ROLE OF GASTROSTOMY AND GASTRECTOMY IN PALLIATIVE CARE: LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202508160034
Fernanda Hermeto Bueno Guilherme1
Vitor Monteiro Costa Sbampato Resende1
Karine Figueiredo de Oliveira1
Maiza Silveira2
Alessandro Alves Pires Júnior3
Resumo
Introdução: Os cuidados paliativos são caracterizados como um modelo de atenção à saúde integral voltado ao alívio do sofrimento e na promoção da qualidade de vida entre indivíduos que enfrentam patologias ameaçadoras à vida. Entre pacientes com patologias avançadas, procedimentos cirúrgicos como a gastrostomia ou gastrectomia podem ser propostos com fins paliativos, objetivando a resolução de complicações que ocasionam dor, obstrução, desnutrição ou risco de aspiração. Objetivo: Revisar a literatura atual acerca do papel da gastrostomia e da gastrectomia em pacientes sob cuidados paliativos. Logo, busca-se identificar os benefícios, riscos e impactos sobre a qualidade de vida, contribuindo para decisões clínicas fundamentadas em evidências. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura de caráter integrativo, apresentando abordagem qualitativa e descritiva. Foram realizadas pesquisas nos indexadores SciELO, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde, com o auxílio dos descritores “cuidados paliativos”, “gastrostomia”, “gastrectomia”, “cirurgia paliativa” e “qualidade de vida”. Resultados e discussão: Evidenciou-se que a gastrostomia e a gastrectomia possuem relevância clínica no cenário paliativo, apresentando benefícios condizentes ao alívio sintomático, manutenção do aporte nutricional e melhoria da qualidade de vida do paciente. Nesse contexto, mostrou-se maior aplicabilidade da gastrostomia em casos de disfagia ou obstrução proximal, enquanto a gastrectomia foi mais realizada em pacientes com obstrução gástrica ou hemorragias digestivas refratárias. Conclusão: Em síntese, constata-se que a gastrostomia e a gastrectomia podem desempenhar um papel relevante nos cuidados paliativos, oferecendo diversos benefícios, como o alívio de sintomas, manutenção do aporte nutricional e melhoria do conforto do paciente. Entretanto, esses procedimentos devem ser indicados a partir de avaliações criteriosas.
Palavras-chave: Gastrectomia. Gastrostomia. Qualidade de vida. Cuidados paliativos.
1. INTRODUÇÃO
Os cuidados paliativos são caracterizados como um modelo de atenção à saúde integral voltado ao alívio do sofrimento e na promoção da qualidade de vida entre pacientes que enfrentam patologias ameaçadoras à vida, sendo doenças graves ou crônicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse modelo assistencial abrange cuidados aos sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais, considerando o paciente como um todo e não direcionando esforços apenas à sua doença. Nesse contexto, a aplicação precoce dos cuidados paliativos têm demonstrado repercussões positivas na redução do sofrimento e melhoria do bem-estar dos pacientes e seus familiares, especialmente quando executados ao longo da evolução da enfermidade (Duarte et al., 2020).
Embora as abordagens conservadoras tendem a ser priorizadas nos cuidados paliativos, determinadas intervenções cirúrgicas podem ser realizadas em contextos selecionados, individualizando o paciente e os benefícios a serem encontrados. Entre pacientes com patologias avançadas, procedimentos cirúrgicos como a gastrostomia ou gastrectomia podem ser propostos com fins paliativos, objetivando a resolução de complicações que ocasionam dor, obstrução, desnutrição ou risco de aspiração. Destaca-se ainda que uma avaliação multidisciplinar cuidadosa deve guiar a decisão por cirurgia paliativa, sendo realizadas ponderações rigorosas dos benefícios e riscos, além de respeitar os valores e preferências do paciente (Cavalcante et al., 2023).
