BENEFÍCIOS DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NO PACIENTE COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510310415


Priscilla Caldeira Alves da Silva
Orientadora: Me Kariny Realino do Rosário Ferrreira


RESUMO

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) constitui uma enfermidade respiratória progressiva, marcada por limitações ventilatórias e elevado risco de insuficiência respiratória aguda, especialmente em situações de descompensação associada ao edema agudo de pulmão. Nesse contexto, a ventilação não invasiva (VNI) surge como estratégia terapêutica eficaz, promovendo suporte ventilatório sem a necessidade de intubação. O presente estudo teve como objetivo analisar os benefícios da VNI em pacientes com DPOC em contexto de insuficiência respiratória, com ênfase nos desfechos clínicos relacionados à mobilização precoce à beira leito. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as diretrizes PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO, Scopus, PEDro e LILACS, entre janeiro e maio de 2025, utilizando os descritores controlados combinados com operadores booleanos. Foram inicialmente identificados 102 estudos, dos quais 12 atenderam aos critérios de inclusão. Os resultados evidenciaram que a VNI, especialmente no modo BiPAP, proporciona melhora na troca gasosa, reduz a taxa de intubação orotraqueal e o tempo de internação, além de estabilizar o pH arterial e a PaCO₂. A mobilização precoce associada ao suporte ventilatório demonstrou impacto positivo na recuperação funcional, força muscular e tolerância ao esforço. O uso do escore HACOR foi citado como ferramenta útil de monitoramento. A associação entre VNI e mobilização precoce é eficaz na reabilitação de pacientes com DPOC, devendo ser incentivada em protocolos assistenciais individualizados.

Palavras-chave: DPOC. Ventilação não invasiva. Mobilização precoce. Fisioterapia respiratória.

1 INTRODUÇÃO 

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) constitui uma enfermidade respiratória caracterizada por obstrução persistente ao fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada à resposta inflamatória crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar a agentes nocivos, como o tabaco e poluentes ambientais. Trata-se de uma condição prevalente mundialmente, responsável por elevados índices de morbimortalidade, com impacto funcional, econômico e social significativo, especialmente em pacientes idosos e portadores de comorbidades1.

Durante as exacerbações agudas da DPOC, observa-se acentuado desequilíbrio na troca gasosa, com retenção de dióxido de carbono, hipóxia e sobrecarga do trabalho respiratório, o que pode evoluir para insuficiência respiratória aguda. Em cenários mais críticos, a disfunção pulmonar pode ser acompanhada por edema agudo de pulmão, caracterizado pelo acúmulo de líquido no espaço alveolar, agravando ainda mais a ventilação e a oxigenação do paciente. Nestes casos, intervenções imediatas são essenciais para evitar deterioração clínica2.

Nesse contexto, a ventilação não invasiva (VNI) representa uma modalidade terapêutica eficaz para o suporte respiratório de pacientes com DPOC em descompensação aguda. A VNI oferece suporte ventilatório pressórico por meio de interfaces faciais ou nasais, sem a necessidade de via aérea artificial, o que favorece a redução da fadiga muscular respiratória, melhora a troca gasosa e diminui a necessidade de ventilação mecânica invasiva. A modalidade bilevel positive airway pressure (BiPAP) é amplamente empregada nesses casos, por permitir o controle independente das pressões inspiratória e expiratória, otimizando o suporte ventilatório3.

A aplicação precoce da VNI está associada à redução de complicações clínicas, melhora da oxigenação arterial, reversão da acidose respiratória e alívio da dispneia. Além disso, a VNI contribui para a diminuição da permanência em unidade de terapia intensiva (UTI) e redução da mortalidade hospitalar, consolidando-se como abordagem prioritária no manejo de pacientes com insuficiência respiratória hipercápnica decorrente da DPOC4.

