PERCEPTION OF THE MAIN MANAGERS OF THE MILITARY POLICE OF AMAZONAS REGARDING THE CHALLENGES FOR CREATING A UNIT FOR CANINE-ASSISTED THERAPEUTIC ACTIVITIES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602112318
Jônatas Torres da Silva1
RESUMO: O objetivo central desta pesquisa é levantar a percepção dos principais gestores da Polícia Militar do Amazonas em relação aos desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães. Para isso, utilizaram-se como instrumentos metodológicos a pesquisa quantitativa, por meio da aplicação de questionários e entrevistas aos trinta principais gestores operacionais e gestores estratégicos da Polícia Militar do Amazonas, relacionados à área temática abordada. Para com isso, identificar o grau de aderência quanto à implantação deste Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães. Os resultados bibliográficos revelam uma crescente tendência na utilização de animais no auxílio de tratamentos médicos, em especial o cão, sendo aceitos e até recomendados pela comunidade médica na atualidade, devido os benefícios que se observam, todavia as o grau de aderência dos gestores da Polícia Militar do Amazonas superam poucos mais da metade dos entrevistados, revelando que muito ainda falta para que de fato de operacionalize a atividade com cães terapeutas na Polícia Militar do Amazonas, vez que, os desafios são muitos, como falta de bases doutrinárias, falta de efetivo especializado na área, bem como um cão específico para tal finalidade. Porém, há que se destacar o apoio Institucional para que no futuro próximo, na condição de Instituição social e detentora do plantel canino, a Polícia Militar do Amazonas possa inaugurar esse projeto terapêutico com Cães no Estado, em favor da sociedade e das pessoas que seriam beneficiadas, seja do público militar ou civil.
Palavras-Chave: Percepção; Desafios; Terapêuticas; Cães; Polícia.
ABSTRACT: The central objective of this research is to raise the perception of the main managers of the Amazon Military Police in relation to the challenges for the implementation of a Center for Therapeutic Activities Assisted by Dogs. For this, quantitative research was used as methodological instruments, through the application of questionnaires and interviews to the thirty main operational managers and strategic managers of the Amazon Military Police, related to the thematic area addressed. To this end, identify the degree of adherence to the implementation of this Center for Therapeutic Activities Assisted by Dogs. The bibliographic results reveal a growing trend in the use of animals in the aid of medical treatments, especially the dog, being accepted and even recommended by the medical community today, due to the benefits that are observed, however the degree of adherence of the managers of the Amazon Military Police surpass a few more than half of the interviewees, revealing that much still remains to actually operationalize the activity with therapy dogs in the Amazon Military Police, since, the challenges are many, as lack of doctrinal bases, lack of specialized staff in the area, as well as a specific dog for such a purpose. However, it is necessary to highlight the Institutional support so that in the near future, as a social institution and holder of the canine squad, the Amazon Military Police can inaugurate this therapeutic project with Dogs in the State, in favor of society and the people who would benefit, whether from the military or civilian public.
Keywords: Perception; Challenges; Therapeutic; Dogs; Police.
1. INTRODUÇÃO
O cão, na história da humanidade, de acordo com Beck e Katcher (2003) foi domesticado pelo ser humano a milhares de anos, sendo a primeira interação voltada para obtenção de alimentos, o que posteriormente fez-se unir ao ser humano em caçadas, ajudando inclusive na localização e captura de presas, tornando o vínculo ser humano-cão cada vez maior.
Ainda para Beck e Katcher (2003) com o passar dos anos, já domesticados, foram adestrados para desempenhar inúmeras atividades, tanto para fins militares e civis, tais como: guias de pessoas com necessidades especiais; guarda de instalações; proteção; busca e salvamento de pessoas; perícia; localização de explosivos, faro de narcóticos, bem como o cão doméstico que em muitos lares acaba por se tornar membro da família, entre outras atividades. Neste sentido, a utilização de cães pelo ser humano, além de ser uma excelente ferramenta de trabalho, também exerce a função de fiel companheiro.
Os animais estão em consultórios, hospitais, escolas e instituições, desempenhando inúmeras atividades em nossa sociedade. Kassis e Berzins (2002) afirmam que em termos psicológicos, os cães através de sua pureza e espontaneidade instintiva, resgatam a criança interior da pessoa e aumentam a capacidade de amar da mesma. Além disso, a presença do animal auxilia na redução de problemas como ansiedade, estresse e alterações cardíacas.
Na atividade policial no Estado do Amazonas, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães, especificamente, os cães são usados na busca de pessoas perdidas, captura de indivíduos, atuação em controle de distúrbios, presídios, praças desportivas, faro de entorpecentes, faro de arma de fogo, busca de cadáveres, e atividades socioeducativas.
Considerando que o papel constitucional da Polícia Militar é oferecer a sensação de segurança pública, por meio de policiamento ostensivo, função essa em que não estão legalmente descritas ações sociais e/ou terapêuticas. Sob este prisma, a pergunta científica que se faz é: quais as perspectivas e desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas?
Para se resolver tal questão, se propôs a duas hipóteses. A Hipótese Norteadora está, em que a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, baseando-se no modelo assistencial, constitui-se em um ideal organizacional e social, que envolve objetivos comuns dos diversos setores e gestores da PMAM, com o fim de proporcionar a promoção da saúde a todos àqueles que necessitem, resultando na melhoria da qualidade do tratamento, por meio da assistência canina. A segunda hipótese está em que a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães ampliaria a prática de assistência social oferecida pela PMAM, sobrelevando o nome da Instituição perante a sociedade, aproximando a tropa especializada das pessoas, com intuito não somente de oferecer assistência em saúde, ou social, mas também de promover um policiamento de proximidade.
Neste contexto, o objetivo geral é levantar a percepção dos principais gestores da PMAM em relação aos aspectos e desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas. Para isto, se utilizou os seguintes objetivos específicos: 1. Evidenciar as deficiências no Estado do Amazonas, quanto à utilização de Cães em hospital, clínicas reabilitadoras, casas de internato, com fins na facilitação ao tratamento aplicado ao paciente; 2. Conhecer as perspectivas dos principais gestores da Unidade Especializada com Cães da PMAM quanto aos aspectos e fatores facilitadores e dificultadores para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães; 3. Identificar o grau de aderência dos principais gestores do serviço de saúde e social da PMAM quanto à implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas.
Para Cusack (2008) os benefícios da relação entre homens e animais para a saúde não é novidade para a ciência. Tratamentos que utilizam animais na recuperação de pacientes já vêm sendo aplicados em diversos países, contabilizando resultados de sucesso. Na Inglaterra, onde o tratamento já vem sendo aplicado comprovou-se que o estímulo dos cães terapeutas em ambientes hospitalares, por exemplo, ajuda não somente o paciente, mas toda a equipe que convive com os animais. A presença dos animais promove uma quebra na barreira do estresse presente nestes locais.
Segundo Becker (2003), o tratamento com cães não melhora somente o estado psicológico das pessoas, médicos comprovam que ocorre uma redução no uso de medicamentos e um aumento no bem-estar do paciente e do sistema imunológico. Portanto com a presença periódica dos cães no ambiente de tratamento, temos a pretensão de aliviar o sofrimento psicológico do paciente, a redução de medicamentos a médio e longo prazo, assim aumentando o bem estar do paciente.
Conforme Dontti (2005), durante a terapia o corpo libera endorfina, que é o hormônio responsável pelo bem estar e relaxamento, havendo uma diminuição na pressão arterial e no nível de cortisol. Assim, o contato com os cães pode proporcionar relaxamento, felicidade, paz e bem-estar para as pessoas, além é claro, de combater a sensação de solidão e abandono, nos casos de pessoas hospitalizadas.
A Delta Society (1996), assegura que após intensas pesquisas e experiências em todo mundo, chegou-se à conclusão de que a terapia com cães é altamente benéfica em atividades educacionais e terapêuticas, os pacientes ficam mais dispostos, interessados e mais à vontade nas atividades em que o cão está presente.
