PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL: PREVENDO PROBLEMAS DE BAIXA PRODUTIVIDADE EM SETORES DA ÁREA DE APOIO

ORGANIZATIONAL CLIMATE SURVEY: PREDICTING LOW PRODUCTIVITY PROBLEMS IN SUPPORT AREAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512150845


Daniele Lehnaus da Silva
Klayton Santana Porto


RESUMO 

Este estudo teve como objetivo analisar o clima organizacional de uma empresa do setor  Industrial Alimentício localizada no Vale do Guaporé no estado de Rondônia, por meio de uma  pesquisa quantitativa com a aplicação de um formulário online. A pesquisa foi realizada com  17 funcionários do setor administrativo tais como, portaria, almoxarifado, faturamento,  tecnologia da informação, contabilidade, fiscal e suprimentos, e os dados foram analisados  utilizando técnicas estatísticas descritivas como tabelas e gráficos. Os resultados apontaram que  os colaboradores demonstraram um clima positivo em relação à liderança e à comunicação  interna, mas expressaram insatisfação com os aspectos relacionados ao reconhecimento e  dedicação dos colaboradores. Os descuidos com o ambiente de trabalho podem acarretar sérios  danos para a organização, baixa produtividade, conflitos de relações interpessoais no trabalho  são problemas que muitas empresas enfrentam. Diante dos diversos impactos que a empresa  fica vulnerável ao não buscar conhecer as percepções dos colaboradores em relação à  companhia, gestores e a própria relação funcionário/funcionário, esta pesquisa de clima  organizacional, empenhada nos setores de área de apoio, busca identificar o nível de satisfação  e motivação dos empregados em relação à empresa e aos colaboradores. Com o resultado da  pesquisa será possível analisar os pontos fortes e os que precisam direcionar esforços, além de  identificar possíveis problemas de produtividade que podem levar ao mal funcionamento da  companhia. 

Palavras-chave: Clima Organizacional. Motivação. Produtividade 

ABSTRACT 

This study aimed to analyze the organizational climate of a company in the Food Industry sector  located in the Guaporé Valley in the state of Rondônia, through a quantitative survey using an  online form. The survey was conducted with 17 employees from the administrative sector, such  as reception, warehouse, billing, information technology, accounting, tax and supplies, and the  data were analyzed using descriptive statistical techniques. The results showed that employees  demonstrated a positive climate in relation to leadership and internal communication, but  expressed dissatisfaction with aspects related to employee recognition and dedication. 

Negligence in the work environment can cause serious damage to the organization, low  productivity, and conflicts in interpersonal relationships at work are problems that many  companies face. Given the various impacts that the company is vulnerable to when it fails to  understand employees’ perceptions of the company, managers, and the employee/employee  relationship itself, this organizational climate survey, carried out in support areas, seeks to  identify the level of satisfaction and motivation of employees in relation to the company and its employees. With the results of the survey, it will be possible to analyze the strong points and  those that need to be focused on, in addition to identifying possible productivity problems that  may lead to the company’s malfunctioning. 

Keywords: Organizational Climate, Motivation, Productivity 

1. INTRODUÇÃO 

Este trabalho foi desenvolvido a partir do conceito de diversas pesquisas e estudos:  “funcionário motivado produz mais”. Uma pesquisa realizada pela Right Management em 15  países e com 30 mil pessoas identificou que os colaboradores satisfeitos produzem até 50% a  mais e elevam os resultados da organização (CIMM, 2019). E uma pesquisa feita pela  Universidade da Califórnia revelou que trabalhadores quando estão felizes são em média 31%  mais produtivos e três vezes mais criativos e têm capacidade de venda 37% maior do que  aqueles que não se encontram satisfeitos ou em um bom momento (CIMM, 2019). Outro  estudo, da Universidade de Chicago, mostra que funcionários que se sentem valorizados têm  uma produtividade 12% maior do que aqueles que não recebem reconhecimento (VALOR  ECONÔMICO, 2020). Esses estudos reforçam a importância de estratégias que promovam a  motivação dos colaboradores, como reconhecimento, valorização e criação de um ambiente de  trabalho positivo, para aumentar a produtividade nas organizações. 

Mas afinal, quais fatores influenciam na motivação de um funcionário? Aí é que entra  a importância da pesquisa de clima. O clima organizacional é um elemento extremamente  importante no contexto de uma organização. O clima adequado no ambiente de trabalho se  tornou um fator relevante na satisfação dos colaboradores, pois estes passam grande parte do  seu tempo dentro da empresa. Sendo o clima benéfico, pode haver influência positiva na motivação, entretanto, se o clima é desfavorável, pode haver frustração e, consequentemente,  desmotivação para a realização das atividades e a constante motivação dos colaboradores é um  aspecto significativo e fundamental para o sucesso organizacional.  

Para Idalberto Chiavenato (2009), um dos maiores especialistas em Recursos Humanos,  a definição de clima organizacional é clara e objetiva, se dividindo em 2 aspectos: “O conceito  de clima organizacional envolve um quadro amplo e flexível da influência ambiental sobre a  motivação. O clima organizacional é a qualidade ou propriedade do ambiente organizacional  que é percebida ou experimentada pelos membros da organização e influencia o seu comportamento.” 

O clima organizacional é a percepção das pessoas colaboradoras de uma organização  sobre os processos, políticas e práticas da empresa. Caso o clima organizacional esteja negativo ou até mesmo tóxico, consequentemente vai haver uma redução da produtividade, além da satisfação dos profissionais ficar reduzida. O clima organizacional é um construto, ou seja, um  conceito criado a partir de outros conceitos. Por isso, quando falamos de clima, falamos necessariamente dos seus componentes. Segundo a literatura científica sobre o assunto, o clima organizacional é um amalgamado das percepções dos colaboradores e colaboradoras em relação  a diversos aspectos da sua experiência, como: remuneração e benefícios, oportunidades de crescimento profissional, justiça nas promoções e nos méritos, condições de trabalho e infraestrutura disponível (como softwares, equipamentos e espaços físicos), a qualidade do trabalho em  equipe e o estilo de liderança direta. Todos esses fatores interagem e moldam o ambiente organizacional percebido, impactando diretamente a motivação, o engajamento e o desempenho dos  profissionais. 

Não existe uma forma universal de gerir pessoas que dê certo para todas as organizações,  e a pesquisa de clima mostra sua importância neste aspecto, pois pode mostrar quais passos  aperfeiçoarão o ambiente corporativo. Práticas gerenciais precisam de insumo para que mudem  de forma saudável, com crescimento e evolução para organização e funcionário e os resultados  de uma pesquisa oferecem apoio para estas ações. A pesquisa de clima é fundamental para saber  o que os colaboradores estão pensando e como estão se sentindo em uma organização e a partir  daí, pode-se tomar atitudes mais estratégicas. É basicamente uma análise que traz um diagnóstico da empresa, visando melhorias para a realidade organizacional. Após a análise de resultados da pesquisa de clima é possível identificar oportunidades, prever crises, investir em treinamento e prever uma série de melhorias que antes de serem aplicadas já possuem chances de  sucesso, pois estão embasadas em dados personalizados. 

Esta pesquisa teve como objetivo geral analisar o clima organizacional, e diagnosticar  possíveis problemas de baixa produtividade em determinados setores de uma empresa de grande  porte. Especificamente, buscamos: aplicar questionário online aos colaboradores de alguns  setores da empresa, para obter informações sobre a percepção dos colaboradores em relação ao  ambiente de trabalho e à cultura da empresa; analisar os resultados da pesquisa, resultados  positivos e negativos que interferem no funcionamento da empresa e, por fim identificar  possíveis problemas de baixa produtividade.  