A eficácia da VNI pode ser potencializada pela monitorização clínica sistemática. Nesse sentido, o escore HACOR (frequência cardíaca, pH arterial, nível de consciência, PaO₂ e frequência respiratória) é uma ferramenta de avaliação prognóstica, permitindo a identificação precoce de falhas na resposta à VNI. Valores elevados no escore estão associados ao insucesso do suporte ventilatório não invasivo, indicando a necessidade de intervenções complementares ou transição para ventilação invasiva. A monitorização contínua por meio do HACOR fornece subsídios relevantes para decisões clínicas baseadas em evidências5.

Adicionalmente, estratégias de reabilitação respiratória precoce, como a cinesioterapia motora respiratória, têm se mostrado relevantes na recuperação funcional desses pacientes. A mobilização precoce à beira leito, associada à VNI, visa preservar a integridade muscular, otimizar a mecânica respiratória e melhorar a capacidade funcional global. Exercícios respiratórios, reeducação postural e técnicas de fortalecimento dos músculos inspiratórios são frequentemente utilizados com o intuito de reduzir complicações decorrentes do imobilismo e favorecer a alta hospitalar precoce6.

A integração entre VNI e mobilização precoce demanda atuação fisioterapêutica especializada e monitoramento contínuo das respostas clínicas. A individualização das condutas, com base em protocolos de avaliação funcional e parâmetros clínicos, é determinante para garantir a segurança e a eficácia das intervenções. A literatura aponta que a associação entre suporte ventilatório e cinesioterapia motora pode reduzir o tempo de internação e prevenir reinternações por insuficiência respiratória descompensada4.

Embora os benefícios da VNI estejam descritos na literatura, persistem lacunas sobre sua eficácia quando associada à mobilização precoce em pacientes com DPOC e edema agudo de pulmão. Fatores como variabilidade metodológica dos estudos, heterogeneidade dos protocolos clínicos e limitação no uso de ferramentas padronizadas de avaliação, como o escore HACOR, dificultam a padronização das intervenções e a comparação entre os desfechos. Diante desse cenário, torna-se necessário aprofundar a investigação sobre os efeitos clínicos, funcionais e prognósticos da aplicação combinada dessas abordagens terapêuticas em ambiente hospitalar1,5.

Assim, a presente revisão visa analisar os benefícios da ventilação não invasiva (VNI) em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) durante episódios de edema agudo de pulmão, com ênfase nos desfechos clínicos relacionados à mobilização precoce à beira leito. Especificamente, propõe-se: (1) investigar os efeitos da VNI na redução dos sintomas respiratórios e melhora hemodinâmica nesses pacientes; (2) avaliar o impacto da VNI na prevenção de complicações respiratórias e na diminuição do tempo de internação hospitalar; e (3) analisar os efeitos da mobilização precoce à beira leito associada à VNI sobre a funcionalidade, oxigenação e tolerância ao esforço em pacientes com DPOC.

2 METODOLOGIA 

Este estudo trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida com base nas diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), cujo objetivo foi identificar e analisar evidências científicas relacionadas aos benefícios da ventilação não invasiva (VNI) em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) durante episódios de edema agudo de pulmão, com ênfase nos desfechos clínicos associados à mobilização precoce à beira leito. A formulação da pergunta norteadora foi orientada pela estratégia PICO, onde: P (população) = pacientes com DPOC e edema agudo de pulmão; I (intervenção) = uso da VNI; C (comparação) = ausência de VNI ou tratamento convencional; e O (desfecho) = melhora clínica e funcional associada à mobilização precoce.

A busca foi realizada entre os meses de janeiro e maio de 2025, nas bases de dados eletrônicas PubMed, SciELO, LILACS, PEDro e Scopus. Os descritores foram selecionados com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), utilizando-se as seguintes combinações com operadores booleanos: “ventilação não invasiva” AND “DPOC” AND “edema pulmonar agudo”; “non-invasive ventilation” AND “chronic obstructive pulmonary disease” AND “acute pulmonary edema”; “mobilização precoce” AND “fisioterapia respiratória” AND “intensive care”; “HACOR score” AND “monitoring” AND “respiratory failure”. Os filtros aplicados incluíram artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis em texto completo, nos idiomas português e inglês e que fossem estudos clínicos, revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados ou coortes observacionais.

