PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E TENDÊNCIAS DA MORTALIDADE POR CÂNCER DE TIREOIDE EM MULHERES NO BRASIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512062358


Leticia Borges Sacheti1
Lorraynne Alves Lima2
Maria Fernanda Aguiar Rech3
Mariana Canuto4
Adriana Cunha Vargas5


RESUMO

O câncer de tireoide é a neoplasia maligna mais frequente das glândulas endócrinas e tem incidência crescente no Brasil, sobretudo entre mulheres. Este estudo avaliou a tendência da morbimortalidade por câncer de tireoide em mulheres brasileiras entre 1998 e 2022, considerando características demográficas e regionais. Trata-se de pesquisa epidemiológica, observacional e de série temporal, realizada com dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As informações de mortalidade foram extraídas do TABNET (Estatísticas Vitais → Mortalidade desde 1996) e os dados de morbidade de Epidemiológicas e Morbidade → Morbidade Hospitalar. A organização e padronização ocorreram no TABWIN e as análises descritivas foram feitas no Microsoft Excel. No período estudado registraram-se 10.618 óbitos femininos por câncer de tireoide no país. Observou-se tendência ascendente da mortalidade ao longo da série, com maior concentração de coeficientes em mulheres com 60 anos ou mais. Pela escolaridade, predominou a ocorrência de óbitos entre mulheres com 1 a 3 anos de estudo. Quanto à cor/raça, verificou-se maior proporção de óbitos em mulheres brancas, seguidas de perdas, possivelmente refletindo perfil populacional e desigualdades no acesso ao diagnóstico. Regionalmente, as maiores taxas padronizadas foram registradas no Sul e no Nordeste; Norte e Centro-Oeste apresentaram valores menores, porém em ascensão. Conclui-se que, apesar da mortalidade absoluta ser baixa frente à elevada incidência, a tendência de aumento demanda ações para diagnóstico precoce, fortalecimento da atenção primária e redução das desigualdades territoriais e socioeconômicas em saúde necessárias.

PALAVRAS-CHAVE: Epidemiologia; Desigualdades em Saúde; Saúde da Mulher.

ABSTRACT

Thyroid cancer is the most frequent malignant neoplasm of the endocrine glands and has shown increasing incidence in Brazil, especially among women. This study evaluated trends in morbidity and mortality from thyroid cancer among Brazilian women between 1998 and 2022, considering demographic and regional characteristics. This is an epidemiological, observational, time-series study using secondary data from the Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS). Mortality information was obtained from TABNET (Vital Statistics → Mortality since 1996), and morbidity data from Epidemiological and Morbidity → Hospital Morbidity. Data organization and standardization were performed in TABWIN, and descriptive analyses were conducted using Microsoft Excel. During the study period, 10,618 female deaths from thyroid cancer were recorded in the country. An upward trend in mortality was observed throughout the series, with the highest rates among women aged 60 years or older. Regarding education level, deaths were more frequent among women with 1 to 3 years of schooling. In terms of race/ethnicity, a higher proportion of deaths occurred among White women, followed by Brown (Parda) women, possibly reflecting population distribution and inequalities in diagnostic access. Regionally, the highest standardized rates were recorded in the South and Northeast, while the North and Central-West presented lower, yet rising, values. In conclusion, although the absolute mortality remains low relative to the high incidence, its increasing trend highlights the need for actions aimed at early diagnosis, strengthening primary care, and reducing territorial and socioeconomic health inequalities.

KEYWORDS: Epidemiology; Health Inequalities; Women’s Health.

1. INTRODUÇÃO

    O câncer de tireoide é a neoplasia maligna mais comum das glândulas endócrinas (Magalhães et al., 2003), com incidência em ascensão e mortalidade estável. Esse aumento decorre, sobretudo, dos avanços nos métodos diagnósticos, mas também pode envolver fatores ambientais e comportamentais (Borges et al., 2020).

