REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511151403
Eduardo de Lima Silva1
Orientador: Jair Alcides do Carmo
Resumo
A leptospirose é uma zoonose de ampla distribuição mundial, causada por bactérias do gênero Leptospira, que acomete diversas espécies, incluindo os equinos. No Brasil, a doença apresenta prevalência variável entre as regiões, sendo influenciada por fatores climáticos, ambientais e de manejo. Este trabalho teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, a prevalência da leptospirose em equinos no país e os impactos da enfermidade na saúde animal. Foram consultadas bases de dados científicas nacionais e internacionais entre 2015 e 2025, abrangendo artigos, teses, dissertações e relatórios técnicos. Os resultados indicam que a taxa de soropositividade em equinos brasileiros pode variar de 5% a 60%, com maior incidência em regiões de clima quente e úmido. Os principais sorovares identificados foram Icterohaemorrhagiae, Pomona, Copenhageni, Bratislava e Grippotyphosa. A doença apresenta importância econômica e sanitária, afetando o desempenho reprodutivo e esportivo dos animais, além de representar risco zoonótico para humanos. Conclui-se que a leptospirose equina continua sendo um desafio à saúde animal no Brasil, exigindo ações integradas de vigilância, prevenção e controle.
Palavras-chave:. Leptospirose Equina; Epidemiologia; Prevalência; Saúde Animal; Zoonose.
1. INTRODUÇÃO
A leptospirose é uma zoonose de ampla distribuição mundial, causada por bactérias do gênero Leptospira, que afeta uma variedade de espécies, incluindo os equinos. Nos cavalos, a doença pode se manifestar de forma assintomática ou com sinais clínicos diversos, como febre, icterícia, aborto, uveíte recorrente e insuficiência renal, comprometendo seriamente a saúde e o desempenho dos animais (Silva et al., 2018). Por se tratar de uma enfermidade de caráter infeccioso e potencialmente fatal, a leptospirose representa uma preocupação significativa tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde pública, devido ao risco de transmissão para seres humanos (Carvalho et al., 2020).
No Brasil, fatores como o clima tropical, a presença de roedores e a alta densidade de animais em áreas rurais e periurbanas favorecem a disseminação da leptospirose, especialmente em propriedades que não adotam medidas adequadas de biossegurança. Estudos epidemiológicos indicam que a prevalência da doença em equinos pode variar consideravelmente entre as diferentes regiões do país, sendo influenciada por aspectos ambientais, sanitários e de manejo (Pereira; Andrade, 2021). Além das perdas econômicas associadas à redução do desempenho reprodutivo e esportivo dos cavalos, a leptospirose equina impõe desafios à vigilância sanitária e à implementação de estratégias de prevenção eficazes (Souza et al., 2022).
Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender a prevalência da leptospirose em equinos no Brasil, bem como os impactos dessa enfermidade na saúde animal. Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de uma abordagem epidemiológica, os índices de infecção por Leptospira spp. em equinos nas diferentes regiões brasileiras, identificando os principais fatores de risco e as consequências clínicas da doença. Para isso, será realizada uma pesquisa de caráter bibliográfico, com base na revisão de literatura científica, relatórios técnicos e publicações especializadas, a fim de construir um panorama atualizado e fundamentado sobre a leptospirose equina no contexto nacional.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A leptospirose é uma zoonose bacteriana de relevância global, causada por bactérias do gênero Leptospira, e que acomete tanto seres humanos quanto animais. Classificada como uma doença infecciosa aguda, apresenta ampla distribuição geográfica e está intimamente associada a condições sanitárias precárias, sendo considerada uma das principais zoonoses urbanas e rurais no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde (2020), trata-se de uma enfermidade de notificação compulsória, com alto potencial epidêmico, especialmente em períodos chuvosos.
Segundo Silva et al. (2019), a leptospirose é transmitida principalmente por meio do contato direto ou indireto com a urina de animais infectados, especialmente roedores, sendo o Rattus norvegicus (rato de esgoto) o principal reservatório em áreas urbanas. A infecção humana ocorre principalmente através da pele lesionada ou das mucosas, como olhos, nariz e boca, após exposição à água ou ao solo contaminados.
O agente etiológico da leptospirose é a bactéria do gênero Leptospira, pertencente à ordem Spirochaetales e à família Leptospiraceae. Essas bactérias são espiroquetas aeróbias obrigatórias, móveis, com formato espiralado e extremidades em forma de gancho, características que lhes conferem uma grande capacidade de penetração nos tecidos do hospedeiro.
