CLINICAL APPLICABILITY AND EFFECTIVENESS OF POLYETHYLENE FIBER IN DENTISTRY: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510310236
Ana Beatriz Gomes Gadeia Brito1
Gisele de Almeida Soares1
João Vitor de Almeida Rocha1
Nathália Matias Damasceno1
Msc. Mariana Souto Figueiredo2
Resumo
A fita de polietileno de alta densidade (Ribbond®) foi desenvolvida com o objetivo de reforçar restaurações dentárias, atuando como elemento biomimético capaz de dissipar tensões e preservar a estrutura dental. Suas fibras cristalizadas, organizadas em trama leno weave, apresentam elevada resistência ao impacto, módulo de elasticidade semelhante ao da dentina e excelente integração com sistemas adesivos, permitindo aplicações clínicas conservadoras e estéticas. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do Ribbond® em comparação a materiais restauradores convencionais, por meio de revisão integrativa da literatura. Foram pesquisadas as bases PubMed, SciELO e BVS Brasil, entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Sete artigos atenderam aos critérios de inclusão, contemplando estudos in vitro, ex vivo e ensaios clínicos. Os resultados apontam que o uso do Ribbond® aumenta a resistência à fratura em restaurações diretas, favorece padrões de falha mais reparáveis e preserva maior quantidade de estrutura dental. Apesar de evidências de eficácia, alguns estudos mostraram desempenho inferior em comparação a compósitos reforçados com fibras curtas ou de vidro. Ensaios clínicos sugerem resultados semelhantes entre restaurações com Ribbond® e resinas bulk-fill, indicando a necessidade de mais pesquisas longitudinais. Conclui-se que o Ribbond® representa uma alternativa conservadora e biomimética na odontologia restauradora, contribuindo para a durabilidade e reparabilidade de dentes fragilizados, embora sua indicação clínica deva ser baseada em diagnóstico individualizado e evidências atualizadas.
Palavras-chave: Ribbond®; fibra de polietileno; reforço restaurador; resistência à fratura; odontologia biomimética.
Abstract
High-density polyethylene fiber tape (Ribbond®) was developed with the purpose of reinforcing dental restorations, acting as a biomimetic element capable of dissipating stresses and preserving dental structure. Its crystallized fibers, arranged in a leno weave pattern, present high impact resistance, an elastic modulus similar to dentin, and excellent integration with adhesive systems, enabling conservative and esthetic clinical applications. This study aimed to evaluate the effectiveness of Ribbond® compared to conventional restorative materials through an integrative literature review. Searches were carried out in PubMed, SciELO, and BVS Brasil databases, between 2020 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish. Seven articles met the inclusion criteria, encompassing in vitro, ex vivo, and clinical trials. Results indicate that the use of Ribbond® increases fracture resistance in direct restorations, promotes more repairable failure patterns, and preserves a greater amount of dental tissue. Despite evidence of effectiveness, some studies reported lower performance compared to short fiber- or glass fiber-reinforced composites. Clinical trials suggest similar outcomes between restorations with Ribbond® and bulk-fill resins, highlighting the need for further longitudinal research. It is concluded that Ribbond® represents a conservative and biomimetic alternative in restorative dentistry, contributing to the durability and reparability of compromised teeth, although its clinical indication should be based on individualized diagnosis and updated evidence.
Keywords: Ribbond®; polyethylene fiber; restorative reinforcement; fracture resistance; biomimetic dentistry.
1 INTRODUÇÃO
A introdução das fibras de polietileno na Odontologia ocorreu em 1991, com o desenvolvimento do Ribbond®, idealizado pelo Dr. David Rudo. Inicialmente, o objetivo era criar um material capaz de reforçar restaurações dentárias e direcionar possíveis falhas para o material restaurador, preservando a estrutura dental (Almeida et al., 2023; Florêncio; Anjos, 2024). Desde então, o material passou por avanços significativos, tornando-se mais fino e de fácil adaptação clínica, sem perder suas propriedades de resistência e durabilidade. Entre as inovações mais relevantes, destaca-se a incorporação da adesividade, o que possibilitou resultados clínicos mais previsíveis e de maior longevidade (Safwat et al., 2021).
Constituídas por um polímero termoplástico de alta resistência, leveza e flexibilidade, as fibras de polietileno apresentam propriedades que as tornam aplicáveis em diferentes áreas da ciência dos materiais (Safwat et al., 2021). Quando utilizadas como reforço em matrizes poliméricas, contribuem para o aumento da resistência à tração e à abrasão, devido à eficiente transferência de tensões entre o compósito e a estrutura de reforço (Pimentel et al., 2025). Em comparação às fibras de vidro, que possuem rede tridimensional de sílica, as fibras de polietileno apresentam estrutura linear e maior resistência à corrosão, conferindo vantagens em ambientes clínicos mais desafiadores (Safwat et al., 2021; Sarkis et al., 2024).
