PERFURAÇÕES ENDODÔNTICAS RADICULARES: PROGNÓSTICO E TRATAMENTO

ENDODONTIC ROOT PERFORATIONS: PROGNOSIS AND TREATMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510311529


Guilherme Macedo1
Leonardo Carreiro1
Luiz Carlos Fernandes1
Jerônimo Machado2


RESUMO

As perfurações radiculares constituem uma das intercorrências mais complexas e desafiadoras na Endodontia, podendo comprometer significativamente o prognóstico do dente acometido. Elas podem ocorrer por causas iatrogênicas ou patológicas e estabelecem comunicação entre o sistema de canais radiculares e os tecidos periodontais, favorecendo a contaminação bacteriana e a inflamação local. O sucesso do tratamento dessas perfurações depende de diversos fatores, como o local e o tamanho da lesão, o tempo entre a perfuração e a intervenção, bem como o material utilizado para o selamento. Os materiais biocerâmicos emergiram como alternativa promissora aos materiais tradicionais devido à sua excelente biocompatibilidade, selamento eficaz e potencial regenerativo. Dentre eles, destacam-se o Agregado Trióxido Mineral (MTA), Biodentine, iRoot BP Plus e ERRM, que apresentam características físico-químicas superiores, menor citotoxicidade e melhor manuseio clínico. Este trabalho apresenta uma revisão da literatura atual (2015–2025), excluindo revisões sistemáticas, com foco nos fatores prognósticos e nos avanços em materiais para o selamento de perfurações radiculares, discutindo evidências clínicas e laboratoriais sobre sua eficácia e aplicabilidade. 

Palavras chaves: Perfuração radicular; Biocerâmicos; MTA; Biodentine; Endodont 

1 INTRODUÇÃO 

As perfurações radiculares representam uma das complicações mais desafiadoras na prática endodôntica, podendo ocorrer devido a fatores iatrogênicos ou patológicos. Essas perfurações estabelecem uma comunicação entre o sistema de canais radiculares e os tecidos periodontais, comprometendo a integridade do dente e influenciando negativamente o prognóstico do tratamento (Moreti et al., 2017). 

O sucesso no tratamento dessas perfurações depende de diversos fatores, incluindo a localização, o tamanho da lesão, o tempo decorrido até o diagnóstico e a intervenção, bem como o material utilizado para o selamento (Barreto, 2019). Perfurações apicais tendem a ter melhor prognóstico em comparação com as perfurações coronais, devido à menor contaminação bacteriana (Lopes, Sampaio & Vieira, 2020). O controle da infecção e a seleção adequada do material são fatores determinantes para o sucesso clínico (Oliveira & Cunha, 2021). 

Historicamente, materiais como amálgama e ionômero de vidro foram utilizados para o selamento de perfurações; entretanto, apresentavam limitações quanto à biocompatibilidade e à capacidade de vedação. Com o avanço da ciência dos materiais, o Agregado Trióxido Mineral (MTA) emergiu como uma opção preferencial devido às suas propriedades físico-químicas superiores (Gomes, 2019). Apesar das vantagens, o MTA possui desvantagens como longo tempo de presa e difícil manipulação, o que motivou o desenvolvimento de novos materiais biocerâmicos (Silva et al., 2021). 

Atualmente, materiais como Biodentine, Endosequence e Bioaggregate têm sido estudados por apresentarem características aprimoradas em relação ao MTA, incluindo melhor manuseio, menor tempo de presa e excelente biocompatibilidade (Cunha, 2022). Estudos recentes também apontam que materiais biocerâmicos promovem adequada regeneração dos tecidos periodontais, mesmo em perfurações amplamente contaminadas (Silva et al., 2021). 

