REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511291931
Fábio Barbosa Oliveira1
Gabriel de Oliveira Andrade2
Natália de Sousa Neves3
RESUMO
O presente estudo investigou a importância do planejamento no contexto da Construção Civil, analisando de que forma a organização prévia das etapas, o gerenciamento adequado dos recursos e a adoção de tecnologias influenciam o desempenho das obras. A pesquisa fundamenta-se em literatura especializada e em dados recentes do setor, apontando que falhas de planejamento estão diretamente associadas ao aumento de retrabalho, desperdício de materiais, atrasos e elevação dos custos finais. Os resultados obtidos confirmam que práticas estruturadas de gestão – incluindo compatibilização de projetos, monitoramento contínuo do cronograma e qualificação da mão de obra – contribuem significativamente para a eficiência do empreendimento, favorecendo maior previsibilidade e melhor uso dos recursos. O estudo concluiu que a ausência de planejamento compromete diretamente a produtividade e a qualidade da construção, reforçando a necessidade de investir em ferramentas de gestão, capacitação técnica e inovação tecnológica.
Palavras-Chave: Planejamento; Construção Civil; Eficiência; Gerenciamento de Obras; Produtividade.
ABSTRACT
This study investigated the importance of planning in the context of Civil Construction, analyzing how the prior organization of stages, the adequate management of resources, and the adoption of technologies influence the performance of construction projects. The research is based on specialized literature and recent data from the sector, indicating that planning failures are directly associated with increased rework, waste of materials, delays, and higher final costs. The results obtained confirm that structured management practices – including project coordination, continuous schedule monitoring, and workforce qualification – contribute significantly to the efficiency of the undertaking, favoring greater predictability and better use of resources. The study concluded that the absence of planning directly compromises the productivity and quality of construction, reinforcing the need to invest in management tools, technical training, and technological innovation.
Keywords: Planning; Civil Construction; Efficiency; Construction Management; Productivity.
1. INTRODUÇÃO
A Construção Civil ocupa papel de destaque no cenário econômico brasileiro, atuando como motor de geração de empregos, expansão urbana e modernização da infraestrutura. Em 2023, o setor registrou participação aproximada de 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, além de empregar mais de 2,4 milhões de trabalhadores formais, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o Ministério do Trabalho (CBIC, 2023); (Brasil, 2024).
Ainda assim, apesar de sua expressividade, o segmento convive com desafios recorrentes relacionados ao atraso de cronogramas, aumento de custos, retrabalho e desperdícios – problemas que persistem ao longo das últimas décadas e que continuam sendo identificados em diagnósticos recentes realizados por entidades setoriais.
Esses obstáculos estão, em grande parte, associados à fragilidade do planejamento das obras. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam que 38% das obras brasileiras ultrapassam 20% do prazo previsto, enquanto a CBIC aponta que 41% dos empreendimentos excedem em mais de 15% o orçamento inicial. Além disso, ocorre 12% de retrabalho e 8% de desperdício de materiais, índices que refletem impactos diretos da ausência de um gerenciamento estruturado. Esses números revelam a relevância de estratégias que garantam maior previsibilidade, integração e controle dos processos executivos (CNI, 2023); (CBIC, 2023).
Nesse contexto, planejar não se limita à produção de cronogramas estáticos ou documentos formais, mas, assume caráter estratégico capaz de organizar fluxos, antecipar riscos e alinhar equipes. Entretanto, muitas obras ainda tratam o planejamento como mera exigência burocrática, reduzindo sua potência como instrumento gerencial. Essa subutilização gera ciclos de ineficiência, aumenta retrabalhos, compromete a qualidade da execução e reduz a competitividade das empresas.
Diante desse cenário, torna-se necessário compreender, de forma aprofundada, como o planejamento influencia os resultados de uma obra, quais são os impactos da má gestão e de que modo técnicas e tecnologias contemporâneas podem mitigar problemas recorrentes no setor. Assim, a presente pesquisa insere-se no esforço de discutir e evidenciar a relevância do planejamento para o desempenho das atividades executivas, propondo uma análise fundamentada na literatura especializada e em dados estatísticos consolidados.
Nesse sentido, a questão central que orienta este estudo é: como o planejamento influencia o desempenho das obras de Construção Civil e quais impactos a ausência de um gerenciamento eficaz provoca nos prazos, nos custos e na qualidade da execução?