Na prática odontológica, o uso das fibras de polietileno tem se consolidado principalmente no reforço de restaurações e na confecção de pinos intrarradiculares. Nessas aplicações, auxiliam na absorção das forças mastigatórias e na distribuição uniforme das tensões funcionais (Mangoush et al., 2021). O módulo de elasticidade semelhante ao da dentina favorece uma dissipação equilibrada de forças, reduzindo a mobilidade do dente restaurado e contribuindo para sua longevidade mecânica (Sunarintyas et al., 2022). Além disso, a técnica exige mínima remoção de tecido dental, sendo considerada uma alternativa conservadora e biomimética para restaurações diretas.
Apesar de sua relevância clínica, ainda há uma escassez de estudos que discutam de forma aprofundada os benefícios clínicos e biomiméticos da fita de polietileno. Nesse sentido, investigar esse material é importante para ampliar as opções terapêuticas do cirurgião-dentista e reforçar condutas conservadoras. Além disso, compreender melhor se seu desempenho clínico pode auxiliar na definição de protocolos restauradores mais seguros e duradouros.
Diante do exposto, considerando os benefícios clínicos e biomiméticos das fibras de polietileno, o presente estudo tem como objetivo avaliar a aplicabilidade e a eficácia clínica do Ribbond® na Odontologia, comparando-o a outros materiais restauradores convencionais sob a perspectiva da prática baseada em evidências. O aprofundamento desse tema pode contribuir para o fortalecimento de uma odontologia mais conservadora e biomimética, favorecendo condutas menos invasivas, e viáveis e de maior previsibilidade clínica.
2 METODOLOGIA
Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, que visa identificar, analisar e sintetizar evidências disponíveis sobre a temática em questão, a fim de responder à pergunta norteadora: “Qual a eficácia da fibra de polietileno Ribbond® em comparação aos materiais convencionais na reabilitação odontológica, considerando os princípios da Prática Baseada em Evidências?”.
O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados BVS Brasil (Biblioteca Virtual em Saúde), PubMed (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online) e SciELO Brasil (Scientific Electronic Library Online). Para a busca, foram utilizados os descritores: “Ribbond”, “Fibra de Polietileno”, “Biomimética”, “Polyethylene Fiber”, “Restorative Reinforcement” e “Biomimetic Dentistry”. As combinações entre os descritores foram realizadas por meio do operador booleano AND, em diferentes equações de busca.
Foram incluídos estudos publicados em português, inglês e espanhol, entre os anos de 2020 e 2025, que atendessem aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Os critérios de elegibilidade consideraram artigos originais do tipo estudos in vitro ou relatos de caso que abordassem a utilização da fibra de polietileno Ribbond® em dentes endodonticamente tratados, em restaurações diretas, associadas ou não a outros materiais, e em comparações com materiais dentários convencionais.
Foram excluídos estudos que não respondiam à pergunta norteadora, que apresentavam alto risco de viés, que abordavam outros tipos de tratamento ou que faziam parte da literatura cinzenta. Além disso, a seleção não restringiu os estudos quanto à classe dentária. Complementarmente, foi consultada uma obra de referência da especialidade, com o intuito de enriquecer a discussão teórica. Após a triagem, sete artigos atenderam a todos os critérios e foram incluídos na análise, constituindo o corpus final da revisão.
A estratégia de seleção e exclusão dos artigos foi sistematizada conforme as recomendações do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), sendo apresentada de forma esquemática na Figura 1.
Figura 1: Metodologia de Análise

Fonte: Autoria própria, 2025.
3 RESULTADOS & DISCUSSÃO
A tabela a seguir (Tabela 1) apresenta uma síntese dos artigos científicos analisados para este trabalho, focando em informações essenciais como o nome do autor, o ano de publicação, os principais resultados e o tipo de estudo realizado. A análise desses artigos foi fundamental para fundamentar a discussão sobre o desempenho dos materiais reforçadores em dentes tratados endodonticamente, amplamente destruídos e comparação com outros materiais, dentre as suas aplicabilidades clínicas.
