REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511251610
Milena Maylane Maciel da Silva1
Jéssica Rayanne Vieira Araújo Sousa2
Lúcia Camila Oliveira Friedrich Sousa3
Flávia Holanda de Brito Feitosa4
Daphine Rolim Veloso5
Aline Santana Figueredo6
Elys Regina Arruda Martins7
Tayanara Caragiu Guajajara8
Resumo
O câncer do colo do útero é considerado um dos principais problemas de saúde pública, por apresentar elevada incidência e mortalidade entre mulheres, especialmente na faixa etária de 25 a 64 anos. Apesar de ser uma doença prevenível e com alto potencial de cura quando diagnosticada precocemente, ainda persistem barreiras sociais, culturais e econômicas que dificultam o acesso e a adesão às práticas preventivas. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as evidências disponíveis sobre as práticas de prevenção do câncer do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos no Brasil. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed (National Library of Medicine – NLM), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), utilizando descritores indexados e não indexados em português e inglês. Os resultados demonstraram que as principais práticas preventivas estão relacionadas à vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), à realização periódica do exame citopatológico de Papanicolau e às ações de educação em saúde. Conclui-se que, apesar dos avanços nas políticas públicas e das estratégias de promoção da saúde, ainda existem desafios relacionados à desigualdade de acesso e à baixa adesão das mulheres aos programas de rastreamento.
Palavras-chave: câncer do colo do útero; prevenção; saúde da mulher; enfermagem; rastreamento.
Abstract
Cervical cancer is considered one of the main public health problems due to its high incidence and mortality rates among women, especially those aged 25 to 64 years. Although it is a preventable disease with a high potential for cure when diagnosed early, social, cultural, and economic barriers still hinder access and adherence to preventive practices. This study aimed to analyze, through an integrative literature review, the available evidence on cervical cancer prevention practices among women aged 25 to 64 years in Brazil. It is a bibliographic research with a qualitative approach, carried out in the PubMed (National Library of Medicine – NLM), Scientific Electronic Library Online (SciELO), and Virtual Health Library (VHL) databases, including LILACS (Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences) and MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), using indexed and non-indexed descriptors in Portuguese and English. The results showed that the main preventive practices are related to vaccination against Human Papillomavirus (HPV), regular cytopathological screening (Pap smear), and health education activities. It is concluded that, despite advances in public policies and health promotion strategies, challenges related to inequality of access and low adherence of women to screening programs still persist.
Keywords: cervical câncer; prevention; women’s health; nursing; screening.
1. INTRODUÇÃO
O câncer do colo do útero representa um dos principais problemas de saúde pública em nível mundial, configurando-se como a quarta causa mais comum de câncer entre as mulheres e uma das principais responsáveis por óbitos femininos evitáveis (OMS, 2019).
Estima-se a ocorrência anual de cerca de 530 mil novos casos e mais de 250 mil mortes em todo o mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2023) projeta, para o triênio 2023-2025, aproximadamente 17.010 casos novos a cada ano, com maior incidência entre mulheres de 25 a 64 anos, faixa etária prioritária para o rastreamento.
Apesar de ser uma doença evitável, curável e de diagnóstico relativamente simples, a adesão às práticas preventivas ainda é insuficiente. Entre os fatores que dificultam a realização periódica do exame citopatológico ou exame Papanicolau, destacam-se a vergonha, o medo, a falta de tempo, a desinformação, às desigualdades socioeconômicas e as barreiras de acesso aos serviços de saúde (Damacena; Luz; Mattos, 2017).
Além disso, a cobertura vacinal contra o Papilomavírus Humano (HPV) permanece abaixo do recomendado, comprometendo a efetividade das estratégias de prevenção primária (Primo; Speck; Rotel-Martins, 2020). Considerando esse contexto, o fortalecimento de práticas de prevenção, como a vacinação e o rastreamento regular por meio do exame citopatológico, constitui medida essencial para reduzir a morbimortalidade da doença.
Nesse cenário, a atuação da enfermagem apresenta relevância significativa, uma vez que os profissionais da área estão diretamente envolvidos em atividades de promoção da saúde, educação em saúde e acompanhamento das mulheres nos serviços de atenção básica (Bandeira; Silveira; Carvalho, 2018).
