NUTRITIONAL AND SOCIODEMOGRAPHIC PROFILE: A COMPARATIVE ANALYSIS BETWEEN PREGNANT WOMEN WITH AND WITHOUT GESTATIONAL DIABETES, ATTENDED BY A HEALTH UNIT.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512272356
Natália Fernandes Furtado Pessoa1
Emeline Trindade de Araújo Vasconselos Aires2
Lídia Micaelle de Oliveira Lima3
Sabrina Bezerra da Silva4
Fransuêndio do Nascimento Souza5
Ana Julya Gouveia da Silva6
Resumo
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) consiste em uma condição metabólica caracterizada pela intolerância aos carboidratos, com início ou diagnóstico durante a gestação, associando-se a riscos relevantes para complicações materno-fetais. O presente estudo teve como objetivo analisar e comparar o perfil nutricional e sociodemográfico de gestantes saudáveis e de gestantes diagnosticadas com DMG acompanhadas por uma Unidade de Saúde da Família localizada no sertão paraibano. Trata-se de uma pesquisa de campo, de caráter descritivo, com abordagem quali-quantitativa. Após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, realizou-se a coleta de dados por meio da aplicação de questionário semiestruturado para obtenção de informações socioeconômicas, ficha de avaliação do consumo alimentar e aferição de dados antropométricos. A amostra foi composta por 21 gestantes selecionadas por conveniência, atendidas na unidade de saúde estudada. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, utilizando o software Microsoft Excel. Os resultados evidenciaram a presença de fatores socioeconômicos e comportamentais associados à ocorrência e ao agravamento do DMG, com destaque para baixa escolaridade, dependência de auxílios sociais, índice de massa corporal pré gestacional elevado, padrões alimentares inadequados e multiparidade. O estudo demonstrou a relevância da atuação da equipe multiprofissional no acompanhamento das gestantes, ressaltando a importância da abordagem nutricional, do apoio psicossocial e das ações de educação em saúde realizadas de forma acessível.
Palavras-chave: Diabetes Gestacional. Atenção Primária à Saúde. Determinantes Sociais da Saúde. Nutrição Materna
1. INTRODUÇÃO
A gestação é um período crítico que requer atenção especial. Durante essa fase, diversas alterações fisiológicas ocorrem, podendo predispor algumas mulheres ao desenvolvimento de complicações metabólicas como o diabetes gestacional (DG), caracterizado como a intolerância aos carboidratos que surge ou é diagnosticada pela primeira vez durante a gestação (Elsayed et al., 2023). Este quadro clínico não apenas afeta a saúde materna podendo causar pré-eclâmpsia e a necessidade de cesariana, mas também tem implicações significativas para o desenvolvimento fetal, aumentando o risco de complicações como macrossomia e prematuridade (Sweeting et al., 2022).
Sua alta prevalência vem se tornando uma preocupação crescente em saúde pública, especialmente em regiões vulneráveis, devido à transição nutricional, à precariedade no acesso à alimentação saudável, falta de informação, aumento da obesidade e outros fatores de risco associados ao estilo de vida. O perfil sociodemográfico como escolaridade, renda familiar e acesso aos serviços de saúde podem influenciar a adesão a recomendações nutricionais e ao manejo do diabetes gestacional (Garcia et al., 2019).
Compreender o perfil dessas gestantes é essencial para o desenvolvimento de intervenções nutricionais e educativas que possam mitigar os riscos associados à diabetes gestacional e promover uma gestação saudável. A detecção precoce, a assistência multiprofissional e as iniciativas de educação em saúde são táticas cruciais que auxiliam no controle da glicose e na diminuição de complicações materno-fetais (Brasil, 2021).
Apesar de a atenção nutricional na saúde primária ter melhorado, ainda tem a necessidade de se aprofundar no estudo da população do território adscrito, fornecendo subsídios que possam contribuir para o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais eficazes, contribuindo para a qualidade do cuidado prestado a essas gestantes.
Diante da crescente prevalência da diabetes gestacional e de sua estreita relação com fatores como idade materna, escolaridade, renda familiar, padrão alimentar e estado nutricional prévio, torna-se necessário compreender como esses determinantes influenciam a saúde das gestantes.
Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar e comparar o perfil nutricional e sociodemográfico das gestantes atendidas pelas unidades básicas de saúde no sertão paraibano, bem como identificar seus padrões alimentares, o estado nutricional prévio à gestação e o ganho de peso durante esse período.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Diabetes Gestacional
Durante a gestação, o organismo da mulher passa por diversas adaptações para benefícios e suprir as demandas do feto. A resistência à insulina intensificada durante a gestação exige maior produção de insulina pelas células beta pancreáticas, levando ao esgotamento progressivo dessas células e, quando o pâncreas não consegue suprir essa resistência, acarreta em um distúrbio metabólico. Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é a condição definida como grau de intolerância à glicose, com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação (Elsayed et al., 2023).