A seleção dos estudos seguiu quatro etapas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Na fase de identificação, os títulos e resumos foram inicialmente analisados por dois revisores independentes, considerando-se os critérios de inclusão previamente definidos. Foram incluídos artigos que abordassem especificamente o uso da VNI em pacientes com DPOC e edema agudo de pulmão, com avaliação de parâmetros clínicos, funcionais ou respiratórios relacionados à mobilização precoce. Foram excluídos estudos com amostras pediátricas, estudos com ventilação invasiva como única intervenção, relatos de caso, cartas ao editor, editoriais, revisões narrativas e artigos duplicados entre bases.

Na etapa de triagem, os artigos selecionados foram submetidos à leitura completa, com base nos critérios de elegibilidade. A extração dos dados relevantes foi realizada por meio de planilha estruturada contendo: autor, ano de publicação, tipo de intervenção (modo e parâmetros da VNI), desfechos avaliados (saturação periférica de oxigênio, tempo de internação, taxa de intubação, índice HACOR, capacidade funcional, entre outros) e principais conclusões. A divergência entre os revisores foi solucionada por consenso ou com auxílio de um terceiro avaliador.

A apresentação dos resultados está organizada de forma narrativa, com ênfase na análise crítica dos benefícios clínicos da VNI, especialmente quando associada à mobilização precoce, bem como da utilização do escore HACOR como ferramenta de monitoramento. A síntese dos achados visa evidenciar os efeitos da combinação dessas estratégias na recuperação funcional de pacientes hospitalizados com DPOC e edema pulmonar agudo. O fluxograma PRISMA, contendo o detalhamento do processo de seleção dos estudos, será incluído na seção de resultados, conforme recomendação metodológica da revisão sistemática.

3 RESULTADOS 

O processo de identificação e seleção dos estudos foi conduzido de acordo com as diretrizes PRISMA (Figura 1), permitindo a triagem sistemática e transparente dos dados obtidos nas bases científicas. Inicialmente, foram identificados 102 registros por meio de buscas nas plataformas PubMed, SciELO, Scopus, PEDro e LILACS, com uso de descritores combinados como “ventilação não invasiva”, “DPOC”, “mobilização precoce” e “índice HACOR”. Após a remoção de 27 registros duplicados, restaram 75 artigos para triagem de títulos e resumos.

Não houve registros removidos antes da triagem formal. Durante a leitura de títulos e resumos, 47 publicações foram excluídas por não atenderem aos critérios temáticos centrais da presente revisão, como ausência de associação entre VNI e DPOC, ou por abordarem populações pediátricas. Assim, 28 artigos foram selecionados para leitura completa. Após avaliação criteriosa dos textos integrais, 16 estudos foram excluídos por não apresentarem metodologia compatível com os critérios de inclusão, como ausência de comparadores, delineamento narrativo ou foco secundário em outras intervenções clínicas. Dessa forma, 12 estudos foram incluídos na análise final, sendo eles apresentados na Quadro 1.