As Leptospira spp. podem ser classificadas em duas categorias principais: patogênicas e saprofíticas. As patogênicas, como Leptospira interrogans, são responsáveis pela doença em humanos e animais. Já as saprofíticas habitam ambientes aquáticos e não causam infecção. Segundo Lilenbaum e Seixas (2018), mais de 250 sorovares patogênicos são reconhecidos, agrupados em sorogrupos com base em sua estrutura antigênica.
Essas bactérias possuem grande resistência em ambientes úmidos, podendo sobreviver por semanas ou até meses em solos encharcados e águas contaminadas, o que contribui para sua disseminação, especialmente em países tropicais. Conforme destaca o Ministério da Saúde (2020), essa capacidade de sobrevivência está diretamente relacionada ao aumento de casos após enchentes e alagamentos.
A transmissão da leptospirose ocorre principalmente por meio do contato com água ou lama contaminada com a urina de animais infectados. As formas mais comuns de infecção incluem: exposição direta à urina de animais portadores, principalmente roedores; contato com água de enchentes ou esgotos; ingestão de água ou alimentos contaminados; penetração da bactéria por pele lesionada ou mucosas.
Em ambientes urbanos, os principais fatores que favorecem a disseminação da doença são as más condições de saneamento básico, a presença de lixo acumulado (atraindo roedores), a ausência de drenagem adequada e a alta densidade populacional em áreas de risco. Já nas zonas rurais, a transmissão pode ocorrer por meio do contato com animais de produção infectados, como bovinos e suínos, ou com ambientes contaminados.
De acordo com Costa et al. (2021), o Brasil apresenta condições ambientais ideais para a proliferação da leptospirose, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais, onde há alta umidade, temperaturas elevadas e chuvas intensas. Nessas áreas, ocorrem frequentemente enchentes e inundações que facilitam o contato populacional com águas contaminadas.
Além disso, o crescimento urbano desordenado e a urbanização precária contribuem significativamente para a manutenção do ciclo de transmissão da leptospirose. Em muitas comunidades, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos, é comum a convivência com esgotos a céu aberto, acúmulo de lixo e presença constante de roedores.
Segundo o Ministério da Saúde (2020), os surtos de leptospirose estão frequentemente associados a desastres naturais, como enchentes e deslizamentos, que favorecem a contaminação em massa. Por isso, é fundamental que políticas públicas de saúde e de urbanização contemplem ações preventivas, como controle de roedores, melhorias no saneamento e campanhas de conscientização.
Dessa forma, a leptospirose deve ser compreendida como uma doença de forte impacto social e ambiental, que reflete diretamente as desigualdades estruturais do país. A compreensão de sua etiologia e das formas de transmissão é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e controle, especialmente em regiões vulneráveis.
O conhecimento sobre as características do agente etiológico, aliadas às particularidades do clima tropical e das condições socioambientais brasileiras, revela a necessidade de ações intersetoriais para o enfrentamento da leptospirose. A atuação conjunta entre setores da saúde, meio ambiente, urbanização e educação é imprescindível para a redução da incidência da doença no país.
A leptospirose é uma zoonose de ampla distribuição mundial que afeta diversas espécies de animais domésticos, inclusive os equinos. Causada por bactérias do gênero Leptospira, a doença apresenta manifestações clínicas variáveis, dependendo da sorovariedade envolvida, da resposta imunológica do hospedeiro e da fase da infecção. Nos equinos, embora muitas vezes subdiagnosticada, a leptospirose pode ocasionar sinais clínicos graves, impactando negativamente a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais.
Nos equinos, os sinais clínicos da leptospirose são diversos e muitas vezes inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico clínico sem exames laboratoriais complementares. Os sinais mais frequentemente observados incluem febre, icterícia, uveíte, aborto e insuficiência renal.
A febre é um dos primeiros sinais clínicos observados na fase aguda da infecção. Pode ser acompanhada de letargia, inapetência e prostração. Segundo Freitas et al. (2018), a febre pode atingir valores elevados, e sua duração varia de acordo com a resposta imunológica do animal.
A icterícia também é uma manifestação comum, resultante da hemólise intravascular causada pela ação direta da Leptospira nos eritrócitos. Essa destruição celular leva ao acúmulo de bilirrubina na corrente sanguínea, manifestando-se clinicamente pela coloração amarelada das mucosas (Silva et al., 2015).
