OBESIDADE E SOBREPESO: O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA PROFICIÊNCIA MOTORA E DO  ENGAJAMENTO NAS AULAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511251442


Julia Vicente Hass
Carla Bueno Medina
Adriana Berleze
Nadia Cristina Valentini


Resumo 

Esta revisão narrativa analisou a produção científica sobre o desempenho das habilidades  motoras fundamentais e o engajamento de crianças com sobrepeso e obesidade nas aulas de  Educação Física escolar, destacando implicações pedagógicas para o professor. Os estudos  mostram que essas crianças tendem a apresentar menor proficiência motora, menor envolvimento  em atividades de maior intensidade e maior vulnerabilidade ao desinteresse e à auto exclusão,  fatores agravados pelo aumento da inatividade física e pela exposição a ambientes obesogênicos. 

A literatura evidencia que o desenvolvimento motor depende diretamente da qualidade das  oportunidades de movimento oferecidas na escola e das estratégias didáticas utilizadas.  Intervenções pedagógicas planejadas, que incluem adaptação de tarefas, desafios graduais, uso de  feedback positivo, promoção de clima motivacional orientado à maestria e ampliação do tempo de  prática efetiva, demonstram efeitos positivos sobre desempenho motor, motivação, percepção de  competência e participação ativa. Os resultados reforçam que a Educação Física escolar constitui  um espaço privilegiado para favorecer experiências motoras significativas e contribuir para hábitos  saudáveis. Conclui-se que o professor desempenha papel central ao planejar práticas inclusivas e  sensíveis às necessidades de crianças com sobrepeso e obesidade, promovendo engajamento,  autonomia, desenvolvimento motor e um estilo de vida fisicamente ativo. 

1. Introdução 

A trajetória do desenvolvimento motor é caracterizada por mudanças de comportamento  ao longo da vida. Essas mudanças ocorrem direcionadas por características individuais, pelas  experiências vivenciadas pela criança e pela especificidade e complexidade das atividades  propostas nas aulas de educação física (BRONFENBRENNER, 1996; NEWELL, 1986). No  ambiente escolar, essas interações se manifestam de forma evidente, uma vez que a escola é um  espaço privilegiado para promover o desenvolvimento integral da criança. A Educação Física, por  meio de atividades planejadas e significativas, cria condições para que os fatores biológicos e  ambientais atuem de maneira positiva no processo de aprendizagem motora. Assim, as  transformações observadas na infância estão fortemente relacionadas ao desenvolvimento físico,  social, cognitivo e motor, dimensões diretamente contempladas nas práticas pedagógicas da  Educação Física.

Na dimensão física, é durante o crescimento, por meio de mudanças em peso e estatura, que se desenvolve a imagem corporal e as experiências vivenciadas nas aulas de Educação Física  contribuem para a formação de sentimentos positivos sobre o próprio corpo, influenciando  preferências e atitudes diante das atividades. Na dimensão social, a infância representa um período  de intensas mudanças de comportamento e atitudes, fortemente influenciadas pelas respostas e  interações com colegas e professores, especialmente nas situações de jogos recreativos e  esportivos. Na dimensão cognitiva as aulas de Educação Física são um espaço rico em  oportunidades para o exercício de funções cognitivas superiores de resolução de problemas,  tomada de decisão, atenção e funções executivas (controle inibitório, memória de trabalho e  flexibilidade cognitiva); as quais de forma interdependente possibilitam a interação com o contexto e a realização de tarefas complexas. No domínio motor, as aulas de Educação Física são o contexto  ideal para proporcionar experiências de movimento que favoreçam a prontidão, aquisição e o  domínio de novas habilidades essenciais para as brincadeiras infantis, os grandes jogos e o esporte,  como correr, saltar, chutar, arremessar e quicar. O aprimoramento dessas habilidades depende da  variedade e da qualidade das experiências que a criança vivencia (PAPALIA & OLDS, 2000; BEE,  1996), e a Educação Física tem papel fundamental nesse processo ao garantir oportunidades de  movimento diversificadas e desafiadoras. 

Para que a trajetória de desenvolvimento ocorra de forma apropriada, é fundamental que  vivencie as mais variadas formas de experiências motoras (SANTOS, DANTAS & OLIVEIRA,  2004). Reforçando a importância do movimento e do jogo ativo nas aulas de Educação Física,  permitindo à criança conquistar o domínio do corpo nas mais variadas habilidades motoras  fundamentais em vivências motoras lúdicas e desafiadoras. Crianças com proficiência motora nas  mais variadas habilidades motoras fundamentais apresentam níveis elevados de engajamento e  participação nas atividades propostas nas aulas, e consequentemente, maior adesão futura nas práticas motoras que asseguram a qualidade de vida (VALENTINI, 2002).  

O engajamento nas atividades está diretamente relacionado às conquistas das crianças  (ASHY; LEE & LANDIN, 1998; SILVERMAN, 1985), e essas conquistas dependem das  experiências em diferentes contextos — sobretudo o escolar — que estimulam a aquisição e o  aperfeiçoamento de habilidades motoras (KREBS, 2003). Assim, o engajamento da criança nas  aulas de Educação Física não depende apenas da atividade proposta, mas também de um ambiente  de apoio as conquistas, de reconhecimento dos esforços pessoais e da continuidade da proposta pedagógica que atenda as necessidades de todas as crianças (VALENTINI; RUDISILL & GOODWAY, 1999a, 1999b; WENGER, 1998). Para compreender plenamente os fatores que  influenciam o desenvolvimento infantil, é indispensável olhar para a criança em seus principais  contextos de desenvolvimento e a escola é um desses contextos. 