Dessa forma, este estudo tem como objetivo geral investigar, por meio de revisão integrativa da literatura, as evidências disponíveis sobre as práticas de prevenção do câncer do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos no Brasil. Como objetivos específicos, busca-se: identificar as estratégias de prevenção descritas na literatura; analisar os fatores que favorecem ou dificultam a adesão ao exame citopatológico; e compreender a influência das condições sociais e econômicas na realização de medidas preventivas.
A justificativa para a realização deste trabalho baseia-se na relevância social e científica do tema, uma vez que o câncer do colo do útero permanece como importante causa de morbimortalidade entre mulheres brasileiras, sobretudo em regiões de maior vulnerabilidade.
Acredita-se que este estudo possa contribuir para o fortalecimento das práticas de prevenção, oferecendo subsídios teóricos que apoiem a atuação de profissionais de saúde, em especial da enfermagem, na implementação de estratégias mais eficazes de educação em saúde e rastreamento precoce.
2. MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão integrativa da literatura, utilizando uma abordagem qualiquantitativa. Tal abordagem foi escolhida por possibilitar o levantamento, a análise crítica e a síntese do conhecimento já existente sobre o tema “Práticas de prevenção do câncer do colo uterino em mulheres de 25 a 64 anos”, permitindo reunir diferentes evidências disponíveis em publicações científicas.
A metodologia científica constitui o conjunto de métodos e procedimentos que orientam a produção do conhecimento, permitindo que o estudo seja conduzido de forma lógica e sistemática (Vieira et al., 2017, p. 256).
O tema “Práticas de prevenção do câncer do colo uterino em mulheres de 25 a 64 anos” guiou a elaboração da estratégia PICo, que corresponde aos elementos Paciente (P), Intervenção (I) e Contexto (Co). Essa estratégia foi utilizada para estruturar a questão norteadora da revisão integrativa: “Quais práticas preventivas vêm sendo implementadas e estimuladas no Brasil para diminuir a incidência do câncer do colo do útero entre mulheres de 25 a 64 anos, e de que forma a produção científica tem discutido sua eficácia e limitações? ”
Quadro 1 – Elementos da estratégia PICo, descritores e palavras-chave utilizados – Santa Inês, MA, Brasil, 2025
| ELEMENTOS | DECS | MESH | |
| P | “Câncer de Colo uterino” | “Neoplasias do colo do útero” | “Cervical Neoplasms” |
| I | “Assistência da Enfermagem” | “Cuidados de Enfermagem” | “Nursing Care” |
| Co | “Rastreamento do Câncer de Colo uterino” | “Programa de Rastreamento” | “Screening Program” |
Fonte: Elaborado pela autora, 2025.
No Quadro 1 é possível observar os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) associados aos termos em inglês obtidos na ferramenta Medical Subject Headings (MeSH). Para a identificação dos estudos relevantes, foram utilizados descritores indexados e não indexados (palavras-chave), nos idiomas português e inglês, de modo a ampliar a sensibilidade da busca.
Para garantir maior abrangência na busca, foram utilizadas as seguintes bases de dados: PubMed (National Library of Medicine – NLM), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e a Biblioteca Virtual em Saúde – BVS, que engloba a LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e a MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online). Para a estratégia de busca foi utilizada a seguinte combinação: “Neoplasias do colo do útero” AND “Cuidados de Enfermagem” AND “Programa de Rastreamento”.
Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais publicados entre 2015 e 2025, disponíveis nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem práticas de prevenção do câncer do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos. Como critérios de exclusão, foram descartados estudos incompletos ou duplicados, além de revisões narrativas, monografias, dissertações, teses e trabalhos que não possuíam relação direta com a temática.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A formulação da pergunta norteadora do estudo foi guiada pela estratégia PICo, ferramenta metodológica recomendada para a construção de questões de pesquisa em estudos não clínicos e de natureza qualitativa ou bibliográfica.
A estratégia PICo é um método que auxilia na formulação de perguntas de pesquisa de maneira estruturada e objetiva, possibilitando a definição clara dos elementos essenciais do estudo. Essa abordagem orienta a busca por evidências científicas ao organizar a questão em três componentes principais: P (Paciente ou Problema), I (Intervenção ou Interesse) e Co (Contexto). (Santos; Pimenta; Nobre, 2007).
