SDG’S IN ACTION AT THE STATE UNIVERSITY OF MARANHÃO – UEMA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201637
Ellen Rose de Oliveira Melo1
Sandra Fernanda Loureiro de Castro2
Resumo
Projetos alinhados aos 17 ODS da ONU desempenham um papel crucial no cumprimento dessas metas que tratam de questões essenciais como promoção da saúde, erradicação da pobreza, proteção ambiental e igualdade de gênero. O principal objetivo foi sensibilizar e informar os professores, alunos e servidores de alguns cursos do campus da Universidade Estadual do Maranhão sobre os ODS da ONU. Um foco específico foi dado ao ODS 12, que trata do consumo e da produção responsáveis. A metodologia foi uma combinação de distribuição de panfletos educativos que explicavam os ODS de forma simples e direta, e destaque aos “8 Rs da Sustentabilidade” que são práticas como repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar, reparar, reconfigurar e responsabilizar. Essas ações ajudariam os participantes a refletirem sobre como poderiam adotar comportamentos mais sustentáveis no dia a dia, e a aplicação de um questionário online buscando avaliar as percepções dos participantes concernentes aos ODS e seus hábitos sustentáveis. Os resultados mostraram que, embora 41% dos participantes tivessem um conhecimento limitado sobre os ODS, todos reconheceram a importância da sustentabilidade e demonstraram disposição para adotar atitudes mais responsáveis. Esse dado indica que, as pessoas que frequentam o campus São Luís, embora haja um certo desconhecimento sobre o tema, a maioria está disposta a aprender e a melhorar suas práticas. Entre os ODS, os mais reconhecidos foram o ODS 6 (que fala sobre água potável e saneamento), o ODS 14 (vida na água) e o ODS 4 (educação de qualidade). Já o ODS 8 (trabalho decente e crescimento econômico) foi o que menos chamou a atenção, com apenas 15% dos participantes cientes de suas metas. Portanto, identificadas as limitações, o projeto capacitou e conscientizou o público-alvo, esperando que os conhecimentos adquiridos se propaguem além da universidade e impulsione a adesão à Agenda 2030 no Maranhão.
Palavras-chave: Agenda 20230; Ensino Superior; Educação; Sustentável.
1 INTRODUÇÃO
A crise ambiental tornou-se algo de nível preocupante ao ponto que se faz necessário, através da educação, a conscientização da importância da mudança de estilo de vida e bem-estar que respeite e proteja a vida do planeta (Nunes, 2023).
Em busca de um equilíbrio entre seres vivos, conhecimento e desenvolvimento, surgem alguns movimentos em prol do planeta e os seus habitantes. Esses acontecimentos e movimentos, fez com que em 2000, na cidade de Nova York, os maiores representantes de países, se reunissem e firmassem um plano com objetivos e metas sustentáveis, surgindo assim, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis – ODS (Cantini, 2021).
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, representam um plano de ação global para abordar os desafios socioambientais emergentes. Compostos por 17 objetivos e 169 metas, os ODS refletem um compromisso coletivo de 193 países-membros das Nações Unidas -adotado na Agenda 2030 -em direção a um futuro mais sustentável. Esses 17 Objetivos Globais fundamentam-se em cinco pilares, conhecidos como os 5 P’s da sustentabilidade: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias. Dessa forma, todas as partes interessadas, incluindo o governo, organizações não governamentais, setor privado e a sociedade civil devem promover ações em torno da Agenda 2030 (Mattioli, 2021; ONU, 2015).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
No Maranhão, o governo formalmente adotou a Agenda, integrando os ODS nos instrumentos de planejamento da administração pública estadual. Entretanto, é evidente a presença de desafios na efetiva implementação desses objetivos, como a ausência de indicadores de monitoramento adequados e a necessidade de uma disseminação mais ampla dos ODS no estado (Sousa, 2022). Adicionado a isso, há o desafio de lidar com o cenário pós-pandemia da COVID-19, a qual atrasou consideravelmente o progresso em direção aos ODS em todo o mundo (Sachs et al. 2021).
