PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511192342


Andressa de Alencar Lima1
Luiza Thayna de Azevedo2
Priscila Rayane de Lima Bastos3
Jair Alves Maia4


RESUMO 

Introdução: O câncer de mama ocupa uma posição de destaque entre as principais causas de mortalidade feminina no Brasil e ao redor do mundo, sendo considerado um sério desafio para a saúde pública. Este estudo busca, por meio de uma revisão bibliográfica, avaliar a relevância das estratégias de prevenção e do diagnóstico precoce, enfatizando o papel crítico dos profissionais de enfermagem e a contribuição das políticas públicas na detecção antecipada da doença. Foram consultados artigos científicos, publicações especializadas e estudos de caso lançados entre 2015 e 2025, abrangendo revisões sistemáticas, narrativas e relatos de experiências. Os dados revelaram que a mamografia se mantém como o método mais eficiente para rastreamento, embora barreiras no acesso ainda sejam observadas em diferentes regiões e entre distintos grupos sociais. Também se destacou o impacto das atividades educativas contínuas conduzidas por equipes multiprofissionais, com enfoque especial em enfermeiros, como uma abordagem indispensável para fortalecer a atenção primária e incentivar a prática do autocuidado entre as mulheres. Paralelamente, o emprego de tecnologias digitais, como a telemedicina, tem ampliado a capilaridade dos programas de diagnóstico precoce, sobretudo em áreas remotas. Em conclusão, a eficácia das ações de prevenção e rastreamento do câncer de mama está intrinsecamente ligada à integração de esforços em educação em saúde, inovação tecnológica e políticas públicas duradouras que garantam um atendimento equitativo, acessível e humanizado para as mulheres. 

Palavras-chave: Câncer de mama. Prevenção. Rastreamento. Enfermagem. Saúde pública. 

ABSTRACT 

Introduction: Breast cancer ranks among the leading causes of female mortality in Brazil and worldwide, and is considered a serious public health challenge. Through a literature review, this study seeks to assess the relevance of prevention strategies and early diagnosis, emphasizing the critical role of nursing professionals and the contribution of public policies in early detection of the disease. Scientific articles, specialized publications, and case studies published between 2015 and 2025 were consulted, including systematic reviews, narratives, and experience reports. The data revealed that mammography remains the most efficient screening method, although barriers to access are still observed in different regions and among different social groups. The impact of ongoing educational activities conducted by multidisciplinary teams, with a special focus on nurses, was also highlighted as an indispensable approach to strengthening primary care and encouraging self-care among women. At the same time, the use of digital technologies, such as telemedicine, has expanded the reach of early diagnosis programs, especially in remote areas. In conclusion, the effectiveness of breast cancer prevention and screening actions is intrinsically linked to the integration of efforts in health education, technological innovation, and lasting public policies that guarantee equitable, accessible, and humane care for women.

Keywords: Breast cancer. Prevention. Screening. Nursing. Public health. 

INTRODUÇÃO  

O câncer de mama é o tipo de neoplasia mais comum entre mulheres em todo o mundo e figura como uma das principais causas de morte por câncer no sexo feminino. A detecção precoce e o rastreamento sistemático desempenham um papel crucial na redução da mortalidade, já que o diagnóstico em estágios iniciais aumenta de forma expressiva as chances de sucesso no tratamento e na sobrevida das pacientes1.  

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta a realização de mamografias bienais para mulheres entre 50 e 69 anos, destacando que o rastreamento deve estar alinhado à garantia de diagnóstico e tratamento oportunos. O Sistema Único de Saúde (SUS) segue um modelo que busca balancear os benefícios e os riscos, como a exposição à radiação e o sobrediagnóstico, promovendo equidade na oferta destes serviços2.  

Pesquisas recentes indicam que o rastreamento estruturado, com convocações regulares e acompanhamento sistemático das mulheres, apresenta melhores resultados em comparação ao modelo oportunístico predominante no Brasil. Contudo, ainda existem obstáculos como a falta de padronização e integração dos serviços, limitando avanços nos indicadores de detecção precoce3.  

