DENTAL PRENATAL CARE: ANALYSIS OF THE MOST PREVALENT ORAL CONDITIONS DURING PREGNANCY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510271734
Herivânia Gonçalves Pereira1
Lorrany Gonçalves Luiz1
Mírian Celerino dos Anjos Lima1
Noemi Celerino dos Anjos1
Pedro Henrique Leal Carneiro1
Nayane Galdino Garcia1
Mahaya Stefany Costa Falcão1
Danyela Haykel Claro dos Santos Silv2
Denise Santos Barros2
Lorraine Cristina Pereira Barbosa2
Resumo
Durante a gestação, o corpo feminino passa por alterações físicas, hormonais e imunológicas que podem afetar diretamente a saúde bucal. O pré-natal odontológico é essencial para prevenir e tratar doenças bucais comuns nesse período, como gengivite, periodontite e granuloma gravídico. Realizou-se uma revisão de literatura com 6 artigos publicados entre 2011 e 2019, selecionados pela plataforma SciELO e Google Acadêmico e PubMed. O presente estudo teve como objetivo analisar as principais doenças bucais associadas à gestação e discutir estratégias de prevenção e tratamento. Conclui-se que a inserção do cirurgião-dentista no pré-natal multiprofissional é fundamental para promover saúde bucal e contribuir para o bem-estar da gestante e do bebê.
Palavras-chave: Saúde Bucal na Gestação. Pré Natal Odontológico. Gengivite Gravídica. Periodontite. Granuloma Gravídico.
Abstract
During pregnancy, the female body undergoes physical, hormonal, and immunological changes that can directly affect oral health. Dental prenatal care is essential to prevent and treat common oral diseases during this period, such as gingivitis, periodontitis, and pyogenic granuloma. A literature review was conducted with six articles published between 2011 and 2019, selected from the SciELO, Google Scholar, and PubMed databases. This study aimed to analyze the main oral diseases associated with pregnancy and discuss prevention and treatment strategies. It is concluded that the inclusion of the dentist in the multidisciplinary prenatal care team is fundamental to promoting oral health and contributing to the well-being of both the pregnant woman and the baby.
Keywords: Oral Health in Pregnancy. Dental Prenatal Care. Pregnancy Gingivitis. Periodontitis. Pyogenic Granuloma.
1. INTRODUÇÃO
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por uma série de modificações fisiológicas, hormonais e psicológicas que podem impactar diretamente a saúde bucal. Essas alterações, quando não acompanhadas de forma adequada, favorecem o agravamento de doenças orais pré-existentes e o surgimento de novas condições. De acordo com Codata Lab et al. (2011), tais modificações devem ser reconhecidas e consideradas no pré-natal odontológico, uma vez que representam fator de risco tanto para a saúde da gestante quanto para a do bebê.
Entretanto, a atenção odontológica nesse período ainda é frequentemente negligenciada. Diversos fatores contribuem para esse cenário, como a falta de recursos financeiros, o desconhecimento sobre a importância da saúde bucal, crenças equivocadas a respeito da segurança do tratamento odontológico durante a gestação e, ainda, episódios de náuseas que dificultam a higiene oral diária.
A relevância deste estudo reside no fato de que a saúde bucal está intimamente relacionada à saúde sistêmica, sendo considerada componente essencial para a qualidade de vida. Doenças periodontais, por exemplo, estão associadas a alterações inflamatórias que podem interferir no desenvolvimento gestacional e neonatal, aumentando o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer (GARBIN et al., 2011; FIGUEIREDO et al., 2019). Além disso, a atenção odontológica durante a gravidez é considerada segura, contribui para a prevenção de complicações, estimula hábitos saudáveis e pode até mesmo favorecer o processo de amamentação e o desenvolvimento orofacial do bebê (SALIBA et al., 2019).
Nesse sentido, torna-se fundamental que o cirurgião-dentista integre a equipe multiprofissional de atenção à saúde da gestante, contribuindo não apenas com o tratamento de alterações bucais, mas também com ações educativas e preventivas.
Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar as doenças bucais mais incidentes durante a gestação com ênfase na gengivite, periodontite e granuloma gravídico, além de discutir medidas de prevenção e estratégias de tratamento adequadas a esse período.
2. METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura narrativa com abordagem descritiva e qualitativa. A busca foi realizada nas bases de dados SciELO, PubMed e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: “saúde bucal na gestação”, “pré-natal odontológico”, combinados com os operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2011 e 2019, em português e inglês, que abordassem a relação entre gestação e doenças bucais, com ênfase na prevenção, diagnóstico e tratamento. Excluíram-se trabalhos duplicados, estudos com foco exclusivo em odontopediatria e publicações sem texto completo disponível.