Nesse contexto, as universidades estão numa posição única para desempenhar um papel de liderança (parceira/contribuinte) e servir como motor da sustentabilidade transformacional no sentido de fornecer soluções para os ODS. Conforme apontado por Serafini (2022), a participação ativa de todos os envolvidos no ambiente acadêmico, incluindo docentes, pesquisadores e estudantes, permite que as universidades integrem de maneira estratégica as áreas de educação, pesquisa, extensão e gestão em prol do desenvolvimento sustentável. O guia “Acelerando a educação para os ODS nas universidades” da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável destaca a importância da participação ativa do meio acadêmico, salientando que o alcance bem-sucedido dos Objetivos Globais é altamente improvável sem o envolvimento das universidades (SDSN, 2020).
Nesse sentido, este projeto tem por objetivo sensibilizar e instruir a comunidade de docentes, discentes e servidores dos Cursos de Medicina Veterinária, Engenharia de Pesca, Biologia, Química e Geografia do campus São Luís da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) acerca dos 17 ODS. Dessa forma, visando a conscientização e a promoção de práticas sustentáveis entre a comunidade interna da universidade, especialmente no que se refere aos padrões de consumo e produção responsáveis (ODS 12), buscando-se assim contribuir efetivamente para a realização da Agenda 2030 no Maranhão
3 METODOLOGIA/ MATERIAL E MÉTODOS
O projeto foi desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), uma instituição pública de ensino superior localizada na Cidade Universitária Paulo VI, na Avenida Lourenço Vieira da Silva, nº 1000, CEP: 65.055-310, Jardim São Cristóvão, São Luís/MA. A UEMA teve sua origem na Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), estabelecida pela Lei nº 3.260, de 22 de agosto de 1972, com o propósito de coordenar e integrar os institutos isolados do sistema educacional superior do estado do Maranhão (Sousa, 2012).
Atualmente, o campus de São Luís é formado pelo Centro de Ciências Tecnológicas (CCT); Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais (CECEN); Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) e Centro de Ciências Agrárias (CCA), desenvolvendo atividades de ensino de Graduação, Cursos Sequenciais, Cursos de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Universitária, Formação de Professores do Ensino Médio e Fundamental à Distância e Alfabetização (Sousa, 2012).
O presente estudo consiste em uma pesquisa descritiva de natureza quali-quantitativa, com foco na aplicação de ações práticas voltadas para o incentivo ao comprometimento e à adoção de hábitos sustentáveis dentro da comunidade acadêmica. A pesquisa segue a definição de Gil (2008), que descreve esse tipo de estudo como aquele que busca, por meio de dados qualitativos e quantitativos, entender fenômenos, descrevendo suas características e permitindo identificar padrões de comportamento, atitudes e percepções dos envolvidos.
A execução do projeto incluiu a distribuição de folders informativos sobre os ODS, enfatizando o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e os “8 Rs da Sustentabilidade”. Devido à sua plasticidade, o folder em questão foi concebido como um veículo de divulgação e popularização da ciência visando à conscientização e responsabilidade socioambiental da comunidade interna, na qualidade de material educativo informativo (MEI). Durante a distribuição deste, foram observadas às impressões dos envolvidos e sua sensibilidade frente ao conteúdo.
Além disso, junto aos participantes também foi aplicado um questionário estruturado de forma online, via Google forms, a fim de avaliar suas percepções acerca dos 17 Objetivos Globais bem como de suas práticas sustentáveis dentro e fora da instituição. As perguntas formuladas foram adaptadas das pesquisas de Silva e Rebouças (2013) e Czajkowska e Ingaldi (2023), utilizando-se, para mensuração das respostas, a escala Likert de cinco níveis, variando de 1 (discordo totalmente) até 5 (concordo totalmente). Ressalta-se que o questionário aplicado foi previamente revisado e aprovado após pré-teste, incluindo ainda perguntas de múltipla escolha e questões para coleta de dados do perfil demográfico. Por este método misto, foi possível explorar perspectivas individuais de forma detalhada e realizar análises estatísticas das variáveis da amostra, com a segunda base de dados complementando a primeira (Creswell; Clark, 2017).
