NURSING PRECEPTORSHIP IN THE MOBILE EMERGENCY SERVICE RESIDENCY PROGRAM
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510190923
Priscila Ferraz Silva1
Lenilda Austrilino2
RESUMO
A área de Urgência e Emergência constitui um componente estratégico da assistência em saúde, organizada em rede que integra os níveis pré-hospitalar, hospitalar e pós- hospitalar. O Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU) representa o principal recurso do componente móvel, caracterizado por dinamismo e complexidade. Entretanto, a formação na graduação de enfermagem ainda se mostra insuficiente para a atuação nesse cenário, o que torna essencial a capacitação por meio de treinamento em serviço em Urgência e da prática preceptora. Objetivo: Identificar as percepções dos enfermeiros durante o processo de preceptoria em Enfermagem no contexto do SAMU. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório. Os participantes foram enfermeiros atuantes nos cenários de rodízio do residente de Enfermagem em Emergência, durante o período de especialização no ambiente pré-hospitalar móvel. A coleta de dados ocorreu por questionário, sendo os resultados tratados por meio da análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Os participantes, em sua maioria, tinham entre 41 e 50 anos, com graduação concluída em 2011 e 2020, experiência de 6 a 10 anos e especialização predominante em emergência. O vínculo mais comum foi o estatutário. Como características singulares do SAMU, destacou-se o dinamismo do serviço. Entre as dificuldades, emergiram a ausência de comunicação entre coordenações, carência de formação pedagógica para atuação como preceptor e falta de incentivo financeiro. As potencialidades relacionaram-se ao crescimento e atualização profissional mútuos. No processo relacional, os enfermeiros apontaram a necessidade de ampliar os momentos de feedback e de obter reconhecimento profissional enquanto formadores. Conclusão: A prática preceptora no SAMU demanda um perfil singular, pautado por agilidade, flexibilidade, competência clínica ampliada e sensibilidade pedagógica. Exige do preceptor a habilidade de integrar o residente em situações críticas, identificar oportunidades formativas em ambiente adverso e manter disposição para aprender junto, mesmo sob intensa pressão.
Palavras-chave: Preceptor, Residência, Emergência, Ensino.
Abstract
The Emergency Care area is a strategic component of healthcare, organized as a network that integrates the pre-hospital, hospital, and post-hospital levels. The Mobile Emergency Care Service (SAMU) represents the main resource of this mobile component, characterized by its dynamism and complexity. However, undergraduate nursing training remains insufficient for working in this setting, making training through in-service training in Emergency Care and preceptorship essential. Objective: To identify nurses’ perceptions during the nursing preceptorship process in the context of SAMU (Mobile Emergency Care Unit). Methodology: This is a qualitative, descriptive, and exploratory study. Participants were nurses working in Emergency Nursing resident rotation settings during their specialization period in the mobile prehospital environment. Data collection was performed using a questionnaire, and the results were analyzed using Bardin’s content analysis. Results: The majority of participants were between 41 and 50 years old, with undergraduate degrees completed between 2011 and 2020, six to ten years of experience, and a predominant specialization in emergency services. The most common employment status was statutory. SAMU’s unique characteristics included its dynamism. Among the challenges identified were a lack of communication between coordinators, a lack of pedagogical training for preceptors, and a lack of financial incentives. The potential was related to mutual professional growth and development. In the relationship process, nurses highlighted the need for increased feedback opportunities and professional recognition as educators. Conclusion: Preceptorship at SAMU demands a unique profile, characterized by agility, flexibility, enhanced clinical competence, and pedagogical sensitivity. It requires the preceptor to integrate residents in critical situations, identify training opportunities in challenging environments, and maintain a willingness to learn collaboratively, even under intense pressure.
Descriptors: Preceptor, Residency, Emergency, Teaching
Introdução
A área de Urgência e Emergência constitui-se em um importante componente da assistência à saúde. A crescente demanda por serviços nesta área nos últimos anos têm contribuído decisivamente para a sobrecarga destas unidades, constituindo em uma problemática do sistema de saúde (Brasil, 2004).
A estrutura da rede assistencial dos serviços de saúde engloba o Pré-hospitalar (fixo e móvel), o Hospitalar e o Pós-hospitalar. A Portaria 2048/2002 dispões sobre o regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergência contemplando: o plano estadual de atendimento às urgências; a regulação médica das urgências; o atendimento pré-hospitalar fixo e móvel; o atendimento hospitalar; as transferências inter-hospitalares; e os núcleos de educação em urgências (Brasil, 2002).
A rede Pré-hospitalar em seu componente fixo é formada pelas Unidades de Saúde da Família, unidades básicas de saúde, unidades não hospitalares, Policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA). O componente móvel é composto pelo Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU), ambulâncias de resgate e ambulâncias do setor privado (Brasil, 2012).
Neste processo de consolidação da Política Nacional de Atenção às Urgências a atuação dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência é fundamental para envolver toda a rede assistencial, desde a pré-hospitalar até a hospitalar. Estes diferentes níveis de atenção devem relacionar-se de forma complementar por meio de mecanismos organizados e regulados de referência e contrarreferência, sendo de fundamental importância que cada serviço se reconheça como parte integrante deste Sistema (Brasil, 2006).
É relevante que os profissionais envolvidos no atendimento pré-hospitalar estejam aptos para esta atuação, no que diz respeito à capacitação e habilitação uma vez que a atenção dada nos cursos de graduação na área de emergência ainda é muito insuficiente. Os Núcleos de Educação em Urgência visam promover a capacitação destes profissionais através de programas de formação e educação continuada na forma de treinamento em serviço para que todos os profissionais envolvidos possuam uma certificação inicial mínima para o desempenho de suas atividades (Brasil, 2012).