Após a leitura dos títulos, resumos e textos completos, foram selecionadas seis publicações consideradas mais relevantes para a discussão dos resultados, priorizando revisões de literatura, estudos clínicos e artigos de periódicos científicos.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para melhor apresentação do presente estudo foi elaborada uma tabela com um apanhado geral das principais pesquisas relacionadas ao tema, como mostra na tabela 1.
Tabela 1 – Descrição resumida dos artigos selecionados para esse estudo.
| Autor/Ano | Objetivo do Estudo | Principais Achados/Conclusões |
| Garbin et al. (2011) | Avaliar a importância da saúde bucal durante a gestação. | Destaca a relação entre doenças periodontais e desfechos gestacionais. |
| Figueiredo et al. (2019) | Revisar a relação entre doença periodontal e parto prematuro. | Evidencia associação entre inflamação periodontal e baixo peso ao nascer. |
| Pereira et al. (2011) | Descrever aspectos clínicos da gengivite gravídica. | Mostra aumento da vascularização e sangramento gengival devido aos hormônios. |
| Kamal (2012) | Revisar condutas clínicas no manejo do granuloma gravídico. | Lesão benigna que tende à regressão após o parto; cirurgia em casos graves. |
| Saliba et al. (2019) | Avaliar o pré-natal odontológico como estratégia de promoção. | Reforça o papel do dentista na equipe multiprofissional. |
| Nunes Neto et al. (2018) | Discutir a atenção odontológica no pré-natal. | Recomenda integração entre profissionais de saúde para melhor cuidado. |
A análise dos artigos selecionados evidenciou que a gengivite, a periodontite e o granuloma gravídico estão entre as doenças bucais mais prevalentes durante a gestação. Todos os estudos destacam que as alterações hormonais e imunológicas próprias desse período favorecem o aumento da inflamação gengival e a proliferação bacteriana, potencializando o risco de complicações orais e sistêmicas.
De acordo com Garbin et al. (2011) e Figueiredo et al. (2019), há relação entre a doença periodontal e desfechos gestacionais adversos, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. Já Pereira et al. (2011) e Konzen Júnior et al. (2019) ressaltam que o controle da placa bacteriana e o acompanhamento odontológico regular são medidas eficazes para reduzir a incidência dessas doenças.
Por sua vez, Kamal (2012) e Neville (2002) descrevem o granuloma gravídico como uma lesão benigna, porém de impacto estético e funcional, que pode regredir espontaneamente após o parto.
A maioria dos autores concorda que o pré-natal odontológico deve ser parte integrante do cuidado multiprofissional à gestante, conforme orienta o Ministério da Saúde (NUNES NETO et al., 2018). No entanto, ainda existem barreiras relacionadas à falta de informação, medo e dificuldade de acesso aos serviços odontológicos, o que reforça a necessidade de ações educativas e políticas públicas voltadas a esse público (SALIBA et al., 2019; PACHECO et al., 2020).
Em síntese, a literatura aponta consenso quanto à importância da prevenção e à segurança do tratamento odontológico durante a gestação, destacando o papel essencial do cirurgião-dentista na equipe multiprofissional de saúde.
4. REVISÃO DE LITERATURA
4.1 SAÚDE BUCAL E SAÚDE GERAL
A saúde bucal exerce papel fundamental na qualidade de vida, pois sua ausência pode impactar negativamente o bem-estar físico, social e psicológico dos indivíduos (CONCHA SÁNCHEZ et. al., 2020; PEREIRA, 2010). A Odontologia, nesse contexto, vem se consolidando como ciência que ultrapassa o cuidado restrito à boca e aos dentes, reconhecendo a inter-relação entre condições orais e sistêmicas.
Doenças bucais pré-existentes, especialmente a doença periodontal, apresentam microrganismos gram-negativos semelhantes aos encontrados em infecções crônicas e respiratórias, o que reforça seu potencial de repercussão sistêmica (LIMA et al., 2011).
4.2 SAÚDE BUCAL NO PERÍODO GESTACIONAL
A gestação é um período que exige atenção diferenciada à saúde bucal, pois alterações hormonais e imunológicas podem potencializar a instalação e progressão de doenças orais (GARBIN et al., 2011; KONZEN et. al., 2019). Estudos apontam que a falta de acompanhamento odontológico adequado pode impactar não apenas a saúde materna, mas também a saúde do bebê, estando associada a complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer (PACHECO et al., 2020).