Tabela 1: Características dos artigos sintetizados

Fonte: Autória própria, 2025
A análise dos sete artigos incluídos revelou evidências relevantes acerca da aplicação do Ribbond® em dentes tratados endodonticamente e em dentes amplamente destruídos. No conjunto, observou-se que a fita de polietileno tende a melhorar a resistência à fratura, favorecer padrões de falha mais reparáveis e preservar maior quantidade de estrutura dentária. Contudo, os resultados não foram unânimes, destacando a importância de comparar suas propriedades com outros materiais reforçadores.
3.1 Fita de polietileno (Ribbond®): composição e propriedades
A fita de polietileno de alta densidade (Ribbond®) é composta por fibras de polietileno cristalizado, organizadas em trama leno weave, com alto módulo de elasticidade e resistência ao impacto até cinco vezes superior ao do aço (Costa et al., 2021). O tratamento superficial por plasma reduz a tensão superficial e favorece a impregnação com resina, resultando em união química eficiente à matriz composta (Costa et al., 2021).
Suas principais vantagens incluem (Costa et al., 2021):
- Biocompatibilidade e estética por ser translúcida;
- Adaptação íntima às paredes cavitárias devido à arquitetura aberta da trama;
- Capacidade de absorção e distribuição uniforme das tensões mastigatórias;
- Possibilidade de reforço sem necessidade de desgaste adicional para alojar pinos.
Por outro lado, suas principais desvantagens são apontadas por (Pimentel et al., 2010; Guimarães et al., 2016; Santos, 2024; Reis, 2025), elas incluem:
• Nem sempre promove ganho significativo na resistência mecânica do compósito;
• Pode não melhorar a adesão à dentina após ciclagem termo-mecânica;
• Falta de evidência clínica robusta, com predominância de estudos in vitro;
• Necessidade de acompanhamento em longo prazo para confirmar a durabilidade dos resultados;
• Técnica de aplicação mais sensível, exigindo cuidados adicionais no manuseio e adaptação clínica.
3.1.1 Alterações Biomecânicas em Dentes Tratados Endodonticamente
Em relação a alterações biomecânicas, os autores analisados nesta revisão mostraram que o tratamento endodôntico, embora indispensável para preservar dentes comprometidos, provoca alterações estruturais que reduzem a resistência à fratura. A remoção de dentina, a perda de cristas marginais e o preparo do canal comprometem a rigidez coronária e a capacidade de dissipação de forças mastigatórias, podendo levar a perdas de até 63% da resistência original em preparos do tipo MOD (mesio-ocluso-distal) (Shah et al., 2020). Além disso, fatores como diminuição da propriocepção, alteração na hidratação da dentina e ação de irrigantes acentuam esse enfraquecimento. Nesse contexto, reforços coronários como a fita de polietileno de alta densidade (Ribbond®) surgem como alternativas para restaurar a função mecânica e reforçar a estrutura dentinária.
Shah et al. (2020) em seus estudos concluiu que a aplicação de fibras de polietileno em restaurações diretas pós-endodônticas oferece aumento significativo na resistência à fratura, especialmente em preparos extensos. O material apresenta boa integração com sistemas adesivos modernos, favorece fraturas mais reparáveis e preserva a estrutura dental. No entanto, a maioria das evidências ainda é oriunda de estudos in vitro, sendo necessário ampliar pesquisas clínicas longitudinais para confirmar seu desempenho a longo prazo.
3.1.2 Limitações de materiais convencionais e vantagens do reforço com fibras
Materiais restauradores tradicionais, como amálgama e coroas metálicas, apresentam durabilidade, mas com limitações significativas: ausência de adesão, necessidade de grande desgaste dental e custo elevado conforme apontado por (Shah et al., 2020). As resinas compostas diretas oferecem abordagem mais conservadora, porém podem não ser suficientes em casos de perda estrutural extensa. Nesse cenário, a adição de reforços fibrosos pode aumentar a resistência da restauração, especialmente em cavidades amplas com redução cuspídea (Costa et al., 2021).
Por outro lado, a fita de polietileno (Ribbond®) apresenta propriedades mecânicas favoráveis, como alto módulo de elasticidade, resistência ao impacto e capacidade de absorver e distribuir tensões. Sua trama leno weave e o tratamento por plasma garantem integração eficiente à matriz resinosa, permitindo reforço sem desgaste adicional conforme mostrado por (Costa et al., 2021).
3.1.3 Evidências científicas: convergências e divergências
Os achados de Costa et al. (2021) indicam que, em pré-molares restaurações com Ribbond® (301,08 N) ou pino associado à fibra (378,45 N) apresentaram resistência semelhante a dentes íntegros (411,06 N), enquanto restaurações apenas com resina composta obtiveram valores inferiores (178,11 N). Esses resultados sugerem que a fibra pode aproximar o desempenho mecânico de dentes restaurados ao de dentes hígidos.
