OBSTRUÇÃO URETRAL EM FELINOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510271651


Marcela Navarro do Nascimento
Rodrigo Augusto Silva Filho


RESUMO 

A obstrução uretral é caracterizada como uma emergência na clínica de felinos, pois pode gerar graves consequências ao animal, como desequilíbrios hídricos e eletrolíticos e insuficiência renal, podendo levar o mesmo a óbito. Muitas são as causas para a ocorrência desta afecção, dentre as principais, pode-se citar cálculos urinários, “plugs” e causas idiopáticas, destacando a síndrome de Pandora. Apesar de ocorrer em ambos os sexos, existe maior predisposição ao macho, devido a presença de áreas menos distensíveis da uretra. Além disso, é de grande importância compreender a influência do estilo de vida do animal e do ambiente em que está inserido nos episódios de obstrução uretral. O diagnóstico precoce e tratamento adequado podem ajudar a restabelecer o fluxo urinário e a homeostase sanguínea, sem deixar sequelas no paciente. Para selecionar o melhor tratamento, é necessário avaliar cada caso de acordo com o grau e duração da obstrução uretral, podendo ser realizado de forma cirúrgica ou não, com o objetivo de deslocar o tampão uretral e urólitos permitindo a passagem fisiológica da urina, no entanto existe o risco de lesões e obstrução da uretra com os procedimentos não cirúrgicos, além de ruptura de bexiga. Desta forma, em casos de recidivas, a uretrostomia será indicada. 

O objetivo do trabalho é evidenciar a importância do diagnóstico desta patologia e as consequências do mau manejo do animal enfermo, através de artigos e revistas científicas online, para compreender as diversas causas e avaliar os possíveis tratamentos utilizados. O conhecimento desses fatores são essenciais para garantir a qualidade de vida e bem-estar desses pacientes. 

Palavras-chave: felinos, obstrução uretral, síndrome de Pandora, tratamento

ABSTRACT 

Urethral obstruction is characterized as a feline clinic emergency, as it can lead to serious consequences for the animal, such as fluid and electrolyte imbalances and renal failure, potentially leading to the animal’s death. There are many causes for this condition, among the main ones being urinary calculi, “plugs,” and idiopathic causes, with a focus on the Pandora syndrome. Despite occurring in both sexes, males are more predisposed due to the presence of less distensible areas of the urethra. Additionally, it is of great importance to understand the influence of the animal’s lifestyle and its environment on episodes of urethral obstruction. Early diagnosis and appropriate treatment can help restore urinary flow and blood homeostasis without leaving any lasting effects on the patient. To select the best treatment, it is necessary to evaluate each case based on the degree and duration of urethral obstruction, which can be performed either surgically or non-surgically, with the goal of displacing the urethral plug and uroliths, allowing for the physiological passage of urine. However, there is a risk of urethral injuries and obstruction with non-surgical procedures, as well as bladder rupture. Thus, in cases of recurrences, urethrostomy is recommended. 

The goal of the work is to highlight the importance of diagnosing this pathology and the consequences of improper management of the sick animal, through articles and online scientific journals, in order to understand the various causes and evaluate the possible treatments used. Knowledge of these factors is essential to ensure the quality of life and well-being of these patients. 

Keywords: felines, urethral obstruction, Pandora syndrome, treatment.

1. INTRODUÇÃO 

A obstrução uretral consiste em um quadro emergencial que acomete o trato urinário inferior, sendo recorrente no atendimento emergencial da clínica médica de felinos, podendo atingir até 9% dos casos (GEORGE & GRAUER, 2016). Tal afecção pode resultar em sério comprometimento a saúde do animal em termos reprodutivos e sanitários, com manifestações clínicas como disúria, estrangúria, hematúria, dor, anorexia, vômito, apatia, desidratação e miados sem causa aparente, sendo estes diretamente correlacionados com a severidade da obstrução (SEGEV et al., 2011; SAMPAIO et al., 2020). 

Estudos recentes indicam que a etiologia das obstruções uretrais podem ser idiopática (53%), urólitos (29%), plugs uretrais (18%), além da ocorrência de coágulos, neoplasias e áreas menos distensíveis da uretra (GEORGE & GRAUER, 2016). Dentre as etiologias idiopáticas, pode-se citar a síndrome de pandora, que consiste em um conjunto de distúrbios que acarretam a cistite intersticial felina, a qual não caracteriza apenas problemas no trato urinário inferior, mas também aspectos psicológicos e endócrinos (TEIXEIRA et al., 2019). 

Apesar da alta taxa de sobrevivência de animais obstruídos, este quadro apresenta ameaça à vida, devido aos desequilíbrios eletrolíticos e acidobásicos causados pela azotemia pós renal. No entanto, se diagnosticado precocemente é possível restabelecer o fluxo urinário e a homeostase sanguínea, sem deixar sequelas no paciente (NERI et al., 2016). 

Felinos machos apresentam maior predisposição em desenvolver a obstrução devido ao fato de sua uretra ser mais longa e apresentar limitações de dilatação. Animais que vivem exclusivamente dentro de casa e se alimentam de ração seca e são obesos também possuem maior predisposição de manifestar obstruções (GEORGE & GRAUER, 2016). 