Com base nessa aplicação, realizou-se uma busca bibliográfica avançada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes no Medical Subject Headings (MeSH): “Neoplasias do Colo do Útero”, “Programas de Rastreamento” e “Cuidados de Enfermagem”. A pesquisa incluiu literaturas recentes, no período de 2015 a 2025 e abrangeu as bases de dados MEDLINE, LILACS e BDENF.
Inicialmente, foram identificados 42 artigos, procedeu-se à leitura exploratória de títulos e resumos. Aplicaram-se, subsequentemente, os critérios de inclusão predefinidos, os quais compreenderam: publicações disponíveis na íntegra, redigidas nos idiomas português e inglês, que abordassem as dimensões de prevenção, rastreamento ou práticas de enfermagem associadas ao câncer do colo do útero.
Instituíram-se como critérios de exclusão: estudos duplicados, revisões narrativas de literatura, publicações fora do recorte temporal delimitado e aquelas cujo enfoque não guardava relação direta com o objeto de investigação. Após a execução do processo de triagem e análise criteriosa, 14 publicações atenderam integralmente aos critérios de elegibilidade, sendo, portanto, selecionadas para constituir a amostra final desta revisão integrativa.
A amostra final foi constituída por artigos indexados nas bases de dados MEDLINE, LILACS e BDENF, delimitando um recorte temporal de publicações entre os anos de 2015 e 2025, assegurando, assim, a contemporaneidade e a solidez metodológica do corpus de análise. Verificou-se uma predominância de periódicos em língua inglesa (n=11; 78,6%), contra três publicações em português (21,4%), o que reflete tanto a expressiva contribuição da literatura internacional para a enfermagem oncológica quanto a relevância emergente da produção científica nacional no âmbito da saúde da mulher. Na sequência, a Tabela 1 sintetiza as principais variáveis associadas à caracterização dos estudos incluídos.
Tabela 1 – Caracterização geral dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre práticas de prevenção e rastreamento do câncer do colo do útero
| Variáveis | ||
| Ano de publicação | Número Absoluto (n) | % |
| 2025 | 2 | 14,3 |
| 2024 | 2 | 14,3 |
| 2021 | 2 | 14,3 |
| 2020 | 1 | 7,1 |
| 2019 | 1 | 7,1 |
| 2018 | 2 | 14,3 |
| 2017 | 1 | 7,1 |
| 2016 | 1 | 7,1 |
| 2015 | 2 | 14,3 |
| Total | 14 | 100 |
| Idioma | ||
| Inglês | 11 | 78,6 |
| Português | 3 | 21,4 |
| Delineamento metodológico | ||
| Estudo qualitativo | 3 | 21,4 |
| Ensaio clínico / Experimental | 2 | 14,3 |
| Estudo diagnóstico | 2 | 14,3 |
| Estudo clínico (não experimental) | 2 | 14,3 |
| Estudo etiológico | 1 | 7,1 |
| Estudo de triagem (screening) | 2 | 14,3 |
| Estudo observacional | 2 | 14,3 |
| Nível de evidência | ||
| Nível 2 (ensaios clínicos) | 2 | 14,3 |
| Nível 3 (coortes e estudos populacionais) | 2 | 14,3 |
| Nível 4 (diagnósticos / etiológicos) | 2 | 14,3 |
| Nível 5 (observacionais e de triagem) | 3 | 21,4 |
| Nível 6 (qualitativos) | 5 | 35,7 |
| Total | 14 | 100 |
Fonte: Elaborada pela autora (2025).
Dos 14 estudos incluídos, 11 (78,6%) estavam redigidos em inglês e 3 (21,4%) em português, o que demonstra a predominância de publicações internacionais e o fortalecimento crescente da produção nacional sobre a temática.
De modo geral, os resultados reforçam que a enfermagem desempenha papel essencial na prevenção e no rastreamento do câncer do colo do útero, atuando na educação em saúde, no acolhimento humanizado e na implementação de estratégias de rastreamento eficazes. Essa constatação está alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) e às políticas públicas brasileiras, que destacam a necessidade de ampliar a cobertura do exame preventivo e de integrar práticas educativas aos serviços de atenção primária.
Essas evidências serão detalhadas a seguir, na análise temática dos estudos incluídos, que aborda os principais eixos identificados: estratégias de rastreamento e aceitação das usuárias, barreiras socioculturais e determinantes de adesão, papel da enfermagem na prevenção e promoção da saúde, e educação popular como instrumento de empoderamento feminino.