Além disso, o atendimento odontológico nesse período é considerado seguro e capaz de promover hábitos saudáveis, favorecendo inclusive o processo de amamentação e o desenvolvimento orofacial do recém-nascido (SALIBA et al., 2019).
4.3 O PRÉ-NATAL ODONTOLÓGICO
O pré-natal odontológico constitui importante estratégia de promoção da saúde, pois a gestante encontra-se mais receptiva a orientações que beneficiem sua saúde e a do bebê, tornando-se ainda agente multiplicador de hábitos saudáveis para sua família (SALIBA et al., 2019).
O Ministério da Saúde reconhece a relação direta entre a saúde bucal materna e a saúde geral da criança, recomendando que o cuidado odontológico seja integrado às práticas multiprofissionais, envolvendo médicos, enfermeiros, obstetras, pediatras e cirurgiões-dentistas (NUNES NETO et. al., 2018).
5. PRINCIPAIS DOENÇAS BUCAIS DURANTE A GESTAÇÃO
5.1 GENGIVITE GRAVÍDICA
A gengivite é uma das alterações bucais mais frequentes durante a gravidez, sendo favorecida pelas mudanças hormonais típicas desse período. O aumento dos níveis de progesterona e estrogênio altera a resposta tecidual ao biofilme bacteriano, resultando em maior vascularização gengival, edema e sangramento (PEREIRA et al., 2011).
Clinicamente, manifesta-se por eritema, sangramento à sondagem e hiperplasia gengival. Apesar de não causar perda de inserção periodontal, sua evolução pode gerar desconforto estético e funcional (CODATA LAB et al., 2011). O controle da placa bacteriana por meio de escovação adequada, uso de fio dental e profilaxia profissional constitui a principal medida preventiva e terapêutica.

5.2 PERIODONTITE
A periodontite representa uma maior gravidade, caracterizado por inflamação crônica dos tecidos de suporte dental, levando à perda de inserção e reabsorção óssea. Durante a gestação, sua progressão pode ser intensificada pelas alterações hormonais e imunológicas (KONZEN JÚNIOR et. al., 2019).
Estudos sugerem que a periodontite materna está associada a complicações obstétricas, como parto prematuro e baixo peso ao nascer, devido à disseminação de mediadores inflamatórios sistêmicos (FIGUEIREDO et al., 2019; PACHECO et al., 2020). Dessa forma, o diagnóstico precoce e o tratamento periodontal não cirúrgico são fundamentais para reduzir riscos à saúde materna e fetal.
5.3 GRANULOMA GRAVÍDICO
O granuloma gravídico, também denominado granuloma piogênico, é uma lesão hiperplásica benigna de origem inflamatória, comumente associada à presença de biofilme dental e irritantes locais, agravada pelas alterações hormonais da gravidez (GARBIN et al., 2011).
Clinicamente, apresenta-se como uma massa avermelhada, de crescimento rápido, geralmente localizada na gengiva anterior. Embora seja uma lesão benigna, pode causar desconforto estético, dificuldade mastigatória e sangramento. Em muitos casos, tende a regredir espontaneamente após o parto, sendo a intervenção cirúrgica indicada apenas em situações de grande incômodo ou persistência da lesão (CODATA LAB et al., 2011).

5.4 PREVENÇÃO E TRATAMENTO
A prevenção das doenças bucais durante a gestação é fundamental para garantir a saúde materna e fetal. A adoção de bons hábitos de higiene oral, incluindo escovação adequada e uso do fio dental três ou mais vezes ao dia, constitui a principal medida preventiva (PEREIRA et al., 2011; GARBIN et al., 2011). Além disso, a manutenção de uma dieta equilibrada e a redução do consumo de açúcares contribuem para o controle da placa bacteriana e a prevenção de complicações periodontais.
O tratamento das doenças periodontais em gestantes deve ser conduzido por um cirurgião-dentista, considerando a segurança da paciente e do bebê. A raspagem e o controle da placa são procedimentos frequentemente indicados, aliados à orientação sobre hábitos alimentares e higiene oral. A aplicação de fichas de anamnese é imprescindível para monitorar individualmente cada gestante e adaptar o manejo conforme a evolução clínica (NUNES NETO et. al., 2018).