Em escala global, recomendações atualizadas, como as divulgadas pela U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), sugerem iniciar o rastreamento aos 40 anos em países onde há maior concentração de casos em mulheres mais jovens. Porém, é imprescindível considerar fatores individuais, como histórico familiar e condições de risco específicas, antes de definir qual abordagem é mais adequada4.  

Fatores como densidade mamária e predisposição genética, especialmente mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, impactam a eficácia dos exames de imagem convencionais, incluindo a mamografia. Para pacientes classificadas como de alto risco, tecnologias adicionais como ultrassonografia e ressonância magnética são alternativas úteis para aprimorar os diagnósticos5.  

A tomossíntese digital, conhecida como mamografia 3D, tem mostrado avanços relevantes nos últimos anos, principalmente na redução de falsos positivos e no aumento das taxas de detecção de tumores invasivos. No entanto, sua ampla adoção enfrenta desafios financeiros e estruturais, sobretudo em sistemas públicos de saúde em países em desenvolvimento6.  

MATERIAIS E MÉTODO 

Este estudo configura-se como uma investigação qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, desenvolvida a partir de uma análise bibliográfica sobre prevenção e rastreamento do câncer de mama. A escolha dessa abordagem fundamenta-se na relevância da temática no âmbito da saúde pública e na necessidade de compilar e discutir as principais evidências científicas publicadas na última década. O objetivo é subsidiar reflexões e práticas profissionais no campo da enfermagem e da saúde coletiva7.  

A análise bibliográfica consiste em identificar, ler, interpretar e sintetizar obras científicas, artigos e documentos oficiais que abordam o tema sob diferentes perspectivas. Esse tipo de investigação permite aprofundar o conhecimento teórico sobre o objeto de estudo, evidenciando lacunas, convergências e tendências na produção científica8.  

Na construção do referencial teórico, foram selecionadas publicações do período de 2015 a 2025, com foco em trabalhos que apresentassem evidências clínicas, diretrizes técnicas e discussões sobre políticas públicas vinculadas ao rastreamento e à prevenção do câncer de mama. As bases consultadas incluíram SciELO, PubMed/MEDLINE, LILACS e Google Scholar, escolhidas por sua ampla cobertura de periódicos nacionais e internacionais7.  

Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais, revisões sistemáticas, revisões narrativas, estudos de caso e relatos de caso que abordassem diretamente a temática proposta e apresentassem metodologia clara. Foram excluídas publicações duplicadas, resumos de eventos científicos e materiais sem acesso ao texto completo ou sem relação direta com o objeto de estudo8.  

A seleção das publicações seguiu as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão baseadas no modelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Inicialmente, foram identificados 82 trabalhos; após a aplicação dos critérios de elegibilidade, restaram 32 estudos utilizados para uma análise detalhada e para a discussão dos resultados9.  

 Por ser uma pesquisa bibliográfica, não houve envolvimento direto de seres humanos nem necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Contudo, foram respeitados todos os princípios éticos relacionados à citação, à integridade acadêmica e à preservação da propriedade intelectual, seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 6023:2018)10

REVISÃO DE LITERATURA 

O câncer de mama constitui uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre as mulheres em escala global, sendo reconhecido como um grave problema de saúde pública. Estima-se que, anualmente, mais de dois milhões de novos casos sejam diagnosticados em todo o mundo, o que implica um impacto significativo tanto na qualidade de vida das pacientes quanto nos sistemas de saúde11.  

No Brasil, conforme dados apresentados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais prevalente entre as mulheres, quando se excluem os casos de câncer de pele não melanoma, com uma projeção superior a 70 mil novos casos anuais no período compreendido entre os anos em questão, que correspondem a 2023 e 2025 (INCA, 2023)11.  

Nesse contexto, o rastreamento precoce se destaca como uma das mais efetivas estratégias para a redução da mortalidade associada à doença e para o aumento das chances de sucesso no tratamento. A mamografia permanece sendo o método padrão-ouro para a identificação precoce de lesões malignas, especialmente recomendado para mulheres com idades entre 50 e 69 anos12.  

Entretanto, a adesão a esse exame varia acentuadamente entre as diferentes regiões do Brasil, em função de diversos fatores externos que fazem referência as desigualdades socioeconômicas, baixos níveis de escolaridade, as configurações das barreiras culturais e potenciais limitações relacionadas ao acessodos inúmeros serviços de saúde que abordam a situação em destaque12.  