Figura 1. Fluxograma PRISMA

Quadro 1. Estudos sobre VNI e mobilização precoce usados na revisão

AutorAnoTipo de Intervenção (modo e parâmetros da VNI)Desfechos AvaliadosPrincipais Conclusões
Chawla et al. 72020VNI com BiPAP; IPAP 12–20 cmH₂O; EPAP 4–6 cmH₂OPaCO₂, pH, taxa de intubaçãoVNI reduz necessidade de ventilação invasiva e melhora gasometria
Naughton e Tuxen82020Suporte ventilatório não invasivo em DPOC agudizadaVentilação alveolar, fadiga respiratóriaVNI retarda falência respiratória e reduz hipoventilação
Navarra et al.92020BiPAP ajustado conforme pH e PaCO₂Saturação de O₂, pH arterialVNI eficaz em acidose respiratória leve/moderada na DPOC
Khalid et al.102021VNI em pacientes com DPOC + insuficiência cardíacaTroca gasosa, função ventricularRequer avaliação hemodinâmica rigorosa; uso cauteloso
Beloncle et al.112022VNI em edema pulmonar pós-PCRComplacência, difusão gasosaEdema agrava insuficiência respiratória mesmo com VNI
Krompa e Marino122023VNI em DPOC com hipertensão pulmonarHipoxemia, sobrecarga VDVNI precoce reduz complicações cardiovasculares secundárias
Oliveira et al.132023VNI pós-extubação + fisioterapia respiratóriaÍndice HACOR, reinternação, capacidade funcionalAssociação reduz falha na extubação e melhora função
Duignan et al.142023VNI domiciliar com fisioterapia continuadaTolerância ao esforço, autonomiaReabilitação comunitária melhora funcionalidade
Lau et al.152023Exercício resistido com restrição de fluxoForça muscular, função pulmonarTécnica eficaz para evitar sarcopenia na DPOC
Wang et al.162023Mobilização precoce + VNI em UTITempo de internação, força, capacidade funcionalMobilização com VNI acelera recuperação clínica
Ji e Won172023Mobilização precoce com VNI em pacientes críticosOxigenação, fraqueza adquiridaReduz complicações respiratórias e musculares
Spinazzola et al.182024VNI (BiPAP) paliativa em DPOC avançadaDispneia, conforto respiratórioVNI melhora qualidade de vida em cuidados paliativos

Os estudos selecionados abordaram intervenções distintas com a ventilação não invasiva (VNI) em pacientes com DPOC, com variações quanto aos modos aplicados (predominantemente BiPAP) e aos parâmetros ventilatórios (IPAP de 12–20 cmH₂O e EPAP de 4–6 cmH₂O). A maioria das investigações observou melhora na troca gasosa, evidenciada por aumento da saturação periférica de oxigênio e redução da PaCO₂, além da diminuição da necessidade de ventilação invasiva e do tempo de permanência hospitalar.

Estudos como os de Chawla et al.7 e Navarra et al.9 confirmaram que a aplicação precoce da VNI, ajustada aos dados gasométricos e parâmetros clínicos, é eficaz na reversão da acidose respiratória e na prevenção da intubação orotraqueal em pacientes com DPOC agudizada. O trabalho de Oliveira et al.13 introduziu a integração da VNI com fisioterapia respiratória no pós-extubação, destacando o uso do escore HACOR como ferramenta útil para monitorar a resposta à intervenção e prever falhas ventilatórias.

Por sua vez, os estudos de Wang et al. 16 e Ji e Won17 investigaram os efeitos da mobilização precoce em pacientes sob VNI, observando melhora significativa da capacidade funcional, redução da fraqueza muscular adquirida e menor tempo de internação. A combinação de suporte ventilatório não invasivo com mobilização ativa assistida demonstrou ser segura e benéfica na reabilitação precoce de pacientes críticos.

Outros estudos como os de Duignan et al.14 e Spinazzola et al.18 ampliaram a abordagem da VNI para o contexto domiciliar e paliativo, respectivamente. Nessas condições, observou-se manutenção da funcionalidade e melhora do conforto respiratório, indicando que os benefícios da VNI não se restringem ao ambiente intensivo, podendo ser aplicados também em cuidados prolongados e em fim de vida.

Dessa forma, os estudos incluídos reforçam a eficácia e versatilidade da VNI em diferentes fases da descompensação respiratória da DPOC, especialmente quando associada a estratégias como fisioterapia respiratória e mobilização precoce, e monitorada com parâmetros clínicos objetivos como o escore HACOR.

4 DISCUSSÃO 

A insuficiência respiratória aguda em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um evento clínico frequente, com mecanismos fisiopatológicos complexos que envolvem hipoventilação alveolar, aumento da resistência das vias aéreas e distúrbios severos na troca gasosa. Segundo Naughton e Tuxen8, a hipercapnia é uma das manifestações mais comuns nesses episódios e decorre da incapacidade do sistema respiratório em eliminar adequadamente o dióxido de carbono, resultando em acidose respiratória. O autor destaca que a presença de hiperinsuflação dinâmica, comum na DPOC, compromete a eficácia da musculatura respiratória, favorecendo a fadiga muscular e agravando a dispneia. Nessa perspectiva, o desequilíbrio entre a oferta ventilatória e a demanda metabólica imposta pela obstrução crônica se acentua em eventos agudos, muitas vezes precipitados por infecções ou sobrecarga cardiovascular.