No caso do granuloma gravídico, o tratamento pode envolver intervenção cirúrgica, especialmente quando a lesão apresenta grande volume, sangramento frequente ou interfere na mastigação. Em muitos casos, porém, a lesão tende a regredir espontaneamente após o parto, e a cirurgia só é indicada quando há desconforto significativo (KAMAL, 2012; NEVILLE, 2002).
Portanto, a prevenção e o tratamento adequados durante a gestação contribuem não apenas para a manutenção da saúde bucal, mas também para a promoção da saúde geral da gestante e do desenvolvimento saudável do bebê.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo evidenciou que o pré-natal odontológico desempenha papel essencial na prevenção, diagnóstico e tratamento das principais doenças bucais que acometem gestantes, com destaque para a gengivite, a periodontite e o granuloma gravídico. Essas condições, potencializadas pelas alterações hormonais e fisiológicas da gestação, podem gerar repercussões negativas tanto para a saúde materna quanto para o desenvolvimento fetal, sobretudo quando associadas a complicações sistêmicas.
A partir da literatura analisada, ficou evidente que a atenção odontológica durante a gestação é segura, necessária e deve ser integrada ao acompanhamento pré-natal multiprofissional. Entretanto, barreiras como a desinformação, o medo do tratamento odontológico e a falta de integração entre os serviços de saúde ainda limitam o acesso das gestantes a esse cuidado.
Dessa forma, ressalta-se a relevância de políticas públicas voltadas à ampliação do pré-natal odontológico e de estratégias educativas que fortaleçam a adesão das gestantes às práticas preventivas. Além disso, há necessidade de mais pesquisas clínicas longitudinais que investiguem com maior precisão a associação entre doenças periodontais e desfechos gestacionais adversos, a fim de subsidiar condutas mais embasadas e eficazes.
Conclui-se que a integração do atendimento odontológico ao pré-natal multiprofissional é fundamental para promover hábitos saudáveis, prevenir complicações e garantir a saúde geral da gestante e do bebê. Portanto investir na saúde bucal da gestante não apenas melhora sua qualidade de vida durante a gravidez, como também representa um fator de proteção para a saúde geral e o bem-estar do bebê.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONCHA SÁNCHEZ, J. R.; ALMARIO BARRERA, R. J.; PABÓN ORDOÑEZ, S. A. Saúde bucal e qualidade de vida: uma revisão. Revista CES Odontología, Medellín, v. 33, n. 2, p. 70–79, 2020.
CODATA LAB. Modificações fisiológicas na gestação e implicações para a saúde bucal. São Paulo: CODATA, 2011.
FIGUEIREDO, J. M. et al. Relação entre doença periodontal e desfechos adversos na gestação: revisão integrativa. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 41, n. 4, p. 214–220, 2019.
GARBIN, C. A. S. et al. A importância da saúde bucal durante a gestação. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 10, p. 4033–4039, 2011.
KAMAL, R. Management of pregnancy tumors: a clinical review. Journal of Clinical and Diagnostic Research, v. 6, n. 6, p. 1067–1070, 2012.
NEVILLE, B. W.; DAMERON, R. A.; ALLEN, C. D. Oral & maxillofacial pathology. 2. ed. Philadelphia: Saunders, 2002.
NUNES NETO, A. P.; FRUTUOSO, M. F. Atenção odontológica no pré-natal: uma revisão integrativa. Revista de Atenção à Saúde, São Caetano do Sul, v. 16, n. 56, p. 73–81, 2018.
PACHECO, R. et al. Saúde bucal e gestação: impacto das doenças periodontais. Revista Odonto Ciência, Porto Alegre, v. 35, n. 1, p. 12–18, 2020.
PEREIRA, S. S. et al. Gengivite gravídica: aspectos clínicos e conduta odontológica. Odonto Clínica Científica, Recife, v. 10, n. 1, p. 45–50, 2011.
SALIBA, T. A. et al. O pré-natal odontológico como estratégia de promoção da saúde: revisão de literatura. Revista da Faculdade de Odontologia de Lins/Unimep, Lins, v. 29, n. 2, p. 32–38, 2019. SINGI, A. Special considerations in the management of the pregnant patient. Journal of Clinical Dentistry, v. 16, n. 3, p. 80–85, 2005.
1Alunos da Faculdade Serra Dourada de Altamira- PA, 10º período. E-mail: grupodetrabalhoodonto@gmail.com
2Professores e Orientadores Educacionais de Odontologia da Faculdade Serra Dourada em Altamira-Pa.