    Este câncer se origina de células foliculares ou parafoliculares. Nos carcinomas papilífero e folicular, mutações em BRAF e RAS ativam vias de sinalização que aumentam a proliferação celular e inibem a apoptose. Já no carcinoma medular, mutações no proto-oncogene RET promovem proliferação das células C e produção excessiva de calcitonina, mecanismos centrais para o desenvolvimento e progressão tumoral (Boucai, 2024).

    No contexto internacional, estimativas recentes evidenciam a carga crescente da doença, sobretudo entre mulheres, com importantes variações regionais que suscitam análises comparativas entre sistemas de saúde e perfis sociodemográficos (GLOBOCAN, 2022).

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022 o Brasil ocupava o 3º lugar mundial em incidência de câncer de tireoide, registrando 31.385 novos casos, ficando atrás apenas da China (466.118 casos) e dos Estados Unidos (52.169 casos). Esses números evidenciam a relevância da doença no cenário internacional e reforçam a necessidade de análises comparativas entre países com diferentes perfis demográficos, ambientais e de acesso a métodos diagnósticos (IARC/OMS, 2022).

    No que se refere à mortalidade, os dados da OMS para 2022 apontaram que o Brasil também figura entre os países com maior número absoluto de óbitos por câncer de tireoide, totalizando 1.103 mortes. Embora a mortalidade seja relativamente baixa quando comparada à alta incidência, países como China (11.564 óbitos) e Índia (5.455 óbitos) lideram as estatísticas (IARC/OMS, 2022).

    Diante dessa elevada carga em mulheres, torna-se pertinente investigar a morbimortalidade deste grupo no contexto brasileiro, considerando suas particularidades sociodemográficas e assistenciais. Esse enfoque é relevante em razão dos impactos físicos, sociais e econômicos associados ao câncer de tireoide, incluindo comprometimentos na qualidade de vida, afastamentos laborais, alterações na dinâmica familiar e desafios relacionados ao acesso a diagnóstico e tratamento oportunos. Assim, compreender como esse agravo se distribui entre mulheres no país contribui para orientar estratégias de vigilância, planejar políticas públicas e identificar desigualdades regionais que influenciam os desfechos da doença.

    No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) registra a evolução da incidência e mortalidade por câncer de tireoide. O relatório “Estimativa 2023-2025” e as fichas técnicas do INCA evidenciam magnitude, evolução temporal, distribuição por sexo e idade, fatores de risco e vias de atenção recomendadas. Observam-se desigualdades por idade, sexo e condições sociais, com maior acometimento em mulheres, pico em idades médias e associação com escolaridade e estado civil, que influenciam acesso e seguimento (Brasil, 2023).

    Embora existam estudos sobre morbidade, diagnóstico e tratamento do câncer de tireoide, ainda persiste a necessidade de ampliar investigações epidemiológicas que explorem sua distribuição entre diferentes perfis sociodemográficos, incluindo desigualdades regionais, de escolaridade e de acesso ao cuidado. A incidência tem aumentado globalmente, especialmente entre mulheres em idade fértil (Jiang et al., 2025), mas poucos trabalhos investigam de forma aprofundada os determinantes dessa tendência e suas implicações para o planejamento em saúde, reforçando a necessidade de pesquisas mais focadas.

    2. DESENVOLVIMENTO

      Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, transversal e de série temporal, voltado à análise da morbidade e mortalidade por câncer de tireoide no Brasil, no período de 1998 a 2022, abrangendo todas as regiões do país. A população estudada compreendeu mulheres diagnosticadas com câncer de tireoide, bem como aquelas que evoluíram para óbito em decorrência da doença.

      Os dados foram obtidos junto ao Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), plataforma vinculada ao Ministério da Saúde que disponibiliza informações sobre morbidade, mortalidade e utilização dos serviços de saúde em território nacional, constituindo ferramenta estratégica para a vigilância e o planejamento em saúde pública (Brasil, [s.d.]).

