ACOLHIMENTO DE FAMILIARES INTERNADOS NA UTI: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

RECEPTION OF FAMILY MEMBERS ADMITTED TO THE ICU: INTEGRATIVE REVIEW OF LITERATURE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202508160034


Wenilson da Silva Santa Brigida1
Natalia Cristina Teixeira Tavares¹
Esleane Vilela Vasconcelos2


Resumo

Objetivo: Investigar a produção científica sobre acolhimento e humanização nas UTIs, com foco na equipe de Enfermagem. Métodos: Revisão integrativa. A base de dados coletada utilizada foi a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) através dos descritores/MeSH: “Acolhimento”, “Enfermeiro”, “Enfermagem”, “Unidade de Terapia Intensiva”, “Familiares” e “Relação Enfermeiro-Paciente”, “Unidade de Terapia Intensiva”. Encontraram-se 36 artigos. Ao aplicar os critérios de inclusão e exclusão, o escopo compreendeu 11 artigos. Realizada análise de conteúdo de Bardin. Os resultados foram organizados e apresentados em figura e quadro com caracterização e categorias. Resultado: O acolhimento à família nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) é uma prática que fortalece a humanização do cuidado, reconhecendo a importância do suporte emocional e psicológico para os familiares durante momentos críticos. Para que essa prática seja efetivamente incorporada, é fundamental que os enfermeiros recebam capacitação contínua, permitindo-lhes sensibilizar sua equipe e promover uma assistência de enfermagem que seja não apenas técnica e segura, mas também profundamente humanizada, com foco no bem-estar do paciente e da família. Considerações finais: O acolhimento à família nas UTIs é uma prática inovadora que melhora a qualidade do cuidado. A capacitação contínua dos enfermeiros é essencial para garantir uma assistência de enfermagem humanizada e segura.

Palavras-chave: Enfermagem, Unidade de terapia intensiva, Acolhimento, Humanização.

1 INTRODUÇÃO

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor dedicado ao atendimento de pacientes em estado grave ou de risco, proporcionando assistência médica e de enfermagem contínua. Conta com equipamentos específicos, uma equipe de profissionais altamente especializados e acesso a diversas tecnologias para diagnóstico e tratamento (BRASIL, 1998). Por ser uma unidade voltada para pacientes críticos, a UTI frequentemente provoca sentimentos e expectativas negativas tanto nos pacientes quanto nos familiares, devido à percepção de ameaça e à possibilidade de morte iminente. Nessa situação, os familiares podem experimentar confusão, desamparo, medo e uma sensação de impotência (HANG et al., 2023).

O processo de adoecimento não afeta apenas o paciente internado, mas também envolve toda a família, que vivencia a hospitalização de forma intensa. A família é entendida, segundo conceitos contemporâneos, como uma unidade básica e complexa, composta por diversas estruturas e formas de organização de vida.

Durante a hospitalização e a permanência na UTI, o acolhimento realizado pela equipe de enfermagem é essencial para estabelecer um encontro significativo e facilitar o diálogo com os familiares. A presença, o relacionamento e a construção de vínculos entre familiares e profissionais de enfermagem são fundamentais para criar relações de acolhimento. Segundo Poerschke et al. (2019), esses aspectos são cruciais para garantir um cuidado humanizado e integral aos familiares de pacientes, além de se fazer necessário valorizar a voz do indivíduo e respeitar sua autonomia.

É fundamental que os profissionais de enfermagem compreendam as necessidades e vulnerabilidades dos familiares durante o processo de entendimento e enfrentamento da situação. O cuidado de enfermagem na UTI vai além da simples autorização para visitas; envolve a construção de uma relação de confiança e apoio. Quanto mais precoce for a interação entre a equipe de enfermagem e a família, melhores serão os resultados para os familiares e, consequentemente, para o paciente hospitalizado (FONTES TELES. 2022).

