OZONIOTERAPIA NA ENDODONTIA: UMA NOVA PERSPECTIVA PARA OS PROTOCOLOS DE IRRIGAÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511261004


Alinne Mattos Pereira Lopes
Marisa Leal Pereira da Silva
Matheus Abreu da Silva
Orientadora: Prof. Carolina Souza Freire da Silva


RESUMO

O tratamento endodôntico é crucial para a preservação dos dentes e envolve a remoção do tecido pulpar infectado assim como a desinfecção dos canais radiculares. A utilização de soluções irrigadoras desempenha papel essencial nesse processo, ajudando na eliminação de microrganismos e detritos. A Ozonioterapia surge como uma alternativa coadjuvante promissora para a irrigação endodôntica, destacando-se por sua potente ação antimicrobiana, biocompatibilidade e efeito bioestimulatório. A combinação do ozônio com técnicas químicas e mecânicas aprimora a segurança e a eficácia do tratamento, além de auxiliar na regeneração tecidual e redução das lesões periapicais. Este estudo revisa artigos científicos publicados  no período de 2019 a 2025, utilizando bases como PUBMED, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SCIELO e Google Acadêmico. A pesquisa evidencia que o ozônio é uma ferramenta eficaz, garantindo desinfecção mais completa e oferecendo uma alternativa segura e promissora para os procedimentos endodônticos.

Palavras-chave: Endodontia, Ozonioterapia, Desinfecção, Ozônio, Irrigação Radicular.

ABSTRACT

Endodontic treatment is crucial for tooth preservation and involves the removal of infected pulp tissue as well as the disinfection of root canals. The use of irrigating solutions plays an essential role in this process, assisting in the elimination of microorganisms and debris. Ozone therapy emerges as a promising adjunctive alternative for endodontic irrigation, standing out for its strong antimicrobial action, biocompatibility, and biostimulatory effect. The combination of ozone with chemical and mechanical techniques enhances the safety and effectiveness of the treatment, while also contributing to tissue regeneration and the reduction of periapical lesions. This study reviews scientific articles published between 2019 and 2025, using databases such as PUBMED, Virtual Health Library (BVS), SCIELO, and Google Scholar. The findings highlight ozone as an effective tool, ensuring more comprehensive disinfection and offering a safe and promising alternative for endodontic procedures.

Keywords: Endodontics, Ozone Therapy, Disinfection, Ozone, Root Canal Irrigation.

1. INTRODUÇÃO

    A endodontia, ramo responsável pela prevenção e tratamento das doenças da polpa dentária e seus tecidos periapicais, desempenha um papel fundamental na odontologia moderna, sendo indispensável para a preservação dos dentes naturais e restauração da saúde bucal. A terapia endodôntica frequentemente enfrenta desafios relacionados à dificuldade de garantir a remoção completa da microbiota nos canais radiculares. A eficácia do tratamento depende, em grande parte, do sucesso dos protocolos de irrigação bem planejados, que visam à desinfecção completa dos canais, evitando reinfecções e permitindo a cicatrização dos tecidos periapicais (Silva & Drummond, 2019).

    Historicamente, o hipoclorito de sódio tem sido o irrigante mais utilizado em endodontia devido às suas reconhecidas propriedades antimicrobianas, capazes de inibir uma ampla variedade de microrganismos. Entretanto, os métodos tradicionais de irrigação apresentam limitações em relação à limpeza de áreas complexas do sistema de canais, como ramificações laterais e canalículos, além de nem sempre conseguirem eliminar biofilmes bacterianos mais resistentes (Crespo, 2021). Nesse contexto, a ozonioterapia surge não como substituta, mas como uma estratégia coadjuvante ao uso do hipoclorito, potencializando a desinfecção e contribuindo para uma abordagem mais eficaz no preparo químico-mecânico dos canais radiculares.