A placenta possui um papel fundamental na fisiopatologia desse tipo de diabetes, sendo responsável pela produção de hormônios e citocinas que impactam a homeostase da glicose. O lactogênio placentário humano (HPL), produzido pelas células trofoblásticas placentárias, é um dos principais hormônios envolvidos, promovendo resistência à insulina nos tecidos periféricos. Esses hormônios favorecem a captação de glicose pelo feto e estimulam a produção hepática de glicose na mãe (Maciel, 2020). Além do HPL, a placenta secreta fatores inflamatórios, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e a interleucina-6 (IL-6), que afetam o estado inflamatório relacionado à resistência à insulina. Esses mediadores inflamatórios também são fatores que intensificam a disfunção metabólica associada ao diabetes gestacional (Barros, 2019).
Entre os fatores de risco para o desenvolvimento da complicação, estão a idade materna superior a 35 anos, histórico familiar de diabetes, presença de condições associadas à resistência à insulina, ganho excessivo de peso na gestação atual, hipertensão e obesidade materna (Zenatti et al., 2024).
Ainda conforme o autor acima citado, pode ocorrer em qualquer mulher, é recomendado o rastreio no pré-natal desde o início da gravidez, e a partir da 24° semana de gestação. Estima-se que o DMG seja uma das complicações mais comuns da gravidez. Em 2021, aproximadamente 16,7% das mulheres grávidas em todo o mundo apresentaram alguma forma de hiperglicemia, o que corresponde a cerca de 21,1 milhões de nascidos vivos (Zajdenverg, 2021).
A importância do controle e monitoramento do DG está relacionada aos riscos associados tanto para a mãe, como distúrbios hipertensivos, necessidade de cesárea e complicações obstétricas, quanto para o concepto, como ao maior risco de prematuridade, crescimento excessivo, hipoglicemia neonatal, hiperbilirrubinemia, presença de cardiopatias congênitas, e síndrome do desconforto respiratório (OMS, 2019).
2.2 Aspectos Nutricionais.
Em 2016, entrou em vigor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a expectativa de acabar as mortes maternas evitáveis, entre os objetivos estão a igualdade nos direitos sociais e reprodutivos, garantir a cobertura universal de saúde para abranger a saúde sexual e reprodutiva, materna e a atenção à saúde do recém-nascido; fortalecer os sistemas de saúde para responder às necessidades e prioridades de mulheres e meninas; e garantir a responsabilização para melhorar a qualidade do atendimento e equidade (OMS, 2023).
Dentre as mortes maternas evitáveis, a hipertensão arterial é responsável por quase um quarto das mortes no Brasil. Embora não existam estatísticas específicas amplamente divulgadas sobre mortes exclusivamente atribuídas à DMG no Brasil, ela está associada a um maior risco de mortalidade materna em gestantes com comorbidades, como hipertensão e obesidade (BRASIL, 2021).
Dessa forma, o estado nutricional da gestante é um dos fatores determinantes para a saúde materno-infantil. Foi observado uma associação entre o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado e a hiperglicemia materna, assim como com maior peso de nascimento e maior incidência de complicações neonatais, reanimação cardiorrespiratória e prematuridade (Pedrini; Cunha; Breigeiron, 2020).
Estudos também observaram que, gestantes com o consumo do padrão alimentar “tradicional brasileiro”, caracterizado pelo consumo de refeições como arroz, feijão, carnes, verduras e legumes e pelo baixo consumo de salgados, pizzas e sanduíches, apresentaram menor chance de obesidade (Zuccolotto et al., 2019). Além disso, a ingestão alimentar inadequada, caracterizada pelo consumo elevado de alimentos ultraprocessados, com alto teor de gorduras saturadas e açúcares, também está associada ao aumento do risco de DG.
Em 2020, mais da metade (51,8%) das gestantes acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS), estavam com o IMC elevado. Além disso, foi verificado que mais da metade das gestantes consumiram bebidas adoçadas, e dois terços (76%) consumiram alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista (Brasil, 2022). Com isso, de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira na Orientação Alimentar da Gestante, é recomendado o consumo de uma grande variedade de alimentos in natura e minimamente processados, estimulado o consumo do feijão e outras leguminosas, redução no consumo de sal e bebidas adoçadas (Brasil, 2021).
2.3 Aspectos Socioeconômicos
Uma baixa assistência no pré-natal está relacionada ao maior aparecimento de comorbidades na gestação. Além das questões biológicas e assistenciais, é importante evidenciar fatores sociais que dificultam o acesso das mulheres aos cuidados, como a pobreza, necessidade de grandes deslocamentos, falta de informação, serviços inadequados, falta de acolhimento e diferentes práticas culturais (Goudard et al., 2016).
