, aumento da atividade física e acompanhamento psicológico. No entanto, apesar de sua importância, essas estratégias isoladas muitas vezes não são suficientes para atingir reduções sustentáveis e clinicamente significativas no peso corporal, especialmente em casos de obesidade moderada a grave (Gevisiez et al., 2024). 

Entre os avanços mais promissores no campo farmacológico, destaca-se a tirzepatida, um agente injetável semanal originalmente desenvolvido para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Trata-se de um agonista duplo dos receptores do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), duas incretinas envolvidas na regulação do metabolismo da glicose e do apetite (Lago et al., 2025). 

Além da eficácia significativa na perda ponderal, a tirzepatida tem se mostrado eficiente na melhora de parâmetros metabólicos importantes, como glicemia, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e pressão arterial. Esses benefícios metabólicos contribuem para a redução do risco cardiovascular, um dos principais desafios enfrentados por pessoas com obesidade (Lago et al., 2025). Ademais, dados de ensaios clínicos de fase III, como os estudos SURMOUNT, indicam que a magnitude da perda de peso obtida com a tirzepatida é comparável à observada em algumas intervenções cirúrgicas bariátricas, representando uma alternativa não invasiva com potencial clínico expressivo (Turchetto; Faria; Ferreira, 2025).

No entanto, como toda intervenção farmacológica, a utilização da tirzepatida exige uma análise criteriosa de sua segurança e tolerabilidade. Os efeitos adversos mais frequentemente relatados incluem sintomas gastrointestinais leves a moderados, como náuseas, vômitos e diarreia, que tendem a diminuir com o tempo e a adaptação do organismo. A literatura também destaca a importância de monitorar potenciais riscos a longo prazo, bem como de avaliar a adesão ao tratamento e os impactos na qualidade de vida dos pacientes (Cunha et al., 2025).

Diante desse cenário, este trabalho tem como objetivo investigar, por meio de revisão da literatura, a eficácia, segurança e perspectivas clínicas da tirzepatida no tratamento da obesidade.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Obesidade: epidemiologia, fisiopatologia e impactos na saúde 

A obesidade é definida como uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, capaz de comprometer a saúde do indivíduo. Ela é geralmente avaliada por meio do índice de massa corporal (IMC), sendo considerado obesos os indivíduos com IMC igual ou superior a 30 kg/m². Além do IMC, a distribuição da gordura corporal, especialmente a gordura visceral, é um importante indicador de risco metabólico e cardiovascular. A obesidade não se configura apenas como um problema estético, mas sim como uma doença complexa que afeta múltiplos sistemas do organismo, aumentando significativamente a morbimortalidade (Belentani et al., 2025).

O desenvolvimento da obesidade é multifatorial, envolvendo interações complexas entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e metabólicos. Predisposição genética pode influenciar a regulação do apetite, a taxa metabólica basal e a distribuição de gordura corporal, enquanto fatores ambientais, como sedentarismo, disponibilidade de alimentos ultraprocessados e padrões alimentares inadequados, contribuem para o desequilíbrio energético (Pereira; Xavier, 2024). Aspectos comportamentais e psicológicos, incluindo hábitos alimentares, níveis de atividade física e manejo do estresse, também desempenham papel crucial na gênese e manutenção da obesidade (Lago et al., 2025). 

Do ponto de vista fisiopatológico, a obesidade está associada a uma série de alterações metabólicas e hormonais. Entre elas, destacam-se resistência à insulina, disfunção endócrina e inflamação crônica de baixo grau, que contribuem para o desenvolvimento de comorbidades, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardiovasculares e esteatose hepática. Além disso, a obesidade influencia negativamente a função respiratória, ortopédica e renal, tornando-se um fator de risco significativo para múltiplas doenças crônicas (Rabelo et al., 2024).

Os impactos da obesidade não se restringem à esfera física, refletindo-se também na saúde mental e na qualidade de vida do indivíduo. Pessoas com obesidade frequentemente apresentam maiores índices de depressão, ansiedade, baixa autoestima e estigmatização social, o que pode agravar comportamentos alimentares inadequados e dificultar a adesão a intervenções terapêuticas. Dessa forma, a obesidade se configura como um problema de saúde integral, demandando abordagens multidisciplinares que considerem tanto os aspectos biológicos quanto os psicossociais da doença (Mello; Matos; Costa, 2025).

