MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS: ESTUDO DE CASO PONTE SOBRE O CÓRREGO MACHADO – PALMAS/TO

PATHOLOGICAL MANIFESTATIONS: CASE STUDY OF THE BRIDGE OVER THE MACHADO STREAM – PALMAS/TO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512062350


Bruno Cerqueira da Silva1; Cleiciele Martins Alves2; Hellen Pereira dos Santos3; Liz Nívea Barbosa Noronha4; Maria Eduarda Lima Soares Mendes5; Mateus Lima Pimentel da Silva6; Mylena Freitas Feitosa7; Thaiz Kawamy Pinheiro de Oliveira8; Moacyr Salles Neto9


Resumo 

A preservação de obras de arte especiais, como pontes e viadutos, é um desafio constante para a engenharia civil, especialmente devido a agentes de degradação como variações climáticas, sobrecargas e falhas construtivas. A inspeção técnica é essencial para identificar patologias estruturais e propor medidas de manutenção, garantindo a segurança das construções. Este estudo foi realizado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), com o objetivo de realizar uma análise detalhada da ponte sobre o Córrego Machado, em Palmas-TO. A metodologia adotada incluiu inspeções visuais, medições de deformações e ensaios específicos, com base nas normas NBR 9452 e NBR 15575. Os resultados apontaram diversas patologias, como a ausência de uniformidade no cobrimento das armaduras, corrosão, eflorescências e desplacamento do concreto, comprometendo a integridade da estrutura. A análise das condições da ponte indicou a necessidade urgente de intervenções de manutenção e reforço para garantir a segurança e prolongar a vida útil da estrutura. A pesquisa também ressaltou a importância do PET Pesquisa como um elo entre a prática acadêmica e a investigação científica, demonstrando como dados de campo podem ser transformados em conhecimento técnico relevante para a engenharia. 

Palavras-chave: Inspeção técnica, Engenharia Civil, Patologias estruturais, Manutenção de pontes. 

1. INTRODUÇÃO 

A preservação da infraestrutura urbana, em especial das obras de arte especiais como pontes e viadutos, é um desafio constante para a engenharia civil contemporânea. Essas estruturas estão sujeitas a diversos agentes de degradação, como variações climáticas, sobrecargas não previstas e falhas construtivas, que podem comprometer sua durabilidade e segurança ao longo do tempo (Neves; Silva; Alves, 2022). Nesse contexto, a inspeção técnica sistemática torna-se essencial para identificar patologias estruturais e propor medidas de manutenção ou reforço, garantindo a integridade das construções e a segurança da comunidade usuária (Mascarenhas et al., 2020). 

No Brasil, a normatização das atividades de inspeção é regida principalmente pela ABNT NBR 9452, que estabelece procedimentos para avaliação de pontes, viadutos e passarelas de concreto, e pela ABNT NBR 15575, que define requisitos de desempenho e durabilidade das edificações. A aplicação dessas normas assegura que os diagnósticos realizados estejam alinhados com padrões técnicos reconhecidos nacionalmente, permitindo maior confiabilidade nos resultados (ABNT NBR 9452, 2016; ABNT NBR 15575, 2013). 

A investigação conduzida pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) insere-se nesse cenário, ao propor uma análise detalhada da ponte sobre o Córrego Machado, em Palmas-TO. O trabalho integra as ações do PET Pesquisa, criado com o intuito de ampliar o caráter científico das atividades do grupo, transformando dados de campo em conhecimento técnico-científico. Essa iniciativa reforça o papel do PET como elo entre prática acadêmica e investigação científica, contribuindo para a formação integral dos estudantes e para o avanço da engenharia civil aplicada 

2. METODOLOGIA 

A investigação conduzida pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Engenharia Civil, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), integra as ações do PET Pesquisa, criado em 2025 para ampliar o caráter científico das atividades do grupo. A visita técnica à ponte sobre o Córrego Machado, em Palmas-TO, teve como propósito elaborar um diagnóstico detalhado da integridade estrutural e da segurança da obra. Para isso, foram aplicados procedimentos de caráter exploratório e descritivo, que incluíram inspeções presenciais, registros fotográficos, medições de deformações e utilização de listas de verificação, assegurando a coleta organizada das informações necessárias.