Após a caracterização geral das produções científicas apresentadas na Tabela 1, realizou-se a análise detalhada dos estudos incluídos na revisão integrativa, contemplando suas principais características metodológicas, objetivos e resultados. Os artigos foram organizados no Quadro 2, permitindo uma visão comparativa entre as diferentes abordagens metodológicas, contextos e resultados observados.
Quadro 2 – Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre práticas de prevenção e rastreamento do câncer do colo do útero (2015–2025)
| Nº | Base /Nível de evidência | Título do artigo | Autores/ Ano | Método/ Amostra | Objetivo principal | Principais resultados |
| 1 | MEDLINE / Nível 6 (qualitativo) | Exploring primary health care nurses’ perceptions of cervical cancer screening in Leribe, Lesotho. | Polane MG; Dlamini SB, 2025 | Estudo exploratório qualitativo com aproximadamente 10 enfermeiras atuantes em unidades de atenção primária à saúde. | Explorar percepções e experiências de enfermeiras sobre o rastreamento do câncer do colo do útero na atenção primária. | Identificou barreiras relacionadas à privacidade, medo, autoconfiança profissional e formação, que interferem na oferta e adesão ao rastreamento. |
| 2 | MEDLINE / Nível 2 (ensaio clínico randomizado) | Women’s perceptions and preferences toward HPV self-sampling in France: A questionnaire within the French CapU4 Trial. | De Pauw H; Ducancelle A; Arbyn M et al., 2025 | Ensaio clínico randomizado (CapU4 Trial) com aplicação de questionário; amostra de 682 respostas válidas entre cerca de 15.000 convidadas. | Avaliar percepções e preferências sobre autoamostragem (urina vs. vaginal) no rastreamento do câncer do colo do útero. | Alta aceitabilidade do método; maioria das participantes preferiu realizar a coleta domiciliar, relatando maior conforto e autonomia. |
| 3 | MEDLINE / Nível 2 (ensaio experimental comunitário) | Randomized experimental population-based study to evaluate the acceptance and completion of and preferences for cervical cancer screening. | Lordelo MV; Oliveira CZ; Aguirre Buexm L et al., 2024 | Ensaio experimental de base comunitária realizado no Brasil com 164 mulheres que estavam há mais de 3 anos sem exame preventivo. | Avaliar aceitação, completude e preferência entre quatro métodos de rastreamento do câncer do colo do útero. | Alta taxa de aceitação; maior completude quando o exame foi ofertado próximo ao domicílio; a escolha do método influenciou a adesão. |
| 4 | MEDLINE / Nível 3 (estudo observacional populacional) | The potential influence of patient-centered communication, online provider communication, and social determinants of health on cancer screening. | Totzkay D., 2024 | Estudo observacional transversal baseado em survey nacional (HINTS), com subamostra de 1.466 mulheres submetidas ao rastreamento cervical. | Analisar a influência da comunicação centrada no paciente e da comunicação eletrônica com provedores sobre a adesão ao rastreamento. | Comunicação centrada e interação digital com profissionais aumentaram significativamente a realização do rastreamento; determinantes sociais modulam o efeito. |
| 5 | MEDLINE / Nível 6 (qualitativo) | Registered nurses’ perspectives on barriers of cervical cancer screening in Swaziland: a qualitative study. | Mkhonta SS; Shirinde J., 2021 | Estudo qualitativo com 15 enfermeiras atuantes em unidades públicas e privadas de saúde em Eswatini. | Identificar as principais barreiras percebidas por enfermeiras na realização do rastreamento do câncer do colo do útero. | Relataram barreiras relacionadas a medo, vergonha, estigma, falta de recursos e capacitação, afetando a adesão e a oferta do exame. |
| 6 | BDENF / Nível 6 (pesquisa-ação) | Active search to increase adherence to the Pap Smear test (Busca ativa para aumento da adesão ao exame Papanicolaou). | Maciel NS et al., 2021 | Pesquisa-ação realizada em quatro unidades básicas de saúde no Ceará com mulheres de 25 a 64 anos com exame em atraso. | Descrever a implementação de uma busca ativa para aumentar a adesão ao exame Papanicolaou. | A ação de busca ativa isolada apresentou baixa conversão; destaca-se a necessidade de ações complementares e fortalecimento do vínculo comunitário. |