    O ozônio medicinal é uma forma triatômica do oxigênio (O₃), altamente reativa, que pode ser aplicado de forma segura em concentrações controladas. Seu uso terapêutico baseia-se em uma série de mecanismos fisiológicos, incluindo efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios, analgésicos, imunomoduladores e bioestimuladores, que o tornam particularmente útil em situações clínicas que envolvem infecções, dor, inflamação, dificuldades de cicatrização ou necessidade de regeneração tecidual. Além disso, a sua aplicação tem sido associada à redução da carga microbiana sem provocar resistência bacteriana, um aspecto altamente relevante frente à crescente preocupação com o uso excessivo e ineficaz de antibióticos (Rezaeianjam et al., 2025).

    Na endodontia a ozonioterapia, tem se mostrado promissor pela capacidade de eliminar diversos microrganismos patogênicos, como bactérias, fungos e vírus, comuns em infecções radiculares (Fernandes et al., 2021). Sua vantagem está na penetração em áreas de difícil acesso no sistema de canais, proporcionando uma desinfecção mais eficaz. Essa ação ocorre por meio da oxidação das membranas celulares microbianas, comprometendo sua estrutura e viabilidade (Silva & Drummond, 2019).

    Apesar desses avanços, a adoção da ozonioterapia ainda encontra desafios, sobretudo no que se refere à padronização dos protocolos de uso, à variabilidade dos equipamentos disponíveis, e à escassez de ensaios clínicos randomizados com metodologias rigorosas que sustentem evidências de alto nível. Além disso, o uso do ozônio na prática odontológica envolve questões legais e éticas, principalmente relacionadas à regulamentação da técnica, à capacitação profissional e à responsabilização em casos de uso inadequado (CFO, 2015).

    No Brasil, a ozonioterapia foi reconhecida como prática complementar autorizada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) por meio da Resolução CFO n.º 166/2015, que determina a obrigatoriedade de capacitação profissional específica. Ainda assim, muitos profissionais desconhecem os fundamentos científicos e clínicos da técnica, o que reforça a importância de revisões atualizadas que sintetizem o conhecimento existente (CFO, 2015).

    Estudos recentes demonstram que o ozônio, além de potencializar a desinfecção, promove a regeneração dos tecidos periapicais. Sua capacidade de estimular a circulação local e a cicatrização celular torna a ozonioterapia uma alternativa eficaz e regenerativa, especialmente em casos de infecções periapicais severas (Moura, 2022). O ozônio apresenta também propriedades anti-inflamatórias e moduladoras da resposta imunológica, favorecendo uma recuperação mais rápida após o tratamento endodôntico.

    Apesar dos benefícios, a ozonioterapia ainda está em processo de consolidação na endodontia, visto que muitos profissionais mantêm práticas tradicionais por falta de familiaridade ou consenso sobre sua eficácia. No entanto, estudos indicam que o ozônio pode ser integrado aos protocolos de irrigação, elevando os índices de sucesso, sobretudo em anatomias canaliculares complexas ou infecções persistentes (Crespo, 2021). Seu uso em concentrações terapêuticas reduzidas garante segurança, sem prejuízo aos tecidos dentários e periapicais.

    Nesse contexto, a ozonioterapia configura-se como uma ferramenta complementar aos tratamentos convencionais, promovendo desinfecção eficiente e estímulo à regeneração tecidual. 

    Este trabalho revisa as evidências científicas sobre seu uso na endodontia, abordando vantagens, limitações e aplicações no tratamento de infecções radiculares, com foco nas perspectivas de sua implementação na prática clínica contemporânea.

    2. MATERIAIS E MÉTODO

      Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, realizada por meio da busca de artigos científicos nas bases: PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico e SciELO. A busca contemplou artigos publicados no período de 2019 a 2025, utilizando as seguintes palavras-chave: ‘ozonioterapia’, ‘endodontia’, ‘irrigação endodôntica’, ‘desinfecção’ e ‘tratamento de canal’. A estratégia de busca foi adaptada conforme as especificidades de cada base.  