Outrossim a Resolução do COFEN 300/2005 que dispõe sobre a atuação do profissional de enfermagem no ambiente pré-hospitalar ressalta que esta assistência necessita está alicerçada em protocolo técnicos específicos. A qualificação dos profissionais de enfermagem é imprescindível para que as vítimas de acidentes sejam atendidas por profissionais dotados de competência técnica e emocional, capazes de tomar decisões seguras, rápidas e precisas (Cofen, 2005)
Sendo assim, cada vez mais busca-se por colocar no mercado de trabalho profissionais mais capacitados, na qual a modalidade residência ganha destaque em se tratando de formação em saúde a fim de promover mudanças no modelo médico- assistencial. Em pesquisa recente, destaca que essas mudanças visam aproximar a teoria e a prática, articulando o ensino com o serviço a fim de edificar os conhecimentos exigidos por um serviço específico, no cotidiano do próprio serviço (Souza e Ferreira,2019).
A residência multiprofissional em saúde (RMS) é uma modalidade de especialização lato sensu instituída a partir da promulgação da Lei n° 11.129 de 2005 que tem como principal característica a formação em serviço, com 60 horas de carga horária semanal destinadas às atividades práticas e teórico-práticas e duração de 24 meses (Brasil, 2006).
Nesse sentido, a possibilidade de formação em serviço busca a produção do conhecimento através da vivência diária dos profissionais para aperfeiçoar a qualidade do atendimento ao usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) (Arnemann et al,2021).
A modalidade de Residência em Enfermagem aconteceu em 1976 na Escola Pública do Rio Grande do Sul (ESP/RS) na qual foi a primeira a sediar essa modalidade de ensino pela Residência Multiprofissional de Saúde, no entanto na certificação não constava o título. Somente a partir da década de 90 é que surgem os programas Uniprofissionais e, com eles, os programas em enfermagem com titulação de residência providas por um hospital executante e uma instituição de ensino superior (IES) concedendo a chancela (Silva, 2018).
Entre as modalidades de residência em enfermagem temos uniprofissional e multiprofissional, esta direcionada a formação integrada de várias profissões da saúde que atuam em conjunto. A uniprofissional destaca a formação especializada para uma única categoria profissional. Sendo a residência em enfermagem pré-hospitalar uma residência uniprofissional.
A Residência em Enfermagem possibilita a aquisição de maior segurança profissional e qualifica o enfermeiro para intervir de forma a atender as necessidades de saúde da população. Portanto, além de formar profissionais qualificados para atuação no SUS, incentiva a incorporação do meio científico na prática diária do residente através do estímulo de pesquisas cientificas (Silva, 2018).
Para a consolidação dessa proposta de especialização lato sensu através da formação em serviço, alguns atores são fundamentais nesse processo, dentre eles, o preceptor e o próprio residente. Sem um adequado direcionamento, os profissionais residentes ficariam desamparados nos serviços e, acabariam, possivelmente, expostos a uma prática menos qualificada, desaprendendo e ampliando a desilusão quanto ao trabalho na saúde pública (Maroja, Júnior e Noronha, 2020).
Nessa perspectiva, o preceptor se insere como um mediador entre teoria e prática e evidencia a necessidade de se estabelecer relações pedagógicas, ou seja, relações que conduzam a aprendizagem significativa do residente (Maroja, Júnior e Noronha, 2020).
O preceptor é o profissional que participa do processo de formação em saúde ao articular a prática com o conhecimento científico, transformando a vivência do campo profissional em experiências de aprendizagem. Nesse contexto, o exercício da preceptoria, deve estimular a reflexão dos profissionais sobre suas práticas nos espaços de formação e trabalho, pois a presença do ensino nos serviços de saúde gera um potencial questionador sobre as práticas instituídas (Missaka e Ribeiro, 2011)
Segundo (Missaka e Ribeiro, 2011), a preceptoria é considerada como uma atividade de ensino necessária, que favorece um processo de construção de conhecimento mais significativo para a formação humana e profissional. Para tanto, a prática formativa em saúde, exige do preceptor o papel de mediador no processo de formação em serviço, sem deixar de incluir a qualificação pedagógica. (Souza, et, al 2019).
Consequentemente esta pesquisa justifica-se pela necessidade de conhecer melhor o perfil dos preceptores dos residentes em emergência pré hospitalar identificando suas qualificações, suas dificuldades com intuito de contribuir com a melhor formação tanto dos residentes como dos profissionais que atuam na preceptoria, diminuir a distância na relação preceptor –residente , buscar meio de qualificar o trabalho do preceptor e contribuir cada vez com uma melhor assistência de enfermagem com profissionais mais qualificados.
Métodos
O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Alagoas com o número do Parecer:7.418.228.
Trata-se de um estudo de caráter qualitativo, descritivo e exploratório. Possui natureza qualitativa, pois permite descrever os acontecimentos dos sujeitos investigados. (Creswel,2007). Tem como objetivo ser exploratório por querer familiarizar-se com um assunto ainda pouco conhecido ou explorado, na medida em que envolve entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o tema em estudo (Minayo, 2014). Com relação ao tipo de estudo é descritivo, pois o objetivo essencial destes estudos reside no desejo de conhecer a comunidade, seus traços característicos e seus problemas (Trivinos, 1987).
O Estudo ocorreu no período de março a abril de 2025 que teve como local de estudo o Serviço Móvel de Urgência (SAMU-AL). Com os profissionais Enfermeiros que trabalham nos campos de rodízio que o residente de Enfermagem em Emergência atua durante período de especialização.
Foi realizado contato telefônico para saber dia e hora para que o instrumento de coleta de dados fosse entregue. No dia estabelecido era fornecido o instrumento e o pesquisador se mantinha em um local que deixasse o participante a vontade, mas, que caso de dúvida fosse possível esclarecê-las.