A determinação do tratamento é baseada no grau e duração da obstrução uretral. Para tentar restabelecer o fluxo uretral, pode-se realizar a massagem peniana, cateterização e sondagem uretral, retrohidropropulsão e compressão vesical. Os procedimentos citados são realizados com objetivo de deslocar o tampão uretral e urólitos permitindo a passagem fisiológica da urina, no entanto existe o risco de lesões e obstrução da uretra com essas manobras, além de ruptura de bexiga (LEAL et al., 2012). 

Todavia, em casos de recidivas a uretra pode ser lesionada, levando a uma obstrução, desta forma, passa a ser indicada a intervenção cirúrgica por meio da uretrostomia (LEAL et al., 2012). Para a escolha adequada da técnica cirúrgica a ser realizada, é preciso avaliar a porção afetada da uretra, sendo as abordagens cirúrgicas: perineal com amputação do pênis e pré-púbica, cada qual com complicações que serão abordadas neste trabalho (YEPES et al., 2019). 

2. OBJETIVOS 

O objetivo deste trabalho é evidenciar a importância do diagnóstico precoce das obstruções uretrais e o manejo dos animais devido às possíveis complicações que podem ocorrer caso não sejam tratadas corretamente. Além disso, apresentar as possíveis causas e alternativas mais recentes de tratamento clínico e cirúrgico, e compreender quando optar por cada um deles. 

3. MATERIAIS E MÉTODOS 

Para a execução deste trabalho foram realizadas consultas em artigos on-line e revistas científicas nas seguintes bases de dados: CRMV-SP, google acadêmico, revisões de literatura, SciELO, biblioteca virtual, Pubvet, Pubmed, Brazilian Journal of Development, etc, que apresentam relevância no tema apresentado e com esse levantamento de dados, foi elaborada uma revisão literária apresentando a importância do conhecimento e diagnóstico das obstruções uretrais em felinos, suas causas, tratamentos clínicos e cirúrgicos e formas de prevenção. 

4. REVISÃO DE LITERATURA 

4.1 Considerações gerais 

O termo doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF) é utilizado para descrever distúrbios na bexiga e uretra, sendo considerada uma das afecções mais comuns na clínica desses animais. Esta possui etiologia multifatorial e muitas vezes indeterminada, com manifestação de sintomatologias semelhantes, relacionadas ao trato urinário inferior. A DTUIF pode ser classificada em não obstrutiva e obstrutiva sendo a última diagnosticada em 17 a 58% dos gatos com a enfermidade (SAMPAIO et al., 2020).  

As principais causas não-obstrutivas são a cistite idiopática felina (55 a 64%), urolitíase (15-21%) e infecção do trato urinário (1 a 8%), a primeira comumente é autolimitante, portanto, marcada por resolução espontânea. A obstrutiva se manifesta com a interrupção do fluxo, em virtude da presença de tampões ou urólitos na luz da uretra, defeitos anatômicos (10%), bem como edemas, fibroses, traumas ou infecções induzidas pela passagem de cateter vesical. Como consequência, há a interrupção da filtração renal, tornando-se, portanto, uma afecção urológica emergencial e potencialmente fatal (SOZINHO, 2019).  

4.2 Anatomia do trato urinário de felinos machos 

A anatomia do trato urinário do felino é composta por órgãos e estruturas responsáveis pela produção, armazenamento e eliminação da urina e é dividido em trato urinário superior e trato urinário inferior. O trato urinário superior é composto pelos rins e ureteres, os primeiros são os órgãos responsáveis pela filtragem do sangue e produção da urina, esta é produzida nos rins e conduzida por pequenos tubos chamados ureteres até a vesícula urinária. O trato urinário inferior é composto pela vesícula urinária e uretra, a primeira é um órgão oco que armazena a urina até que o felino esteja pronto para eliminá-la, e esta é retida pelo esfíncter uretral, já a uretra é o canal que transporta a urina da bexiga para o exterior do corpo. (SOZINHO, 2019).  

A uretra em gatos machos é mais longa e estreita se comparada a das fêmeas, tornando-os mais suscetíveis a obstruções urinárias. Obstrução uretral, como mencionado anteriormente, é uma condição grave que pode ocorrer principalmente em gatos machos, obesos e sedentários e resulta no bloqueio do fluxo normal de urina (SOUZA et al., 2021).  

Os rins são órgãos vitais no sistema urinário responsáveis pela filtração do sangue, remoção de substâncias tóxicas, regulação do equilíbrio ácido-base, controle da pressão arterial e produção de hormônios como a eritropoietina que estimula a produção de células vermelhas do sangue. Nos rins, ocorre a formação da urina através da filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular (DYCE et al., 2019). 

Os ureteres são tubos musculares que conectam os rins à bexiga urinária, permitindo o transporte da urina, sua função é facilitar o fluxo da mesma através de movimentos peristálticos musculares (COLVILE & BASSERT, 2017).  

A vesícula urinária é um órgão muscular que armazena a urina temporariamente até que seja o momento adequado para a micção, quando repleta, os receptores de estiramento na parede desta enviam sinais ao sistema nervoso central, indicando a necessidade de esvaziar a mesma (DYCE et al., 2019).  

