ANALYSIS OF CLINICAL MANIFESTATIONS AND PROGNOSIS IN CORONARY ANEURYSMS IN ADULTS: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW EMPHASIZING MORPHOLOGICAL CHARACTERISTICS (SIZE AND LOCATION)
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511201615
Thais de Miranda Leal1
Resumo
Introdução: Os aneurismas de artérias coronárias (AAC) são dilatações anormais da parede vascular que, embora incomuns, estão intrinsecamente ligadas à progressão da aterosclerose e representam uma fonte de eventos isquêmicos agudos. A literatura distingue morfologicamente as formas focais (aneurismas) das difusas (ectasias), mas o impacto prognóstico dessa diferença, bem como a estratégia terapêutica ideal para cada perfil, continua sendo um dilema clínico. Objetivo: Analisar as repercussões clínicas e o prognóstico em pacientes adultos com aneurismas coronários, correlacionando-os com suas características morfológicas. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, baseada na análise de 18 artigos selecionados nas bases de dados PubMed e SciELO, publicados entre 2000 e 2025. Os dados foram extraídos e sintetizados em três eixos temáticos: morfologia, repercussões clínicas e prognóstico. Resultados: A análise revelou uma distinção prognóstica fundamental entre os aneurismas focais (AAC) e as ectasias difusas (EAC). Os AACs demonstraram uma associação mais robusta com a aterosclerose e um prognóstico significativamente pior, com maior risco de eventos cardiovasculares adversos maiores e infarto do miocárdio. A presença de doença arterial coronariana obstrutiva concomitante e o maior diâmetro do aneurisma foram identificados como fatores independentes de pior prognóstico. As principais repercussões clínicas reportadas foram síndromes coronarianas agudas, decorrentes de trombose in situ, e isquemia miocárdica, associada a fenômenos de fluxo lento. Conclusão: O prognóstico dos aneurismas coronários é heterogêneo, sendo fortemente influenciado pela morfologia (focal vs. difusa) e pela presença de aterosclerose associada. A caracterização morfológica detalhada é, portanto, fundamental para a estratificação de risco, enquanto a ausência de consenso terapêutico reforça a necessidade de abordagens individualizadas e de mais estudos prospectivos na área.
Palavras-chave: Aneurisma da Artéria Coronária. Ectasia Coronária. Prognóstico. Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores. Aterosclerose.
Abstract
Introduction: Coronary artery aneurysms (CAA) are abnormal vascular wall dilations that, although uncommon, are intrinsically linked to the progression of atherosclerosis and represent a source of acute ischemic events. The literature morphologically distinguishes between focal (aneurysms) and diffuse (ectasias) forms, but the prognostic impact of this difference, as well as the ideal therapeutic strategy for each profile, remains a clinical dilemma. Objective: To analyze the clinical repercussions and prognosis in adult patients with coronary aneurysms, correlating them with their morphological characteristics. Methods: This is an integrative literature review based on the analysis of 18 articles selected from the PubMed and SciELO databases, published between 2000 and 2025. Data were extracted and synthesized into three thematic axes: morphology, clinical repercussions, and prognosis. Results: The analysis revealed a fundamental prognostic distinction between focal aneurysms (CAA) and diffuse ectasias (CAE). CAAs demonstrated a more robust association with atherosclerosis and a significantly worse prognosis, with a higher risk of major adverse cardiovascular events and myocardial infarction. The presence of concomitant obstructive coronary artery disease and larger aneurysm diameter were identified as independent factors for a worse prognosis. The main clinical repercussions reported were acute coronary syndromes, resulting from in situ thrombosis, and myocardial ischemia, associated with slow-flow phenomena. Conclusion: The prognosis of coronary aneurysms is heterogeneous, being strongly influenced by morphology (focal vs. diffuse) and the presence of associated atherosclerosis. Detailed morphological characterization is therefore fundamental for risk stratification, while the absence of a therapeutic consensus reinforces the need for individualized approaches and more prospective studies in the field.
Keywords: Coronary Artery Aneurysm. Coronary Ectasia. Prognosis. Major Adverse Cardiovascular Events. Atherosclerosis.