      A coleta foi realizada na plataforma TABNET, seguindo os seguintes passos:

      • Mortalidade: Estatísticas Vitais → Mortalidade desde 1996 → CID-10 → Mortalidade Geral → Brasil por regiões. Variáveis analisadas: região, óbitos por residência, faixa etária, sexo, etnia, escolaridade e CID-10 (código C73).
      • Morbidade: Epidemiológicas e Morbidade → Morbidade Hospitalar → Geral por local de internação → Brasil por região. Variáveis analisadas: região, internações, faixa etária, sexo e etnia.
      • Demográficas e Socioeconômicas: população residente → Retroprojeção da População Brasil por sexo, idade simples e grupos de idade: 2010-2000 e Projeção da População das Unidades da Federação por sexo, idade simples e grupos de idade: 2010-2060 (edição 2018). Variáveis analisadas: região, sexo e faixa etária.

      Após a coleta, utilizou-se o software TABWIN para extração, organização e padronização dos dados, o que possibilitou a construção das séries temporais e maior confiabilidade dos indicadores epidemiológicos. Em seguida, as informações foram compiladas em planilhas do Microsoft Excel, onde foram sistematizadas e analisadas de forma descritiva e comparativa, permitindo identificar padrões, variações regionais e evolução das taxas de incidência e mortalidade ao longo do período estudado.

      A escolha do delineamento de série temporal justifica-se pela possibilidade de identificar a evolução epidemiológica do câncer de tireoide ao longo de quase três décadas, o que permite compreender variações demográficas, regionais e sociais e subsidiar políticas públicas de prevenção, diagnóstico precoce e controle da doença. A pesquisa dispensou submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, por utilizar exclusivamente dados secundários de domínio público, sem identificação de indivíduos, em conformidade com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

      2.1 RESULTADOS

        No Brasil, houve 10.618 óbitos de mulheres por câncer de tireoide. Dentre eles, a distribuição por faixa etária concentrou-se nas idades mais avançadas: a maior parcela ocorreu entre 60–79 anos (5.495 óbitos; 51,8%), seguida de ≥80 anos (2.749; 25,9%), 40–59 anos (2.035; 19,2%), 20–39 anos (306; 2,9%) e 0–19 anos (28; 0,3%). No que se refere às características sociodemográficas, observou-se importante desigualdade segundo escolaridade e etnia. A maior proporção de óbitos concentrou-se entre mulheres com escolaridade baixa ou não informada, especialmente no grupo “ignorado”, que permaneceu elevado em todos os períodos analisados, seguido pelas faixas “1 a 3 anos” e “4 a 7 anos” de estudo. Esse padrão sugere possível associação entre menor escolaridade, dificuldades de acesso ao diagnóstico precoce e desigualdades estruturais em saúde.

        Quanto à etnia, verificou-se predomínio de óbitos entre mulheres brancas, acompanhadas pelas pardas e, em menor proporção, pelas pretas, padrão que se manteve relativamente constante ao longo da série histórica. Esses achados refletem tanto a composição populacional das regiões quanto diferenças no acesso aos serviços, na investigação diagnóstica e na oportunidade de seguimento adequado.

        Tabela 1. Dados de identificação epidemiológico de mulheres que foram a óbito por câncer de tireoide. Brasil, 2025.

        Em relação à progressão da mortalidade durante o período de estudo, pudemos observar que houve uma tendência crescente tanto no número absoluto de óbitos quanto nas taxas brutas por quinquênio: os óbitos por período passaram de 1.530 (1998–2002) para 1.762 (2003–2007); 2.020 (2008–2012); 2.509 (2013–2017) e 2.797 (2018–2022), acompanhando aumento das taxas brutas quinquenais (aproximadamente 0,18 → 0,19 → 0,21 → 0,24 → 0,26). Esses incrementos foram mais pronunciados a partir de 2008–2012, com aceleração nas duas últimas janelas temporais, refletindo maior carga absoluta de mortalidade no fim da série temporal.