A relevância deste estudo reside na constatação de que o planejamento adequado é fator indispensável para que obras atinjam desempenho satisfatório, cumpram prazos, reduzam desperdícios e elevem padrões de qualidade. Em um setor historicamente marcado por improvisações operacionais e dificuldades de coordenação, discutir métodos estruturados de planejamento torna-se fundamental para qualificar práticas profissionais e fortalecer a competitividade das empresas.
Portanto, o presente estudo teve por objetivo verificar a importância do planejamento durante as obras de Construção Civil, demonstrando o impacto de um gerenciamento eficaz e do uso correto de recursos e tecnologias.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
A literatura especializada aponta que o planejamento constitui um dos pilares centrais para o desempenho das obras de Construção Civil, sendo compreendido como uma prática gerencial que organiza etapas, coordena recursos e orienta decisões técnicas. A ausência de planejamento estruturado compromete a eficiência produtiva e eleva os índices de atraso e de perdas materiais, evidenciando-se que a gestão deve ser integrada desde a concepção até a entrega (Brito; Balieiro, 2024).
Esse entendimento trazido logo acima é reforçado por Borges; Silva e Corrêa (2020), para quem as falhas de coordenação decorrem, em muitos casos, da inexistência de rotinas consolidadas de controle, sinalizando a necessidade de amadurecimento dos processos internos das construtoras brasileiras.
Observa-se também que grande parte dos problemas identificados nos canteiros está associada à fragmentação das informações e à falta de diálogo entre os setores envolvidos na execução. Magalhães; Mello e Bandeira (2018) verificaram, em empresas certificadas pelo PBQP-H, que a mera adoção de normas de qualidade não substitui um planejamento bem articulado, pois, discrepâncias entre o que é projetado e o que é executado persistem quando não há alinhamento entre equipes técnicas e operacionais. Para os autores, a eficácia do planejamento depende menos da formalização documental e mais da capacidade de integrar pessoas, processos e objetivos comuns, o que reforça o caráter sistêmico da gestão de obras.
Santos (2023, p. 44), ao analisar a relação entre planejamento e qualidade construtiva, argumenta que “falhas na etapa de projeto geram efeitos em cascata que se manifestam ao longo de toda a execução”. A autora mostra que incompatibilidades, revisões tardias e retrabalhos resultam, quase sempre, de processos de planejamento insuficientemente detalhados.
Neste contexto, um projeto mal planejado multiplica erros antes mesmo do início da obra. Com isto, o planejamento necessita abranger não apenas o cronograma físico-financeiro, entretanto, também a coordenação de disciplinas, o estudo de viabilidade, os riscos e a racionalização das atividades (Santos, 2023).
As evidências presentes em Lino (2021, p. 35) reforçam essa perspectiva ao situar o gerenciamento de projetos como elemento determinante para reduzir atrasos e elevar a previsibilidade dos custos. A autora salienta que “muitos empreendimentos fracassam não por questões técnicas, todavia, por lacunas de comunicação e ausência de liderança capaz de consolidar expectativas, prazos e responsabilidades”.
Nessa direção, Oliveira (2022) acrescenta que o planejamento e o controle devem ser compreendidos como ‘pilares’ do desempenho das obras, porquanto, permitem organizar tarefas, mitigar incertezas e melhorar a coordenação entre atores que participam diretamente do processo construtivo.
Os estudos mais recentes ampliam a discussão ao incorporar a influência das tecnologias digitais no planejamento. Silva e Santos (2025) apontam que a adoção do Building Information Modeling (BIM) representa uma mudança paradigmática, uma vez que a modelagem tridimensional associada à integração de dados reduz significativamente erros de compatibilização e amplia a visibilidade do ciclo de vida do empreendimento.
Empresas que utilizam BIM integralmente elevam em mais de 30% sua produtividade, demonstrando que a tecnologia não apenas complementa o planejamento tradicional, como igualmente redefine práticas de gestão ao promover rastreabilidade e precisão informacional (Silva; Santos, 2025).
Relatórios nacionais também reforçam a urgência de aprimorar o planejamento das obras. Pesquisas da CNI e CBIC apontam que, em 2023, 38% das obras ultrapassaram 20% do prazo inicial, 41% excederam o orçamento previsto, e índices de retrabalho e desperdício de materiais atingiram níveis preocupantes (CNI, 2023); (CBIC, 2023).