Foram incluídos no estudo os Enfermeiros que atuavam por no mínimo 02 anos diretamente com os residentes em formação no Programa de Residência de Enfermagem e que aceitaram participar do estudo assinando termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Os critérios de exclusão foram Enfermeiros em regime de licença ou férias e profissionais que não foi possível contactar após 03 tentativas.
Dos 36 enfermeiros do SAMU 26 atenderam aos critérios de inclusão 06 estavam de férias ou licença do serviço e 02 que não aceitaram participar e não responderam após 3 tentavas de contato.
Para a coleta dados foi realizada uma entrevista utilizando um roteiro semiestruturado contendo 08 perguntas referentes a informações sociodemográfica dos participantes, sobre atuação na preceptoria, as dificuldades e as potencialidades vistas durante o processo de preceptoria, bem como sugestões para melhorar a relação preceptor- residentes mais consistentes.
As informações obtidas foram reescritas e organizadas em categorias as quais foram analisadas utilizando como referencial a análise de conteúdo proposta por Bardin (1979). Segundo sua definição, a análise de conteúdo é:
Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos as condições de produção/ recepção destas mensagens. ( Bradin, 1979, p.42)
Para manter o sigilo os participantes foram identificados por letras seguindo uma sequência numérica.
RESULTADOS
Os Resultados sociodemográficos foram organizados em quadros e os resultados da análise realizadas com as respostas dos participantes foram organizadas em 04 categoriais: Singularidades no serviço de emergência, as dificuldades enfrentadas pelos preceptores, as potencialidades da preceptoria e os desafios na interação entre enfermeiros e residentes durante o programa de residência em emergência.
Dados sociodemográficos dos participantes
Quadro 1- Faixa etária e Sexo

Do estudo participaram 26 profissionais preceptores, com distribuição por faixa etária e sexo dos profissionais envolvidos na preceptoria em enfermagem (Quadro 1) revela uma predominância feminina em todas as categorias analisadas, refletindo a tendência histórica da enfermagem como profissão majoritariamente ocupada por mulheres (Santos et al., 2020).
Houve uma maior concentração entre 41 e 50 anos, isso pode estar relacionado à consolidação da carreira, maior experiência prática e capacidade de orientar novos profissionais.
Quadro 2- Ano de conclusão do curso em Enfermagem

A distribuição dos preceptores de enfermagem segundo o ano de conclusão do curso (Quadro 2) revela que a maioria concluiu a graduação entre os anos de 2011 e 2020 (n=12), esse dado pode refletir mudanças na formação acadêmica, com maior ênfase em competências pedagógicas nos currículos mais recentes, bem como uma inserção precoce desses profissionais em contextos de ensino e aprendizagem no serviço.
Ainda analisando o tempo de formação encontramos a presença de 13 preceptores formados entre 1990 e 2010 o que demonstra a continuidade do envolvimento de profissionais experientes, e que contribuem com a sua expertise acumulada para a formação dos estudantes e para a valorização do conhecimento tácito na prática clínica.
A coexistência de diferentes gerações no exercício da preceptoria enriquece o processo formativo ao integrar vivências práticas diversas e perspectivas intergeracionais, conforme defendido por Oliveira et al (2021), que destacam a importância do diálogo entre experiência e inovação no campo da educação em saúde.
Quadro 3 – Tempo de preceptoria no serviço

A análise da Quadro 3 “tempo de preceptoria” revela que a maioria dos participantes da pesquisa atua como preceptor há 6 e 10 anos (n=15), enquanto 10 profissionais possuem entre 2 e 5 anos de experiência nessa função. Esse dado evidencia que grande parte dos preceptores possui trajetória consolidada, com experiência suficiente para compreender as demandas da formação em serviço e articular teoria e prática no cotidiano profissional. Esse dado revela que são profissionais já consolidados dentro da sua área de atuação.
Segundo Lima et al. (2019), o tempo de atuação como preceptor influencia diretamente na qualidade da mediação pedagógica e na capacidade de adaptação às necessidades dos aprendizes, sendo fundamental para o fortalecimento do processo formativo no serviço.
Quadro 4- Quanto a especialização

No quadro 4 observamos as especialidades dos entrevistados o que revelou uma predominância significativa de profissionais com formação em Emergência (n=11), o que é coerente com a natureza e as exigências técnicas do serviço pré-hospitalar, que demanda respostas rápidas e competências específicas para o atendimento a situações críticas e instabilidade clínica.
Segundo Silva et al. (2020), a formação especializada em áreas afins ao campo de atuação fortalece a competência dos preceptores e amplia a capacidade crítica e reflexiva dos profissionais em formação. A concentração de especialistas em emergência pode contribuir positivamente para a qualificação da preceptoria no contexto do SAMU, uma vez que garante alinhamento entre o conteúdo técnico da formação e a realidade do serviço.
Dos 26 profissionais entrevistados, seis são mestres, entre eles três também foram residentes nesta área, evidenciando uma trajetória formativa que alia vivência prática intensiva e aprofundamento teórico. Assim, esses profissionais tendem a desenvolver maior empatia, capacidade reflexiva e habilidades de mediação no processo ensino- aprendizagem (Gouveia et al., 2023).
A combinação entre experiência prática adquirida na residência e o aprofundamento acadêmico promovido pelo mestrado potencializa a qualidade da preceptoria, consolidando um perfil profissional capaz de articular a complexidade do cuidado em emergência com os princípios da educação permanente em saúde.