        A análise estratificada por faixa etária e período mostra que o crescimento da mortalidade foi sobretudo impulsionado pelas faixas etárias mais elevadas (60–79 e ≥80 anos), ao passo que as faixas etárias jovens mantiveram valores absolutos baixos ao longo de toda a série. A figura ilustra essa dinâmica: observa-se aumento progressivo das barras correspondentes às idades mais avançadas, enquanto as barras das faixas jovens permanecem discretas, corroborando a concentração da mortalidade em idades superiores.

        Gráfico 1. Progressão da mortalidade de mulheres com câncer de tireoide no Brasil. Brasil, 2025.

        A distribuição regional da mortalidade por câncer de tireoide em mulheres no período de 1998 a 2022 evidencia importantes diferenças entre as regiões do país. A análise considera o número absoluto de óbitos, a média da população residente e as taxas brutas de mortalidade, permitindo identificar o peso relativo da doença em cada região e suas possíveis particularidades demográficas e epidemiológicas. O mapa a seguir sintetiza esses achados, destacando os contrastes territoriais na carga da mortalidade.

        A análise dos dados revela que, em termos absolutos, a Região Sudeste concentrou o maior número de óbitos (4.355), seguida pelo Nordeste (3.110), Sul (1.864), Centro-Oeste (688) e Norte (602), totalizando 10.619 óbitos no período.

        Considerando a taxa bruta (tx), a Região Sul apresentou o maior valor (1,3207), seguida por Nordeste (1,1450), Sudeste (1,0470), Centro-Oeste (0,9677) e Norte (0,7657), com taxa nacional agregada de 1,0853. Esses achados indicam que, embora o Sudeste registrou o maior número absoluto de óbitos, influenciado pelo tamanho populacional, a carga relativa por habitante é mais elevada no Sul, sugerindo diferenças regionais na estrutura etária, na capacidade de diagnóstico, no acesso aos serviços de saúde e em fatores socioambientais que podem influenciar a mortalidade.

        Figura 1. Distribuição geográfica da mortalidade por câncer de tireoide em mulheres brasileiras.

        2.2 DISCUSSÃO

          Os resultados deste estudo mostram um aumento gradual da mortalidade por câncer de tireoide entre mulheres no Brasil durante o período 1998–2022, com disparidades regionais e sociodemográficas marcantes. Embora ambos os números absolutos e as taxas brutas tenham crescido, o padrão não é homogêneo entre as regiões, o que sugere que fatores estruturais além do simples crescimento populacional contribuem para essa evolução.

          Em relação à literatura nacional, nossos achados podem ser confrontados com o estudo descritivo de Borges, Ferreira, Koifman & Koifman (2020), que analisou registros hospitalares brasileiros entre 2000 e 2016. Eles identificaram predominância de carcinomas diferenciados, elevada proporção de mulheres e variação regional no tempo para diagnóstico e tratamento. A tendência crescente da mortalidade, apesar da estabilidade histórica, sugere que, além do aumento da detecção de tumores menos agressivos, uma parcela dos óbitos pode estar vinculada a lacunas no seguimento clínico ou à progressão de doença avançada.

          A concentração da mortalidade nas faixas etárias mais elevadas (60-79 e maior ou igual a 80 anos), que somaram a maior parte dos óbitos registrados, é um achado epidemiologicamente crucial. O câncer de tireoide em pacientes idosos é frequentemente associado a tumores histologicamente mais agressivos ou com biologia tumoral desfavorável, contrastando com a natureza indolente geralmente observada em faixas etárias jovens. Essa dinâmica é ilustrada pela estabilidade e valores baixos nas taxas de mortalidade em mulheres com menos de 40 anos, ao longo de toda a série temporal. Portanto, a persistência de altas taxas em idades avançadas pode indicar, não apenas a história natural da doença, mas também o diagnóstico em estágios mais avançados em um grupo que enfrenta barreiras adicionais de acesso ou priorização na atenção primária.