      Não foram aplicadas restrições quanto ao idioma dos estudos. Artigos publicados em línguas diferentes do português, inglês ou espanhol foram traduzidos com o auxílio de ferramentas digitais de tradução. Foram incluídos na revisão estudos que discutissem a aplicação do ozônio na prática endodôntica, considerando aspectos como eficácia antimicrobiana, mecanismos de ação, comparações com irrigantes tradicionais e potenciais benefícios clínicos. Trabalhos duplicados, resumos sem acesso ao texto completo ou que fugissem ao escopo da pesquisa foram excluídos.

      As informações extraídas foram organizadas de forma sistemática, permitindo uma análise crítica e a construção de um panorama atual sobre o potencial da ozonioterapia como recurso complementar nos protocolos de desinfecção endodôntica.

      3. OBJETIVOS

      3.1 Objetivo Geral: 

          Analisar, por meio de revisão de literatura, o potencial da ozonioterapia como recurso complementar nos protocolos de irrigação endodôntica, destacando seus efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios e regenerativos.

          3.2 Objetivos Específicos:

          • Compreender a ação antimicrobiana e regenerativa do ozônio na endodontia. 
          • Verificar as formas de aplicação da ozonioterapia nos canais radiculares. 
          • Avaliar os benefícios e limitações do uso do ozônio como irrigante complementar.

          4. REVISÃO DE LITERATURA

            O ozônio (O₃) é uma molécula triatômica instável, altamente reativa, cuja principal característica terapêutica reside em seu elevado poder oxidante. Quando utilizado em concentrações controladas, o ozônio promove uma série de efeitos biológicos que justificam seu uso na prática clínica odontológica. Um dos principais mecanismos de ação é sua capacidade de romper as membranas celulares de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, promovendo a lise celular por oxidação de lipídios e proteínas estruturais (ALMEIDA et al., 2020). Esse efeito antimicrobiano é de amplo espectro e se destaca por não induzir resistência microbiana, diferentemente de antibióticos convencionais, o que representa um grande avanço no enfrentamento da resistência bacteriana (FERNANDES et al., 2021).

            Além da ação antimicrobiana, o ozônio apresenta propriedades imunomoduladoras importantes, atuando na ativação de células do sistema imunológico e na modulação da liberação de citocinas pró e anti-inflamatórias. Também estimula a produção de óxido nítrico e peróxido de hidrogênio em níveis terapêuticos, promovendo vasodilatação local, aumento da oxigenação tecidual e melhor perfusão dos tecidos comprometidos. Esses efeitos contribuem para a aceleração da cicatrização, a redução do edema e a regeneração dos tecidos lesados (MOURA, 2022; RODRIGUES et al., 2022).

            Outro aspecto relevante é a capacidade do ozônio de induzir mecanismos antioxidantes endógenos, como a ativação das enzimas superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase, que neutralizam os radicais livres gerados durante o processo inflamatório. Na odontologia, esses mecanismos são particularmente úteis em contextos clínicos que envolvem infecção, inflamação crônica, dor e cicatrização deficiente (VASCONCELOS et al., 2022). Ao atuar em múltiplos alvos biológicos de forma integrada, o ozônio se apresenta como uma ferramenta terapêutica versátil e com potencial de aplicação em diferentes especialidades odontológicas, desde que utilizado com conhecimento técnico adequado e dentro dos limites estabelecidos pela literatura científica (FERNANDES et al., 2021).

            A ozonioterapia é utilizada como agente irrigante auxiliar ou complemento à medicação intracanal. Seu uso se justifica pelo forte efeito antimicrobiano contra patógenos endodônticos, principalmente Enterococcus faecalis, bactéria associada a infecções persistentes e retratamentos. A aplicação do gás ozonizado ou da água ozonizada após a instrumentação promove a eliminação microbiana mesmo em canais com anatomia complexa ou ramificações laterais, onde a atuação mecânica e química convencionais são limitadas (ALMEIDA et al., 2020; FREITAS et al., 2021). Além disso, o ozônio contribui para o controle da inflamação apical, promovendo um ambiente mais favorável à reparação periapical. Comparado a irrigantes tradicionais como hipoclorito de sódio, o ozônio apresenta menor citotoxicidade quando utilizado corretamente, o que o torna uma alternativa interessante em casos com forames amplos ou reabsorções radiculares (CRESPO, 2021; VIEIRA et al., 2022). Estudos clínicos sugerem melhora da sintomatologia pós-operatória e do tempo de cicatrização em pacientes que receberam ozonioterapia como parte do tratamento endodôntico (SANTOS et al., 2021; SILVA et al., 2022).