Neste aspecto, esta pesquisa se justifica por ser evidente a necessidade de dispor de uma política institucional social voltada também para sociedade, visando a um acompanhamento frequente, voltado para promoção de saúde e aceitação do tratamento, que podem direta e indiretamente refletir na qualidade de vida desta pessoa.
Sob este prisma acredita-se na importância desta pesquisa científica para sociedade, uma vez que, o papel do policial militar para coletividade é bastante amplo, que vai da concepção centrada na “preservação da ordem pública”, qual seja fragmento do Art. 144, da Constituição Federal de 1988, que elucida que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, e é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (BRASIL, 1988) e combate a criminalidade, até a compreensão de um policial prestador de serviço público, seja em segurança, serviços educativos e serviços sociais.
Este trabalho também implica para o universo acadêmico, ações nas esferas de pesquisa e extensão, aliadas a um compromisso social com o avanço científico e humanitário da PMAM. Ou seja, a produção intelectual no âmbito acadêmico reveste-se da maior importância, pois as produções científicas em suas várias manifestações e materializações configuram-se como mecanismos de difusão dos resultados da pesquisa que saem da natureza acadêmica para ganhar forma na instituição policial e na sociedade, pois, é a partir da produção intelectual que são rompidas as demarcações institucionais e externalizadas atividades que inicialmente se dão em contextos intramuros, de modo a buscar o desenvolvimento social integrado.
A realização deste estudo também proverá o desenvolvimento profissional do autor que, além de ser policial militar, ativo no curso de aperfeiçoamento de oficiais, também trabalha na Unidade de Policiamento com Cães, bem como é profissional de saúde. E com a realização do trabalho poderá fazer uma conexão entre as duas áreas, conhecendo as perspectivas dos principais gestores da PMAM em relação à proposição do estudo.
Nesta acepção, os gestores envolvidos no presente trabalho também serão favorecidos, pois, durante a realização deste estudo ocorrerá um compartilhamento de conhecimentos e uma correspondência de informações acerca do tema que possibilitará um alinhamento entre a teoria, conceitos, desafios e tendências estudadas e a prática vivenciada na Polícia Militar do Amazonas.
Considerando que o papel constitucional da Polícia Militar é oferecer a sensação de segurança pública, por meio de policiamento ostensivo, função essa em que não estão legalmente descritas ações sociais e/ou terapêuticas (BRASIL, 1988).
Em aclaração acredita-se na importância desta pesquisa científica, uma vez que, o papel do policial militar para coletividade é bastante amplo, que vai da concepção centrada na preservação da ordem pública (BRASIL, 1988) e enfrentamento da criminalidade, até a compreensão de um policial prestador de serviço público, sejam em segurança, serviços educativos e resguardo de vidas.
Além deste, constam outros escopos, quais sejam descrever a utilização de Cães em hospital, clínicas reabilitadoras, casas de internato, com fins na facilitação ao tratamento aplicado ao paciente, especialmente os benefícios deste método, bem como os cães ideais, e que seria necessário para se implementar esse serviço no Estado do Amazonas.
E, conhecer as perspectivas dos principais gestores da Unidade Especializada com Cães da PMAM quanto aos aspectos e fatores facilitadores e desafiadores para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães; neste interim, identificar o grau de aderência dos principais gestores do serviço operacional e do serviço estratégico em saúde, promoção social e logístico-financeiro da PMAM quanto à implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas.
Com esta base, os aspectos metodológicos foram fixados na própria Instituição, por meio de entrevistas e questionários aos gestores da Companhia Independente de Policiamento com Cães, do Comando de Policiamento Especializado, da Diretoria de Saúde, da Diretoria de Promoção Social, das Diretorias Logísticas, Financeiras, e PM6/Seção de Projetos.
Neste aspecto, esta pesquisa se justifica por ser evidente a necessidade de dispor de uma política institucional social voltada também para sociedade, visando a um acompanhamento frequente, voltado para promoção de saúde e aceitação do tratamento, que podem direta e indiretamente refletir na qualidade de vida desta pessoa.
Este trabalho também implica para o universo acadêmico, ações nas esferas de pesquisa e extensão, aliadas a um compromisso social com o avanço científico e humanitário da PMAM. Ou seja, a produção intelectual no âmbito acadêmico reveste-se da maior importância, pois as produções científicas em suas várias manifestações e materializações configuram-se como mecanismos de difusão dos resultados da pesquisa que saem da natureza acadêmica para ganhar forma na instituição policial e na sociedade, pois, é a partir da produção intelectual que são rompidas as demarcações institucionais e externalizadas atividades que inicialmente se dão em contextos intramuros, de modo a buscar o desenvolvimento social integrado.
A realização deste estudo também promoveu o desenvolvimento profissional do autor que, além de ser policial militar, ativo no curso de aperfeiçoamento de oficiais, também atua na Unidade de Policiamento com Cães, bem como é profissional de saúde. E com a realização do trabalho pôde fazer uma conexão entre as duas áreas, conhecendo as perspectivas dos principais gestores da PMAM em relação à proposição do estudo.
Nesta acepção, os gestores envolvidos no presente trabalho também foram favorecidos, pois, durante a realização deste estudo ocorreu um compartilhamento de conhecimentos e uma correspondência de informações acerca do tema que possibilitará um alinhamento entre a teoria, conceitos, desafios e tendências estudadas e a prática vivenciada na Polícia Militar do Amazonas.
Este artigo está subdividido em fundamentação teórica, onde se abordam os principais autores que tratam sobre terapia facilitada por meio de cães; seção metodológica, em que se detalham os procedimentos metodológicos utilizados durante a pesquisa; resultados e iscussão, onde são apresentados os resultados da pesquisa; e a conclusão, com as considerações finais do autor da pesquisa, com base nos resultados obtidos.
2. MARCO TEÓRICO
Nesta seção buscaram-se autores que abordam o tema, deste modo para melhor entendimento abordaremos as questões legais da função policial militar, bem como a contextualização histórica da terapia facilitada por animais, particularizando à terapia facilitada por cães, seus conceitos, e os benefícios do cão como elo terapêutico.
2.1 FUNÇÃO POLICIAL MILITAR: DO LEGAL AO SOCIAL
De uma maneira bem simplista e legal, é de entendimento que a Polícia Militar possui a incumbência de promover segurança para a sociedade. O policial detém o poder de polícia para que possa exercer suas atividades garantindo a ordem pública. Por essa razão, todos os policiais militares dispõem do dever constitucional de preservar a ordem pública (BRASIL, 1988).
Mas a segurança social permeia apenas situações que envolvam crimes, ou conflitos? Ou poderia esta estar alicerçada em uma policia mais próxima, acolhedora, e promotora de projetos sociais com claro objetivo de bem servir a sociedade?
Legalmente, as polícias são, no Brasil, órgãos do Estado que têm a finalidade constitucional de preservar a ordem pública, de proteger pessoas e o patrimônio, e realizar a investigação e repressão dos crimes, além do controle da violência. A Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), em seu artigo 144, estabelece que a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida através dos seguintes órgãos: 1) Polícia Federal; 2) Polícia Rodoviária Federal; 3) Polícia Ferroviária Federal; 4) Polícias Civis; 5) Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (BRASIL, 1988).
Tendo, a Polícia Militar a função precípua de polícia ostensiva para preservação da ordem pública nos Estados brasileiros e no Distrito Federal. Fato é que, as Polícias Militares no Brasil atuam muito além de sua égide constitucional, ao tomarem para si diversas outras atribuições, tais como promotoras de projetos sociais, com o claro intuito de prevenir a criminalidade e/ou melhorar a qualidade de vida da sociedade (BRASIL, 1988). Com base, neste preceito, de que a Polícia Militar pode cumprir atribuições de caráter social, uma vez que, insere-se sobremaneira na própria forma como a sociedade vê seus agentes de segurança, partimos ao estudo específico do nosso objeto: a terapia facilita por cães.