A uretra é o canal que transporta a urina da vesícula urinária para fora do corpo. Em gatos machos têm uma função adicional, pois também serve como ducto para o esperma durante a ejaculação. A uretra passa pelo pênis e é responsável pela excreção tanto da urina quanto do sêmen (GEORGE & GRAUER, 2016). 

A produção de urina e sua composição são influenciadas por fatores como a ingestão de água, dieta, função renal, estado de hidratação e saúde geral do gato. O equilíbrio hídrico e eletrolítico é crucial para manter a pressão sanguínea adequada e garantir a eliminação eficaz de resíduos metabólicos (THRALL & ROBERTSON, 2023). 

As funções do sistema urinário são interligadas com outros sistemas do corpo, especialmente o sistema cardiovascular e endócrino, para manter o equilíbrio homeostático e garantir a saúde do gato, cuidados adequados e acompanhamento veterinário são essenciais para garantir a função adequada do sistema urinário e a saúde geral do animal (NERI et al., 2016). 

4.3 Fatores associados à formação de urólitos 

A formação de urólitos em felinos (cálculos na vesícula urinária ou uretra) pode ser influenciada por diversos fatores. Um dos principais fatores de risco é a supersaturação urinária que pode exceder a quantidade de solutos capazes de permanecer em solução, dessa forma ocorre precipitação excessiva de cristais que podem não ser excretados da forma correta ou podem sofrer agregação, contribuindo para a formação dos urólitos (SOUZA et al., 2020).  

A diminuição da ingestão de água, tipo de dieta do animal, alteração do pH urinário, infecções urinárias, ausência de inibidores na urina ou presença de promotores de cristalização, são fatores que também podem promover o excesso de precipitados na urina. Anormalidades metabólicas como hipercalcemia, hiperparatireoidismo primário ou hiperadrenocorticismo devem ser consideradas como potenciais formadoras de cálculos, além de fatores congênitos, como shunts vasculares que podem levar a formação dos cálculos de purinas, principalmente em felinos (KOGIKA & WAKI, 2015).  

Dentre outros fatores associados à formação dos cálculos, ainda podemos citar a composição da dieta, que pode ter um impacto significativo na formação de urólitos em felinos. Por exemplo, dietas ricas em minerais como magnésio, fósforo e cálcio podem aumentar o risco de desenvolvimento de certos tipos de urólitos. A ingestão inadequada de água pode levar à concentração excessiva de minerais na urina, favorecendo a formação de urólitos (GEORGE & GRAUER, 2016). O pH da urina também desempenha um papel importante na formação de urólitos, um pH urinário fora da faixa normal pode contribuir para a precipitação de cristais e, consequentemente, para a formação de cálculos. Infecções urinárias recorrentes podem criar condições favoráveis para a formação de urólitos em felinos (ASSIS & TAFFAREL, 2018). 

Gatos com excesso de peso ou obesos podem ser mais suscetíveis à formação de urólitos devido a alterações metabólicas associadas à obesidade. A estenose uretral também pode predispor a enfermidade, assim como alguns tipos de urólitos são mais comuns em determinadas faixas etárias ou em gatos machos, devido à sua anatomia uretral mais estreita e em algumas raças de gatos, pode haver uma predisposição genética para a formação de certos tipos de cálculos, sendo os mais comuns o de estruvita e oxalato de cálcio (JUKES et al., 2019). 

4.4 Diagnóstico 

4.4.1 Sinais Clínicos 

A obstrução uretral em gatos é uma emergência médica que envolve uma obstrução parcial ou completa da uretra, o canal que transporta a urina da bexiga para fora do corpo. Essa condição pode ser potencialmente fatal e requer intervenção médica imediata (ASSIS & TAFFAREL, 2018). 

As alterações clínicas observadas em gatos com obstrução uretral podem incluir: disúria, gatos com obstrução uretral geralmente exibem dificuldade em urinar. Polaciúria, em que os gatos apresentam aumento na frequência de micção. Hematúria, caracterizada pela presença de sangue na urina, assim como apresentar letargia e vômitos (SOUZA et al., 2021). A bexiga pode ficar significantemente aumentada de tamanho devido à incapacidade de esvaziar-se (GRAUER, 2016). 

4.4.2 Possíveis complicações 

As alterações clínicas observadas em gatos com obstrução uretral podem levar a várias complicações graves, que podem ser potencialmente fatais se não forem tratadas adequadamente e com urgência. Algumas das complicações associadas a essas alterações clínicas incluem a ruptura da bexiga, devido a incapacidade de esvaziar a bexiga pela obstrução uretral, que pode levar a um aumento excessivo da pressão dentro da bexiga. Isso pode resultar na ruptura da bexiga, levando à peritonite e choque (MACPHAIL, 2014; CUNNINGHAM & KLEIN, 2013).  

A insuficiência renal aguda também pode ser observada. Ocorre quando a obstrução uretral impede o fluxo normal de urina, os produtos tóxicos que normalmente seriam excretados na urina podem se acumular no sangue, entre eles a ureia, fosfato, potássio, ácido úrico e outras substâncias tóxicas ao organismo, causando a insuficiência renal aguda, que consiste no mau funcionamento renal e na não excreção desses metabólitos, levando a desequilíbrios da homeostase corporal e danos permanentes aos rins (SOUZA et al., 2021). 

