OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO NO CONTEXTO ESCOLAR: OS PROFESSORES ESTÃO CAPACITADOS?

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202508311448


Ana Laura Martins
Ana Julia Foglia
Anna Thereza Heemann Canal
Orientadora: Profa. Dra. Bárbara R. A. Mackevicius Do Nascimento
Coorientadora: Profa. Dra. Kelly Jacqueline Barbosa


RESUMO

A obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE) ocorre quando o alimento ou outro objeto atinge a traqueia ao invés do esôfago, podendo ser parcial ou completa, com risco de insuficiência respiratória ou óbito. As crianças, por apresentarem vias aéreas mais estreitas e língua proporcionalmente maior, são especialmente vulneráveis a esse evento. Como grande parte do tempo infantil é passada no ambiente escolar, episódios de OVACE podem ocorrer nesse contexto, ressaltando a importância do preparo dos professores para prevenção e intervenção. Estudos mostram que 50% dos óbitos por obstrução não houve qualquer tentativa de manobra pela população presente, revelando ausência de capacitação ou insegurança na execução do atendimento. Diante da necessidade de reduzir falhas no manejo da OVACE, foi criada a “Lei Lucas”, que estabelece a obrigatoriedade da capacitação de professores e funcionários em primeiros socorros em instituições públicas e privadas de educação básica e recreação infantil. OBJETIVO: Identificar, entre os profissionais da educação infantil, a capacidade de lidar com situações de obstrução das vias aéreas por corpo estranho. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo descritivo, transversal, com abordagem quanti-qualitativa, realizado com 32 funcionários de escolas, acerca do conhecimento sobre as manobras de desengasgo em crianças menores de 5 anos. RESULTADOS: A análise dos dados de 32 profissionais mostrou que a maioria já tinha algum conhecimento prévio em primeiros socorros, e 78,1% haviam feito algum curso sobre o tema. Apesar disso, ainda foram identificadas falhas no conhecimento técnico, principalmente em pontos práticos, como o momento de iniciar a RCP e o número correto de tapas interescapulares em casos de engasgo infantil.

Palavras-chaves: obstrução de vias respiratórias. Engasgo. Corpo estranho. Obstrução.

ABSTRACT

The obstruction of airways by a foreign body (FBAO) occurs when food or another object enters the trachea instead of the esophagus. This can be either partial or complete, posing a risk of respiratory failure or death. Children, due to having narrower airways and proportionally larger tongues, are especially vulnerable to such events. Since a large part of a child’s time is spent in the school environment, FBAO episodes can occur in this context, highlighting the importance of teacher preparedness for both prevention and intervention. Studies show that in 50% of deaths caused by obstruction, no attempt at performing any maneuver was made by bystanders, revealing a lack of training or confidence in providing care. In response to the need to reduce errors in FBAO management, the “Lucas Law” was established, making it mandatory for teachers and staff in both public and private early childhood education and recreational institutions to be trained in first aid.Objective: To identify, among early childhood education professionals, the ability to deal with situations of foreign body airway obstruction. Methodology: This was a descriptive, cross-sectional study with a quanti-qualitative approach, conducted with

Keywords airway obstruction. Choking. Foreign body. Respiratory obstruction.

1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

A obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE) configura-se como uma situação de emergência que pode resultar em oclusão parcial ou total das vias respiratórias, com potencial comprometimento da respiração e risco iminente de óbito (LE et al, 2019; YOGO et al, 2019). Esse tipo de obstrução ocorre quando um corpo estranho, geralmente alimentos (sólidos ou líquidos), é aspirado para a traqueia ao invés de ser direcionado ao esôfago, levando a sinais clínicos como tosse, dispneia e cianose, podendo evoluir para situações mais graves, caso não seja rapidamente identificado e tratado (BRASIL, 2017; BONETTI; GÓES, 2017).

A gravidade dos sintomas relacionados à aspiração de corpos estranhos depende de fatores diversos como o grau da obstrução, a idade do paciente, o tempo decorrido desde o evento e o tipo de objeto aspirado. Estudos indicam que, em muitos casos, o diagnóstico de OVACE é tardio, com uma estimativa de que o diagnóstico dentro das primeiras 24 horas do incidente ocorra em apenas 50-60% dos casos (TAN et al, 2000; LAYA et al, 2017; KORYCKA et al, 2024). As crianças, devido às suas características anatômicas — vias aéreas menores e uma língua proporcionalmente maior — apresentam maior vulnerabilidade a obstruções, especialmente por objetos de menor tamanho, além de apresentarem por vezes, tosses menos efetivas, o que aumenta o risco de obstrução completa das vias aéreas (NGAMSANGA et al, 2023; BIELINSKI et al, 2024).