O nível de escolaridade da gestante ou de seus responsáveis também impactam o controle dos níveis de glicose durante a gravidez. Pesquisas indicam que indivíduos com menor escolaridade tendem a apresentar um controle glicêmico deficiente, possivelmente em razão de uma menor capacidade de entender as orientações dos profissionais, inclusive compreender o impacto que maus hábitos alimentares podem trazer para a saúde da mãe e da criança (Queiroz, 2023).
Em Patos, na Paraíba, nos anos de 2020 a 2022, o número de nascidos vivos foi de 9.278. A porcentagem de nascidos vivos de mães com idades superiores aos 34 anos foi de 16,3%. Quanto ao nível de escolaridade, apenas 16% das mães estudaram acima do ensino fundamental, sendo a média nacional de 22,2%. A cobertura de assistência no pré-natal, nestes anos, foi de 98,6%. (OOBr, 2022).
Estudos observaram que gestantes com idade igual ou superior a 35 anos apresentaram um risco três vezes maior de desenvolver DMG em comparação com pacientes mais jovens. Gestantes com mais de três filhos apresentaram o dobro de risco, em comparação com as que estavam na primeira gestação. Além disso, observou-se que gestantes com sobrepeso têm uma probabilidade 84% maior de desenvolver DMG em relação àquelas com índice de massa corporal (IMC) inferior a 25 kg/m² (Santos et al., 2020).
O aumento de gestantes acima dos 35 anos de idade acompanhado da diminuição da natalidade no Brasil é observado, sugere-se que devido a transição socioeconômica, onde a mulher tem maior ambição em investir na carreira profissional e demais prioridades. Com isso, é de fundamental importância que os profissionais de saúde tenham conhecimento acerca das implicações de uma gestação em idade avançada, tais como o aumento da incidência de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, hipertensão gestacional e prematuridade (Alves, et al., 2017).
2.4 Papel da Equipe Multiprofissional no manejo da DMG
A APS desempenha um papel fundamental no manejo da diabetes gestacional (DMG), sendo essa a principal porta de entrada do sistema de saúde, tem o intuito de proporcionar um cuidado contínuo, integral e humanizado às gestantes. A detecção precoce, a assistência multiprofissional e as iniciativas de educação em saúde são táticas cruciais que auxiliam no controle da glicose e na diminuição de complicações materno-fetais (Brasil, 2021).
Estudos demonstram que gestantes acompanhadas na APS apresentam melhores desfechos perinatais, com menor taxa de complicações e necessidade de internações hospitalares (Vidal et al., 2022). Além disso, o fortalecimento da APS contribui para a equidade no acesso aos serviços de saúde, garantindo atenção qualificada mesmo em regiões de vulnerabilidade social.
A terapia nutricional, a prática regular de atividade física e a monitorização rigorosa da glicemia capilar desempenham um papel fundamental no tratamento do DG. A atuação coordenada e interdisciplinar de diferentes profissionais de saúde, como nutricionista, fisioterapeuta, farmacêutica e outros profissionais da saúde, permite uma assistência integral, contribuindo para o controle glicêmico e a redução de complicações materno-fetais (Silva et al., 2024). A adoção de ações educativas, alinhadas à realidade socioeconômica e cultural das pacientes, é essencial para fortalecer a adesão ao tratamento e promover mudanças no estilo de vida que impactem positivamente na saúde materna e neonatal (Brasil, 2019).
A importância do acompanhamento nutricional atuando também nos aspectos do planejamento e orientação alimentar, avaliando, respeitando as individualidades, e auxiliando na adaptação alimentar para que não surjam complicações e possibilite um melhor controle glicêmico (Silva., et al. 2023).
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, deve-se incluir ações educativas com a equipe multidisciplinar na assistência pré-natal, como uma chance de promover um atendimento focado nas necessidades individuais de cada mulher. O objetivo é elucidar as incertezas sobre o diagnóstico, o tratamento do diabetes e as consequências dessa enfermidade (Brasil, 2019).
Dessa forma, é imprescindível a participação multiprofissional na prevenção e manejo da DMG. Assim como na promoção de atividades educativas que facilitem o entendimento e uma boa educação em saúde, utilizando tecnologias educativas em saúde, como o uso de mídias sociais, vídeos educativos, atividades interativas e dinâmicas em grupo (Muniz; Grechi; Santos, 2020).
3. METODOLOGIA
Tratou-se de uma pesquisa de campo, do tipo descritiva, e de abordagem qual quantitativa. A população da amostra foi constituída por vinte e uma (n=21) gestantes acompanhadas por uma Unidade de Saúde da Família (USF) do município de Patos-PB, e que aceitaram participar da pesquisa. A amostra da pesquisa é caracterizada como probabilística por conveniência, visto que foi constituída de acordo com a facilidade da pesquisa, desconsiderando a aleatoriedade da presença de um elemento da população na amostra (Oliveira et al., 2017).