Em relação à gastrostomia, trata-se de um procedimento que proporciona o acesso direto ao trato gastrointestinal, representando uma estratégia com eficácia para a alimentação enteral de alguns pacientes, especialmente aqueles que não se alimentam por via oral. Outrossim, indica-se que essa técnica contribui para a manutenção do estado nutricional, redução da aspiração pulmonar e melhoria do conforto e da capacidade de resposta a demais abordagens paliativas. Por outro lado, ressalta-se que em situações de sofrimento intenso, é necessária uma avaliação criteriosa da expectativa de vida e dos impactos sobre a qualidade de vida, sendo efetuada anteriormente à implantação do procedimento (Castro-Rodriguez et al., 2022)
Quanto a gastrectomia paliativa, refere-se a um procedimento parcial e localizado na maioria dos casos, podendo ser indicada para a desobstrução do trato digestivo, alívio de sintomas como dor, sangramento, náuseas intensas ou distensão abdominal; além de permitir a retomada da alimentação. Aponta-se ainda que apesar do procedimento ter caráter invasivo, o mesmo pode proporcionar uma significativa melhora sintomática e aumentar o conforto em fases avançadas da doença. Entretanto, a indicação criteriosa ainda é necessária, devendo ser considerados fatores como estado geral, comorbidades e prognóstico (Cavalcante et al., 2023).
A realização desse trabalho é justificada pela complexidade das decisões que envolvem intervenções cirúrgicas em contexto paliativo, sendo necessário esclarecer o papel específico e os resultados associados à gastrostomia e à gastrectomia. Apesar dos avanços encontrados na literatura, algumas lacunas ainda são encontradas, especialmente quando referentes à indicação apropriada e às distintas metodologias comparativas. Portanto, uma revisão integrativa pode fornecer conhecimentos relevantes para a equipe multiprofissional e aos familiares, guiando práticas centradas no paciente.
Nesse contexto, esse artigo apresenta como objetivo revisar a literatura atual acerca do papel da gastrostomia e da gastrectomia em pacientes sob cuidados paliativos. Logo, busca-se identificar os benefícios, riscos e impactos sobre a qualidade de vida, contribuindo para decisões clínicas fundamentadas em evidências.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Embora a gastrostomia e a gastrectomia sejam associadas a tratamentos curativos, essas também apresentam relevância no contexto de cuidados paliativos. A gastrostomia pode ser realizada por via endoscópica, cirúrgica ou radiológica, sendo indicada para garantir suporte nutricional em pacientes com impossibilidade de alimentação adequada por via oral, como exemplo em casos de disfagia grave ou obstrução mecânica. Por sua vez, a gastrectomia também pode ser empregada de modo paliativo, geralmente realizada de forma parcial para o alívio sintomático associado a neoplasias gástricas ou de outras condições que causem obstrução ou sangramento. Em ambas as modalidades, devem ser considerados fatores como prognóstico, estado clínico e objetivos de cuidado (Duarte et al., 2020).
Souza et al. (2022) apontam que a gastrostomia pode contribuir para a manutenção do estado nutricional, redução de complicações respiratórias decorrentes da broncoaspiração e, em alguns casos, melhor sobrevida. Outro benefício inclui a melhoria do conforto, permitindo maior controle acerca da administração de medicamentos ou hidratação. Entretanto, limitações relevantes também são observadas em seu uso, como o risco de complicações locais (infecção, extravasamento e obstrução da sonda) e o potencial impacto emocional sobre o paciente e seus familiares. Torna-se necessário indicações criteriosas, especialmente em doenças avançadas, considerando a relação risco-benefício e a expectativa de vida.
Embora seja um procedimento mais invasivo, a gastrectomia paliativa pode proporcionar um alívio significativo, principalmente quanto aos sintomas de dor abdominal, náuseas, vômitos e hemorragia digestiva, permitindo o recomeço parcial da ingestão oral e melhoria da qualidade de vida. Entretanto, algumas complicações podem ocorrer entre pacientes submetidos à gastrectomia, especialmente naqueles com maior fragilidade, incluindo infecção, deiscência de anastomoses, sangramento e prolongamento do tempo de internação (Cavalcante et al., 2023). De acordo com Braghetto et al. (2020), sugere-se que a adoção de métodos menos invasivos pode ser mais apropriada em determinados casos, como exemplo o uso de stents esofagogástricos ou gastrojejunostomia, reforçando a necessidade da individualização da conduta terapêutica.