| 7 | MEDLINE / Nível 5 (transversal) | Acceptability and Feasibility of HPV Self-Sampling as an Alternative Primary Cervical Cancer Screening in Under-Screened Population Groups. | Wong ELY et al., 2020 | Estudo transversal em Hong Kong com 177 mulheres sub-rastreadas. | Avaliar aceitabilidade e viabilidade da autoamostragem para HPV entre grupos com baixa adesão. | Taxa de retorno elevada (73%); autoamostragem considerada viável e eficaz para ampliar cobertura em grupos de difícil acesso. |
| 8 | MEDLINE / Nível 3 (coorte populacional) | Scope-of-practice laws and expanded health services: the case of underserved women and advanced cervical cancer diagnoses. | Smith-Gagen J et al., 2019 | Estudo de coorte retrospectivo utilizando dados do registro SEER e análise de políticas estaduais. | Avaliar o impacto de leis de “scope-of-practice” de enfermeiros sobre o estágio de diagnóstico de câncer cervical em mulheres vulneráveis. | Estados com restrições legais apresentaram maior proporção de diagnósticos em estágios avançados; a prática ampliada reduziu desigualdades. |
| 9 | MEDLINE / Nível 6 (qualitativo) | Barriers to accessing cervical cancer screening among HIV positive women in Kgatleng district, Botswana. | Matenge TG; Mash B., 2018 | Estudo qualitativo com mulheres vivendo com HIV atendidas em serviços públicos. | Identificar barreiras de acesso ao rastreamento em mulheres soropositivas. | As principais barreiras incluíram estigma, distância, desconhecimento e ausência de integração entre serviços; sugere-se modelo de rastreamento integrado. |
| 10 | MEDLINE / Nível 3 (quase-experimental / before-after) | Improving Performance on Preventive Health Quality Measures Using Clinical Decision Support to Capture Care Done Elsewhere. | Bowen ME et al., 2018 | Estudo quase-experimental de melhoria de qualidade utilizando sistemas eletrônicos de apoio à decisão (CDS). | Avaliar se o uso de CDS melhora indicadores de rastreamento preventivo. | O uso do CDS aumentou a captação de exames realizados fora do sistema e melhorou os índices de rastreamento documentados. |
| 11 | MEDLINE / Nível 6 (qualitativo) | Integration of HIV and cervical cancer screening: perceptions and preferences of communities in Uganda. | Kumakech E et al., 2015 | Estudo qualitativo com líderes comunitários e equipes de saúde em Uganda. | Explorar percepções e preferências sobre a integração dos programas de rastreamento de HIV e câncer do colo do útero. | A integração foi amplamente aceita por aumentar a conveniência, embora preocupações com confidencialidade e carga de trabalho tenham sido destacadas. |
| 12 | BDENF / Nível 5 (transversal) | Screening of cervical and breast cancer (Rastreamento do câncer de colo de útero e mama). | Ross JR; Leal SMC; Viegas K., 2017 | Estudo transversal com 211 mulheres atendidas na atenção primária. | Identificar cobertura e fatores associados à realização dos exames preventivos. | Identificou taxas de realização associadas à escolaridade e idade; destaca necessidade de fortalecimento das ações educativas e de rastreamento. |
| 13 | LILACS / Nível 6 (intervenção educativa / relato de experiência) | Educação popular em saúde como estratégia à adesão na realização do exame colpocitológico. | Alves SR et al., 2016 | Intervenção educativa baseada em metodologias participativas desenvolvida em equipe de Estratégia Saúde da Família. | Relatar experiência de educação popular em saúde voltada à adesão ao exame preventivo. | A educação popular e o diálogo com a comunidade aumentaram a adesão e fortaleceram o vínculo entre profissionais e usuárias. |
| 14 | MEDLINE / Nível 6 (métodos mistos) | Measuring the Preferences of Homeless Women for Cervical Cancer Screening Interventions: Development of a Best-Worst Scaling Survey. | Wittenberg E et al., 2015 | Estudo de métodos mistos com grupos focais (n=8) e survey piloto com mulheres em situação de rua. | Desenvolver e validar instrumento para medir preferências de rastreamento entre mulheres em situação de vulnerabilidade. | Foram identificadas preferências relacionadas à acessibilidade, privacidade e tipo de intervenção, úteis para o desenho de programas voltados a grupos marginalizados. |
Fonte: Elaborada pela autora (2025).