Foram incluídas as gestantes cadastradas nas unidades onde foram realizadas a pesquisa, e que aceitaram participar e responder os questionários. Foram excluídas as gestantes que não desejaram participar da pesquisa, não assinaram o TCLE e não responderam ao questionário todo.
Foi utilizado um questionário semiestruturado para avaliar os dados sociodemográficos, adaptado de Mendes (2021), contendo informações como idade, estado civil, renda e escolaridade, e uma ficha de consumo alimentar validada para a coleta de dados, contendo informações como a quantidade de refeições realizadas no dia, se consumiu feijão, frutas, verduras, açúcares e embutidos.
Também foi aferido o peso atual na gestação e altura para avaliação da curva do ganho de peso gestacional. Para isso, foi utilizada a balança digital da marca OMRON, e estadiômetro digital portátil da marca AVANUTRI, seguindo as técnicas corretas para o procedimento de aferição.
A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Patos, tem CAAE: 86991925.9.0000.5181 e número de parecer: 7.454.358. Após a aprovação, a coleta foi realizada com as gestantes atendidas em uma USF, do DGA 2, antes do atendimento do pré-natal, em uma sala.
Após a coleta, os dados obtidos foram analisados de forma estatística descritiva, utilizando o programa Microsoft Excel ©. Os resultados estão apresentados na forma de tabelas.
A pesquisa constitui-se conforme a resolução nº 510/2016 que considera que a pesquisa que permeia as ciências humanas e sociais exige respeito e garantia do pleno exercício dos direitos dos participantes, devendo ser concebida, avaliada e realizada de modo a prever e evitar possíveis danos aos participantes.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
O estudo foi realizado em uma USF pertencente a distrito geoadministrativo (DGA) 2 de um município do sertão paraibano. Participaram do estudo vinte e uma (n=21) gestantes atendidas pela unidade de saúde, das quais 10 (47,6%) foram diagnosticadas com Diabetes Melitus Gestacional (DMG), enquanto 11 (52,38%) não apresentaram a condição, conforme demonstrado na figura 1.
Figura 1: Gestantes participantes diagnosticadas com DG

A quase equiparação entre os dois grupos, com e sem DMG, aponta para a necessidade da triagem precoce e do acompanhamento contínuo no pré-natal, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Estima-se que o DMG seja uma das complicações mais comuns da gravidez. Em 2021, aproximadamente 16,7% das mulheres grávidas em todo o mundo apresentaram alguma forma de hiperglicemia. (Zajdenverg, 2021).
Podendo ocorrer em qualquer mulher, é recomendado o rastreio no pré-natal desde o início da gravidez, com maior ênfase a partir da 24° semana de gestação. Entre os fatores de risco para o desenvolvimento da complicação, estão a idade materna superior a 35 anos, histórico familiar de diabetes, presença de condições associadas à resistência à insulina, ganho excessivo de peso na gestação atual, hipertensão e obesidade materna (Zenatti et al., 2024).
Considerando que a idade materna é um dos fatores reconhecidamente associados ao desenvolvimento da diabetes mellitus gestacional (DMG), foi realizada a estratificação da amostra segundo intervalos de faixa etária (Figura 2).
Figura 2: Faixa etária das gestantes participantes

Conforme análise da faixa etária, observa-se que 10 (47,62%) gestantes estavam na faixa entre 26,2 a 34,4 anos, seguida de 8 (38,09%) gestantes entre 18 a 26,2 anos e 3 (14,29%) gestantes estavam entre 34,4 e 42,6 anos. Essa faixa etária está de acordo com o perfil esperado para a idade fértil, porém, é importante destacar que mulheres acima dos 30 anos estão mais propensas à resistência insulínica durante a gestação sendo, assim, a idade materna avançada um fator de risco significativo para o desenvolvimento da diabetes gestacional e uma série de outros complicações como pré-eclâmpsia, hipertensão e outros desfechos obstétricos (Barboza et al., 2019). Em Patos, na Paraíba, nos anos de 2020 a 2022, o número de nascidos vivos foi de 9.278. A porcentagem de nascidos vivos de mães com idades superior aos 34 anos foi de 16,3%. (OOBr, 2022).
Outro fator determinante social da saúde é a escolaridade. Está amplamente associado à adoção de práticas saudáveis, à capacidade de compreensão das orientações recebidas durante o pré-natal e ao acesso a serviços de saúde. Níveis mais elevados de instrução costumam estar relacionados a melhores desfechos gestacionais, incluindo menor risco de desenvolvimento de doenças como a DMG. Diante disso, a figura 3 apresenta a distribuição das gestantes conforme o grau de instrução informado.