2.2 CONTEXTUALIZAÇÃO
Para Sheldrake (2000) os animais, especialmente os cães, sempre fizeram parte de nosso inconsciente coletivo, passando para o ser humano a ideia de companheirismo e fidelidade. Traços estes que seguem tradições das culturas ocidentais e orientais. É nítida a importância desses seres para o ser humano, pois, detentores de um certo poder e que, de alguma forma, indicavam claramente transmutação, proteção, sentimentos básicos humanos e até mesmo evolução espiritual.
Para Dontti (2005) os gregos acreditavam que os cães eram capazes de curar doenças e os criavam como terapeutas auxiliares em seus templos de cura. Aslepios, principal divindade curativa, estendia seus poderes a cães sagrados.
Dontti (2005) afirma que os canídeos são estímulos motivadores para emoções e sentimentos diversos, e que através de sua conduta são capazes de ensinar às pessoas como viver melhor e com mais qualidade de vida. Eles são de suma importância na socialização e na mudança de comportamento do ser humano. Em 1699 já havia relatos dos cães, especialmente com as crianças, os quais tinham a função de socialização. As crianças podiam aprender a refletir sobre o senso de suas responsabilidades para com os outros.
Ainda para Dontti (2005), nas décadas de 70 e 80, as pesquisas referentes aos animais, com particularidade para os canídeos, foram aprofundadas, criando-se a nomeação de Pet Terapia, que foi utilizada até a década de 90. Porém, em alguns momentos era confundida como terapia para os animais e não para as pessoas. Em decorrência desse fato surgiu a necessidade de uma terminologia adequada utilizada no mundo todo, “Atividade e Terapia Assistida por Animais”, ou em específico “Terapia Assistida por Cães”.
Neste percurso, para Fine (2003) a TFC surgiria como uma terapia alternativa para auxiliar no tratamento de pessoas que necessitam de auxílio biopsicossocial com o fim de proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida. A ideia é desviar a atenção do assistido, seja criança, adulto ou idoso, do tratamento e proporcionar-lhes momentos de descontração, mesmo dentro do hospital, clínica ou escola especial, os quais o cão pode oferecer.
2.3 CONCEITUALIZAÇÃO
Alonso (2006) conceitua a Terapia Assistida por Animais como um método terapêutico que utiliza um animal específico como mediador do processo (podendo ser um cão, tartaruga, pássaro e coelhos). O profissional e o animal atuam diretamente na afetividade, nas relações conflitivas e sociais de cada pessoa.
Cusack (2008) considera que a Terapia Assistida por Cães pode ser entendida como um conjunto de técnicas que utilizam o canino como instrumento mediador e facilitador nas intervenções elaboradas pelo terapeuta, com o objetivo de garantir a evolução de seu assistido. Aproveita-se do vínculo pessoa-animal, dos benefícios que acontecem a partir dessa interação para enriquecer e completar o elo essencial da relação paciente-terapeuta, fundamental em qualquer tipo de terapia, inclusive a psicopedagógica.
Becker (2003) afirma que essa atividade pode ser realizada por uma equipe multidisciplinar, atuando nas dificuldades motoras, psicológicas e sociais de cada um paciente, ela sendo portador ou não de necessidades especiais. As sessões podem ser em grupo, porém o planejamento e o acompanhamento devem ser individualizados. O atendimento em TAA é onde a etapa em que se incluem o estabelecimento dos objetivos a serem atingidos e a consequente ênfase na área da aplicação pertinente.
Becker (2003) ainda acrescenta que essa terapia tem como foco o cachorro em suas particularidades. Já que sua função primordial em uma terapia assistida é auxiliar na realização de atividades dinâmicas, com regras, autonomia e autoconfiança.
Kassis e Berzins (2002) afirmam que há registros que a ajuda de animais como auxiliares em centros de saúde iniciou na Inglaterra em 1792, quando pacientes com doenças mentais puderam cuidar de animais de uma Instituição. Alonso (2006) descreve esta técnica como Terapia Facilitada por Cães (TFC), e se insere na estrutura da TAA (Terapia Assistida por Animais), equivocadamente algumas teorias trazem o conceito de Cinoterapia para conceituar a prática em que o cão atua como instrumento reforçador, estimulador e reabilitador global do indivíduo a ser trabalhado. Todavia, para fins didáticos neste contexto não utilizamos o termo por entender que ao tratar de Cinoterapia o Cão seria o elemento promotor da terapia, entretanto a visão aqui abordada é que o Cão seria um facilitador das terapias convencionalmente realizadas, não privando o paciente de suas sessões médicas, fisioterapêuticas, terapêuticas ocupacionais, pedagógicas, psicológicas e sociais.
Segundo as recomendações da Delta Society (1996) incorporadas por Y Granger Y Kogan, a Terapia Assistida por Cães implica em um profissional de saúde ou especializado em cuidado humano que usa o animal como parte de seu trabalho. É uma intervenção com objetivos definidos onde o animal cumpre um papel específico e é parte integrante de todo o processo de tratamento.
Para Beck e Katcher (2003) a Terapia Assistida por Cães é aquela que exige o uso dos animais como agentes terapêuticos, ou seja, significa a utilização da capacidade terapêutica do contato com os cães. Assim, o caráter básico da terapia com cães engloba duas perspectivas: relação terapeuta-paciente somados à relação pessoa-animal devidamente integrados.
Segundo Fine (2003) a atividade terapêutica com cães constitui primeiramente em um conjunto de estudos que devido às suas peculiaridades implica ser considerada como uma ecoterapia, representada pela natureza – animais, mas, ligada ao mesmo tempo ao mundo das psicoterapias devido à existência da relação terapeuta-paciente; segundo, a terapia com cães combina-se ou tem conexão com outros tipos de terapia devido às mesmas exigências; terceiro, o uso dos cães está baseado por si mesmo em sua pluralidade que com uma ou outra preparação são capazes de estabelecer uma relação com o sujeito, provocando nele um fator positivo que contribua para seu estabelecimento.
Neste mesmo percurso, Fine (2003) assegura a terapia facilitada por cães como uma forma de assistência terapêutica diferenciada que reflete positivamente no resultado final do tratamento, já que a presença do cão em qualquer ambiente promove alegria, relaxamento e conforto, onde profissionais de diversas áreas utilizam o cão como meio reforçador, estimulador e facilitador da reabilitação do paciente. Dividindo essa ação em três especialidades: Assistencial, Terapia e Terapia Assistida.
Assistencial é onde o cão atende exclusivamente uma determinada pessoa, auxiliando em suas atividades diárias, o adestrador com base nas necessidades especiais do assistido, prepara o cão para suprir uma carência, exemplo, criança com autismo costuma sair à rua correndo, sem aviso prévio colocando em risco sua integridade física, o cão fica atrelado a criança por meio de um cabo elástico, quando o cão reconhece a atitude da criança ao sair correndo e ele deita, evitando assim um acidente (FINE, 2003).
Na terapia a equipe que atende a pessoa com deficiência, orienta o adestrador para que prepare o cão dando atendimento exclusivo, exemplo, uma criança não permite ser tocado por outro ser humano, assim o cão poderá ser a ligação entre a equipe de trabalho e a criança (FINE, 2003).
Já na terapia assistida é quando ocorre à visita do Binômio (ser humano-cão) a instituição que presta serviço assistencial e o profissional que vivência o dia a dia das pessoas com necessidades especiais, orienta o adestrador com as demandas de cada paciente, atendendo um grupo de pessoas, exemplo, pessoas com dificuldade de movimento nos membros superiores, quando o assistido arremessa uma bolinha para o cão, que busca e retorna com a bola, ocorrendo sistematicamente o movimento dos membros superiores, facilitando a reabilitação (FINE, 2003).