A reflexão ética e respeito à autonomia do paciente devem fundamentar a decisão pela realização de intervenções cirúrgicas em cuidados paliativos. Nesse contexto, ferramentas de avaliação prognóstica podem auxiliar a estimar o tempo de sobrevida e o potencial benefício do procedimento. A abordagem multiprofissional deve envolver cirurgiões, oncologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e a equipe de cuidados paliativos, sendo essencial para garantir uma avaliação ampla e fornecer informações claras acerca dos riscos, benefícios e alternativas. Além disso, a comunicação empática e transparente deve fundamentar o consentimento informado (Do Nascimento; Santos; Costa, 2023).
Como exposto, as duas intervenções cirúrgicas apresentam riscos de complicações que podem comprometer a evolução clínica do paciente. Os eventos adversos mais frequentes na gastrostomia incluem infecção periostomal, obstrução da sonda e extravasamento do conteúdo gástrico. Em contrapartida, a gastrectomia apresenta como possíveis complicações hemorragias, fístulas, atraso no esvaziamento gástrico e perda de peso acentuada, condições que necessitam de maior atenção. Com o objetivo de minimizar desconfortos e otimizar a qualidade de vida do paciente, torna-se necessário o manejo adequado das intercorrências em combinação com os cuidados pós-operatórios individualizados e suporte multiprofissional (Do Nascimento; Santos; Costa, 2023).
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão de literatura de caráter integrativo, apresentando abordagem qualitativa e descritiva, a qual foi elaborada com o intuito de sintetizar e analisar as evidências científicas disponíveis sobre o papel das intervenções cirúrgicas gastrostomia e gastrectomia nos cuidados paliativos. Para seu desenvolvimento, foram realizadas pesquisas nos indexadores SciELO, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde, com o auxílio dos descritores “cuidados paliativos”, “gastrostomia”, “gastrectomia”, “cirurgia paliativa” e “qualidade de vida”. Ademais, a busca foi realizada de forma combinada, utilizando os operadores booleanos “and” e “or” para ampliar os resultados.
Incluíram-se na pesquisa os estudos publicados nos últimos cinco anos (2020-2025) a considerar os idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente a aplicação das respectivas intervenções cirúrgicas em pacientes paliativos. Em contrapartida, foram excluídos estudos duplicados, com texto completo não disponível, com acesso restrito e trabalhos que tratassem de indicações curativas de maneira exclusiva. Após a delimitação e aplicação dos critérios de elegibilidade, a amostra final foi composta por referências com relevância temática e metodológica, adequando-se aos objetivos deste estudo.
Duas etapas compuseram a seleção, sendo inicialmente pela triagem de título e resumos e, posteriormente, pela leitura dos textos para a confirmação da adequação às normas propostas. Além disso, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, visto que a pesquisa foi desenvolvida a partir de dados obtidos em publicações científicas disponíveis publicamente, conforme a Resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O processo de seleção bibliográfica está exposto na Figura 1. Portanto, buscou-se assegurar a utilização de trabalhos com relevância direta sobre o papel da gastrostomia e gastrectomia em cuidados paliativos. Inicialmente, a busca resultou em publicações disponíveis em distintas bases de dados, sendo identificado 39 estudos entre os indexadores SciELO (n = 8), LILACS (n = 14) e BVS (n = 17), os quais obtiveram publicações efetuadas nos últimos cinco anos. Complementarmente, a triagem exigiu a aplicação rigorosa dos critérios de elegibilidade, eliminando estudos duplicados, de acesso restrito, incompletos ou cujo eixo temático não atendesse ao escopo da pesquisa. O refinamento da pesquisa permitiu a composição de um conjunto final de evidências consistentes, garantindo maior qualidade às análises realizadas.
Figura 1. Processo de triagem dos estudos.

Através da análise dos estudos selecionados, evidenciou-se que a gastrostomia e a gastrectomia possuem relevância clínica no cenário paliativo, apresentando benefícios condizentes ao alívio sintomático, manutenção do aporte nutricional e melhoria da qualidade de vida do paciente. Nesse contexto, mostrou-se maior aplicabilidade da gastrostomia em casos de disfagia ou obstrução proximal, enquanto a gastrectomia foi mais realizada em pacientes com obstrução gástrica ou hemorragias digestivas refratárias. Entretanto, destaca-se ainda a necessidade de uma avaliação criteriosa do prognóstico e do estado funcional do paciente, reforçando que essas intervenções devem ser individualizadas e pautadas em decisão compartilhada.