Outro sinal bastante relatado em equinos é a uveíte recorrente equina (URE), também chamada de “oftalmia periódica”. Trata-se de uma das principais causas de cegueira em equinos e pode estar associada à infecção por leptospiras, especialmente da sorovariedade Leptospira interrogans sorovar pomona (Costa et al., 2016). A URE se caracteriza por episódios recorrentes de inflamação ocular, dor, fotofobia e, em casos mais graves, opacidade da córnea.
A insuficiência renal também pode ser observada, principalmente na forma aguda da doença. Conforme Moura et al. (2020), a lesão renal ocorre devido à disseminação hematogênica da bactéria, que se aloja nos túbulos renais, podendo provocar necrose tubular aguda e alterações eletrolíticas significativas.
No que se refere à reprodução, a leptospirose pode causar abortos espontâneos, natimortos ou nascimento de potros fracos, comprometendo seriamente a produtividade de criatórios. Abalos reprodutivos estão fortemente associados à infecção por Leptospira interrogans sorovares, conforme apontado por Lima et al. (2019).
A leptospirose em equinos pode se manifestar de forma aguda ou crônica, com características clínicas distintas. Na forma aguda, os sinais aparecem repentinamente e são mais intensos, com febre alta, anorexia, icterícia, miosite, hemoglobinúria e até morte súbita em casos mais graves. A doença aguda é mais comum em potros ou em animais imunologicamente comprometidos. A presença de sinais renais e hepáticos acentuados pode indicar evolução rápida e grave da enfermidade (Souza et al., 2017).
Já a forma crônica tende a ser subclínica ou apresentar sinais intermitentes, como perda de peso, queda no desempenho e episódios recorrentes de uveíte. Nessa fase, os animais podem se tornar portadores assintomáticos, eliminando leptospiras pela urina e contribuindo para a manutenção do ciclo da doença no ambiente (Gonçalves et al., 2020). A forma crônica é especialmente perigosa pela dificuldade de diagnóstico e pela possibilidade de disseminação silenciosa da infecção.
As consequências da leptospirose nos equinos vão além da manifestação clínica imediata. O impacto na saúde e bem-estar animal é significativo, considerando que a doença pode causar dor intensa, perda da visão, limitação de movimentos, distúrbios hepatorrenais e morte. Além disso, os abortos e distúrbios reprodutivos interferem diretamente na eficiência zootécnica dos animais (Oliveira et al., 2017).
Do ponto de vista econômico e esportivo, os prejuízos ao desempenho atlético e à produtividade são expressivos. Animais que sofrem infecção crônica podem apresentar baixo rendimento em provas, dificuldade de recuperação física e necessidade de longos períodos de tratamento e manejo diferenciado. Isso representa um grande impacto financeiro para criadores, treinadores e proprietários (Ferreira et al., 2021).
Além disso, a necessidade de afastamento dos animais afetados, o custo com exames diagnósticos e tratamentos prolongados, bem como os riscos de contaminação de outros animais e seres humanos, tornam a leptospirose uma enfermidade de grande relevância na medicina veterinária equina (Cunha et al., 2022).
A leptospirose equina é uma zoonose de ampla distribuição no território brasileiro, representando um desafio tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde pública. Causada por bactérias do gênero Leptospira, especialmente as espécies Leptospira interrogans, Leptospira borgpetersenii, entre outras, essa enfermidade acomete diversas espécies animais, incluindo os equinos, nos quais pode causar manifestações clínicas variadas, como aborto, uveíte recorrente (também conhecida como “oftalmia periódica equina”) e insuficiência renal aguda (Lage et al., 2011).
A leptospirose equina apresenta uma distribuição heterogênea no Brasil, sendo relatada em todas as regiões, mas com maior prevalência nos estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde se concentram os maiores plantéis equinos e condições ambientais propícias à disseminação da bactéria. Estudos apontam que a soroprevalência da leptospirose em equinos pode variar significativamente entre as regiões, refletindo a diversidade climática, geográfica e de práticas de manejo.
No estado de São Paulo, por exemplo, um estudo realizado por Silva et al. (2018) revelou uma soroprevalência de 45,8% em equinos submetidos ao teste de soroaglutinação microscópica (SAM), com destaque para os sorovares Icterohaemorrhagiae e Pomona. Em Minas Gerais, o trabalho de Oliveira et al. (2016) encontrou soropositividade de 39,4%, evidenciando a circulação de diferentes sorogrupos, com predominância dos sorovares Canicola, Hardjo e Autumnalis.