A pesquisa de satisfação interna é uma ferramenta cada vez mais utilizada por empresas  que prezam pelo bem-estar de seus colaboradores e tem sido aplicada nos mais diversos tipos  de organizações, objetivando mensurar o grau de qualidade do clima organizacional. O tema  proposto pode contribuir na melhoria da performance da organização, uma vez que, ao se  compreender o clima da empresa e sua real importância no fator motivacional dos colaboradores, pode-se otimizar o ambiente de trabalho, tornando-o produtivo e possibilitando  resultados efetivos para a organização. Segundo Chiavenato (2005, p. 52) “o clima  organizacional influencia a motivação, o desempenho humano e a satisfação no trabalho”. A  temática ainda se justifica pela abrangência na literatura, em que a importância do assunto é  reconhecida, tanto em relação ao clima organizacional quanto ao estudo da motivação, sendo  estes abordados em diversas publicações científicas.  

Este artigo está estruturado em quatro seções, além desta Introdução. A primeira  compreende a revisão teórica, que aborda aspectos do clima organizacional e as principais  teorias sobre motivação. A segunda trata da metodologia da pesquisa. A terceira seção  contempla a análise, que faz uma descrição e discussão analítica dos dados e informações  levantadas no desenvolvimento da pesquisa. Na última, são apresentadas as conclusões finais  do estudo. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

2.1 Clima organizacional 

O clima organizacional é a forma como as pessoas, membros da organização, percebem  os elementos da cultura organizacional no seu local de trabalho. Assim, o clima  organizacional pode ser entendido como um conjunto de características percebido pelos  trabalhadores e que diferencia uma organização da outra, reforça a sua identidade e, de  alguma forma, influencia no comportamento das pessoas da organização (COHEN; FINK,  2003). 

O clima organizacional de uma organização pode influenciar no desempenho  organizacional, na motivação e na satisfação dos indivíduos que compõem a organização.  A medida do clima organizacional é a percepção das pessoas sobre ele. Logo, as percepções  podem ser retratadas por meio de alguns elementos, como: estilo de liderança, estrutura da  organização, relacionamento interpessoal, formas de comunicação e formas da motivação  (BOWDITCH; BUONO, 2013). 

O clima organizacional é um elemento extremamente importante no contexto de uma  organização. O clima adequado no ambiente de trabalho se tornou um fator relevante na satisfação dos colaboradores, pois estes passam grande parte do seu tempo dentro da empresa. Sendo o clima benéfico, pode haver influência positiva na motivação, entretanto,  se o clima é desfavorável, pode haver frustração e, consequentemente, desmotivação para a realização das atividades e a constante motivação dos colaboradores é um aspecto  significativo e fundamental para o sucesso organizacional.  

O clima organizacional influencia a motivação, o desempenho humano e a satisfação  no trabalho. Ele cria certos tipos de expectativas sobre as quais consequências se  seguem em decorrência de diferentes ações. As pessoas esperam certas recompensas, satisfações e frustrações na base de suas percepções do clima organizacional. Essas expectativas – quando positivas – tendem a aumentar a motivação das pessoas (CHIAVENATO, 2005, p.). 

Souza (apud GRAÇA, 1999, p. 9) diz que “o clima é uma resultante das variáveis  culturais, assim entendida como a soma dos valores, costumes, tradições, e propósitos que  fazem com que uma empresa seja singular”. O autor acredita que, quando essas variáveis são  alteradas, ocasionam alterações no clima, e isso é mais perceptível do que suas fontes causais. 

Litwin e Stringer (apud GRAÇA, 1999, p. 10) identificaram sete variáveis-chave no  clima organizacional, as quais definiram como suas dimensões: conformismo com a estrutura  da empresa; responsabilidade pessoal; padrões de desempenho; recompensas; clareza  organizacional; liderança; apoio e calor humano. 

O clima organizacional deve ser medido, sendo de extrema importância a sua avaliação.  Luz (2005, p. 22) acredita que as organizações devem ouvir seus colaboradores por meio da  área de Recursos Humanos, pois faz parte de sua missão proporcionar-lhes um clima  organizacional favorável. Esse objetivo de tornar a mão de obra satisfeita ou “motivada” está  contido na literatura técnica quanto ao cotidiano da Administração de Recursos Humanos.  Logo, se “motivar” ou ao menos tornar satisfeitos os funcionários é parte da missão da gestão  de pessoas, então ela deve diagnosticar, periodicamente, o clima da empresa com o objetivo de  saber se está de fato cumprindo sua missão: 

A Administração de Recursos Humanos ou do Ativo Humano, como querem alguns,  busca, entre outros objetivos, alcançar a satisfação e a “motivação” dos colaboradores  da organização. Ela deve procurar o pleno aproveitamento desses recursos, dispondo os para que ofereçam um maior rendimento organizacional, expresso em termos de efetividade e produtividade, com o melhor nível de realização individual, expresso em termos de satisfação pessoal e geral. Para isso, ela precisa diagnosticar,  periodicamente o clima organizacional, com o objetivo de saber se a parte mais nobre  de sua missão está sendo atingida (GRAÇA, 1999, p. 23). 

Para Graça (1999), quando o administrador compreende o conceito de clima  organizacional, pode manejar a motivação de seus colaboradores, aumentando a eficiência de  sua equipe de colaboradores. 

Luz (2005, p. 13) relata que podemos encontrar pelo menos três palavras-chave  relacionadas ao conceito de clima organizacional: satisfação (dos funcionários), percepção (dos  funcionários) e cultura (da organização).

O clima organizacional é, de certa forma, o reflexo da cultura da organização, ou melhor,  o reflexo dos efeitos dessa cultura, na organização como um todo. Luz (1995) afirma que o  “clima é resultante da cultura das organizações; de seus aspectos positivos e negativos  (conflitos)”. 

2.2 Relação entre clima e cultura organizacionais 

De acordo com Luz (2005, p. 20), existe uma relação de causalidade entre clima e  cultura organizacionais, onde se pode afirmar que a cultura é a causa e o clima a consequência.  O clima pode ser caracterizado como fenômeno temporal, referindo-se ao estado de ânimo dos  colaboradores de uma organização em um dado momento, enquanto a cultura decorre de  práticas recorrentes, estabelecidas ao longo do tempo. Além disso, o clima e a cultura são  fenômenos intangíveis, pode-se inferir através dos conceitos de alguns autores que o clima e a  cultura se complementam. O clima organizacional é de certa forma, o reflexo da cultura da  organização, ou melhor, o reflexo dos efeitos dessa cultura, na organização como um todo. O  autor ainda afirma que o “clima é resultante da cultura das organizações; de seus aspectos  positivos e negativos (conflitos)” 

2.2.1 Satisfação no trabalho 

Robbins (2002) define o termo satisfação com o trabalho como a atitude geral de uma  pessoa em relação ao trabalho que realiza, onde o colaborador pode ter um alto nível de  satisfação e apresentar atitudes positivas como também pode ter insatisfação e apresentar o  oposto, atitudes negativas. Isso significa que a avaliação que um funcionário faz de sua  satisfação ou insatisfação com o trabalho é resultado de um complexo somatório de diferentes  elementos, a saber: convivência com colegas e superiores; obediência a regras e políticas  organizacionais; alcance de padrões de desempenho e a aceitação de condições de trabalho,  geralmente abaixo do ideal. O autor discorre sobre a importância de se ter colaboradores  satisfeitos: 

Funcionários satisfeitos parecem mais propensos a falar bem da organização, ajudar  os demais e ultrapassar as expectativas em relação ao seu trabalho. Além disso, funcionários satisfeitos podem estar mais dispostos a ir além de suas atribuições regulares, por querer repetir experiências positivas (ROBBINS, 2002, p. 78). 