Entretanto, durante o processo de desenvolvimento, algumas crianças têm mais  dificuldades na aquisição de habilidades motoras e evidenciam atrasos, decorrentes de fatores  genéticos, endócrinos e/ou ambientais, o que leva a um engajamento pobre nas aulas de Educação  Física. Tanto os fatores biológicos quanto os ambientais podem alterar o curso das mudanças  (CLARK & WHITALL, 1989). Nesta perspectiva, o contexto escolar, em especial as aulas de  Educação Física, é determinante para o desenvolvimento e para a construção de um estilo de vida  saudável de vida, especialmente para crianças com sobrepeso e obesidade. Para essas crianças, as  vivências motoras tendem a ser limitadas e muitas vezes levando crianças a autoexclusão das  atividades (BERLEZE & HAEFFNER, 2002); o que reforça o papel da Educação Física escolar  como espaço de inclusão, estímulo e superação de barreiras motoras. A dificuldade motora deve  ser reconhecida e trabalhada sistemática e pedagogicamente, com a colaboração de todos os  agentes educacionais. Muitas vezes, a única forma de promover avanços significativos no  desenvolvimento motor é fortalecer os ambientes de aprendizagem escolar e as possibilidades de  movimentos oferecidos nas aulas de Educação Física. 

Destaca-se ainda que atualmente a redução das oportunidades de movimento e o aumento  de comportamentos sedentários, como o tempo excessivo em frente as telas, têm impactado o  desenvolvimento infantil e contribuído para o aumento dos índices de sobrepeso e obesidade  (MEDINA & VALENTINI, 2025), além de impactar negativamente o desenvolvimento  socioemocional, aumentando o risco de depressão e ansiedade (MUPPALLA et al., 2023). Dessa  forma, a redução do tempo de tela pode ser considerada um fator de proteção relevante para a  prevenção do sobrepeso e da obesidade em crianças e adolescentes (MEDINA & VALENTINI,  2025).  

Para essas crianças, ressalta-se a importância de estratégias educativas implementadas no  ambiente escolar, desde os primeiros anos, para promover o engajamento nas diferentes tarefas, as  aquisições de habilidades motoras e os hábitos saudáveis (BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022). Neste cenário, torna-se essencial valorizar as atividades corporais infantis e o papel do  professor de Educação Física como mediador do desenvolvimento motor e da formação de hábitos saudáveis. As práticas pedagógicas devem ser planejadas de forma intencional, buscando aumentar  o dinamismo das rotinas e promover atividades que integrem aspectos motores, cognitivos e  sociais (VALENTINI & RUDISILL, 2006; VALENTINI et al., 2017). As estratégias pedagógicas  implementadas na Educação Física escolar devem considerar a observação, a avaliação e a  intervenção pedagógica sistemática (KNUDSON & MORRISON, 2001). Um planejamento  sistemático é essencial para que o processo educativo seja eficaz, respeitando o ritmo de cada  criança e favorecendo o progresso motor contínuo. 

Abordagens metodológicas no ensino da Educação Física que enfatizam a centralidade do  aluno no processo de aprendizagem (BANDURA, 1974; VYGOTSKY, 1978) e que considerem a  necessidade de motivar a criança para a maestria de diferentes habilidades (BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022; DE SOUZA, NOBRE & VALENTINI, 2023; NOBRE, NOBRE & VALENTINI, 2024; PICK & VALENTINI, 2022) tem inspirado a implementação de currículos  que destacam o papel ativo do aprendiz e o valor da motivação na superação de desafios motores. Contextos motivacionais nas aulas de Educação Física que priorizam o domínio das habilidades e  a autonomia da criança, estimulando o engajamento motor e a busca pela melhora do desempenho  são efetivos em prover a aprendizagem, o fortalecimento da percepção de competência, autoestima  e autoconceito, e de laços sociais, bem como sentimentos de pertencimento (BANDEIRA et al,  2017; SOUSA et al, 2016; NOBRE & VALENTINI, 2019; ZANELLA et al, 2016). Tais contextos  também favorecem o envolvimento ativo nas tarefas e o prazer pelo movimento especialmente  para crianças com maiores dificuldades de movimento, incluindo as crianças com sobrepeso e  obesidade (BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022). 

2. Método  

Esta revisão narrativa teve como objetivo descrever e interpretar, de forma integrativa, a  produção científica acerca do desempenho das habilidades motoras fundamentais e do  engajamento nas aulas de Educação Física escolar de crianças com sobrepeso e obesidade,  destacando as implicações pedagógicas para o professor e as estratégias de ensino voltadas à  inclusão, à participação e ao desenvolvimento motor. A escolha pela revisão narrativa justifica-se  por permitir a integração e a análise crítica de estudos com diferentes delineamentos, focando  especialmente evidências que dialogam com a prática docente e com o planejamento das aulas de  Educação Física, sem a obrigatoriedade de seguir protocolos sistemáticos rígidos de inclusão e  exclusão.

A coleta de dados dos artigos científicos foi realizada entre março e julho de 2025,  utilizando as bases Google Scholar, ISI, PubMed e SciELO, considerando publicações  compreendidas entre os anos de 2000 e 2025. Os termos de busca empregados foram: “habilidades  motoras fundamentais & obesidade/sobrepeso”, “desenvolvimento motor &  obesidade/sobrepeso”, “engajamento & obesidade/sobrepeso”, “habilidades motoras  fundamentais & Educação Física escolar”, “engajamento & Educação Física escolar”,  “obesidade/sobrepeso & Educação Física escolar”. Esses termos foram selecionados de forma a  garantir que os estudos localizados dialogassem diretamente com o contexto da Educação Física e  com práticas docentes voltadas ao desenvolvimento motor e à participação ativa das crianças. O  critério de inclusão para os livros consistiu em serem obras publicadas na área do desenvolvimento  motor e do desenvolvimento humano. 