A análise concentrou-se na identificação de anomalias, na classificação das condições gerais da ponte, na comparação com requisitos técnicos e na elaboração de subsídios para futuras intervenções de manutenção ou reforço. Dessa forma, a metodologia aplicada transformou dados de campo em conhecimento técnico-científico, fortalecendo a integração entre prática acadêmica e gestão da infraestrutura urbana. 

2.1 – História do PET eo PET Pesquisa 

O Programa de Educação Tutorial (PET) é uma iniciativa do Governo Federal, desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de promover a formação ampla e de alta qualidade dos alunos de graduação. Caracterizado pela realização de atividades extracurriculares que complementam o aprendizado acadêmico, como pesquisa, ensino e extensão, o PET busca proporcionar aos estudantes uma experiência de aprendizado mais aprofundada e diversificada, sempre sob a orientação de um professor tutor (MINISTÉRIO PÚBLICO, 2018). 

No contexto do curso de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), o PET Civil foi criado com a missão de aprimorar a formação dos graduandos, levando o conhecimento além do ambiente acadêmico e aplicando-o em projetos de extensão de impacto social direto. O PET Pesquisa surgiu como uma estratégia para equilibrar mais uniformemente os três pilares do PET (ensino, pesquisa e extensão), já que as atividades de pesquisa eram as menos frequentes em comparação com ensino e extensão. Enquanto as ações de ensino e extensão, especialmente as relacionadas ao trabalho de campo, sempre foram numerosas, as iniciativas voltadas à pesquisa estavam em número reduzido 

2.2 – Objetivos da visita 

A visita técnica realizada pelo Programa de Educação Tutorial (PET) à ponte sobre o Córrego Machado, localizada ao lado do Capim Dourado Shopping, teve como principal finalidade a elaboração de um diagnóstico completo e aprofundado sobre a saúde e a segurança da estrutura. Os objetivos centrais dessa inspeção se concentraram em quatro pilares fundamentais da engenharia de estruturas e da patologia das construções. 

O primeiro e mais importante objetivo foi a identificação e catalogação das principais patologias presentes na ponte. Isso envolveu o levantamento das manifestações de anomalias, com a descrição detalhada de cada ocorrência e sua localização precisa nos elementos estruturais, abrangendo a superestrutura (tabuleiro, vigas), a mesoestrutura (pilares, encontros) e a infraestrutura (fundações). Além da simples listagem, a equipe do PET buscou interpretar as possíveis causas dessas patologias, analisando fatores como a exposição à umidade, o desgaste natural decorrente do tempo e do uso, a ocorrência de falhas construtivas originais ou a incidência de sobrecargas não previstas (Neves et al., 2022). 

Em seguida, a vistoria teve como meta a avaliação do estado de conservação geral da ponte. Com base nas patologias identificadas e na análise visual, a estrutura foi classificada em termos de condição (boa, regular ou ruim), fornecendo um panorama imediato sobre a necessidade e a urgência de intervenções 

O terceiro objetivo foi a comparação dos resultados obtidos com os parâmetros normativos vigentes no Brasil. Especificamente, a análise buscou confrontar o desempenho e a durabilidade da ponte com os requisitos estabelecidos pelas normas NBR 9452 (que trata de inspeção de pontes) e NBR 15575 (Norma de Desempenho), garantindo que a avaliação técnica estivesse alinhada com os padrões de qualidade e segurança exigidos. Por fim, a vistoria não se limitou a um simples registro de danos, mas sim a uma análise técnica e normativa que visa subsidiar decisões sobre a manutenção, recuperação ou reforço da estrutura 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Para a realização da inspeção, foram adotados procedimentos que permitiram organizar e interpretar os dados de forma clara e objetiva. A metodologia incluiu técnicas de observação direta, medições in loco, registro fotográfico e ensaios específicos para avaliação da durabilidade do concreto. Cada etapa foi conduzida visando assegurar a precisão das informações e a confiabilidade do diagnóstico estrutural. 