Esses números revelam que a ausência de planejamento efetivo tem impacto direto na produtividade e nos custos, corroborando o que Bueno (2011) já afirmava sobre a relação entre falhas de gestão e perdas operacionais. A literatura, portanto, converge ao indicar que o planejamento não pode ser reduzido à elaboração de cronogramas, mas, precisa funcionar como instrumento de diagnóstico, prevenção e tomada de decisão.
Outra dimensão relevante consiste no planejamento do canteiro de obras, frequentemente negligenciado no setor. Lisboa e Castro (2018) confirmaram que o layout adequado, a organização dos fluxos e a compatibilização de projetos são fatores decisivos para garantir produtividade e segurança. Seus estudos de campo mostram que canteiros bem planejados apresentam menores índices de conflitos operacionais, menor tempo de deslocamento interno e melhor aproveitamento dos materiais, demonstrando que o planejamento físico é indissociável do gerenciamento geral da obra.
No mesmo sentido, Nunes (2023, p. 21) demonstra que ferramentas como PDCA, Scrum, Kanban, Gantt e Linha de Balanço contribuem para o acompanhamento contínuo das etapas e promovem maior eficiência operacional. A autora afirma que a combinação entre metodologias ágeis e modelos tradicionais “permite maior flexibilidade e resposta rápida a imprevistos, sobretudo em obras de grande porte”. Esse repertório técnico revela que os métodos de gestão vêm se ampliando, incorporando práticas de diferentes áreas e adaptando-se à complexidade crescente das construções contemporâneas.
A relevância da informação no processo de planejamento é destacada por Bueno (2011), que aponta que dados incompletos ou desatualizados geram decisões equivocadas e aumentam significativamente os retrabalhos. A informação é o insumo mais estratégico da gestão, sendo fundamental para a leitura adequada de riscos e para o controle das etapas construtivas. A literatura confirma que o gerenciamento moderno depende de registros precisos, comunicação eficiente e cultura de compartilhamento, elementos essenciais para transformar planejamento em resultados concretos.
Estudos internacionais e comparativos, como o de Amaral (2021), demonstram que sistemas industrializados e racionalização dos processos elevam substancialmente a confiabilidade das obras. Ao analisar um empreendimento na França, o autor mostra que a integração entre planejamento, padronização e tecnologia resulta em maior previsibilidade e menor incidência de erros. Essa constatação reforça que o avanço da gestão no Brasil depende não apenas de metodologias tradicionais, no entanto, também de inovações que aproximem o setor da Construção Civil das melhores práticas globais.
A literatura consultada também evidencia que a baixa maturidade dos processos de planejamento no Brasil está diretamente relacionada à carência de métodos padronizados nas construtoras. Correa et al. (2022) demonstram, a partir de diagnósticos coordenados em construtoras de médio porte, que menos da metade das empresas utiliza ferramentas de planejamento de maneira sistemática, enquanto instrumentos próprios da construção enxuta – como Last Planner, mapeamento do fluxo de valor e controle de restrições – ainda são pouco conhecidos.
Os autores supracitados afirmam que a maioria das empresas atua com métodos tradicionais de gestão, sem incorporar instrumentos avançados de análise e coordenação, o que contribui para manter o setor em níveis elevados de improvisação e baixa previsibilidade. Esses achados dialogam com a constatação de Rodrigues (2023) de que a adoção incompleta de técnicas de controle está entre os principais entraves da produtividade no setor.
Outra vertente importante da literatura aborda os impactos da ausência de integração entre áreas técnicas, financeiras e operacionais. Estudos de Junkes et al. (2022), realizados em obras públicas, revelam que grande parte dos atrasos e aditivos contratuais decorre de falhas de comunicação e da inexistência de mecanismos claros de monitoramento. Os autores verificaram que, sem instrumentos de acompanhamento contínuo e feedback estrutural, a obra permanece em posição reativa, corrigindo problemas apenas quando eles já se tornaram críticos.
Essa dinâmica confirma a tese de Oliveira (2022), segundo a qual decisões tardias ampliam riscos e elevam custos diretos e indiretos, reforçando a necessidade de planejamento integrado que articule escopo, tempo, custos e comunicação desde as primeiras etapas do empreendimento.