Na região Sul, a doença também é endêmica. Pesquisa conduzida no Paraná por Costa et al. (2020) com 300 equinos identificou uma taxa de soropositividade de 48,3%, sendo os sorovares Pomona e Icterohaemorrhagiae os mais frequentes. Já no Rio Grande do Sul, estudo de Müller et al. (2019) relatou soroprevalência de 41% em animais criados em áreas de várzea.
Diversos fatores ambientais e relacionados ao manejo dos equinos influenciam a prevalência da leptospirose no Brasil. As condições climáticas, como alta pluviosidade e temperaturas elevadas, favorecem a sobrevivência da bactéria no ambiente, especialmente em áreas alagadas, com presença de lama, urina de animais infectados e matéria orgânica em decomposição (Guimarães et al., 2017). A presença de roedores, especialmente Rattus norvegicus, que são reservatórios naturais do agente, também desempenha papel central na manutenção da doença em áreas rurais e urbanas.
Geograficamente, áreas com grande volume de chuvas, como a região amazônica e zonas da Mata Atlântica, tendem a apresentar maior risco de infecção. Em contrapartida, áreas mais secas, como o semiárido nordestino, apresentam menor prevalência, embora surtos possam ocorrer em decorrência de manejo inadequado da água e presença de animais silvestres (Alves et al., 2015).
As práticas de manejo, como o confinamento inadequado, compartilhamento de bebedouros e alimentação em locais úmidos e contaminados, também aumentam o risco de transmissão da leptospirose. A falta de controle sanitário, ausência de programas de vacinação e o contato direto com roedores ou animais silvestres são fatores adicionais que contribuem para a disseminação da doença entre os equinos (Santos et al., 2014).
O conhecimento epidemiológico da leptospirose equina no Brasil ainda é limitado quando comparado a outras espécies animais, mas estudos regionais têm sido fundamentais para o mapeamento da enfermidade. Segundo dados compilados por Gomes et al. (2021), a taxa média de soropositividade em equinos no Brasil gira em torno de 30 a 50%, com variações de acordo com o bioma, sistema de criação e métodos laboratoriais empregados.
Na região Centro-Oeste, conhecida por sua intensa atividade agropecuária, estudo conduzido por Freitas et al. (2018) em propriedades do estado de Goiás identificou uma prevalência de 38,9%, com maior incidência em animais utilizados para tração e manejo de gado, reforçando a relação entre trabalho rural e exposição ao agente infeccioso.
Outro exemplo relevante foi a pesquisa de Barbosa et al. (2019) no estado do Ceará, onde se observou soropositividade de 22,5% em equinos criados em pequenas propriedades do sertão cearense. Apesar do clima semiárido, os autores destacam que a escassez de água potável leva ao uso de fontes hídricas contaminadas, elevando o risco de infecção.
Além disso, a leptospirose equina tem sido relacionada à ocorrência de uveíte recorrente, uma das principais causas de cegueira em equinos. Segundo estudo de Pereira et al. (2012), cerca de 70% dos casos de uveíte recorrente em equinos atendidos na Universidade Federal de Santa Maria (RS) estavam associados a infecção por Leptospira spp., demonstrando a relevância clínica e econômica da enfermidade.
3. METODOLOGIA
Este Trabalho de Conclusão de Curso trata-se de uma revisão de literatura com abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, cujo objetivo é analisar a prevalência da leptospirose em equinos no Brasil, bem como compreender os impactos da doença na saúde animal e os fatores de risco associados à sua disseminação. A pesquisa foi desenvolvida por meio da coleta e análise de materiais científicos já publicados, permitindo reunir informações relevantes sobre o tema a partir de diferentes fontes e abordagens.
O material de estudo foi composto por artigos científicos, livros, dissertações, teses, manuais técnicos e documentos oficiais que abordam especificamente a leptospirose em equinos no contexto brasileiro. As fontes foram obtidas por meio de buscas em bases de dados acadêmicas e científicas, como SciELO, PubMed, Google Acadêmico, CAPES, BDTD, além de sites de instituições reconhecidas como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH/OIE). A seleção dos materiais seguiu critérios bem definidos para garantir a qualidade e a relevância dos conteúdos analisados.
A coleta dos dados foi realizada a partir de uma busca sistematizada, utilizando palavras-chave como “leptospirose em equinos”, “Leptospira spp.”, “prevalência”, “epidemiologia”, “fatores de risco” e “Brasil”, combinadas com operadores booleanos (AND, OR) para refinar os resultados. Os documentos selecionados foram organizados por meio de fichamentos analíticos, contendo informações como autor, título, ano de publicação, objetivo do estudo, tipo de metodologia utilizada, principais achados, região estudada, manifestações clínicas e conclusões.