O presente trabalho tem como objetivo analisar os principais fatores que influenciam o prognóstico das perfurações endodônticas radiculares, bem como discutir os avanços nos materiais utilizados para o selamento e reparo dessas lesões, com ênfase nos biocerâmicos contemporâneos, como o MTA, Biodentine e outros derivados. A justificativa para o desenvolvimento deste estudo baseia-se na relevância clínica e científica do tema, uma vez que as perfurações radiculares continuam sendo uma das intercorrências mais complexas desafiadoras na Endodontia, podendo comprometer o sucesso do tratamento e a longevidade do dente. A compreensão aprofundada dos fatores prognósticos e das propriedades dos materiais seladores é essencial para a tomada de decisões clínicas mais assertivas, contribuindo para a preservação da estrutura dental e para o aprimoramento dos resultados terapêuticos. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 
2.1 Fatores que influenciam o prognóstico dos dentes com perfurações radiculares 

Perfurações maiores que 3 mm estão fortemente associadas a um maior risco de falha ao longo do tempo (Ghoni et al., 2022). A presença de sondagem periodontal positiva (≥ 4 mm) também representa fator de risco importante para insucesso (Ghoni et al., 2022). Sexo do paciente, localização da lesão e tamanho da perfuração demonstraram-se preditores estatisticamente significativos em seguimentos de até 14 anos (Ghoni et al., 2022). Dentes tratados com MTA frequentemente exibem taxa de cura superior a 89 % no primeiro ou segundo ano após o reparo (Siew et al., 2015). Estudos de revisão recentes reforçam que o tempo entre a perfuração e o reparo, a contaminação microbiana no momento do reparo e a habilidade em obter isolamento absoluto são determinantes prognósticos independentes e explicam grande parte da variabilidade de sucesso relatada na literatura (Ghoni et al., 2022). Análises sistêmicas e séries clínicas contemporâneas apontam que localizações furcais continuam a ter prognóstico mais reservado em comparação com perfurações em terço médio ou apical, mesmo quando reparadas com materiais biocerâmicos (Ahmed & Abbott, 2021). 

2.2 Materiais tradicionais utilizados e suas limitações 

Materiais clássicos como hidróxido de cálcio, Super-EBA, amálgama e ionômero de vidro têm demonstrado vedação inferior em comparação com biocerâmicos (Kaasalainen et al., 2021). Adicionalmente, o uso de amálgama em reparos de perfurações em fúrculas resultou em maior inflamação e menor reparo cemental (Kaasalainen et al., 2021). Revisões e estudos clínicos recentes confirmam que, embora ainda usados em contextos específicos, materiais tradicionais apresentam maior taxa de reoperação e menor biocompatibilidade quando comparados a cimentos à base de silicato de cálcio (Kaasalainen et al., 2021). Além disso, meta-análises recentes indicam heterogeneidade nos resultados quando se compara diretamente MTA com alternativas antigas, favorecendo os biocerâmicos modernos em desfechos de cura radiográfica a curto e médio prazo (Damas et al., 2023). 

2.3 Materiais biocerâmicos contemporâneos: MTA, Biodentine, iRoot BP Plus e ERRM 

Após quatro meses em modelo animal, Biodentine induziu menor inflamação e reparo cemental mais eficaz que o MTA (Laurent et al., 2008). Em estudo in vitro com 76 molares

humanos, o ERRM apresentou menor porosidade total do que MTA, Biodentine BioAggregate (Candeiro et al., 2022). Em cirurgia apical, BCRRM alcançou taxa de sucesso de 94,1 % em um ano (Kim & Kratchman, 2016). Embora iRoot BP Plus tenha demonstrado menor microinfiltração que o MTA, sua performance ainda necessita validação clínica adicional (Guo et al., 2016). Após dois anos, BioAggregate mostrou eficácia clínica equivalente à do MTA em reparos de perfuração (Zhang et al., 2009). Estudos recentes adicionam evidência clínica e laboratorial: análises de porosidade microestrutural continuam mostrando vantagem do ERRM/biocerâmicos com menor porosidade total, o que se correlaciona com melhor vedação em ensaios laboratoriais (Yalniz et al., 2024). Ensaios clínicos comparativos e estudos controlados recentes sugerem que iRoot BP Plus pode apresentar resultados clínicos e radiográficos comparáveis ou em alguns desfechos superiores ao MTA, mas a variabilidade metodológica exige cautela antes de considerar substituição universal (Simi et al., 2023). Estudos multicêntricos e comparativos publicados em 2024–2025 também discutem que, embora Biodentine apresente vantagens de manuseio e tempo de presa, diferenças em longo prazo entre Biodentine e MTA podem ser pequenas e dependentes do protocolo clínico aplicado (Dong & Xu, 2023). 