Quadro 5- Vínculo empregatício

A análise da natureza do vínculo empregatício dos preceptores (Quadro 5) entrevistados revela que 15 são trabalhadores estatutários e 11 atuam como prestadores de serviço. Essa diferença é relevante quando se considera o papel formativo que esses profissionais exercem junto aos residentes de enfermagem em emergência. O vínculo estatutário, por sua estabilidade e inserção plena no serviço público, tende a favorecer o comprometimento de longo prazo com as atividades pedagógicas e a continuidade dos processos de ensino-aprendizagem (Tormam, 2020).
Por outro lado, os prestadores de serviço, embora possam apresentar alto grau de competência técnica, frequentemente enfrentam vínculos mais instáveis, carga horária variável e menor participação nas políticas de educação permanente. Essas condições podem limitar sua atuação como preceptores, especialmente no que se refere à continuidade do acompanhamento dos residentes, à articulação com os demais membros da equipe multiprofissional e à inserção em atividades de pesquisa e produção científica (Autonomo et al., 2015).
Assim, fortalecer o vínculo institucional dos preceptores especialmente nos serviços de urgência e emergência representa uma estratégia fundamental para qualificar a formação em saúde, garantir continuidade no acompanhamento dos residentes e fomentar uma cultura de produção de conhecimento no ambiente de trabalho.
Categorias
Após a análise dos discursos, emergiram quatro categorias temáticas intituladas: Singularidades no serviço de emergência, as dificuldades enfrentadas pelos preceptores, as potencialidades da preceptoria e os desafios na interação entre enfermeiros e residentes durante o programa de residência em emergência. Dentro dessas categorias, foram delineadas subcategorias.
Categoria 1- Singularidades no serviço de emergência
Os sujeitos do estudo foram questionados sobre se há diferença em ensinar em um ambiente de emergência e principalmente não controlado como o serviço Pré hospitalar. A resposta foi unânime em dizer que existe uma singularidade em relação há outros ambientes e que o dinamismo do serviço é o que mais impacta precisando o enfermeiro ter habilidade para lidar com o residente dentro desse contexto.
Subcategoria: Dinamismo do serviço
O SAMU traz um contexto de um cotidiano de trabalho insólito, imprevisível, com uma diversidade de cenários, no qual o tempo é limitado, a assistência prestada pelos profissionais do SAMU necessitando do profissional uma postura de agilidade, dinamismo e eficácia afastando assim o risco de morte da vítima durante o atendimento (Souza et al. 2024). Evidenciando esse contexto nas falas abaixo:
Enfermeiro 6: “Sim. Procedimentos de emergência precisam de agilidade, existem casos que não tem como parar para explicar”.
Enfermeiro 15: “sim, devido ao ambiente e a gravidade dos pacientes, treinamento para tomada de decisão rápida”.
Enfermeiro 18: “(…), já que o serviço é especializado e conta com tempo resposta para definição de sobrevida dos pacientes”.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi instituído como uma das portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2003, por meio da Portaria
n.º 1.863, sendo posteriormente oficializado pelo Decreto n.º 5.055/2004 como política prioritária do Ministério da Saúde (MS) (Brasil, 2004).
Desde então, o serviço tem se expandido por municípios e regiões de todo o território nacional, consolidando-se como uma estratégia fundamental no atendimento pré- hospitalar de urgência (Brasil, 2004).
O SAMU caracteriza-se por sua dinâmica intensa e imprevisível, exigindo das equipes atuação rápida, segura e qualificada no local da ocorrência. Seu principal objetivo é reduzir o tempo de resposta, minimizar o risco de sequelas e evitar desfechos adversos decorrentes de atrasos ou de atendimentos inadequados (Brasil, 2012). Nessa lógica, a assistência não se restringe à técnica, mas envolve decisões clínicas complexas que demandam conhecimento, agilidade e coordenação entre os profissionais envolvidos.
A Portaria n.º 2048/2002 já apontava a necessidade de que os profissionais das ambulâncias estivessem preparados para atuar em equipe, tomar decisões ágeis baseadas em evidências e protocolos, e, principalmente, adaptar-se às diferentes situações encontradas em campo (Brasil, 2002). Esse cenário, marcado pela urgência e pela imprevisibilidade, impõe desafios específicos à prática pedagógica dos preceptores.
Estudo desenvolvido sobre os desafios dos preceptores evidenciou as dificuldades enfrentadas por esses profissionais em conciliar as demandas do cuidado emergencial com as exigências da formação em serviço. Dentre os principais obstáculos, destaca-se a escassez de tempo para promover discussões reflexivas com os residentes, dificultando o processo de articulação entre os saberes teóricos, técnicos e aqueles adquiridos pela experiência prática cotidiana (Pereira e Texeira, 2022).
Além disso, os preceptores são frequentemente confrontados com tarefas críticas relacionadas ao profissionalismo, tais como manter a compostura em situações de alta pressão, demonstrar comprometimento ético com a profissão e tomar decisões morais sob forte tensão (Felipe ,2024). Tais exigências reforçam a complexidade do papel formador em um ambiente marcado por decisões que, muitas vezes, precisam ser tomadas em frações de segundo.
Dessa forma, o cotidiano do SAMU revela uma prática que ultrapassa o que está prescrito em normas e protocolos. Os profissionais, diante de realidades diversas e por vezes adversas, recorrem à (re)invenção do cuidado, criando táticas que ressignificam o fazer em saúde (Souza et al.2024).
Diante do exposto, evidencia-se que a prática preceptora no ambiente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) demanda um perfil profissional singular, marcado por agilidade, flexibilidade e competência clínica ampliada. Ensinar em um cenário tão dinâmico e instável implica desafios que vão além da transferência de conhecimento: requer sensibilidade para identificar oportunidades formativas em meio adverso, habilidade para integrar o residente em situações críticas e disposição para aprender junto, mesmo sob forte pressão.
Categoria 2- Dificuldades vivenciadas pelo preceptor.