Beloncle et al.11 acrescentam que, durante situações de estresse hemodinâmico agudo, como a parada cardiorrespiratória e a ressuscitação cardiopulmonar, pode ocorrer um quadro de edema pulmonar associado à redistribuição do fluxo vascular e aumento súbito da pressão capilar pulmonar. Esse processo, conhecido como CPR-associated lung edema, implica em aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de líquido para o espaço alveolar, prejudicando significativamente a difusão de oxigênio. Embora o estudo tenha como foco pacientes pós-parada cardíaca, os autores ressaltam que o edema pulmonar agudo pode se manifestar de maneira similar em pacientes com DPOC, sobretudo naqueles com disfunção ventricular concomitante. O acúmulo de líquido alveolar em um parênquima já comprometido pela obstrução crônica representa uma sobrecarga adicional ao sistema respiratório, favorecendo a falência ventilatória.

Em outro estudo, Krompa e Marino12 abordam a hipertensão pulmonar como uma complicação crônica em indivíduos com DPOC, associada à remodelação vascular e à hipóxia alveolar persistente. Essa condição aumenta a resistência vascular pulmonar e impõe sobrecarga ao ventrículo direito, podendo desencadear insuficiência cardíaca direita. A consequência hemodinâmica desse processo, em situações de descompensação, é o acúmulo de líquido nos pulmões e o agravamento da hipoxemia. Os autores explicam que a interação entre DPOC e hipertensão pulmonar favorece o surgimento de edema intersticial e alveolar, com deterioração aguda da mecânica ventilatória. A redução da complacência pulmonar e o aumento do espaço morto ventilatório agravam ainda mais a hipoxemia, que frequentemente se manifesta de forma refratária ao suporte convencional com oxigenoterapia de baixo fluxo.

Khalid et al.10 reforçam a complexidade clínica da coexistência entre DPOC e insuficiência cardíaca, especialmente quando ambas as condições se apresentam de forma descompensada. A sobreposição de sintomas, como dispneia, ortopneia e intolerância ao esforço, dificulta o diagnóstico diferencial e o manejo adequado. Os autores destacam que a insuficiência ventricular esquerda em pacientes com DPOC pode precipitar edema agudo de pulmão devido ao aumento da pressão hidrostática nos capilares pulmonares. Esse fenômeno, aliado à obstrução brônquica e à hiperinsuflação, compromete de maneira importante a função respiratória. Além disso, a DPOC pode mascarar os sinais clínicos clássicos de congestão pulmonar, o que exige maior atenção dos profissionais de saúde na identificação precoce do quadro.

Ao confrontar os dados apresentados, observa-se que todos os estudos convergem para a compreensão da DPOC como um distúrbio multifatorial, com forte interdependência entre os sistemas respiratório e cardiovascular. A literatura analisada destaca que a fisiopatologia da insuficiência respiratória na DPOC se agrava consideravelmente quando há associação com eventos como edema agudo de pulmão, seja por causas cardiogênicas ou não cardiogênicas. Naughton e Tuxen8 ressaltam a importância da hipoventilação e da fadiga muscular respiratória como mecanismos diretos da insuficiência respiratória, enquanto Beloncle et al.11 aprofundam a discussão sobre o comprometimento da barreira alvéolo-capilar e a transudação de líquidos em contextos críticos.

Além disso, Krompa e Marino12 apontam para a relevância da hipertensão pulmonar como condição agravante na DPOC, estabelecendo um ciclo patológico entre hipóxia, remodelação vascular e sobrecarga ventricular. Esse processo, quando descompensado, potencializa o surgimento de edema pulmonar. Por outro lado, Khalid et al.10 enfatizam a interrelação entre a insuficiência cardíaca e a DPOC como fator determinante para a piora do quadro respiratório, ressaltando a dificuldade diagnóstica e terapêutica decorrente dessa sobreposição de síndromes. Apesar das abordagens distintas, todos os autores convergem na identificação da DPOC como uma doença sistêmica, cuja descompensação pode culminar em eventos críticos com risco elevado de mortalidade.