A análise comparativa dos estudos constantes do Quadro 2 evidencia a expressiva amplitude e diversidade metodológica das produções científicas publicadas o período delimitado para a busca (2015-2025), refletindo o interesse crescente da comunidade académica e profissional pela temática do rastreamento e prevenção do carcinoma do colo uterino
Verificou-se que as produções compreendem múltiplas dimensões do cuidado, organizando-se em quatro eixos temáticos principais: Estratégias de rastreamento e diagnóstico precoce, com ênfase na incorporação de novas tecnologias e métodos de autocoleta; Barreiras de acesso, abrangendo fatores individuais, socioculturais e estruturais que impactam a adesão ao exame preventivo; Atuação da enfermagem e suas práticas assistenciais e educativas no contexto da atenção primária à saúde; Intervenções de educação em saúde e de fortalecimento da autonomia feminina, voltadas à ampliação da adesão e cobertura do rastreamento do câncer do colo do útero.
Após a análise dos artigos apresentados, observa-se que os estudos dialogam com a importância da atenção integral à saúde da mulher e para a necessidade de ampliação do acesso aos serviços de prevenção e diagnóstico precoce do câncer do colo do útero. Os resultados analisados reforçam discussões já consolidadas na literatura observando as evidências disponíveis na literatura científica, reafirmando a relevância das ações de enfermagem na promoção da saúde e na prevenção do câncer do colo do útero.
Nas primeiras décadas do século XX, no Brasil, a saúde da mulher foi inserida nas políticas nacionais de saúde, entretanto, estava relacionado somente às demandas durante a gravidez e ao parto, restringindo o acesso da mulher a saúde ao ciclo gravídico-puerperal, ficando sem assistência na maior parte de sua vida (Botelho et al., 2022)
Com o intuito de superar este fator, instaurou-se a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) (Silveira; Paim; Adrião, 2019). A partir da introdução das mulheres no mercado de trabalho e com os novos padrões de comportamento sexual no âmbito do movimento feminista brasileiro, esses programas que enfatizavam a saúde da mulher somente no seu período reprodutivo foram criticados pela perspectiva reducionista com que tratavam a mulher, implicando na necessidade de políticas de saúde que respeitassem a sua integralidade (Costa, 2009).
Em 1984 com a necessidade de mudanças nesse modelo de saúde materno-infantis, o Ministério da Saúde elaborou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), propondo princípios e diretrizes de descentralização, hierarquização e regionalização dos serviços, assim como a integralidade e a equidade da atenção (Damacena; Luz; Mattos, 2017).
Nesse programa, foram inseridas ações educativas, preventivas, de diagnóstico, de tratamento e recuperação, além da inclusão da assistência à mulher em clínica ginecológica, câncer de colo de útero e de mama, pré-natal, parto, puerpério, climatério e planejamento familiar (Bandeira; Silveira; Carvalho, 2018).
Tendo como objetivo a ampliação de políticas de saúde feminina, o PAISM encaminhou-se para a criação PNAISM, em 2004. A PNAISM possui como princípios norteadores a integralidade, observando o ser humano em sua totalidade e na promoção da saúde, tendo como objetivos consolidar os avanços no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, com ênfase na melhoria da atenção obstétrica, no planejamento familiar, na atenção ao aborto inseguro e no combate à violência doméstica e sexual. Além disso, inclui-se a prevenção e tratamento de HIV/aids, as portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e de câncer ginecológico (Brasil, 2004).
A população brasileira é composta, em sua maioria, por mulheres (50,77%) e são essas as principais usuárias do SUS. Geralmente buscam atendimentos relacionados a tratamentos de doenças crônicas preexistentes, sintomas clínicos de doenças agudas, gravidez, acompanhamento dos filhos em atendimento médico, vacinas e outros, bem como coleta de exame citopatológico (Brasil, 2004).
De maneira geral, as mulheres vivem mais do que os homens, porém adoecem com maior frequência. A vulnerabilidade feminina frente a certas doenças e causas de morte está mais relacionada com a situação de discriminação na sociedade do que com fatores biológicos, como exemplo discriminação nas relações de trabalho e a sobrecarga com as responsabilidades com o trabalho doméstico (Albuquerque et al., 2016).
De acordo com Dias, Nunes e Gama (2020), as diferenças nos papéis sociais de gênero e as disparidades nas condições laborais e socioeconómicas têm forte relação com piores resultados em saúde e tornam as mulheres mais vulneráveis em relação à acessibilidade e utilização dos serviços de saúde.