Epidemiologicamente, a obesidade tem se mostrado uma condição em rápido crescimento em nível global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a prevalência mundial de obesidade triplicou desde 1975, atingindo mais de 650 milhões de adultos em 2016. No Brasil, pesquisas recentes demonstram que aproximadamente 25% da população adulta apresenta obesidade, com taxas ainda maiores em determinadas regiões e grupos socioeconômicos (Brasil, 2025). Esses números evidenciam a magnitude do problema e reforçam a necessidade de estratégias preventivas e terapêuticas eficazes, incluindo intervenções nutricionais, físicas e farmacológicas, para reduzir seus impactos na saúde pública (Santolin, 2021).

2.2 Tirzepatida: mecanismos de ação

A tirzepatida é um agente farmacológico inovador, classificado como agonista dual dos receptores do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP). Esses hormônios incretínicos desempenham papel central na regulação do metabolismo da glicose, secreção de insulina e controle do apetite. Ao atuar simultaneamente nesses dois receptores, a tirzepatida promove redução da ingestão alimentar, aumento da saciedade e melhora do controle glicêmico, representando um avanço significativo em relação aos agonistas exclusivos de GLP-1 (Rodriguez et al., 2024).

A literatura científica têm demonstrado a eficácia expressiva da tirzepatida na redução de peso corporal. Além da perda de peso, o medicamento mostra efeitos benéficos sobre a glicemia, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e pressão arterial, evidenciando seu potencial para reduzir fatores de risco cardiovasculares e melhorar o estado metabólico geral dos pacientes (Eisenberg et al., 2025).

Quanto à segurança, a tirzepatida apresenta perfil de tolerabilidade aceitável, sendo os eventos adversos mais frequentes de natureza gastrointestinal, incluindo náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Esses efeitos tendem a ser transitórios e diminuem com o tempo, à medida que o organismo se adapta à medicação. Além disso, a adesão ao tratamento e a monitorização médica são fundamentais para maximizar os benefícios e minimizar efeitos indesejáveis (Santolin, 2021).

A perspectiva clínica da tirzepatida no manejo da obesidade é promissora, representando uma alternativa eficaz e não invasiva para pacientes que apresentam dificuldade em atingir metas de perda de peso apenas com mudanças no estilo de vida. Sua utilização, no entanto, deve ser inserida em uma abordagem multidisciplinar, que combine acompanhamento nutricional, atividade física e suporte psicológico (Malhotra et al., 2024). 

3 METODOLOGIA 

Esta pesquisa foi desenvolvida por meio de uma Revisão Integrativa da Literatura, a qual tem como propósito analisar as evidências científicas disponíveis sobre o tema em questão. Para a condução desta pesquisa, foram utilizadas as recomendações do checklist PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews), de forma a garantir transparência e reprodutibilidade no processo de busca, seleção e síntese dos estudos incluídos.

Este estudo foi guiado pela seguinte questão norteadora: quais são a eficácia, a segurança e as perspectivas clínicas da tirzepatida no tratamento da obesidade, conforme evidenciado na literatura científica disponível?

Para a condução deste estudo, realizou-se um levantamento de dados por meio de buscas nas bases: National Library of Medicine (PubMed), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A busca foi conduzida utilizando estratégias específicas para cada base. Para a Pubmed, utilizou-se a equação de busca: (“Tirzepatide”[Mesh] OR “Tirzepatide”) AND (“Obesity”[Mesh] OR “obesity” OR “overweight”) AND (“Weight Loss” OR “efficacy” OR “safety” OR “adverse effects”). Para a BVS e LILACS utilizou-se: (tirzepatida) AND (obesidade OR sobrepeso) AND (“perda de peso” OR eficácia OR segurança OR “efeitos adversos”).

Foram incluídos neste estudo artigos publicados em português, inglês ou espanhol, de forma a ampliar a diversidade das evidências analisadas. Para assegurar a atualidade dos achados, foram considerados apenas estudos publicados nos últimos cinco anos, além da exigência de que os artigos estivessem disponíveis na íntegra em texto completo.

Quanto aos critérios de exclusão, foram descartados trabalhos que não apresentassem análise original, bem como artigos duplicados, revisões narrativas ou sistemáticas e publicações fora do recorte temporal definido. Com o levantamento de dados nas bases supracitadas, a seleção dos artigos foi detalhada na figura 1, seguindo as orientações da estratégia PRISMA

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O fluxograma apresenta o processo de identificação, triagem, análise e inclusão de estudos para uma revisão. Inicialmente, foram encontrados 704 estudos nas bases de dados (PubMed n=598; BVS n=100; Lilacs n=6). Após a exclusão de 504 trabalhos fora do recorte temporal, restaram 200 estudos para triagem. Desses, 60 foram excluídos por duplicidade e 40 por indisponibilidade, resultando em 100 estudos para análise inicial. Em seguida, 65 artigos de revisão foram excluídos, restando 35 estudos. Na etapa final, foram retirados 8 estudos pagos e 20 por fuga ao tema, totalizando 7 estudos incluídos na revisão. O fluxograma evidencia um processo sistemático e criterioso de seleção, garantindo a relevância e qualidade dos trabalhos analisados.