Para a definição dos critérios de inclusão da pesquisa, foram considerados os docentes, discentes e servidores que expressaram interesse em participar de forma voluntária, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O TCLE foi essencial para garantir que todos os participantes estivessem cientes dos objetivos da pesquisa, dos procedimentos envolvidos e de seus direitos ao longo do processo, garantindo assim a ética e a transparência em todas as etapas.
A divulgação do projeto foi realizada tanto de forma presencial quanto digital. Presencialmente, foram distribuídos folders informativos elaborados especificamente para esse fim (Apêndice A). No âmbito digital, a divulgação ocorreu através de formulários eletrônicos no Google Forms (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdVqCBRWqV0 uFBC8M6qp7qNmcYi0Hm-CSenYWtFfzChJb51sQ/viewform) e pela rede social WhatsApp, nos grupos de alunos e cursos da universidade.
Por fim, a análise dos dados foi conduzida de maneira a avaliar o nível de conhecimento da comunidade interna da UEMA em relação aos 17 ODS, o impacto das iniciativas de divulgação destes e sua relevância na promoção de práticas sustentáveis. Os dados quantitativos foram sistematizados para mensurar padrões e tendências nas respostas dos participantes, utilizando o programa Excel® (2019).
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Durante as reuniões realizadas entre a equipe executora responsável pelo presente projeto, foi efetuado o planejamento, discussões de ideias e a preparação para as atividades propostas. O início efetivo das ações ocorreu em 2 de abril de 2024, com a participação inicial das turmas de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária. A aplicação dos questionários e a distribuição dos folders foram implementadas de forma progressiva, abrangendo tanto essas turmas quanto as de Química, Geografia e Engenharia de Pesca, culminando na finalização das atividades em janeiro de 2025.
No total, 200 participantes foram envolvidos, dos quais 37,4% pertencem ao sexo masculino e 61,1% ao sexo feminino, com 85,4% sendo estudantes e 14,7% servidores, incluindo docentes, técnicos administrativos e de serviços gerais.
Em relação ao curso dos entrevistados e participantes do formulário online, o maior curso foi o de Ciências Biológicas, localizado no prédio de Biologia – CECEN, seguido por Medicina Veterinária, como demonstra a figura 1.
Figura 1. Demonstrativo grafico em porcentagem dos cursos dos entrevistados na pesquisa até o ano de 2025.

As respostas referentes ao nível de conhecimento individual sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as práticas sustentáveis adotadas pelos entrevistados estão detalhadas na Tabela 1.
Na análise das variáveis relacionadas à escala de percepção apresentada, observa-se uma concordância significativa com os itens 01 e 02, que tratam do conhecimento dos 17 ODS e da Agenda 2030, com 82% e 66% das respostas, respectivamente, situadas nos níveis 4 e 5 da escala Likert. Contudo, um alto número dos participantes (32%) revelou não ter consultado o documento da Agenda 2030, expressando discordância ou neutralidade em relação ao item 03. Esses resultados indicam que, embora a maioria possua algum conhecimento sobre o tema e o considere relevante, é fundamental a promoção de um entendimento mais crítico e aprofundado dos ODS e suas metas traçados nessa Agenda.
Conforme destacado por Falcon e Fonseca (2022), a Agenda 2030 aborda os desafios mais urgentes da população global, como erradicação da pobreza, promoção da igualdade e combate às mudanças climáticas. Esses objetivos, que almejam ser plenamente alcançados até 2030, são frequentemente vistos como distantes de uma realização concreta. Portanto, para que tais metas sejam atingidas, é essencial a promoção de transformações de paradigmas e comportamentos em todos os setores sociais, para além da esfera política, o que requer o conceito de “cidadania global”, conforme discutido por Huitrón (2020), que implica no empoderamento de uma sociedade civil cada vez mais consciente e atenta aos problemas locais, cujos impactos reverberam em escala global, como é proposto na Agenda 2030.
Tabela 1 – Percepção da comunidade interna da UEMA acerca dos 17 Objetivos Globais e de suas práticas sustentáveis.