Essa emergência representa 53% dos acidentes na infância no nível mundial, apontada como a terceira maior causa de morte evitável nos Estados Unidos em 2020. No Brasil foi identificada entre as dez primeiras causas de óbito na pediatria, sendo a primeira por causa externa, sendo a incidência é maior em crianças com menos de 3 anos de idade. (FRANÇA et al,2017; NAGATA et al, 2018, YOGO et al, 2019, THE NATIONAL, 2020).

Além disso, no Japão, a obstrução de via aérea por corpo estranho foi apontada como uma das principais causas de morte acidental, com uma taxa de incidência de 7,4 por 100.000 habitantes/ano. (MINISTRY, 2018)

Em Franca, um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, aconteceram dois casos envolvendo crianças em menos de uma semana. M. M. R. A. B., de 5 anos, veio a óbito após ser encontrado desacordado dentro de uma piscina, em uma chácara logo após ter pegado um pedaço de carne e ido nadar . A segunda vítima foi F. H. S., de 9 anos, que teria se engasgado com um pedaço de pão em sua própria casa. Ambos foram socorridos pela equipe do Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas sem sucesso nas ressuscitações. (ATLAS EDUCACIONAL, 2024). Em concordância com a Sociedade Brasileira de Pediatria, nota-se maiormente, nas crianças do sexo masculino, na faixa etária de 1 a 3 anos a aspiração de corpo estranho. Por volta de 50% das aspirações advêm em crianças menores de 4 anos e mais de 94% antes dos 7 anos de idade. (MINISTÉRIO, 2022)

A análise dos índices de mortalidade infantil, que refletem as condições de saúde, educação e saneamento, mostra que, no Brasil, as mortes infantis por causas evitáveis continuam a representar um grande desafio. Em 2021, a taxa de mortalidade infantil aumentou em 3,8%, com a obstrução das vias aéreas por corpo estranho sendo a principal causa de óbito em menores de 6 anos entre 2012 e 2020, com um total de 3.106 óbitos (BRASIL, 2023; JUSTINO et al, 2020; MINISTÉRIO, 2022). A modificação na textura dos alimentos e a aplicação de técnicas específicas para a preparação dos mesmos são medidas recomendadas para reduzir o risco de asfixia e, consequentemente, a ocorrência de OVACE (Hemsley et al., 2019; Manduchi et al., 2021).

O papel da intervenção precoce é crucial. Manobras de primeiros socorros, se realizadas corretamente, são o principal fator preditivo para a sobrevida em casos de obstrução grave, destacando a importância da capacitação da população em tais técnicas. No entanto, dados indicam que até 50% das mortes ocorrem sem qualquer tentativa de intervenção, indicando a necessidade de maior capacitação e confiança da população na execução das manobras de resgate (NGAMSANGA et al, 2023; IGARASHI et al, 2022). O atraso no atendimento, especialmente em situações de obstrução completa das vias aéreas, pode resultar em hipóxia, insuficiência respiratória, parada cardíaca e danos neurológicos graves, além de aumentar o risco de morte cerebral. A taxa de sobrevivência para parada cardíaca pediátrica fora do ambiente hospitalar devido a obstrução por corpo estranho permanece sendo extremamente baixa (LOTT et al, 2021; IGARASHI, 2017; NGAMSANGA et al, 2023; BIELINSKI et al, 2024 ).

Trata-se de uma emergência potencialmente evitável, que pode evoluir para óbito, mas apresenta possibilidade de reversão quando há intervenção imediata por testemunhas. Nesse contexto, torna-se essencial a difusão de conteúdos que ampliem o acesso à informação e favoreçam a multiplicação do conhecimento.(BRKIC et al, 2018; SILVA et al, 2021).