Foram incluídos artigos publicados em português e inglês, que investigassem crianças de  4 a 12 anos e abordassem o codesenvolvimento motor infantil, o engajamento nas aulas ou aspectos  relacionados à participação e ao desempenho motor em contextos escolares; além de livros sobre  desenvolvimento motor e humano que pudessem subsidiar reflexões pedagógicas relevantes para  a atuação do professor de Educação Física. Excluíram-se artigos de opinião, editoriais e  duplicados. Ao final do processo, foram selecionados 46 artigos, 1 guia de recomendações e 14  livros de desenvolvimento motor/humano, com os quais foi possível construir uma síntese  orientada não apenas para a compreensão científica do tema, mas também para a elaboração de  considerações práticas e estratégias aplicáveis ao cotidiano das aulas de Educação Física

O foco desta revisão, portanto, não se limita à caracterização das habilidades motoras e do  engajamento, mas inclui a identificação de estratégias pedagógicas, adaptações metodológicas e  recomendações práticas que possam apoiar professores de Educação Física na condução de aulas  mais inclusivas e efetivas para crianças com sobrepeso e obesidade 

3. Desenvolvimento 

3.1. Obesidade Infantil na Escola: Indicadores Nutricionais, Determinantes e Contribuições  da Educação Física para a Promoção da Saúde 

Um dos temas mais debatidos na área da Educação Física Escolar, devido ao seu papel  determinante no desenvolvimento infantil, é a nutrição. No contexto escolar, compreender o estado nutricional dos alunos é fundamental para orientar práticas pedagógicas que promovam saúde,  movimento e autonomia corporal. A obesidade infantil constitui área central de interesse entre  educadores uma vez que esta é considerada uma doença multifatorial, envolve riscos como  hipertensão, diabetes, disfunções neuroendócrinas, alterações lipídicas, câncer, problemas  cardiovasculares e em algumas situações alterações comportamentais. Para o professor de  Educação Física, compreender a complexidade dessa condição é essencial para planejar aulas que  incentivem o movimento, a autonomia motora e hábitos saudáveis desde a infância. 

Do ponto de vista epidemiológico, a obesidade apresenta crescimento alarmante,  inicialmente observado em países desenvolvidos, mas rapidamente expandido para contextos  como o Brasil. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO, 2019) indica  prevalência preocupantes para crianças e jovens brasileiros: Para crianças entre 5 e 10 anos,  16,33% têm sobrepeso, 9,38% obesidade dentre os quais 5,22% obesidade grave, ou seja  aproximadamente 25% das crianças nesta faixa etária tem problemas com excesso de peso. Entre  adolescentes, nas idades de 10 a 19 anos, 18% têm sobrepeso, 9,53% têm obesidade e dentre estes  3,98% com obesidade grave; ou seja, aproximadamente 30% dos jovens têm excesso de peso.  Fatores como inatividade, tempo excessivo em telas (TWENGE & CAMPBELL, 2018),  insegurança urbana, transporte motorizado e alimentação inadequada contribuem para a ampliação  do tempo da criança dentro de casa, redução das brincadeiras ao ar livre e consequentemente o  aumento do sobrepeso e obesidade. Observa-se, portanto, nas últimas décadas, uma transição  nutricional marcada pela redução de déficits nutricionais em parte da população, o aumento de  alimentos calóricos com baixo valor nutricional, o avanço alarmante do lazer passivo com uso de  telas e a diminuição de atividades físicas rigorosas na infância. Tal cenário mundial evidencia a  necessidade de ações escolares sistematizadas, especialmente na Educação Física, visando  promoção da saúde, ampliação do repertório motor e incentivo à prática regular de atividade física. 

Destaca-se que o período crítico para detecção precoce do excesso de peso é a infância,  sobretudo entre as idades de 4 e 8 anos (WISEMANDLE et al., 2000), momento no qual a escola  e, principalmente, a Educação Física têm maior potencial de prevenção e cuidado. Nesse sentido,  o papel da Educação Física Escolar torna-se decisivo para organizar propostas pedagógicas que  aumentem a quantidade, a qualidade e o sentido das experiências corporais. O professor de  Educação Física, articulado com outros educadores no contexto escolar, pode promover mudanças de hábitos alimentares, incorporação de exercícios regulares de intensidade adequado para cada  período do desenvolvimento e suporte emocional para essas crianças.  

3.2. As habilidades motoras fundamentais e o crítico papel da educação física escolar no  cuidado da criança com sobrepeso e obesidade 

As habilidades motoras fundamentais são consideradas a base dos movimentos  especializados necessários para a participação com êxito em esportes, lutas e danças (GALLAHUE & OZMUN, 2001; GALLAHUE, OZMUN & GOODWAY, 2013; HAYWOOD & GETCHELL,  2004, 2016). No contexto escolar, essa etapa é especialmente sensível, já que é durante as vivências  pedagógicas, em especial nas aulas de Educação Física, que muitas crianças têm suas principais  oportunidades de explorar e aperfeiçoar habilidades motoras fundamentais. A proficiência nessas  habilidades depende diretamente (a) das oportunidades para a prática sistemática e de qualidade  no cotidiano escolar, (b) da instrução qualificada do professor, e (c) de estímulos adequados e  desafiadores (COSTA et al., 2014; FOLLETO; PEREIRA & VALENTINI, 2016; KEULEN et  al., 2016; PALMA, PEREIRA & VALENTINI, 2014; PIFFERO & VALENTINI, 2010;  VALENTINI, 1999; VALENTINI & RUDISILL, 2004a, 2004b). Com uma participação efetiva  nas atividades implementadas na Educação Física escolar a criança poderá conquistar um padrão  motor adequado para sua idade de forma consistente e competente, o que permitirá a participação  em esporte organizado, jogos e brincadeiras.  

