REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511251404
Laiz Laianna Lopes Sousa1
Jéssica Rayanne Vieira Araújo Sousa2
Lúcia Camila Oliveira Friedrich Sousa3
Flávia Holanda de Brito Feitosa4
Daphine Rolim Veloso5
Aline Santana Figueredo6
Elys Regina Arruda Martins7
Tayanara Caragiu Guajajara8
Resumo
A Estratégia de Saúde da Família (ESF) representa o principal modelo de organização da Atenção Primária à Saúde no Brasil, visando promover o acesso integral e equitativo aos serviços de saúde. No entanto, a atuação profissional em áreas rurais apresenta especificidades e desafios que impactam diretamente o trabalho dos enfermeiros e a qualidade do cuidado ofertado à população. Este estudo teve como objetivo identificar e analisar os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros na ESF em áreas rurais, considerando fatores estruturais, organizacionais, socioculturais e formativos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada na Biblioteca Virtual em Saúde, por meio das bases LILACS, MEDLINE e BDENF. Foram identificados inicialmente 42 estudos, dos quais 11 atenderam aos critérios de elegibilidade e compuseram o corpus de análise. A análise temática revelou cinco categorias centrais: condições estruturais e logísticas precárias, dificuldades relacionadas à formação e capacitação profissional, limitações de recursos humanos e materiais, barreiras socioculturais, além de desafios organizacionais e de gestão do cuidado. Os resultados evidenciam que o trabalho do enfermeiro na ESF rural é marcado por múltiplas demandas, escassez de recursos e necessidade de atuação polivalente, demandando políticas públicas específicas, investimentos em infraestrutura e ações de educação permanente. Conclui-se que o fortalecimento da prática de enfermagem em contextos rurais é essencial para a promoção da equidade em saúde e para efetivação dos princípios do SUS.
Palavras-chave: enfermagem rural; atenção primária à saúde; estratégia de saúde da família; desafios do enfermeiro; saúde rural.
Abstract
The Family Health Strategy (FHS) is the main organizational model of Primary Health Care in Brazil, aiming to promote comprehensive and equitable access to health services. However, nursing practice in rural areas presents specific challenges that directly affect professional performance and quality of care. This study aimed to identify and analyze the main challenges faced by nurses working in the FHS in rural areas, considering structural, organizational, sociocultural, and educational factors. This is an integrative literature review conducted in the Virtual Health Library (VHL), using the LILACS, MEDLINE, and BDENF databases. A total of 42 studies were initially identified, and 11 met the eligibility criteria. Thematic content analysis revealed five central categories: precarious structural and logistical conditions, insufficient professional training, limited human and material resources, sociocultural barriers, and organizational challenges. Findings highlight that rural nursing work requires versatility, autonomy, and the ability to manage diverse demands amidst resource limitations. Strengthening public policies, professional training, and infrastructure is essential to improve rural health care and promote equity.
Keywords: rural nursing; primary health care; family health strategy; nursing challenges; rural health.
1. INTRODUÇÃO
A Estratégia de Saúde da Família (ESF) consolida-se como principal modelo organizacional da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, visando ampliar o acesso, assegurar a integralidade do cuidado e promover a equidade em saúde em todo o território nacional. Por meio de ações contínuas e resolutivas, centradas nas famílias e nos territórios, a ESF busca priorizar a prevenção de agravos e a promoção da saúde. No entanto, sua implementação em contextos rurais enfrenta obstáculos significativos, relacionados à infraestrutura precária, à escassez de recursos humanos e materiais, à dispersão geográfica e às barreiras de acesso da população aos serviços de saúde (Diehl et al., 2021).
O enfermeiro assume papel fundamental no fortalecimento da APS, atuando como elemento central na coordenação do cuidado, na gestão das equipes e na execução de ações educativas, preventivas e assistenciais. Em regiões rurais, contudo, esse profissional precisa adaptar-se a realidades complexas e frequentemente desassistidas, desempenhando funções diversificadas que abrangem desde o gerenciamento das unidades de saúde até a realização de visitas domiciliares e procedimentos clínicos (Oliveira et al., 2023). Essa conjuntura exige uma prática profissional autônoma, versátil e sensível às particularidades socioculturais das comunidades atendidas.