Todavia, para Alonso (2006), ainda existe muita confusão acerca das atribuições dos cães de assistência e cães terapeutas, porém eles têm funções bem diferentes. O cão para assistência é treinado para auxiliar uma pessoa em uma função específica, como por exemplo, guiar um deficiente visual ou auxiliar em tarefas caseiras. Já o cão de assistência terapeuta é parte integrante do tratamento, da sessão, tem papel de mediador e motivador para a realização de uma atividade proposta por um profissional da área da saúde ou educação, com finalidade e objetivo traçado dentro da necessidade de cada paciente.
2.4 BENEFÍCIOS DA TERAPIA FACILITADA POR CÃES
Para Cusack (2008) os benefícios da relação entre homens e animais para a saúde não é novidade para a ciência. Tratamentos que utilizam animais na recuperação de pacientes já vêm sendo aplicados em diversos países, contabilizando resultados de sucesso. Na Inglaterra, onde o tratamento já vem sendo aplicado comprovou-se que o estímulo dos cães terapeutas em ambientes hospitalares, por exemplo, ajuda não somente o paciente, mas toda a equipe que convive com os animais. A presença dos animais promove uma quebra na barreira do estresse presente nestes locais.
Segundo Becker (2003), o tratamento com cães não melhora somente o estado psicológico das pessoas, médicos comprovam que ocorre uma redução no uso de medicamentos e um aumento no bem estar do paciente e do sistema imunológico. Portanto com a presença periódica dos cães no ambiente de tratamento, temos a pretensão de aliviar o sofrimento psicológico do paciente, a redução de medicamentos a médio e longo prazo, assim aumentando o bem estar do paciente.
Conforme Dontti (2005), durante a terapia o corpo libera endorfina, que é o hormônio responsável pelo bem estar e relaxamento, havendo uma diminuição na pressão arterial e no nível de cortisol. Assim, o contato com os cães pode proporcionar relaxamento, felicidade, paz e bem-estar para as pessoas, além é claro, de combater a sensação de solidão e abandono, nos casos de pessoas hospitalizadas.
A Delta Society (1996), assegura que após intensas pesquisas e experiências em todo mundo, chegou-se à conclusão de que a terapia com cães é altamente benéfica em atividades educacionais e terapêuticas, os pacientes ficam mais dispostos, interessados e mais à vontade nas atividades em que o cão está presente.
Segundo Dontti (2005) estas atividades podem ter como objetivo: afetividade, socialização, interação, autoestima, comunicação, exercícios físicos, atenção, concentração, responsabilidade, importância de uma rotina, entre muitos outros. Atividades sociais que ajudam a levantar a autoestima, como levar um cão para passear na rua, ou em um parque, estimulam o paciente a sair de seu ambiente controlado para um ambiente externo mais saudável.
Conforme Sheldrake (2000) essas atividades ajudam a desenvolver a capacidade intelectual, através do ensinar e se sentir produtivo. Para que este resultado seja adquirido, é necessário treinamento de truques e brincadeiras com o animal, como dar a pata, mandar sentar, entre outras.
Outro benefício da Terapia Assistida por Cães, conforme Dontti (2005), está no fato dos animais atuarem como co-ajudantes, para construir um ambiente em que os assistidos se sintam mais acolhidos e seguros, o que é fundamental para a evolução de todo tratamento, uma vez que, dentro de uma situação clínica é comum que um indivíduo, ao se deparar com estímulos ou situações geradores de ansiedade, mostre uma conduta evitativa quanto ao terapeuta e tratamento.
De acordo com Beck e Katcher (2003) os cães induzem o paciente a um estado de relaxamento imediato, psicologicamente tranquilizador pelo simples jeito de atrair e manter nossa atenção. Assim, a presença do animal faz com que o ambiente terapêutico pareça menos ameaçador e consequentemente estimula o paciente a ficar mais disposto e a colaborar, principalmente, no início do processo em que o vínculo terapeuta-paciente ainda está em formação e o espaço de atendimento se mostra assustador.
Nesse contexto, ainda para Beck e Katcher (2003), o animal gera o efeito tranquilizador, reduzindo o nível de ansiedade. Concomitantemente, o animal atua como uma ponte de comunicação que vai favorecer a relação com o terapeuta e a cada encontro o vínculo e a confiança necessários para o paciente conseguir se expor vão se fortalecendo.
Outra vantagem, para Kassis e Berzins (2002) da integração dos animais no atendimento psicopedagógico está relacionada ao fato do animal converter-se em uma extensão do profissional, ou seja, o assistido pode entender que a relação afetuosa do terapeuta com seus animais também vai se estender até ele.
Assim, ainda segundo Kassis e Berzins (2002), o paciente passa a ver o especialista como alguém carinhoso e cuidador que realmente quer ajudá-lo. Ao ter o animal como coterapeuta, o psicopedagogo pode dispor-se de inúmeras situações para trabalhar questões sociais, cognitivas e afetivas. A observação, o conhecimento a respeito do animal, bem como suas características e forma de entender seus comportamentos e, até mesmo, o trabalho de educação do animal, podem se constituir em momentos propícios, para trabalhar o que se pretende com cada paciente.
Para Fine (2003) os benefícios atribuídos à terapia com cães de companhia se devem a três fatores que estão integrados em primeiro lugar, encontra-se a categoria instrumental que inclui a ecoterapia, os cães de assistência como cães-guias e cães de terapia para os que têm incapacidades físicas, mentais ou aqueles que necessitam melhorar sua autoestima e confiança em si mesmo. A interação com animais sem estas incapacidades, através do contato físico, o manejo com eles, torna-se como uma extensão do próprio indivíduo aumentando a coordenação, a mobilidade, habilidade e consequentemente favorece a confiança e autoestima. Segundo, seria a interação passiva, através da observação que induz a um estado relaxante, podendo levar à reflexão.
Ainda, para Fine (2003) nesta categoria, os efeitos se dão a curto prazo e persistem enquanto se observa o animal. Essa observação se mantém porque os animais são eficientes em prender a atenção por causa de seu comportamento aleatório, imprevisível e por estarem sempre fazendo algo novo. A terceira categoria, a antropormórfica, é aquela em que se vê os animais de companhia com a capacidade de formar vínculo afetivo. Nesta categoria, o resultado terapêutico está na condição do indivíduo perceber o animal como outra pessoa. Quando isso ocorre, os sinais de comportamento transmitidos pelo animal são percebidos como uma expressão de afeto, devoção e amor pela pessoa, que necessita ser respeitada, amada é necessária para manter um estado de bem-estar psicológico e físico. Em muitos desses casos, os animais conseguem fazer o ser humano se sentir assim, quando outros seres humanos não.
Conforme Ruckert (2007) muito mais do que somente possibilitar condições favoráveis para o desenvolvimento do processo terapêutico, os animais podem auxiliar o terapeuta a entender mais sobre seus pacientes, através da forma como estes se relacionam e interagem com o animal, que pode assim, proporcionar ao terapeuta uma fonte adicional de informação que facilitará não só o diagnóstico como o tratamento.
Para Alonso (2006) outras caracterizações e razões de validez da terapia assistida por cães que explicam os benefícios que podem derivar-se desse tipo de intervenção estão baseadas em algumas teorias: Mediação social. Os canídeos têm a capacidade de mediar interações e propiciar condutas sociais de afeto positivo, assumindo o papel de “lubrificantes sociais”.
Alonso (2006) ainda evidenciou ao mundo científico a chamada “Teoria de apego”, que consiste na necessidade inata para a interação social que está associada a figuras de apego primário ou de seus substitutos ou complementos. A insegurança desse apego causa impacto negativo na saúde mental e aumenta a vulnerabilidade ao estresse. A justificativa da utilização do animal está na capacidade desse poder oferecer empatia equivalente à humana.
Posteriormente, Cusack (2008) trouxe ao enfoque a “Teoria da aprendizagem”, em que o indivíduo responde a situações a sua volta mediante atividades gratificantes de reforço positivo. Os cães podem, então, servir como meios dessas atividades gratificantes.