A utilização da ventilação não invasiva (VNI) como suporte ventilatório em pacientes adultos com insuficiência respiratória aguda vem sendo cada vez mais consolidada na prática clínica, especialmente em contextos de exacerbações da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). As diretrizes da Indian Society of Critical Care Medicine (ISCCM), apresentadas por Chawla et al.7, destacam que a VNI deve ser considerada a primeira linha de intervenção em pacientes com insuficiência respiratória hipercápnica decorrente de DPOC, desde que estejam conscientes, hemodinamicamente estáveis e sem sinais de falência orgânica múltipla. Segundo os autores, a aplicação precoce da VNI reduz significativamente a necessidade de intubação orotraqueal, as complicações associadas à ventilação mecânica invasiva e a mortalidade hospitalar.

Navarra et al.9 reforçam essas indicações ao descrever que a VNI é particularmente eficaz em pacientes com DPOC descompensada, apresentando acidose respiratória leve a moderada (pH entre 7,25 e 7,35) e PaCO₂ elevada. A instituição precoce do suporte não invasivo contribui para restaurar a função ventilatória, corrigir a hipercapnia e melhorar a troca gasosa. Os autores também salientam a importância da escolha adequada da interface e do modo ventilatório — preferencialmente BiPAP —, ajustando-se os parâmetros de pressão com base na resposta clínica do paciente e nos dados de monitorização, como frequência respiratória, saturação periférica de oxigênio e nível de consciência.

No estudo de Oliveira, Vaz e Santos13, são discutidas as indicações preventivas da VNI, especialmente no contexto de falência respiratória pós-extubação em pacientes com doenças pulmonares crônicas. Os autores destacam que, em pacientes com DPOC previamente submetidos à ventilação invasiva, o uso imediato de VNI após a extubação é uma estratégia eficaz para prevenir a recidiva da insuficiência respiratória. Além disso, os autores defendem a associação da VNI com técnicas de fisioterapia respiratória como medida de suporte à reversão da fadiga muscular e reexpansão alveolar. A integração entre VNI e cinesioterapia respiratória visa melhorar a capacidade funcional pulmonar, reduzir o risco de colapso alveolar e evitar complicações como o edema pulmonar negativo associado à extubação.

Spinazzola et al.18 apresentam uma abordagem complementar, ao explorar o papel da VNI em cuidados paliativos de pacientes com doenças respiratórias avançadas, incluindo a DPOC em fase terminal. Embora o foco do estudo esteja voltado à aplicação da VNI como suporte de conforto, os autores ressaltam que o uso não invasivo pode melhorar significativamente a dispneia refratária, o desconforto respiratório e a qualidade de vida desses pacientes, mesmo em contextos onde o objetivo terapêutico não é curativo. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre os benefícios da VNI além do manejo intensivo da insuficiência respiratória aguda, considerando-a também como uma intervenção de suporte à dignidade e bem-estar.

Ao analisar comparativamente os estudos citados, observa-se convergência quanto à eficácia da VNI em pacientes com DPOC, especialmente quando aplicada de forma precoce e individualizada. Chawla et al.7 e Navarra et al.9 concentram-se nas indicações clínicas e na padronização dos critérios fisiológicos que justificam a aplicação da VNI em ambientes críticos, com ênfase na reversibilidade da insuficiência respiratória e prevenção de complicações. Ambos destacam a importância do monitoramento clínico rigoroso durante a aplicação da VNI, sugerindo o uso de ferramentas como o escore HACOR, que permite avaliação objetiva da resposta ao suporte ventilatório com base em parâmetros como frequência respiratória, pH arterial, PaO₂, frequência cardíaca e nível de consciência.

Por outro lado, Oliveira, Vaz e Santos13 introduzem uma perspectiva funcional e preventiva ao discutir o uso da VNI no período pós-extubação. Essa abordagem amplia o campo de atuação da VNI, reforçando sua aplicação como estratégia de transição segura da ventilação invasiva para a espontânea. Os autores apontam que a integração entre ventilação e fisioterapia respiratória potencializa os efeitos clínicos do suporte não invasivo, reduzindo a ocorrência de falhas na extubação e reinternações em unidade de terapia intensiva.