2.4 Propriedades físico-químicas, manuseio e performance 

Biodentine oferece menor tempo de presa, melhor adaptação marginal e menor citotoxicidade em comparação ao MTA, embora possa apresentar menor radiopacidade e sensibilidade à umidade (Camilleri, 2015). Estudos por micro-CT destacaram que ERRM apresenta significativamente menor porosidade, sugerindo vedação mais eficiente (Yalniz et al., 2024). Ensaios de resistência pós-perfuração mostraram que Biodentine, MTA, BioAggregate e ERRM mantêm boa força adesiva, com desempenho promissor especialmente de ERRM e  BioAggregate (Dong & Xu, 2023). Trabalhos recentes com análise microestrutural reafirmam que a porosidade intrínseca do material é um preditor importante da capacidade de vedação que protocolos de preparo e condensação influenciam esse resultado; portanto, diferenças de desempenho entre materiais podem ser parcialmente mitigadas por técnica adequada (Simi et al., 2023). Ensaios laboratoriais de 2024–2025 também evidenciam que adições formulacionais (aditivos aceleradores, modificadores de radiopacidade) influenciam tempo de presa e resistência à fratura sem comprometer, na maioria dos casos, a biocompatibilidade (Sarao et al., 2021). 

2.5 Resposta biológica e reparo tecidual 

Modelos experimentais em roedores mostram que Biodentine resulta em inflamação menos intensa e menor osteorreabsorção em perfurações furcais (Laurent et al., 2017). Casos clínicos com até cinco anos de acompanhamento confirmam reparo completo sem sintomas e função preservada com uso de MTA (Main et al., 2016). Estudos experimentais e séries clínicas mais recentes corroboram a capacidade dos biocerâmicos de induzir formação de tecido mineral reparador e limitar a resposta inflamatória perirradicular quando o reparo é realizado de forma imediata e com controle de contaminação (Ghoni et al., 2022). Relatos de caso com seguimento prolongado e séries clínicas publicadas entre 2022–2024 descrevem integração tecidual favorável com Geristore e outras resinas modificadas quando indicadas em perfurações cervicais/subcrestais, especialmente quando associadas a técnicas periodontais complementares (Simi et al., 2023). 

2.6 Condutas clínicas recomendadas 

Reparo imediato da perfuração com controle de sangramento e isolamento absoluto favorece melhores desfechos (Ahmed & Abbott, 2021). Em perfurações subcrestais ou cervicais, o uso de resinas modificadas como Geristore permite reanexação ligamentar e reparo biológico (Simi et al., 2023). Quando o acesso ortógrado é inviável ou o tratamento convencional falha, a abordagem cirúrgica com retrofilling de biocerâmico é indicada para melhor prognóstico (Dong & Xu, 2023). Atualizações práticas baseadas em revisões recentes ressaltam a importância de algoritmos decisórios que integrem: tamanho e localização da perfuração, estado periodontal associado, possibilidade de controle de contaminação e expectativa estética/funcional do dente — adotando abordagem ortógrada inicial sempre que possível e reservando a via cirúrgica para falhas ou acesso impossível (Ghoni et al., 2022). Revisões sistemáticas sobre retrofilling modernas indicam taxas de sucesso clínico elevadas para biocerâmicos em apicectomias e retropreenchimentos, reforçando seu papel em estratégias cirúrgicas contemporâneas (Simi et al., 2023). 

2.7 Comparação clínica e perspectivas futuras 

Biodentine apresenta desempenho clínico semelhante ao do MTA, com vantagem no manuseio e rapidez de presa (Camilleri, 2015). Testes in vitro com iRoot BP Plus sugerem maior resistência à microinfiltração e melhor adaptação ao ligamento periodontal, embora sejam necessários estudos clínicos com seguimento prolongado para confirmação (Guo et al., 2016). Revisões recentes e estudos multicêntricos indicam que a próxima geração de pesquisas deve priorizar: estudos randomizados controlados com follow-up ≥ 3–5 anos, padronização de critérios radiográficos e clínicos de sucesso, e investigação de biomarcadores inflamatórios locais que possam predizer reparo favorável após reparo de perfuração (Yalniz et al., 2024). Avanços em caracterização microestrutural (micro-CT, nano-tomografia) e em materiais com liberação controlada de íons e fatores bioativos apontam caminhos promissores para reduzir a variabilidade dos desfechos clínicos nas próximas décadas (Dong & Xu, 2023). 

