PREVALÊNCIA DE SINTOMAS DEPRESSIVOS EM IDOSOS NA REGIÃO SUL DE PALMAS-TO: UM ESTUDO DESCRITIVO COM BASE NO GDS-15

PREVALENCE OF DEPRESSIVE SYMPTOMS IN THE ELDERLY IN THE SOUTH REGION OF PALMAS-TO: A DESCRIPTIVE STUDY BASED ON THE GDS-15

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510310108


José Alcindo Pereira Aguiar Neto¹ 
Priscylla Cassol2


RESUMO

A presença de sintomas ditos depressivos vem se tornando cada vez maior na sociedade, a discussão acerca dessa temática se torna inevitável fazendo crescer e formando espaços para buscas e pesquisas no que diz respeito a saúde mental da pessoa humana. Vários são os dados estatísticos que fazem com que a preocupação dos vários âmbitos da saúde mental aumente, o número nunca foi tão grande e cresceu de forma tão rápida. Quando esses sintomas se apresentam na faixa etária dos idosos se torna mais complexa as discussões e resoluções, sendo uma fase do desenvolvimento humano que se depara diversos desafios e limitações, como o isolamento social, viuvez, doenças crônicas e as limitações físicas próprias da idade. Essa pesquisa buscou levantar dados acerca da prevalência de sintomas depressivos em idosos, como se manifestam, fatores de risco e protetivos, dados demográficos e estado de saúde geral, análise de dados por meio da análise de conteúdo e discussão de como os sintomas depressivos afetam a qualidade de vida dos idosos.  A pesquisa foi realizada com idosos frequentadores do CRAS Karajá 1, no bairro Jardim Aureny 3, em Palmas-TO, sendo coletados dados sociodemográficos, clínicos e utilizando escalas de avaliação de sintomas depressivos através de entrevista semiestruturada. Essa pesquisa tem intensão de levantar dados que embasem intervenções de políticas públicas de saúde mental para idosos, identificando fatores de risco e auxiliando em intervenções preventivas, como forma de promoção e conscientização da saúde mental e no atendimento a idosos em situação de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Idosos, sintomas depressivos, envelhecimento, saúde mental.

ABSTRACT

The presence of so-called depressive symptoms has been increasingly prevalent in society, making discussion of this theme inevitable and leading to the growth and creation of spaces for research and inquiry regarding human mental health. Numerous statistical data contribute to the growing concern across various areas of mental health; the numbers have never been so high and have increased so rapidly. When these symptoms appear in the elderly age group, discussions and resolutions become more complex, as it is a stage of human development that faces various challenges and limitations, such as social isolation, widowhood, chronic illnesses, and the physical limitations associated with aging. This research aimed to gather data on the prevalence of depressive symptoms in the elderly, how they manifest, risk and protective factors, demographic data, and overall health status, through data analysis using content analysis and a discussion of how depressive symptoms affect the quality of life of the elderly. The research was conducted with elderly attendees of CRAS Karajá 1, in the Jardim Aureny 3 neighborhood, in Palmas-TO, collecting sociodemographic and clinical data and using scales to assess depressive symptoms through a semi-structured interview. This research aims to gather data to support public mental health policy interventions for the elderly, identifying risk factors and assisting in preventive interventions, as a way to promote and raise awareness of mental health and in providing care to elderly people in vulnerable situations.

Keywords: Elderly, depressive symptoms, aging, mental health

1. INTRODUÇÃO

O envelhecimento que está intrinsecamente ligado ao ser humano e faz parte de seu desenvolvimento, é contínua a busca para que se tenha uma vida mais sadia na velhice aumentando as discussões acerca do estilo de vida saudável para essa população. O processo de envelhecimento varia muito na população em geral, sendo influenciado tanto por fatores genéticos quanto pelo estilo de vida das pessoas. 

A Lei n° 8.842/94, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, que no seu artigo 2 diz: “considera-se idoso, para todos os efeitos desta lei, a pessoa maior de 60 anos de idade”, e a Política Nacional do Idoso, sancionada pelo Ministério da Saúde, publicada no Diário Oficial em 13 de dezembro de 1999, que define a idade a partir dos 60 anos para designar idoso.

O Brasil já foi considerado um país onde a maioria da população era jovem, a parte da população tinha menos de 30 anos de idade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento da população de idosos é clara e já está evidenciada nos últimos recenseamentos: no último censo demográfico de 2022, viu-se que a população de idosos no Brasil representou 15,8% da população total e um crescimento de 46,6% em relação ao Censo Demográfico 2010, quando representava 10,8% da população. O aumento da população da faixa-etária da velhice pode decorrer de diversos fatores como redução da natalidade, do declínio na fertilidade acompanhado de crescimento econômico, melhor nutrição, estilos de vida mais saudáveis, aprimoramento no controle de doenças infecciosas, água mais pura e instalações sanitárias mais seguras e avanços na ciência, tecnologia e medicina. 

