DENTISTRY AND ANXIETY: THE IMPORTANCE OF MONITORING VITAL SIGNS IN SURGICAL PROCEDURES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510301452
Isabela Martinazzo de Carvalho
Luis Otavio Jonas
Thaísa Borges Santos
Thayane Borges Santos
Resumo
Este trabalho tem como objetivo destacar a importância do monitoramento dos sinais vitais durante procedimentos odontológicos, especialmente em situações cirúrgicas, considerando a influência da ansiedade no estado fisiológico do paciente. A ansiedade pode causar alterações significativas nos sinais vitais, como aumento da pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, tornando o monitoramento essencial para a detecção precoce de riscos. Por meio de uma revisão de literatura, foram analisadas estratégias para controle da ansiedade no pré, trans e pós-operatório, como o uso de ansiolíticos, técnicas de relaxamento e cromoterapia, além do papel da equipe de saúde na avaliação e intervenção rápida. O avanço tecnológico contribui para um acompanhamento mais preciso, com dispositivos de monitoramento que aumentam a segurança e eficácia dos procedimentos. Emergências clínicas, como síncope, taquicardia e hipoglicemia, podem ser evitadas com um protocolo bem estruturado de avaliação dos sinais vitais. A integração entre o cuidado físico e emocional é essencial para um atendimento odontológico humanizado e seguro. O estudo conclui que o monitoramento deve ser uma prática padrão, promovendo a estabilidade clínica e melhorando os resultados do tratamento.
Palavras-chave: Avaliação; Medo; Segurança.
Abstract
This study aims to highlight the importance of monitoring vital signs during dental procedures, especially in surgical situations, considering the influence of anxiety on the patient’s physiological state. Anxiety can cause significant changes in vital signs, such as increased blood pressure, heart rate, and respiratory rate, making monitoring essential for the early detection of risks. Through a literature review, strategies for anxiety control in the pre-, intra-, and postoperative periods were analyzed, including the use of anxiolytics, relaxation techniques, and chromotherapy, as well as the role of the healthcare team in rapid assessment and intervention. Technological advancements contribute to more precise monitoring, with devices that enhance the safety and effectiveness of procedures. Clinical emergencies such as syncope, tachycardia, and hypoglycemia can be prevented with a well-structured protocol for vital sign assessment. The integration of physical and emotional care is essential for safe and humanized dental care. The study concludes that monitoring should be a standard practice, promoting clinical stability and improving treatment outcomes.
Keywords: Evaluation; Fear; Safety.
Introdução
Um aspecto essencial a ser considerado é a aferição dos sinais vitais, pois esses parâmetros revelam as condições clínicas do paciente no momento do atendimento, possibilitando identificar situações como hipertensão, síndrome do jaleco branco e taquicardia. Para um tratamento bem-sucedido é fundamental levar em consideração as condições do paciente (Amaral; Marsico; Amaral, 2022).
O acompanhamento dos sinais vitais é indispensável para garantir a segurança do paciente, favorecendo a estabilidade fisiológica e a pronta identificação de alterações críticas (Pereira; Santos, 2022).
Nesse processo, a atuação da equipe de saúde é essencial, uma vez que é responsável pelo acompanhamento contínuo desses parâmetros, devendo possuir competência para reconhecer modificações e intervir prontamente diante de qualquer anormalidade (Oliveira; Reis; Cruz; Nogueira, 2020).
Com o avanço tecnológico, o cuidado tem sido significativamente aprimorado, principalmente na vigilância dos sinais vitais. Equipamentos eletrônicos e plataformas de monitoramento à distância permitem a identificação precoce de alterações fisiológicas, gerando alertas imediatos e otimizando a atuação da equipe frente a situações que podem se agravar (Costa; Almeida, 2021).
A ansiedade, por sua vez, apresenta origem multifatorial e envolve sentimentos como aflição, tensão, angústia e perturbação, que geram desconforto, agitação e impaciência no indivíduo (Lira, 2020). Essa condição exerce influência direta sobre os sinais vitais, podendo alterar a frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial. O monitoramento possibilita identificar tais variações antes, durante e após os procedimentos, favorecendo medidas preventivas para evitar eventos indesejados e garantindo maior segurança no atendimento. Assim, é possível reduzir a expectativa de dor, controlar a inquietação e evitar intercorrências durante os procedimentos clínicos (Lira, 2020).
Analisar a importância do monitoramento dos sinais vitais no atendimento em saúde, com ênfase na influência da ansiedade e no papel das tecnologias na detecção precoce de alterações clínicas.
Este trabalho tem o objetivo de ressaltar a importância de se realizar o monitoramento dos sinais vitais que é uma prática essencial na assistência em saúde, permitindo identificar precocemente alterações clínicas e oferecer um atendimento mais seguro.