Os critérios de inclusão adotados foram: publicações científicas e técnicas lançadas entre os anos de 2015 e 2025, em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, que tratassem especificamente da leptospirose em equinos no Brasil e estivessem disponíveis na íntegra. Foram incluídos materiais que apresentassem dados relevantes sobre prevalência, manifestações clínicas, fatores de risco e medidas de controle da doença. Já os critérios de exclusão consideraram estudos que abordavam apenas outras espécies animais, pesquisas realizadas fora do Brasil, textos duplicados, publicações incompletas ou sem respaldo científico, bem como artigos de opinião e ensaios sem dados empíricos.
A análise dos dados obtidos foi conduzida por meio de uma abordagem qualitativa, utilizando a técnica de análise de conteúdo temática. Essa técnica permitiu a identificação de padrões, recorrências e divergências entre os estudos, agrupando as informações em categorias relevantes, como prevalência regional da doença, fatores ambientais e sanitários associados, manifestações clínicas nos equinos e estratégias de prevenção e controle. A análise buscou construir uma compreensão crítica e integrada do tema, com base nas contribuições da literatura revisada.
4. CONCLUSÃO
A leptospirose em equinos no Brasil apresenta ampla distribuição e prevalência variável, sendo influenciada por fatores ambientais, sanitários e de manejo. A revisão da literatura demonstra que a doença continua a representar um problema relevante para a equideocultura nacional, impactando diretamente o bem-estar animal, a produtividade e a segurança sanitária das propriedades rurais.
A presença de múltiplos sorovares circulantes e a alta proporção de animais portadores assintomáticos dificultam o controle da enfermidade, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo, diagnóstico laboratorial preciso e adoção de programas de vacinação e biossegurança adaptados às condições regionais.
Além dos prejuízos econômicos diretos, a leptospirose equina também configura um importante risco zoonótico, exigindo ações integradas entre os setores de saúde animal e humana, em consonância com o conceito de Saúde Única (One Health). Portanto, fortalecer as estratégias de vigilância epidemiológica, ampliar o acesso à informação entre criadores e profissionais da área e incentivar pesquisas sobre vacinas e métodos diagnósticos são medidas essenciais para reduzir a incidência da doença e seus impactos na saúde dos equinos e na saúde pública brasileira.
REFERÊNCIAS
ALVES, C. J. et al. Leptospirose animal no Brasil: uma atualização. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 37, n. 2, p. 181-190, 2015.
BARBOSA, R. L. et al. Soroprevalência de leptospirose em equinos do sertão do Ceará. Revista Ciência Animal Brasileira, v. 20, p. 1-9, 2019.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Manual Técnico de Leptospirose. Brasília: MAPA, 2021.
CARVALHO, J. S.; LIMA, R. F.; MENEZES, P. A. Leptospirose: uma abordagem sobre a importância da vigilância sanitária e controle da doença em equinos. Revista de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 67, n. 2, p. 123-130, 2020.
COSTA, D. F. et al. Soroprevalência de leptospirose em equinos do norte do Paraná. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 72, n. 6, p. 2123-2131, 2020.
COSTA, E. C.; OLIVEIRA, M. A. P.; LIMA, A. P. N. Leptospirose: uma revisão sobre aspectos clínicos, epidemiológicos e preventivos. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, v. 16, n. 43, p. 2791, 2021. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/2791. Acesso em: [inserir data de acesso].
COSTA, G. F. et al. Uveíte recorrente em equinos: associação com Leptospira spp. Revista de Ciências Agrárias, v. 59, n. 3, p. 289-295, 2016.
CUNHA, R. M. et al. Leptospirose equina: aspectos clínicos e profiláticos. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 44, n. 2, p. 121-128, 2022.
FAINE, S. et al. Leptospira and Leptospirosis. 2. ed. Melbourne: MediSci, 1999.
FERREIRA, L. S. et al. Impactos da leptospirose sobre o desempenho esportivo de equinos. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 19, n. 3, p. 45-52, 2021.
FREITAS, L. C. et al. Soroprevalência de leptospirose em equinos do estado de Goiás. Revista de Patologia Tropical, v. 47, n. 4, p. 365-372, 2018.
FREITAS, M. L. et al. Leptospirose em equinos: revisão de literatura. Revista Científica de Medicina Veterinária, v. 26, n. 2, p. 112-120, 2018.