Quando se trata de crianças com sobrepeso e obesas essas oportunidades no contexto  escolar são ainda mais relevantes pois essas crianças são mais vulneráveis e em geral tem menores  oportunidades de se engajarem em esportes no contraturno escolar, (BERLEZE, 2002; BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022; ZANELLA et al., 2016). As experiências motoras oferecidas neste ambiente escolar, que considera as possíveis dificuldades dessas crianças, são fundamentais para  que elas adquiram as competências necessárias para utilizar essas habilidades em diferentes  contextos com autonomia, garantindo a participação em atividades esportivas que promovam o  desenvolvimento integral, que promovam a qualidade de vida, fortaleçam a motivação e as  percepções positivas sobre suas próprias habilidades (VALENTINI & RUDISILL, 2006). 

Entretanto, na atualidade, a obesidade é fator contundente associado aos atrasos motores  de crianças (BERLEZE, HAEFFNER & VALENTINI 2007; BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022). Frente esta realidade, programas têm sido implementados para detectar as dificuldades motoras nas variadas habilidades motoras fundamentais nesta população com metas de prevenção  e compensação, enfatizando a escola com contexto crítico no combate a obesidade infantil. De  forma geral, esses programas têm como desfechos primários potencializar o desenvolvimento de  habilidades motoras e aumentar o engajamento das crianças em práticas que suportem a aquisição  de novas habilidades. Resultados positivos têm sido reportados nesses programas para crianças com sobrepeso e obesidade no fortalecimento das percepções de competência (CLIFF et al., 2007),  no aumento nos níveis de engajamento nas atividades físicas (BERLEZE & VALENTINI, 2021,  2022; FITZGIBBON et al, 2005; REILLY et al., 2006), na melhora da qualidade de vida de curto  e longo prazo (POETA et al., 2013), no compromisso e prazer na atividade (GRIFFIN, MEANEY  & HART, 2013) e no desempenho motor proficiente nas mais variadas habilidades motoras  (BERLEZE, 2002; BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022; ZASK et al, 2012). Esses resultados  reforçam fortemente os benefícios de programas específicos desenvolvidos no ambiente escolar e  nas aulas de educação física para propiciar a todas as crianças oportunidades concretas e efetivas  de aquisição e expansão de um repertório motor diversificado. Os resultados reforçam também a  importância de integrar a criança com sobrepeso e obesidade de forma efetiva nas aulas de  Educação Física, uma vez que essas crianças estão predispostas a desenvolverem doenças  crônicas-degenerativas (cardíacas, diabetes, hipertensão, entre outras) e talvez a escola seja o único  espaço para tal práticas.  

Consequentemente, as abordagens escolares frente à obesidade infantil devem priorizar  ações preventivas que incluem o aprendizado de habilidades motoras fundamentais com o paralelo  ao fortalecimento de habilidades sociais e emocionais, para a promoção do desenvolvimento  integral. Para tanto é essencial que crianças com sobrepeso e obesidade sejam inseridas  rotineiramente em experiências motoras diversificadas nas aulas de Educação Física, atividades  que estimulem capacidades cardiorrespiratórias e força muscular podem inclusive reduzir a  manifestação de predisposições genéticas relacionadas ao índice de massa corporal elevado  (COOPER et al, 2015; TODENDI et al., 2021). Além disso, esses programas tendem a ser mais  efetivos quando combinam a implementação de estratégias que auxiliem as crianças a lidarem com  ambientes obesogênicos (ELMESMERI, et al., 2018). Esses programas escolares, principalmente  implementados nos anos iniciais, tem potencial de aumentar o envolvimento e o prazer nas  atividades físicas. Quando implementadas na escola, tais abordagens contribuem para ampliar o engajamento dos estudantes, aprimorar suas habilidades e fortalecer a relação positiva com a  prática corporal e integrar essas crianças em práticas motoras regulares. 

3.3. Educação Física Escolar e Obesidade Infantil: Determinantes do Engajamento e da  Participação Ativa 

Incentivar o interesse pela prática motora desde a infância é fundamental, especialmente  no ambiente escolar, onde a Educação Física contribui para prevenir, manter e aprimorar as  capacidades físicas e apoiar o desenvolvimento integral da criança. Quando a redução de peso é  necessária, torna-se indispensável promover mudanças amplas nos hábitos de vida, incluindo  alimentação e rotina de movimentação. O engajamento nas aulas de Educação Física, aliado à  reeducação alimentar, é essencial para favorecer a participação ativa, bem como a manutenção  e/ou redução do peso corporal. As aulas de Educação Física assumem papel central no estímulo à  participação regular das crianças em atividades físicas, favorecendo aprendizagens significativas  e uma melhor qualidade de vida. 