Em 2001, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com o objetivo de assegurar a todos os cidadãos o direito a um atendimento público de qualidade na área da saúde. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas que visam promover mudanças no padrão de assistência nos hospitais públicos do Brasil, além de melhorar as relações entre os profissionais de saúde, entre si e com os usuários, bem como entre os hospitais e a comunidade. Essa nova abordagem de atendimento reflete o desejo das organizações de saúde e dos usuários por um modo renovado de se agir nos serviços de saúde, fundamentado no respeito à dignidade humana.

Assim, é evidente que a internação de um paciente na UTI gera diversas repercussões para sua família, e o enfermeiro intensivista desempenha um papel crucial nesse período de fragilidade, incerteza e dependência emocional. Muitas vezes, é necessário adotar atitudes individuais que contraponham o sistema tecnológico predominante, pois a própria dinâmica da unidade pode dificultar ou até impossibilitar momentos de reflexão sobre a importância da família (ORTIZ E VALENCIA, 2021).

2 METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa sobre o acolhimento de familiares internados UTI por profissionais de enfermagem; baseada em seis etapas: elaboração de um problema de pesquisa, busca de estudos nas bases de dados, extração de dados a partir de um instrumento de coleta, análise e discussão das evidências encontradas. A pesquisa foi realizada entre os meses de setembro de 2024 a janeiro de 2025, com a seguinte pergunta norteadora, construída a partir da estratégia PICO: “Qual a percepção dos familiares de pacientes internados em UTI sobre o acolhimento prestado pelos profissionais de enfermagem?”

Para levantamento bibliográfico, a base de dados utilizada foi a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). 

Na BVS, os periódicos dos quais os artigos foram retirados, são: Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), no Banco de Dados de Enfermagem (BDENF), Índice Bibliográfico Español en Ciencias de la Salud (IBECS) e Bibliografía Nacional en Ciencias de la Salud Argentina (BINACIS). Para análise de dados e elaboração das categorias considerou-se os elementos constitutivos do escopo referentes à resultados, discussão e considerações finais por meio da análise de conteúdo de Bardin em suas três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados.

Levantamento Bibliográfico

Na estratégia de busca, foram utilizados os seguintes descritores provenientes do Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em português e inglês: “Acolhimento”,” Enfermeiro”,” Enfermagem”, “Unidades de Terapia Intensiva”, “Familiares” e “Relação Enfermeiro-Paciente”, “Unidade de Terapia Intensiva”, utilizando os booleanos “AND” e “OR”. Mediante a análise, foram encontrados 38 artigos, publicados entre 2019 e 2024. A partir da leitura na íntegra, foram excluídos 27 por não apresentarem relação temática; o escopo compreendeu 11 artigos.

Critérios de Inclusão e Exclusão

Os critérios para inclusão na amostra foram artigos relacionados ao tema, disponíveis completos, nos idiomas português, inglês e espanhol, publicados nos últimos 5 anos. A justificativa para o critério de seleção linguística decorre da ausência de artigos publicados em outros idiomas, no período em que a busca foi realizada. Foram excluídos editoriais, cartas, artigos de opinião, comentários, ensaios, dossiês e artigos não condizentes com o objetivo desta revisão. Ao final, a amostra do estudo para análise e discussão foi composta por 11 artigos, organizados e apresentados no Quadro 1, quanto a identificação do artigo, título, nome dos autores, objetivo, método e principais resultados.

Figura 1 – Fluxograma do processo de busca e seleção dos artigos para revisão, elaborado a parti das recomendações prisma.

Fonte: Brigida, WSS, et al., 2025.

3 RESULTADOS

Após a leitura integral dos artigos selecionados, com base nos critérios previamente estabelecidos de inclusão e exclusão, elaborou-se o Quadro o escopo do estudo (Quadro 1). Esse quadro contempla um total de 10 artigos e reúne informações relevantes, como a identificação do artigo, título, autores, objetivo, metodologia empregada e principais resultados obtidos