Gatos com obstrução uretral frequentemente urinam muito pouco ou nada, resultando em desidratação rápida. A desidratação agrava o estresse e a letargia, tornando o quadro clínico ainda mais complicado, o qual pode afetar o equilíbrio de eletrólitos no organismo do gato, levando a distúrbios como a hipercalemia, que pode ser fatal se não for corrigida, pois afeta o sistema cardiovascular (MONTANHIM et al., 2019).  

A passagem forçada de urina através da obstrução pode causar danos à parede da uretra, piorando o quadro clínico e aumentando a inflamação, também pode estar associada às tentativas de desobstrução, com ou sem sucesso. A retenção de urina estagnada na bexiga pode levar ao desenvolvimento de infecções do trato urinário e, em casos graves, à disseminação da infecção para o resto do sistema. Isso pode ser fatal se não for tratado a tempo (SOUZA et al., 2021). 

Devido ao desconforto, dor, desidratação e aos desequilíbrios causados, os gatos com obstrução uretral estão em risco de entrar em choque, uma condição que pode ser letal. Devido à gravidade dessas complicações, é fundamental que os proprietários de gatos estejam cientes dos sintomas da obstrução uretral e busquem atendimento veterinário imediatamente se notarem quaisquer sinais de obstrução. O tratamento rápido é essencial para minimizar as complicações e salvar a vida do gato afetado (KOGIKA & WAKI, 2015).   

4.4.3 Exames laboratoriais 

Os exames laboratoriais são essenciais para o diagnóstico juntamente com o histórico e exame clínico do paciente. Dentre os componentes sanguíneos analisados, pode-se citar: creatinina sérica, fósforo, cloreto, ureia, GGT, ALT, cálcio ionizado, potássio e glicose. Em um estudo realizado a creatinina, ureia e fósforo estavam acima dos valores de referência devido à azotemia pós-renal, além disso a hipercalemia é muito recorrente e pode contribuir para bradicardia severa e arritmia, esta alteração deve ser corrigida antes de realizar anestesia para a desobstrução (GEORGE & GRAUER, 2016). A análise bioquímica permite avaliar principalmente as reações metabólicas, refletindo a função renal e hepática (SILVA, 2013). 

O hemograma é considerado um exame inespecífico para a enfermidade, apesar de alguns animais apresentarem aumento do hematócrito em decorrência da desidratação e hipovolemia, monocitose, linfopenia e trombocitopenia, que são alterações que podem estar relacionadas com o processo inflamatório das vias urinárias inferiores (THRALL et al., 2015). Em relação a hemogasometria, os animais podem apresentar acidose metabólica, devido a dificuldade em excretar íons de hidrogênio, hipercalemia e hipocalcemia, resultando em problemas cardiovasculares, respiratórios e nervosos graves (MONTANHIM et. al, 2019). 

4.4.4 Exames complementares 

Além dos exames citados, pode-se optar pelos exames complementares para auxílio diagnóstico, sendo estes: eletrocardiograma, urinálise com análise de sedimentos, radiografia abdominal e perineal e ultrassonografia (GEORGE & GRAUER, 2016). 

Através do exame de urinálise é possível classificar a cistite em bacteriana ou intersticial, por meio das propriedades física, química e sedimentoscopia, assim como do ph urinário e presença de células inflamatórias, bacterianas e presença ou ausência de cristais (JERICO, 2015). 

Os exames radiográficos abdominais auxiliam na condução do caso e é recomendado em todos os pacientes, principalmente em suspeitas de urolitíase. Já a radiografia contrastada é indicada para felinos que apresentam obstruções recorrentes (THRALL & ROBERTSON, 2023). Já a ultrassonografia é indicada para avaliação da bexiga, neoformações, cálculos císticos, coágulos, etc. (FORRESTER 2015; LITTLE, 2016).  

4.5 Síndrome de Pandora 

Cerca de 50 a 60% dos casos de DTUIF trata-se de cistite idiopática felina, que consiste em uma afecção de caráter psiconeuroendócrino, inflamatório e não infeccioso que afeta a vesícula urinária, o sistema nervoso central e o eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal (TEIXEIRA et al., 2019).   

O termo recentemente usado, Síndrome de Pandora faz alusão aos problemas liberados quando Pandora abriu a caixa misteriosa encontrada (BUFFINGTON 2018). Se trata de uma condição patológica resultante de uma ativação crônica do sistema central de resposta ao estresse (CSRS) que ocorre pela percepção crônica de ameaça pelo animal, levando a uma variabilidade de combinações do sistema autônomo, endócrino e imune, o que resulta em uma combinação de patologias que pode afetar diversos órgãos (BUFFINGTON, 2018). 

Dentre alguns sinais que podem indicar a ocorrência da síndrome de Pandora, pode-se citar: alterações comportamentais, cardiovasculares, endócrinas, gastrointestinais, imunes, nutricionais, respiratórias, dermatológicas e urinárias (ASSIS & TAFARREL, 2018).  