Em resposta a essa realidade, foi criada a“Lei Lucas”, sancionada em 2018, que estabelece a obrigatoriedade de capacitação de profissionais em escolas e instituições de educação infantil sobre primeiros socorros, visando a redução dos acidentes envolvendo crianças e a melhoria na resposta em situações de emergência (BRASIL, 2018). Com o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e atingir as metas estabelecidas pelas Nações Unidas, é essencial a implementação de políticas públicas eficazes que promovam a educação e a formação contínua de profissionais e da comunidade em geral, especialmente no que tange ao manejo de obstruções das vias aéreas por corpo estranho (OPAS, 2015).

Apesar dos avanços em assistência médica e resposta a emergências, o manejo rápido e eficiente de casos de engasgo permanece sendo um desafio importante. O treinamento em primeiros socorros para cuidadores, educadores e profissionais de saúde é fundamental para reduzir as consequências desses casos e aumentar a prontidão geral da comunidade (KORYCKA et al, 2024). As crianças passam grande parte do seu tempo no ambiente escolar, diante disso, é comum que ocorram acidentes, sendo essas intercorrências diversas, o que torna necessário o conhecimento acerca da prevenção e intervenção em situações de emergência por parte dos professores (GRIMALDI et al, 2020).

Neste contexto, a presente pesquisa visa investigar as práticas de prevenção e resposta a situações de OVACE em escolas de educação infantil no Município de Franca, com o intuito de propor estratégias que possam contribuir para a redução da mortalidade infantil associada a essa causa e aprimorar a capacitação de profissionais e da comunidade, alinhando-se aos esforços globais e nacionais para a melhoria da saúde pública infantil.

2. OBJETIVOS DA PESQUISA

2.1  OBJETIVOS GERAIS

O objetivo geral deste estudo foi identificar o nível de compreensão e habilidade dos profissionais da educação infantil em lidar com obstruções das vias aéreas por corpo estranho em ambientes escolares.

2.2  OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Comparar o treinamento e conhecimento sobre a questão técnica da manobra entre os profissionais da rede pública e privada;
  • Analisar o índice de retenção de aprendizados das manobras para profissionais que já tiverem algum treinamento do Suporte Básico de Vida;
  • Avaliar se realmente estão capacitados e se sentem seguros para realizar-lá;
  • Motivar o treinamento para todos os profissionais da área da educação;

    3. HIPÓTESE

    H0: Há capacitação entre os profissionais das escolas públicas e privadas do município de Franca e região para atuarem em situações de engasgo nos menores de 5 anos de idade?

    H1: Há divergência na oferta de preparação para atuação no cenário de desobstrução de vias aéreas entre profissionais das escolas da rede pública e privada?

    H2: Há conhecimento e/ou preparo por parte dos profissionais das escolas para reconhecer e realizar manobras de desobstrução de vias aéreas em bebês e crianças diante de uma situação de engasgo?

    4. METODOLOGIA

    4.1  DEFINIÇÃO DO TIPO DE CENÁRIO

    Tratou-se de um estudo descritivo, transversal, com abordagem quanti-qualitativa acerca do conhecimento dos funcionários das escolas sobre as manobras de desengasgo em crianças menores de 5 anos. O presente estudo foi realizado com funcionários de escolas públicas e privadas em uma cidade no interior do estado de São Paulo.

    4.2  CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

    O estudo englobou funcionários de escolas públicas e privadas do município de Franca-SP, que trabalhavam em escolas com crianças menores de 5 anos e que aceitaram participar da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

    4.3  CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

    Foram excluídos da pesquisa funcionários que não trabalhavam em escolas com crianças menores de 5 anos e funcionários que não assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou não concordaram em participar por outro motivo.

    4.4  DETALHAMENTO DO INSTRUMENTO

    Foi elaborado, através da plataforma Google Forms, um instrumento de coleta de dados que consistiu em um questionário estruturado, dividido em sessões temáticas (Apêndice F). Foram coletados dados como informações gerais dos participantes (sexo, idade, rede de ensino, função, tempo de atuação, graduação e faixa etária atendida) e questões sobre primeiros socorros (curso prévio, conduta diante de engasgo, sinais indicativos e contato do SAMU). O instrumento abordou também, aspectos específicos do cenário de engasgo, incluindo Manobra de Heimlich, posição correta de desengasgo e conhecimento sobre PCR. No caso de profissionais que possuíam treinamento específico, uma sessão adicional foi elaborada a fim de identificar dados sobre aproveitamento do treinamento, técnicas aprendidas, conhecimento da “Lei Lucas”, execução correta das manobras e manejo de uma parada cardiorrespiratória.