          As desigualdades sociodemográficas observadas são um reflexo das vulnerabilidades estruturais do sistema de saúde. A maior proporção de óbitos entre mulheres com baixa escolaridade ou com informação ignorada sugere uma associação direta entre menor nível educacional, dificuldades de literacia em saúde e atraso no acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos.

          A análise por etnia, que mostrou um predomínio de óbitos entre mulheres brancas, seguidas pelas pardas, deve ser interpretada no contexto da composição populacional brasileira e das desigualdades de acesso. Embora o predomínio em brancas possa refletir o perfil demográfico, o aumento da participação de óbitos em mulheres pardas e a alta proporção de óbitos em grupos de baixa escolaridade, que frequentemente se sobrepõem, apontam para a necessidade de investigar o impacto dos determinantes sociais e raciais na trajetória do cuidado oncológico.

          A análise por etnia, que mostrou um predomínio de óbitos entre mulheres brancas, seguidas pelas pardas, deve ser interpretada no contexto da composição populacional brasileira e das desigualdades de acesso. Embora o predomínio em brancas possa refletir o perfil demográfico, o aumento da participação de óbitos em mulheres pardas e a alta proporção de óbitos em grupos de baixa escolaridade, que frequentemente se sobrepõem, apontam para a necessidade de investigar o impacto dos determinantes sociais e raciais na trajetória do cuidado oncológico.

          A principal limitação deste estudo reside na natureza dos dados secundários do DATASUS, que carecem de variáveis clínicas cruciais, como o estadiamento tumoral no momento do diagnóstico e o tempo entre diagnóstico e tratamento. Isso impede a avaliação se os óbitos se devem a tumores avançados, falhas terapêuticas ou atrasos no sistema de saúde. Adicionalmente, a frequente subnotificação de escolaridade e etnia como “ignorado” nos bancos de dados oficiais pode limitar a capacidade de inferir a magnitude real das desigualdades.

          Embora as limitações inerentes aos dados secundários do DATASUS impeçam a avaliação de variáveis clínicas cruciais, o espectro temporal ampliado (1998–2022) e a abrangência nacional deste estudo, que cobre as cinco macrorregiões brasileiras, conferem robustez à identificação das tendências macroepidemiológicas e das disparidades territoriais que, de outra forma, seriam negligenciadas em análises localizadas

          Quanto às perspectivas para novas pesquisas, seria relevante realizar estudos de coorte populacional que integrem dados de incidência, estadiamento tumoral, tratamento e desfechos clínicos. Dessa forma, seria possível examinar se o crescimento da mortalidade acompanha a biologia agressiva dos tumores ou se reflete falhas no sistema de saúde.

          Adicionalmente, estudos qualitativos e mistos podem investigar os determinantes das barreiras de acesso, particularmente entre mulheres com baixa escolaridade ou pertencentes a etnias marginalizadas. Esses trabalhos poderiam identificar atrasos no diagnóstico, lacunas na comunicação médico-paciente e desigualdades nas trajetórias terapêuticas, apontando para intervenções mais eficazes.

          No que tange a políticas de saúde, os resultados sugerem a necessidade de fortalecer a vigilância do câncer de tireoide por meio de registro integrado entre hospitais e dados de mortalidade. Programas de rastreamento adaptados a regiões vulneráveis, capacitação em diagnóstico precoce e monitoramento sistemático dos tempos entre diagnóstico e tratamento poderiam reduzir progressivamente a mortalidade evitável.