Para o diagnóstico dessa condição, é importante observar se houve alguma experiência adversa quando o animal era jovem (traumas, abandono), comorbidades, comportamentos patológicos, sinais crescentes e persistentes, respostas globais ao MEMO – modificação multimodal ambiental (BUFFINGTON, 2018). Também podemos observar os parâmetros fisiológicos que indicam estresse, como: diâmetro pupilar, temperatura, frequência respiratória, frequência cardíaca, pressão arterial, sudorese nas patas e lambedura excessiva (BORCHARDT, 2018). 

Além disso, é importante analisar o ambiente que o felino vive, se existe qualidade de água, espaço adequado para descanso, água, caixa de areia em local e com limpeza adequados, longe dos alimentos, fornecimento de alimentação úmida, oportunidade para realizar atividades e ter contato social (BUFFINGTON, 2018).  

4.6 Tratamento 

4.6.1 Manejo Ambiental 

Segundo estudos, existe a possibilidade de envolvimento do sistema nervoso simpático em situação de estresse, o que estimula a resposta inflamatória criando um processo crônico (BUFFINGTON, 2006; BORCHARDT, 2018). 

A bexiga é inervada por neurônios que constituídos de fibras mielinizadas, que são chamadas de fibras C, que quando ativadas levam a liberação de neuropeptídeos e causam dor pélvica, gerando contração muscular, edema da submucosa e degranulação de mastócitos, os quais causam liberação de mediadores da inflamação, como a heparina, histamina, serotonina, prostaglandinas e citocinas (COLVILLE & BASSERT, 2017).  

Deste modo, o tratamento se volta para redução dos fatores de estresse. Em casos de animais hospitalizados, é indicado que a baia seja em um ambiente que tenham apenas gatos, forneça ao animal um local para se esconder, tenha um local acolchoado, água e ração próximas ao local do esconderijo, caixa de areia do lado oposto ao alimento e portas recobertas. Além disso deve ser um ambiente com poucos ruídos, luz, odores, manter uma rotina similar e realizar o mínimo de contenção possível (BUFFINGTON, 2018).  

É indicado que essa ambientação seja também realizada em casa, além do uso de feromônios para evitar que o animal fique ansioso, disponibilizar arranhadores, enriquecimento ambiental e evitar ter muitos gatos, para que eles se sintam seguros e não ameaçados. É importante ressaltar que é indicado ter uma caixa de areia por animal mais um. A areia deve ser mexida diariamente e a caixa deve ser lavada ao menos mensalmente (BORCHARDT, 2018).  

4.6.2 Manejo Emergencial 

O tratamento imediato é necessário para aliviar a obstrução e restabelecer o fluxo urinário, além de retirar o paciente do risco de óbito. Isso geralmente envolve a estabilização do paciente, seguido do cateterismo uretral para desobstrução. Os gatos também são hidratados intravenosamente para corrigir desequilíbrios eletrolíticos e prevenir insuficiência renal. (SAMPAIO et. al, 2020). 

4.6.2.1 Correção do desequilíbrio hidroeletrolítico 

Dentre as soluções eletrolíticas disponíveis, a mais recomendada para correção da acidose metabólica é o ringer com lactato IV, pois permite restabelecer os fluidos nos pacientes e recompor a homeostase renal mais rapidamente quando comparada com a solução salina. (SAMPAIO et. al, 2020).  

A terapia de fluidos intravenosa se inicia é segue sendo ajustada gradualmente de acordo com a estabilização do paciente e o grau da obstrução (GRAUER et. al, 2016). Além disso, pode ser necessário infundir sais de cálcio, glicose ou glicose seguida de insulina em pacientes mais críticos (SAMPAIO et. al, 2020).  

O gluconato de cálcio também pode ser uma alternativa para gatos com intensa hipercalemia, bradicardia e instabilidade eletrocardiográfica. Pode ser administrado em doses de 0,5 a 1ml/kg/h de forma lenta, durante monitoração com eletrocardiograma (GRAUER et. al 2016). 

4.6.2.2 Cistocentese 

A cistocentese deve ser realizada em gatos que apresentam a bexiga extremamente distendida, com intuito de estabilizar o paciente para a anestesia, para posteriormente ser realizada a cateterização uretral. Dentre os benefícios pode-se citar: rápida redução da pressão intravesical, melhora na taxa de filtração glomerular e coleta de urina não contaminada para exames, que pode facilitar a sondagem e o fluxo de urina (GRAUER et. al, 2016). 

4.6.2.3 Analgesia 

Diante da intensa dor gerada pela obstrução, é recomendado realizar analgesia com AINE´s de forma cuidadosa, apesar de ser relatado pouco efeito analgésico e anti-inflamatório, e administrar antiespasmódicos de musculatura lisa para reduzir o risco de recorrência de obstrução uretral, sendo esses fármacos: acepromazina, prazosina e fenoxibenzamin. É importante identificar o local da obstrução para optar por estratégias terapêuticas (massagem peniana, cateterização uretral, hidroretropropulsão e compressão vesical) ou cirúrgicas (uretrostomia e cistotomia) (SAMPAIO, 2020; BERNARDÉ, 2014). 