O interesse da criança pela prática motora, determinante para que ela se envolva nas  atividades propostas e desenvolva habilidades de forma significativa, pode depender de múltiplos  fatores: (a) as experiências motoras e oportunidades oferecidas nas aulas; (b) o contexto  sociocultural em que está inserida, dado que toda atividade de domínio motor se desenvolve dentro  dos limites e práticas do grupo social; (c) as conquistas e progressos percebidos nas atividades; (da qualidade do engajamento nas aulas, que possibilita construir padrões auto referenciados de  conquistas; e (e) as estratégias motivacionais adotadas pelo professor de Educação Física  (VALENTINI & RUDISILL, 2004a, 2004b). Essas experiências são essenciais para que a  aprendizagem seja significativa, ou seja para que a criança demonstre disposição para aprender;  compressão para usar os recursos de aprendizagem que são relevantes para ela; e capacidade de  estabelecer relações entre conteúdos já aprendidos com novos conteúdos (KREBS, 2003;  VALENTINI & TOIGO, 2006). Ao considerar o potencial de desenvolvimento da criança com  sobrepeso e obesidade, o professor de Educação Física cria condições para que elas persistam nas  atividades, adquiram novas habilidades e desenvolvam autonomia (VALENTINI, 2002;  BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022; PICK & VALENTINI, 2022).  

Destaca-se ainda que o tempo, a intensidade e a adequação do engajamento são elementos  decisivos que influenciam a qualidade da aprendizagem (GRAHAM; HOLT-HALE; PARKER, 1992; RINK, FRENCH & GRAHAM, 1996). O tempo de prática efetiva, no qual o aluno está  engajado motoramente, sem esperas em filas, determinam o quanto a criança aprende. Ao longo  das aulas de Educação Física crianças com sobrepeso, mas especialmente as com obesidade,  tendem a participar menos e predominantemente em níveis leves ou moderados de esforço  enquanto crianças eutróficas tendem a praticar atividades intensas (BRACCO et al., 2002;  FERNANDES et al., 2006; SIMONS-MORTON, TAYLOR & HUANG, 1994). Em contrapartida,  quando são adotadas estratégias específicas voltadas para tarefas desafiadoras, reorganização do espaço das aulas, como o uso de estações e diferentes tarefas, e aumento do tempo de prática física  intensa, observa-se um maior nível de engajamento das crianças com sobrepeso e obesidade  acompanhado de uma redução drástica do tempo ocioso nas aulas de Educação Física (CARNIEL & TOIGO, 2003; FERNANDES et al., 2006; BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022). Outro fator  relevante, neste contexto é que o aumento de feedbacks positivos, corretivos e descritivos  aumentavam significativamente o engajamento motor dos alunos na prática, inclusive das crianças  com sobrepeso e obesidade (BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022; ZANELLA et al, 2016). 

O engajamento efetivo ocorre quando as atividades são significativas para a criança,  permitindo continuidade e persistência (BRONFENBRENNER, 1996). Quando o professor  estabelece um clima de maestria, quando as crianças eram envolvidas de maneira adequada nas  tarefas motoras e vivenciavam situações de sucesso, o engajamento aumenta de forma semelhante  indiferente às características físicas e níveis de habilidades de cada criança. Para todas as crianças participar de propostas que promovem escolhas, tomada de decisão, desafios progressivos e  reforço da competência é essencial para ampliar o engajamento — de maneira semelhante ao que  ocorre quando o indicador é objetivo (como acelerometria) quando se trata de evidências  qualitativas, como mudanças de comportamento (BERLEZE & VALENTINI, 2021, 2022). 

Crianças com sobrepeso e obesidade aumentam o engajamento nas tarefas, diminuem os  comportamentos disruptivos, demonstram envolvimento adequado — frequência e qualidade  emocional quando vivenciam oportunidades de sucesso em diferentes tarefas. Programas escolares  implementados nas aulas de educação são um meio eficaz para favorecer o desenvolvimento motor  de todas as crianças e podem romper o ciclo negativo de inatividade física–déficits motores– frustração–aumento da inatividade e ganho de peso de crianças com sobrepeso e obesidade. 

4. Recomendações para a Educação Física Escolar 

Os resultados desta revisão evidenciam que o desempenho motor e o engajamento de  crianças com sobrepeso e obesidade estão fortemente associados às experiências proporcionadas  nas aulas de Educação Física. Para o professor, isso implica a necessidade de organizar práticas  que reconheçam as desigualdades motoras e motivacionais, evitando comparações que reforcem  estigmas ou acentuem sentimentos de incompetência. 

Professores desempenham papel decisivo na criação de ambientes que favoreçam a  participação e o senso de pertencimento. Estratégias como adaptação das tarefas motoras,  valorização de progressos individuais, diversificação de materiais, oferta de desafios graduais e  uso de feedback positivo configuram ações-chave para ampliar a motivação e a confiança das  crianças com excesso de peso. Além disso, práticas pedagógicas que priorizam cooperação em vez  de competição contribuem para reduzir a exposição negativa e fortalecer o engajamento  sócio emocional. 

Outro aspecto relevante diz respeito à necessidade de compreender as barreiras externas às  aulas, incluindo fatores psicossociais, dificuldades motoras prévias e experiências anteriores de  fracasso ou exclusão. A atuação docente, portanto, deve integrar elementos de acolhimento,  sensibilidade às diferenças corporais e promoção da autonomia, garantindo que todas as crianças  percebam as aulas de Educação Física como um espaço seguro, estimulante e significativo para o  desenvolvimento motor e emocional. 

Assim, esta revisão reforça que o professor de Educação Física tem papel central na  mitigação dos efeitos do sobrepeso e da obesidade sobre o desenvolvimento motor e a participação  escolar, desde que utilize estratégias pedagógicas fundamentadas em evidências e orientadas para  a inclusão e valorização das diferenças. Portanto fundamentados na literatura e nos resultados apresentados, é possível sistematizar algumas recomendações fundamentais para práticas eficazes  no contexto escolar: 

1. Promover ambientes motivacionais focados na maestria, garantindo que todas as  crianças, independentemente do peso e das habilidades, vivenciem situações de sucesso  motor. 