Figura 3: Grau de Instrução

A análise do grau de instrução revelou que 8 (38,10%) gestantes possui ensino médio incompleto, seguido por 6 (28,57%) gestantes com ensino médio completo, sendo 5 gestantes (23,81%) alfabetizadas sem conclusão do ensino fundamental – anos finais, e apenas 2 gestantes (9,52%) com ensino superior completo. Esse achado demonstra uma limitação significativa no acesso à educação formal, refletindo um contexto social mais vulnerável. Esses dados encontrados divergem do estudo de Santos et al. (2023), onde, apesar da maioria das gestantes serem desempregadas e receberem entre 1 a 3 salários, grande parte tinha concluído o ensino médio.
A baixa escolaridade é reconhecida como fator de risco indireto para o desenvolvimento de diabetes mellitus gestacional (DMG). Na cidade de Patos, em relação ao nível de escolaridade, apenas 16% das mães estudaram acima do ensino fundamental, sendo a média nacional de 22,2% (OOBr, 2022).
A cobertura de assistência no pré-natal, nestes anos, foi de 98,6%. Gestantes com menor nível de instrução tendem a apresentar menor acesso a informações sobre alimentação saudável, menor adesão às orientações nutricionais, além de dificuldades na compreensão do plano terapêutico e nos cuidados preventivos, como apontado por Queiroz (2023).
O estado civil também é apontado como fator relevante na análise sociodemográfica das gestantes, pois pode influenciar diretamente o suporte emocional, social e financeiro durante o período gestacional. Mulheres casadas ou em união estável, por exemplo, tendem a apresentar maior adesão ao pré-natal e ao acompanhamento multiprofissional, enquanto gestantes solteiras ou sem apoio familiar podem enfrentar maiores desafios e vulnerabilidades. A figura 4 demonstra a distribuição das gestantes conforme o estado civil declarado.
Figura 4: Estado civil declarado

Os dados obtidos apresentam 13 (61,90%) gestantes declarando-se solteiras, 5 (23,81%) gestantes casadas ou com relacionamento estável e 3 (14,29%) gestantes estão divorciadas. Esses dados estão em discordância com estudo de Branco e Cavalcante (2023), onde 73,6% das gestantes se declararam em união estável ou casadas. Outro estudo divergente deste, realizado no interior do Estado do Ceará, apresenta dados como 33,15% das gestantes em um relacionamento / união estável e 42,63% declaravam que eram casadas (Pereira; Oliveira, 2021). Esses achados demonstram que o acolhimento das gestantes em todas as suas condições civis e sociais deve ser um princípio orientador da prática na APS, considerando as possíveis vulnerabilidades emocionais, econômicas e psicossociais envolvidas.
As condições de moradia também podem estar relacionadas à segurança alimentar, acesso a serviços de saúde e bem-estar geral durante a gestação. A seguir, a figura 5 apresenta a distribuição das participantes segundo o tipo de moradia.
Figura 5: Tipo de moradia

De acordo com a amostra estudada, 19 (90,48%) gestantes residem em imóveis alugados, enquanto apenas 1 (4,76%) gestante reside em moradia própria e 1 (4,76%) gestante reside em moradia cedida. Estudos como o de Garcia et al. (2019), apontam que gestantes em situação de maior vulnerabilidade habitacional apresentaram maiores riscos de desfechos negativos na gestação, incluindo DMG, por dificultar o acesso a uma alimentação adequada, ao transporte até os serviços de saúde e à manutenção de práticas saudáveis.
A ocupação profissional das gestantes também é um dado relevante no contexto da saúde materna, pois está diretamente ligada ao nível de renda, à carga de trabalho físico e/ou mental, ao acesso à informação e à disponibilidade de tempo para o cuidado com a saúde. Pode-se observar a distribuição das gestantes de acordo com a sua ocupação na figura 6.
Figura 6: Profissão das participantes

Os achados da pesquisa revelam que apenas 1 (5%) gestante afirmou atuar como agricultora, 1 (5%) gestante trabalha como fisioterapeuta e 1 (5%) gestante exerce a profissão de fonoaudióloga. Entretanto, 18 (85%) gestantes se autodeclararam dona de casa, vivendo exclusivamente de auxílios sociais, como o Bolsa Família. Esse resultado evidencia que boa parte das participantes está fora do mercado de trabalho formal, o que pode refletir uma dependência econômica de terceiros e, em muitos casos, dificuldade de acesso a recursos materiais, o que afeta diretamente a autonomia da mulher durante a gestação.
Com isso, o fortalecimento do acesso e da qualidade do cuidado durante a gravidez e o parto são essenciais para reduzir as desigualdades sociais existentes. Um estudo verificou que gestantes beneficiárias do Bolsa Família apresentaram maior chance de serem classificadas como de alto risco gestacional (ARG), o que reforça sua condição de vulnerabilidade social. Embora o programa tenha como objetivo reduzir desigualdades, o acompanhamento das condicionalidades em saúde ainda é limitado, especialmente no que se refere ao pré-natal.