            Na Endodontia, sua aplicação tem se mostrado promissora, especialmente no que diz respeito à desinfecção dos canais radiculares e à otimização dos protocolos de irrigação. O gás ozônio (O₃), por ser uma molécula altamente reativa composta por três átomos de oxigênio, apresenta forte potencial oxidativo, capaz de destruir microrganismos por meio da peroxidação lipídica das membranas celulares (SILVA et al., 2022).

            Dentre os microrganismos mais resistentes encontrados em canais radiculares infectados, destaca-se o Enterococcus faecalis, frequentemente associado a falhas em tratamentos endodônticos. Estudos como o de Almeida et al. (2020) evidenciam que a aplicação do ozônio, seja em forma de gás ou água ozonizada, promove uma redução significativa dessa espécie bacteriana, demonstrando-se como um recurso complementar ao hipoclorito de sódio (NaOCl), substância tradicionalmente utilizada nos protocolos de irrigação. Essa associação entre ozônio e irrigantes convencionais potencializa os efeitos antimicrobianos, proporcionando um ambiente mais favorável à cicatrização periapical (VIEIRA et al., 2022).

            Além da ação bactericida, a ozonioterapia apresenta efeitos positivos na modulação da resposta inflamatória e na regeneração tecidual. Segundo Rodrigues et al. (2022), o ozônio estimula a oxigenação dos tecidos, promovendo a neoformação capilar e o aumento da atividade de fibroblastos, o que contribui para a reparação dos tecidos periapicais após procedimentos endodônticos. Essa propriedade é especialmente útil em casos de lesões crônicas ou persistentes, onde a resposta imunológica do paciente encontra-se comprometida.

            Com relação à forma de aplicação, o ozônio pode ser administrado na cavidade endodôntica por meio de jatos de gás, água ozonizada ou óleo ozonizado. A água ozonizada apresenta-se eficaz e segura, principalmente por apresentar menor toxicidade em comparação ao hipoclorito de sódio, além de não causar pigmentação dentária (ALMEIDA et al., 2020). No entanto, a estabilidade do ozônio em solução aquosa é limitada, o que requer seu uso imediato após a geração, um aspecto que ainda representa um desafio para a padronização de protocolos clínicos (SANTOS et al., 2021).

            Outro ponto relevante refere-se ao efeito sinérgico do ozônio quando utilizado em associação com tecnologias como o laser de baixa potência e os sistemas ultrassônicos de irrigação. Esse efeito consiste na potencialização dos resultados, em que a ação antimicrobiana do ozônio é intensificada pela capacidade do laser e do ultrassom de promover maior agitação e penetração da solução irrigadora. Como demonstrado por Freitas et al. (2021), essa interação favorece a difusão do agente desinfetante nos túbulos dentinários e nas áreas de difícil acesso, ampliando a eficácia da desinfecção intracanal. Tal abordagem mostra-se especialmente benéfica em casos de anatomia complexa ou quando há biofilmes bacterianos resistentes.

            Apesar dos benefícios apontados, a literatura ainda precisa de ensaios clínicos randomizados de longo prazo que confirmem, com alto grau de evidência, a superioridade ou a equivalência do ozônio frente aos métodos tradicionais de irrigação (VASCONCELOS et al., 2022). Muitos dos estudos existentes são laboratoriais ou envolvem amostras pequenas, o que limita a generalização dos resultados. Ainda assim, a tendência observada é positiva, sugerindo que a ozonioterapia poderá futuramente integrar os protocolos clínicos de maneira mais sistemática.