Material e Métodos
O presente trabalho consiste em uma revisão de literatura que tem como objetivo reunir conhecimentos acerca da ansiedade em procedimentos cirúrgicos odontológicos e sua influência nos sinais vitais durante o atendimento. Trata-se de uma pesquisa sem caráter invasivo, que busca ressaltar a importância do monitoramento dos sinais vitais a partir da análise de estudos já publicados, de modo a identificar possíveis alterações e propor estratégias para seu controle.
Para a construção do estudo, foram selecionados artigos científicos voltados à área da saúde e odontologia, obtidos em bases de dados de acesso público e científico, como o Google Acadêmico, LILACS e revistas científicas especializadas. A seleção dos materiais considerou a relevância do tema, a atualidade das publicações e a contribuição dos estudos para a compreensão da relação entre ansiedade, alterações nos sinais vitais e a necessidade de monitoramento durante o atendimento odontológico.
Resultados e Discussão
O QUE SÃO SINAIS VITAIS?
Os sinais vitais são parâmetros essenciais para a avaliação das funções básicas do organismo, indicando o estado geral de saúde do paciente. Entre os principais sinais vitais estão a pressão arterial, a frequência cardíaca, a oximetria de pulso, a temperatura corporal e a frequência respiratória. A pressão arterial mensura a capacidade e a eficiência do sistema cardiovascular, sendo considerada normal quando a pressão sistólica está abaixo de 120 mmHg e a diastólica abaixo de 80 mmHg. A frequência cardíaca, expressa em batimentos por minuto, serve para monitorar as condições hemodinâmicas, identificar arritmias e analisar o efeito de medicamentos que influenciam a frequência, com valores ideais entre 60 e 100 batimentos por minuto. A oximetria de pulso mede a saturação de oxigênio no sangue, apresentando valores normais entre 95% e 100%. Já a temperatura corporal, geralmente aferida pela via axilar, deve variar entre 36°C e 37,2°C. Por fim, a frequência respiratória, contada em respirações por minuto, observa a regularidade dos ciclos respiratórios e deve estar entre 12 e 20 para ser considerada normal. A avaliação constante desses sinais é fundamental para o acompanhamento clínico, permitindo a detecção precoce de alterações no estado de saúde. (Potter et al., 2018; UFJF, 2019).
Os sinais vitais são indicadores da condição do paciente no momento de sua avaliação, podendo ocorrer mudanças a partir de: condições físicas, dor, perda de consciência, antes ou após procedimentos cirúrgicos. Também indicam o estado de saúde do paciente em relação ao funcionamento das funções circulatória, respiratória, neural e endócrina do corpo (Chrisostomo et al.,2019).
Em uma primeira consulta é necessário realizar a conferência dos sinais vitais, as informações coletadas com o paciente em repouso devem ser anexadas ao prontuário do paciente (Gomes et al., 2020).
EFEITOS DA ANSIEDADE NO CORPO
O medo e o estresse são reações emocionais mais frequentes, a ansiedade é uma tensão física que se combina ao sistema nervoso (Kunusoth et al.,2019).
Quando uma pessoa se encontra em situações de estresse, que geram ansiedade, o corpo libera alguns hormônios como a adrenalina e o cortisol. O aumento nos níveis de cortisol no corpo pode levar a alterações como o aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, aumento da glicose no sangue (Sousa, 2020).
Quando ocorrem alterações, alguns sinais podem ser percebidos: aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada, sudorese, tremores e até mesmo tontura. Em procedimentos é importante manter o controle e tentar tranquilizar o paciente utilizando técnicas de relaxamento e outras estratégias de redução do estresse, em alguns casos é necessária a intervenção médica ou terapêutica para ajudar a controlar (Sousa, 2020).
Em situações desafiadoras e momentos de ansiedade, para lidar com essa situação o Sistema Nervoso Autônomo envia para o corpo respostas, como maior fluxo sanguíneo para os músculos, dilatando as pupilas e aumento de frequência respiratória, de maneira que o corpo esteja preparado para uma fuga. O Sistema Nervoso Central interpreta estímulos do ambiente e desenvolve respostas apropriadas (Sousa, 2020).
Algumas situações em procedimentos odontológicos invasivos, como aplicação da injeção do anestésico ou em situações de perigo iminente, o medo gerado pode levar a uma percepção exagerada da dor, vale lembrar, que a relação entre medo e dor é complexa e pode variar de pessoa para pessoa. O medo pode afetar o sistema nervoso central, a percepção e regulação emocional, podendo amplificar a sensação de dor, levando a alterações como: desequilíbrio dos sinais vitais, respiração acelerada e tensão muscular, afetando corpo e mente (Pereira, 2019).
CONTROLE DE ANSIEDADE NO PRÉ, TRANS E PÓS-OPERATÓRIO?