4.6.2.4 Anestesia 

Após a estabilização do paciente, a anestesia é feita para promover imobilização e relaxamento uretral. Dentre os protocolos possíveis, o mais indicado é ketamina (2 – 5mg/kg IV) com Diazepam (0,2 – 0,5mg/kg IV) ou acepromazina (0,005 – 0,05mg/kg IV), sendo o Diazepam mais indicado para pacientes críticos por não gerar uma hipotensão significativa comparada com a acepromazina (GRAUER et. al, 2016). 

Além disso, a anestesia inalatória pode ser necessária em pacientes que não relaxam o suficiente com o protocolo citado acima ou administração de propofol com ventilação adequada. A epidural é importante por promover analgesia do pênis e bexiga, facilitando a sondagem e diminuindo as doses dos outros fármacos utilizados (GRAUER et. al, 2016). 

4.6.2.5 Cateterização uretral 

A cateterização uretral deve ser realizada de forma asséptica quando outras formas de desobstrução menos invasivas são ineficientes. Para realizar esta técnica é necessário expor o pênis e retrair o prepúcio caudalmente para desfazer a flexura sigmoide, introduzir o cateter de tamanho adequado de forma delicada para não lesar a uretra. Realizar a lavagem da uretra com a técnica de retrohidropropulsão, utilizando solução fisiológica estéril e preferencialmente aquecida, com finalidade de remover os possíveis cálculos, plugs e debris celulares presentes na uretra e lavar a bexiga (GRAUER et. al, 2016).  

Após a desobstrução é necessário suporte intensivo ao paciente até a resolução do quadro metabólico. O tratamento consiste em: manter a sonda uretral, monitorar a produção de urina, administração de fluidoterapia, analgésicos e antiespasmódicos e suplementação com potássio se necessário (GRAUER et. al, 2016). Após 48 horas com a sonda em sistema fechado, se o animal apresentar restituição do fluxo urinário e estabilização do quadro, pode ser liberado para casa, onde as alterações ambientais devem ser instauradas para evitar recidivas (SAMPAIO, 2020). 

4.7 Recidivas 

Alguns pacientes podem apresentar recidivas do quadro devido a falta de manejo ambiental e de dieta, deformações anatômicas e outros fatores citados anteriormente, além de lesões irreversíveis causadas por desobstruções anteriores. O tratamento das causas subjacentes, como a dieta e infecções do trato urinário, é crucial para prevenir recorrência (SAMPAIO, 2020). 

Nestes casos, o procedimento cirúrgico de uretrostomia é recomendado. Tal intervenção visa criar um óstio uretral e pode ser executada de diferentes formas, com a técnica perineal, pré-púbica (SAMPAIO, 2020) ou trans pélvica (BERNARDÉ, 2014). 

4.7.1 Uretrostomias 

A uretrostomia é uma das formas de tratamento cirúrgico mais indicadas quando os protocolos clínicos não são eficientes, podendo ser realizada de forma parcial ou total. Existem estudos que apontam uma boa taxa de sobrevida com possibilidade de retorno da função renal. No entanto, alguns fatores como tempo e gravidade da obstrução podem influenciar no prognóstico pós-operatório (BUENO, et al.,2016). 

A técnica de eleição é a uretrostomia perineal, indicada em casos de neoplasia, trauma uretral, priapismo e situações em que, mesmo com o manejo clínico adequado, o animal apresenta obstruções persistentes. Já a pré-púbica é indicada em caso de falhas na uretrostomia perineal, lesão irrecuperável da uretra intrapélvica ou estreitamento uretral congênito nesta região. Enquanto a transpélvica é realizada em procedimentos primários e emergenciais da doença do trato urinário inferior e obstrução uretral recorrente associada a cistite idiopática felina (BERNARDÉ, 2014; LUTHER & NYE, 2018; SENEVIRATNE et. al, 2020).  

Apesar deste procedimento ser bastante realizado, pode ser seguido de algumas complicações, tais como: infecções do trato urinário inferior, vazamentos uretrais, estenoses, dermatite urinária, deiscência da ferida, etc (DE SOUZA et. al, 2021). 

4.8 Prognóstico e profilaxia 

Para obter um bom resultado, é indicado associar a técnica cirúrgica escolhida com o tratamento medicamentoso e melhora do manejo. Fatores determinantes como dieta, idade, sedentarismo, obesidade, estresse e castração são constantemente evidenciados para a melhora do quadro, assim como a escolha adequada da fluidoterapia de reposição e manutenção e o monitoramento contínuo de eletrólitos e débito urinário, a fim de restabelecer o equilíbrio eletrolítico perdido (DE SOUZA et. al, 2021).  

5. CONCLUSÃO 

A compreensão abrangente da Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos (DTUIF) é crucial para seu manejo eficaz, diagnóstico e prevenção. Esta afecção, caracterizada por distúrbios na vesícula biliar e uretra inicialmente, representa uma das condições mais comuns na clínica felina. Tanto a forma obstrutiva quanto a não obstrutiva apresentam desafios diagnósticos devido à similaridade dos sintomas.  