Complementando essas abordagens, Spinazzola et al.18 apresentam o uso da VNI sob o viés paliativo, o que contribui para uma compreensão ampliada da terapia respiratória não invasiva em pacientes com DPOC avançada. Embora esse cenário não envolva necessariamente a reversão da insuficiência respiratória, o suporte ventilatório não invasivo mostra-se útil na redução da percepção de dispneia, no alívio de sintomas e na humanização do cuidado em estágios terminais da doença.

Apesar da unanimidade quanto à efetividade da VNI, os estudos divergem quanto à priorização de seus objetivos. Enquanto Chawla et al.7 e Navarra et al.9 enfatizam a VNI como medida de suporte intensivo para evitar intubação, Oliveira, Vaz e Santos13 indicam seu uso preventivo na fase pós-extubação e reabilitação pulmonar. Spinazzola et al.18, por sua vez, ampliam sua aplicação para o escopo dos cuidados paliativos, integrando a VNI ao cuidado centrado no paciente.

A mobilização precoce tem sido amplamente investigada como estratégia segura e eficaz na reabilitação de pacientes críticos, especialmente aqueles submetidos à ventilação não invasiva em unidades de terapia intensiva (UTI). Ji e Won17 destacam que a mobilização precoce de pacientes críticos representa uma mudança paradigmática no manejo da imobilidade hospitalar, sendo associada à redução da incidência de fraqueza muscular adquirida na UTI, melhora da oxigenação e otimização da função pulmonar. Os autores indicam que a ativação motora precoce, mesmo em pacientes sob suporte ventilatório, contribui para restaurar a mecânica respiratória e prevenir complicações secundárias à imobilização prolongada, como atelectasias, infecções respiratórias e perda de funcionalidade.

Em consonância, Wang et al.16 conduziram um ensaio clínico randomizado com o objetivo de avaliar os efeitos da mobilização precoce em pacientes submetidos à ventilação não invasiva por pressão positiva (NIPPV). Os resultados indicaram melhora estatisticamente significativa na força muscular periférica, capacidade funcional e tempo de permanência na UTI nos indivíduos que iniciaram protocolo de mobilização dentro das primeiras 48 horas de internação. Os autores ressaltam que a combinação da NIPPV com mobilização precoce apresenta impacto favorável na recuperação respiratória, ao reduzir o esforço ventilatório, melhorar o recrutamento alveolar e preservar a função dos músculos respiratórios. O estudo reforça a importância da mobilização ativa assistida, sob monitoramento hemodinâmico e respiratório contínuo, como conduta segura mesmo em pacientes instáveis.

Já Duignan et al.14 discutem a importância do fisioterapeuta respiratório em ambientes domiciliares e comunitários, defendendo a continuidade da reabilitação funcional iniciada ainda na UTI. Segundo os autores, o fisioterapeuta é fundamental na transição do cuidado intensivo para o cuidado continuado, atuando na reabilitação domiciliar de pacientes com DPOC após descompensações respiratórias agudas. A mobilização precoce é apontada como uma das principais estratégias na recuperação da autonomia e da tolerância ao esforço, com destaque para exercícios de fortalecimento muscular, treino de marcha e técnicas respiratórias específicas. Além disso, o artigo enfatiza a necessidade de planos de tratamento personalizados, considerando as limitações funcionais, a aderência terapêutica e a monitorização contínua da evolução clínica.

Por outro lado, Lau et al.15 investigaram o efeito de exercícios resistidos com restrição de fluxo sanguíneo no contexto de reabilitação precoce de pacientes após exacerbações agudas da DPOC. O estudo, de caráter randomizado e controlado, demonstrou que essa técnica promove ganho significativo de força muscular e desempenho funcional em tempo reduzido, mesmo em pacientes com limitações ventilatórias. A restrição de fluxo foi aplicada de forma segura, com supervisão constante, e demonstrou ser eficaz na prevenção da sarcopenia hospitalar. Os autores argumentam que estratégias de resistência adaptada, como essa, podem ser utilizadas em conjunto com a mobilização precoce tradicional para acelerar a reabilitação funcional e evitar complicações musculoesqueléticas.