Conforme destacam Diehl et al. (2021), a gestão do cuidado em áreas rurais demanda dos enfermeiros uma compreensão ampliada do processo de trabalho e a capacidade de articular ações intersetoriais, superando limitações de ordem estrutural e logística que comprometem a continuidade da atenção.
As autoras ressaltam que as desigualdades territoriais e a insuficiência de políticas específicas para o meio rural prejudicam a efetividade das estratégias de cuidado e acarretam sobrecarga aos profissionais. Desse modo, a prática da enfermagem nesses contextos é marcada por desafios organizacionais e pela necessidade constante de adaptação às dinâmicas locais.
Os aspectos socioculturais exercem igualmente forte influência sobre o trabalho da enfermagem no cenário rural. De acordo com Oliveira et al. (2023) apontam que o sentido atribuído ao trabalho pelos enfermeiros da APS rural está profundamente vinculado à identificação com a comunidade e ao reconhecimento social, mas é também permeado por sentimento de frustração e impotência diante da carência de recursos e do limitado reconhecimento profissional. Em suas palavras, “os enfermeiros expressam prazer ao serem reconhecidos, mas também sofrimento ao se depararem com as condições precárias que limitam o exercício de seu papel social” (Oliveira et al., 2023, p. 930).
Essas dificuldades repercutem diretamente na qualidade da assistência, na motivação e na permanência desses profissionais em contextos rurais. A rotatividade e a escassez de enfermeiros nessas localidades intensificam a descontinuidade do cuidado e dificultam a consolidação de vínculos com os usuários, o que compromete os princípios fundamentais da APS.
Para Dlamini et al. (2020), o fortalecimento da atenção primária em contextos de vulnerabilidade depende, entre outros fatores, do investimento em formação profissional especializada, de políticas de incentivo à fixação de profissionais e do reconhecimento do enfermeiro como agente transformador social.
A inexistência de políticas públicas exclusivamente voltadas para a saúde rural no Brasil configura-se como outro ponto crítico que reforça as iniquidades no acesso aos serviços. Embora existam diretrizes como a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta, a aplicação dessas normativas ainda se mostra insuficiente e pouco adaptada às especificidades territoriais (Diehl et al., 2021). Tal lacuna contribui para a fragmentação das ações e para a dificuldade de consolidação de uma atenção integral e equitativa no meio rural.
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em áreas rurais, considerando as dimensões estruturais, organizacionais, socioculturais e formativas que interferem na prática profissional e na qualidade da assistência. A opção pela revisão integrativa da literatura justifica-se por possibilitar uma análise abrangente e sistemática das produções científicas disponíveis, permitindo a identificação de lacunas e a proposição de estratégias que contribuam para o fortalecimento da ESF nesses territórios.
A relevância desta investigação reside na necessidade de conferir visibilidade às condições de trabalho e às experiências dos enfermeiros que atuam em áreas rurais, cuja prática é caracterizada pela polivalência de funções, pelas limitações estruturais e pelo compromisso ético com a saúde das populações em situação de vulnerabilidade.
Compreender tais desafios é fundamental para subsidiar políticas públicas e práticas de gestão que promovam a valorização profissional, a educação permanente e a equidade no acesso aos serviços de saúde. Dessa forma, este trabalho almeja contribuir para o aprimoramento da Atenção Primária à Saúde e para a consolidação de uma assistência mais humanizada, inclusiva e contextualizada à realidade rural brasileira.
2. MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo tratou-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo revisão integrativa da literatura. Esse método foi escolhido por possibilitar a síntese e a análise crítica do conhecimento científico já produzido sobre o tema “Desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em áreas rurais”.