Estudos sugerem que a eficiência das iniciativas de rastreamento está diretamente ligada à organização das redes de atenção à saúde e à qualificação continuada dos profissionais da área. Elementos como a integração entre os níveis assistenciais, a ampliação do acesso à atenção primária e o investimento na capacitação dos profissionais têm se mostrado cruciais para fortalecer o diagnóstico precoce13.  

A figura do enfermeiro desempenha um papel essencial nesse cenário, considerando que este profissional é frequentemente responsável por orientar as pacientes, identificar fatores de risco e encaminhá-las para exames complementares. As ações educativas promovidas pelos enfermeiros contribuem significativamente para o empoderamento das mulheres, incentivando o conhecimento do próprio corpo e a identificação de sinais de alerta14

Ademais, a atuação desse profissional na atenção básica tem demonstrado resultados positivosque permitem tabular aspectos relacionados a ampliação do rastreamento e na maior adesão aos exames preventivos por parte do público feminino, garantindo efetividade no serviço do enfermeiro, maximizando a humanização do serviço prestado com a identificação de fatores de risco14.  

Embora o autocuidado e a prática do autoexame das mamas não substituam a mamografia, esses são instrumentos valiosos no contexto complementar, pois favorecem o reconhecimento do próprio corpo e permitem a identificação precoce de alterações suspeitas. Iniciativas como a campanha Outubro Rosa têm importância fundamental na conscientização da população sobre o tema; no entanto, sua efetividade depende da continuidade das ações educativas durante todo o ano, em articulação com políticas públicas voltadas à saúde da mulher15.  

A etiologia do câncer de mama é amplamente multifatorial, abrangendo aspectos genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais. Fatores como idade avançada, histórico familiar positivo, uso prolongado de terapia hormonal, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e obesidade são frequentemente citados na literatura como elementos que aumentam o risco de desenvolvimento da doença16.  

Nos últimos anos, os avanços na tecnologia médica têm representado ganhos significativos no que se refere à precisão diagnóstica e à definição de estratégias terapêuticas mais personalizadas. A introdução de exames de imagem de alta resolução, como a mamografia digital e a ressonância magnética, bem como o desenvolvimento de marcadores moleculares e testes genéticos, ampliaram as possibilidades tanto para a detecção precoce quanto para o acompanhamento específico das pacientes17.  

As políticas públicas brasileiras direcionadas à prevenção do câncer de mama são fundamentadas nas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que recomenda a realização bianual de mamografias em mulheres com idades entre 50 e 69 anos, além da investigação imediata de sinais suspeitos em qualquer faixa etária. Contudo, um dos principais desafios enfrentados por essas políticas é decorrente das desigualdades regionais e da insuficiência na capacidade operacional dos serviços de saúde18.  

A literatura aponta ainda a relevância estratégica da atenção primária à saúde como principal porta de entrada ao cuidado integral. É nesse nível assistencial que se concentram ações preventivas fundamentais, como educação em saúde, acolhimento individualizado e acompanhamento contínuo das mulheres. Evidências mostram que a promoção de programas permanentes voltados à educação em saúde e ao monitoramento ativo das pacientes pode conduzir à maior adesão aos exames preventivos19

A implementação de ações intersetoriais, envolvendo escolas, associações comunitárias e meios de comunicação, destaca-se como uma abordagem eficaz para ampliar a disseminação de informações sobre prevenção. O uso de mídias digitais e redes sociais tem potencializado o alcance dessas campanhas, promovendo um maior engajamento das mulheres e facilitando o compartilhamento de experiências20.  

Os avanços recentes nas pesquisas genéticas abriram novas possibilidades no rastreamento e na prevenção do câncer de mama. A análise de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 permite identificar mulheres com maior propensão à doença, possibilitando a adoção de medidas preventivas personalizadas. Estas incluem desde monitoramento médico intensivo até intervenções cirúrgicas profiláticas, quando necessárias21.  