A satisfação no trabalho está diretamente ligada à forma como os colaboradores se  sentem em relação à empresa e ao seu trabalho, e isso se reflete na sua postura perante o público  e no seu desempenho. Eles tendem a ser mais produtivos, engajados e comprometidos com as  tarefas, o que resulta em melhores resultados e um ambiente de trabalho mais positivo.

2.2.2 Fatores que influenciam o Clima Organizacional 

O clima organizacional resulta de uma série de fatores inter-relacionados que moldam  a experiência dos colaboradores no ambiente de trabalho. A forma como esses fatores são  gerenciados pode promover um ambiente positivo e produtivo ou gerar tensões, insatisfação e  queda no desempenho. Segundo Chiavenato (2010), o clima organizacional está diretamente  ligado à percepção que os colaboradores têm em relação às políticas, práticas e comportamentos  que permeiam o cotidiano da organização. Entre os fatores mais influentes destacam-se a  liderança, a comunicação, o estilo de trabalho, o reconhecimento e a cultura organizacional. 

A liderança é um dos elementos mais determinantes do clima organizacional. A maneira  como os líderes se relacionam com suas equipes, tomam decisões e se comunicam afeta  diretamente a confiança e o engajamento dos colaboradores. Como destacam Bowditch e Buono  (2014), líderes eficazes conseguem inspirar, motivar e alinhar suas equipes aos objetivos  organizacionais, enquanto lideranças autoritárias ou desorganizadas tendem a gerar medo,  desmotivação e resistência às mudanças. No cotidiano, uma liderança positiva estimula a  autonomia, o feedback contínuo e o senso de pertencimento. 

A comunicação interna desempenha papel essencial na construção de um ambiente  transparente e colaborativo. Para Lacombe (2016), a clareza, frequência e reciprocidade na  troca de informações influenciam diretamente a coesão entre equipes e a tomada de decisões.  

O estilo de trabalho, que envolve tanto o ambiente físico quanto a organização das  rotinas e tarefas, também interfere diretamente no clima organizacional. Segundo Silva (2018),  aspectos como ergonomia, temperatura, iluminação, ruído e até a flexibilidade de horários  impactam na satisfação e produtividade dos colaboradores. 

A percepção de justiça e valorização é fundamental para o fortalecimento de um clima  positivo. Berg (2012) afirma que colaboradores que se sentem reconhecidos têm níveis mais  altos de motivação, engajamento e lealdade à organização. O reconhecimento pode ser feito por  meio de recompensas financeiras, promoções, elogios públicos, feedbacks positivos e  oportunidades de crescimento. Quando essas práticas estão ausentes ou são mal aplicadas,  surgem sentimentos de desvalorização e frustração, o que compromete o desempenho  individual e coletivo. 

A cultura organizacional representa o conjunto de valores, crenças e normas  compartilhadas que orientam o comportamento dentro da empresa (COHEN; FINK, 2003). Ela  influencia a forma como os colaboradores se relacionam, tomam decisões e lidam com os  desafios cotidianos.

No dia a dia, esses fatores influenciam diretamente a qualidade das interações, a  produtividade, a saúde mental dos colaboradores e o alcance de metas organizacionais. Um  clima organizacional positivo pode gerar aumento no desempenho, redução do absenteísmo e  maior retenção de talentos. Já um clima negativo costuma resultar em apatia, conflitos internos,  afastamentos por doenças e queda de resultados. Assim, a gestão consciente desses elementos  é essencial para o sucesso organizacional e para o bem-estar das pessoas. 

2.2.3 Tipos de Clima Organizacional 

O clima organizacional pode ser classificado em diferentes tipos, que refletem as  condições e percepções predominantes no ambiente de trabalho. Um clima positivo é  caracterizado por um ambiente motivador, onde há boa comunicação, reconhecimento  constante e um forte sentimento de pertencimento entre os colaboradores. Esse tipo de clima  favorece o engajamento, a colaboração e o aumento da produtividade. Já o clima negativo surge  quando a organização enfrenta dificuldades como problemas na comunicação, liderança  ineficaz, falta de reconhecimento e um ambiente geral de desmotivação e insatisfação, o que  pode resultar em alta rotatividade e baixo desempenho. Por fim, o clima neutro é aquele em que  não há grandes problemas aparentes, mas também não existem ações proativas para promover  melhorias no ambiente de trabalho, levando a uma situação de estabilidade aparente, porém  com baixo potencial para crescimento e inovação. 

2.2.4 Indicadores do Clima Organizacional 

Conforme Luz (2005, p. 32), embora o clima seja de fato abstrato, ele se materializa nas  empresas sinalizando sobre a sua real qualidade por meio de alguns indicadores:  Um dos principais indicadores é o turnover, ou rotatividade de pessoal. Altos índices de  turnover indicam falta de comprometimento dos colaboradores e podem sinalizar que a empresa  não atende adequadamente às expectativas e necessidades dos funcionários (BERG, 2012). Essa  rotatividade gera custos financeiros e perda de conhecimento organizacional, além de impactar  negativamente o clima ao desestabilizar equipes. 

O Absenteísmo, faltas frequentes podem estar relacionadas não só a problemas de saúde  física, mas também a insatisfação com o ambiente, estresse e desmotivação (SILVA, 2018). O  absenteísmo elevado compromete a produtividade e sobrecarrega os colegas, agravando ainda  mais o clima organizacional.

Outro indicador crucial é a avaliação de desempenho. Baixo desempenho de  colaboradores muitas vezes decorre de fatores emocionais, como apatia, desânimo e problemas  pessoais relacionados ao ambiente de trabalho (CHIAVENATO, 2010). É fundamental que  gestores mantenham canais abertos de comunicação e escuta ativa, promovendo feedbacks  construtivos e suporte emocional. 

As greves e mobilizações coletivas, embora geralmente relacionadas a questões legais  e salariais, refletem um profundo descontentamento dos trabalhadores com as condições de  trabalho e a gestão da empresa (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JÚNIOR, 2008). Essas  manifestações indicam falhas no diálogo social e no reconhecimento das demandas dos  colaboradores.

Conflitos interpessoais e interdepartamentais: essa é a forma mais aparente do clima de  uma organização, a intensidade dos conflitos é o que vai determinar, muitas vezes, se o clima é  tenso ou agradável. A intensidade e frequência desses conflitos podem tornar o clima tenso e  hostil, ou, quando bem gerenciados, podem ser oportunidades para crescimento e melhoria das  relações (COHEN; FINK, 2003). 

O desperdício de materiais é uma forma mais sutil de resistência dos colaboradores  diante de condições insatisfatórias, revelando insatisfação e falta de engajamento (LACOMBE,  2016). Ainda que menos visível, esse comportamento tem impacto financeiro e operacional. 

Queixas no serviço médico: alguns colaboradores fazem uso dos consultórios médicos  das empresas para fazer reclamações sobre suas angústias em relação ao trabalho, como:  sobrecarga, humilhações, constrangimentos, exposição a situações vexatórias, discriminações  (SANTOS et al., 2016). Muitos desses problemas transformam-se em distúrbios emocionais,  que acabam gerando doenças e influenciando negativamente na qualidade de vida dos  empregados. 