Para a estruturação da busca, elaborou-se a estratégia PICo, acrônimo que representa P (População), I (Interesse) e Co (Contexto). Essa ferramenta possibilitou a formulação da questão norteadora da pesquisa: Quais são os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em áreas rurais?
De acordo com Hosseini et al. (2024), a estratégia PICo — composta por Population (população), Phenomenon of Interest (fenômeno de interesse) e Context (contexto), é especialmente indicada para estudos qualitativos, nos quais o objetivo é compreender experiências, percepções e significados atribuídos pelos participantes a determinados fenômenos.
Esse modelo permite estruturar perguntas de pesquisa que explorem aspectos subjetivos e contextuais, proporcionando uma melhor compreensão das vivências e interações humanas em diferentes ambientes e situações clínicas. Com base nessa questão, foram definidos os elementos que compõem a estratégia PICo e os respectivos descritores, conforme apresentado a seguir.
Quadro 1 – Elementos da estratégia PICo, descritores e palavras-chave utilizados
| Elementos | Descritores DeCS | Descritores MeSH | |
| P | Enfermeiros atuantes na Estratégia de Saúde da Família | “Enfermeiros de Saúde da Família” | “Family Health Nurses” |
| I | Desafios enfrentados na prática de enfermagem | “Cuidados de Enfermagem” | “Nursing Care” |
| Co | Atuação em áreas rurais no âmbito da Estratégia de Saúde da Família | “Enfermagem Rural” | “Rural Nursing” |
Fonte: Elaborado pela autora, 2025.
A definição dos descritores, conforme detalhado no Quadro 1, foi uma etapa metodológica essencial para orientar a busca bibliográfica de forma sistemática. A utilização dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e dos Medical Subject Headings (MeSH) permitiu empregar uma terminologia padronizada e reconhecida internacionalmente, o que conferiu maior precisão e abrangência à recuperação dos estudos.
Esse cuidado na formulação da estratégia de busca foi fundamental para assegurar que a revisão integrativa contemplasse a literatura mais relevante publicada sobre o tema, minimizando vieses e fortalecendo a consistência da análise realizada. O levantamento bibliográfico foi conduzido por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), plataforma internacional gerenciada pela BIREME/OPAS/OMS, que consolida e disponibiliza um extenso acervo de literatura científica e técnica na área da saúde. Utilizou-se a ferramenta de busca avançada para aprimorar a precisão dos resultados, permitindo uma seleção mais criteriosa dos estudos.
Durante o processo de levantamento, foram empregados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e os Medical Subject Headings (MeSH), combinados com os operadores booleanos “AND” e “NOT”, conforme a seguinte estratégia de busca: “Enfermeiros de saúde da família” AND “cuidados de enfermagem” AND “enfermagem rural” NOT “agente comunitário de saúde”. As buscas foram filtradas para o período compreendido entre 2015 e 2025, abrangendo publicações nos idiomas português, inglês, com disponibilidade do texto completo.
Inicialmente, foram identificadas 42 publicações nas bases consultadas. Após a leitura dos títulos e resumos, iniciou-se o processo de aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, que consideraram a relevância temática, a adequação metodológica e a disponibilidade integral do texto. Foram excluídos trabalhos duplicados, resumos sem acesso ao texto completo, teses, dissertações, revisões de escopo e artigos que não abordavam diretamente a atuação dos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em áreas rurais.
Também foram descartadas publicações cujo foco principal estava restrito a agentes comunitários de saúde, contextos urbanos ou práticas hospitalares, por não atenderem aos objetivos do estudo. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 11 artigos foram selecionados para compor o corpus de análise da revisão integrativa. Essas publicações, uma vez identificadas, foram submetidas à leitura na íntegra e analisadas criticamente, com o objetivo de extrair evidências relacionadas aos eixos temáticos definidos para a pesquisa.