A vulnerabilidade social pode ser compreendida como o reflexo das condições de bem-estar social e mantém relação direta com aspectos sociopolíticos e culturais de forma combinada, incluído o acesso a informações, o nível de escolaridade, a disponibilidade de recursos materiais e o poder de enfrentamento das barreiras culturais, entre outros fatores.
Em um estudo realizado por Luchetti et al. (2016), que relaciona o risco de vulnerabilidade social feminina com mortalidade por neoplasias ginecológicas, descrevem os principais fatores como indicadores socioeconômicos e dificuldade no acesso à saúde. Além disso, as neoplasias do colo do útero mantêm-se entre áreas subdesenvolvidas e com acesso restrito aos serviços de saúde, seus fatores de risco estão intimamente relacionados com o cotidiano de mulheres de baixa condição econômica.
Estudos demonstram que o diagnóstico e o tratamento de câncer no Brasil são marcados pelas imensas desigualdades de oferta de assistência especializada, sendo concentrado, em sua maioria, nas regiões Sudeste e Sul e com uma ausência quase total na região Norte, afetando assim o prognóstico de mulheres acometidas pela doença fora dos grandes centros urbanos do país (Oliveira et al., 2011).
As neoplasias, de forma geral, podem ser definidas como um crescimento desorganizado de células que envolvem tecidos e órgãos. Mais de 164 mil óbitos por neoplasias são registrados no Brasil, contabilizados no período de 2011, dos quais 46% incidiram no sexo feminino. O câncer de mama e do colo de útero representam, respectivamente, 17,3% e 6,8% das mortes da população feminina (OMS, 2017).
O câncer do colo do útero é considerado uma doença prevenível e curável, porém ainda com alta morbimortalidade em países que não possuem programas eficazes de prevenção.
Segundo a OMS (2019), surgem mais de 570.000 novos casos anualmente e morrem mais de 311.000 mulheres a cada ano, sendo que a maioria dos óbitos ocorrem em países com baixo índice de desenvolvimento. No Brasil, ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias malignas femininas e o quarto em mortalidade.
A incidência cresce a cada década de vida e está associada à pluralidade de parceiros, infecções sexualmente transmissíveis, idade precoce no início da vida sexual e multiparidade. Outros fatores de risco incluem tabagismo, alimentação deficiente e uso prolongado de anticoncepcionais (Magalhães et al., 2017).
O rastreamento é feito por meio do exame citopatológico, e as diretrizes nacionais recomendam sua realização anualmente ou a cada três anos para mulheres de 25 a 64 anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. No entanto, dados do Ministério da Saúde indicam que a cobertura permanece abaixo do ideal de 70% (INCA, 2016; Costa et al., 2015).
A vacinação contra o HPV é uma medida primária eficaz de prevenção, mas sua cobertura no Brasil ainda é insuficiente, principalmente devido à falta de educação continuada e dificuldades de acesso (Primo; Speck; Rotel-Martins, 2020). De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), grande parte dos casos de câncer do colo do útero no Brasil ainda é diagnosticada em estágios avançados, o que reduz significativamente as possibilidades terapêuticas (INCA, 2020).
Os determinantes sociais de saúde exercem papel crucial na ocorrência do câncer cervical. A OMS (2019) define-os como as condições sociais, econômicas, políticas e culturais em que as pessoas vivem e envelhecem, e que influenciam diretamente seu estado de saúde. Segundo a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais de Saúde (2010), fatores como escolaridade, renda, raça e acesso aos serviços de saúde aumentam o risco de adoecimento.
De acordo com Barros et al. (2021), mulheres com baixo nível educacional e renda estão mais vulneráveis ao CCU, agravadas por fatores como solteirice e multiplicidade de parceiros. Outros estudos reforçam que baixa renda, escolaridade limitada e tabagismo estão entre os principais fatores de risco (Rozario; Silva. Koifman, 2019; Kuroki et al., 2021).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa permitiu observar que a prevenção do câncer do colo uterino em mulheres de 25 a 64 anos é um desafio complexo que envolve múltiplos fatores, desde questões individuais até barreiras estruturais no sistema de saúde. Ficou evidente que, apesar de ser uma doença prevenível e curável, a adesão às práticas de rastreamento permanece abaixo do ideal, influenciada por fatores como vergonha, medo, desinformação e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Foi possível perceber ainda que o papel da enfermagem é fundamental nesse contexto, atuando não apenas na realização do exame citopatológico, mas principalmente na educação em saúde, no acolhimento humanizado e no fortalecimento do vínculo com as usuárias. A enfermagem tem um grande papel em orientar as mulheres sobre a importância do rastreamento regular e em desmistificar crenças que possam impedi-las de cuidar de sua saúde.
