COMPLICAÇÕES INTRAOPERATÓRIAS NA CIRURGIA DE CATARATA: PREDITORES E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510301423


Maria Eduarda Soubhia Ferreira1
Gustavo de Barros Massote2
Enrico Franco Ribeiro Da Silva3
Natália Costa Freitas4
Alyne Maria Figueira de Alencar5


Resumo

A cirurgia de catarata é uma das intervenções oftalmológicas mais realizadas no mundo, com elevadas taxas de sucesso visual. No entanto, complicações intraoperatórias ainda representam um desafio significativo, podendo comprometer o prognóstico visual e aumentar a morbimortalidade ocular. Este artigo visa revisar os principais preditores associados às complicações durante o ato cirúrgico da facoemulsificação, bem como descrever estratégias de prevenção baseadas em evidências. Foram selecionados estudos publicados entre 2013 e 2023 nas bases PubMed, Scielo e Web of Science, incluindo revisões sistemáticas, estudos observacionais e ensaios clínicos com foco em fatores de risco, complicações e medidas preventivas intraoperatórias. Os principais preditores identificados incluíram idade avançada, cirurgia em olhos com pseudoexfoliação, pupilas pequenas, miopia elevada, catarata hipermadura e histórico de vitrectomia. As complicações mais frequentes foram ruptura de cápsula posterior, perda vítrea, luxação do núcleo e edema corneano. Estratégias como o uso de agentes midriáticos potentes, viscoelásticos de alta densidade, dilatação mecânica, avaliação pré-operatória criteriosa e capacitação cirúrgica contínua mostraram-se eficazes na redução de eventos adversos. Conclui-se que a identificação precoce dos fatores de risco e a adoção de condutas individualizadas são fundamentais para minimizar complicações intraoperatórias e garantir melhores desfechos visuais ao paciente.

Palavras-chave: Catarata; Complicações intraoperatórias; Facoemulsificação; Prevenção; Risco cirúrgico.

Introdução

A cirurgia de catarata é uma das intervenções oftalmológicas mais realizadas globalmente, sendo considerada um dos principais avanços na redução da cegueira evitável. Estima-se que, com o envelhecimento populacional, milhões de procedimentos de facoemulsificação sejam realizados anualmente, principalmente em países em desenvolvimento, onde a prevalência de catarata senil cresce de forma proporcional ao aumento da expectativa de vida. Apesar da ampla difusão da técnica e das elevadas taxas de sucesso visual, o procedimento não está isento de riscos, especialmente no que tange às complicações intraoperatórias.

Com o aprimoramento dos equipamentos cirúrgicos, da tecnologia dos facoemulsificadores e da capacitação dos profissionais, houve expressiva redução na taxa de complicações. No entanto, eventos adversos durante o ato cirúrgico ainda constituem preocupação relevante para oftalmologistas, serviços de referência e gestores de saúde. Entre as complicações intraoperatórias mais frequentemente relatadas destacam-se a ruptura da cápsula posterior, perda vítrea, desinserção zonular, luxação do núcleo e edema corneano. Tais intercorrências podem comprometer a integridade anatômica ocular, prolongar o tempo cirúrgico, demandar intervenções adicionais e afetar diretamente o prognóstico visual do paciente.

Os fatores de risco associados a essas complicações são multifatoriais e envolvem tanto características do paciente quanto aspectos técnicos do procedimento. Dentre os principais preditores estão: idade avançada, presença de comorbidades sistêmicas como diabetes mellitus, miopia patológica, pseudoexfoliação da cápsula anterior, pupilas pequenas, catarata hipermadura e histórico de cirurgias oculares anteriores. Adicionalmente, a experiência do cirurgião, a escolha da técnica cirúrgica, os parâmetros utilizados no facoemulsificador e a utilização de dispositivos auxiliares influenciam significativamente os desfechos intraoperatórios.

A avaliação pré-operatória criteriosa, com identificação de olhos de maior complexidade, permite o planejamento de abordagens cirúrgicas mais seguras e adaptadas ao perfil de risco. Estratégias preventivas amplamente descritas na literatura incluem o uso de viscoelásticos dispersivos ou coesivos conforme o caso, anéis de tensão capsular para estabilização da cápsula, dilatadores pupilares mecânicos, capsulorrexe guiada com corantes, ajuste de parâmetros de energia e fluídica e suporte de cirurgiões experientes em casos complexos. Essas medidas visam não apenas minimizar as complicações, mas também preservar estruturas nobres como o endotélio corneano, a zônula e a cápsula posterior.

Embora haja extensa produção científica sobre os resultados visuais e a eficácia da cirurgia de catarata, ainda existe uma lacuna considerável na sistematização das evidências relacionadas às complicações intraoperatórias e seus preditores. Muitos estudos priorizam desfechos pós-operatórios, enquanto aspectos críticos do intraoperatório permanecem menos discutidos em revisões clínicas. Diante disso, torna-se essencial reunir e analisar criticamente os achados mais recentes sobre os fatores de risco associados às complicações intraoperatórias e as estratégias de prevenção descritas na literatura médica, contribuindo assim para uma prática cirúrgica mais segura, individualizada e baseada em evidências.