Priyanka et al. (2024), avaliando dentes anteriores com canais amplos, observaram maior resistência no grupo com pino anatômico e resina (737,19 N) em comparação ao grupo com Ribbond® (461,19 N) e ao grupo com pino e cimento resinoso dual (366,57 N), indicando que, em determinados cenários, soluções alternativas podem superar o reforço por fita de polietileno.
No entanto, Kinikoğlu et al. (2023) verificaram que o compósito reforçado com fibras curtas (Short Fiber Reinforced Composite – SFRC) apresentou valores de resistência significativamente superiores aos de Ribbond® e bulk-fill em dentes anteriores imaturos, possivelmente devido à melhor integração estrutural do SFRC com a matriz restauradora e à sua capacidade de distribuir tensões internamente.
Em corroboração os estudos de Negm et al. (2024) também identificaram menor resistência para Ribbond-Ultra quando comparado a compósitos reforçados com fibras de vidro (EverX Posterior ≈ valores mais altos), reforçando que a escolha do material deve considerar propriedades intrínsecas de cada reforço.
Fildisi et al. (2023) não observaram aumento significativo na força de fratura com o uso do Ribbond® em endocrowns e overlays, mas relataram menor incidência de fraturas irreparáveis, sugerindo que a fibra pode não elevar a carga máxima suportada, mas favorece fraturas mais reparáveis.
3.1.4 Integração com os princípios biomiméticos
A odontologia biomimética busca reproduzir as propriedades biomecânicas e funcionais do dente natural, favorecendo abordagens conservadoras e reparáveis. O Ribbond®, por ter módulo de elasticidade semelhante ao da dentina, atua como um dissipador de tensões, contribuindo para evitar fraturas catastróficas. Shah et al. (2020) destacam que restaurações com essa fibra resultam em fraturas mais reparáveis, alinhando-se ao princípio biomimético de preservar ao máximo a estrutura remanescente. Além disso, Shah et al. (2020) demonstraram que restaurações com Ribbond® não apenas aumentam a resistência à fratura, mas também resultam em padrões de falha mais favoráveis, geralmente acima da junção cemento-esmalte.
A técnica com Ribbond® permite intervenções minimamente invasivas, já que sua inserção não requer preparo adicional para alojamento, diferentemente de pinos intrarradiculares, que demandam desgaste interno do canal radicular. Essa abordagem respeita o conceito biomimético de maximizar adesão e minimizar remoção de dentina. Além disso, a técnica permite adesão aos métodos convencionais de adesividade de resinas compostas.
3.1.5 Aplicabilidade clínica e perspectivas futuras
Embora os dados laboratoriais sejam promissores, estudos clínicos mostram resultados mais cautelosos. Em um ensaio clínico randomizado com 240 pacientes acompanhados por 24 meses, Metwaly et al. (2024) não encontraram diferenças estatísticas entre restaurações com fibra e aquelas apenas com resina bulk-fill, tanto em retenção quanto em incidência de fraturas ou cáries secundárias.
A técnica com fita de polietileno é compatível com a odontologia minimamente invasiva, pois não exige preparo adicional para alojamento. Contudo, sua aplicação requer habilidade técnica, especialmente para correta impregnação com resina e posicionamento adequado. Além disso, há variação nos protocolos de aplicação (camadas, posicionamento, tipo de resina associada), o que pode explicar divergências nos resultados (Guimarães et al., 2016).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, a fita de polietileno é uma ferramenta valiosa na odontologia restauradora, oferecendo uma opção conservadora e biomecanicamente vantajosa para o reforço de dentes fragilizados. Sua aplicação clínica, no entanto, deve ser considerada em conjunto com o diagnóstico cuidadoso do caso, a experiência do profissional e as limitações das evidências científicas disponíveis. É imperativo que futuras pesquisas se concentrem em estudos clínicos longitudinais para fornecer dados mais robustos sobre o desempenho a longo prazo da fita de polietileno e sua eficácia em comparação com outras abordagens, consolidando assim seu papel na prática clínica baseada em evidência.
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1Discentes do Curso de Odontologia da FAINOR (Faculdade Independente do Nordeste), Vitória da Conquista-BA, email: anabeatrizggb@gmail.com; giselepmbc@gmail.com; victoralmeida4548@gmail.com; natydamascena@gmail.com
2Mestra, Docente do Curso de Odontologia da FAINOR (Faculdade Independente do Nordeste), Vitória da Conquista-BA, email: marianasouto@fainor.com