A utilização de intervenções cirúrgicas em pacientes que se encontram em cuidados paliativos, como por exemplo a gastrostomia e a gastrectomia, representa um campo de debate constante, especialmente quanto ao equilíbrio necessário entre benefícios sintomáticos e o risco de procedimentos invasivos. As respectivas abordagens estão inseridas em um contexto de recursos técnicos e decisões complexas, onde devem ser considerados aspectos físicos, emocionais e sociais. Ademais, indica-se a necessidade em personalizar cada conduta, priorizando intervenções que minimizem o sofrimento e preservem a autonomia do paciente (Araujo et al., 2025).
Outrossim, a influência do contexto cultural e dos recursos disponíveis sobre a decisão pela cirurgia paliativa também são fatores relevantes. Em regiões com acesso limitado a terapias endoscópicas avançadas ou a equipes de cuidado multiprofissional, esses procedimentos podem ser considerados como alternativas mais frequentes, mesmo em estágios avançados da doença.
Portanto, a escolha terapêutica é guiada pela evidência científica, viabilidade técnica, disponibilidade de insumos e capacitação profissional. Torna-se essencial a elaboração de protocolos adaptados à realidade local, buscando garantir segurança, dignidade e efetividade no cuidado (Pinto et al., 2023).
A decisão por intervenções cirúrgicas nesse contexto está associada à comunicação entre equipe e paciente. Conforme o exposto por Araujo et al. (2025), indica-se que quando as informações sobre riscos, benefícios e alternativas são passadas de forma clara, há um maior alinhamento entre expectativas e resultados. Nesse cenário, a abordagem de comunicação não está limitada à obtenção do consentimento informado, mas funciona como instrumento terapêutico, sendo capaz de reduzir a ansiedade, favorecer a confiança e promover decisões mais consistentes. Dessarte, esse processo necessita de tempo, empatia e linguagem adaptada à compreensão do paciente e seus familiares, permitindo a participação ativa na jornada de cuidado.
Por fim, destaca-se que o impacto desses procedimentos cirúrgicos sobre a qualidade de vida deve ser avaliado de forma abrangente, ultrapassando parâmetros clínicos objetivos. Assim, para revelar benefícios ou prejuízos que não seriam identificados apenas pela análise de sobrevida ou parâmetros nutricionais, podem ser utilizadas avaliações funcionais, escalas sintomáticas e instrumentos de percepção subjetiva. A utilização sistemática dessas métricas possibilita uma melhor compreensão do alcance das intervenções, permitindo ajustes nas condutas e alinhamento com os princípios dos cuidados paliativos. Nesse contexto, o êxito da gastrostomia e da gastrectomia deve ser entendido pela capacidade de alívio sintomático, preservação da dignidade e atenção às prioridades expressas pelo paciente (Pineda-Cortes et al., 2022).
5. CONCLUSÃO
Em síntese, evidencia-se que a gastrostomia e a gastrectomia podem desempenhar um papel relevante nos cuidados paliativos, oferecendo diversos benefícios, como o alívio de sintomas, manutenção do aporte nutricional e melhoria do conforto do paciente. Entretanto, esses procedimentos devem ser indicados a partir de avaliações criteriosas, considerando o prognóstico, estado funcional, preferências individuais e viabilidade técnica, evitando procedimentos desnecessários no cuidado. Além disso, observou-se que a decisão por essas intervenções envolve aspectos clínicos, dimensões éticas, comunicacionais e contextuais, devendo ser incorporadas à prática assistencial para garantir a humanização de condutas. Apesar da relevância do estudo, limitações foram encontradas no decorrer de seu desenvolvimento, como a diversidade dos delineamentos e dos desfechos descritos nas publicações, dificultando a generalização das conclusões. Entretanto, o trabalho ainda contribui para o campo científico ao reunir e discutir evidências sobre o tema, destacando a necessidade de abordagens individualizadas para a utilização desses procedimentos em cuidados paliativos. Sugere-se que pesquisas futuras incluam estudos comparativos e com padronização de indicadores clínicos e de qualidade de vida, objetivando o fortalecimento da base de evidências.
REFERÊNCIAS
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1Discentes do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São João Del Rei – Afya.
2Orientadora. Médica pelo Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves. E-mail: maizasilveira1@hotmail.com.
3Coorientador. Médico pelo Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves. E-mail: alessandropiresjr@hotmail.com