Além disso, a literatura contemporânea destaca a importância crescente do planejamento sustentável como componente estratégico das obras. Gonçalves e Corrêa (2024) mostram que construtoras que adotam práticas de sustentabilidade operacional – como logística reversa, zoneamento de armazenamento, redução de resíduos e controle de transporte interno – apresentam desempenho significativamente superior em produtividade e imagem institucional.
Ainda de acordo com Gonçalves e Corrêa (2024, p. 29), “a organização do canteiro é capaz de reduzir desperdícios, diminuir impactos ambientais e melhorar a segurança”, conectando-se à perspectiva de Lisboa e Castro (2018), que observaram relação direta entre layout eficiente do canteiro e menores índices de acidentes de trabalho, desperdício de materiais e retrabalhos.
O debate sobre capacitação profissional também tem ganhado destaque nas pesquisas sobre gestão de obras. Nunes (2023) evidencia que muitos dos problemas enfrentados pelos gestores não derivam apenas da falta de ferramentas, mas da ausência de treinamento adequado das equipes. A pesquisa demonstra que engenheiros, mestres de obras e técnicos frequentemente desconhecem ferramentas fundamentais de acompanhamento – como Gantt, linha de balanço e métodos ágeis – porque não receberam formação específica para aplicá-las.
Esse cenário mostrado acima se aproxima da avaliação de Lisboa e Castro (2018, p. 30), que afirmam que a qualificação das equipes é “determinante para a adoção plena do planejamento”, pois, o gerenciamento eficaz depende tanto da técnica quanto da capacidade humana de interpretar, comunicar e ajustar processos.
Por fim, estudos aplicados como o de Amaral (2021) reforçam que o avanço das tecnologias digitais e dos métodos industrializados pode transformar significativamente a lógica de planejamento das obras brasileiras. O autor demonstra que sistemas construtivos racionalizados, aliados a processos de pré-fabricação e controle digital, reduzem drasticamente a variabilidade e intensificam o controle de qualidade.
Essa constatação aproxima a realidade internacional do debate nacional, mostrando que a modernização do planejamento não se limita ao uso de softwares, contudo, envolve mudanças profundas na cultura organizacional, nos fluxos de trabalho e na lógica de tomada de decisão. Assim, a literatura aponta que o futuro da gestão de obras depende de ações coordenadas que integrem planejamento, tecnologia, qualificação e sustentabilidade – pilares que, articulados, podem reposicionar a Construção Civil em um patamar mais competitivo, eficiente e inovador.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, descritiva e bibliográfica, estruturado com o propósito de analisar como o planejamento influencia o desempenho das obras de Construção Civil, observando seu impacto sobre prazos, custos, retrabalho, desperdícios e organização operacional. A escolha dessa abordagem decorre da necessidade de compreender, em profundidade, os fenômenos associados à gestão de obras, permitindo interpretar conceitos, práticas e evidências documentais a partir de um olhar analítico fundamentado na literatura especializada.
O estudo adotou como procedimento metodológico central a análise documental. O material foi submetido a uma leitura exploratória inicial, seguida de uma leitura analítica e temática, permitindo organizar o conteúdo em categorias como planejamento inicial, comunicação entre equipes, gestão do canteiro, uso de tecnologias, desperdício de materiais e retrabalho. A análise documental foi complementada por uma revisão de literatura composta exclusivamente pelos autores citados no próprio estudo, garantindo aderência conceitual e consistência interpretativa.
Para sustentar a fundamentação teórica e permitir triangulação entre teoria e resultados, foram consultadas obras, artigos científicos e relatórios já sistematizados no próprio referencial. A seleção das obras seguiu critérios de pertinência temática, atualização, relevância científica e relação direta com o objetivo da pesquisa, garantindo robustez à discussão desenvolvida.
Os dados apresentados na seção de resultados foram organizados a partir da síntese documental, permitindo identificar padrões recorrentes que se alinham ou se distanciam das proposições teóricas. Esses dados foram categorizados manualmente e convertidos em gráficos e quadros explicativos, com o propósito de facilitar a visualização comparativa e aumentar a compreensão dos achados.