            Nesse viés, é importante destacar que a implementação da ozonioterapia requer capacitação profissional específica e o uso de equipamentos certificados, conforme as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO). A utilização indiscriminada ou inadequada pode comprometer a segurança do paciente, sendo fundamental que o cirurgião-dentista esteja apto a aplicar a técnica com embasamento científico e responsabilidade ética (RODRIGUES et al., 2022).

            Dessa forma, a ozonioterapia configura-se como uma abordagem inovadora e potencialmente eficaz na endodontia contemporânea, oferecendo uma alternativa complementar aos irrigantes convencionais e favorecendo a desinfecção intracanal de forma segura, biocompatível e eficiente. Ainda que os desafios persistam, os avanços na pesquisa e na tecnologia associada ao ozônio apontam para um futuro promissor em sua consolidação como parte integrante dos protocolos endodônticos.

            5. DISCUSSÃO

              A ozonioterapia vem se consolidando como uma alternativa inovadora dentro dos protocolos de irrigação endodôntica, especialmente por suas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e regenerativas. De acordo com Almeida et al. (2020), o ozônio tem se mostrado eficaz na eliminação de Enterococcus faecalis, um dos microrganismos mais resistentes envolvidos nas falhas terapêuticas da endodontia. Nesse contexto, observa-se que o uso de ozônio pode atuar como um importante aliado na complementação da descontaminação do sistema de canais radiculares. Corrêa et al. (2025) reforçam que a ozonioterapia apresenta resultados consistentes na redução de cargas microbianas, reforçando seu papel como coadjuvante seguro e eficiente.

              A literatura é consistente ao demonstrar os benefícios da ozonioterapia em especialidades como a endodontia e a periodontia, onde os desafios relacionados à descontaminação de canais radiculares e bolsas periodontais são frequentes. O uso do ozônio como irrigante auxiliar ou agente terapêutico tópico apresenta vantagens em relação a protocolos convencionais, especialmente em casos de infecções persistentes, resistência microbiana ou limitação ao uso de antibióticos (Sen & Sen, 2020; El Meligy et al., 2023). Além disso, os efeitos positivos na regeneração tecidual e na modulação inflamatória reforçam seu valor como estratégia complementar, e não substitutiva, aos tratamentos estabelecidos (Medeiros et al., 2024; Spezzia, 2025).

              Fernandes et al. (2021) aponta que a ozonioterapia representa uma abordagem segura, capaz de reduzir significativamente a carga microbiana sem causar danos aos tecidos periapicais. Moura (2022) e Rodrigues et al. (2022) destacam que o ozônio apresenta efeitos positivos na regeneração tecidual, acelerando o processo de cicatrização e contribuindo para o êxito do tratamento, especialmente em casos com comprometimento periapical. Estudos adicionais enfatizam a ação bioestimuladora do ozônio, promovendo ativação de fibroblastos e síntese de colágeno (Rezaeianjam et al., 2025).

              Silva e Drummond (2019) reforçam que a ação antimicrobiana do ozônio está relacionada ao seu elevado poder oxidante, capaz de destruir a membrana celular bacteriana, inclusive de microrganismos organizados em biofilmes. Silva et al. (2022) demonstram que a atividade do ozônio em biofilmes dentários é relevante, principalmente em áreas de difícil acesso aos instrumentos mecânicos, ampliando seu potencial terapêutico na irrigação. Estudos adicionais indicam que o ozônio pode ser combinado com laser de baixa potência e sistemas ultrassônicos, potencializando a penetração antimicrobiana nos túbulos dentinários (Freitas et al., 2021; Almeida et al., 2020).

              A diversidade de formas de aplicação, como gás ozônio, água ozonizada e óleos ozonizados, amplia as possibilidades clínicas da ozonioterapia. Freitas et al. (2021) destaca a eficácia do ozônio quanto à previsibilidade dos resultados satisfatórios na descontaminação dos canais, sugerindo uma sinergia positiva entre os métodos. Santos et al. (2021) chama atenção para a instabilidade da água ozonizada, exigindo seu uso imediato após o preparo. Além disso, a necessidade de equipamentos específicos e o conhecimento técnico sobre concentração e tempo de aplicação ainda se apresentam como obstáculos para a difusão ampla da prática nos consultórios (Vieira et al., 2022; Meire et al., 2023).