Assim, o benefício pode atuar como um indicativo de risco gestacional (Garcial et al., 2019) A baixa inserção no mercado de trabalho, associada à dependência de programas assistenciais, repercute diretamente na segurança alimentar e na autonomia das gestantes, especialmente no que diz respeito ao acesso a uma alimentação adequada e saudável, a figura 7 permite visualizar a distribuição das gestantes quanto a renda declarada.
Figura 7: Renda declarada das participantes

A insuficiência de renda foi apontada por 19 (90,48%) gestantes que afirmaram receber menos de um salário, e apenas 2 (9,52%) gestantes afirmam receber acima de três salários, pois o que deveria ser visto com um “auxílio” tem sido o único sustento dessas mulheres.
A vulnerabilidade social também influencia na forma como as mulheres percebem o próprio corpo, a gravidez e o risco da doença. A insegurança alimentar, por exemplo, faz com que muitas gestantes priorizem a quantidade e a saciedade imediata em vez da qualidade nutricional, o que está diretamente relacionado à má evolução glicêmica durante a gestação (Morais et al., 2019).
O perfil de consumo das famílias é um reflexo direto de sua condição socioeconômica, influenciando o acesso a bens e serviços essenciais durante a gestação. A Figura 8 apresenta os principais itens de despesas mensais referidos pelas gestantes.
Figura 8: Despesas mensais das participantes

Os dados coletados mostram que 15 (71,43%) gestantes têm seus gastos familiares concentrados em alimentação, água, luz e gás. Em seguida, 3 gestantes (14,29%) mencionaram gastos com alimentação, água e luz, enquanto 2 (9,52%) gestantes citaram gastos com alimentação e roupas, e apenas 1 (4,76%) gestante relatou que suas despesas que incluíam saúde e telefone, além das necessidades básicas.
Esse padrão evidencia um perfil de consumo básico e essencial, com predominância de gastos relacionados à subsistência, o que indica uma situação econômica restrita e pouca margem para despesas com saúde, lazer ou outros cuidados. Sendo um fator limitante para garantir alimentos básicos no domicílio, o que pode contribuir negativamente para o controle glicêmico das gestantes com DMG, conforme ressalta Morais et al. (2019) em estudo com gestantes.
Ainda no contexto de vulnerabilidade social, o número de filhos pode influenciar diretamente a experiência materna, podendo estar relacionada a maior sobrecarga física, emocional e socioeconômica, o que pode afetar negativamente o autocuidado e a adesão ao tratamento durante a gestação, aspectos fundamentais para o controle glicêmico em casos de DMG. A Figura 9 apresenta a distribuição das gestantes segundo a quantidade de filhos.
Figura 9: Número de filhos das participantes

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
A análise estatística evidenciou que 6 (28,57%) gestantes possui dois filhos, 5 (23,81%) gestantes têm um filho, 5 (23,81%) gestantes não têm filhos, 3 (14,29%) gestantes têm três filhos, 1 (4,76%) gestante possui cinco filhos e 1 (4,76%) gestante têm seis filhos. Esses dados revelam um perfil de mulheres com histórico reprodutivo prévio, o que reforça a importância de avaliar o risco gestacional com base em experiências anteriores e possíveis complicações em gestações passadas.
Esses dados se contrapõem ao estudo de Leite (2022), onde 43,04% das mulheres estavam na primeira gestação, e 31,30% possuíam três gestações ou mais. Nesse estudo, a prevalência da DMG foi de 11,04%.
Segundo Pinho et al. (2022), gestantes com histórico de múltiplas gestações têm maior chance de apresentar alterações metabólicas, especialmente quando associadas a idade materna avançada, sobrepeso e intervalo intergestacional curto. Além disso, gestantes com maior número de filhos podem apresentar maior demanda de suporte social e de estratégias de planejamento familiar, reforçando o papel da APS na promoção do cuidado integral.
Além dos fatores ambientais e socioeconômicos, é importante observar o estado nutricional e o padrão alimentar dessas gestantes, sendo fundamental a avaliação do estado nutricional prévio à gestação, por meio do cálculo do IMC pré-gestacional, pois é a partir dele que se define a faixa ideal de ganho de peso ao longo da gestação. Esse dado inicial permite estratificar riscos, planejar intervenções nutricionais personalizadas e prevenir desfechos adversos, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, prematuridade e restrição de crescimento intrauterino (Brasil, 2021). Na figura 10 pode-se observar a classificação das gestantes conforme o IMC.
Figura 10: Classificação do Índice de massa corporal (IMC) das participantes

Observa-se que 11 gestantes (52,38%) apresentaram IMC adequado no início da gestação. No entanto, chama atenção que 6 (28,57%) gestantes estão com sobrepeso; 2 (9,52%) gestantes em obesidade grau 1; 1 (4,76%) gestante em obesidade grau 2 e 1 (4,76%) gestante com baixo peso.