    4.5  ANÁLISE DE DADOS

    Os dados obtidos foram analisados de forma quantitativa e qualitativa. Inicialmente, foram agrupados em planilhas, tabelas e gráficos criados pelo software Microsoft Office Excel. Foram avaliadas as respostas obtidas através do formulário associado ao TCLE (Apêndice F), devidamente assinado pelos funcionários das instituições.

    4.6  ASPECTOS ÉTICOS

    Seguindo a Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, a pesquisa considerou o respeito pela dignidade humana e proteção aos participantes das pesquisas científicas envolvendo seres humanos. Dessa forma, o estudo foi enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Municipal de Franca antes de sua implementação e aprovado sob o parecer número 7.761.176.

    4.7  RISCO DA PESQUISA

    A pesquisa não apresentou riscos nos aspectos morais, éticos ou acadêmicos para a população estudada. O risco mínimo foi quanto à quebra de sigilo, e foi minimizado garantindo a privacidade dos dados e o anonimato dos participantes.

    4.8  BENEFÍCIOS DA PESQUISA

    O estudo visou contribuir para a identificação e entendimento dos profissionais para atuar de forma efetiva em um cenário de necessidade de realização de manobra de desobstrução de vias aéreas em menores de 5 anos, entendendo suas dificuldades.

    5. PLANO DE TRABALHO

    No plano de trabalho foram necessárias 3 etapas:

    5.1  ETAPA 1: ESTUDO REFERENCIAL TEÓRICO

    Fase crucial, que serviu de fundamento para o trabalho, iniciando-se com uma revisão teórica realizada pelos pesquisadores sobre definição de engasgo, o índice de engasgo, manobras de atendimento inicial em casos de obstrução das vias aéreas por corpos estranhos e a identificação dos sinais de alerta nessa situação.

    5.2  ETAPA 2: ARMAZENAMENTO DE DADOS

    O período de armazenamento de dados é de cinco anos conforme resolução 466/12, e a mídia de armazenamento de dados também foi descrita, optando-se por armazenar em dispositivo móvel particular das pesquisadoras, protegido por senha, visando a segurança de dados dos participantes. Além disso foi descrito o meio de escolha para coleta de dados, optando-se pelo Formulários do Google visto que as pesquisadoras e as orientadoras conseguissem acesso de dados e edição de forma concomitante. A plataforma é segura, visto que se pode compartilhar apenas com os e-mails selecionados e precisa de senha para acesso aos dados, o que amplia a segurança de dados dos participantes. O convite foi feito de forma presencial e remota aos coordenadores e diretores das escolas que se enquadraram na pesquisa, explicando de forma clara e objetiva o intuito da pesquisa e seus benefícios.

    5.3  ETAPA 3: COLETA DE DADOS

    Na etapa subsequente, foi entrado em contato com as respectivas profissionais responsáveis pelas escolas que autorizaram o estudo em suas instituições e enviaremos um link via Google Forms que direcionou aos contatos de todos os educadores para que lessem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e assinassem caso estivessem de acordo em participar da pesquisa. Somente aqueles que assinaram e concordaram com o TCLE foram direcionados ao novo passo; que era responder ao formulário sobre conhecimento de manobras de desengasgo. Posteriormente, os dados coletados em toda essa etapa no Google Forms, foram armazenados e computados em um único dispositivo móvel particular das pesquisadoras.

    Com o objetivo de ampliar a adesão e oferecer maior comodidade aos participantes, a coleta de dados foi realizada de forma remota e individual, por meio de formulário no Google Forms. O link foi encaminhado pelas pesquisadoras às direções escolares, que o compartilharam com educadores e funcionários por meio dos grupos institucionais de WhatsApp. Essa estratégia possibilitou identificar lacunas e vulnerabilidades atuais.

    Optou-se, no contexto desta pesquisa, por não realizar a capacitação, conforme decisão dos pesquisadores, sem que isso representasse limitação ou impedimento para futuros estudos voltados ao ensino de conhecimentos teóricos, desenvolvimento de habilidades técnicas e preparação de condutas em situações reais relacionadas ao tema.