              Comparando-se ao hipoclorito de sódio, Vasconcelos et al. (2022) observaram que, embora o ozônio apresente boa eficácia antimicrobiana, sua capacidade de dissolução de matéria orgânica é inferior à do hipoclorito. Crespo (2021) ressalta que, embora o hipoclorito seja consagrado, apresenta desvantagens como citotoxicidade e odor desagradável, estimulando a busca por alternativas biocompatíveis. Nesse cenário, a água ozonizada tem sido avaliada como alternativa promissora, associando atividade antimicrobiana e baixa toxicidade (Vieira et al., 2022; Sen & Sen, 2020).

              Além disso, estudos recentes enfatizam que a ozonioterapia, quando utilizada de forma complementar, auxilia na redução da inflamação apical e melhora a perfusão tecidual, promovendo um ambiente favorável à reparação periapical (Moura, 2022; Rodrigues et al., 2022; Medeiros et al., 2024). O respaldo científico conferido pelas revisões sistemáticas e relatos clínicos reforça que o ozônio não substitui, mas potencializa a eficácia dos protocolos endodônticos convencionais, garantindo desinfecção mais completa e segurança biológica (Rezaeianjam et al., 2025; El Meligy et al., 2023; Spezzia, 2025).

              Dessa forma, a ozonioterapia se destaca como uma proposta atual que atende às exigências de tratamentos mais eficientes e minimamente invasivos. Inserida em um contexto de evolução tecnológica na odontologia, proporciona novas possibilidades nos protocolos irrigadores, promovendo desinfecção, biocompatibilidade e suporte à regeneração dos tecidos periapicais.

              6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

                A ozonioterapia se revela como uma abordagem promissora no contexto da irrigação endodôntica, especialmente por apresentar propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e de estímulo à regeneração tecidual. A literatura consultada demonstra que o uso do ozônio, seja na forma gasosa ou como água ozonizada, pode contribuir significativamente para a descontaminação dos canais radiculares, ampliando a eficácia dos protocolos convencionais e atuando como coadjuvante em áreas de difícil acesso à instrumentação mecânica.

                Embora não substitua integralmente soluções consagradas como o hipoclorito de sódio, o ozônio surge como uma alternativa complementar de menor toxicidade, com boa biocompatibilidade e resultados clínicos animadores. Além disso, sua ação oxidativa permite uma resposta terapêutica eficiente frente a microrganismos resistentes, o que favorece sua inserção gradual nos protocolos clínicos da endodontia contemporânea.

                Contudo, ainda existem desafios relacionados à padronização das concentrações, formas de aplicação e estabilidade das soluções ozonizadas, exigindo maior aprofundamento científico e validação clínica por meio de ensaios controlados. Nesse sentido, a ampliação de estudos laboratoriais e clínicos é essencial para consolidar a ozonioterapia como prática rotineira e segura na endodontia.

                Portanto, diante dos dados apresentados, conclui-se que a ozonioterapia representa uma nova perspectiva para os protocolos de irrigação, com potencial de tornar os tratamentos endodônticos mais eficazes, seguros e biologicamente compatíveis. Sua adoção consciente e fundamentada pode contribuir para avanços significativos na prática clínica e nos desfechos terapêuticos.