Figura 1: Fluxograma de seleção da amostra. 

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

Quadro 1: Descrição da amostra selecionada. 

TítuloAutor/AnoPeriódicoPrincipais desfechos
1Associação entre a redução de peso alcançada com tirzepatida e a qualidade de vida em adultos com obesidade: Resultados do estudo SURMOUNT-1.Gudzune et al., 2025Diabetes, Obesity and MetabolismO tratamento com tirzepatida foi associado à melhora da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) em comparação ao placebo em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Maiores percentuais de redução de peso foram associados a maiores melhorias.
2Semaglutida vs. tirzepatida para perda de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade.Rodriguez et al., 2024JAMA internal medicineNesta pesquisa realizada com adultos com sobrepeso ou obesidade, o uso de tirzepatida foi associado a uma perda de peso significativamente maior do que a semaglutida. Estudos futuros são necessários para compreender as diferenças em outros desfechos importantes.
3Tirzepatida para o tratamento da apneia obstrutiva do sono e obesidade.Malhotra et al., 2024New England Journal of MedicineEvidencia-se neste estudo que entre pessoas com apneia obstrutiva do sono moderada a grave e obesidade, a tirzepatida reduziu o IAH, o peso corporal, a carga hipóxica, a concentração de PCR-US e a pressão arterial sistólica, além de melhorar os resultados relatados pelos pacientes relacionados ao sono.
4Tirzepatida para redução de peso em adultos chineses com obesidade: o ensaio clínico randomizado SURMOUNT-CN.Zhao et al., 2024JamaEm adultos chineses com obesidade ou sobrepeso, o tratamento semanal com tirzepatida 10 mg ou 15 mg resultou em redução de peso estatisticamente significativa e clinicamente significativa, com um perfil de segurança aceitável.
5Tirzepatida 10 e 15 mg comparada com semaglutida 2,4 mg para o tratamento da obesidade: uma comparação indireta de tratamento.Roux et al., 2023Diabetes, Obesity and MetabolismUtilizando o método de comparação indireta de tratamento ajustado por correspondência para comparar a eficácia de tirzepatida e semaglutida no controle de peso crônico, esta análise mostrou maior perda de peso com tirzepatida 10 e 15 mg versus semaglutida 2,4 mg.
6Tirzepatida reduz o apetite, a ingestão energética e a massa gorda em pessoas com diabetes tipo 2.Heise et al., 2023Diabetes CareO tratamento com tirzepatida demonstrou reduções significativas no peso corporal em comparação com placebo e semaglutida, resultando em maior redução da massa gorda. A tirzepatida e a semaglutida reduziram significativamente o apetite em comparação com o placebo. Os escores de apetite e as reduções na ingestão energética não diferiram entre tirzepatida e semaglutida.
7Tirzepatida após intervenção intensiva no estilo de vida em adultos com sobrepeso ou obesidade: o ensaio clínico de fase 3 SURMOUNT-3.Wadden et al., 2023Nature medicineA tirzepatida promoveu redução média de peso de 18,4% em 72 semanas versus aumento de 2,5% com placebo, com 87,5% dos participantes atingindo ≥5% de perda de peso. Os eventos adversos foram principalmente gastrointestinais leves a moderados. O medicamento demonstrou eficácia adicional mesmo com intervenção intensiva no estilo de vida.
Fonte: Dados da pesquisa, 2025.


A tirzepatida tem se mostrado um fármaco promissor no tratamento da obesidade, demonstrando resultados consistentes na redução do peso corporal em diferentes populações. Estudos recentes, como o ensaio clínico SURMOUNT-3, evidenciaram uma redução média de peso de 18,4% em 72 semanas, com 87,5% dos participantes atingindo perda ≥5% do peso inicial, mesmo quando combinada com intervenções intensivas no estilo de vida (Wadden et al., 2023). Esses resultados indicam que a tirzepatida oferece uma alternativa eficaz para pacientes que apresentam dificuldade em alcançar metas de perda de peso apenas com mudanças comportamentais.

Além da perda de peso, o impacto da tirzepatida na qualidade de vida dos pacientes é significativo. No estudo SURMOUNT-1, Gudzune et al. (2025) mostraram que maiores percentuais de redução de peso estavam associados a melhorias na qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS), destacando que a redução do peso não se limita apenas a parâmetros clínicos, mas reflete também no bem-estar físico e psicológico dos pacientes. Essa associação é particularmente relevante, considerando que a obesidade frequentemente está ligada a prejuízos na autoestima e saúde mental.