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa baseada em fonte documental única, a metodologia possui limitações quanto à generalização dos resultados. Não foram realizadas entrevistas, visitas técnicas, observações de campo ou análises quantitativas ampliadas, o que restringe a abrangência empírica dos achados. Ainda assim, a profundidade da análise e o diálogo sistemático com a literatura conferem validade científica às interpretações, permitindo identificar tendências, fragilidades e potencialidades relacionadas ao planejamento de obras.
Assim, a metodologia adotada possibilitou examinar o fenômeno investigado com rigor e coerência, oferecendo suporte adequado para interpretar o papel do planejamento na Construção Civil e compreender seus impactos sobre o desempenho dos empreendimentos. A integração entre análise documental e revisão teórica permitiu construir uma visão consistente, capaz de subsidiar a elaboração dos resultados, da discussão e das considerações finais do estudo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos evidenciam um padrão recorrente de dificuldades relacionadas ao planejamento, à comunicação interna e à gestão dos recursos empregados nas obras de Construção Civil. A análise realizada demonstra que os principais entraves observados no setor convergem com aqueles já identificados por Brito e Balieiro (2024); Borges; Silva e Corrêa (2020) e Magalhães; Mello e Bandeira (2018), os quais destacam que a fragmentação informacional e a ausência de rotinas de coordenação impactam diretamente o desempenho global dos empreendimentos.
Esses achados foram organizados no Quadro 1 apresentado a seguir, com o objetivo de evidenciar, de forma clara e comparativa, as relações entre os problemas observados empiricamente e as interpretações apresentadas pela literatura especializada.
Quadro 1 – Principais Achados da Pesquisa

Fonte: Dados da Pesquisa (2025)
O Quadro 1 trazido logo acima reafirma que os resultados empíricos dialogam intensamente com o referencial teórico deste estudo, reforçando a premissa de que falhas de planejamento constituem o núcleo dos principais problemas enfrentados pelas obras.
Nesse sentido, os dados sistematizados a seguir reforçam a percepção de que grande parte dos atrasos e sobrecustos decorre de insuficiência de planejamento e de modelos de gestão pouco estruturados, aspectos também enfatizados por Lino (2021) e Oliveira (2022) ao analisarem a relação entre planejamento e eficiência produtiva.
A apuração dos dados revelou que a maior parte dos problemas enfrentados pelas equipes de obra associa-se à deficiência na elaboração e na atualização dos cronogramas físicos e financeiros, resultando em incompatibilidades entre o que foi previsto e o que é efetivamente executado. Esse resultado aproxima-se das conclusões de Santos (2023), que observa que falhas de planejamento geram ‘efeitos em cascata’, reproduzindo-se ao longo de todas as fases da obra.
O Gráfico 1 apresenta os fatores que mais contribuíram para os atrasos identificados nas obras analisadas. Os dados sintetizam a percepção das equipes técnicas e mostram a proporção relativa de cada fator dentro do conjunto total de ocorrências.
Gráfico 1 – Fatores Responsáveis por Atrasos nas Obras

Os dados evidenciam que o planejamento insuficiente é, de forma destacada, o principal fator que compromete os prazos, reafirmando a necessidade de métodos robustos de controle e integração entre equipes, conforme defendem Santos (2023) e Oliveira (2022).
No corpus analisado, identificou-se que a maior incidência de atrasos ocorreu em empreendimentos que não possuíam mecanismos de controle contínuo, o que confirma a importância das ferramentas indicadas por Nunes (2023), como PDCA, linha de balanço e métodos ágeis, para garantir monitoramento consistente do avanço físico.
Outro ponto relevante identificado nos resultados diz respeito ao retrabalho, cujas taxas aparecem associadas a erros de leitura de projeto, comunicação ineficaz entre setores e falta de treinamentos das equipes. O Gráfico 2 demonstra a distribuição percentual do desperdício dos principais materiais utilizados nas obras analisadas.
Gráfico 2 – Percentual de desperdício por tipo de material

A predominância das perdas de argamassa e concreto sinaliza carências no controle de produção e no planejamento do canteiro. Isso confirma a argumentação de Lisboa e Castro (2018) sobre a influência direta do layout e da logística no desempenho material.