Para o processamento e interpretação do material bibliográfico selecionado, adotou-se a técnica de análise de conteúdo temática. Esse referencial metodológico permitiu a identificação e sistematização de padrões e núcleos de sentido presentes nos textos, a partir dos quais emergiram categorias analíticas centrais.
Tais categorias, a saber: condições de trabalho, formação profissional, aspectos culturais, elementos estruturais e desafios organizacionais, sintetizam as principais dimensões dos desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em cenários rurais, conforme documentado na literatura examinada.
Figura 1 – Representação gráfica da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão

Fonte: Elaborado pela autora, 2025.
A Figura 1 esquematiza o percurso metodológico executado para a condução desta revisão integrativa, organizado em quatro fases sequenciais. Na primeira fase, procedeu-se à formulação da questão norteadora, fundamentada na estratégia PICo, que direcionou integralmente o processo de busca e seleção da literatura.
A segunda fase consistiu na coleta de dados, realizada por intermédio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com consulta sistemática às bases LILACS, MEDLINE e BDENF, visando recuperar produções científicas alinhadas ao escopo do estudo.
Na terceira fase, realizou-se a triagem dos registros mediante leitura criteriosa de títulos e resumos, com aplicação dos critérios de elegibilidade baseados na relevância temática, disponibilidade do texto completo e adequação metodológica.
A quarta e última fase compreendeu a análise crítica e interpretativa dos estudos selecionados, envolvendo leitura integral dos textos, construção do quadro sinóptico e identificação das categorias temáticas emergentes, que fundamentaram subsequentemente a discussão dos resultados. Todo o processo foi conduzido com rigor metodológico e integridade acadêmica, assegurando o adequado reconhecimento das fontes consultadas e a confiabilidade na representação das contribuições originais.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o eixo central do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo na Estratégia de Saúde da Família (ESF) seu principal modelo de organização e prestação de cuidados. Neste cenário, o enfermeiro assume papel fundamental na coordenação do cuidado, desenvolvimento de ações preventivas e educativas, e consolidação do vínculo com a comunidade. Contudo, em contextos rurais, a atuação desses profissionais depara-se com desafios singulares, marcados por infraestrutura inadequada, dispersão geográfica, particularidades culturais e escassez de recursos humanos e materiais.
Diante desse cenário, a presente revisão integrativa objetivou identificar, analisar e sintetizar as evidências científicas concernentes aos principais desafios vivenciados por enfermeiros atuantes na ESF em áreas rurais, com ênfase nas condições estruturais, organizacionais e socioculturais que impactam a prática profissional e a qualidade do cuidado prestado.
Mediante a estratégia de busca avançada executada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), foram recuperadas inicialmente 42 publicações. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, que consideraram pertinência temática, desenho metodológico, disponibilidade integral do texto e relação direta com a prática de enfermagem na ESF rural.
A apresentação dos resultados organiza-se em duas dimensões. A primeira dimensão descreve a caracterização geral dos estudos analisados, contemplando aspectos como periodicidade de publicação, idioma, origem nacional e delineamento metodológico. A segunda dimensão desenvolve a análise interpretativa dos achados, articulando os principais desafios identificados na literatura com o contexto atual da atuação do enfermeiro na atenção primária em settings rurais.
Observou-se que, dentre os 11 artigos incluídos, predominam publicações de origem nacional, refletindo o crescente interesse da enfermagem brasileira em compreender a realidade da saúde rural e os obstáculos enfrentados por esses profissionais. A maioria dos estudos foi veiculada em periódicos de língua portuguesa e adota abordagem qualiquantitativa ou descritiva, o que evidencia a relevância de apreender as experiências, percepções e condições laborais dos enfermeiros que atuam nesse cenário específico.
A Tabela 1, a seguir, sintetiza as principais características metodológicas e descritivas dos estudos que compõem o corpus de análise desta revisão integrativa.