No que diz respeito aos hábitos sustentáveis, tanto dentro quanto fora da instituição, os respondentes demonstraram um elevado grau de conscientização em relação ao consumo sustentável, adotando práticas responsáveis na utilização de produtos e serviços, evidenciado nos itens 06, 08 e 09 da Tabela 1. A maioria relatou evitar o desperdício de água (82,5%) e energia (71,5%), além de reduzir o uso de plásticos descartáveis, como copos e garrafas PET’s (59,1%). Porém, o item 10, relacionado à reciclagem de resíduos próprios no Ecoponto da UEMA, apresentou o menor nível de concordância, com número de 98. Esse resultado pode ser atribuído ao fato de que os respondentes já realizam a coleta seletiva, tanto na universidade, que disponibiliza lixeiras apropriadas em diversos prédios dos cursos, quanto em suas residências, o que torna menos frequente a necessidade de visitas ao Ecoponto
Ademais, a análise das variáveis revela uma concordância substancial quanto à percepção das iniciativas concernentes aos ODS promovidas pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Isso está em consonância com os dados coletados nesta pesquisa que indicam que a maior parte (52%) obteve contato pela primeira vez com essa temática na própria universidade, por intermédio de palestras, cursos, eventos, atividades ou ainda participação em projetos de pesquisas e atividades de extensão, conforme evidenciado na Figura 2.
Figura 2 – Respostas dos entrevistados quanto ao local de contato inicial com os 17 ODS

Para melhor exemplificar, entre os participantes que indicaram que tiveram seu primeiro contato com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — totalizando 51% das respostas — as formas pelas quais esse contato ocorreu variaram. Dentre essas respostas, 42% mencionaram que o primeiro contato foi por meio de palestras, cursos e eventos promovidos pela UEMA, o que demonstra a relevância das atividades acadêmicas e de extensão da universidade na disseminação do conhecimento sobre os ODS. Além disso, 30% dos participantes afirmaram que o primeiro contato com os ODS ocorreu através de projetos de pesquisa e atividades de extensão desenvolvidos na UEMA, indicando que as iniciativas acadêmicas também desempenham um papel importante na sensibilização dos estudantes e servidores. Já 20% das respostas apontaram que o contato inicial ocorreu por meio de atividades práticas desenvolvidas pela universidade, como o plantio de mudas e outras ações voltadas para a conscientização ambiental, destacando a importância de práticas tangíveis e de envolvimento direto com o meio ambiente. Curiosamente, 42% dos participantes relataram que sua primeira participação na temática dos ODS aconteceu justamente por meio desta pesquisa, o que evidencia a grande relevância que a campanha teve para o público-alvo. Esses dados reforçam a importância de diversificar os meios de contato e as abordagens adotadas pela universidade, para alcançar diferentes públicos e aumentar o engajamento com os ODS.
Como forma de avaliar mais especificamente o nível de familiaridade dos participantes com os 17 ODS, também lhes foi solicitado que indicassem quais objetivos consideravam estar mais bem informados, isto é, cientes das metas a serem atingidas, com a possibilidade de múltiplas escolhas, se esse fosse o caso (Figura 3). Como respostas, obteve-se os ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 14 (Vida na Água) e ODS 4 (Educação de qualidade) como os mais reconhecidos, enquanto os menos conhecidos foram ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), ODS 8 (Trabalho Descente e Crescimento Econômico) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
Figura 3. Nível de familiaridade da comunidade interna da UEMA com os 17 ODS.

Durante a distribuição dos folders, verificou-se, de modo igual, um engajamento mais acentuado por parte dos envolvidos frente aos temas sociais e ambientais amplamente discutidos na sociedade, como educação de qualidade, saúde e bem-estar e conservação ambiental, os quais foram prontamente reconhecidos e de fácil sensibilização. Em contrapartida, os Objetivos Globais em suas dimensões econômica e social, menos difundidos, apresentaram maior grau de desconhecimento quanto às metas estabelecidas pela Agenda 2030. Dessa forma, iniciativas de divulgação como essa, visando uma conscientização mais efetiva da comunidade acadêmica, continuam sendo essenciais.