Esses indicadores não apenas evidenciam a existência de problemas no clima  organizacional, mas também têm implicações profundas no cotidiano do trabalho. Um ambiente  marcado por alta rotatividade, absenteísmo e conflitos constantes gera desgaste emocional e  físico nos colaboradores, reduzindo sua capacidade produtiva e comprometendo a eficiência da  organização. Além disso, a insatisfação refletida nos indicadores pode causar um efeito em  cascata, contaminando outras áreas da empresa e dificultando a retenção de talentos. 

Portanto, monitorar esses indicadores e atuar preventivamente é fundamental para  manter um clima organizacional saudável, que favoreça a motivação, o comprometimento e a  qualidade de vida no trabalho.

2.3 Cultura Organizacional  

Cultura são características de regras de convivência formuladas por todos os que  participam de um mesmo ambiente. Deste modo, a cultura é a forma institucionalizada de  pensar e agir, compartilhada por todos e repassada entre as gerações – mesmo que não saibamos  como ela surge. 

A cultura demora para ser mudada; porém, ao longo do tempo, alguns comportamentos  são alterados, ressignificados e compartilhados entre os membros de uma organização. Vejamos  o conceito de Edgar Schein sobre cultura organizacional: 

Conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu, lidando com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionou bem o suficiente para ser considerado válido e ensinado a novos membros como a  forma correta de perceber, pensar e sentir, com relação a esses problemas (apud LACOMBE, 2021, p.14). 

Seus pressupostos básicos se referem a um conjunto de regras e princípios criados pelo  grupo que fundou a organização, e que são mobilizados para adaptar a organização  externamente e integrar as pessoas a essas normas. Dessa forma, a cultura organizacional é a  forma institucionalizada de pensar e agir dentro das organizações. 

Cada organização é única e singular, apresentando um estilo de gestão e de  comportamento compartilhado entre os indivíduos. A cultura é constituída de aspectos, ações e  valores compartilhados entre os membros de uma organização, e está estreitamente vinculada  aos fundamentos do objetivo e das políticas gerais da organização (LACOMBE, 2021). 

As culturas podem ser fortes ou profundas; neste tipo, os valores organizacionais são  fortemente compartilhados entre todos os membros. Ou seja, o pessoal da organização age na  mesma direção para perpetuar a cultura vigente, o que é positivo para situações de estabilidade  (LACOMBE, 2021). Já uma cultura fraca apresenta valores superficialmente compartilhados  pelos membros das organizações. Essas tipificações não significam que uma cultura é melhor  que a outra. Entretanto, o que se sabe é que, em culturas fortes, há pouca oposição, mais adesão  dos indivíduos e mudá-las é mais difícil; já em culturas fracas, há uma tendência a mudanças e  tensão entre os membros. 

A cultura organizacional apresenta algumas características que podem identificá-la,  como foco na inovação, orientação para resultados, foco nas pessoas ou equipes, grau de  mudança, estabilidade, entre outras. O foco em cada característica pode ser forte ou fraco. 

Logo, podemos refletir que tanto a organização quanto os indivíduos que a compõem  podem influenciar mudanças na cultura organizacional. Também devemos considerar que a  sociedade em que a organização está inserida influencia a cultura da organização.

A cultura organizacional é um conceito amplamente discutido no campo da administração  e do comportamento organizacional. A proposta de Bowditch e Buono (2013), que apresenta a  cultura organizacional manifestando-se por meio de três dimensões — material, psicossocial e  ideológica — é útil para compreender as múltiplas formas pelas quais a cultura se expressa no  cotidiano das organizações.  

A dimensão material se refere ao sistema produtivo de produtos ou serviços da organização.  Seria a verificação de como funciona a forma de produzir ou atender dentro de uma  organização. É o aspecto mais visível da cultura organizacional, aquilo que pode ser facilmente  observado e documentado, como fluxos de trabalho, layout do espaço físico, vestimentas e  manuais operacionais. Edgar Schein (2010), um dos principais estudiosos da cultura  organizacional, chama essa camada de “artefatos”. Para ele, os artefatos incluem tudo que pode  ser visto, ouvido e sentido dentro de uma organização, como linguagem, vestuário, arquitetura  e rituais. No entanto, ele alerta que essa dimensão, embora visível, é de difícil interpretação  sem o conhecimento das outras camadas da cultura. 

A dimensão psicossocial revela a forma de interação e comunicação entre os membros.  Assim, em organizações mais hierarquizadas, as relações podem ser mais formais, enquanto em  organizações mais achatadas as relações podem ser mais abertas. Em uma organização com  cultura psicossocial participativa, o diálogo entre líderes e liderados é mais horizontal e há  incentivo à troca de ideias. Em contrapartida, culturas mais rígidas podem dificultar a inovação  e a resolução colaborativa de problemas. 

Gareth Morgan (2007), em seu livro “Imagens da Organização”, destaca que a estrutura da  organização influencia profundamente sua cultura. Organizações com estruturas mais  horizontais tendem a favorecer ambientes colaborativos e participativos, enquanto estruturas  verticais promovem relações mais formais e centralizadas. 

A dimensão ideológica está mais ligada aos valores, normas e rituais praticados na  organização; tem forte relação com a história e a missão da organização. É a base sobre a qual  as outras dimensões se sustentam e costuma ser mais difícil de mudar. Para Edgar Schein  (2010), essa dimensão corresponde aos valores e pressupostos básicos. São verdades tidas como  inquestionáveis, muitas vezes inconscientes, que orientam o comportamento dos membros da  organização. Organizações que valorizam a ética, a responsabilidade social ou a inovação, por  exemplo, internalizam esses princípios em sua missão, visão e rituais organizacionais, o que  orienta o comportamento dos colaboradores mesmo sem regras explícitas.

2.4 Gestão de Conflitos 

Vivemos num mundo onde as pessoas têm problemas, divergências e impasses. O conflito pode ser entendido como uma diferença entre duas pessoas, entre duas áreas, entre duas  organizações ou entre países. No ambiente de trabalho, podemos ter as diferenças de interesses  e de posições, mas nenhuma das partes está certa ou errada: às vezes, é uma questão de perspectiva. Entretanto, os conflitos provocam muitos contratempos nos ambientes organizacionais,  caso eles não sejam bem gerenciados (OLIVEIRA, 2017). A questão a que devemos nos atentar  é: de que maneira vamos lidar com os impasses, os problemas e os conflitos? Para começar a  responder a essa questão, precisamos entender que existem duas classificações de conflitos  (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JR., 2008): 

Conflito racional ou objetivo: refere-se a um impasse sobre um valor, um prazo ou  alguma definição de troca e entrega no ambiente de trabalho. Esses conflitos são mais fáceis de  serem resolvidos. 

Conflito emocional: ocorre quando uma ou ambas as partes têm interesse pessoal, que  envolve seu status, ego ou posição. Esse tipo de conflito é mais difícil de se resolver e é muito  vivenciado nos ambientes políticos das organizações públicas. 

Assim, para resolver um problema, é importante primeiro identificar a qual classificação  ele pertence. 

Também apresentamos outros três tipos que podem auxiliar na resolução dos conflitos  (BERG, 2012): 

Conflito pessoal: refere-se a como você lida consigo; está relacionado a se você reconhece suas reações diárias e a como alimenta seu autocontrole. Ele ocorre quando há incoerência interna, dúvidas, frustrações ou dificuldade de lidar com emoções como raiva, medo e ansiedade. 

Daniel Goleman (1995), ao tratar da inteligência emocional, destaca a importância da  autoconsciência e do autocontrole emocional como competências fundamentais para o bem estar no trabalho. Ele argumenta que profissionais emocionalmente inteligentes tendem a lidar  melhor com pressões e conflitos internos, tornando-se mais resilientes e eficazes em ambientes  desafiadores. 

