PRINCIPAIS INTERVENÇÕES PARA COMPORTAMENTOS INTERFERENTES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602220035


Edna Diniz Pereira Fernandes1


RESUMO

Os comportamentos interferentes constituem um desafio significativo nos contextos educacional, clínico e social, impactando o desenvolvimento acadêmico, emocional e social dos indivíduos. Este artigo tem como objetivo analisar as principais intervenções baseadas em evidências científicas para o manejo desses comportamentos. A pesquisa fundamenta-se em literatura da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), intervenções psicopedagógicas e estratégias preventivas. Destaca-se a importância da análise funcional, do reforço positivo, do ensino de habilidades substitutivas e da atuação multidisciplinar. Conclui-se que intervenções individualizadas, sistemáticas e baseadas em evidências apresentam maior eficácia.

Palavras-chave: Comportamentos interferentes. Análise funcional. Intervenção comportamental. Inclusão escolar. ABA.

1 INTRODUÇÃO

Comportamentos interferentes são definidos como respostas que prejudicam o processo de aprendizagem, a interação social ou o desenvolvimento global do indivíduo. Esses comportamentos podem manifestar-se por meio de agressividade, autoagressão, fuga de tarefas, oposição, estereotipias ou comportamentos disruptivos. Segundo Cooper, Heron e Heward (2020), compreender a função do comportamento é essencial para a elaboração de intervenções eficazes.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Análise Funcional do Comportamento

A análise funcional baseia-se no modelo ABC (Antecedente, Comportamento e Consequência), permitindo identificar as variáveis ambientais que mantêm determinado comportamento. Iwata et al. (1994) demonstraram a eficácia da análise funcional experimental na identificação das funções de comportamentos autolesivos.

2.2 Reforço Positivo e Economia de Fichas

O reforço positivo consiste na apresentação de um estímulo reforçador após a emissão de um comportamento desejado, aumentando sua probabilidade futura. Kazdin (1982) destaca a economia de fichas como estratégia eficaz em ambientes escolares e clínicos.

2.3 Ensino de Habilidades Substitutivas

O ensino de habilidades substitutivas visa desenvolver comportamentos socialmente adequados que cumpram a mesma função do comportamento inadequado. Carr e Durand (1985) evidenciaram que o ensino de comunicação funcional reduz comportamentos problemáticos mantidos por reforçamento social.

2.4 Estratégias Preventivas e Ambientais

Estratégias preventivas incluem organização do ambiente, rotinas estruturadas e uso de recursos visuais. Sugai e Horner (2002) ressaltam a importância de sistemas de apoio comportamental positivo em escolas.

2.5 Intervenção Multidisciplinar

A atuação conjunta entre profissionais da educação, psicologia e família fortalece a consistência das intervenções. A literatura aponta que intervenções colaborativas promovem maior generalização e manutenção dos comportamentos adaptativos.

3 METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, fundamentada em livros e artigos científicos publicados em bases reconhecidas na área da Análise do Comportamento e Educação Inclusiva. Foram selecionadas obras clássicas e contemporâneas para fundamentar as intervenções apresentadas.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As evidências científicas indicam que intervenções baseadas na análise funcional, no reforço positivo e no ensino de habilidades substitutivas são eficazes na redução de comportamentos interferentes. A implementação sistemática e individualizada, aliada ao trabalho colaborativo, é fundamental para promover mudanças comportamentais significativas e duradouras.

REFERÊNCIAS

 CARR, E. G.; DURAND, V. M. Reducing behavior problems through functional communication training. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 18, n. 2, p. 111-126, 1985.

 COOPER, J. O.; HERON, T. E.; HEWARD, W. L. Applied Behavior Analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020.

 IWATA, B. A. et al. Toward a functional analysis of self-injury. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 27, n. 2, p. 197-209, 1994.

 KAZDIN, A. E. The token economy: A review and evaluation. New York: Plenum Press, 1982.

 SUGAI, G.; HORNER, R. The evolution of discipline practices: School-wide PBIS. Child & Family Behavior Therapy, v. 24, n. 1-2, p. 23-50, 2002.


1Faculdade HGU