Além disso, uma das atividades propostas pelo projeto consistia na sensibilização sobre padrões responsáveis de consumo e produção, realizada através da exemplificação dos “8 Rs da Sustentabilidade” durante a entrega dos folders. Desenvolvidos pelo Instituto Akatu (2016), esses princípios ampliam os tradicionais “3 Rs” (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), acrescentando outras ações que visam minimizar o impacto ambiental e promover um uso mais consciente dos recursos. São eles: Refletir, Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Respeitar, Reparar, Responsabilizar-se e Repassar, cujos conceitos estão elucidados no apêndice A deste relatório. Essa sensibilização revelou-se crucial à medida que apenas 26% dos respondentes afirmaram conhecer o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis).
Vale ressaltar que, apesar do conhecimento limitado sobre as metas e indicadores do ODS 12, a comunidade interna da UEMA demonstra um forte engajamento em práticas sustentáveis, conforme discutido anteriormente. A implementação de projetos e linhas de pesquisa futuras focados nesse objetivo torna-se, portanto, pertinente, uma vez que pode potencializar o impacto das condutas já existentes, promovendo uma adesão ainda maior às metas de gestão ambiental delineadas pelo ODS 12, a exemplo a redução de desperdício de alimentos, o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e todos os resíduos, a compra de produtos com selo e embalagens sustentáveis, entre outras. Nos últimos anos, iniciativas de envolvimento comunitário lideradas por universidades estão a ganhar impulso. Segundo Agustinada (2022), a realização bem-sucedida dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU depende da interação eficaz entre universidades e sociedade, sendo essencial uma transformação no papel das Instituições de Ensino Superior (IES) de meras produtoras de conhecimento para cocriadoras de soluções, se tornando centros de inovação, criatividade e colaboração para abordar os desafios globais.
As universidades, inseridas no movimento dos ODS, têm potencial significativo para contribuir para o desenvolvimento social, uma vez que formam profissionais como biólogos, engenheiros, médicos e professores, cujas atuações são essenciais para a sociedade. Isso sublinha a importância das IES na produção e disseminação de conhecimento sobre os ODS, reforçando a premência de formulação de políticas públicas, servindo de modelo para outros contextos. Assim, evidencia-se a conexão entre as IES, a produção de conhecimento e a melhoria da qualidade de vida e da biodiversidade (Serafim; Leite, 2021).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto conduzido na comunidade interna da UEMA – campus São Luís promoveu a capacitação e conscientização entre estudantes, docentes e servidores de diversos cursos sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
Foi constatado um comprometimento com as práticas de produção e consumo responsáveis pela comunidade interna, embora haja uma limitação na percepção crítica dos ODS e da Agenda 2030 no seu cotidiano; mediante a execução deste trabalho, mais membros da comunidade acadêmica adotaram hábitos sustentáveis e disseminaram os conhecimentos adquiridos sobre os Objetivos Globais da ONU para além do ambiente universitário;
Esta pesquisa contribuiu imensamente com os objetivos de desenvolvimento sustentáveis visto que boa parte dos entrevistados conheceram os ODS através deste estudo, contribuindo para um campus mais sustentável, assim, demonstra a importância de projetos que elevem o conhecimento sustentável em ambientes escolares, sendo da educação básica aos níveis superiores.
Por fim, ressalta-se que ainda há uma escassez de estudos voltados para a implementação da Agenda 2030 no ensino superior do Maranhão, indicando a necessidade de incentivo para futuras pesquisas e novas estratégias de divulgação e sensibilização.
REFERÊNCIAS
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APÊNDICE A: Arte do Folder Informativo distribuído na Cidade Universitária Paulo VI, 2024.

1 Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), São Luís (MA), Graduada em Ciências Biológicas – Licenciatura, ellenrose0103@gmail.com.
2 Universidade Estadual do Maranhão (UEMA0, São Luís (MA), Doutora em Farmácia, sfnunes@hotmail.com.