    6. RESULTADOS

    A pesquisa foi realizada com 32 profissionais da educação que atuam na Educação Infantil. De todos os participantes, 31 (96,9%) se identificaram como do sexo feminino e 1 (3,1%) como do sexo masculino, conforme demonstra a figura

    1. Quanto às 4 instituições de atuação, 29 pessoas (90,6%) trabalham em escolas da rede privada, enquanto 3 pessoas (9,4%) atuam na rede pública, figura 2.

    Figura 1 – Questionário quanto ao sexo dos participantes.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 2 – Questionário quanto ao tipo de serviço que trabalha: Rede Pública ou Privada.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Além disso, conforme demonstrado na figura 3, quando analisamos as áreas de atuação dos participantes, vimos que 13 (40,6%) atuam como professor(a), 6 (18,8%) são estagiários, 3 (9,4%) exercem a função de coordenadora, 3 (9,4%) compõem a equipe administrativa, incluindo auxiliar administrativo e administrativo, 2 (6,3%) trabalham na prestação de serviços e 2 (6,3%) atuam como auxiliares de professora.   Outros   profissionais   incluíram   educadora,   monitora, secretária/atendimento e funções de limpeza e cozinha, correspondendo à parcela restante dos respondentes.

    Figura 3 – Questionário quanto a distribuição de cargos dentro do serviço.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Quanto à faixa etária das crianças com as quais os profissionais atuam, observou-se que a maior parte trabalha com crianças de 4 a 5 anos de idade, representando 50% da amostra (16 participantes). Um total de 5 profissionais (15,6%) atuam com crianças de 2 a 3 anos, 4 (12,5%) com crianças de 3 a 4 anos, 3 (9,4%) com a faixa de 1 a 2 anos, e 4 participantes (12,5%),relataram atuar com crianças menores de 1 ano, figura 4.

    Figura 4 – Questionário quanto à faixa etária na qual trabalha.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    A figura 5 demonstra que em relação ao tempo de atuação na área da educação, observou-se grande diversidade entre os participantes, com experiências variando entre 2 meses e 45 anos. A maioria se encontra em dois grupos principais: os profissionais em início de carreira e aqueles com ampla trajetória na educação. Ao todo, 10 participantes (31,2%) possuem até 2 anos de experiência na área, enquanto 13 participantes (40,6%) acumulam 10 anos ou mais de atuação. Os demais 9 participantes (28,2%) possuem entre 3 e 9 anos de atividade profissional. A média de tempo de atuação entre os 32 respondentes foi de aproximadamente 10,5 anos, revelando um grupo equilibrado entre profissionais iniciantes e veteranos.

    Figura 5 – Questionário quanto ao tempo de experiência na área em que atua.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Quanto à formação em nível superior, metade dos participantes (16; 50%) possui graduação em Pedagogia. Outras áreas citadas foram: Administração (2), Letras (2), Educação Física (1), Geografia (1), Ciências (1), Marketing e Vendas

    (1), Nutrição (1), Fisioterapia (1) e Técnico em Enfermagem (1). Seis participantes (18,75%) relataram não ter ensino superior, enquanto um está cursando Enfermagem e dois não especificaram a área de formação. Observou-se ainda que alguns possuem mais de uma graduação, evidenciando diversidade de trajetórias acadêmicas entre os profissionais da educação infantil.

    Figura 6 – Questionário referente a área de formação dos profissionais.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Em relação à capacitação, figura 7, 25 participantes (78,1%) declararam já ter realizado curso de primeiros socorros. Conforme mostra a figura 8, 13 (52%) fizeram o curso há menos de um ano, 4 (16%) há exatamente um ano e 8 (32%) há mais de um ano. Entre os capacitados, figura 9, 23 (92%) consideraram o conteúdo de bom aproveitamento e 24 (96%) afirmaram ter aprendido as técnicas ensinadas, figura 10. Quanto às técnicas abordadas, 17 relataram ter recebido instruções sobre manobra de desengasgo e massagem cardíaca (RCP), 6 foram treinados apenas na manobra de desengasgo, e 2 mencionaram outras técnicas não especificadas, figura 11.