1 INTRODUÇÃO
Os aneurismas de artérias coronárias (AAC) e a ectasia da artéria coronária (EAC) representam dilatações anormais dos vasos epicárdicos que, embora incomuns, com uma prevalência variando de 0,3% a 5% em séries angiográficas, carregam implicações clínicas significativas (Sheikh et al., 2019; Kawsara et al., 2018). Mesmo que os termos tenham sido historicamente usados como sinônimos, a literatura atual estabelece uma distinção morfológica importante: o aneurisma (AAC) é uma dilatação focal, com diâmetro 1,5 vez maior que um segmento normal adjacente, enquanto a ectasia (EAC) denota uma dilatação difusa, acometendo mais de 50% da extensão do vaso (Esposito et al., 2021; Luo et al., 2017). A compreensão dessa diferença é o ponto principal para explicar suas distintas repercussões clínicas e prognósticas.
A etiologia dessas dilatações é diversa, porém a aterosclerose constitui o mecanismo predominante em mais de 90% dos casos em adultos (Sheikh et al., 2019; Matta et al., 2021). A patogênese do aneurisma aterosclerótico está ligada a um processo de remodelamento positivo, uma resposta inicial da parede arterial à formação da placa aterosclerótica. Nesse fenômeno, o vaso se expande para fora, na tentativa de acomodar o crescimento da placa e preservar o lúmen, um mecanismo que pode retardar o aparecimento de estenoses significativas (Falk, 2006). Contudo, quando esse remodelamento se torna excessivo e patológico, ele leva à dilatação aneurismática. O processo é mediado pela destruição progressiva da túnica média, a camada muscular e elástica da artéria, que perde sua integridade estrutural e capacidade de conter a pressão sanguínea (Nichols et al., 2008).
No nível bioquímico, o enfraquecimento da parede arterial é um desequilíbrio proteolítico. (Yetkin; Waltenberger, 2007). Esse ambiente de degradação da matriz extracelular, perpetuado por um estado inflamatório crônico com infiltração de macrófagos e linfócitos, compromete a capacidade do vaso de suportar a pressão intraluminal, resultando em dilatação progressiva (Eitan; Roguin, 2016). Outras condições, como a Doença de Kawasaki, doenças do tecido conjuntivo e infecções (levando a aneurismas micóticos), também podem causar aneurismas por mecanismos que, em última análise, convergem para essa mesma via de fragilização da parede vascular (Kawsara et al., 2018).
Os aneurismas coronários são a fonte de graves repercussões clínicas, a maioria de natureza trombótica. As alterações geométricas do vaso geram um fluxo sanguíneo turbulento e lento, promovendo estase e criando um nicho altamente propício à ativação plaquetária e da cascata de coagulação. A principal consequência é a trombose in situ, que consiste na formação de um coágulo diretamente no interior do segmento aneurismático. Este trombo pode ocluir completamente o vaso, causando uma síndrome coronariana aguda (SCA), ou fragmentar-se, resultando em embolização para a microcirculação distal (Kawsara et al., 2018; Matta et al., 2021). Durante uma intervenção coronária percutânea (ICP) para tratar uma SCA, a alta carga trombótica dentro do aneurisma representa um desafio significativo. A manipulação instrumental pode deslocar esse material, obstruindo a microcirculação e gerando o fenômeno de no-reflow. Nesse cenário paradoxal, apesar da recanalização bem-sucedida da artéria epicárdica, o miocárdio não recebe perfusão sanguínea adequada, o que resulta em maiores áreas de infarto e piores desfechos clínicos (Doi et al., 2017; Esposito et al., 2021).
Diante do potencial para eventos adversos graves, o manejo de pacientes com aneurismas coronários representa um dilema clínico. A literatura carece de ensaios clínicos randomizados que estabeleçam uma estratégia de manejo superior, refletindo-se na ausência de diretrizes específicas para a condição (Zhu et al., 2021). As decisões sobre a melhor abordagem — seja conservadora com terapia antitrombótica, intervenção percutânea com stents recobertos e embolização com molas, ou correção cirúrgica — são frequentemente individualizadas, baseadas em pequenas séries de casos ou consensos de especialistas, sem uma clara estratificação de risco fundamentada nas características morfológicas dos aneurismas (Kawsara et al., 2018; Matta et al., 2022).