Na sociedade contemporânea é comum associar o envelhecimento à saída da vida produtiva pela aposentadoria, é vista como uma fase de muitos desafios, nem todos os idosos conseguem uma velhice saudável, melhoras progressivas na qualidade de vida e pouco menos autonomia que tiveram em outro momento, as pessoas nessa fase do desenvolvimento se encontram com situações desafiadores e fatores de risco para seu envelhecimento: viuvez, falecimento de pessoas próximas, isolamento social, falta de rede de apoio, dependência física e funcional, desenvolvimento de doenças e dores crônicas. Desafios que podem levar também a psicopatologias graves, tais como os transtornos depressivos, síndromes ansiedade, significando agravamento na qualidade e significado da vida, em casos mais graves levar ao comportamento suicida. Mesmo com tantos desafios a velhice representa também o descanso, sentimento de realização, conquistas alcançadas, encerramento de longas carreiras, longevidade sadia e realização de sonhos, podendo ser uma fase também produtiva, de ressignificações, de novos projetos e objetivos.

Dentre as causas de adoecimento dos idosos e da sua perda de significado de viver a depressão aparece como um importante influente para tais condições. A depressão é uma condição que todas as pessoas de todas as fases do desenvolvimento humano podem vivenciar ou já vivenciaram de forma mais leve durante alguns momentos da vida. Os casos em sua maioria, se dizem respeito ao sentimento de melancolia, que é uma reação a um acontecimento específico ou uma série de situações traumáticas que podem acontecer, nesses casos esse sintoma de melancolia se dissipa de forma natural em poucos dias e não costuma ser considerado uma situação patológica. Segundo o American Psychiatric Association (2014) o que representam os transtornos depressivos são a presença de humor melancólico, triste, vazio ou irritável, merecendo atenção clínica quando ela se apresenta de longa duração com episódios grandes, ou seja, uma tristeza crônica e suficientemente grave, que interfere nas funções habituais das pessoas, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo.

Conforme a OPAS/OMS (2023), os episódios depressivos são classificados em leves, moderados ou graves, de acordo com a intensidade dos sintomas apresentados. No caso de um episódio leve, o indivíduo pode enfrentar certa dificuldade para manter atividades rotineiras, como tarefas simples no trabalho ou interações sociais, mas sem comprometer de forma significativa seu funcionamento geral. Já em episódios depressivos graves, a capacidade de realizar atividades profissionais, sociais ou domésticas costuma estar seriamente comprometida, tornando difícil manter a rotina habitual.

É fundamental compreender que o transtorno depressivo vai muito além da simples tristeza. A pessoa afetada pode ficar profundamente incapacitada pela condição, apresentando não apenas um humor persistentemente deprimido, mas também uma exaustão física e mental intensa. Além disso, é comum experimentar sentimentos de inutilidade ou culpa, podendo surgir pensamentos recorrentes sobre a morte ou o suicídio.

O adoecimento do ponto de vista psicológico aumentou muito, sobretudo no mundo pós pandemia COVID-19, Segundo Nabuco et al. (2020), a pandemia foi um momento em que toda a população foi afetada em menor ou maior grau psicologicamente, o medo eminente da morte ou da morte de alguém próximo, lutos não elaborados, danos do isolamento físico e do afastamento das atividades rotineiras causaram diversos para a saúde mental da população geral.  

Em 2019 foi realizada pelo IBGE a Pesquisa Nacional de Saúde, nessa pesquisa constatou-se que 13,2% dos idosos entre 60 e 64 anos foram diagnosticados com depressão e entre os idosos de 75 anos ou mais, a depressão cresceu 48% entre 2013 e 2019. Evidenciando como a depressão vem crescendo no decorrer dos anos na faixa etária dos idosos, se tornando motivo de preocupação no que diz respeito a saúde mental da pessoa idosa, levando em consideração todas as comorbidades e desafios provenientes da velhice e como a depressão pode ser um desencadeador de quadro clínicos de saúde piores. 