No entanto, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, a literatura enfatiza que a eficiência das estratégias de rastreamento depende de uma articulação sólida entre políticas públicas, capacitação de profissionais, campanhas informativas e garantia de acesso equitativo aos serviços. O fortalecimento das redes de atenção básica, aliado à promoção da saúde e à conscientização coletiva, configura-se como a maneira mais assertiva de reduzir as taxas de mortalidade e aumentar a taxa de sobrevivência entre mulheres diagnosticadas com câncer de mama22.  

A expansão do acesso aos exames de rastreamento está profundamente vinculada à eficácia das políticas de regionalização e descentralização dos serviços de saúde. Pesquisas indicam que regiões com maior cobertura da Estratégia de Saúde da Família (ESF) apresentam índices superiores de adesão aos exames mamográficos, além de uma detecção precoce mais frequente de casos suspeitos. Esses dados reforçam o papel essencial do fortalecimento da atenção básica como um pilar central das políticas públicas de prevenção23

Paralelamente aos esforços governamentais, organizações não governamentais (ONGs) e movimentos sociais desempenham uma função estratégica na propagação de informações e na mobilização das mulheres. A participação ativa de grupos comunitários tem se mostrado fundamental para romper tabus, superar estigmas e criar espaços abertos ao diálogo em torno do câncer de mama. Essas iniciativas têm contribuído para aumentar a adesão feminina aos programas de rastreamento, além de fortalecer os laços entre as comunidades e os serviços de saúde24.  

Outro ponto amplamente debatido na literatura é a desigualdade racial e étnica no diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Estudos revelam que mulheres negras e pardas frequentemente recebem o diagnóstico em estágios mais avançados da patologia, uma realidade que reflete desigualdades estruturais relacionadas ao acesso, à renda e à representação no sistema de saúde. Esses cenários evidenciam a urgência de implementar políticas de equidade que considerem as especificidades culturais, sociais e regionais dessas populações25.  

Adicionalmente, as investigações mais recentes destacam a importância vital da saúde mental ao longo do processo de rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Sentimentos como ansiedade, medo e depressão são recorrentes entre as mulheres, podendo impactar negativamente a continuidade das consultas e exames necessários. O suporte psicológico, integrado a uma equipe multiprofissional, tem se revelado indispensável para promover o bem-estar emocional e assegurar a continuidade do acompanhamento integral26

A atenção primária à saúde ocupa um papel central na promoção da prevenção e no rastreamento do câncer de mama. Sua ampla presença junto à comunidade possibilita contato direto e contínuo com a população, o que facilita o acompanhamento das mulheres, o encaminhamento para exames e o fortalecimento de iniciativas educativas. No entanto, estudos apontam fragilidades ainda persistentes na estruturação das unidades básicas de saúde, especialmente em relação à oferta de mamografias e à capacitação contínua dos profissionais27.  

A educação em saúde é uma ferramenta crucial no combate ao câncer de mama, pois permite compartilhar informações claras, sensibilizar sobre fatores de risco e incentivar práticas de autocuidado. Em áreas vulneráveis, ações educativas como rodas de conversa, oficinas e campanhas comunitárias têm mostrado impacto significativo na mudança de hábitos e na maior adesão aos exames preventivos. Nesse contexto, a atuação comprometida de enfermeiros e agentes comunitários tem sido essencial para aproximar o conhecimento técnico da realidade vivida pelas mulheres28.  

Contudo, pesquisas recentes destacam que suas repercussões são mais relevantes quando as ações são contínuas e transcendem o mês específico. A manutenção permanente das atividades educativas, aliada à participação da mídia, empresas e escolas, amplia seu alcance e consolida a relevância do diagnóstico precoce e da adesão ao rastreamento mamográfico29.  

Um tema abordado pela literatura é a aplicação da telemedicina e de tecnologias digitais no rastreamento do câncer de mama, especialmente em locais isolados e de difícil acesso. Plataformas virtuais têm viabilizado agendamentos de consultas, triagem de casos suspeitos, análises remotas feitas por especialistas. Essas ferramentas ajudam a reduzir desigualdades regionais e otimizam os fluxos de encaminhamento, embora ainda enfrentem barreiras relacionadas à infraestrutura tecnológica e à qualificação dos profissionais30

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo bibliográfico realizado permitiu uma compreensão aprofundada de que o câncer de mama continua sendo uma das condições de maior impacto para as mulheres, configurando-se como um desafio não apenas clínico, mas também social e emocional. A revisão demonstrou que, apesar dos avanços científicos e tecnológicos, a detecção precoce permanece como o principal fator para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das pacientes.  