Maslow (1943), em sua teoria das necessidades, sugere que indivíduos em conflito interno não conseguem atingir níveis mais altos de realização pessoal (autorrealização), pois permanecem presos em necessidades básicas e de segurança emocional.

Investir em treinamentos de desenvolvimento pessoal, coaching e programas de saúde  mental pode ajudar os colaboradores a gerenciar melhor seus conflitos internos, prevenindo o  esgotamento e melhorando o desempenho. 

Conflito interpessoal: esse conflito pode acontecer entre duas pessoas da mesma  equipe, ou de equipes diferentes, ou de setores diferentes. Conflitos interpessoais geralmente  têm origem em falhas de comunicação, diferenças de valores, estilos de trabalho ou competição  por recursos. No ambiente de trabalho, pode afetar a colaboração, a produtividade e o clima  organizacional. A gestão eficaz do conflito interpessoal envolve comunicação clara, compreensão das causas e busca por soluções que beneficiem todas as partes envolvidas.  Thomas e Kilmann (1974), propuseram um modelo amplamente usado de estilos de  resolução de conflitos, baseado em duas dimensões: assertividade e cooperação. Eles identificaram cinco estilos: competição, acomodação, evitação, compromisso e colaboração. Esse modelo ajuda a entender como as pessoas reagem frente aos conflitos e como diferentes estilos  podem ser mais ou menos eficazes dependendo do contexto. 

Conflito organizacional: refere-se a incertezas e mudanças externas às organizações,  introdução de novos sistemas ou reestruturação das organizações. Esse tipo de conflito pode  levar à tensão, ao estresse e à desmotivação dos membros das empresas. 

Kurt Lewin (1951), em sua teoria da mudança organizacional, descreve o processo de  mudança em três fases: descongelamento, mudança e recongelamento. Descongelamento: Esta  fase prepara a organização para a mudança. Envolve criar um senso de urgência, comunicar a  necessidade da mudança, e quebrar as resistências iniciais. Mudança (ou Transição): Nesta fase,  a mudança efetivamente acontece. Novas práticas, processos e comportamentos são  implementados, o que pode gerar conflitos e incertezas à medida que as pessoas se adaptam.  Recongelamento: O objetivo desta fase é estabilizar a mudança e garantir que ela se torne parte  da cultura da organização. Isso envolve reforçar os novos comportamentos, processos e  estruturas, tornando-os parte da rotina. Ele destaca que os conflitos surgem especialmente na  fase de transição, quando velhas práticas são abandonadas e novas ainda não foram  consolidadas.  

Conflitos bem geridos podem ser fontes de aprendizado, inovação e crescimento  organizacional. O papel da liderança e da cultura organizacional é central nesse processo,  atuando como facilitadores da mediação e da transformação dos conflitos em oportunidades. 

Assim, uma forma de resolver os conflitos é a negociação. A negociação é uma  transação na qual ambas as partes têm a possibilidade de rejeitar, ou seja, dizer “não”. Caso  numa conversa não seja possível negar, então não se trata de uma negociação, e sim de uma imposição. Assim, a negociação é um processo de dar e receber, em que as verdadeiras  condições do acordo são resolvidas, chegar a um objetivo que seja aceitável para as duas partes.  E o melhor resultado de uma negociação é aquele que produz ganho para ambas as partes  envolvidas (CHIAVENATO, 2009). 

3. METODOLOGIA  

Este estudo foi realizado com base em uma pesquisa descritiva qualitativa. A pesquisa  descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou  fenômeno ou estabelecimento de relações entre variáveis. Para Andrade (2002) destaca que a  pesquisa descritiva se preocupa em observar os fatos, registrá-los, analisa-los, classifica-los e  interpretá-los, e o pesquisador não interfere neles. Assim, os fenômenos do mundo físico e  humano são estudados, mas não são manipulados pelo pesquisador.  

Segundo Denzin e Lincoln (2006), a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem  interpretativa do mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus  cenários naturais, tentando entender os fenômenos em termos dos significados que as pessoas  a eles conferem. Seguindo essa linha de raciocínio, Vieira e Zouain (2005) afirmam que a  pesquisa qualitativa atribui importância fundamental aos depoimentos dos atores sociais  envolvidos, aos discursos e aos significados transmitidos por eles.  

Nesse sentido, esse tipo de pesquisa preza pela descrição detalhada dos fenômenos e  dos elementos que o envolvem. Creswel (2007, p. 186) chama atenção para o fato de que, na  perspectiva qualitativa, o ambiente natural é a fonte direta de dados e o pesquisador, o principal  instrumento, sendo que os dados coletados são predominantemente descritivos. Além disso, o  autor destaca que a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto, ou seja,  o interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar “como” ele se  manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas.  

Outro aspecto é que a análise dos dados tende a seguir um processo indutivo a pesquisa  qualitativa é emergente em vez de estritamente pré configurada. Richardson (1999), acrescenta  que a pesquisa qualitativa é especialmente válida em situações em que se evidencia a  importância de compreender aspectos psicológicos cujos dados não podem ser coletados de  modo completo por outros métodos, devido à complexidade que encerram (por exemplo, a  compreensão de atitudes, motivações, expectativas e valores).

Segundo Mattar (1999), as pesquisas descritivas compreendem grande número de  métodos de coleta de dados compreendendo: entrevistas pessoais, entrevistas por telefone,  questionários pelo correio, questionários pessoais e observação.  

O Questionário (apêndice 1), aplicado no presente estudo, foi desenvolvido através da  ferramenta do Google “Google forms” e enviado por correio eletrônico, de forma a coletar os  dados necessários para a realização do estudo. A opção por este instrumento foi pelas seguintes  razões: custo mais baixo, padronização das perguntas, maior facilidade para análise dos dados  em função da uniformidade das respostas e manutenção do anonimato dos respondentes. O fator  anonimato é muito importante para que os funcionários se sintam seguros em responder a  pesquisa de acordo com suas verdadeiras opiniões. O questionário continha nove perguntas  objetivas sobre vários aspectos do clima organizacional, como liderança, comunicação,  oportunidades de crescimento e motivação no trabalho. Os dados coletados foram analisados  por meio de estatísticas descritivas e análise de conteúdo.  

O público alvo da pesquisa foram os colaboradores de três setores da área de apoio de  uma empresa do setor Industrial Alimentício localizada no Vale do Guaporé no estado de  Rondônia. Tendo um total de três gestores e dezessete funcionários. Considerando-se que a  aluna-autora do presente trabalho faz parte do setor Administrativo da empresa, com isso se  tornou mais fácil a aceitação dos demais funcionários em colaborar com a pesquisa.

Tabela 1. Quadro de funcionários 

Para analisar como o clima organizacional influencia a satisfação e o desempenho dos  colaboradores em uma empresa específica, foram entrevistados três diferentes departamentos  da área de apoio da empresa, com o objetivo de obter uma visão representativa do clima  organizacional. Para análise da pesquisa foi realizada uma coleta de dados, através de um  questionário online, os dados foram organizados de forma clara e concisa, utilizando tabelas e  gráficos, para facilitar a compreensão e a comunicação dos resultados.  

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

O primeiro gráfico mostra a quanto tempo os colaboradores trabalham na empresa:

Figura 1: Tempo de empresa.

Ao analisar os resultados da pesquisa de clima, é importante levar em consideração o tempo  de empresa dos funcionários, um funcionário que está há mais tempo na empresa pode ter uma  visão mais consolidada e crítica da organização, enquanto um novo colaborador pode ter uma  perspectiva mais otimista e positiva. No gráfico, observamos que 35,3% possuem de 3 a 5 anos  e 35,3% possuem mais de 5 anos, ou seja 70,6% dos colaboradores já tem uma melhor  percepção em relação ao clima organizacional. 23,5% de 1 a 3 anos e apenas 5,9 de 3 a 6 meses. 