Cusack (2008) ainda reforça a ideia a partir da “Teoria cognitiva”, em que o sistema de crenças, pensamentos e juízos são facilitados pelos animais, levando as próprias mudanças desses sistemas, causando grandes mudanças, pois são capazes de suscitar uma emoção ou comportamento positivo. Mudança de crenças disfuncionais para crenças funcionais.
Já Ruckert (2007) descreve a “Teoria das atribuições”, que trata da aquisição de novos papéis e responsabilidades. Modificação do comportamento para adequá-las às expectativas do novo papel. Os cães permitem ao indivíduo assumir essas atribuições, outros papéis, como de ser cuidado para cuidar. Enfim, são inúmeros os benefícios de uma terapia assistida por cães, que vão desde os benefícios físicos, passando pelos benefícios mentais, sócias e em especial, os emocionais.
Becker (2003) resume os benefícios em físicos, metais, sociais e emocionais. Sendo os físicos, como aqueles exercícios e estímulos variados relativos à mobilidade; estabilização da pressão arterial e reações químicas positivas; bem-estar; afastamento do estado de dor, encorajamento das funções da fala e das funções físicas; os mentais, como o estímulo à memória da pessoa levando em conta as diversas observações relativas à sua própria vida e dos animais que ela tem contato; e exercícios de cognição por meio de material usual do animal, da alimentação e de higiene.
Já os sociais estão relacionados a atividades de recreação, diversão e alívio do tédio do cotidiano, afastando o isolamento; oportunidade de comunicação e sentido de convivência; possibilidade de troca de informações e de ser ouvido; e sentimento de segurança, socialização e motivação; e os benefícios emocionais, são relacionados ao amor incondicional e atenção; espontaneidade das emoções; redução da solidão; diminuição da ansiedade; relaxamento; alegria; reconhecimento de valor e troca de afeto (BECKER, 2003).
3. MATERIAL E MÉTODO
Segundo Piana (2009), fazer pesquisa é importante e necessário, pois investiga o mundo em que o ser humano vive e o próprio ser humano. Contudo, para ele a pesquisa só existe com o apoio de procedimentos metodológicos adequados, que permitam a aproximação ao objeto de estudo.
Neste sentido, sabendo que a função Policial Militar para além de suas atribuições inerentes ao combate ao crime, também possui um papel social importante, qual seja ser um servidor público. Neste sentido, a finalidade desta pesquisa será gerar conhecimentos para aproveitamento prático, dirigidos à solução da melhoraria nos tratamentos da população, por meio da utilização de cães policiais com aptidão para tal demanda, configurando, assim, uma esfera aplicada, uma vez que, é direcionada à solução de questões específicas que envolvem questões e interesses da Corporação (AMAZONAS, 1975).
Segundo Selltiz (1974), existem dois tipos gerais de razões para a proposição de questões de pesquisa: as intelectuais, baseadas no desejo de conhecer ou compreender, pela satisfação de conhecer ou compreender; as práticas, baseadas no desejo de conhecer a fim de tornar-se capaz de fazer algo melhor ou de maneira mais eficiente.
E, por ter sido esta uma pesquisa de campo, o que para Vergara (1998) está caracterizada pelo fato de que a observação e a coleta de dados terem sido realizados diretamente no local, os ambientes de pesquisa foram da própria Instituição, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães, do Comando de Policiamento Especializado, da Diretoria de Saúde, da Diretoria de Promoção Social e das Diretorias Logísticas e Financeiras, e PM6/Seção de Projetos, aos quais foram feitas entrevistas semiestruturas e questionário direcional a gestores de cada setor mencionado, totalizando trinta gestores.
Quanto ao objetivo a nubente pesquisa teve um cunho exploratório, o que segundo Vergara (1998) é característico por não se encontrar informações cientificamente produzidas que atendessem as necessidades da pesquisa proposta, o que, no âmbito da PMAM, propendese alcançar uma maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito, já que não há nada escrito Institucionalmente sobre o tema, e pouca pesquisa relacionada no âmbito nacional, configurando, com isso, uma Pesquisa-Ação, porquanto buscará dados relevantes à resolução da falta de ações de atenção social por meio dos canídeos no Estado do Amazonas.
Preceituando Malhotra (2001), o procedimento a adotado foi de uma pesquisa documental e teórica, pois mesmo não existindo no Brasil, nem no Estado do Amazonas, Leis, Normas, Diretrizes, ou quaisquer outros documentos que estabeleçam condições para a participação dos Cães como assistente terapêutico; nem dados e pesquisas que tenham recebido um tratamento analítico, foram pesquisados documentos intrainstitucionais a respeito da raça e quantidade cães existentes na Companhia Independente de Policiamento com Cães, para corporificar informações importantes citadas nesta pesquisa.
Porém, além da pesquisa documental foram realizados levantamentos bibliográficos atinentes, o que converge com Piana (2009) que afirma que ao compreender a pesquisa bibliográfica como o levantamento de toda a bibliografia já publicada em forma de livros, periódicos (revistas), teses, anais de congressos, onde, sua finalidade é proporcionar ao pesquisador o acesso à literatura produzida sobre determinado assunto.
Quanto à forma de abordagem, Gil (2009) respalda a pesquisa como qualiquantitativa, onde se traduzindo em números as opiniões e informações levantadas na coleta de dados, em seguida classificando-as e organizando-as. A forma de coletar dados foi a entrevista semiestrutura (Apêndice A) com dez questionamentos aos principais gestores da PMAM, em relação aos aspectos e desafios da implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, para emergir as perspectivas particulares dos entrevistados e, assim, dar uma maior abertura às singularidades das atividades, processos e efeitos. Neste sentido, foram entrevistados trinta gestores das áreas focais de adestramento com cães, oficiais da Companhia Independente de Policiamento com Cães, da Diretoria de Saúde e da Diretoria de Promoção Social, Financeira/Logística e Seção de Projetos.
Gil (1999) define esta técnica onde o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formulam perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. A entrevista foi, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, foi nesta pesquisa uma forma de diálogo assimétrico, em que o autor buscou coletar dados e o gestor entrevistado se apresentou como fonte de informação.
Além desta, também foi adotado o questionário (Apêndice B), que Gil (1999) define como uma técnica estruturada para coleta de dados que consiste em uma série de perguntas, escritas ou orais, que um entrevistado deve responder, e que foi aplicado, também, aos gestores supracitados.
Segundo Marconi e Lakatos (1996) a população a ser questionada é definida como o conjunto de indivíduos que partilham de, pelo menos, uma característica em comum, a qual neste universo é ser gestor estratégico ou gestor operacional. Neste sentido, o questionário facilitou o processamento dos dados e a tabulação de resultados, proporcionando informações relevantes a respeito dessa amostra.
O diagnóstico dos resultados tabulados foi fundamentado no modelo de Análise de Cluster (conglomerados), explicado por Malhotra (2001), que sugere que análise de conglomerados é uma técnica usada para classificar objetos ou casos em grupos relativamente homogêneos chamados conglomerados. Os objetos em cada conglomerado tendem a ser semelhantes entre si, mas diferentes de objetos em outros conglomerados.
Segundo Everitt (1993), a Análise de Cluster é uma técnica que objetiva agrupar os indivíduos que possuem características semelhantes, quais sejam no caso na pesquisa em foco os gestores estratégicos, e os oficiais da unidade de cães, quais sejam os gestores operacionais. Assim, a Análise de Cluster classifica os indivíduos em grupos homogêneos denominados clusters ou conglomerados. Entende-se, portanto, que os grupos criados pela análise de cluster são semelhantes entre si. O método da análise de Clusters é descrito pelos dados um conjunto de n indivíduos para os quais existem informações sobre a forma de p variáveis, neste sentido, o método analisa os indivíduos em função da informação existente.