Nesse cenário, o rastreamento sistemático e a educação em saúde destacam-se como ferramentas essenciais para fortalecer as políticas públicas e promover o empoderamento das mulheres no cuidado com sua saúde. A análise das fontes indicou que a mamografia segue como o método mais eficaz para a detecção precoce, especialmente em mulheres de 50 a 69 anos, conforme orientam as diretrizes do Ministério da Saúde.  

Contudo, persistem desigualdades significativas no acesso a esse exame, particularmente em regiões de baixa renda e zonas rurais, onde a cobertura ainda é inadequada. Essa disparidade evidencia a necessidade de investimentos contínuos na atenção básica, na descentralização dos serviços e na ampliação da Estratégia de Saúde da Família, assegurando o direito universal à saúde.  

A atuação do enfermeiro e da equipe multiprofissional revelou-se indispensável na eficácia das iniciativas de prevenção e rastreamento. A enfermagem ocupa um papel central ao orientar sobre os fatores de risco, encaminhar para exames, acompanhar pacientes e desenvolver atividades educativas permanentes. O enfermeiro emerge como um agente de transformação social, promovendo o autocuidado e estabelecendo vínculos de confiança com a comunidade, fatores fundamentais para aumentar a adesão aos exames preventivos. 

Também foi constatado que a educação em saúde deve ser entendida como um processo contínuo e participativo, que vai além de campanhas pontuais como o Outubro Rosa. Embora essas campanhas desempenhem um papel crucial na conscientização pública, sua eficácia é potencializada quando associadas a ações permanentes desenvolvidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), escolas e espaços comunitários.  

A prática educativa, quando fundamentada em uma comunicação humanizada e no respeito às diversidades culturais, contribui para ampliar a autonomia das mulheres e sua consciência sobre a importância do rastreamento precoce. As inovações tecnológicas representam um avanço relevante no diagnóstico e prevenção. Tecnologias como mamografia digital, ressonância magnética e telemedicina têm ajudado a superar barreiras geográficas e otimizar o acesso aos serviços especializados.  

Sua integração ao Sistema Único de Saúde (SUS), junto com a capacitação continuada dos profissionais de saúde, tem o potencial de impulsionar significativamente os índices de detecção precoce, especialmente em áreas remotas com infraestrutura deficiente. Um ponto crucial identificado envolve os determinantes sociais da saúde — como renda, escolaridade, cor/raça e localização geográfica — que impactam diretamente a adesão aos exames preventivos e a qualidade do tratamento.  

Mulheres negras e de baixa renda enfrentam com maior frequência diagnósticos tardios, reforçando a urgência de políticas públicas comprometidas com a equidade no acesso ao cuidado oncológico. Dessa forma, lidar com o câncer de mama não deve se restringir ao enfoque biomédico, mas considerar também dimensões éticas, sociais e psicológicas do cuidado.  

A literatura revisada destacou ainda que o apoio psicológico é fundamental desde o momento do rastreamento até o tratamento. O câncer de mama, frequentemente associado ao medo, à ansiedade e à insegurança, exige uma abordagem que integre profissionais da psicologia à equipe multiprofissional. Esse suporte emocional contribui para fortalecer o enfrentamento da doença e garante uma assistência integral e humanizada à mulher.  

Dessa forma, conclui-se que enfrentar o câncer de mama requer ações intersetoriais que englobem os serviços públicos de saúde, instituições de ensino, sociedade civil e gestores municipais e estaduais. A eficácia do rastreamento está diretamente associada à integração entre estratégias educativas, avanços tecnológicos, capacitação profissional e políticas públicas inclusivas que assegurem acesso equitativo aos serviços de saúde.  

Adicionalmente, campanhas educativas contínuas e o fortalecimento da atenção primária devem permanecer no centro das prioridades estratégicas do SUS. O combate ao câncer de mama exige a construção de uma cultura de cuidado permanente, pautada na união entre ciência, sensibilidade humana e um compromisso social robusto. A redução da mortalidade e o aumento da sobrevida das mulheres dependem da consolidação de políticas sustentáveis, do investimento em inovações tecnológicas e do reconhecimento dos profissionais que transformam diariamente a realidade da saúde feminina no Brasil. 