    Figura 7 – Questionário sobre realização de curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 8 – Questionário referente há quanto tempo realizou o curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 9 – Questionário referente ao aproveitamento do curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 10 – Questionário referente às técnicas ensinadas no curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 11 – Questionário ao que foi ensinado no curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Quanto ao conhecimento da legislação vigente, 13 participantes (50% de um total de 26 respostas) afirmaram conhecer a Lei Lucas (Lei nº 13.722/2018), que torna obrigatória a capacitação em noções de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino infantil e básico em todo o território nacional, figura 12.

    Figura 12 – Questionário referente ao conhecimento sobre a Lei Lucas.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    No que se refere à vivência prática, 19 participantes (59,4%) relataram já ter presenciado alguma situação de engasgo no ambiente escolar, figura 13. Em relação ao uso efetivo das técnicas de primeiros socorros, entre 25 respostas, 21 participantes (84%) relataram nunca ter presenciado situações que exigissem a aplicação das técnicas, enquanto apenas 4 (16%) afirmaram ter presenciado ou realizado ações efetivas, figura 14.

    Figura 13 – Questionário quanto à já ter presenciado alguma situação de engasgo.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 14 – Questionário referente a utilização do curso de primeiros socorros.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Quanto ao preparo para agir em uma situação de engasgo, 14 participantes (43,75%) afirmaram que saberiam como proceder corretamente.

    Outros 16 (50%) disseram saber agir parcialmente, enquanto 2 (6,25%) relataram não saber como agir, conforme mostra a figura 15.

    Figura 15 – Questionário referente se saberia agir numa situação de obstrução de vias aéreas.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Os sinais de engasgo mais frequentemente citados, demonstrados na figura 16, pelos participantes foram: tosse persistente, alterações na coloração da pele (arroxeamento/cianose), falta de ar, olhos lacrimejando, agitação, mãos na garganta, perda da fala e dificuldade de respirar.

    Figura 16 – Questionário sobre conhecimento dos sinais indicativos de engasgo.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google

    Sobre conhecimentos técnicos específicos, 24 participantes (75%) já haviam ouvido falar da Manobra de Heimlich, conforme mostra a figura 17. Além disso, 25 (78,1%) souberam indicar corretamente a diferença entre as manobras que devem ser realizadas em crianças e bebês, figura 18. No total, 18 participantes (69,2% de 26 respostas) sabiam informar corretamente o número de tapas interescapulares recomendados durante a manobra de desobstrução em bebês, figura 19. Quanto ao conhecimento sobre a posição correta para a realização da manobra de desengasgo em bebês (menores de um ano), todos os participantes afirmaram saber realizar a técnica adequadamente, figura 20.

    Figura 17 – Questionário referente ao conhecimento sobre a Manobra de Heimlich.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 18 – Questionário referente a diferença da execução de manobras entre crianças e bebês.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 19 – Questionário referente ao conhecimento da execução da manobra de desengasgo.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Figura 20 – Questionário referente ao conhecimento sobre a posição correta de desengasgo.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Em relação à Manobra de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), 16 participantes (50%) afirmaram saber realizá-la, conforme mostra a figura 21. No entanto, apenas 12 (46,2% de 26 respostas) souberam indicar corretamente o momento adequado para iniciar a RCP em casos de engasgo que evoluem para parada cardiorrespiratória, demonstrando uma lacuna crítica de conhecimento.

    Figura 21 – Questionário sobre o conhecimento de quando iniciar a manobra de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    Por fim, 21 participantes (65,6%) demonstraram saber reconhecer os sinais de engasgo de forma adequada, e 31 (96,9%) afirmaram saber o número do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), 192, demonstrado na figura 22.

    Figura 22 – Questionário referente ao conhecimento sobre o número telefônico do SAMU.

    Fonte: elaborada pelo autor/Via Formulários do Google.

    7. DISCUSSÃO

    A obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE) representa uma das principais causas de morte evitável na infância, especialmente em menores de cinco anos. Apesar de ser uma situação potencialmente reversível quando há intervenção imediata, dados nacionais e internacionais demonstram altas taxas de morbimortalidade associadas ao engasgo, muitas vezes agravadas pela falta de preparo dos profissionais que convivem diariamente com crianças. No contexto escolar, onde as crianças passam a maior parte do tempo, a capacitação dos educadores torna-se essencial. A literatura mostra que, embora existam iniciativas como a Lei Lucas, que estabelece a obrigatoriedade do treinamento em primeiros socorros para profissionais de educação, ainda persistem lacunas entre o conhecimento teórico e a segurança prática para agir diante de uma emergência. Diante desse cenário, a presente pesquisa buscou avaliar a compreensão e a habilidade de profissionais da educação infantil em lidar com episódios de OVACE, identificando fragilidades, potencialidades e a necessidade de estratégias de capacitação contínua.