Neste aspecto, Everitt (1993) afirma que com a análise de cluster é possível segmentar os serviços em função do perfil do usuário, criando e identificando os tipos ideais, permitindo a elaboração de estratégias voltadas para as perspectivas dos gestores e necessidades dos operadores de cães junto à população assistida. O tipo ideal referiu-se a uma construção mental da realidade, onde o pesquisador selecionou certo número de característica do objeto em estudo, a fim de, construir um topo tangível, ou seja, um tipo. Esse tipo foi muito útil para classificar os objetos de estudo. Assim, conhecendo os desafios e as perspectivas, a análise de cluster permitiu identificar ensejos para implantação do Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, adequando-os melhor às necessidades.
A apreciação dos dados foi por meio do emprego da Avaliação de Quarta Geração. Pois, segundo Meirelles, Hypolito e Kantorski (2012) esse modelo consiste em indicar as reivindicações, preocupações, questões e perspectivas dos grupos de interesse, e que são a base para determinar que informações sejam necessárias e podem verdadeiramente expor seus conceitos e ideias vividos sobre uma determinada temática, possibilitando de maneira responsiva a construção da realidade, possibilitando que estes grupos de interesse ampliem a capacidade de intervirem sobre esta própria realidade do serviço. Sugere-se então a ideia da avaliação já não somente como modelo, estratégia, ferramenta ou discussão, mas como postura; ou seja, como uma atitude concreta de respeito aos envolvidos no processo.
Meirelles, Hypolito e Kantorski (2012) acrescentam que a avaliação de quarta geração caracteriza-se essencialmente pela negociação, juízos, desafios, critérios e ações integradas, envolvendo todos os gestores do processo decisório, na qual a avaliação possa ela mesma ser tratada e considerada como processo de aprendizagem permanente.
Deste modo, os autores Meirelles, Hypolito e Kantorski (2012) veem essa avaliação como relevante por indicar a possibilidade de socializar os resultados e discussões que possam auxiliar os gestores nas suas escolhas e desenvolvimento de ações para atendimento de metas.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para os principais gestores da PMAM várias condições podem ser destacadas como fatores de adesão ou não do processo de implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas.
O enfrentamento de condições para implantação de qualquer novo sistema dentro de uma Instituição centenária, para responder às necessidades de uma população, é dificultoso, pois tudo que é novo assusta, causa insegurança. Mas quando é pensado e feito a partir de um planejamento adequado pode trazer muito êxito a toda população (MENDES, 2007).
Mas como forma de conhecer as perspectivas dos gestores da Corporação, realizou-se uma entrevista semiestruturada vislumbrando as considerações desses gestores a respeito da possibilidade de criação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, bem como conhecer, na perspectiva desses os aspectos facilitadores e dificultadores para essa implantação. Assim, a entrevista foi aplicada a trinta (30) chefes/diretores que estariam diretamente envolvidos com a implantação do Núcleo, quais sejam o responsável pelo Comando de Policiamento Especializado, o Diretor da Diretoria de Saúde, da Diretoria de Promoção Social, da Diretoria de Finanças, da Diretoria de Logística, e da PM6/Seção de Projetos.
A entrevista conteve dez (10) questões abertas, mas que deixaram margem aos entrevistados para ficarem desatados da especificidade dos questionamentos, estando hiantes para exporem suas considerações, de modo que os levassem a descrever seus anseios e desígnios a respeito do tema, que nos trouxessem às considerações de suas perspectivas.
Compactando os resultando mais descritos em três aspectos e fatores facilitares e três aspectos e fatores desafiadores. Que se chegou ao seguinte resultado:
QUADRO 1
Percepção dos principais gestores da PMAM em relação aos aspectos e fatores facilitadores e desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa/Dados da pesquisa
Ao observarmos os pontos focais expressos pelos principais gestores da Polícia Militar do Amazonas, notamos que colocam como pontos facilitadores a estrutura interna existente para realizar a atividade, a qual citam a própria CIPCães e o HPM (Hospital da Polícia Militar/Policlínica), talvez por ajuizarem que esse cão terapeuta ficaria em um box comum, tais quais os outros cães da unidades, que mantem seu conforto em um box individual, todavia, o cão terapeuta diferentemente dos outros não permaneceria nas instalações da Unidade, devendo ser conduzido para residência do seu tutor, até pelo perfil deste cão terapeuta.
Neste ínterim, observamos o primeiro desafio para os gestores seria a aquisição deste cão. Todavia, para Soares (2018) praticamente qualquer cão, independentemente da raça, pode ser elegível para ser um cão de terapia, desde que ele possa passar no treinamento exigido e testes de temperamento. Tal visão assegura que não necessariamente precise ser um cão com valores elevados, ou de uma raça específica, apenas um cão com aptidão terapêutica. Com temperamento e docilidade, e que tenha disposição para realizar as atividades propostas. O plantel canídeo da Companhia Independente de Policiamento com Cães encontra-se reduzido, com cães já treinados para suas especificidades policiais, que seguem atuando conforme foram designados, não havendo de fato cães prontos para atuarem na área terapêutica. O quadro descritivo do plantel é evidenciado a seguir:
QUADRO 2
Plantel atual dos cães policiais prontos da Companhia Independente de Policiamento com Cães da PMAM e área de atuação

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa/Dados da CIPCães/PMAM
Segundo Dontti (2005) o cão de terapia deve ter pelo menos um treinamento de adestramento básico, já que ele precisará se manter tranquilo e relaxado durante as sessões. Comandos como o “senta” e o “fica” devem ser muito bem treinados e devem ser executados em diferentes momentos, por exemplos, em ambientes com crianças, com brinquedos, com outros cães, pessoas diferentes, com barulhos e para isso esses cães precisam também ter um treino grande foco, tanto cão quanto condutor tem que ter o foco um no outro o tempo todo durante as visitas.
Os gestores asseguram em suas respostas como perspectivas facilitadoras o apoio organizacional e a integração e responsabilidade social mais ampla, por acreditarem que a proximidade com a população por meio dos cães terapeutas seja um bom caminho para se fazer o policiamento comunitário, ou policiamento de proximidade, fazendo com que a população tenha uma visão diferenciada da polícia.
Essa filosofia está assentada na ideia de uma polícia prestadora de serviços, agindo para o bem comum para, junto da comunidade, criarem uma sociedade pacífica e ordeira. É uma filosofia e estratégia organizacional que proporciona uma nova parceria entre a população e a polícia (BRASIL, 1988).
Já como fatores desafiadores sugerem as resistências internas na própria Instituição, que veem a Unidade de Cães como mera Unidade repressora no combate ao crime, especialmente ao se tratar de faro de entorpecentes, podendo colocar como desvio do foco de sua função, qual seja, a utilização do cão para cumprimento do papel enquanto cão policial. Deixando o cão terapeuta a cargo de outros órgãos, que não sejam a polícia.
Outro ponto tratado como desafio para os gestores foi a falta de bases doutrinárias escritas, ou de documentos que respaldem a atuação policial dentro de hospitais, clínicas, escolas, especialmente em possíveis casos de acidentes, o qual cito por exemplo o cão acidentalmente derrubar um idoso durante a atividade vindo a causar-lhe uma lesão. Neste caso, qual respaldo jurídico a Instituição, e o policial teriam para justificar sua presença no estabelecimento, e ainda, estar realizando tal atividade.
Embora Alonso (2006) afirme que esses cães precisam ser treinados e dessensibilizados ao toque, pessoas e crianças que falam em tons mais altos e fazem movimentos mais bruscos. O fato é que não há nada escrito que respalde a atuação do condutor policial em atividade terapêuticas assistidas por cães, em qualquer que seja o ambiente, pouco existem de escritos sobre o tema no Brasil, bases legais e doutrinas sequer são mencionadas, o que existem são pessoas, que de boa vontade, realizam a prática, sem se atentar para as possíveis implicações.