O exercício da preceptoria é essencial para o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias ao exercício da profissão. Contudo, é uma atividade que apresenta dificuldades que necessitam ser superados (Ribeiro et al., 2020). Logo mais traremos as principais dificuldades encontradas segundo nosso estudo.
Subcategoria: Falta de formação profissional
A maioria dos profissionais relatou não encontrar apoio institucional ou oferecimento de oportunidades para acesso a cursos de formação/atualização em preceptoria reconhecido pelo discurso dos sujeitos da pesquisa abaixo:
Enfermeiro 15: “Falta de formação específica para receber os residentes.” Enfermeiro 16: “Qualificação do serviço e dos preceptores para receber residentes”.
Enfermeiro 26: “Ausência de preparação/atualização em preceptoria para o profissional enfermeiro do serviço”.
Segundo Carvalho Filho et al. (2020), um dos principais obstáculos destacados é a falta de qualificação dos preceptores, indicando que muitos assumem esse papel sem a devida preparação pedagógica, o que necessita de investimento em cursos e capacitação específica para os preceptores. Esse achado corrobora os resultados encontrados em nosso estudo.
Para Demogalski et al. (2021), o preceptor é entendido como professor, orientador, facilitador e condutor do processo de aprendizagem, por isso sua qualificação é algo que requer atualizações e aprimoramentos. Para Palmier et al. (2021) é importante deixar claro, que o profissional precisa ser capacitado não apenas do ponto de vista da atualização profissional, mas formados também na concepção de educação permanente.
Subcategoria :Falta de comunicação entre as instituições
Outra dificuldade relatada pelos sujeitos é a falta de interação entre instituição de ensino e serviço, como também distanciamento deles como ator do processo dentro da formação de residentes.
Enfermeiro 14: “falta de comunicação com as coordenações dos programas, falta de material pedagógico para atividades teóricas, ausência de incentivo, relação frágil entre universidade e preceptores, falta de feedback entre coordenações”.
Enfermeiro 26: “(…) Contato direto com coordenação da residência, favorecer o feedback da evolução do aluno, fornecendo informações atualizadas de pontos positivos e negativos, dificuldades, adaptações, conhecimento não só científico como também prático. (durante esses anos recebendo residente, foram poucas as vezes que tive conhecimento de quem era o coordenador do curso).”
A Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS) designa que a função de preceptor se caracteriza por supervisão direta das atividades práticas realizadas pelos residentes nos serviços de saúde onde se desenvolve o programa, exercida por profissional vinculado à instituição formadora ou executora, com formação mínima de especialista (Brasil, 2005).
O Projeto Pedagógico do Programa de Residência em Enfermagem em Emergência Geral e Atendimento Pré-Hospitalar do nosso estudo não há conceito sobre preceptor, porém traz o nome de um preceptor, vinculado a instituição, mas sua especialização não é em emergência e nem faz parte do serviço pré-hospitalar nem de emergência hospitalar sendo esse papel desempenhado pelos enfermeiros assistências do serviço móvel de Urgência (SAMU).
Outros estudos também trazem os mesmos sentimentos dos preceptores envolvidos. Segundo Palmier et al. (2021) a maioria dos profissionais da rede não encontra apoio institucional ou oferta de oportunidades para acesso a cursos de formação. Além disso, a ausência de clareza a respeito da função da preceptoria demonstra a necessidade iminente de que as universidades reconheçam e proporcionem condições para que estes profissionais se capacitem e desenvolvam habilidades técnicas e éticas para atuar em sua dupla função com segurança e competência.
No estudo de Nunes et al. (2021) os preceptores revelaram aspectos negativos em relação à distância entre o serviço e a academia. Vale ressaltar que a Universidade tem papel fundamental na formação dos preceptores, favorecendo a participação em cursos de atualização nas áreas específicas e em eventos científicos (Nunes et al. 2021).
Uma revisão sistemática da literatura sobre o processo formativo em um Programa de Residência em Saúde evidenciou que os termos preceptor e preceptoria, embora sejam bastante comuns no contexto das Residências, não possuem uma definição consistente do seu significado, sendo necessário qualificar a figura do preceptor para minimizar as fragilidades da atuação de profissionais nesta função (Flor et al., 2022).
Outro estudo aponta que a participação de preceptores na implementação do Projeto Pedagógico do programa de Residência o qual faz parte é escassa, o que culmina na diminuição do conhecimento sobre suas próprias atribuições, não sendo realizadas atividades de forma plena e que atendam as necessidades encontradas pelos residentes, como por exemplo na ausência de feedback formativo ao longo dos estágios (De Martini; Conceção; Kobayashi, 2024).
Em adição, faz-se necessária maior aproximação do preceptor aos demais integrantes do programa (coordenador, tutor e docentes) gerando linearidade entre os conteúdos trabalhados nos eixos teóricos e a prática desenvolvida em campo (Gomes et al,2023).
Subcategoria: Falta de incentivo financeiro
Outra dificuldade no processo de preceptoria é a falta de incentivo financeiro para exercer a função, veremos nas falas abaixo:
Enfermeiro 3: “Reconhecimento, Incentivo Financeiro”
Enfermeiro 7: “Falta de remuneração, falta de acompanhamento da instituição de ensino”.
Enfermeiro 20: “falta de incentivo financeiro e tempo para dar orientação adequada”.
Analisando outros estudos, esse assunto também é abordado como um problema no processo da preceptoria. Um estudo realizado em Maceió com 300 preceptores médicos aponta que 91% dos preceptores relatam que a preceptoria integra o residente na sua equipe. Porém, um ponto importante analisado é o de que a preceptoria tem sido uma tarefa não remunerada na maioria dos casos (75,34%), destacando, ainda, a ausência de capacitações pedagógicas (72%) para exercer tal função (Carvalho Filho et al ,2022).