Objetivo

Revisar os principais preditores e estratégias de prevenção das complicações intraoperatórias na cirurgia de catarata.

Metodologia

Este estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa de literatura com abordagem integrativa. Foi realizada busca bibliográfica nas bases de dados PubMed, Scielo e Web of Science entre os anos de 2013 e 2023. Os descritores utilizados foram: ‘Cataract Surgery’, ‘Intraoperative Complications’, ‘Risk Factors’, ‘Surgical Prevention’ e ‘Phacoemulsification’, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos em português, inglês e espanhol, disponíveis em texto completo, que abordassem complicações intraoperatórias na cirurgia de catarata, fatores preditivos e estratégias preventivas. Excluíram-se estudos duplicados, artigos que não enfocavam o intraoperatório ou que apresentavam relatos de casos isolados. Após triagem por título e resumo, 86 artigos foram selecionados para leitura completa, dos quais 17 preencheram os critérios de inclusão e foram utilizados na construção do artigo.

Resultados

Com base na análise dos 17 artigos selecionados entre 2013 e 2023, observou-se um conjunto robusto de evidências acerca dos principais preditores de complicações intraoperatórias na cirurgia de catarata e das estratégias cirúrgicas adotadas para mitigá-las. Os estudos incluíram desde ensaios clínicos randomizados até revisões sistemáticas e coortes multicêntricas, com populações variando entre 200 e 45.000 pacientes, permitindo uma visão abrangente das variáveis envolvidas no risco cirúrgico oftalmológico.

A idade avançada (acima de 75 anos) foi identificada como um preditor independente em 14 dos 17 estudos revisados, estando diretamente relacionada à maior incidência de ruptura da cápsula posterior, perda vítrea e desinserção zonular. Essa associação é atribuída à fragilidade das estruturas oculares, degeneração zonular e aumento da densidade do cristalino. Pacientes nessa faixa etária também demonstraram maior prevalência de comorbidades sistêmicas e oculares que agravam o prognóstico cirúrgico.

Além disso, a presença de pseudoexfoliação capsular, miopia elevada e histórico de cirurgias intraoculares, como vitrectomia posterior, foram mencionadas como importantes fatores de risco para intercorrências durante a facoemulsificação. Trabalhos como os de Grzybowski et al. (2015) e Chen et al. (2019) demonstraram que a densidade do cristalino e a hipermaturação do núcleo cristalino aumentam significativamente o tempo cirúrgico e a probabilidade de ruptura capsular, principalmente em pacientes com má dilatação pupilar.

Outro aspecto recorrente entre os achados foi a relação direta entre a experiência do cirurgião e a taxa de complicações. Cirurgiões em fase inicial da curva de aprendizado apresentaram maior prevalência de ruptura de cápsula posterior, perda vítrea e dificuldades no gerenciamento do núcleo. Uma metanálise que agregou dados de nove estudos, totalizando mais de 12.000 procedimentos, mostrou que a curva de aprendizado influencia de forma significativa os desfechos intraoperatórios, especialmente nos casos considerados complexos.

Para mitigar esses riscos, as estratégias mais citadas na literatura incluíram a utilização de viscoelásticos dispersivos de alta densidade, uso de anéis de dilatação pupilar, sistemas de orientação capsulorrexe com uso de corantes, bem como a supervisão direta por cirurgiões experientes durante procedimentos realizados por residentes. Essas medidas foram documentadas como custo-efetivas em pelo menos dez dos estudos analisados.

Vários estudos compararam técnicas distintas de facoemulsificação, como as abordagens horizontal (divide-and-conquer) versus vertical (phaco-chop), em casos de catarata hipermadura. Evidências indicam que a escolha apropriada da técnica, ajustada à densidade do núcleo e às condições anatômicas do olho, pode reduzir em até 30% a incidência de ruptura de cápsula posterior e outras complicações.

Especificamente, os trabalhos de Vasavada et al. (2017) e Haripriya et al. (2020) reforçam que a adoção de estratégias como hidrodelineamento precoce, separação das camadas nucleares e parametrização cuidadosa dos dispositivos de faco contribuem para minimizar lesões mecânicas ao endotélio corneano, além de facilitar a mobilização segura do núcleo. O ajuste dos níveis de energia e de aspiração nos aparelhos foi fundamental para preservar a câmara anterior e reduzir a turbulência intraocular.

A abordagem preventiva em pacientes com síndrome de pseudoexfoliação também foi destaque em quatro dos estudos. O uso de colírios midriáticos potentes no pré-operatório, aliado à realização de exames complementares como a ultrassonografia modo-B para avaliar a integridade zonular, permitiu a antecipação de dificuldades intraoperatórias e a definição prévia da necessidade de dispositivos auxiliares.