2. Diversificar e ampliar as oportunidades motoras, utilizando estações, materiais  variados e tarefas progressivamente desafiadoras, favorecendo a prática ativa e contínua.

3. Organizar o tempo pedagógico para maximizar o engajamento, reduzindo filas e  tempos ociosos e aumentando o tempo de prática efetiva, especialmente em atividades de  intensidade moderada a vigorosa. 

4. Oferecer feedbacks positivos, descritivos e corretivos, reconhecendo esforços e  progressos individuais, contribuindo para fortalecer a percepção de competência e o  engajamento motor. 

5. Identificar precocemente atrasos motores e oferecer intervenções sistemáticas que  favoreçam o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais, principalmente entre  crianças com sobrepeso e obesidade. 

6. Integrar aspectos motores, cognitivos e socioemocionais, garantindo práticas que  estimulem resolução de problemas, cooperação, tomada de decisão e autonomia.

7. Estabelecer parcerias interdisciplinares com professores de outras áreas, nutricionistas  e equipes pedagógicas, potencializando ações educativas voltadas à alimentação saudável,  rotina ativa e construção de estilos de vida positivos. 

8. Valorizar a inclusão e combater práticas discriminatórias, assegurando que crianças  com sobrepeso e obesidade tenham oportunidades reais de participar e se desenvolver no  contexto escolar, fortalecendo vínculos, pertencimento e autoconfiança. 

Essas recomendações reforçam a importância de uma Educação Física escolar planejada,  sensível às diferenças individuais e orientada por evidências, capaz de contribuir efetivamente para  o desenvolvimento motor, social, cognitivo e emocional de todas as crianças, com destaque para  aquelas em maior risco de exclusão e vulnerabilidade. 

5. Considerações Finais 

A obesidade infantil, associada a fatores biológicos, ambientais e comportamentais,  representa um dos principais desafios contemporâneos para o desenvolvimento integral das  crianças. No contexto escolar, especialmente nas aulas de Educação Física, observa-se que  crianças com sobrepeso e obesidade tendem a apresentar menores oportunidades de participação  motora, níveis reduzidos de engajamento e maior propensão à autoexclusão. Ao mesmo tempo,  pesquisas mostram que intervenções sistemáticas, que incluem vivências motoras diversificadas,  clima motivacional para a maestria e práticas pedagógicas centradas no aluno, contribuem  significativamente para melhorar o engajamento, as percepções de competência, o prazer pela prática e o desempenho motor dessas crianças. Esses resultados reforçam que a escola — e  particularmente a Educação Física — constitui um ambiente privilegiado para promover  experiências motoras de qualidade, capazes de romper ciclos negativos associados à inatividade,  baixa competência motora, frustração e ganho de peso. Ao oferecer propostas que integram  desafios progressivos, apoio socioemocional, organização pedagógica adequada e incentivo à  autonomia, o professor de Educação Física contribui diretamente para a promoção de hábitos de  vida saudáveis, inclusão motora e fortalecimento da autoestima, especialmente entre crianças com  maior vulnerabilidade. 

Referências 

ABESO. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – Pesquisa  Nacional de Saúde. Atenção primária à saúde e informações antropométricas. 2019. 

ASHY, M. H; LEE, A. M e LANDIN, D. K. Relationship of Practice Using Correct Technique to  Achievement in a Motor Skill. Journal of teaching in physical education, 7, 115-120, 1988.  https://doi.org/10.1123/jtpe.7.2.115 

BANDEIRA, P. F. R. et al. Impact of motor interventions oriented by mastery motivational climate  in fundamental motor skills of children: A systematic review. Motricidade, v. 13, n. S1, p. 50,  2017. 

BANDURA, A. Teoria do comportamento e os modelos do homem. Psicólogo americano, v. 29,  n. 12, p. 859, 1974. 

BEE, H. A criança em desenvolvimento. Artes Médicas. 7 ed. Porto Alegre. 1996. 

BERLEZE, A; HAEFFNER, L. S. B. Rotina de atividades infantis de crianças obesas nos  contextos familiar e escolar. Cinergis, v. 3, n. 2, jul./dez., p. 99-110, 2002.

BERLEZE, A; HAEFFNER, L. S. B; VALENTINI, N. C. Desempenho motor de crianças obesas:  uma investigação do processo e produto de habilidades motoras fundamentais. Rev Bras  Cineantropom Desempenho Hum, v. 9, n. 2, p. 134-44, 2007. https://doi.org/10.1590/%25x

BERLEZE, A.; VALENTINI, N.C. Intervention for Children with Obesity and Overweight and  Motor Delays from Low-Income Families: Fostering Engagement, Motor Development, Self Perceptions, and Playtime. Int. J. Environ. Res. Public Health, 19, 2545. 2022.  https://doi.org/10.3390/ijerph19052545

BERLEZE, A.; VALENTINI, N.C. The Motor intervention effectiveness on children daily routine,  motor, health, and psychosocial parameters. Journal of Physical Education, 32(1), 1-21.  2021. https://doi.org/10.4025/jphyseduc.v32i1.3272 

BRACCO, M. M. et al. Gasto energético entre crianças de escola pública obesas e não  obesas. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 10, n. 3, p. 29-36, 2002. https://doi.org/10.18511/rbcm.v10i3.460 

BRONFENBRENNER, U. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e  planejados. M. A. V. Veronese (Trad.). Porto Alegre: Artmed. (Publicado originalmente em 1979).  1996.  