          Por fim, recomenda-se a formulação de políticas direcionadas à equidade no cuidado: campanhas educativas nas comunidades de baixa escolaridade, ampliação do acesso à ultrassonografia de tireoide nos serviços primários e apoio ao acompanhamento multidisciplinar pós-diagnóstico. Tais medidas, aliadas a registros mais completos, podem contribuir para minimizar a evolução da mortalidade por câncer de tireoide entre mulheres e em regiões com maior vulnerabilidade.

          3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Os achados deste estudo evidenciam que a mortalidade por câncer de tireoide entre mulheres no Brasil apresentou tendência crescente ao longo do período analisado, com diferenças importantes entre regiões e entre grupos sociodemográficos. A análise das taxas, associada aos padrões de idade, escolaridade e etnia, revela desigualdades persistentes que sugerem não apenas variações biológicas ou epidemiológicas, mas também limitações estruturais relacionadas ao acesso e à qualidade da atenção oncológica no país.

            Diante disso, o enfrentamento da mortalidade por câncer de tireoide exige:

            1. Estratégias Integradas de Vigilância: Fortalecimento do registro integrado de dados entre hospitais e informações de mortalidade para maior completude das bases.
            2. Foco na Equidade: Implementação de políticas de saúde que garantam a ampliação do acesso à ultrassonografia de tireoide nos serviços primários e a realização de campanhas educativas direcionadas às comunidades de baixa escolaridade.
            3. Manejo Oportuno: Monitoramento sistemático dos tempos entre diagnóstico e tratamento, especialmente em regiões mais vulneráveis, visando reduzir a mortalidade evitável.

            Tais medidas são essenciais para aprimorar a resposta do sistema de saúde e minimizar a evolução da mortalidade por câncer de tireoide no contexto brasileiro.

            REFERÊNCIAS

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            BOUCAI, Laura; BRAUNSTEIN, Glenn D. Cânceres da tireoide. Manual MSD – Versão para profissionais de saúde, 2024. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-end%C3%B3crinos- e-metab%C3%B3licos/dist%C3%BArbios-da-tireoide/c%C3%A2nceres-da-tireoide.Acesso em: 22 set 2025.

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            BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). TABNET: Estatísticas de saúde [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/. Acesso em: 05 out 2025.

            DE OLIVEIRA SANTOS, Marceli et al. Estimativa de incidência de câncer no Brasil, 2023-2025. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 69, n. 1, 2023.

            INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). GLOBOCAN 2022: thyroid fact sheet. Lyon: IARC, 2024. Publicado em: 8 fev. 2024. Acesso em: 22 ago. 2025. Disponível em: https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/cancers/32-thyroid-fact-sheet.pdf. Acesso em: 11 out 2025.

            JIANG, Tao et al. Global, regional, and national burden of thyroid cancer in women of child-bearing age, 1990 to 2021 and predictions to 2035: An analysis of the global burden of disease study 2021. Frontiers in Endocrinology, v. 16, p. 1555841, 2025.

            MAGALHÃES, Patrícia KR et al. Carcinoma medular de tireóide: da definição às bases moleculares. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 47,p. 515-528, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/sJvfNFwBvFWPsGSjYVyWJcK/?format=html&lang=pt. Acesso em: 09 out 2025.


            1Leticia Borges Sachetti, graduanda em medicina na Universidade Cesumar, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, email: ra-24076850-2@alunos.unicesumar.edu.br;
            2Lorraynne Alves Lima, graduanda em medicina na Universidade Cesumar, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, email: ra-24098154-2@alunos.unicesumar.edu.br;
            3Maria Fernanda Aguiar Rech, graduanda em medicina na Universidade Cesumar, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, email: ra-24131936-2@alunos.unicesumar.edu.br;
            4Mariana Canuto, graduanda em medicina na Universidade Cesumar, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, email: ra-24076865-2@alunos.unicesumar.edu.br;
            5Adriana Cunha Vargas, Doutora em Ciências da Saúde, Docente no curso de medicina na Universidade Cesumar, email: adriana.tomaz@unicesumar.edu.br.