Buscando compreender o sentimento que os colaboradores têm acerca da valorização de  seus trabalhos pelos líderes, estes responderam: 

Figura 2: Valorização profissional

Fonte: Pesquisa de campo (2024)

Diante da afirmativa “Sinto que meu líder valoriza minhas contribuições”, podemos ver  que grande maioria concorda parcialmente 64,7%, ou concordam totalmente 11,8%, mostrando  que os gestores buscam valorizar os trabalhos de seus funcionários, com isso, gerando  motivação. 17,6% discordam parcialmente e 5,9% discorda totalmente com a afirmação. 

Conforme Oswaldo (2013) a valorização no ambiente de trabalho, que pode muitas vezes, ser demonstrada mediante “atitudes afetuosas” (sem qualquer tipo de conotação sexual) é essencial  para elevação da autoestima e motivação dos colaboradores.  

O famoso psicólogo Abraham Maslow ao hierarquizar as necessidades humanas colocou a  realização pessoal e profissional em níveis mais altos. Segundo Maslow (1970), a autorrealização profissional é a busca pessoal de cada indivíduo na tentativa de realizar seu  próprio potencial e a se desenvolver continuamente como ser humano ao longo de toda a vida,  por meio de tarefas válidas e virtuosas. O ser humano tem necessidade intrínseca de sentir-se  parte da equipe, da organização, de sentir-se amado, valorizado e reconhecido. Traz consigo  uma grande vontade de crescer profissionalmente, tem muitas ambições, cria expectativas,  sonha com uma vida melhor, busca novos conhecimentos, quer destacar-se, ter sucesso na vida,  Oswaldo (2013). 

Toda a pessoa tem a necessidade de ter seus esforços reconhecidos, não importa a forma  que for, tanto no âmbito profissional quanto no familiar, quando não há esse reconhecimento  as consequências podem ser significantes tanto para o colaborador quanto para a empresa. Para  o profissional, pode gerar desmotivação, insatisfação, estresse, ansiedade e até problemas de  saúde mental, como depressão. Para a empresa, pode resultar em queda de produtividade,  aumento da rotatividade de funcionários, dificuldades na retenção de talentos e em um clima  organizacional negativo. 

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca da autonomia  para tomar decisões relacionadas às suas tarefas, eles responderam: 

Figura 3: Autonomia para tomar decisões

Fonte: Pesquisa de campo (2024)

Autonomia no trabalho é a capacidade de um colaborador tomar decisões e agir de forma  independente no exercício de suas funções. Dar poder de decisão à equipe permite que os colaboradores tenham voz para lidar com suas responsabilidades e tarefas no cotidiano  corporativo. A abordagem de Taylor, embora controversa, também aborda a autonomia no  trabalho. A “administração científica” defendida por Taylor busca otimizar a eficiência do  trabalho, o que pode ser interpretado como uma forma de restringir a autonomia do  trabalhador. No entanto, a crítica à Taylor é importante para a reflexão sobre a autonomia,  mostrando que a autonomia não se reduz a um sistema de gestão, mas sim à capacidade de o  trabalhador tomar decisões, resolver problemas e exercer sua criatividade. 

Os dados do gráfico mostram que os gestores dão liberdade para os seus colaboradores  gerir suas próprias rotinas laborais, onde 70,6% concordam parcialmente que têm autonomia  em suas funções, 5,9% concordam totalmente e apenas 23,5% discordam parcialmente. Ter  autonomia profissional não significa que os colaboradores ficam sem nenhum tipo de  supervisão. Contudo, ao invés de ditar regras e monitorar cada pequena ação da equipe, os  líderes passam a atuar de maneira mais estratégica, delegando tarefas, traçando metas e  mediando interesses. No mesmo sentido, um colaborador capaz de tomar suas próprias decisões  também ganha mais confiança em seu cargo. Isso o faz sentir-se mais valorizado pela empresa,  o que também favorece seu engajamento e motivação.  

Além do senso de confiança e de engajamento que a autonomia no  trabalho proporciona, ela também potencializa o desenvolvimento de habilidades. Afinal,  enquanto lida com os desafios diários da organização, cabe ao colaborador encontrar soluções,  pensar de maneira inovadora e desenvolver as competências necessárias para atingir suas metas. 

Visto que, não são os gestores que acompanham seus resultados e definem meios para  potencializá-los, mas sim os próprios colaboradores. Por outro lado, um ambiente com  processos engessados, excesso de regras e líderes rígidos é sufocante. Quando tudo é tratado  como mera obrigação, as atividades passam a ser vistas de maneira entediante e negativa. 

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca da  acessibilidade do líder ao diálogo, eles responderam. 

Figura 4: Líder acessível e aberto ao diálogo

Fonte: Pesquisa de campo

A liderança acessível, ao contrário da liderança tradicional, onde a comunicação pode ser  restrita, a liderança acessível promove um ambiente de trabalho mais aberto, colaborativo e  inclusivo. Diante da afirmativa “O líder da minha equipe é acessível e aberto ao diálogo”, 58,8%  concordam parcialmente e 35,3% concordam totalmente. Apenas 5,9% discordam  parcialmente. É muito importante que os gestores estejam abertos ao diálogo, falar com clareza  e saber ouvir respeitando as opiniões dos outros, conforme Warren Bennis (1989), um  renomado estudioso de liderança, defende que líderes abertos ao diálogo são essenciais para a  eficácia de uma organização. Ele enfatiza que a liderança eficaz não se limita à gestão de  processos, mas sim à inspiração e engajamento da equipe, o que inclui a escuta atenta e a  valorização das opiniões dos membros. 

Para Bennis, a liderança é um processo de construção de uma visão compartilhada, onde a  participação ativa da equipe é fundamental. Isso significa criar um ambiente onde todos se  sintam ouvidos e valorizados, promovendo um diálogo aberto e construtivo. Para Daniel  Goleman (1995), também estudioso de liderança, um líder que se abre ao diálogo, valorizando  a comunicação e a escuta ativa, é essencial para a construção de um ambiente de trabalho  positivo e produtivo. Essa abertura ao diálogo, que se manifesta através da empatia, habilidade  social e autoconsciência, permite que o líder compreenda as necessidades e emoções dos seus  liderados, criando um espaço para a troca de ideias e o desenvolvimento de soluções.

Em concordância com os estudiosos, um líder aberto ao diálogo não apenas compartilha  ideias, mas também busca ouvir as perspectivas e opiniões dos outros. Ele valoriza a  diversidade de pensamento e utiliza essa troca de ideias para tomar decisões mais assertivas e  eficazes.

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca da  comunicação interna, eles responderam. 

Figura 5: Comunicação eficaz 

Fonte: Pesquisa de campo

Em relação à comunicação interna dos colaboradores podemos ver que 82,4% concordam  parcialmente que possuem uma comunicação interna eficaz. 11,8% Discordam parcialmente e  5,8% Discordam totalmente. Sabemos da importância de uma boa comunicação para atingir  bons resultados dentro da companhia, a comunicação clara evita conflitos e promove a  eficiência e a produtividade. A utilização de diferentes ferramentas e canais de comunicação,  como intranet, e-mail, reuniões, mensagens instantâneas, eventos e outras, é essencial para  garantir que a informação chegue a todos os colaboradores de forma eficaz, evitando  retrabalhos, o que gera custos adicionais para a empresa. A comunicação interna serve para  construir um ambiente mais integrado e manter um relacionamento produtivo entre líderes e  liderados, assim como estudiosos da comunicação organizacional e gestão de pessoas, como  Torquato (2002), Chiavenato (2014) e outros, concordam que a comunicação interna é  fundamental para o sucesso das empresas. Ela vai além de apenas transmitir informações, sendo  um processo estratégico que afeta a cultura organizacional, os relacionamentos, a motivação e  o desempenho dos colaboradores. 