Inicialmente, realizou-se uma inspeção visual abrangente em toda a extensão da ponte, identificando manifestações patológicas aparentes, como fissuras, desplacamentos do concreto, eflorescências, armaduras expostas e presença de vegetação em contato com elementos estruturais. Em seguida, procedeu-se à medição do cobrimento das armaduras, utilizando equipamento específico para determinar a espessura da camada de concreto destinada à proteção do aço. As medições revelaram variações significativas, permitindo avaliar a uniformidade do processo construtivo.

Foi aplicado também o ensaio de identificação da frente de carbonatação, utilizando solução de fenolftaleína para verificar a extensão da perda de alcalinidade do concreto. A comparação entre a profundidade da frente de carbonatação e o cobrimento real permitiu avaliar o grau de comprometimento da proteção das armaduras. Todas as patologias observadas foram devidamente registradas por meio de fotografias, que auxiliaram no detalhamento e na posterior análise dos dados. 

3.1 Resultados 

3.1.1 Ausência de uniformidade no cobrimento das armaduras

A sistematização das informações coletadas permitiu identificar um conjunto de patologias que comprometem significativamente a integridade estrutural da ponte. As medições indicaram ausência de uniformidade no cobrimento das armaduras, com valores variando entre 2,5 cm e 4 cm, evidenciando inconsistências no processo executivo. Essa irregularidade favorece a exposição das armaduras a agentes agressivos. 

Figura 1 – Ausência de uniformidade no cobrimento das armaduras.

Fonte: Autores (2025)

3.1.2 Armaduras expostas em processo de corrosão

Em diversos pontos da estrutura, observou-se a presença de armaduras expostas e já em processo de corrosão, resultado tanto da perda do cobrimento quanto do avanço da carbonatação. Outro achado relevante foi a presença de vegetação em contato direto com o concreto, incluindo raízes que exerciam solicitações de segunda ordem, não previstas em projeto e capazes de comprometer a estabilidade dos elementos estruturais.

Figura 2 – Armadura exposta em processo de corrosão.

Fonte: Autores (2025)

Figura 3 – Armadura exposta na lateral esquerda.

Fonte: Autores (2025)

Figura 4 – Armadura exposta resultado perda do comprimento.

Fonte: Autores (2025)

3.1.3 Presença de eflorescência 

Também foram registradas eflorescências, caracterizadas por depósitos esbranquiçados na superfície do concreto, indicando a ocorrência de lixiviação de hidróxidos e presença constante de umidade. Em algumas regiões, identificou-se desplacamento significativo do cobrimento, expondo agregados e armaduras e evidenciando uma deterioração mais avançada.

Figura 5 – Eflorescência na Superfície do concreto.

Fonte: Autores (2025)

Figura 6 – Eflorescência na parte inferior do eixo da ponte.

Fonte: Autores (2025)

Figura 7 – Eflorescência na parte inferior lateral esquerdo da ponte.

Fonte: Autores (2025)

3.2 Discussão 

Os resultados obtidos reforçam a necessidade urgente de intervenções corretivas na ponte, considerando que diversas manifestações patológicas estão ativas e em processo de agravamento. A falta de uniformidade no cobrimento das armaduras indica falhas no processo construtivo original, comprometendo a durabilidade da estrutura desde sua execução. 

A presença de corrosão significativa nas armaduras, associada ao avanço da carbonatação, demonstra que os mecanismos de proteção do concreto já não são capazes de preservar a integridade da estrutura. A corrosão, ao expandir o volume do aço, provoca tensões internas que levam ao desplacamento do cobrimento, acentuando ainda mais o ciclo de degradação. 