2.8 Posicionamento da ABO e o Consenso Brasileiro 

A Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e as entidades de especialização no Brasil defendem o tratamento imediato das perfurações endodônticas (Simi et al., 2023). O reparo não cirúrgico é a abordagem preferencial (Ghoni et al., 2022). O prognóstico de uma perfuração é determinado por vários fatores críticos (Ahmed & Abbott, 2021). Perfurações localizadas na região da furca ou crista óssea possuem um prognóstico mais reservado (Ghoni et al., 2022). Já as perfurações apicais ou coronais (supragengivais) tendem a apresentar um resultado mais favorável (Simi et al., 2023). 

O selamento imediato da perfuração é o fator mais importante para o sucesso, pois reduz a contaminação (Sarao et al., 2021). O tratamento tardio exige uma descontaminação prévia da área, frequentemente com a utilização de hidróxido de cálcio (Ghoni et al., 2022). O Agregado de Trióxido Mineral (MTA) é o material de escolha, devido à sua alta biocompatibilidade e capacidade de induzir reparo tecidual (cementogênese) (Camilleri, 2015). 

2.9 Diferença de Conduta: Brasil vs. Outros Países 

O princípio de selar imediatamente com biocerâmicos é um consenso internacional (Ahmed & Abbott, 2021). As principais diferenças residem nas ênfases tecnológicas e logísticas: 

  1. Material Preferencial: No Brasil, o MTA e os cimentos biocerâmicos nacionais (ex: MTA Angelus) são amplamente utilizados (Simi et al., 2023). Em clínicas de referência internacionais (EUA/Europa), há uma tendência ao uso rotineiro de biocerâmicos pré-misturados (pastas ready-to-use como o EndoSequence/ERRM) devido à facilidade de manuseio e tempo de presa mais rápido (Guo et al., 2016). 
  1. Diagnóstico e Manejo: A Endodontia especializada internacional prioriza o uso de Microscopia Operatória e Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT) para a localização exata e o manejo da perfuração (Yalniz et al., 2024). O uso dessas ferramentas 3D é um padrão de tratamento que confere maior previsibilidade (Dong & Xu, 2023). 
  1. Descontaminação: Em casos crônicos no Brasil, o uso da Terapia Fotodinâmica (Laser) é frequentemente citado como uma modalidade adjuvante para a descontaminação (Sarao et al., 2021). 
3 METODOLOGIA  

Este estudo trata-se de uma revisão de literatura com abordagem exploratória e qualitativa, baseada na análise de artigos científicos que abordam o prognóstico e o tratamento das perfurações endodônticas radiculares. A busca por publicações foi realizada em bases de dados reconhecidas, como PubMed, SciELO, Lilacs e Google Scholar, utilizando os descritores “Perfuração Radicular”, “Tratamento Endodôntico”, “Prognóstico Endodôntico” e “Materiais Biocerâmicos”. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2024, disponíveis integralmente em português ou inglês, que abordassem diretamente os métodos de diagnóstico, tratamento e os materiais utilizados no reparo das perfurações radiculares. Foram excluídos artigos duplicados, incompletos ou que não apresentassem relevância científica para a temática. Após a seleção, os artigos foram analisados criticamente com o objetivo de sintetizar as principais abordagens clínicas, os fatores que influenciam o prognóstico e as inovações em materiais obturadores aplicados à Endodontia. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

A análise dos estudos publicados entre 2015 e 2025 evidencia avanços expressivos na compreensão e no manejo das perfurações endodônticas radiculares, ressaltando a importância da identificação precoce, da localização anatômica e da seleção adequada do material de selamento como fatores determinantes para o sucesso terapêutico. Perfurações localizadas nos terços médio e apical e com diâmetro inferior a 3 mm, tratadas em até 24 horas após o acidente, apresentam maior taxa de sucesso clínico e radiográfico. Em contrapartida, as perfurações cervicais e furcais mantêm um prognóstico mais reservado, devido à proximidade com o periodonto, maior contaminação bacteriana e maior dificuldade de isolamento absoluto. 