De Martini, Conceição, Kobayashi, (2024) Destacam a importância e a responsabilidade dos preceptores na formação dos residentes, ressaltando a necessidade de reconhecimento por meio de remuneração e/ou benefícios. Tais medidas são fundamentais para assegurar a satisfação, o desenvolvimento profissional e o aprimoramento das competências dos preceptores.
Outro estudo analisou o perfil dos preceptores de programas de residência em saúde em especialização e considerando a amostra como um todo, a maioria dos preceptores não tem plano de carreira ou recebe remuneração para a função de preceptoria, o que pode desmotivar a atuação nos programas, dificultando que os profissionais se vinculem a eles e, principalmente, que busquem formação específica para a Preceptoria. O que é outro desafio destacados pelos preceptores, sua própria formação. (Wander et al.2024)
Dessa forma, observa-se que a ausência de remuneração adequada, de incentivos institucionais e de capacitação pedagógica compromete diretamente a qualidade da preceptoria nos programas de residência. Esses fatores geram desmotivação, dificultam o engajamento contínuo dos profissionais e impactam negativamente no processo de ensino-aprendizagem dos residentes.
Categoria 3- Potencialidades da preceptoria
A leitura e análise das falas dos participantes possibilitou encontrar na categoria potencialidades da preceptoria a subcategoria: O crescimento profissional de ambos e atualização das práticas dos profissionais envolvidos.
Subcategoria: Crescimento e atualização profissional
Os envolvidos no estudo trouxeram como potencialidades atualização profissional e crescimento profissional tanto seu como do residente, destacaram que necessitam manter-se atualizados para contribuir da melhor forma na formação dos residentes. Alguns trechos fundamentam essa conclusão:
Enfermeiro 1: “Permite o desenvolvimento profissional para o preceptor quanto para o estudante, promove troca de experiência, conhecimento e aprimora a prática assistencial.
Enfermeiro 2: “Crescimento profissional. É visível a evolução do profissional, do momento que chega ao serviço, os desafios encontrados, as ocorrências peculiares”.
Enfermeiro 13: “Aumento do aprendizado do preceptor, estímulo para que o preceptor estude mais e revise abordagens novas do APH. Oportunidade de conhecer mais profissionais da área”.
Enfermeiro 16: “A preceptoria exige que o profissional se policie e se atualize para exercer minimamente este papel sem mediocridade. Favorece trocas riquíssimas e atualizações. Além de um olhar novo com possibilidades de soluções para problemas institucionais antigo”.
Atuar como preceptor no contexto da residência, especialmente em ambientes de alta complexidade como a emergência, representa não apenas uma função formadora, mas também uma oportunidade ímpar de desenvolvimento profissional. Essa atividade vai além da mera supervisão técnica; ela promove o amadurecimento clínico, pedagógico e gerencial do enfermeiro que assume esse papel, ampliando sua visão sobre o cuidado, o ensino e a organização dos serviços de saúde.
Segundo Ribeiro e Prado (2020):
Para ensinar, é necessário conhecimentos para além do conteúdo da disciplina. O ato de preceptar requer saber escutar, disponibilidade para o diálogo e tomada de decisões (Ribeiro e Prado, 2020, p. 23).
Esse novo posicionamento exige do preceptor a superação de práticas tradicionais, centradas na transmissão de conhecimento, rumo a uma postura formativa, dialógica e crítica.
A preceptoria traz contribuições/benefícios pessoais, sobressaindo o aprendizado e atualização contínua, o estímulo e a troca para a aquisição de conhecimentos, levando ao desenvolvimento profissional e à realização pessoal, segundo os quais a contribuição da preceptoria para os preceptores é fundamental, pois é na troca dos conhecimentos que se constrói e se reconstrói um caminho para formar pessoas ativas na sociedade contemporânea, comprometidas e que percebam a importância de suas funções profissionais na construção de cidadania (Palmier et al. 2021).
À medida que os enfermeiros se sentem satisfeitos nas atividades de preceptoria, tornam-se mais estimulados a atualizações e a participação na educação permanente, possibilitando novos conhecimentos e troca de experiências (Nunes et al. 2021).
Partindo do princípio de que o preceptor, ao possibilitar o aprimoramento do exercício de prática profissional, não só contribui para o crescimento técnico do residente, como o acompanha em uma perspectiva de desenvolvimento mais amplo, ético, político e social, considera-se que o preceptor vem se destacando nas unidades de saúde, por proporcionar situações de aprendizagens, fazendo com que as condutas sejam refletidas, discutidas e transformadas durante o processo de trabalho (Picanço ,2022).
Corroborando esta questão estudos realizados com residentes também trouxeram como potencialidades da residência o crescimento profissional deles relatando que a presença do preceptor, atua como uma ponte entre o conhecimento adquirido na formação acadêmica e sua aplicação efetiva no ambiente de trabalho (Santana et al, 2024). E ainda o preceptor desempenha um papel fundamental na contextualização e na orientação das atividades do residente, garantindo uma transição suave entre a teoria e a prática (Smith et al., 2020).
Os estudos analisados demonstram que, quando bem estruturada e valorizada, a preceptoria torna-se uma potente ferramenta de transformação, beneficiando não só os residentes, mas também os profissionais que os acompanham. A atualização constante, a troca de experiências e a construção colaborativa do conhecimento tornam o ambiente da residência um espaço fecundo para a formação de profissionais mais críticos, reflexivos e comprometidos com a qualidade da assistência em saúde.
Categoria 4 – Desafios na relação entre Enfermeiros e residentes durante o programa de residência em emergência.
