PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM HIV ATENDIDOS NO CENTRO DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO EM MARABÁ-PA EM 2021 NO PERÍODO DA PANDEMIA.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510310838


Cláudia Cordeiro Guerra1
Coautoras:
Júlia Agnes Cordeiro Guerra2
Tâmara de Souza Silva3
Orientador: Harbi Amjad Nabih Othman4
Coorientador: Isaac Prado Ramo5


RESUMO 

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) permanece um importante problema de saúde pública no Brasil. O país apresenta desigualdades regionais marcantes, com o estado do Pará entre os de maior mortalidade. A transmissão sexual continua sendo a principal via de infecção, associada à falta de informação e ao baixo uso de preservativos. Estudos recentes apontam maior incidência entre homens jovens, heterossexuais e em idade economicamente ativa. Esses dados reforçam a importância de estratégias preventivas, campanhas educativas e ampliação do diagnóstico precoce para controle da epidemia e redução da morbimortalidade relacionada ao HIV/AIDS. 

Palavras Chaves: HIV, AIDS, Marabá, Prevenção. 

ABSTRACT 

The Human Immunodeficiency Virus (HIV) remains a major public health problem in Brazil. The country has marked regional inequalities, with the state of Pará having one of the highest mortality rates. Sexual transmission remains the main route of infection, associated with a lack of information and low condom use. Recent studies indicate a higher incidence among young, heterosexual, and economically active men. These data reinforce the importance of preventive strategies, educational campaigns, and expanded early diagnosis to control the epidemic and reduce HIV/AIDS-related morbidity and mortality. 

Keywords: HIV, AIDS, Marabá, Prevention. 

INTRODUÇÃO  

O HIV é reconhecido como um problema de saúde pública global devido ao seu impacto significativo na morbidade e mortalidade. Conforme o boletim epidemiológico HIV/AIDS de 2020 cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. (Brasil, 2023). O estado do Pará ocupa o segundo lugar no Brasil em número de mortes relacionadas ao HIV/Aids, de acordo com o Ministério da Saúde. A falta de informação e os descuidos são apontados como principais causas de contaminação pelo vírus (Martinho et al., 2021). De acordo com o Boletim Epidemiológico Especial HIV/Aids, o município de Marabá ocupa a 49º colocação entre os 100 municípios com mais de 100.000 habitantes, segundo índice composto no período de 2017 a 2021. Além disso, entre os anos de 2010 e 2020 foram registrados aproximadamente 686 casos de HIV/Aids, sendo 57,55% homens e 42,45%mulheres (Brasil, 2020).  

METODOLOGIA  

Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, retrospectivo, documental, quantitativo em prontuários de portadores de HIV. A pesquisa foi desenvolvida no município de Marabá-PA. A coleta de dados foi realizada a partir dos dados consolidados do Serviço de Atendimento Especializado / Centro de Testagem e Aconselhamento Marabá (SAE/CTA) diagnosticados com HIV no ano de 2021, o que correspondeu a uma amostra de 229 casos. Os dados epidemiológicos foram agrupados por municípios, divididos por sexo, idade, orientação sexual e gestantes. Para análise dos dados foi utilizado o sistema de gerenciamento de dados, o qual conteve a base de dados para a pesquisa a fim de gerar as informações necessárias.  

RESULTADOS  

No ano de 2021 foram registrados no SAE/CTA de Marabá 229 novos casos de HIV, sendo estes correspondentes a 145 casos masculinos, 84 femininos e 14 gestantes, com maior incidência no município de Marabá com 152 casos, seguido de Dom Eliseu com 16 e São Geraldo do Araguaia com 13 casos. Dos casos novos registrados na unidade, 193 casos correspondem a pessoas auto declaradas heterossexuais, 28 homossexuais e 4 bissexuais. Em relação à faixa etária dos casos novos registrados, a maior incidência se encontra na faixa entre 26 e 35 anos com 75 casos, seguido da faixa entre 36 e 45 anos com 61 casos; e entre os 46-59 anos com 37 casos. Chama atenção também o índice de pessoas idosas, apresentando neste ano 15 novos casos de HIV. A partir do exposto, fica caracterizado o perfil de novos casos registrados no SAE/CTA de Marabá como homens cis-gênero, autodeclarados heterossexuais, na faixa dos 26 a 35 anos de idade e residentes no município de Marabá. 

DISCUSSÃO  

A predominância masculina, resultado condizente com os dados nacionais que discutem a apresentação, que mostram que a razão entre os sexos, a proporção de casos de HIV entre homens e mulheres, manteve-se em 15 homens para cada 10 mulheres no período 2002-2008; porém, a partir de 2009, o número de casos femininos diminuiu gradualmente enquanto o número de casos masculinos aumentou, chegando a atingir uma proporção de sexo de 22 casos masculinos de HIV para cada 10 femininos. Quanto à faixa etária, verificou-se predominância da faixa etária de 26 a 35 anos, o que é consistente com dados nacionais, visto que 52,5% dos casos de HIV notificados no período de 2007 a 2017 ocorreram nessa faixa etária de 20 a 34 anos. Esse achado reflete fatores econômicos, emocionais e sociais, considerados associados à maior produtividade econômica e sexual, visto que é uma doença com alta morbimortalidade em adultos jovens.  

CONCLUSÃO  

A amostra pesquisada refere-se a pacientes diagnosticados com HIV em 2021, predominantemente do sexo masculino, cenário próximo ao cenário nacional, com uma população relativamente jovem, sugerindo que a vulnerabilidade nessa faixa etária pode interferir na consciência e consciência sexual. O fato de a heterossexualização da doença representar uma nova transmissão do HIV em nossa região aponta para a necessidade de mudança no perfil das campanhas de prevenção da infecção. A relação sexual continua sendo a principal via de infecção pelo HIV devido à falta de uso do preservativo. 

REFERÊNCIAS 

BRASIL, Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico. 2023. Disponível em: HIV/aids — Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (www.gov.br). 

BRASIL, Ministério da Saúde. Relatório analítico do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) 2020-2024. Marabá, 2025. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis – DCCI. Boletim Epidemiológico Especial HIV/Aids. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. 

MARTINHO, Jessica Silva et al. Incidência de HIV/AIDS em Pacientes Idosos no Estado do Pará, Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e6805-e6805, 2021


1Acadêmica do 12º período da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Marabá-PA.
E-mail: claudia_c_guerra@hotmail.com – ORCID 0009-0001-90398985
2Clínica Geral pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Marabá-PA.
E-mail: juliaacguerra@hotmail.com – ORCID – 0009-0002-6228-3694
3Clínica Geral pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Marabá-PA.
E-mail: tamarasoyer@hotmail.com – ORCID _0009-0001-0893-9106
4Médico Infectologista pela Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre / Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Mestrando em Medicina Tropical no Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz. Docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas – Marabá – Pará. https://orcid.org/0009-0008-1786-6480
5Médico Graduado pela Universidade de Fortaleza. Título de especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica.  Título de especialista em Medicina de Família e Comunidade (MFC), pela Sociedade Brasileira de MFC. Docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas- Marabá – Pará. E-mail: isaacramos030919@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5701-5236