CARNIEL, M. Z; TOIGO, A. M. O tempo de aprendizagem ativo nas aulas de educação física em  cinco escolas particulares de Porto Alegre, RS. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em  Ciências, v. 3, n. 3, 2003. 

CLARK, J. E.; WHITALL, J. What is motor development? The lessons of history. Quest, v. 41, n.  3, p. 183-202, 1989. https://doi.org/10.1080/00336297.1989.10483969 

CLIFF, D. P. et al. Feasibility of SHARK: A physical activity skill-development program for  overweight and obese children. Journal of Science and Medicine in Sport, 10(4), 263-267. 2007. doi: 10.1016/j.jsams.2006.07.003 

COOPER, A. R. et al. Objectively measured physical activity and sedentary time in youth: the  International children’s accelerometry database (ICAD). International journal of behavioral  nutrition and physical activity, v. 12, n. 1, p. 113, 2015. doi: 10.1186/s12966-015-0274-5.

COSTA, C. L. A. et al. Efeito de um programa de intervenção motora sobre o desenvolvimento  motor de crianças em situação de risco social na região do Cariri-CE. Revista da Educação  Física/UEM, v. 25, n. 3, p. 353-364, 2014. DOI: 10.4025/reveducfis.v25i3.21968

DE SOUZA, M. S; NOBRE, G. C; VALENTINI, N. C. Effect of a motor skill-based intervention  in the relationship of individual and contextual factors in children with and without Developmental  Coordination Disorder from low-income families. Psychology of Sport and Exercise, v. 67, p.  102406, 2023. doi: 10.1016/j.psychsport.2023.102406. 

ELMESMARI, R. et al. Comparison of accelerometer measured levels of physical activity and  sedentary time between obese and non-obese children and adolescents: a systematic review. BMC  pediatrics, v. 18, n. 1, p. 106, 2018. DOI: 10.1186/s12887-018-1031-0

FERNANDES, R. A. et al. Hábito alimentar e nível de prática de atividade física de meninos  eutróficos e de obesos. Rev Educ Fís/UEM, v. 17, n. 1, p. 45-51, 2006. 

FITZGIBBON, M. L., et al. Twoyear follow-up results for Hip-Hop to Health Jr.: A randomized  controlled trial for overweight prevention in preschool minority children. Journal of Pediatrics,  146(5), 618–625. 2005. doi: 10.1038/oby.2007.306 = 

FOLLETO, J. C.; PEREIRA, K. R. G; VALENTINI, N. C. The effects of yoga practice in school  physical education on children’s motor abilities and social behavior. International journal of yoga,  v. 9, n. 2, p. 156-162, 2016. doi: 10.4103/0973-6131.183717. 

GALLAHUE, D. L & OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças,  adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 641p., 2001. 

GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C. & GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento  motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Artmed, 2013. 

GRAHAM, G., HOLT-HALE, S.A., & PARKER, M. Children moving: A reflective approachto  teachingphysical education (3rd ed.). Mountain View, CA: Mayfield. 1993.

GRIFFIN, K; MEANEY, K; HART, M. The impact of a mastery motivational climate on obese  and overweight children’s commitment to and enjoyment of physical activity: a pilot  study. American journal of health education, v. 44, n. 1, p. 1-8, 2013. 

HAYWOOD, K. M. & GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Artmed, 3ª ed., 2004.  

HAYWOOD, K. M. & GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Artmed, 6ª ed.,  2016. 

KEULEN, G. E. et al. Influência de uma intervenção utilizando a prática variada e em blocos no  desempenho das habilidades de controle de objetos. Journal of Physical Education, v. 27, p. e2707,  2016. DOI: 10.4025/jphyseduc.v27i1.2707! 

KNUDSON, D. V; MORRISON, C. S. Análise Qualitativa do Movimento Humano. Editora  Manole. 1 ed. São Paulo, 2001.  

KREBS, R. J. A. A criança e esporte: reflexões sustentadas pela teoria dos sistemas ecológicos.  in: KREBS, R.J; BELTRAME, T. S; COPETTI, F. BELTRAME, T. S; PINTO, R. F. Os processos  desenvolvimentais na infância. Belém: Gráfica e Editora, 2003. 

MEDINA, C. VALENTINI, N. Infância em frente às telas: desafios para o desenvolvimento motor,  funções executivas e obesidade. Revistaft. v29, 2025. DOI: 10.69849/revistaft/ma10202509291020 

MUPPALLA, S. K. et al. Effects of excessive screen time on child development: An updated  review and strategies for management. Cureus, v. 15, 2023. doi: 10.7759/cureus.40608

NEWELL, K. M. Constraints on the Development of Coordination. In M. G. Wade, & H. T. A.  Whiting (Eds.), Motor Development in Children: Aspects of Coordination and Control (pp. 341- 360). The Netherlands: Martinus Nijhoff, Dordrecht, 1986.  

NOBRE, G. C.; NOBRE, F. S. S.; VALENTINI, N. C. Effectiveness of a mastery climate  cognitive-motor skills school-based intervention in children living in poverty: Motor and academic  performance, self-perceptions, and BMI. Physical Education and Sport Pedagogy, v. 29, n. 3, p.  259-275, 2024. https://doi.org/10.1080/17408989.2022.2054972 

NOBRE, G. C; VALENTINI, N. C. Self-perception of competence: concept, changes in childhood,  and gender and age-group differences, J. Phys. Educ. v. 30, 2019.  