REFERÊNCIAS 

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3 REN, W. et al. Global guidelines for breast cancer screening: a systematic review. BMC Medicine, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9142711/. Acesso em: 1 out. 2025. 

4 NICHOLSON, W. K. et al. Screening for Breast Cancer: Recommendation — U.S. Preventive Services Task Force. USPSTF, 2024. Disponível em:  https://www.uspreventiveservicestaskforce. org/uspstf/recommendation/breast-cancerscreening. Acesso em: 2 out. 2025. 

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7 GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. 

8 LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2021. 

9 MOHER, D. et al. Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses: The PRISMA 2020 statement. BMJ, v. 372, n. 71, p. 1–9, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1136/ bmj.n71. Acesso em: 3 out. 2025. 

10 BRASIL. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 maio 2016. Disponível em: https://www.conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf. Acesso em: 15 out. 2025. 

11 INCA – Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2023: Incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2023. 

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15 FERREIRA, A. C.; LIMA, N. F.; SANTANA, V. S. Educação em saúde e autocuidado na prevenção do câncer de mama. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 100, n. 2, p. 25– 33, 2022. 

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18 BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. 

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21 TORRES, M. L.; LOPES, C. R. Genética e prevenção do câncer de mama hereditário: uma revisão integrativa. Journal of Genetics and Health, v. 6, n. 2, p. 55–63, 2021. 

22 MELO, J. P.; CARDOSO, R. L. Políticas públicas e desafios no rastreamento do câncer de mama no Brasil. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 1, p. 12–20, 2024. 

23 MARTINS, V. C.; SOUZA, R. A. Cobertura da Estratégia de Saúde da Família e rastreamento mamográfico: uma análise regional. Revista de Políticas em Saúde Pública, v. 12, n. 1, p. 33–41, 2023. 

24 GOMES, D. R.; PEREIRA, A. F. A atuação das ONGs na prevenção e rastreamento do câncer de mama no Brasil. Revista Ciências da Saúde em Debate, v. 14, n. 2, p. 201–210, 2021. 

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26 PEREIRA, F. G.; ALMEIDA, R. P.; TORRES, M. L. Aspectos psicológicos no rastreamento e tratamento do câncer de mama: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Psicologia da Saúde, v. 16, n. 2, p. 77–86, 2024. 

27 CUNHA, L. P.; BARRETO, R. M. Rastreamento do câncer de mama no Brasil: desafios e perspectivas na atenção primária. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, v. 17, n. 3, p. 112–121, 2022. 

28 FIGUEIREDO, A. S.; LOPES, M. C.; ANDRADE, P. T. Estratégias educativas para promoção da saúde e prevenção do câncer de mama em populações vulneráveis. Revista Enfermagem em Foco, v. 14, n. 1, p. 49–58, 2023. 

29 ROCHA, T. R.; NASCIMENTO, E. F.; LIMA, J. R. Avaliação das campanhas do Outubro Rosa: impactos na percepção e adesão ao rastreamento mamográfico. Revista de Promoção da Saúde, v. 34, n. 2, p. 1–9, 2021. 

30 SOUZA, G. L.; MENDES, V. H.; BRITO, F. A. O papel da telemedicina no rastreamento do câncer de mama em regiões remotas: avanços e limitações.Journal of Health Technology and Innovation, v. 5, n. 4, p. 78–85, 2024.


1Acadêmico do Curso de Graduação em enfermagem do Centro Universitário UNINORTE, Rio Branco-Acre, Brasil, 2025.  

2Acadêmico do Curso de Graduação em enfermagem do Centro Universitário UNINORTE, Rio Branco-Acre, Brasil, 2025. 

3Acadêmico do Curso de Graduação em enfermagem do Centro Universitário UNINORTE, Rio Branco-Acre, Brasil, 2025. 

4Professor do curso de graduação em enfermagem do Centro Universitário UNINORTE, Rio Branco-Acre, Brasil, 2025. jairalvesac@hotmail.com