Nesse contexto, foi observada uma redução significativa — em até 45% — na ocorrência de luxação do cristalino ou da lente intraocular quando os anéis de tensão capsular foram empregados de forma profilática. Esses dispositivos conferem estabilidade mecânica à cápsula anterior e posterior, reduzindo a tração zonular durante a facoemulsificação em olhos com fragilidade anatômica evidente.

Por fim, os estudos convergiram na importância da personalização da abordagem cirúrgica com base em protocolos estruturados. A implementação de checklists e escalas de risco, como o Cataract Risk Stratification System (CRSS), contribuiu para a identificação precoce de olhos com alto risco de complicações e permitiu a designação de casos complexos para cirurgiões mais experientes, principalmente em centros acadêmicos.

Tais medidas, integradas a programas de capacitação contínua e simulação cirúrgica, mostraram-se eficazes na redução da variabilidade técnica e na padronização dos cuidados perioperatórios. Os dados analisados indicam que a excelência cirúrgica em catarata exige mais do que domínio técnico: depende de planejamento minucioso, estrutura institucional e uma cultura de segurança centrada no paciente.

Conclusão

A análise crítica dos 17 estudos incluídos nesta revisão permitiu compreender, de forma ampla e fundamentada, os principais fatores de risco associados às complicações intraoperatórias durante a cirurgia de catarata, além das estratégias clínicas e cirúrgicas propostas para sua prevenção. Apesar dos avanços significativos na tecnologia dos facoemulsificadores, na padronização das técnicas operatórias e na capacitação dos cirurgiões, eventos adversos intraoperatórios ainda representam desafios relevantes, especialmente em pacientes com perfil de maior vulnerabilidade, como idosos, portadores de doenças sistêmicas ou com alterações anatômicas oculares complexas.

Entre os fatores de risco mais recorrentes e consistentes identificados estão a idade avançada, a presença de pseudoexfoliação capsular, miopia patológica, pupilas mal responsivas à midríase farmacológica, cataratas hipermaduras e histórico de cirurgias intraoculares, como vitrectomia ou trauma ocular prévio. Essas condições comprometem a estabilidade da cápsula e da zônula, dificultam o controle do campo cirúrgico e aumentam o risco de ruptura capsular posterior, perda vítrea e luxação de fragmentos nucleares, exigindo condutas intraoperatórias de maior complexidade.

A experiência e o nível de treinamento do cirurgião também emergem como fatores críticos na prevenção de intercorrências, principalmente na condução de casos de alta complexidade. A curva de aprendizado demonstrou influência direta sobre o manejo seguro da cápsula posterior, na execução da capsulorrexe e na manipulação do núcleo e do córtex. Por isso, a supervisão especializada, a simulação cirúrgica e os protocolos estruturados de ensino são considerados pilares para a formação segura de novos profissionais.

As estratégias de prevenção destacadas nos artigos incluíram, de forma consistente, a realização de avaliação pré-operatória detalhada com identificação de olhos de alto risco, o uso de agentes midriáticos eficazes, dispositivos auxiliares como anéis de tensão capsular e dilatadores pupilares mecânicos, viscoelásticos específicos de acordo com a anatomia ocular, além do ajuste dos parâmetros de fluídica e ultrassom nos facoemulsificadores. A escolha da técnica cirúrgica, seja divide-and-conquer, phaco-chop ou outras variantes, deve ser adaptada à densidade do núcleo e às condições específicas de cada olho.

Observou-se também que centros oftalmológicos que adotam medidas institucionais de segurança, como checklists pré-operatórios, escalas de estratificação de risco e fluxos padronizados para casos complexos, tendem a apresentar menores taxas de complicações e melhores desfechos visuais. A integração entre planejamento cirúrgico individualizado, infraestrutura adequada e cultura de qualidade assistencial foi apontada como determinante para a prevenção de eventos adversos.

Dessa forma, conclui-se que a prevenção das complicações intraoperatórias na cirurgia de catarata exige uma abordagem sistemática e multidimensional, que envolva desde a triagem rigorosa do paciente, a capacitação técnica contínua do cirurgião, até o suporte institucional e tecnológico. O reconhecimento precoce dos preditores de risco, aliado à aplicação de estratégias fundamentadas em evidências, constitui o alicerce para a segurança cirúrgica e a excelência nos resultados visuais. A consolidação dessas práticas deve ser uma prioridade permanente na rotina dos serviços oftalmológicos, especialmente em tempos de crescente demanda e complexidade cirúrgica.

Referências

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1Centro Universitário Barão de Mauá (CBM)
Médico
duda.soubhia@hotmail.com

2Hospital São Geraldo – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Médico
g.b.massote@gmail.com

3Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMPINAS)
Médico
enrico.ribeiro9@gmail.com

4Instituto de Olhos Ciências Médicas de Minas Gerais (IOCM MG)
Médica
nataliacfreitas19@gmail.com

5Universidade Federal do Tocantins (UFT)
Médica
mfalencar.alyne@gmail.com