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca dos salários e  benefícios oferecidos, eles responderam. 

Figura 6: Salários e benefícios

Fonte: Pesquisa de campo

Em relação aos salários e benefícios que a empresa oferece 58,8% acham que não  são justos e 41,2% concordam que sim. Quando colaboradores sentem que seus salários e  benefícios não são justos, isso pode gerar diversos problemas, desde insatisfação e falta de  engajamento até a perda de talentos para outras empresas. Vários componentes são levados em  consideração ao estabelecer estruturas salariais. Isso envolve análises de trabalho e pesquisas  salariais. Um dos elementos-chave na criação de estruturas salariais é a estabilidade na  igualdade de remuneração interna e externa. A igualdade de remuneração interna refere-se ao  pagamento dos funcionários em comparação com aqueles em posições semelhantes em uma  organização. A igualdade de remuneração externa diz respeito ao salário dos funcionários em  comparação com aqueles em posições semelhantes fora da empresa. É de extrema importância  para uma empresa manter um equilíbrio entre a igualdade de remuneração interna e externa.  Isso ajudará a manter os funcionários motivados e promoverá a harmonia no ambiente de  trabalho. 

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca da realização  de feedbacks, eles responderam. 

Figura 7: Cultura de Feedback

Fonte: Pesquisa de campo

Nessa organização a cultura de feedback é 100% aplicável. O feedback é o alinhamento  de expectativas, ele pode trazer pontos positivos, construtivos e negativos. No ambiente interno  de uma empresa, isso diz respeito às avaliações de desempenho realizadas com a equipe, tanto  a respeito do que se espera de colaboradores, quanto às suas expectativas relacionadas à  organização. No entanto, o feedback expõe pontos positivos e negativos, o feedback positivo  reforça comportamentos desejados e motiva a continuar com o bom desempenho, enquanto o  feedback construtivo estimula a buscar soluções e aprimorar áreas de necessidade.  

Goleman (1995), destaca a importância de ouvir atentamente, evitar reações defensivas  e buscar compreender o contexto do feedback. Quando alguém recebe um feedback, é natural  que possa se sentir defensivo, mas Goleman sugere que, ao evitar essa reação e, ao invés disso,  tentar entender o ponto de vista do outro, é possível transformar o feedback em uma  oportunidade de crescimento e aprendizado. Essa postura de escuta ativa ajuda a criar  confiança, reduz conflitos e favorece uma comunicação mais aberta e construtiva. Além disso,  compreender o contexto do feedback permite que a pessoa avalie melhor as informações  recebidas e tome ações mais eficazes para melhorar seu desempenho ou comportamento. 

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca das oportunidades de crescimento profissional que a empresa oferece, eles responderam: 

Gráfico 8: Oportunidades de crescimento profissional

Fonte: Pesquisa de campo

O desenvolvimento dentro de uma empresa é algo que todo profissional almeja, diante dos  dados apresentados no gráfico podemos observar que essa empresa está empenhada em  capacitar e desenvolver os colaboradores para novas oportunidades, onde 58,8% dos  colaboradores concordam totalmente, 35,3% Concordam parcialmente e apenas 5,9%  discordam parcialmente com a afirmação. Especialistas em recursos humanos destacam que a  oportunidade de crescimento dentro da empresa é um fator crucial para a satisfação e retenção  de talentos. O foco nas oportunidades de desenvolvimento profissional, como treinamentos,  planos de carreira e a possibilidade de assumir novas responsabilidades, influencia  positivamente a percepção de justiça organizacional e a intenção de permanência dos  colaboradores. 

Kiko Campos (2022), Diretor Global de RH, destaca a importância do crescimento  profissional, “fazer sempre as mesmas atividades nos coloca em uma zona de conforto:  começamos a operar em modo automático e acabamos por não nos desenvolver mais  profissionalmente. Uma vez que a falta de crescimento eventualmente leva à inércia ou até  mesmo uma certa regressão, já que não colocamos em prática tudo o que sabemos, não usamos  todas as habilidades que temos e acabamos ficando “enferrujados” em algumas áreas. Então,  ainda que você esteja em uma posição boa e fazendo algo que traga satisfação, é importante  sempre buscar oportunidades de crescimento”. Diante dos números positivos que o gráfico  apresentou podemos ver que a empresa oferece oportunidade de crescimento, isso faz com que  os colaboradores trabalharem mais motivados e desempenhem um bom trabalho, pois  conhecimento mais aprendizado geram oportunidades.  

Buscando compreender os sentimentos que os colaboradores têm acerca do fator  motivação, eles responderam:

Figura 9: Motivação para alcançar os objetivos

Fonte: Pesquisa de campo

Diante da afirmativa “Estou motivado para alcançar meus objetivos”, 52,9%  Concordam parcialmente, 11,8% Concordam totalmente, 23,5% responderam que Discordam  parcialmente e 11,8% Discordam totalmente. De acordo com Robbins (2005), cada indivíduo  precisa ter uma visão bem clara de onde quer chegar e quais suas metas pessoais para que possa  trabalhar com determinação e fazer o possível, o que estiver ao seu alcance para alcançar os  objetivos e metas, tanto pessoais como os da empresa ou organização a que pertence. Para  Robbins (2005), o que move o indivíduo a se esforçar para alcançar os seus objetivos é o  momento que ele percebe quais são seus sonhos, desejos, anseios, pois a partir deste momento,  ele estará disposto a trabalhar e agregar esforços para realizá-los e, portanto, se sentirá motivado  para tal. 

O desafio do gestor é identificar em cada indivíduo de sua equipe o que mais lhe é  importante, quais os sentimentos motivacionais que cada um traz consigo e como estes  sentimentos poderão contribuir de maneira positiva para a empresa. Ele deve sempre lembrar  que as pessoas são diferentes e possuem desejos específicos. Ele precisa conhecer  individualmente cada colaborador, identificar suas qualidades, facilidades, talentos para poder  aproveitá-los mais produtivamente, como Robbins (2005) salientou. O fato de se aplicar a  mesma tarefa para duas ou três pessoas, por exemplo, mesmo incentivando-as constantemente,  não significa que o trabalho será bem executado ou executado da maneira desejada. 

4.1 Análise de Respostas Cruzadas 

A análise de respostas cruzadas em pesquisas de clima organizacional permite identificar padrões e tendências que podem não ser aparentes em uma análise individual das respostas. Ao comparar as respostas de diferentes grupos (por exemplo, diferentes departamentos, níveis hierárquicos, grupos de idade), é possível identificar pontos de concordância e divergência, revelando áreas de preocupação e oportunidades de melhoria. Ao analisar as respostas, a  empresa pode obter uma visão mais completa do clima organizacional, identificar áreas de preocupação e tomar medidas de melhoria para criar um ambiente de trabalho mais positivo e  produtivo. 

Para obter os resultados da análise cruzada, as respostas do questionário foram analisadas individualmente em tabelas onde foi possível comparar as respostas em grupos, por exemplo: funcionários com menos de 1 ano de experiência vs. funcionários com mais de 5 anos;  Trabalho valorizado vs. colaboradores que estão motivados. Procurando entender o que as respostas cruzadas revelam sobre as percepções entre diferentes fatores vemos a importância de a  organização estar sempre alinhada com os objetivos e metas dos seus colaboradores, uma vez  que, um fator negativo ocasiona outros fatores negativos.  