Frente a este cenário, torna-se fundamental sintetizar o conhecimento disponível para melhor compreender como as características dos aneurismas influenciam seus desfechos. Portanto, o presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura para analisar as repercussões clínicas e o prognóstico em pacientes adultos com aneurismas de artérias coronárias, considerando suas características morfológicas, como tamanho e localização.
2 METODOLOGIA
Foi realizada uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de analisar as repercussões clínicas e o prognóstico em pacientes adultos com aneurismas de artérias coronárias, considerando suas características morfológicas, como tamanho e localização.
Estratégia de busca
A busca foi conduzida nas bases de dados PubMed e SciELO, no período de abril a julho de 2025. A estratégia foi construída utilizando uma combinação de descritores controlados — MeSH (Medical Subject Headings) e DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) — e palavraschave livres, articulados por meio dos operadores booleanos “AND” e “OR”.
Foram incluídos descritores referentes à condição de interesse (“Coronary Artery Aneurysm”, “Coronary Artery Dilatation”, “Coronary Aneurysm”, “coronary artery ectasia”), às características morfológicas (“Size”, “Diameter”, “Location”, “Morphology”), aos desfechos clínicos (“Myocardial Infarction”, “Thrombosis”, “Mortality”, “Major Adverse Cardiovascular Events”) e à exclusão de estudos sobre Doença de Kawasaki. A estratégia foi adaptada para cada base de dados, considerando suas particularidades de indexação.
Critérios de inclusão e exclusão
Foram incluídos artigos que abordassem aneurismas de artérias coronárias em adultos; relacionassem características morfológicas (tamanho e localização) com repercussões clínicas e prognóstico; fossem estudos humanos ou revisões sistemáticas; publicados em português, inglês ou espanhol; com texto completo disponível; e publicados entre 2000 e 2025. Foram excluídos artigos sobre aneurismas de origem exclusivamente Kawasaki, congênita ou pediátrica; estudos que abordassem apenas diagnóstico por imagem sem correlação clínica; trabalhos duplicados; resumos, editoriais e cartas ao editor.
Processo de seleção dos estudos e análise de dados
A seleção foi realizada em três etapas por dois revisores independentes:
(1) Leitura de títulos e resumos; (2) Leitura na íntegra dos artigos elegíveis; e (3) Avaliação crítica do conteúdo.
Divergências foram resolvidas por consenso. Dos artigos incluídos, foram extraídas informações sobre autoria, tipo de estudo, características do aneurisma, repercussões clínicas, perfil populacional e principais conclusões. Os dados foram organizados de forma descritiva e categorizados nos três eixos que estruturam a seção de Resultados e Discussão, buscando construir uma interpretação dos achados para responder integralmente à pergunta de pesquisa.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Características Morfológicas Dos Aneurismas
A literatura recente estabelece uma distinção fundamental entre aneurisma da artéria coronária (AAC), uma dilatação focal, e ectasia da artéria coronária (EAC), uma dilatação difusa, sendo ambas definidas por um diâmetro 1,5 vezes maior que o do segmento normal adjacente (Luo et al., 2017; Kawsara et al., 2018). Os AACs são classificados morfologicamente em saculares (diâmetro transversal > longitudinal) e fusiformes (diâmetro longitudinal > transversal), enquanto a EAC é caracterizada por um alargamento que acomete mais de um terço do comprimento do vaso (Sheikh et al., 2019; Esposito et al., 2021).
A localização e o padrão de acometimento emergem como um diferenciador chave. Os AACs afetam predominantemente um único vaso (80% dos casos), com maior predileção pela artéria descendente anterior (DA), um padrão que se assemelha ao da doença arterial coronariana (DAC) aterosclerótica (Candreva et al., 2025; Núñez-Gil et al., 2020). Em contrapartida, a EAC demonstra uma tendência a um acometimento multivascular e difuso, com a artéria coronária direita (CD) sendo o vaso mais frequentemente envolvido, seguida pela artéria circunflexa (CX) (Willner et al., 2020; Luo et al., 2017).