Soares (2018) diz, sobre os cães terapeutas, que isso significa que eles têm que ter uma resposta positiva quando alguém agarra sua cabeça, não podem ter uma reação ruim quando uma bandeja de metal é colocada atrás deles ou quando por acaso uma bandeja cair perto deles. Essencialmente, um bom cão de terapia não pode se incomodar quando uma criança abraça-o. Não deve ser reativo quando um paciente com Alzheimer tenta agarrar suas orelhas e quando escuta gritos de crianças especiais. Um cão de terapia deve saber andar junto ao seu condutor, sem apresentar ansiedade quando colocado na guia. Em visitas a crianças o cuidado deve ser redobrado, pois, as crianças têm a tendência de puxar os pelos, abraçar, segurar a cauda e de olhar fixo nos olhos dos cães o que para eles muitas vezes é interpretado como ameaça.
Enfim, a preocupação dos principais gestores da Polícia Militar do Amazonas tem fundamentos éticos, morais, sociais e principalmente jurídicos, pois ao passo que a atividade em um primeiro momento é vista como algo muito belo, e vantajoso para Corporação, por estar realizando uma atividade social pioneira no Estado, ao menos tempo pode trazer prejuízos à sua imagem caso seja desenvolvida sem a técnica e o conhecimento adequado.
A mesma entrevista semiestruturada foi aplicada aos gestores da Companhia Independente de Policiamento com Cães, unidade institucional que seria a mola propulsora para implantação do Núcleo, com resultados compilados separadamente. Assim, a entrevista foi aplicada a quinze (15) oficiais e/ou adestradores da Unidade com Cães que estariam diretamente envolvidos na operacionalização do projeto, para observarmos os resultando mais descritos em três aspectos e fatores facilitares e três aspectos e fatores desafiadores. Que se chegou ao seguinte resultado:
QUADRO 3
Perspectivas dos principais gestores da Unidade Especializada com Cães da PMAM quanto aos aspectos e fatores facilitadores e desafiadores para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães (TAC)

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa/Dados da pesquisa
Ao observarmos as perspectivas dos principais gestores da Unidade Especializada com Cães com relação à implantação do Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, notadamente vê-se a preocupação com o número de profissionais reduzidos para as diversas atividades realizadas pela Unidade militar, que permeariam além de suas atribuições usuais no combate à criminalidade, e as diversas operações, acrescidas da atividade terapêutica em si; bem como veem como desafio a quebra de paradigma entre a função policial e a receptibilidade da comunidade médica com essa atividade não convencional em ambiente hospitalar.
Outro desafio é como capacitar profissionais nesta área de atuação, uma vez que, não se deve atuar no empirismo, e sobre isso pouco se tem escrito, seja em ambiente acadêmico, ou pesquisas sobre o tema, bem como não existe no Brasil cursos voltados para atuação nesta vertente, o que seria um desafio ainda maior quando se pensa em um Núcleo que atue com qualidade, e que seja reconhecido pela eficácia.
Em contraponto, observa-se que as perspectivas dos gestores estratégicos remetem à outras preocupações, que sugerem desafios de ordem estrutural, financeira, bases doutrinárias e resistências em âmbito interno.
Aos gestores da Unidade Especializada com Cães ainda se observa que reconhecem a atividade como válida para CIPCães, e que poderia trazer um reconhecimento favorável pela sociedade em geral, bem como possuir uma boa relação com Entidades e Instituições que apoiam a implantação; além de reconhecerem profissionais, em âmbito interno, com capacidade para iniciarem as primeiras ações com cães terapeutas.
Medeiros e Carvalho (2018) destacam os diversos exemplos de sucesso pelo Brasil, como exemplo da Polícia Militar do Paraná, que implantou uma unidade de Terapia Assistida por Cães (TAC), com o objetivo inicial de aproximar a Polícia Militar do Paraná com a comunidade que possui crianças com algum tipo de deficiência. Iniciado apenas no 10º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, no ano de 2008, hoje atende uma média de 800 (oitocentos) crianças, em 22 cidades distintas, por meio da criação de canis setoriais que atuam em escolas, hospitais, clínicas, asilos, orfanatos e na própria Unidade.
E, no Estado do Amazonas não é diferente, cita-se aqui o Programa Formando Cidadão, implantado primeiramente em Manaus no ano de 1997, em 2023 já se encontra em outros municípios do Amazonas como forma de prevenir ou recuperar jovens em idade entre 12 e 17 anos em risco social e pessoal, fazendo renascer no espírito desta clientela o desejo de engajamento na sociedade por meio dos estudos e atividades como esporte sadio, práticas de ações cívicas e profissionais (PMAM, 2023).
Em 1992, foi implantado o atendimento equoterápico de forma gratuita e assistencial, como acontece até os 2023. Sendo reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, por trazer excelentes resultados na reabilitação de pessoas com deficiência. O projeto terapêutico que fez nascer o Núcleo de Equoterapia da PMAM, e outro exemplo de sucesso, e se consolida hoje como referência internacional como método terapêutico e educacional que o utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais. Bem como as próprias escolas-cívico sociais da Polícia Militar, que assume o papel de gestão na educação de crianças e jovens formando-os para vida. Esses são exemplos, dentre diversos outros .
Neste sentido, como forma de conhecer o grau de aderência dos gestores da Corporação dividimos em dois grupos, os gestores operacionais, os quais se incluem os comandantes do Comando de Policiamento Especializado e os Comandantes da Companhia Independente de Policiamento com Cães; e, o segundo grupo chamamos de gestores estratégicos, o qual compõem os diretores de saúde, de promoção social, finanças, logística e da seção de projetos. Sendo ao total de trinta gestores, quinze para cada grupo captado pelo questionário. Que conteve dez questionamentos, com o objetivo geral de saber se esse gestor concorda ou não com a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas, tendo ainda a terceira opção neutra.
GRÁFICO 1
Grau de aderência dos principais gestores do serviço operacional e do serviço estratégico em saúde, promoção social e logístico-financeiro da PMAM quanto à implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa/Dados da pesquisa
O Gráfico 1 registra o grau de aderência dos principais gestores da PMAM, quanto à implantação de um Núcleo de atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, em que se obteve o seguinte resultado: 1. Entre os gestores operacionais, dos quinze gestores entrevistados oito foram favoráveis à ideia de implantação do Núcleo, ao ponto que cinco foram contrários, e um gestor não opinou; 2. Ao passo, que entre os gestores estratégicos, dos quinze entrevistados, sete mantiveram o posicionamento favorável, seis deles são contrários a implantação, e dois não souberam opinião, e se mantiveram neutros aos questionamentos.
Em termos de percentual a Tabela 1 ratifica os dados captados, já apresentados graficamente, para melhor entendimento estatístico, dentro do universo de amostras coletadas entre os gestores.
TABELA 1
Percentual de aderência dos principais gestores do serviço operacional e do serviço estratégico em saúde, promoção social e logístico-financeiro da PMAM quanto à implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas

Fonte: Elaborada pelo autor da pesquisa/Dados da pesquisa
A tabulação dos dados percentuais revela algumas peculiaridades, a primeira delas é a de que os gestores da Polícia Militar estão em consonância quanto à concordância para implementação do Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas com Cães, pois ao observarmos somente o universo dos gestores operacionais 55,6% concordam, do mesmo modo que no universo dos gestores estratégicos 46,7% é favorável, em contraponto, o percentual de discordância entre os gestores operacionais permeia em 35,6%, semelhante aos 40% dos gestores estratégicos.
Quando reunidos os dois universos de gestores, e, consequente obtenção da média relativa, observa-se que 51,1% dos gestores da Polícia Militar do Amazonas concordam com a implantação do Núcleo, apesar dos desafios já mencionados anteriores, ao passo que 37,8% não são favoráveis a criação do referido projeto terapêutico, ficando então 11,1% neutros em termos percentuais.