Quadro 1 – Síntese dos artigos selecionados para esta revisão integrativa

NAutores (ano)ObjetivosTipo de Estudo e Principais conclusões
1Figueiredo J, et al. (2023)Analisar a influência da Política Nacional de Humanização nas ações de acolhimento de profissionais de saúde em unidades de terapia intensivaEstudo qualitativo, revisão da bibliografia. A Política Nacional de Humanização promove ambiente mais acolhedor, com cuidado centrado no paciente e respeito à dignidade.
2Uema R, et al. (2020)Analisar a percepção sobre o cuidado centrado na família em uma unidade de terapia intensiva neonatal.Estudo quantitativo de abordagem descritiva. A participação da família é valorizada, mas há dificuldades práticas e institucionais para a implementação efetiva do cuidado centrado na família.
3Machado E e Brusamarello T. (2020)Verificar o nível de conforto na dimensão segurança de familiares de pacientes internados em leitos de UTI.Estudo quantitativo, descritivo e transversal. O nível de conforto foi considerado médio, evidenciando reflexos positivos da importância da inclusão de familiares e destacando a comunicação com a equipe.
4Mendes C, at al. (2020)Construir e validar um instrumento de avaliação da participação familiar no cuidado neonatal.Pesquisa metodológica. O instrumento demonstrou alta consistência interna, validade de conteúdo e utilidade prática em unidades neonatais. 
5Brusamarello T, et al. (2019)Identificar cuidados de enfermagem direcionados a familiares em UTI.Revisão integrativa da literatura. O cuidado da equipe de enfermagem reduz o sofrimento familiar e fortalece o vínculo profissional-familiar.
6Meneguin S, et al. (2019)Compreender a percepção de conforto de familiares de pacientes internados em uma unidade de terapia intensiva. Estudo qualitativo. O conforto está ligado ao acolhimento, humanização, apoio emocional, espiritualidade e acolhimento por parte da equipe de saúde.
7Aragão L, et al. (2019)Compreender as atitudes dos enfermeiros sobre a inclusão da família no cuidado neonatal.Estudo qualitativo, descritivo. Embora os profissionais reconheçam a importância da família, há barreiras institucionais que limitam a prática.
8Soares G, et al. (2019)Compreender a percepção de famílias sobre o acolhimento no contexto da UTI neonatal.Estudo qualitativo. O acolhimento favorece o vínculo entre equipe e família, reduz angústias e melhora o enfrentamento da internação, por tanto, mais humanizado e qualificado.
9Rodrigues B, et al. (2019)Descrever as práticas de cuidado centrado na família em UTI neonatal. Estudo qualitativo. A prática do cuidado centrado ainda é limitada, sendo necessário capacitação e mudança na cultura organizacional.
10Silvia BAO, Souza DA. (2021)Analisar a comunicação entre a equipe de enfermagem e os pacientes em UTI, identificando dilemas e conflitos presente nesse processo.Estudo qualitativo, exploratório e descritivo. A comunicação na UTI enfrenta barreiras relacionadas ao estado clínico dos pacientes, á sobrecarga de trabalho e ao uso de linguagem técnica.
Fonte: Brigida, WSS, et al., 2025.


4 DISCURSÃO

Estratégias para o acolhimento de familiares de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva

O acolhimento no contexto hospitalar, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), vai além do ato de recepcionar; ele pressupõe reconhecer o familiar como sujeito de direitos, portador de necessidades e desejos, bem como corresponsável no processo de promoção da saúde, tanto em sua dimensão individual quanto coletiva (Figueiredo et al. 2023).

Segundo Silva e Souza (2021), acolher e escutar ativamente os familiares estabelece uma relação de confiança entre os envolvidos, essencial para o engajamento no cuidado. A interação contínua entre o enfermeiro, a equipe multiprofissional e os familiares, sobretudo em momentos de crise e fragilidade emocional, contribui significativamente para amenizar o impacto da hospitalização. De acordo com Azevêdo et al. (2017) essa presença ativa da equipe de enfermagem favorece a adaptação da família ao ambiente hospitalar, proporcionando maior segurança e conforto emocional.