                7. REFERÊNCIAS

                  1. ALMEIDA, J. L. M.; et al. Efeitos da ozonioterapia na desinfecção de canais radiculares infectados por Enterococcus faecalis. Revista Brasileira de Endodontia, v. 14, n. 3, p. 130-137, 2020.
                  2. CORRÊA, Suelen Castro Lavareda; et al. Terapia com ozônio como adjuvante na prática odontológica: uma revisão baseada em evidências. ARACÊ, v. 7, n. 7, p. 38264-38278, 2025.
                  3. CRESPO, A. F. O uso de hipoclorito de sódio e outras soluções na irrigação endodôntica. Revista Brasileira de Odontologia, v. 68, n. 1, p. 45-50, 2021.
                  4. EL MELIGY, O. A.; ELEMAM, N. M.; TALAAT, I. M. Ozone therapy in medicine and dentistry: a review of the literature. Dent J (Basel), v. 11, n. 8, p. 187, 2023.
                  5. FERNANDES, A. L. F.; et al. Ozonioterapia como alternativa à irrigação endodôntica: revisão sistemática. Revista Brasileira de Odontologia e Saúde, v. 12, n. 3, p. 132-139, 2021.
                  6. FREITAS, A. C.; et al. Laser de baixa potência e ozônio: aplicação combinada na desinfecção de canais radiculares. Revista de Odontologia Clínica, v. 29, n. 1, p. 85-92, 2021.
                  7. MEIRE, M. A.; BRONZATO, J. D.; BOMFIM, R. A.; GOMES, B. P. F. A. Effectiveness of adjunct therapy for the treatment of apical periodontitis: a systematic review and meta-analysis. Int Endod J, v. 56 Suppl 3, p. 455-474, 2023.
                  8. MEDEIROS, F. S.; DUARTE, T. V.; PEREIRA, C. M. Aplicação da ozonioterapia em odontologia (odontologia). Repositório Institucional, v. 2, n. 2, 2024.
                  9. MOURA, F. G. Ação do ozônio na regeneração tecidual após tratamento endodôntico. Revista de Endodontia, v. 45, n. 2, p. 120-125, 2022.
                  10. REZAEIANJAM, M.; KHABAZIAN, A.; KHABAZIAN, T.; GHORBANI, F.; ABBASI, T.; ASGHARI, S.; HEIDARI, F.; SHIRI, A.; NADERI, M. Efficacy of ozone therapy in dentistry with approach of healing, pain management, and therapeutic outcomes: a systematic review of clinical trials. BMC Oral Health, v. 25, art. 433, 2025. DOI: 10.1186/s12903-025-05790-0.
                  11. RODRIGUES, A. A.; et al. Ação do ozônio na regeneração tecidual pós-operatória em endodontia. Jornal de Pesquisa Odontológica, v. 33, n. 4, p. 215-221, 2022.
                  12. SANTOS, R. M.; et al. Estabilidade da água ozonizada para uso endodôntico: implicações clínicas. Revista de Odontologia Experimental, v. 18, n. 2, p. 45-50, 2021.
                  13. SEN, S.; SEN, S. Ozone therapy a new vista in dentistry: integrated review. Med Gas Res., v. 10, n. 4, p. 189-192, 2020.
                  14. SILVA, P. A.; DRUMMOND, S. F. Efeitos antimicrobianos do ozônio em tratamentos endodônticos. Revista Brasileira de Endodontia, v. 13, n. 2, p. 145-152, 2019.
                  15. SILVA, P. A.; et al. Efeitos antimicrobianos do ozônio em biofilmes dentários. Revista de Odontologia e Microbiologia, v. 12, n. 1, p. 100-107, 2022.
                  16. SPEZZIA, S. O emprego da ozonioterapia na odontologia. Rev. Flum. Odontol. (Online), p. 53-59, 2025.
                  17. SUH, Y.; PATEL, S.; KAITLYN, R.; GANDHI, J.; JOSHI, G.; SMITH, N. L.; KHAN, S. A. Clinical utility of ozone therapy in dental and oral medicine. Med Gas Res., v. 9, n. 3, p. 163-167, 2019.
                  18. VASCONCELOS, D. L.; et al. Avaliação da eficácia do ozônio em comparação ao hipoclorito de sódio no tratamento endodôntico. Jornal Brasileiro de Endodontia, v. 28, n. 6, p. 270-278, 2022.
                  19. VIEIRA, M. A.; et al. Uso de ozônio como irrigante na endodontia: revisão crítica. Revista Brasileira de Odontologia, v. 35, n. 4, p. 60-67, 2022.