Ao serem questionados sobre os desafios na relação enfermeiros-residentes os sujeitos envolvidos trouxeram como maiores desafios: a relação interpessoal entre os envolvidos, falta de feedback e reconhecimento profissional, esse advindo mais do contexto de instituições do que do próprio residente.
Subcategoria: relacionamento interpessoal
Enfermeiro 19: “Não o que precisa melhorar, mas o que é importante para essa relação: troca de informações, orientações, acompanhamento, aprendizado, conhecimento e relacionamento interpessoal no trabalho em equipe”.
Enfermeiro 26: “Relacionamento interpessoal, acentuando o acolhimento por parte do enfermeiro do serviço e por outro lado, partindo do residente, a postura, comportamento, engajamento no desenvolvimento das ações”.
Santana et al. (2024) em seu estudo identificou que o preceptor é o elo de integração do aprendizado teórico com a prática nos serviços de saúde. O que ressalta a importância da relação interpessoal, “a capacidade do preceptor em acolher, orientar e modificar a vivência do residente no serviço é crucial”. A competência do preceptor não se limita apenas ao aspecto técnico, mas também inclui habilidades interpessoais que contribuem para um ambiente de aprendizado saudável e produtivo.
Corroborando esta questão, essa relação é vista como uma construção colaborativa, os sujeitos desse estudo sugerem que as interações interpessoais são fundamentais no processo pedagógico. O aprendizado ocorre em um ambiente de cooperação e depende da qualidade das relações estabelecidas entre preceptores, residentes e equipes multiprofissional (Lima et al.,2025).
Indo de encontro ao que foi encontrado em nosso estudo, Wildermuth et al. (2020) trouxe em sua pesquisa a relação interpessoal como potencialidade da residência em enfermagem, ele afirma que a boa relação que os preceptores nutrem com seus residentes, cujas relações interpessoais e profissionais fortalecem o vínculo entre estes dois atores e favorecem o desenvolvimento de estratégias educativas e envolvimento com a Residência.
A relação interpessoal entre enfermeiros e residentes realmente tem duas vertentes, pode ser um potencial, pois uma boa relação com seu preceptor traz um melhor desenvolvimento na carreira do residente como também pode ser um desafio como afirma Santana et al (2024) em seu estudo:
A interação com a equipe também emergiu como um fator crucial, tanto positiva quanto negativamente. O desinteresse, falta de suporte e demandas excessivas por parte dos colegas de trabalho podem impactar negativamente o desenvolvimento do residente. Por outro lado, equipes motivadas, que compreendem e apoiam a presença do residente, contribuem para uma experiência mais enriquecedora. (Santana et al ,2024)
Subcategoria: Momentos de feedback
Outra dificuldade encontrada foi a falta de feedback tanto da instituição formadora como a falta de tempo e infraestrutura para feedback entre os envolvidos (Preceptor –residentes) evidenciando-se nas falas abaixo:
Enfermeiro9: “Cenários imprevisíveis e falta de estrutura (relacionado ao ambiente), dificuldade em dar feedbacks efetivos”.
Enfermeiro 23: “Como havia muitas ocorrências, não sobrava tempo para um feedback mais detalhado das ocorrências”.
Enfermeiro 26: “Contato direto com coordenação da residência favorecer o feedback da evolução do aluno, fornecendo informações atualizadas de pontos positivos e negativos, dificuldades, adaptações, conhecimento não só científico como também prático”.
Nesse contexto espera-se do profissional envolvido um feedback contínuo da evolução do residente, sendo importante os preceptores nesse processo, bem como a formalização e estruturação dos procedimentos de avaliação, juntamente com a introdução da avaliação formativa contínua e de feedbacks (De Angeli et al,2024.).
Vale destacar que feedback faz parte de um método avaliativo, Almeida e Amaral (2021) se reportam ao feedback enquanto uma potente ferramenta no contexto da preceptoria, sendo conceituado como uma devolutiva comunicada ao estudante com o intuito de modificar/aperfeiçoar seu pensamento ou comportamento, visando a melhoraria da aprendizagem.
Por meio do feedback é possível desenvolver e/ou potencializar habilidades específicas. Nesse contexto, Macêdo et al (2021) consideram o feedback uma ferramenta importante e indispensável no processo avaliativo, que deve ser contínuo, fundamentado em critérios objetivos, claros e de caráter formativo.
Quanto o feedback da instituição para os enfermeiros, já foi um tema abordado acima sobre o distanciamento entre as coordenações e entre instituição e local de prática. Vale ressaltar que os processos formativos com preceptores são uma oportunidade para aproveitar os pontos fortes das experiências profissionais dos preceptores e aprimorar as habilidades alinhando os objetivos de aprendizagem para integrar atributos essenciais na formação de enfermeiros, no que tange à gestão e à assistência em saúde, além de ser um espaço de troca de experiência e aproximação da instituição de ensino (Gleriano et al, 2024).
Subcategoria: Reconhecimento profissional
Uma questão identificada no nosso estudo e enaltecido como uma ferramenta para melhorar o processo de preceptoria é o reconhecimento profissional através de certificação, incentivo financeiro e capacitação profissional. Como analisaremos com as falas abaixo:
Enfermeiro 3: “O reconhecimento pela instituição de ensino, lhe dando autonomia, certificação da preceptoria ao término do semestre e incentivo financeiro para estreitar mais e comprometer o vínculo preceptor/residente”.
Enfermeiro 11: “Investimento das unidades envolvidas, incentivo e reconhecimento para o preceptor”.
Diante dos discursos, faz-se importante destacar a importância e a responsabilidade dos preceptores na formação dos residentes, ressaltando a necessidade de reconhecimento por meio de remuneração e/ou benefícios. Tais medidas são fundamentais para assegurar a satisfação, o desenvolvimento profissional e o aprimoramento das competências dos preceptores (Freitas et al, 2021).