A pesquisa tem como objetivo, através do levantamento de dados com uma entrevista semiestruturada buscar entender como os sintomas depressivos em idosos podem estar relacionados a influência de fatores demográficos, sociais e de saúde. Buscando investigar quais os possíveis causadores dos sintomas depressivos e as consequências dos transtornos depressivos nesta faixa etária, considerando as vulnerabilidades psicológicas, a fim de identificar os fatores de riscoe suas implicações na qualidade de vida dos idosos. Além disso, buscou examinar especificamente a ocorrência de sintomas depressivos entre idosos residentes na região sul de Palmas, atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Karajá I, localizado no bairro Jardim Aureny III.

O trabalho poderá servir de base para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental dos idosos, visando apoiar a implementação de intervenções preventivas que promovam a saúde mental e o bem-estar dos idosos, especialmente daqueles em situação de vulnerabilidade social. Promover conscientização sobre a importância da saúde mental e da oferta de um atendimento especializado. O estudo é uma forma de contribuir com a bibliografia, por conta das poucas publicações sobre saúde mental de idosos em Palmas, sobretudo na região sul, especificamente relacionado a depressão, existem poucos recortes bibliográficos acerca do tema, essa pesquisa é uma forma de preencher essa lacuna, gerando contribuição para futuras intervenções e estudos comparativos regionais.

2. METODOLOGIA 

Trata-se de um estudo de caráter descritivo, transversal e quantitativo, realizado com idosos atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Karajá I, localizado na região sul de Palmas-TO.

A amostra foi composta por pessoas com 60 anos ou mais que aceitaram participar da pesquisa, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os participantes responderam a um questionário semiestruturado sobre dados sociodemográficos e clínicos, além de um instrumento de triagem para sintomas depressivos, composto por 15 perguntas baseadas na Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) e nos critérios diagnósticos do DSM-5, com respostas do tipo “Sim” ou “Não”.

O CRAS Karajá I conta com aproximadamente 40 idosos cadastrados e participantes ativos nas atividades socioassistenciais. Deste total, 15 idosos (37,5%) participaram da pesquisa, sendo selecionados por conveniência, conforme disponibilidade no período de coleta, condições cognitivas adequadas e consentimento formal. Assim, o número de entrevistados é proporcional à população total atendida pelo serviço, justificando a amostra adotada no contexto local do estudo.

As respostas foram tabuladas e analisadas por meio de estatística descritiva, com ênfase em frequências absolutas, relativas e medidas de tendência central, utilizando-se o software Excel.

Foram observados todos os aspectos éticos previstos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, garantindo o anonimato dos participantes e o direito de desistência a qualquer momento, sem penalização. As entrevistas ocorreram em ambiente reservado e seguro dentro do serviço, de forma a resguardar a confidencialidade das informações coletadas.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A presente seção apresenta os resultados das entrevistas semiestruturadas realizadas com os participantes da pesquisa. As perguntas foram elaboradas com base nos critérios de diagnóstico do DSM-5 e nos itens da Escala de Depressão Geriátrica (GDS15), e exigindo respostas objetivas do tipo “sim” ou “não”.

As análises foram feitas com o objetivo de identificar a frequência de sintomas associados à depressão entre os idosos entrevistados, associando esses dados a fatores demográficos, sociais e de saúde. A pesquisa tinha a meta de entrevistar até cem idosos, o que não foi possível por conta da quantidade limitada de frequentadores do CRAS Karajá I, que é em média 40 idosos em todas as atividades do serviço. Dessa forma, foi realizado um recorte dessa população, considerando as possibilidades da pesquisa, o que permitiu uma análise qualitativa dos dados obtidos. 

É importante destacar que, em pesquisas com populações específicas, como a população idosa, aspectos como dificuldade de acesso, tempo disponível dos participantes, condições de saúde física e cognitiva podem limitar o número de respondentes. Portanto, a escolha de uma amostra reduzida se justifica dentro do escopo da pesquisa, que não teve como objetivo a generalização estatística, mas sim o levantamento de dados iniciais que possam subsidiar futuras investigações com amostras mais amplas.

A amostra do estudo incluiu quinze idosos que frequenta os serviços do CRAS Karajá I, no Bairro Jardim Aureny III, em Palmas-TO, em sua maioria do sexo feminino 86,6%, com uma idade entre 65 e 82 anos, média de 72 anos, sendo 40% viúvos, possuindo em sua maioria escolaridade até o ensino fundamental 66,6%. Quanto à saúde física, 80% relataram possuir doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas articulares. A maioria encontrava-se aposentada 73,3%, com renda familiar entre meio e dois salários-mínimos. Se trata de um perfil característico de um segmento da população idosa que utiliza os serviços públicos de assistência social, comumente associado a trajetórias de vulnerabilidade social, laços familiares enfraquecidos e um histórico de sobrecarga em relação aos cuidados domésticos. 