No entanto, devido às múltiplas demandas e complexidades inerentes à prática assistencial em UTIs, observa-se que, frequentemente, o cuidado voltado à família é negligenciado. Tal omissão ocorre justamente em um período crítico, em que os familiares enfrentam incertezas e necessitam de apoio. Nesse contexto, o acolhimento surge como uma estratégia fundamental, capaz de fortalecer vínculos de confiança entre profissionais e familiares, além de humanizar o cuidado.

Para que esse acolhimento ocorra de forma eficaz, é necessário implementar novas estratégias que possibilitem a aproximação entre equipe de saúde e família, tornando o processo de assistência mais sensível e humanizado. Estudos apontam diferentes práticas utilizadas por enfermeiros que se mostram eficazes e bem avaliadas pelos familiares.

Segundo Passos et al. (2015), por exemplo, destacou-se como uma das principais estratégias o ato de recepcionar os familiares no momento da admissão do paciente. Nessa etapa, é fundamental fornecer orientações claras e cuidadosas sobre a dinâmica da UTI, escutar dúvidas e acolher emoções. Tal prática contribui para a construção de uma relação de confiança entre familiares e profissionais, promovendo maior compreensão e segurança quanto ao cuidado prestado ao paciente.

Para Evangelista et al. (2016), o trabalho com grupos configura-se como uma estratégia eficiente na assistência de enfermagem, pois facilita o atendimento das necessidades dos clientes relacionadas à informação, orientação e suporte psicológico. A participação em grupos proporciona aos indivíduos experiências significativas que podem transformar sua compreensão sobre os acontecimentos da vida, além de favorecer a aquisição de atitudes mais saudáveis para o enfrentamento de dificuldades.

O uso do grupo de suporte como recurso terapêutico contribui para a construção de uma prática assistencial humanizada e acolhedora, promovendo o respeito às pessoas enquanto sujeitos singulares. Dessa forma, essa abordagem possibilita a superação da visão tradicionalmente centrada no paciente e na doença, avançando para uma perspectiva que valoriza o cuidado integral e relacional.

Capacitação profissional e preparo emocional

Na prática da enfermagem, observa-se um dilema importante: embora os profissionais reconheçam a relevância da humanização e a subjetividade no cuidado, diversos fatores pessoais, institucionais e profissionais dificultam a efetivação desses princípios. Muitos trabalhadores estão submetidos a um regime de trabalho mecanicista, marcado pela falta de valorização, incentivo e suporte psicológico, em um ambiente opressor e estressante. Essa realidade compromete o processo de acolhimento, uma vez que cuidar do outro pressupõe também cuidar de si, pois o cuidado envolve a transmissão de sentimentos (Rodrigues et al, 2019).

Assim, torna-se evidente a necessidade de abertura para a subjetividade dos enfermeiros, que, embora possuam a intenção de acolher, enfrentam sofrimentos psicológicos decorrentes do desgaste físico, emocional e social inerentes ao trabalho em Unidades de Terapia Intensiva (Vilela et al, 2020). Além disso, a carência de recursos humanos e materiais, a falta de valorização pela equipe de saúde e a ausência de incentivos salariais agravam essa situação.

Vasconcelos et al. (2019) destaca que o contato constante com situações que envolvem afeto e sofrimento impõe desafios emocionais à equipe de enfermagem, a qual, muitas vezes, não recebe preparo adequado para lidar com essas experiências. O modelo biomédico tradicional, predominante na formação de enfermagem, foca na doença e apresenta um currículo fragmentado, que trata o ser humano como uma peça de máquina. Tal abordagem resulta em sentimento de impotência entre os profissionais, dificultando a implementação de ações humanizadoras no ambiente hospitalar. Ademais, quando presente, o acolhimento institucional geralmente direciona-se apenas ao paciente e à família, negligenciando o cuidado ao profissional de saúde.

Brusamarello et al. (2019) aponta fatores que dificultam o acolhimento, como o despreparo para lidar com familiares, o desconhecimento sobre o que, quando e como comunicar-se, a ausência de planejamento organizado, a resistência a novas formas de atuação e o sentimento de impotência diante da situação dos familiares.