A apreciação dos resultados das entrevistas e questionários realizados foi baseada na avaliação de quarta geração. Que se trata de uma avaliação responsiva, em que as reivindicações, preocupações e questões dos grupos de interesse (os gestores estratégicos e gestores operacionais) são colocadas à mostra. O intuito é captar as visões coerentes e também as dicotomias existentes entre os dois grupos de gestores. Enfatizando a interpretação do contexto, buscando retratar a realidade de forma completa, mesmo que conflitante em algumas opiniões. Para, com isso, potencializar possíveis melhorias no sistema.
A ideia não é por em confronto os gestores, mas perceber onde se assentam as divergências e as convergências. E, a partir delas, conhecer a opinião de todos os envolvidos a respeito da temática proposta, dentro do contexto atual de saúde da Polícia Militar do Amazonas.
Assim, criou-se um quadro no qual está composta a avaliação de quarta geração, com itens que abordam a percepção dos gestores em relação a implantação do Núcleo, as críticas, a proposta de melhoria do grupo gestor, entre outros aspectos. Observa-se que a percepção considerada não foi referente à totalidade das opiniões, mas referente ao percentual mais alto.
QUADRO 4
Aplicação da Avaliação de Quarta Geração quanto aos aspectos e fatores facilitadores e desafiadores para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães (TAC)


A partir da análise do quadro notam-se as opiniões, reinvindicações e inquietações dos gestores da PMAM. Onde em todos os aspectos observam-se divergências consideráveis de pensamentos, que vão desde as divergências financeiras, em que se pese aquisição ou não de um cão específico para atividade, o que geraria um custo efetivo maior, ao ponto em que de fato não há qualquer documento escrito que assegure o fazer da atividade, tais quais a forma de se realizar a atividade, seu passo-a-passo, o papel do mediador, do condutor, e qual objetivo a cada sessão; bem como as preocupações com as resistências internas, efetivo, e equipe de condução.
Enfim, todas essas concentrações de ideias fazem parte de uma ampliação conjunta dos gestores na busca de melhorias para a visão social a respeito da Corporação, qual seja mostrar uma polícia que ninguém vê. Uma polícia que vai além dos seus preceitos constitucionais, sem extrapolar seus limites legais, mas que aparece como uma prestadora de serviço social. Cabe, então, aos gestores absorver a opinião de quem faz o contraponto, e, juntos chegarem a um consenso, para aplicação de ações sociais que se aproximem do ideal aspirado por todos os membros da Instituição Policial Militar do Amazonas e especialmente da sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contexto da Polícia Militar do Amazonas nas perspectivas e desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Amazonas possui características específicas. Assim sendo, o objetivo geral foi levantar a percepção dos principais gestores da Polícia Militar do Amazonas em relação aos aspectos e desafios para a implantação de um Núcleo de Atividades Terapêuticas Assistidas por Cães, por meio da Companhia Independente de Policiamento com Cães.
Sabendo que o papel do policial militar para coletividade é bastante amplo, que vai da concepção centrada na preservação da ordem pública e enfrentamento da criminalidade, até a compreensão de um policial prestador de serviço público, sejam em segurança, serviços educativos, resguardo de vidas, até possibilidade de prestar serviços terapêuticos dentro de sua área de atuação intrainstitucional.
Para isso, fundamentou-se em teóricos como Dontte (2005) que versa sobre a terapia com cães na atualidade; Cusack (2008) que abordam os benefícios da terapia com cães para saúde geral e mental; Fine (2003) que trata dos fundamentos teóricos e modelos práticos da terapia com animais; além de Alonso (2006) a aborda sobre a implantação dessa terapia alternativa em escolas, hospitais, asilos, entre outros.
Destarte, o foco esteve na perspectiva dos gestores de operacionais, quais sejam os comandantes de Comando de Policiamento Especializado e os Comandantes e adestradores da Companhia Independente de Policiamento com Cães; e dos gestores estratégicos quais sejam das diretorias de saúde, logística, de projetos, financeira e logística, a respeito desta implantação.
Os resultados perspectivos mostraram que para os gestores estratégicos, os fatores facilitadores para se implementar seriam: a) Estrutura interna existente para realizar a atividade (CIPCães/HPM); b) Apoio organizacional; c) Integração e responsabilidade social mais ampla.
Ao passo que como contraponto, apontam os seguintes aspectos como obstáculo para realização da implantação: a) Custos/Aquisição do cão voltado para TAC/Captação de recursos; b) Inexistência de bases doutrinárias/documentos que respaldem a atuação policial/casos de possibilidade de acidentes; e, principalmente; c) Resistências internas.
De modo geral, percebe-se, um expressivo número (40%) dos gestores estratégicos, são contrários a implantação do Núcleo de Atividade Terapêuticas com Cães. Todavia, há um interesse pela melhoria da visão social da Polícia Militar do Amazonas, por meio de seus projetos sociais, com um grau de aderência elevado (46,7%) dos gestores estratégicos que se propõe apoiar a criação do referido Núcleo.
Já os resultados perspectivos dos gestores operacionais, especialmente da área focal com cães, apontam como fatores motivadores, os quais sugerem um grau de aderência considerável (55,6%) quanto à necessidade de implantação do Núcleo: a) Reconhecimento da atividade; b) Boa relação com Entidades e Instituições que apoiam a implantação; c) Existência de profissionais com aptidão para desenvolver a atividade.
Ao passo que apontam para perspectivas desafiantes: a) Número de profissionais reduzidos na CIPCães; e) Receio da pouca receptibilidade da TAC por parte da comunidade médica; f) Profissionais não especialistas na área/não há cursos específicos nesta área.
Mas, que, para além dos diversos pontos divergentes entre os gestores, nota-se a preocupação destes com a melhoria do sistema a partir de uma nova visão de polícia, voltada para parâmetros doutrinários, sociais, técnicos e científicos. Aponta-se que diversos são os desafios que vão desde a importância de qualificar e melhorar a operacionalidade dos projetos sociais existentes, aos que estão em estudo, tal qual o de Atividades Terapêuticas com Cães, passando pelo número de profissionais reduzidos, custos financeiros, falta de apoio logístico, até os valores que devem ser internalizados pelos gestores, como atuação, protagonismo e corresponsabilidade.
Mas, esses são desafios que devem ser vencidos de maneira proativa, com foco na promoção de social da polícia. Constata-se neste ponto, a importância do trabalho em parceria entre os gestores estratégicos os gestores operacionais, já que, se reconhece uma latente necessidade de mudança no sistema de apresentação da polícia militar à sociedade. Neste sentido, reconhecer a importância dessa parceria na Organização é perceber um caminho estratégico, e ao mesmo tempo empreendedor, já que, a sociedade ao perceber a Polícia Militar como parceira também dará essa resposta favorável.
Manifestamente, os benefícios da terapia com cães são evidentes, como a proximidade da polícia com seu público-alvo, a manutenção do vínculo entre policial e a sociedade, por meio do cão; porém, esses benefícios só se tornariam possíveis com o atendimento a requisitos como a padronização dos protocolos, apoio financeiro e logístico permanente, produtividade e qualidade no serviço prestado. Isso facilita à obtenção do comprometimento para com os padrões estabelecidos, além de promover o desenvolvimento da Instituição, a capacitação de seus membros e o engajamento da sociedade como um todo.
Por fim, sugere-se e almeja-se que o adentro desta pesquisa possa contribuir para o desenvolvimento do sistema de social da PMAM. Que este atenda de maneira satisfatória as dúvidas que possam surgir quanto a perspectiva dos gestores a respeito da Implantação de um Núcleo de Atividades Assistidas por Cães. E, que os gestores em parceria possam usufruir do estudo na proposição de estratégias possíveis ao que se referem à necessidade de projetos sociais na Polícia Militar do Estado do Amazonas, que viabilizem o policial como prestador de serviço público de qualidade, não apenas focado nas questões criminais de sua função.
REFERÊNCIAS
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1Universidade Estadual do Amazonas