Viu-se também que as estratégias de autocoleta para detecção do HPV e a integração de programas de rastreamento com outros serviços de saúde, como os de HIV, apresentam-se como alternativas promissoras para aumentar a cobertura, especialmente entre populações vulneráveis ou com dificuldades de acesso. A aceitabilidade dessas metodologias mostrou-se alta, valorizando a autonomia e o conforto das mulheres.
O enfermeiro deve ter um cuidado especial ao abordar mulheres em situação de vulnerabilidade social, pois fatores como baixa renda, escolaridade limitada e condições de vida precárias aumentam significativamente o risco de desenvolvimento da doença e dificultam o acesso aos serviços preventivos. A atuação do profissional deve ser pautada na equidade, buscando reduzir as desigualdades em saúde.
Após leituras e análises, percebeu-se que a educação popular em saúde e as ações de busca ativa são estratégias eficazes para aumentar a adesão ao exame Papanicolau, desde que implementadas de forma contínua e integrada às necessidades da comunidade. No entanto, intervenções isoladas, sem um planejamento que considere os determinantes sociais de saúde, têm impacto limitado.
Dentro do contexto da atenção primária, a ampliação do escopo de prática da enfermagem e o uso de tecnologias como o apoio à decisão clínica mostraram-se eficazes na melhoria dos indicadores de qualidade do rastreamento. A comunicação centrada na paciente e a interação digital também se destacaram como facilitadoras da adesão.
É importante ressaltar que a atuação da enfermagem na prevenção do câncer do colo do útero vai além da técnica, exigindo uma abordagem integral e humanizada que considere a mulher em sua singularidade e contexto de vida. O cuidado deve ser um encontro dialógico, baseado no acolhimento, na escuta qualificada e no respeito às escolhas e autonomia das usuárias.
Em suma, o enfermeiro, enquanto agente de transformação na saúde da mulher, encontra-se com a comunidade e com as usuárias em um propósito comum: a redução da morbimortalidade por uma doença evitável. A diferença, na perspectiva do cuidado humanizado, é justamente a capacidade de adaptar as práticas às reais necessidades das mulheres, promovendo saúde com equidade e compromisso social. Para que este diálogo seja genuíno, é necessário haver abertura, receptividade e uma atuação pautada nos princípios da integralidade e da justiça social.
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1Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Luzia. E-mail: 1798@faculdadesantaluzia.edu.br
2Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Tecnóloga em Redes de Computadores (Universidade Estadual do Maranhão, UEMA). Especialista em Gestão em Saúde (UEMA). Especialista em Gestão Pública (UEMA). Especialista em Enfermagem em Saúde da Família (UNIBF). e-mail: enf.jessicarayanne@gmail.com
3Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Especialista em Docência do Ensino Superior (Universidade Candido Mendes). Especialista em Educação Especial e Inclusiva (Uninter). e-mail: friecamila@gmail.com
4Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Especialista em Gestão de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas). e-mail: flaviaholanda64@gmail.com
5Enfermeira. Psicóloga. Mestra e Doutoranda em Família na Sociedade Contemporânea (Universidade Católica do Salvador, UCSal). e-mail: daphinerolim@gmail.com
6Enfermeira. Mestra em Saúde do Adulto (Universidade Federal do Maranhão – UFMA e Doutora em Ciências da Saúde (UFMA). e-mail: alinefigueiredoufma@gmail.com
7Enfermeira. Especialista em Enfermagem na Saúde Pública com Ênfase em Vigilância em Saúde (Faculdade Holistica, FAHOL). Especialista em Saúde da Família. (Faculdade de Empreendedorismo e Ciências Humanas, FAECH). Especialista em Gestão e Auditoria em Saúde Pública. (Faculdade Instituto Brasil de Ensino, IBRA). e-mail: elysreginaarrudamartins@gmail.com
8Enfermeira. Especialista em Saúde Indígena (DNA PÓS). e-mail: tayanara.guajajara@saude.gov.br