A anatomia específica do trato urinário masculino em gatos, com uretras longas e estreitas, contribui para a maior incidência de obstruções.  A formação de urólitos, principalmente de estruvita e oxalato de cálcio, é multifatorial, relacionando-se à dieta, pH urinário, e fatores genéticos. O diagnóstico preciso envolve uma combinação de exames laboratoriais, radiografias, ultrassonografia e análise de urina.  

A enfermidade é considerada uma emergência médica que pode levar a complicações sérias, como ruptura da bexiga e insuficiência renal aguda.  A Síndrome de Pandora, uma variante da DTUIF, destaca a influência do estresse crônico no sistema nervoso central e suas repercussões em diversos órgãos, em que o diagnóstico demanda uma análise detalhada do histórico e ambiente do animal.   

O tratamento envolve tanto medidas emergenciais, como a desobstrução uretral e correção hidroeletrolítica, quanto estratégias a longo prazo, incluindo manejo ambiental, analgesia, e, em casos recorrentes a uretrostomia. O prognóstico depende da prontidão da intervenção, da gravidade da obstrução e da resposta individual do paciente, enquanto a prevenção se concentra na modificação do ambiente, dieta adequada, monitoramento constante e colaboração do tutor com o veterinário.  

REFERÊNCIAS 

ASSIS, Michele F.; TAFARREL, Marilda O. Doença do trato urinário inferior dos felinos: abordagem sobre cistite idiopática e urolitíase em gatos, 2018. Disponivel em: https://www.conhecer.org.br/enciclop/2018a/agrar/doenca%20do%20trato.pdf

BERENT, Allyson C. Ureteral obstructions in dogs and cats: a review of traditional and new interventional diagnostic and therapeutic options. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v. 21, n. 2, p, 86-103, 2011. 

BERNARDÉ, Andrew. Which should I choose? …prepubic/ subpubic/ transpubic urethrostomies. In: European College of Veterinary Surgeons Annual Scientific Meeting, 2014, Copenhagen, Proceedings… Copenhagen, IVIS, 2015. p. 127-133. 

BORCHARDT, Michelle.; Feline Medicine Pandora Syndrome. Todaysveterinarynurse.com. Disponível em: https://todaysveterinarynurse.com/wpcontent/uploads/sites/3/2018/09/TVN-2018-01_Pandora_Syndrome.pdf. Acesso em: 15/10/2023.  

BUFFINGTON, Tony. A.; Pandora Syndrome in Cats: Diagnosis and Treatment. Todaysveterinarypractice.com. Disponível em: https://todaysveterinarypractice.com/wpcontent/uploads/sites/4/2018/08/TVP-2018-0910_Pandora_Syndrome_Cats.pdf. Acesso em: 14/10/2023. 

CARVALHO, Ítalo.; CASTRO, Nadson.; JESUS, Úrsula.; TEIXEIRA, Paloma.; LELIS, Esther.; Uretrostomia perineal em felino – relato de caso. ENCICLOPEDIA BIOSFERA, v. 17, n. 32, 2020. 

CHRISTOPHER, George. M.; GRAUER, Gregory. F.; Feline urethral obstruction: diagnosis e management. Today´s Veterinary Practice, Kansas State University, v 6., n. 4., p 36-46, August, 2016.  

COLVILLE, Thomas. P.; BASSERT, Joanna. M. Clinical Anatomy and Physiology for Veterinary Technicians. 3rd Edition. Mosby. Elsevier, 2017.  

CUNNINHAM, John. P.; KLEIN, Bryan. W. Textbook of Veterinary Physiology. 5th Edition. St Louis, Missouri. Elisevier, 2013.  

DYCE, Keith.M., SINGH, Baljit. Dyce, Sack, and Wensing’s Textbook of Veterinary Anatomy. 5th Edition. St Louis, Missouri. Elsevier, 2017. 

FORRESTER, Dru. S.; TOWELL, Todd. L.; Feline idiopathic cystitis. Veterinary Clinics: small animal pratice, v. 45, n.4, p. 783-806, July, 2015.  

GEORGE, Christopher. M. & GRAUER, Gregory. F.; Feline urethral obstruction: diagnosis & management. Today’s Veterinary Practice, Gainsville, p. 39-46, jul./ago. 2016. Disponível em: https://navc.com/todaysveterinarypractice/wpcontent/uploads/sites/4/2016/06/TVP_2016-0708_FelineUrethreal.pdf. Acesso em: 15/09/2023. 

JERICO, Márcia. M.; Tratado de Medicina Interna de cães e gatos. 1ª Edição, Rio de Janeiro: Roca, v. 2, p. 1483-1492, 2015. 

JUKES, Alison.; LUI, Megan.; MORTON John. M,; MARSHALL, Rhrett.; YEOW, N.; GUNEW, Marcus.; Associations between increased body condition score, bodyweight, age and breed with urethral obstruction in male castrated cats. The Veterinary Journal, Austrália, v. 244, p. 7-12, fevereiro, 2019. 

KOGIKA, Márcia M.; WAKI, Mariana. F. Doenças do trato urinário inferior: Urolitíases em cães e gatos. In: JERICÓ, M. M; NETO, J. P. A; KOGIKA, Márcia M. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1st Edition. Rio de Janeiro: Roca, 2015. v. 2, cap. 17, p. 4399-4435.  