O tamanho do aneurisma é um fator morfológico de grande relevância. Aneurismas são classificados como “gigantes” quando seu diâmetro excede 20 mm ou é quatro vezes maior que o vaso de referência em adultos (Kawsara et al., 2018; Sheikh et al., 2019). Essa característica está diretamente associada a um risco aumentado de complicações graves, como ruptura e compressão de estruturas cardíacas adjacentes (Zhu et al., 2021). Além disso, o diâmetro longitudinal do aneurisma foi identificado como um preditor independente de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos maiores (MACCE) (Matta et al., 2022).
Finalmente, uma característica morfológica predominante é a forte associação dos aneurismas com a DAC obstrutiva. Estudos demonstram que a coexistência com estenoses ateroscleróticas significativas ocorre na maioria dos pacientes, com taxas que variam de 75% a mais de 90% (Willner et al., 2020; Candreva et al., 2025; Khubber et al., 2021). De fato, a gravidade da aterosclerose, quantificada pelo Escore de Gensini, é significativamente maior em pacientes com AAC focal do que naqueles com EAC difusa, sugerindo que o AAC é uma manifestação mais agressiva do processo aterosclerótico (Luo et al., 2017).
Repercussões Clínicas Associadas
Embora muitos aneurismas coronários sejam achados incidentais em angiografias, eles podem levar a um amplo espectro de manifestações clínicas (Kawsara et al., 2018; Matta et al., 2021). A repercussão clínica mais comum é a angina estável, que pode ocorrer mesmo na ausência de estenoses obstrutivas significativas (Sheikh et al., 2019). O mecanismo subjacente, particularmente na EAC, é a isquemia induzida pelo fluxo coronário lento (slow-flow), resultado da turbulência sanguínea e da estase dentro dos segmentos dilatados, que leva à disfunção microvascular (Eitan; Roguin, 2016).
A complicação mais frequente é a síndrome coronariana aguda (SCA). Os mecanismos para a SCA em vasos aneurismáticos incluem a trombose in situ, facilitada pela estase sanguínea, e a embolização distal de fragmentos de trombo para a microcirculação (Esposito et al., 2021; Kawsara et al., 2018). Pacientes com SCA em artérias ectásicas frequentemente apresentam uma alta carga trombótica, o que torna a intervenção coronária percutânea (ICP) mais desafiadora e associada a uma maior incidência do fenômeno de no-reflow (Doi et al., 2017; Eitan; Roguin, 2016).
As repercussões clínicas também variam conforme o tamanho do aneurisma. Aneurismas gigantes, embora raros, podem causar sintomas por compressão extrínseca de estruturas adjacentes, como câmaras cardíacas ou a artéria pulmonar (Sheikh et al., 2019; Matta et al., 2021). Já a ruptura do aneurisma é uma complicação rara, porém frequentemente fatal, resultando em tamponamento cardíaco e morte súbita, sendo uma preocupação maior em aneurismas gigantes e naqueles de etiologia infecciosa ou inflamatória, como na Doença de Kawasaki (Zhu et al., 2021; Restrepo et al., 2020).
Outra repercussão clínica relevante é o desenvolvimento de aneurismas iatrogênicos após ICP, especialmente com o uso de stents farmacológicos. Acredita-se que reações de hipersensibilidade tardia ao polímero do stent, associadas a uma cicatrização vascular inadequada, possam levar ao enfraquecimento da parede e à formação de aneurismas meses ou anos após o procedimento (Esposito et al., 2021; Sheikh et al., 2019).
Prognóstico Conforme o Perfil Do Paciente
O prognóstico de pacientes com AAC é influenciado diretamente pelo perfil morfológico do aneurisma e pela presença de Doença Arterial Coronariana (DAC) concomitante, desafiando a antiga percepção de que esta seria uma condição benigna (Doi et al., 2017; Candreva et al., 2025).