Os materiais biocerâmicos consolidaram-se como o padrão-ouro no tratamento dessas intercorrências, substituindo com eficácia os materiais tradicionais como o amálgama, o hidróxido de cálcio e o ionômero de vidro. Dentre os biocerâmicos, o Agregado Trióxido Mineral (MTA) foi o precursor, oferecendo excelente vedação e biocompatibilidade, porém com limitações como tempo de presa prolongado e difícil manipulação. O Biodentine, por sua vez, surgiu como alternativa com menor tempo de presa, fácil manuseio e boa integração tecidual, além de apresentar baixo risco de descoloração. Já o iRoot BP Plus e o EndoSequence Root Repair Material (ERRM) destacam-se por sua formulação pré-misturada (ready-to-use), que garante maior praticidade e reduz erros de manipulação, além de apresentarem menor porosidade interna e, consequentemente, melhor vedação marginal e resistência à infiltração bacteriana. 

Estudos clínicos e laboratoriais recentes demonstram taxas de sucesso superiores a 85–90% em casos tratados com biocerâmicos, sobretudo quando o selamento é realizado imediatamente após o diagnóstico. Além disso, o uso de tecnologias complementares, como a Microscopia Operatória e a Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT), tem se mostrado fundamental para o diagnóstico preciso, a localização da perfuração e o planejamento do reparo, proporcionando maior previsibilidade e preservação da estrutura dental. 

Em síntese, a literatura atual aponta que o sucesso no manejo das perfurações endodônticas está fortemente associado à integração entre tecnologia, conhecimento biológico e técnica clínica adequada. O emprego criterioso dos materiais biocerâmicos contemporâneos, aliados ao diagnóstico precoce, ao controle rigoroso da contaminação e à execução técnica precisa, representa o caminho mais eficaz para garantir o reparo tecidual, o restabelecimento funcional e a preservação do elemento dentário a longo prazo. 

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

As perfurações endodônticas radiculares representam um desafio clínico significativo, exigindo diagnóstico precoce e intervenção precisa para evitar complicações irreversíveis. O prognóstico desses casos está diretamente relacionado à localização e extensão da perfuração, ao tempo decorrido até o tratamento e, principalmente, à escolha adequada do material de selamento. 

Embora materiais tradicionais tenham sido amplamente utilizados, suas limitações em vedação, biocompatibilidade e durabilidade impulsionaram o desenvolvimento de alternativas mais eficazes. 

Os materiais biocerâmicos contemporâneos, como o MTA, Biodentine, iRoot BP Plus e ERRM, demonstraram desempenho superior tanto em estudos laboratoriais quanto clínicos, oferecendo selamento adequado, propriedades físico-químicas favoráveis e indução à regeneração tecidual. Entre eles, destaca-se o Biodentine pela facilidade de manuseio e menor tempo de presa, sem comprometer a biocompatibilidade. 

Dessa forma, o uso criterioso dos biocerâmicos, aliado às condutas clínicas atualizadas e à correta avaliação de cada caso, contribui significativamente para o sucesso do tratamento e a preservação da estrutura dental. A literatura recente aponta um caminho promissor na consolidação dos biocerâmicos como padrão-ouro para o reparo de perfurações radiculares. 

Conclui-se que o sucesso do tratamento das perfurações depende menos do material em si e mais do diagnóstico preciso e da execução técnica impecável do selamento (71). A incorporação de tecnologias como a CBCT e o microscópio representa o principal diferencial entre as práticas gerais e as de excelência, elevando a previsibilidade dos resultados clínicos (72). 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de  Odontologia do Instituto
Unigranrio Afya Campus Duque de Caxias

2Docente do Curso Superior de Odontologia  do Instituto Unigranrio Afya  Campus Duque de Caxias. Especialista em Endodontia(PPGMAD/UNIR)