Esse é um dado preocupante, visto que estudos demonstram que mulheres com sobrepeso (IMC ≥ 25 kg/m²) e, principalmente, com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) apresentam risco significativamente aumentado para DMG. Além disso, observou-se que gestantes com sobrepeso têm uma probabilidade 84% maior de desenvolver DMG em relação àquelas com índice de massa corporal (IMC) inferior a 25 kg/m² (Santos et al., 2020).
O índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional é um importante marcador de risco para a saúde da gestante e do bebê. O excesso de peso antes da gestação está fortemente associado ao desenvolvimento de DMG, uma vez que contribui para alterações metabólicas que favorecem a resistência insulínica. De acordo com Zajdenverg et al. (2021), a prevenção da DMG deve começar ainda no planejamento reprodutivo, com orientação para o alcance do peso adequado antes da gestação. Já durante o pré-natal, o controle do ganho ponderal e a educação alimentar são estratégias fundamentais, principalmente para gestantes com histórico de sobrepeso ou obesidade.
O acompanhamento do ganho de peso durante toda a gestação é fundamental, principalmente em gestantes com DMG, pois o excesso pode acarretar riscos maternos e fetais. A adoção do protocolo brasileiro desenvolvido pelo Consórcio Brasileiro de Nutrição Materno Infantil (CONMAI) reforça a importância do uso de tabelas nacionais para monitorar o ganho de peso gestacional, com metas específicas para cada faixa de IMC prévio. A correta identificação do estado nutricional no início da gestação permite planejar intervenções adequadas, garantindo uma assistência mais eficaz e segura para a mãe e o bebê (Carrilho et al., 2022).
O ganho de peso adequado durante a gestação varia conforme o IMC pré-gestacional da mulher e deve ser monitorado trimestre a trimestre. Diante disso, o ganho de peso por trimestre, observado nas gestantes estudadas, apresentou algumas variações, conforme mostrado na figura 11.
Figura 11: Ganho de peso trimestral das gestantes participantes.

A análise da amostra mostrou que a maioria das gestantes apresentou ganho de peso inadequado, sendo 9 (42,86%) gestantes com ganho de peso abaixo do recomendado e 10 (47,62%) gestantes com ganho excessivo de peso. Apenas 2 (9,52%) gestantes atingiram um ganho de peso adequado. Em discordância com a pesquisa, o estudo de Leite (2022), mostrou que, 36,07% das gestantes ganharam peso conforme o recomendado pelo Ministério da Saúde, 36,07% ganharam menos peso do que o recomendado e 27,87% ganharam mais peso do que o recomendado, de acordo com o IMC da primeira consulta, mostrando o maior cuidado e acompanhamento das gestantes estudadas.
Esses dados apontam para um cenário preocupante, já que tanto o ganho insuficiente quanto o excessivo estão associados a desfechos adversos, como prematuridade, baixo peso ao nascer, macrossomia fetal e aumento do risco de parto cesárea e diabetes gestacional (Brasil, 2021).
Estudos apontam que o ganho de peso excessivo, especialmente no primeiro trimestre, está associado a um risco aumentado de desenvolvimento de DMG, independentemente do IMC prévio. A alimentação está entre uma das principais formas de prevenir/controlar a DMG. Estudos sugerem que um padrão alimentar baseado em alimentos minimamente processados, ricos em fibras, frutas, vegetais e gorduras insaturadas pode contribuir para a prevenção e o manejo do DMG (Tobias et al., 2018).
Consumir refeições em quantidade e qualidade adequadas e equilibradas fazem parte do tratamento. Na figura 12 pode-se observar a quantidade de refeições realizadas ao dia pelas gestantes.
Figura 12: Quantidade diária de refeições das gestantes participantes

De acordo com os dados analisados, 1 (4,76%) gestante realizava duas refeições ao dia; 4 (19,05%) gestantes realizavam três refeições ao dia, 6 (28,57%) gestantes realizavam quatro refeições por dia, 6 (28,57%) gestantes realizavam cinco refeições por dia e 4 (19,05%) gestantes realizaram seis refeições por dia. Os dados mostram, que o consumo número de refeições é inferior ao ideal para a adequada manutenção da glicemia e do metabolismo na gestação, especialmente em casos de diabetes mellitus gestacional (DMG).
O Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) e os protocolos de cuidado ao pré natal de baixo risco recomendam a realização de refeições fracionadas, de 5 a 6 vezes ao dia, como forma de garantir estabilidade glicêmica, evitar hipoglicemias e facilitar o aproveitamento dos nutrientes. Em gestantes com DMG, a distribuição alimentar ao longo do dia é ainda mais importante, sendo recomendada uma rotina de 3 refeições principais e 2 a 3 lanches intermediários.
Estudos sugerem que um padrão alimentar baseado em alimentos minimamente processados, ricos em fibras, frutas, vegetais e gorduras insaturadas pode contribuir para a prevenção e o manejo do DMG (Tobias et al., 2018). Diante disso, o consumo alimentar das gestantes, apresentado na figura 13, apresentou algumas diferenças nos padrões.