PALMA, M. S. PEREIRA, B. O; VALENTINI, N. C. Guided play and free play in an enriched  environment: Impact on motor development. Motriz: Revista de Educação Física, v. 20, n. 2, p.  177-185, 2014. DOI: 10.1590/S1980-65742014000200007 

PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W. Desenvolvimento humano. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. PICK, R. K; VALENTINI, N. C. Mastery motivational climate intervention: Motor and social  benefits for children with and without disabilities. Sinéctica, n. 59, 2022. https://doi.org/10.31391/s2007-7033(2022)0059-012. 

PÍFFERO, C. M; VALENTINI, N. C. Tennis specialized skills: A beginning sport intervention  study with school children. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 24, p. 149-163,  2010. DOI: 10.1590/S1807-55092010000200001 

POETA, L. S., et al. Interdisciplinary intervention in obese children and impact on health Jornal  de Pediatria, 89(5), 2013. 499 10.1016/j.jped.2013.01.007 

REILLY, J. J., et al. Physical activity to prevent obesity in young children: Cluster randomised  controlled trial. BMJ, 333(7577), 1041, 2006. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.38979.623773.5 5 RINK, J. E.; FRENCH, K. E.; GRAHAM, K. C. Implicações para a prática e a pesquisa. Journal  of teaching in physical education, v. 15, n. 4, p. 490, 1996.

SANTOS, S; DANTAS, L; OLIVEIRA, J. A. Desenvolvimento motor de crianças, de idosos e de  pessoas com transtornos da coordenação. Rev Paul Educ Fís, v. 18, n. 1, p. 33-44, 2004. SILVERMAN, M. A. Progression, regression, and child analytic technique. The Psychoanalytic  Quarterly, 54(1), 1–19. 1985.  

SIMONS-MORTON, B. G.; TAYLOR, W. C.; HUANG, I. W. Validity of the physical activity  interview and Caltrac with preadolescent children. Research quarterly for exercise and sport, v.  65, n. 1, p. 84-88, 1994. DOI: 10.1080/02701367.1994.10762212 

SOUSA, F. C. da S. et al. Impact of social sports program on motor skills of children from 7 to 10  years old. Motricidade, v. 12, n. S1, 2016. http://dx.doi.org/10.6063/motricidade.8482

TODENDI, P. F. et al. Cardiorespiratory fitness and muscular strength moderates the relationship  between Fndc5 polymorphism and adiposity in children and adolescents. International Journal of  Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 18, p. 9797, 2021. doi:  10.3390/ijerph18189797. 

TWENGE, J.; CAMPBELL, W. K. Associations between screen time and lower psychological  well-being among children and adolescents: Evidence from a population-based study. Preventive  Medicine Reports, 12, p. 271–283, 2018. https://doi.org/10.1016/j.pmedr.2018.10.003

VALENTINI, N. C. Mastery motivational climate motor skill intervention: replication and follow up. Auburn University, 1999. 

VALENTINI, N. C. A influência de uma intervenção motora no desempenho motor e na percepção  de competência de crianças com atrasos motores. Rev. paul. Educ. Fis., São Paulo, 16(1): 61-75,  jan./jun. 2002. 

VALENTINI, N. C. et al. Mastery and exercise play interventions: motor skill development and  verbal recall of children with and without disabilities. Physical Education and Sport Pedagogy, v.  22, n. 4, p. 349-363, 2017. https://doi.org/10.1080/17408989.2016.1241223

VALENTINI, N. C.; RUDISILL, M. E.; GOODWAY, J. D. Incorporating a Mastery Climate into  Physical Education: It’s Developmentally Appropriate! JOPERD. v.70, n.7, 1999a. 

VALENTINI, N. C.; RUDISILL, M. E.; GOODWAY, J. D. Mastery climate: Children in charge  of their own learning. Teaching Elementary Physical Education, v. 10, n. 2, p. 6-10, 1999b. 

VALENTINI, N. C.; RUDISILL, M. E. Motivational climate, motor-skill development, and  perceived competence: Two studies of developmentally delayed kindergarten children. Journal of  teaching in physical education, v. 23, n. 3, p. 216-234, 2004a. DOI: 10.1123/jtpe.23.3.216

VALENTINI, N. C.; RUDISILL, M. E. An inclusive mastery climate intervention and the motor  skill development of children with and without disabilities. Adapted physical activity quarterly, v.  21, n. 4, p. 330-347, 2004b. https://doi.org/10.1123/apaq.21.4.330 

VALENTINI, N. C; RUDISILL, M. E. Goal orientation and mastery climate: a review of  contemporary research and insights to intervention. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 23, p.  159-171, 2006. 

VALENTINI, N. C.; TOIGO, A. M. Ensinando educação física nas séries iniciais: desafios e  estratégias. 2ª edição. Canoas, Unilasalle, 2006. 

VYGOTSKY, L. S. A mente na sociedade: O desenvolvimento dos processos psicológicos  superiores. Harvard University Press, 1978. 

WENGER, E. Communities of Practice – learning, meaning and identity. Cambridge University  Press, 1998. 

WISEMANDLE, W. et al. Childhood weight, stature, and body mass index among never  overweight, early-onset overweight, and late-onset overweight groups. Pediatrics, v. 106, n. 1, p.  e14-e14, 2000. DOI: 10.1542/peds.106.1.e14 

ZANELLA, L. W. et al. Overweight and obesity: motor intervention and influences on motor  behavior. Motricidade, v. 12, n. S1, 42-53, 2016. 

ZASK, A. et al. Tooty Fruity Vegie: an obesity prevention intervention evaluation in Australian  preschools. Health promotion journal of Australia, v. 23, n. 1, p. 10-15, 2012. DOI: 10.1071/he12010