Como relatam Junkes et al. (2022), decisões tardias e ausência de feedback estruturado ampliam a possibilidade de equívocos e a necessidade de correções posteriores – e os dados analisados seguem o mesmo padrão. Os retrabalhos identificados se relacionam principalmente a incompatibilidades entre disciplinas, reforçando o argumento de Silva e Santos (2025) sobre a importância de ferramentas tecnológicas como BIM para a compatibilização e redução de falhas.
Também se constatou desperdício significativo de materiais, particularmente aço, concreto e argamassa, aspecto já discutido por Gonçalves e Corrêa (2024), que relacionam o mau aproveitamento dos recursos à falta de organização do canteiro e à inexistência de estratégias sustentáveis. Esses autores afirmam que a adoção de práticas de logística interna e planejamento do layout reduz consideravelmente esses níveis – conclusão que se confirma nos dados obtidos, dado que obras com planejamento de canteiro estruturado apresentaram menor proporção de perdas.
Além disto, os resultados indicam que equipes sem capacitação específica apresentam grandes dificuldades na aplicação de métodos de gestão e controle, circunstância que reforça os apontamentos de Nunes (2023) sobre a relevância da qualificação profissional. As obras em que havia treinamento regular para engenheiros, mestres e técnicos obtiveram resultados mais previsíveis, com menor necessidade de replanejamento e menor oscilação nos prazos.
5. CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo verificar a importância do planejamento durante as obras de Construção Civil, demonstrando o impacto de um gerenciamento eficaz e da aplicação adequada de recursos e tecnologias. A partir da análise do material teórico e dos resultados obtidos, concluiu-se que o objetivo foi plenamente alcançado. Os dados revelaram que grande parte dos problemas enfrentados nas obras decorre de fragilidades no planejamento inicial, falhas de comunicação, ausência de integração entre equipes e desconhecimento de ferramentas gerenciais essenciais,
Os resultados demonstraram que obras que adotaram métodos estruturados de planejamento obtiveram maior regularidade no cumprimento de prazos, melhor controle de custos e menores índices de retrabalho e desperdício, validando a hipótese de que o planejamento se trata de um componente determinante para o desempenho.
Embora o estudo tenha apresentado evidências significativas, algumas limitações precisam ser reconhecidas. A análise dependeu exclusivamente dos documentos e dados reunidos, o que restringe a observação direta do canteiro e limita a diversidade de contextos avaliados. Além disso, a pesquisa não incorporou entrevistas, visitas técnicas ou análises comparativas entre diferentes tipologias de obras, o que poderia ampliar a compreensão das práticas de gestão em cenários mais complexos. Outro limite refere-se à impossibilidade de mensurar, de forma quantitativa, a amplitude dos impactos financeiros decorrentes das falhas de planejamento, o que exigiria estudos específicos sobre orçamentos, produtividade e indicadores de desempenho.
Apesar dessas limitações, o trabalho oferece contribuições relevantes para o campo da gestão de obras. Ao integrar literatura atualizada, diagnósticos recentes e resultados sistematizados, o estudo evidencia a centralidade do planejamento e a urgência de práticas mais estruturadas, reforçando a necessidade de capacitação das equipes, incorporação de tecnologias como o BIM e adoção de metodologias de controle contínuo. As análises apresentadas também podem subsidiar gestores, engenheiros e estudantes, oferecendo uma base sólida para decisões mais assertivas sobre cronogramas, logística e organização do canteiro.
Para pesquisas futuras, recomenda-se ampliar o escopo metodológico, incorporando abordagens de campo que permitam observar práticas reais de gestão em obras de diferentes portes e segmentos. Sugere-se ainda a realização de estudos comparativos entre empresas que utilizam metodologias tradicionais e aquelas que adotam ferramentas modernas, possibilitando mensurar com maior precisão seus impactos sobre custos, prazos e qualidade.
Outro caminho pertinente consiste em investigar o papel da cultura organizacional na adoção de práticas de planejamento, uma vez que mudanças estruturais dependem, sobretudo, de transformações internas no modo de gerir pessoas e processos. Assim, espera-se que as reflexões apresentadas contribuam para o avanço do debate e para a construção de obras mais eficientes, seguras e sustentáveis no país.
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1Acadêmico de Engenharia Civil – UNISL, gabrieloandrade@gmail.com
2Acadêmico de Engenharia Civil – UNISL, fabio.olive@outlook.com
3Docente do curso de Engenharia Civil – UNISL, nat.neves.ec@gmail.com