Uma das descobertas mais impactantes da literatura recente é a diferença prognóstica entre os tipos de dilatação. O registro CAESAR (Coronary Artery Ectasia and Aneurysm Registry) demonstrou que a presença de AAC focal está associada a um pior prognóstico a longo prazo em comparação com a EAC difusa (Candreva et al., 2025). Pacientes com AAC apresentaram um risco 2,26 vezes maior de eventos cardiovasculares adversos maiores, impulsionado por um risco 5 vezes maior de infarto do miocárdio não fatal e uma necessidade significativamente maior de revascularização futura (Candreva et al., 2025). Isso sugere que a morfologia focal, mais ligada à instabilidade da placa aterosclerótica, confere um perfil de maior risco para eventos agudos.
O perfil do paciente em relação à presença de DAC obstrutiva também é um fator prognóstico crucial. Em um estudo comparativo, pacientes com doença mista (EAC associada à DAC) apresentaram taxas de eventos adversos significativamente mais altas (48,8%) em um seguimento de 6 anos, em comparação com pacientes com EAC isolada (25%) (Willner et al., 2020). Este achado indica que, embora a ectasia por si só represente um risco, a carga aterosclerótica obstrutiva continua sendo um dos principais motores de eventos adversos. Este ponto é apoiado por um estudo de seguimento de longo prazo que demonstrou que a dimensão da ectasia permanece relativamente estável ao longo dos anos, enquanto a estenose aterosclerótica associada continua a progredir, tornando-se o componente dinâmico e mais perigoso da doença (Liu et al., 2021).
O tamanho do aneurisma também modula o prognóstico. Conforme mencionado, aneurismas gigantes estão associados a uma maior morbimortalidade devido ao risco de complicações mecânicas e trombóticas (Sheikh et al., 2019). Além disso, um estudo identificou o diâmetro longitudinal do aneurisma como um preditor independente para a ocorrência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos maiores, reforçando que a dimensão da dilatação é um marcador de risco contínuo (Matta et al., 2022).
Por fim, apesar da importância desses fatores morfológicos, o prognóstico não parece ser significativamente alterado pela estratégia de manejo escolhida. Análises multivariadas de diferentes coortes não encontraram diferenças estatisticamente significantes nas taxas de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos maiores a longo prazo entre pacientes tratados com terapia médica, ICP ou cirurgia de revascularização miocárdica (Khubber et al., 2021; Matta et al., 2022). No entanto, o registro CAAR (Coronary Artery Aneurysm Registry) sugere que, quando a ICP é realizada, o uso de stents farmacológicos de nova geração é superior aos stents convencionais em termos de sobrevida livre de eventos (Núñez-Gil et al., 2020), indicando que o tipo de intervenção, quando escolhida, pode impactar o prognóstico.
4 CONCLUSÃO
Esta revisão demonstra que os aneurismas de artérias coronárias não constituem uma entidade clínica homogênea. Suas repercussões clínicas e prognóstico são profundamente modulados por suas características morfológicas, com uma distinção fundamental entre as dilatações focais (aneurismas verdadeiros) e as difusas (ectasias).
Conclui-se que os aneurismas focais (AAC) apresentam uma associação mais robusta com o processo aterosclerótico e conferem um prognóstico significativamente pior a longo prazo, com um risco elevado para a ocorrência de eventos coronarianos agudos, como o infarto do miocárdio. Em contrapartida, a ectasia difusa (EAC), embora fisiopatologicamente relevante por induzir isquemia através do fenômeno de fluxo lento, está associada a um perfil de risco comparativamente melhor.
Adicionalmente, o tamanho do aneurisma emergiu como um preditor independente de desfechos adversos, reforçando que a dimensão da dilatação é um marcador contínuo de risco. A presença de doença arterial coronariana obstrutiva concomitante também se mostrou um fator crucial, agravando significativamente o prognóstico dos pacientes.
Por fim, a ausência de uma estratégia de manejo — seja ela clínica, percutânea ou cirúrgica — que demonstre superioridade clara na literatura atual, transparece a necessidade de uma abordagem individualizada, baseada em uma criteriosa avaliação morfológica e no perfil clínico de cada paciente. Futuros estudos prospectivos e randomizados são essenciais para elucidar as melhores terapias e refinar as diretrizes de tratamento para os diferentes perfis de aneurismas coronários, visando melhorar os desfechos clínicos nesta população de alto risco.
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1Médica Residente de Clínica Médica do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga-SP – E-mail: thais.molem@gmail.com