A falta de reconhecimento e recompensa para os preceptores foi apontada como um obstáculo, indicando que o investimento nessa função pode ser uma estratégia para fortalecer a qualidade da preceptoria (Santana et al, 2024). Somente em 2021, após a instituição do Plano Nacional de Fortalecimento das Residências em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), começou a discussão da concessão de um incentivo financeiro para docentes, tutores e preceptores vinculados a programas de residências uniprofissionais e multiprofissionais em saúde, incluindo a residência médica (Santana et al, 2024).
Infere-se que preceptoria muitas vezes não é devidamente reconhecida e valorizada, seja em termos financeiros ou de reconhecimento institucional. Isso desmotiva os profissionais a assumirem esse papel. Desse modo, há também pouco estímulo para atualização e o desinteresse em colaborar como preceptor de enfermagem, visto a escassez de recursos, incentivo, oportunidades de trabalho e estrutura (Silva et al, 2024).
A área da saúde está em constante evolução, com novas tecnologias e abordagens surgindo regularmente. Os preceptores precisam se manter atualizados para proporcionar uma orientação eficaz e alinhada com as práticas mais recentes, o que fica difícil dadas as condições já mencionadas (Silva et al ,2024).
Portanto, é urgente que as instituições de ensino, os gestores dos serviços de saúde e os órgãos reguladores unam esforços para fortalecer a preceptoria, compreendendo-a como um eixo estruturante da formação em serviço. Isso implica não apenas reconhecer o papel central do preceptor, mas também investir em sua formação contínua, garantir condições de trabalho adequadas e promover uma cultura de valorização e reconhecimento.
As limitações do estudo incluem o fato de ter sido realizado em um único serviço, não representando os preceptores de outros campos de prática da residência, o que não permite a generalização dos resultados e sim a representação da realidade do contexto estudado.
Espera-se que os resultados desse estudo possam subsidiar o pensamento crítico e a reflexão dos profissionais sobre o seu papel no exercício da preceptoria, e ainda fomentar o desejo de mudanças que qualifiquem cada vez mais a atuação do enfermeiro.
Conclusão
A análise da pesquisa evidenciou a complexidade e os desafios enfrentados pelos enfermeiros preceptores no contexto da residência em enfermagem no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Os dados apontam fragilidades estruturais e pedagógicas que impactam diretamente a qualidade da preceptoria, bem como o desenvolvimento dos residentes.
A ausência de uma definição clara sobre o papel do preceptor nos documentos institucionais e nos projetos pedagógicos, revela uma lacuna importante na estruturação dos programas de residência. A preceptoria, muitas vezes, é exercida por profissionais sem formação específica para o ensino e sem reconhecimento formal, o que enfraquece sua função educativa. Essa realidade, somada à falta de capacitação pedagógica, recursos institucionais e incentivos, gera um cenário de desvalorização da função preceptora.
Além disso, a distância entre a universidade e os serviços de saúde, evidenciada pela escassa interlocução entre preceptores e coordenadores acadêmicos, compromete a articulação entre teoria e prática. O campo de estágio torna-se, assim, um espaço de improvisação pedagógica, onde o residente depende da boa vontade e da experiência individual do preceptor para garantir sua formação.
Apesar disso, a preceptoria no SAMU também se mostra como uma prática potente e transformadora. Quando bem conduzida, ela promove não apenas o desenvolvimento do residente, mas também o aprimoramento contínuo do próprio preceptor, configurando-se como uma via de mão dupla, onde o ensino e o aprendizado são mutuamente construídos. A convivência com os residentes estimula o preceptor à atualização técnico-científica, à reflexão sobre sua prática e à busca de soluções criativas para os desafios impostos pelo ambiente de urgência.
Diante disso, destaca-se a urgência de que universidades, gestores de saúde e órgãos reguladores reconheçam a centralidade da preceptoria na formação de profissionais críticos, éticos e preparados para os desafios do SUS. Isso demanda investimento em formação pedagógica específica, definição clara de atribuições, inserção dos preceptores nos projetos pedagógicos, remuneração adequada e valorização simbólica e institucional do papel que exercem.
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1 Enfermeira graduada pela Universidade Federal de Alagoas, Especialista em Emergência Geral no formato de residência pela universidade de Pernambuco. Atualmente Enfermeira no Serviço móvel de Urgência de Alagoas. priscilaferrazsilva@yahoo.com.br
2 Possui graduação em Física pela Universidade Federal de Alagoas (1979), mestrado em Física Aplicada pela Universidade de São Paulo/São Carlos (1986) e doutorado em Educação (Currículo) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999). Professora aposentada da Universidade Federal de Alagoas, atua como voluntária no Programa de Pós Graduação da Faculdade de Medicina da UFAL, no Mestrado Profissional Ensino na Saúde (PPMPES), integrando a linha de pesquisa em Currículo e processo ensino-aprendizagem na formação em saúde, foi vice coordenadora do PPMPES no período de 2013-2015. Coordena há 17 anos a Caravana Itinerante de Ciência e Tecnologia, atividade de divulgação de ciência e tecnologia financiada pelo CNPQ e FAPEAL em parceria com instituições públicas municipais e estadual. Foi diretora de políticas de desenvolvimento de CT, no período de 01/2005 a 12/2009, durante o ano de 2010 foi Superintendente de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Ensino de Física, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de ciências, análise livro didático, concepções de corpo, aprendizagem e métodos e técnicas de ensino. Atualmente, se dedica a divulgação da ciência, ministra cursos, orienta estudantes de graduação e pós graduação em diversas áreas do conhecimento, com ênfase em metodologias ativas para o processo ensino aprendizagem e metodologia da pesquisa qualitativa em educação. lenildaaustrilino@gmail.com