A busca do máximo de informações, das condições e queixas do paciente é essencial para o profissional. Com elas pode-se obter um diagnóstico e tratamento eficaz garantindo a confiança do paciente. Por isso, acompanhar um paciente é importante para otimizar o tratamento, diminuir os efeitos de reações negativas e garantir a segurança e conforto do paciente (Pereira, 2019).
A cromoterapia é uma técnica que utiliza as cores de objetos e decoração para gerar harmonia e o equilíbrio corporal, mental e emocional, transformando o ambiente em um local aconchegante (Bento, 2018).
Os ansiolíticos são drogas sintéticas, que servem para amenizar a ansiedade durante os procedimentos cirúrgicos, também é uma opção para um tratamento tranquilo (Filho, 2023).
No contexto odontológico, a sedação consciente por via oral geralmente utiliza benzodiazepínicos como principais ansiolíticos, atribuída sua preferência à segurança comprovada, à simplicidade na administração das doses e à baixa incidência de interações medicamentosas negativas. Essa modalidade anestésica atua promovendo um estado de consciência diminuída, porém sem comprometer a função dos sistemas respiratório e cardiovascular. Importante destacar que o paciente se mantém durante todo o procedimento capaz de interagir e seguir as orientações do cirurgião-dentista (Filho, 2023).
FINALIDADE DO MONITORAMENTO
As cirurgias odontológicas, como a extração dentária, não deve ser vista como uma simples cirurgia, mas como um tratamento que abrange os dentes, o periodonto, a cavidade oral, o corpo e psicológico do paciente. Portanto, é muito importante registrar e estudar o comportamento fisiológico em extrações simples e complexas, para garantir que os parâmetros de monitoramento padrão não se desviem dos pontos de ajuste e permaneçam dentro de faixas aceitáveis (Prado, 2023).
Durante todos os procedimentos cirúrgicos odontológicos, especialmente os complexos, mais demorados e traumáticos, os dentistas podem se deparar com emergências relacionadas à ansiedade, como hipertensão, sudorese, taquicardia, vasoconstrição periférica, hiperventilação e crises hipoglicêmicas. O controle de dados críticos pode ajudar a identificar, prevenir e tratar essas emergências. Além disso, complicações da fase emergencial podem levar à síncope vasovagal em odontologia, que pode ser acompanhada de bradicardia, hipotensão e diminuição da saturação de oxigênio (Prado, 2023).
Além do desmaio, pode ocorrer hipoglicemia durante procedimentos odontológicos, sendo os sintomas mais comuns, sudorese, tremores, dificuldade de concentração, fraqueza e visão turva. Outras complicações emergenciais que podem ocorrer no consultório odontológico e alterar o SSVV do paciente incluem crises de asma, hiperventilação angina e hipotensão ortostática. Como resultado, é muito importante avaliar, interpretar e registrar o SSVV e NG de um paciente durante procedimentos odontológicos. Isso porque essas complicações podem ser prevenidas ou reduzidas quando ocorrerem (Prado, 2023).
EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
Os riscos de emergências em atendimentos odontológicos podem ser reduzidos ao identificar precocemente alterações sistêmicas no paciente. Uma anamnese detalhada ajuda a reconhecer condições que podem comprometer a saúde do paciente. A adoção dessas práticas preventivas simples aumenta significativamente a segurança durante o procedimento clínico (Gomes et al., 2020).
Em estudo com 127 pacientes, foram identificadas variações significativas nos sinais vitais, como pressão arterial, pulso, temperatura e frequência respiratória, incluindo casos de hipertensão, hipotensão, bradicardia, taquicardia, bradipneia e taquipneia. Esses dados ressaltam a importância do monitoramento constante desses parâmetros durante procedimentos odontológicos, especialmente considerando o impacto da ansiedade, que pode agravar tais alterações ao elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial. Dessa forma, o controle rigoroso da ansiedade no pré, trans e pós-operatório é essencial para assegurar o equilíbrio físico e emocional do paciente e otimizar a segurança e eficácia dos tratamentos cirúrgicos odontológicos (Lopes et al., 2018).
Conclusão
Conclui-se que o monitoramento contínuo dos sinais vitais em procedimentos odontológicos cirúrgicos é imprescindível para identificar e controlar os efeitos da ansiedade que podem comprometer a estabilidade clínica do paciente. A integração entre avaliação física e controle emocional, através de estratégias como ansiolíticos, técnicas de relaxamento e ambiente acolhedor, propicia um atendimento mais seguro e humanizado. É recomendável a adoção padrão desse monitoramento nos protocolos clínicos para evitar complicações e emergências, melhorar a experiência do paciente e otimizar o sucesso dos procedimentos. Estudos futuros podem aprofundar o impacto da ansiedade em diferentes tipos de procedimentos cirúrgicos e a eficácia das diversas estratégias de controle para aprimorar ainda mais a prática odontológica.
Referências
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