De acordo com Gonçalves e Andrade (2013), a maior expectativa de vida das mulheres em relação aos homens é um dos fatores que leva à feminização do envelhecimento no Brasil, mas as disparidades de gênero que ainda existem e afetam o bem-estar emocional das mulheres também são relevantes. A prevalência do sexo feminino, juntamente com a baixa escolaridade e o convívio com doenças crônicas, indica que o sofrimento psíquico pode ser algo naturalizado, especialmente pela falta de suporte comunitário e pela baixa valorização social da velhice. Logo, conhecer o perfil dessa amostra não se resume a identificar quem são esses idosos, mas possibilita uma reflexão sobre as condições estruturais e simbólicas que influenciam suas vivências e a saúde mental.

Tabela 1 – Itens com maior percentual de respostas afirmativas.

Fonte: Dados da Pesquisa (2025).

Após a descrição do perfil sociodemográfico da amostra, os dados a seguir se referem aos sintomas relatados nas entrevistas, os dados obtidos pelo questionário semiestruturado baseado nos critérios de diagnóstico do DSM-5 e da GDS-15. A Tabela 1 apresenta os dados referentes às respostas dos idosos às perguntas do questionário semiestruturado. Os sintomas relacionados a sintomas depressivos mais frequentes foram: Perda de interesse e prazer 53,4%, percepção de que a vida está vazia e falta de proposito 46,7% e tristeza, sentimento de vazio e falta de esperança 40%. Os dados inicialmente já colocam em evidência dois critérios clássicos para diagnóstico de depressão, segundo o DSM: “acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias” e “humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo” (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

A Tabela 2 apresenta a distribuição do total de respostas “Sim” por participante, servindo como medida aproximada da intensidade dos sintomas depressivos.

Tabela 2 – Distribuição do total de respostas ‘Sim’.

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 2 – Distribuição do total de respostas ‘Sim’ por participante.

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

A maioria dos participantes 86,7% relataram sentir-se feliz ou de bem com a vida e 80% acreditam que sua situação atual tem solução. Esses resultados demonstram otimismo, presença de esperança e resiliência emocional desses idosos diante das situações desafiadoras e difíceis próprias da fase do envelhecimento, esses dados podem estar relacionados à rede de apoio social existente no CRAS Karajá I, onde os idosos participam de atividades de convivência e socialização, tem acompanhamento multidisciplinar e reforçando a importância da presença do CRAS no território onde esses idosos vivem. 

Segundo GOMES; FERRAZ (2024), a participação em grupos de apoio voltados para pessoas com depressão pode favorecer o processo de recuperação, permitindo a troca de experiências, o acolhimento mútuo e o desenvolvimento de estratégias coletivas de enfrentamento. No contexto da região sul de Palmas, marcada por vulnerabilidade socioeconômica, essa atuação do CRAS tem papel essencial na promoção de saúde mental.

Apesar dos principais dados demonstrarem quadros positivos de saúde mental, 53,4% dos idosos, o que é mais da metade, relataram perda de interesse ou prazer nas atividades habituais, e 46,7% sentiram que a vida está vazia ou sem propósito, sintomas que correspondem a critérios diagnósticos para depressão, como anedonia e vazio existencial, segundo o DSM-5 (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

Confirmando a hipótese levantada com a pesquisa de Gonçalves e Andrade (2013) que explica, que na velhice, a perda de papéis sociais e o afastamento do trabalho formal podem gerar sensação de inutilidade e falta de propósito. 

Sintomas como fadiga, dificuldades para dormir e diminuição das atividades foram relatados por 40% dos idosos, enquanto 33,4% mencionaram alterações no apetite ou peso. Estes sinais indicam uma relação entre estado emocional e bem-estar físico, consistente com os critérios de diagnóstico do DSM-5. SILVA et al. (2017) destacam que sintomas somáticos são frequentemente referidos pelos idosos, especialmente em contextos de doenças crônicas, presentes em 80% dos participantes da pesquisa. Evidenciando a necessidade de promover acesso a serviços especializados, entendendo a necessidade de ações integradas entre saúde e assistência social, alinhadas à Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASIL, 2006).

Uma parcela significativa dos idosos entrevistados apresentou fatores de vulnerabilidade psicossocial importantes, como sentimentos excessivos de culpa e desamparo (20%) e pensamentos sobre a morte (6,7%), indicando sofrimento psíquico relevante que demanda atenção. Segundo Minayo et al. (2012), o suicídio entre idosos está relacionado à perda do trabalho e do papel social, que provoca sentimentos de inutilidade, isolamento e vulnerabilidade, especialmente entre homens que enfrentam dificuldades financeiras e perda de autonomia, especialmente em contextos de solidão e luto, presentes na amostra devido à alta taxa de viuvez (40%). 