Outro ponto relevante é a capacitação dos profissionais para o acolhimento na sala de espera da UTI. Vasconcelos (2015) enfatiza a necessidade de treinamentos e organização da equipe para garantir um atendimento mais humanizado, evitando o distanciamento e o desconforto na comunicação entre profissionais e familiares.

Aragão et al. (2019) reforça que a implantação da humanização depende do desenvolvimento contínuo da consciência profissional, permitindo a integração das novas tecnologias com a escuta ativa, o diálogo e a solidariedade no cuidado.

Lacerda e Sousa (2022) destaca a importância do aperfeiçoamento profissional para que os enfermeiros possam oferecer apoio e solidariedade aos familiares em momentos de sofrimento, tornando o acolhimento mais humanizado.

Por fim, a valorização da formação continuada em cuidados intensivos é fundamental para fortalecer a relação terapêutica entre enfermeiros, pacientes e familiares, contribuindo para a qualidade da assistência prestada.

Comunicação

A comunicação representa um elemento essencial no cuidado de enfermagem, permeando todas as ações desenvolvidas com o paciente, seja para orientá-lo, informá-lo, apoiá-lo, confortá-lo ou atender às suas necessidades básicas. Essa ferramenta é fundamental para o desenvolvimento e aprimoramento das competências profissionais do enfermeiro, cujo papel vai além da execução técnica, abrangendo a proposição de um cuidado integral que requer, entre outras habilidades, a comunicação eficaz.

Meneguin et al. (2019) evidenciam a necessidade de incorporar o cuidado à família por meio de uma comunicação clara e efetiva, sugerindo a implementação de grupos de apoio formados por equipes multiprofissionais. Tais grupos visam esclarecer dúvidas relacionadas ao ambiente hospitalar, ao estado de saúde do paciente e aos termos técnicos utilizados, promovendo a integração entre as tecnologias e os cuidados prestados. Essa prática contribui para diminuir o distanciamento entre profissionais de saúde e familiares.

Para Figueiredo et al. (2023) enfatizam a importância da capacitação dos profissionais para o uso consciente da comunicação, possibilitando uma interação eficaz entre a equipe de enfermagem e os familiares dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva. Essa comunicação qualificada auxilia no entendimento das condições enfrentadas, facilitando a aplicação de intervenções adequadas.

Vasconcelos et al. (2016) corroboram esses achados, ao destacar que a comunicação em saúde, quando empregada corretamente, fortalece a interação entre equipe e assistidos, favorecendo a construção de vínculos de confiança e melhorando a satisfação com os serviços prestados. Os autores também alertam para a necessidade de aprimorar as estratégias de capacitação da equipe, de modo que possam receber e acolher adequadamente os familiares dos pacientes internados no Centro de Terapia Intensiva.

Assim, evidencia-se a importância de um processo comunicativo fundamentado na relação terapêutica, que reconheça as dificuldades vivenciadas pelos familiares e assegure a eles o direito de serem ouvidos, acolhidos e informados quanto à disponibilidade de apoio e suporte.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados obtidos indicam que as dificuldades no cuidado direcionado à família, no contexto da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), estão associadas à ausência de estratégias eficazes de acolhimento, à comunicação ineficiente e ao receio de envolvimento emocional. Além disso, destacase o despreparo do enfermeiro intensivista para lidar com situações de crise vivenciadas pelas famílias. Os achados ressaltam a importância do acolhimento familiar como uma prática inovadora e essencial para a qualificação do cuidado em UTI. No entanto, para que essa abordagem se concretize de forma efetiva, torna-se imprescindível a capacitação do enfermeiro, de modo que este possa sensibilizar e orientar sua equipe, promovendo uma assistência de enfermagem segura, humanizada e de excelência.

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¹Discentes do Curso Superior de enfermagem da universidade Federal do Pará Campus Belém Pará e-mail: wenilson.brigida@ics.ufpa.br enf.nataliatavares@hotmail.com
²Docente do Curso Superior de enfermagem da universidade Federal do Pará Campus Belém Pará. Doutora em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia e-mail: leanevas@gmail.com