Figura 13: Consumo alimentar das gestantes participantes

No que se refere ao padrão alimentar, feijão foi o alimento mais consumido pelas gestantes, uma vez que 16 (76,19%) gestantes fazem o consumo, sendo um ponto positivo do padrão alimentar. Em relação ao consumo de frutas e verduras, o consumo foi inferior ao esperado, pois apenas 12 (57,14%) e 9 (42,86%) gestantes fazem o consumo de frutas e verduras respectivamente, mesmo com incentivo nos atendimentos do pré-natal. Em contrapartida, ingestão de embutidos, bebidas adoçadas, salgados e doces foi bastante elevada, com 7 (33,33%) gestantes, 15 (71,43%) gestantes, 10 (47,62%) gestantes e 9 (42,86%) gestantes consumindo, respectivamente, os ultraprocessados citados evidenciando a alta prevalência de alimentos não indicados na rotina alimentar dessas mulheres.
Esse padrão alimentar é preocupante, especialmente para gestantes com DMG, uma vez que os ultraprocessados são ricos em açúcares, gorduras trans e sódio, contribuindo para inflamação, resistência insulínica e descontrole glicêmico. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), esses alimentos devem ser evitados tanto na gestação quanto na prevenção de doenças crônicas.
De acordo com Rocha et al. (2018) e Oliveira et al. (2022), gestantes com consumo elevado de ultraprocessados têm maior probabilidade de desenvolver DMG e apresentar complicações como macrossomia fetal e parto cesáreo. A baixa ingestão de frutas e verduras, por outro lado, reduz o aporte de fibras, vitaminas e antioxidantes – nutrientes essenciais para o bom controle glicêmico.
Em 2020, mais da metade (51,8%) das gestantes acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS) do país, estavam com o IMC elevado. Além disso, foi verificado que mais da metade das gestantes consumiram bebidas adoçadas, e dois terços (76%) consumiram alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista (Brasil, 2022).
Esse cenário também pode ser reflexo das condições socioeconômicas da amostra, onde a maioria das participantes vivia de auxílios e apresentava baixa escolaridade. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental no manejo da diabetes gestacional (DMG), sendo essa a principal porta de entrada do sistema de saúde, tem o intuito de proporcionar um cuidado contínuo, integral e humanizado às gestantes (Brasil, 2021).
Estudos demonstram que gestantes acompanhadas na APS apresentam melhores desfechos perinatais, com menor taxa de complicações e necessidade de internações hospitalares (Vidal et al., 2022). Além disso, o fortalecimento da APS contribui para a equidade no acesso aos serviços de saúde, garantindo atenção qualificada mesmo em regiões de vulnerabilidade social. Dessa forma, é imprescindível a participação multiprofissional na prevenção e manejo da DMG uma vez que é necessário atuação conjunta para identificar, acompanhar e prevenir as intercorrências na saúde materna durante a gestação e puerpério.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo evidenciou a prevalência de fatores socioeconômicos e comportamentais que favorecem a instalação e o agravamento da DMG, com destaque para a baixa escolaridade, multiparidade, dependência de auxílios sociais, IMC pré-gestacional elevado e padrões alimentares inadequados.
Diante desse cenário, ressalta-se a importância da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada estratégica para ações de promoção, prevenção e controle da DMG. A atuação da equipe multiprofissional é essencial para o sucesso do acompanhamento, com ênfase na abordagem nutricional, no apoio psicossocial e na educação em saúde de forma acessível e culturalmente adequada.
Conclui-se que o enfrentamento da DMG exige, além de intervenções clínicas, uma abordagem social e intersetorial que reconheça os determinantes sociais da saúde e promova equidade no cuidado às gestantes. Os resultados deste estudo apontam para a necessidade de fortalecer estratégias de educação alimentar, vigilância nutricional e suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade durante o ciclo gravídico-puerperal.
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1Nutricionista residente em Atenção Primária à Saúde pelo Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: fernandesnat21@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Bacharelado em Nutrição, do Centro Universitário de Patos – UNIFIP, Mestre em Gestão em Sistemas Agroindustriais pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. E-mail: emelineaires@fiponline.edu.br
3Docente do Curso Superior de Bacharelado em Nutrição, do Centro Universitário de Patos – UNIFIP, Mestre em Gestão em Sistemas Agroindustriais pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. E-mail: lidialima1@fiponline.edu.br
4Docente do Curso Superior de Bacharelado em Nutrição, do Centro Universitário de Patos – UNIFIP, Doutora em Ciências e Saúde Animal pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. E-mail: sabrinabs@gmail.com
5Nutricionista formado pelo Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: fransuendiosouza@gmail.com
6Discente do Curso Superior de Bacharelado em Nutrição, do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: julya303gouveia@gmail.com