Quando comparada a outros agentes farmacológicos, como a semaglutida, a tirzepatida demonstrou superioridade em termos de eficácia na perda de peso. Rodriguez et al. (2024) observaram que adultos com sobrepeso ou obesidade tratados com tirzepatida apresentaram redução de peso significativamente maior do que aqueles tratados com semaglutida. Resultados similares foram reportados em análises indiretas, indicando que doses de 10 e 15 mg de tirzepatida promovem maior perda ponderal em comparação à semaglutida 2,4 mg (Roux et al., 2023). Esses achados reforçam o potencial da tirzepatida como uma opção terapêutica diferenciada no manejo da obesidade.

O efeito metabólico do fármaco também merece destaque. Estudos como o de Heise et al. (2023) demonstraram que a tirzepatida reduz não apenas o peso corporal, mas também a massa gorda, o apetite e a ingestão energética em pacientes com diabetes tipo 2, indicando benefícios adicionais no controle metabólico. Esses efeitos contribuem para a prevenção de comorbidades associadas à obesidade, como resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão, mostrando que o fármaco atua de forma ampla sobre fatores de risco relacionados à saúde metabólica.

A relação entre obesidade e Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é muito evidente na prática clínica, já que o excesso de peso  principalmente o acúmulo de gordura na região do pescoço e do abdômen favorece a obstrução das vias aéreas durante o sono e piora a qualidade respiratória. A pesquisa realizada por Malhotra et al. (2024),  têm reforçado essa ligação, mostrando que a perda de peso pode reduzir de forma importante a gravidade da SAOS. Os pesquisadores avaliaram a tirzepatida e observaram melhora simultânea no peso corporal e nos indicadores da apneia, como a redução do índice de apneia-hipopneia. 

Em populações específicas, como pacientes com apneia obstrutiva do sono, a tirzepatida também mostrou resultados promissores. Malhotra et al. (2024) evidenciaram que, além da redução do peso corporal, houve melhora nos índices de apneia-hipopneia (IAH), na pressão arterial sistólica e na concentração de PCR-US, bem como nos resultados relatados pelos pacientes relacionados à qualidade do sono. Esses dados indicam que a perda de peso induzida pela tirzepatida pode trazer benefícios clínicos significativos em condições associadas à obesidade.

A eficácia da tirzepatida também foi observada em diferentes contextos populacionais. Zhao et al. (2024), em um estudo com adultos chineses, relataram redução de peso estatisticamente e clinicamente significativa com doses de 10 mg e 15 mg, com perfil de segurança aceitável. Esses achados sugerem que os efeitos da tirzepatida são consistentes entre diferentes grupos étnicos e demográficos, reforçando sua aplicabilidade clínica global.

No que diz respeito à segurança, os eventos adversos mais comuns estão relacionados ao sistema gastrointestinal, geralmente de intensidade leve a moderada, incluindo náuseas, vômitos e diarreia (Wadden et al., 2023). Não houve relatos significativos de eventos graves, indicando que o fármaco apresenta um perfil de tolerabilidade aceitável. Esse fator é importante para a adesão ao tratamento, uma vez que efeitos adversos podem interferir na continuidade do uso a longo prazo.

5 CONCLUSÃO

Esta pesquisa mostrou que a tirzepatida é eficaz e segura no tratamento da obesidade, promovendo perda de peso significativa, melhora da qualidade de vida e benefícios metabólicos. Os objetivos do estudo foram atingidos, confirmando sua superioridade em alguns desfechos em relação a outros medicamentos. O fármaco se destaca como ferramenta promissora para programas multidisciplinares de manejo da obesidade. Como limitação, a maioria dos estudos teve acompanhamento curto e amostras restritas, indicando a necessidade de pesquisas futuras mais amplas e de longo prazo.

REFERÊNCIAS

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¹Médico pelo Centro Universitário de Mineiros – UNIFIMES. E-mail: italofrancomed@hotmail.com;
²Médico pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. E-mail: gabriel1_alb@hotmail.com;
³Médico pela Universidade de Rio Verde. E-mail: eduardovenanciov@gmail.com;
⁴Médico pela Universidade Federal da Paraíba. E-mail: bruno.blcbarros@gmail.com;
⁵Médica pela Universidade de Rio Verde. E-mail: yasmin-amaral20@hotmail.com;
⁶Orientadora, Médica pela Universidade Católica de Brasília. E-mail: Isacarballal@gmail.com.