A interação da vegetação com elementos estruturais representa um risco adicional, pois raízes exercem esforços não previstos, podendo gerar deslocamentos, fissuras e instabilidades. As eflorescências observadas reforçam a indicação de ingresso de umidade e processos de lixiviação, que aceleram a perda de alcalinidade e contribuem para o avanço da corrosão. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

 A inspeção técnica realizada pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Engenharia Civil permitiu identificar de forma sistemática as principais patologias presentes na ponte sobre o Córrego Machado, em Palmas-TO. Os resultados evidenciaram problemas como ausência de uniformidade no cobrimento das armaduras, corrosão do aço, eflorescências e desplacamentos do concreto, todos fatores que comprometem a durabilidade e a segurança da estrutura. A metodologia aplicada, fundamentada em observações diretas, medições específicas e ensaios técnicos, garantiu a precisão das informações coletadas e possibilitou a elaboração de um diagnóstico confiável. 

Com base nos parâmetros estabelecidos pelas normas NBR 9452 e NBR 15575, conclui-se que a ponte necessita de intervenções de manutenção e reabilitação para assegurar seu desempenho adequado e prolongar sua vida útil. Além de contribuir para a preservação da infraestrutura urbana e para a segurança da comunidade, o estudo reforça o papel do PET Pesquisa como elo entre prática acadêmica e investigação científica, demonstrando que dados oriundos de atividades de campo podem ser transformados em conhecimento técnico relevante para a Engenharia Civil e para a gestão de obras públicas. 

5. REFERÊNCIAS 

_______. ABNT NBR 9452: Inspeção de pontes, viadutos e passarelas de concreto — Procedimento. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2016. Disponível em:https://www.normas.com.br//abnt-nbr9452-inspecao-de-pontes-viadutos-e-passarelas-proc edimento . Acesso em: 28 de novembro de 2025. 

_______. ABNT NBR 15575: Edificações habitacionais — Desempenho. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013. Disponível em: https://ufsb.edu.br/NBR15575-1.pdf . Acesso em: 28 de novembro de 2025. 

BRASIL. Ministério da Educação. Programa de Educação Tutorial (PET ). Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/pet. Acesso em: 18 nov. 2025. 

MASCARENHAS, F. J. R.; CORTEZÃO, A. W. S.; AZEVEDO JR., A. P.; et al. Patologias e inspeção de pontes em concreto armado: estudo de caso da ponte Governador Magalhães Pinto. Engevista, UFF, 2020. Disponível em: https://periodicos.uff.br/engevista/article/download/27125/16562. Acesso em: 28 de novembro de 2025.

Cruz, R. B. C., Silva, F. A., Cavalcante, P. L., et al. (2016). Contribuições sobre inspeções em pontes e viadutos conforme NBR 9452:2016. Disponível em: https://contribuiçõessobreinspeçõesemponteseviadutos. Acesso em: 28 de novembro de 2025. 

NEVES, P. N.; SILVA, J. R.; ALVES, E. C. Principais manifestações patológicas em pontes e viadutos de concreto no Brasil: descrições e soluções técnicas. Revista Mirante, UEG, 2022. Disponível em: https://www.revista.ueg.br/index.php/mirante/article/view/14284/9870 Acesso em: 28 de novembro de 2025.


1Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Integrante do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: bruno.silva28@estudante.ifto.edu.br
2Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: cleiciele.alves@estudante.ifto.edu.br
3Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: hellen.santos4@estudante.ifto.edu.br
4Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: liz.nornha@estudante.ifto.edu.br
5Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: maria.mendes11@estudante.ifto.edu.br
6Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: mateus.silva9@estudante.ifto.edu.br
7Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: mylena.feitosa@estudante.ifto.edu.br
8Discente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins. Campus Palmas. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL e-mail: thaiz.oliveira@estudante.ifto.edu.br
9Docente do Curso Superior de Engenharia Civil do Instituto Federal do Tocantins Campus Palmas. Orientador e Tutor do Programa de Educação Tutorial – PET CIVIL. e-mail: moacyr@ifto.edu.br