LEAL, Leonardo. M.; CRIVELENTI, Leandro. Z.; CIPOLLI, Vera. M. M.; LIMA, Tiago. B.; MORATO, Gláucia. O.; MORAES, Paola. C. Uretrostomia pré-púbica após ruptura uretral em felino com doença do trato urinário inferior. Clínica Veterinária, ano XVII, n. 97, p. 100-104, 2012.  

LITTLE, S. E. Trato Urinário Inferior. In: LITTLE. S. E. O Gato – Medicina Interna. Rio de Janeiro: Rocca, 1 ed. 2016. Cap. 4, p. 944 

LUTHER, Jill. K.; NYE, Alicia. K.; Feline Perineal Urethrostomy: A Review of Past and Present Literature, Topics in Companion Animal Medicine, Volume 33, Issue 3, 2018. p. 77-82. 

MACPHAIL, Catriona. M. Cirurgia do rim e do ureter: Cálculos renais e ureterais. In: FOSSUM, T. W. Cirurgia de Pequenos Animais. 4th Edition. College Station, Texas, 2014. 

MONTANHIM, Gabriel. L.; MARANGONI, Juliano. M.; PIGOSSI, Fernanda. O.; DEL BARRIO, Maria. A. M.; FERREIRA, Maricy. A.; CARVALHO, Marileda. B.; MORAES, Paola. C. Protocolo emergencial para manejo clínico de obstrução uretral em felinos. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 17, n. 3, p. 22-28, 2019. 

NERI, Amanda. M.; MACHADO, Luiz. H. A.; OKAMOTO, Priscylla. T. C. G.; FILIPPI, Maurício. G.; TAKAHIRA, Regina. K.; MELCHERT, Alessandra.; LOURENÇO, Maria. L. G.; Routine Screening Examinations in Attendance of Cats With Obstructive Lower 

Urinary Tract Disease. Topic in Companion Animal Medicine, New York (2016), v. 31, n. 4, p. 140-145, 2016. Disponível em: www.sciencedirect.com  

SAMPAIO, Keityanne. O.; ALEIXO, Grazielle. S. A.; SOUSA-FILHO, Reginaldo.; SILVA, Ellen. C. B.; Obstrução uretral em gatos. Veterinária e Zootecnia, Botucatu, v. 27, p. 1–12, 2020. DOI: 10.35172/rvz.2020.v27.531. Disponível em: https://rvz.emnuvens.com.br/rvz/article/view/531. 

SEGEV, Gilad.; LIVNE, Hofit.; RANEN, Eyal.; LAVY, Eran. Urethral obstruction in cats: predisposing factors, clinical, clinicopathological characteristics and prognosis. Journal of feline medicine and surgery, v.13, p. 101-108, SAGE, 2011.  

SILVA, Adriana. C.; Cistite idiopática felina: revisão de literatura. Arquivos de ciências veterinárias e zoologia da UNIPAR, Umuarama, v. 16, n. 1, p. 93-96. 2013. 

SLATTER, Douglas. Manual de Cirurgia de Pequenos Animais. 3rd Edition. Elsevier Science, v. 2, p. 1643-1649, 2003.  

SOUZA, Israeli. G.; RANGEL, Sara. O.; AQUINO-CORTEZ, Annice.; RODRIGUES, Victor. H. V.; LEITE, ANA. K. R. M.; BEZERRA, Belise. M. O.; RONDON, Fernanda. C. M.; GUEDES, Rodrigo. F. M.; LIMA, Francisco. E. S.; Abordagens cirúrgicas para tratamento de uretrolitíase obstrutiva e tampões uretrais em gatos: uma revisão de literatura, 2022. Reserchgate.net. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Victor-Hugo-Rodrigues/publication/363218147.  

SOUZA, L., BILHALVA, M., RAMOS. A., SILVA. K., NORONHA. M., GRECCO. F. Alterações anatomopatológicas de obstrução uretral em felino. – 6ª semana integrada ufpel 2020. Disponível em: https://cti.ufpel.edu.br/siepe/arquivos/2020/CA_01317.pdf Acesso em: 13/09/2023. 

SOZINHO, Ana. C. C. F.; Frequência da infeção bacteriana do trato urinário inferior como causa de obstrução uretral felina: estudo retrospectivo de 60 casos clínicos. 2019. Tese de Doutorado. Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária. 

TEIXEIRA, Kelly. C.; VIEIRA, Mayara. Z.; TORRES, Maria. L. M.; Síndrome de Pandora: aspectos psiconeuroendócrinos. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo: Conselho Regional de Medicina Veterinária, v. 17, n. 1, p. 16-19, 2019. 

THRALL, Donald E.; ROBERTSON, Ian D. Atlas of Normal Radiographic Anatomy and Anatomic Variants in the Dog and Cat-E-Book. 3rd Edition, Elsevier Health Sciences, junho 2022. 

THRALL, M.A.; WEISER, G.; ALISSON, R.W.; CAMPBELL, T.W. Hematologia e bioquímica clínica veterinária. 2ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015, p.169-304.

YEPES, Gabriela. E.; DE FREITAS, Noedi. L.; GOMES, Deriane E. Obstrução uretral em felinos. Revista Científica UNILAGO, v. 1, n. 1, 2019.