Ao comparar os estudos analisados, observa-se consenso sobre os benefícios da mobilização precoce como componente essencial da abordagem fisioterapêutica em pacientes com DPOC em ventilação não invasiva. Ji e Won17 oferecem uma visão geral dos benefícios sistêmicos da mobilização precoce em pacientes críticos, destacando sua importância na prevenção de complicações secundárias à imobilização. Wang et al.16 acrescentam evidência clínica robusta, com base em ensaio randomizado, de que a mobilização associada à NIPPV contribui diretamente para melhores desfechos clínicos e menor tempo de permanência em unidade intensiva.

A abordagem comunitária discutida por Duignan et al.14 amplia o escopo da intervenção fisioterapêutica para além do ambiente hospitalar, reforçando que a mobilização precoce é um processo contínuo e adaptável, que deve ser iniciado na UTI e estendido até a recuperação plena do paciente. A visão longitudinal do cuidado demonstra que a reabilitação não se encerra com a alta hospitalar e que o suporte respiratório, incluindo a VNI, pode acompanhar o paciente em diferentes contextos terapêuticos. Já Lau et al.15 introduzem uma técnica inovadora de fortalecimento muscular — restrição de fluxo sanguíneo — como alternativa eficaz no processo de mobilização precoce, especialmente útil para pacientes com limitação ao exercício convencional devido à dispneia ou à fadiga precoce.

Contudo, os estudos divergem quanto à forma ideal de implementação dos protocolos de mobilização, tempo de início, tipo de exercícios e critérios de segurança. Enquanto Wang et al.16 defendem o início precoce (até 48 horas), Duignan et al.14 destacam a necessidade de personalização conforme a evolução clínica. A técnica com restrição de fluxo, proposta por Lau et al.15, ainda exige validação em amostras maiores e em diferentes perfis clínicos, especialmente aqueles em suporte ventilatório contínuo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente revisão sistemática permitiu identificar evidências consistentes sobre os benefícios da ventilação não invasiva (VNI) na abordagem de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) durante episódios de insuficiência respiratória aguda associados ao edema agudo de pulmão. Os estudos analisados demonstraram que a VNI, especialmente no modo bilevel positive airway pressure (BiPAP), promove melhora significativa na troca gasosa, reduz a necessidade de ventilação mecânica invasiva, diminui o tempo de internação e contribui para a estabilidade hemodinâmica em contextos críticos.

Observou-se também que a integração da VNI com estratégias de mobilização precoce à beira leito potencializa os desfechos clínicos, sobretudo na preservação da capacidade funcional e na recuperação da musculatura respiratória. A mobilização ativa, quando iniciada precocemente e supervisionada por equipe fisioterapêutica, mostrou-se segura e eficaz, mesmo em pacientes em suporte ventilatório não invasivo, contribuindo para a redução de complicações secundárias à imobilidade prolongada.

Adicionalmente, o uso do escore HACOR foi identificado como ferramenta auxiliar relevante na monitorização da resposta clínica à VNI, permitindo intervenções precoces em casos de risco de falência do suporte ventilatório. O monitoramento sistemático por meio de parâmetros objetivos favorece a tomada de decisão clínica e a individualização do tratamento, especialmente em unidades de terapia intensiva.

A VNI associada à mobilização precoce representa uma abordagem terapêutica promissora e segura para o manejo de pacientes com DPOC em descompensação respiratória. A aplicação integrada dessas estratégias, sob monitoramento criterioso, favorece desfechos clínicos positivos e amplia as possibilidades de reabilitação precoce e humanização do cuidado. Ressalta-se a importância de estudos clínicos adicionais que explorem protocolos combinados de VNI e reabilitação funcional em diferentes níveis de complexidade, a fim de padronizar condutas e ampliar sua aplicabilidade na prática assistencial.

REFERÊNCIAS

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