    A amostra deste estudo contou com 32 profissionais da educação, dos quais 96,9% eram mulheres, perfil que reflete a predominância histórica do sexo feminino na Educação Infantil no Brasil. Esse dado está em consonância com registros do Ministério da Saúde (2018), que ressaltam a necessidade de políticas públicas voltadas à formação continuada desses profissionais em temas relacionados à saúde e segurança no ambiente escolar. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018).

    Resultados semelhantes foram encontrados em Três Lagoas (MS), onde 97,0% dos profissionais dos Centros de Educação Infantil (CEIs) também se identificaram como mulheres. No presente estudo, observou-se predominância de professores (40,6%), seguido por estagiários (18,8%) e coordenadores (9,4%). O trabalho realizado em Três Lagoas identificou proporção semelhante de professores (45,5%), embora com maior presença de atendentes de edcucação infantil (21,2%). Essa diversidade de funções evidencia a importância de capacitar diferentes perfis profissionais para a atuação em primeiros socorros. (CRUZ et al, 2022)

    Outro ponto relevante foi a predominância de profissionais de instituições privadas (90,6%), enquanto o estudo comparativo abrangeu exclusivamente a rede pública municipal, o que pode influenciar as oportunidades e práticas de capacitação contínua.(CRUZ et al, 2022)

    Quanto ao setor de atuação, 90,6% dos participantes trabalham na rede privada, o que pode indicar maior acesso a treinamentos e capacitações. Conforme a revisão sistemática realizada, instituições privadas tendem a apresentar maior flexibilidade e autonomia para implementar ações educativas relacionadas a primeiros socorros, ao passo que a rede pública ainda enfrenta desafios estruturais nesse aspecto. Essa disparidade reforça a importância de políticas públicas eficazes para garantir equidade na qualificação docente, independentemente do setor de atuação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018; SILVA et al, 2021).

    No que diz respeito à formação específica, 78,1% dos participantes já realizaram cursos de primeiros socorros, sendo que 92% desses consideraram o curso de bom proveito, e 96% afirmaram que conseguiram aprender as técnicas ensinadas. Esses resultados indicam uma percepção positiva quanto à qualidade e aplicabilidade dos cursos realizados. Esse dado é reforçado pelos achados de um estudo realizado no Oeste do Paraná que evidenciam que intervenções educativas bem planejadas contribuem significativamente para o aumento do conhecimento técnico e da confiança dos profissionais. Um outro estudo transversal analítico, realizado no município de Marília, alertou que a efetividade dos cursos depende também da atualização periódica e da prática constante, uma vez que a retenção do conteúdo pode ser limitada ao longo do tempo (Hadge et al, 2023;Langwinski et al, 2023)

    Apesar da alta taxa de capacitação, apenas 43,75% dos participantes afirmaram que saberiam exatamente como agir em uma situação de engasgo, enquanto 50% afirmaram saber parcialmente e 6,25% disseram que não saberiam agir. Esse dado revela uma lacuna entre o conhecimento teórico e a confiança para a prática, conforme apontado também por um estudo transversal nos Centros de educação infantil (CEIs) do município de Três Lagoas (MS), que destacaram a importância de treinamentos práticos e simulações para garantir a eficácia da resposta em situações reais.(Cruz et al, 2022)

    Ainda sobre o conhecimento específico, 75% já ouviram falar sobre a Manobra de Heimlich e 78,1% souberam diferenciar as manobras apropriadas para crianças e bebês. Esses dados demonstram que há uma familiaridade teórica com técnicas básicas de desobstrução das vias aéreas. No entanto, apenas 50% afirmaram saber realizar a manobra de RCP (ressuscitação cardiopulmonar), revelando uma lacuna no domínio de técnicas de maior complexidade. A literatura reforça que o conhecimento sobre RCP é essencial para a sobrevivência em casos graves, sendo indispensável sua inclusão nos programas de capacitação (CRUZ et al., 2022; ILHA et al., 2021).