Fazendo uma análise entre os fatores, motivação para alcançar os objetivos e a valorização do líder nas contribuições dos funcionários, podemos observar na tabela abaixo que, os  colaboradores que se sentem mais motivados também são aqueles que sentem ter suas atividades no trabalho mais valorizadas. 

Tabela 2. Motivação X Valorização Profissional

 Fonte: Desenvolvido pelo autor

Isso significa que a valorização profissional é um aspecto fundamental no desenvolvimento de uma cultura organizacional. Correlacionando as informações da tabela com os dados  de um terceiro fator representado no gráfico n° 8 “Oportunidades de crescimento profissional”,  onde a empresa apresenta dados positivos em oferecer oportunidades profissionais, concluímos  que, reconhecer e valorizar as contribuições dos colaboradores não apenas aumenta a motivação, mas também impulsiona a busca por oportunidades de crescimento. 

De um total de 6 colaboradores que disseram discordar parcialmente ou totalmente em estar  motivados, 6 colaboradores também responderam que discordam totalmente ou parcialmente que o líder valoriza suas contribuições. Ou seja, a não valorização do líder sobre as atividades  realizadas desses colaboradores impacta diretamente no nível de motivação dos mesmos.

Valorizar esses profissionais evita problemas como baixa de produtividade e insatisfação  com o trabalho, promove um ambiente de qualidade, ajuda reter talentos reduzindo a rotatividade e os custos associados à contratação e treinamento de novos funcionários, contribui para  a redução do estresse e aumento do bem-estar geral dos colaboradores. A valorização também  promove uma imagem positiva da empresa, atraindo talentos de alta qualidade e reforçando a  reputação organizacional. 

A valorização profissional é mais do que um conceito; é uma prática essencial que traz  benefícios significativos tanto para os colaboradores quanto para as organizações. Ao identificar os pontos negativos na pesquisa de clima organizacional, a empresa corrigindo-os pode aumentar a satisfação e o engajamento dos funcionários, o que se reflete em  maior produtividade. Por exemplo, Frederick Herzberg (1971), na sua teoria dos dois fatores,  destaca que fatores como condições de trabalho, relacionamento com colegas e influenciam a  satisfação dos funcionários. Melhorias nesses aspectos podem levar ao aumento do engajamento. Já Edgar Schein (2010), reforça a importância de entender a cultura organizacional e os  pontos de melhoria para promover mudanças que aumentem o bem-estar e o desempenho dos  colaboradores. Daniel Goleman (1995), com sua teoria da inteligência emocional, aponta que  ambientes de trabalho positivos, onde as necessidades dos funcionários são atendidas, promovem maior motivação e produtividade. Por fim, Patrick Lencioni (2002), destaca a importância  de equipes saudáveis e de uma cultura organizacional forte, que podem ser fortalecidas ao abordar pontos negativos identificados na pesquisa de clima.

Tabela 3. Salários e Benefícios X Tempo de Empresa

Fonte: Desenvolvido pelo autor

Fazendo uma análise cruzada das respostas dos colaboradores, percebemos que colaboradores  mais antigos são os que demonstram mais insatisfação com os salários e benefícios, e a maioria  dos colaboradores mais novos responderam que acham justos. A empresa onde foi realizada a  pesquisa é composta por colaboradores que começaram em um cargo e com o passar dos anos, adquirindo conhecimento e aprendizados em outras funções foram consequentemente também  evoluindo suas habilidades até chegarem no cargo atual. O Setor administrativo por exemplo,  é composto pelos cargos de Faturamento, Tecnologia da informação, Analista fiscal, Suprimentos, Contábil e Financeiro, grande parte dos funcionários dessas funções já vierem de outros  setores de dentro da fábrica através de oportunidades que a empresa ofereceu, outros foram  contratados através de recrutamento externo, como toda empresa de grande porte possui uma  política de remuneração às vezes uma contratação bem qualificada tem o salário equiparado aos  salários desses colaboradores com mais tempo de casa, isso leva a um descontentamento em  funções de todo conhecimento e empenho que os mesmos oferecem para a organização.  

Segundo estudos na área de gestão de pessoas, como os de Herzberg (1971), fatores como remuneração e benefícios são considerados fatores higiênicos, ou seja, sua ausência causa insatisfação, mas sua presença não garante satisfação plena. Com o tempo, se esses fatores não  forem adequados, a insatisfação pode aumentar, enquanto melhorias podem gerar maior satisfação. Para evitar descontentamentos, é recomendável revisar o pacote de remuneração e benefícios pelo menos uma vez por ano, levando em consideração as tendências do mercado, as  necessidades dos funcionários e o feedback recebido. Essa prática ajuda a garantir que o pacote de remuneração e benefícios permaneça relevante e atraente para todos. 

5. CONCLUSÃO 

Os resultados corroboram com a literatura existente sobre o impacto do clima organizacional no desempenho dos colaboradores. Quando os funcionários percebem que suas necessidades estão sendo atendidas, seja por meio de um bom ambiente de trabalho, políticas de reconhecimento ou um estilo de liderança que favoreça o desenvolvimento, eles se tornam mais comprometidos com as metas da empresa. Além disso, um clima positivo contribui para a diminuição da rotatividade e do absenteísmo. 

Este estudo revelou que o clima organizacional tem um impacto significativo no desempenho dos colaboradores e na satisfação geral no ambiente de trabalho. Os resultados que obtiveram uma satisfação mais baixa dos funcionários podem alertar a empresa a estabelecer algumas  estratégias para aumentar a satisfação de seus funcionários nesses quesitos, evitando assim que  os mesmos afetem o ambiente de trabalho. Em um âmbito geral constatou-se que houve satisfação na maioria dos fatores abordados, apenas o fator da Remuneração e Benefícios ficou com um indicador negativo, os quais são fatores determinantes para que os colaboradores se sintam  valorizados de acordo com as funções exercidas, busquem melhorar o desenvolvimento laboral e entregar os resultados que a companhia espera, colaborador desmotivado não produz resultados bons.  

Como medida, o RH da unidade juntamente com os gestores pode rever a política de salários  e benefícios, caso for necessário, adotar medidas igualitárias para que todos sejam remunerados  de acordo com as suas funções e competências, podendo incluir também outros benefícios espontâneos. A política de salários e benefícios ajuda a atrair, reter talentos e a recompensar os  colaboradores de forma justa pelo seu trabalho, dessa forma teremos colaboradores mais motivados em aumentar o engajamento, diminuindo também a chances de perder um bom funcionário para a empresa. 

Entende-se para que o clima organizacional da empresa continue proporcionando resultados  positivos, tanto para o colaborador quanto para a empresa, seria importante a aplicação de uma  pesquisa de clima organizacional com mais frequência, a fim de possibilitar uma avaliação  ainda mais precisa e nortear a empresa nas suas decisões estratégicas para ir ao encontro da  satisfação dos seus funcionários, pois um colaborador motivado e satisfeito tende a trabalhar  ainda melhor, beneficiando também a organização na qual se encontra. Para melhorar o clima  organizacional, a empresa deve investir em práticas de comunicação eficiente, reconhecimento,  desenvolvimento de líderes capacitados e criação de um ambiente de trabalho agradável. Além  disso, é essencial que a empresa realize avaliações periódicas do clima organizacional, utilizando os resultados para promover melhorias contínuas e, assim, garantir que o ambiente de  trabalho seja um fator motivacional para os colaboradores. 

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