Os resultados ainda evidenciam que idosos que mantêm laços familiares e comunitários ativos, tiveram menos sintomas depressivos.  Esses elementos funcionam como uma forma de proteção e reinterpretação da vida, permitindo que o idoso preserve seu senso de pertencimento e objetivo na vida. O trabalho do psicólogo na atenção básica e na assistência social deve, então, priorizar ações que fortaleçam a rede de apoio, ofereçam escuta qualificada e estimulem a participação social.

Embora os dados tenham sido coletados sem a realização de entrevistas gravadas, eles fornecem subsídios importantes para compreender a saúde mental dos idosos.  Eles destacam a importância de intervenções psicossociais contínuas e integradas, que levem em conta os aspectos subjetivos e relacionais a velhice, ajudando a promover um envelhecimento saudável e com qualidade de vida. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na região sul de Palmas-TO, os idosos apresentaram de forma significativa sintomas depressivos, sobretudo em níveis leves a moderados. Estes resultados ressaltam a importância de uma abordagem abrangente da saúde mental do idoso, levando em conta os diversos fatores que afetam esses processos, como a perda do cônjuge, doenças crônicas, renda limitada, solidão e a fragilidade das relações familiares e comunitárias. Estes elementos formam um panorama complexo que demanda um esforço conjunto entre os diversos setores das políticas públicas.

A função do CRAS Karajá I como um local de acolhimento, escuta e fortalecimento de vínculos foi essencial para que se identificassem precocemente sinais de sofrimento psíquico e para o cuidado com o bem-estar emocional dos idosos que participaram. A pesquisa enfatiza a necessidade de um trabalho conjunto entre Psicologia, Saúde e Assistência Social para desenvolver estratégias intersetoriais que visem à prevenção e promoção da saúde mental.  É fundamental investir na formação contínua das equipes multiprofissionais e na organização dos serviços para que as ações junto à população idosa sejam mais amplas e eficazes.

Os resultados ainda destacam a função indispensável do psicólogo na atenção básica e na rede socioassistencial, como mediador do cuidado e facilitador de laços comunitários.  Identificar precocemente sintomas depressivos deve direcionar ações preventivas, como grupos de convivência terapêutica, atividades intergeracionais, oficinas de ressignificação da velhice e outras intervenções psicossociais que promovam o envelhecimento ativo e a autonomia. Elas ajudam a tornar a velhice uma fase produtiva, relevante e integrada socialmente.

Este trabalho enriquece a literatura regional ao apresentar um primeiro olhar sobre a saúde mental dos idosos em Palmas-TO, área ainda não muito investigada nas pesquisas locais. Os dados obtidos podem servir de base para o planejamento de políticas públicas e para o desenvolvimento de estratégias de cuidado que integrem os setores da Saúde, Assistência Social e Psicologia, a fim de fortalecer a rede de proteção e cuidado ao idoso. Ainda que a falta de gravações das entrevistas represente uma limitação na metodologia, o trabalho se torna relevante para a Psicologia da Saúde, especialmente ao indicar direções para futuras intervenções e aprimoramento dos serviços destinados a esse público.  É aconselhável que futuras pesquisas ampliem tanto o alcance quanto a profundidade do estudo, utilizando amostras maiores e empregando metodologias mistas (tanto quantitativas quanto qualitativas), o que permitirá uma compreensão mais profunda dos fatores psicossociais relacionados à depressão na terceira idade e ajudará a melhorar as políticas públicas de saúde mental na cidade.

REFERÊNCIAS 

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MINAYO, Maria Cecília de Souza et al. Tendência da mortalidade por suicídio na população brasileira e idosa, 1980-2006. Revista de Saúde Pública, v. 46, p. 300-309, 2012.

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1Acadêmico de Psicologia do Centro Universitário Católica do Tocantins. Orcid ID: https://orcid.org/0009-0009-2910-5870. E-mail: jose.aguiar0493@gmail.com.
²Professora do curso de psicologia do UniCatólica do Tocantins. Mestranda em Ciências da Saúde. Universidade Federal do Tocantins – UFT. Especialista em Saúde da Família e Comunidade. Programa Integrado de Residências Multiprofissionais da Fundação Escola de Saúde Pública-FESP. Especialista em Saúde Mental. Programa Integrado de Residências Multiprofissionais da Fundação Escola de Saúde Pública-FESP. Especialista em Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Hospital Sírio Libanês. Orcid ID: https://orcid.org/0000-00015964-0959.