    Um total de 65,6% dos participantes souberam reconhecer sinais indicativos de engasgo, como tosse persistente, cianose, agitação, olhos lacrimejando, dificuldade de respirar, perda da fala e gesto de levar as mãos à garganta. Esses sinais estão de acordo com os descritos pela revisão sistemática já citada previamente e reforçam a importância do conhecimento teórico para o reconhecimento precoce de situações de emergência. Essa capacidade é especialmente relevante, considerando que 59,4% dos professores relataram já ter presenciado uma situação de engasgo em ambiente escolar, evidenciando que esse tipo de ocorrência é relativamente comum (Silva et al,2021)

    O estudo realizado em Marília também aponta que 71,1% dos professores entrevistados já vivenciaram algum tipo de emergência escolar, com 24,44% relatando situações de engasgo ou asfixia. Esses achados dialogam diretamente com os dados deste trabalho e reforçam a necessidade urgente de capacitação contínua no ambiente escolar. Inclusive, 100% dos participantes reconheceram a importância de cursos de primeiros socorros para os professores, validando a proposta de incorporar esses treinamentos na formação inicial e continuada dos profissionais da educação (LANGWINSKI et al., 2023; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018; HADGE et al., 2023).

    Outro dado relevante foi que 96,9% dos participantes sabiam o número do SAMU, o que demonstra que, mesmo com possíveis lacunas técnicas, há um conhecimento mínimo necessário para acionar o sistema de emergência — uma etapa crucial em qualquer situação de risco à vida.

    Diante desses resultados, destaca-se que a percepção positiva dos cursos e o conhecimento básico existente são pontos favoráveis. No entanto, a diferença entre “conhecer” e “saber agir” evidencia a importância de que as capacitações não sejam pontuais, mas contínuas, práticas e contextualizadas à realidade escolar. Como recomendam o estudo no interior do estado de São Paulo e no interior do Rio Grande do Sul, apenas por meio de formações periódicas, com metodologias ativas e foco prático, será possível garantir a segurança das crianças e a eficácia da atuação dos professores diante de emergências. (CAROLINO; 2022 ILHA et al; 2021).

    8. CONCLUSÃO

    Este trabalho teve como objetivo investigar se os professores da Educação Infantil de algumas escolas da cidade de Franca-SP, estão devidamente capacitados para lidar com situações de obstrução das vias aéreas por corpo estranho no contexto escolar. A partir dos dados obtidos com 32 profissionais da área, foi possível observar que a maioria possui algum conhecimento prévio relacionado aos primeiros socorros, sendo que 78,1% já realizaram algum tipo de curso sobre o tema. Contudo, embora o percentual de capacitados seja expressivo, ainda são evidentes algumas lacunas no conhecimento técnico, especialmente em aspectos práticos e específicos, como o momento correto de iniciar a RCP e o número de tapas interescapulares indicados em casos de engasgo em crianças.

    Apesar de 75% dos participantes afirmarem conhecer a Manobra de Heimlich e metade declarar que saberia realizar a RCP, apenas 46,2% souberam indicar corretamente quando essa manobra deve ser iniciada em uma situação de engasgo com evolução para parada cardiorrespiratória. Além disso, 50% demonstraram conhecimento sobre a Lei Lucas (Lei nº 13.722/2018), o que revela que há ainda um número significativo de profissionais que desconhecem a legislação que regulamenta a obrigatoriedade de capacitação em primeiros socorros em instituições de ensino.

    Outro ponto relevante é que, embora 59,4% dos entrevistados tenham presenciado episódios de engasgo em ambiente escolar, apenas 16% relataram já ter participado efetivamente da aplicação de técnicas de primeiros socorros. Isso evidencia uma distância entre o conhecimento teórico adquirido e sua aplicação prática, reforçando a necessidade de formações contínuas, atualizações e simulações realistas dentro das instituições escolares.

    Portanto, conclui-se que, embora exista um nível inicial de preparo entre os profissionais da Educação Infantil na cidade de Franca, esse conhecimento ainda não é suficiente para garantir uma atuação segura e eficaz em situações de emergência. Reforça-se, assim, a importância da implementação efetiva da Lei Lucas, da realização de capacitações periódicas e da inserção permanente da temática dos primeiros socorros nos ambientes escolares, visando não apenas o cumprimento legal, mas sobretudo a promoção da segurança e do bem-estar das crianças sob seus cuidados.

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