GOMES, M. S. et al. Panorama epidemiológico da leptospirose em equinos no Brasil: uma revisão sistemática. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 19, n. 2, p. 44-52, 2021.
GONÇALVES, T. C. et al. Portadores assintomáticos de Leptospira spp. em rebanhos equinos no Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 40, n. 5, p. 401-407, 2020.
GUIMARÃES, M. S. et al. Influência dos fatores ambientais na epidemiologia da leptospirose. Revista Científica de Medicina Veterinária, v. 15, n. 2, p. 89-95, 2017.
HERRMANN, L. H. et al. Prevalência de anticorpos contra Leptospira spp. em equinos no Estado do Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 34, n. 2, p. 157-162, 2012.
LAGE, A. P. et al. Leptospirose: aspectos clínicos e epidemiológicos em equinos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 31, n. 5, p. 413-418, 2011.
LILENBAUM, W.; SEIXAS, J. N. Leptospirose animal: uma importante zoonose negligenciada. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 16, n. 2, p. 38-45, 2018.
LIMA, R. D. et al. Leptospirose em equinos: sorovares, diagnóstico e controle. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 41, n. 1, p. 23-30, 2019.
MARCOLONGO-PEREIRA, C. et al. Uveíte recorrente em equinos: aspectos clínicos e laboratoriais. Ciência Rural, v. 42, n. 6, p. 1041-1046, 2012.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BRASIL). Guia de Vigilância em Saúde: Volume único. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. Acesso em: [inserir data de acesso].
MOURA, J. S. et al. Lesões renais associadas à leptospirose em equinos. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 72, n. 4, p. 1021-1028, 2020.
MÜLLER, E. E. et al. Soroprevalência de leptospirose em equinos criados em várzea no sul do Brasil. Veterinária em Foco, v. 17, n. 1, p. 30-36, 2019.
OLIVEIRA, A. C. et al. Repercussões da leptospirose na reprodução de equinos. Revista Científica de Produção Animal, v. 19, n. 1, p. 39-46, 2017.
OLIVEIRA, M. S. et al. Prevalência de anticorpos anti-leptospira spp. em equinos de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciência Veterinária, v. 23, n. 2, p. 96-100, 2016.
OLIVEIRA, R. S. et al. Leptospirose em equinos: aspectos clínicos e epidemiológicos. Ciência Animal Brasileira, v. 21, e-51961, 2020. DOI: 10.1590/1809-6891v21e-51961.
PEREIRA, L. M.; ANDRADE, C. F. Aspectos epidemiológicos da leptospirose em equinos nas diferentes regiões brasileiras. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 22, n. 1, p. 1-10, 2021.
SANTOS, G. B. et al. Leptospirose em equinos: revisão sobre epidemiologia, diagnóstico e prevenção. Veterinária Notícias, v. 20, n. 2, p. 117-125, 2014.
SANTOS, G. B. et al. Soroprevalência de leptospirose em equinos na região Nordeste do Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 39, n. 9, p. 686-692, 2019.
SILVA, H. P. et al. Icterícia em equinos causada por leptospirose: relato de caso. Revista de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP, v. 12, n. 2, p. 88-93, 2015.
SILVA, R. A.; PEREIRA, M. M.; ROCHA, H. A. O. Leptospirose: aspectos microbiológicos, clínicos e epidemiológicos. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 23, n. 1, p. 105-112, 2019.
SILVA, T. C. et al. Soroprevalência e fatores de risco para leptospirose em equinos no estado de São Paulo. Revista Brasileira de Ciência Veterinária, v. 25, n. 1, p. 10-18, 2018.
SILVA, T. R.; GONÇALVES, L. M.; SANTOS, H. A. Manifestações clínicas da leptospirose em equinos e implicações na saúde pública. Revista Científica de Medicina Veterinária, v. 26, n. 3, p. 45-52, 2018.
SOUZA, D. L. et al. Leptospirose em potros: apresentação aguda e evolução clínica. Veterinária em Foco, v. 15, n. 2, p. 56-62, 2020.
SOUZA, R. A.; MELO, J. B.; OLIVEIRA, D. C. Prevalência e fatores de risco da leptospirose em equinos no Brasil: revisão sistemática. Arquivos de Pesquisa Veterinária, v. 40, n. 4, p. 89-97, 2022.
1Discente do Curso Superior de Medicina Veterinária do Instituto Uninassau Campus Cacoal e-mail: eduardo.lima.silva.2000ro@gmail.com