Tabela 1 – Caracterização metodológica dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre os desafios dos enfermeiros na ESF em áreas rurais (n = 11)
| Variáveis | ||
| Ano de publicação | Número Absoluto (n) | % |
| 2023 | 2 | 18,2 |
| 2022 | 1 | 9,1 |
| 2021 | 1 | 9,1 |
| 2020 | 3 | 27,3 |
| 2019 | 2 | 18,2 |
| 2016 | 2 | 18,2 |
| Total | 11 | 100 |
| Idioma | ||
| Inglês | 6 | 54,5 |
| Português | 5 | 45,5 |
| Delineamento metodológico | ||
| Estudo qualitativo descritivo / exploratório | 6 | 54,5 |
| Estudo qualitativo fenomenológico | 2 | 18,2 |
| Estudo observacional descritivo | 1 | 9,1 |
| Revisão sistemática de estudos observacionais | 1 | 9,1 |
| Guia de prática clínica / implementação | 1 | 9,1 |
| Tipo de estudo | ||
| Pesquisa qualitativa | 9 | 81,8 |
| Guia de prática clínica | 1 | 9,1 |
| Revisão sistemática de estudos observacionais | 1 | 9,1 |
| Nível de evidência | ||
| Nível 2 | 2 | 18,2 |
| Nível 3 | 1 | 9,1 |
| Nível 5 | 3 | 27,3 |
| Nível 6 | 5 | 45,4 |
| Grau de recomendação | ||
| A | 6 | 54,5 |
| B | 5 | 45,5 |
| Total | 11 | 100 |
Fonte: Elaborado pela autora, 2025.
O Quadro 2 sintetiza as principais características dos 11 estudos que compõem o corpus de análise desta revisão integrativa, apresentando de forma sistemática informações sobre as bases de indexação, níveis de evidência, aspectos metodológicos, objetivos e principais resultados de cada produção científica incluída.
Esta síntese descritiva permite uma visão global do perfil da literatura selecionada, evidenciando a diversidade de abordagens metodológicas e focos temáticos adotados pelos diferentes pesquisadores para investigar os desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia Saúde da Família em contextos rurais. A organização tabular facilita a comparação entre os estudos e fornece subsídios para a análise crítica que será desenvolvida na sequência deste trabalho (Quadro 2).
QUADRO 2 – Síntese descritiva e metodológica dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre desafios dos enfermeiros na ESF em áreas rurais
| Nº / Base / Nível de Evidência | Título do Artigo | Autor / Ano | Metodologia | Objetivo Principal | Principais Resultados |
| 1 LILACS Nível 6 | Os sentidos do trabalho para enfermeiros da Atenção Primária à Saúde em áreas rurais. | Oliveira et al., 2023 | Pesquisa qualitativa, abordagem descritivo-exploratória com 10 enfermeiros de áreas rurais. | Compreender os significados do trabalho de enfermeiros na APS em áreas rurais. | Identificou-se o trabalho como fonte de satisfação, vínculo e autonomia, mas também de sobrecarga e desafios estruturais. |
| 2 LILACS Nível 6 | Gestão da informação e tradução do conhecimento no trabalho de enfermeiros(as) da atenção primária à saúde no estado da Paraíba. | Alvarenga et al., 2023 | Estudo qualitativo exploratório, entrevistas semiestruturadas com enfermeiros da APS. | Analisar como os enfermeiros gerenciam informações e traduzem conhecimento na prática cotidiana. | Evidenciou-se que o manejo da informação favorece decisões clínicas e fortalece o cuidado baseado em evidências. |
| 3 MEDLINE Nível 5 | Characteristics of family nurse practitioners and their preparation for practice in rural vs. urban employment settings. | Stellflug et al., 2022 | Estudo quantitativo observacional, análise comparativa de base populacional. | Comparar características e preparo de enfermeiros de família que atuam em contextos rurais e urbanos. | Enfermeiros rurais apresentaram formação semelhante, mas relataram maior amplitude de funções e carência de recursos. |
| 4 LILACS Nível 6 | Management of care to chronic conditions in the rural under the coordination of nurses. | Diehl et al., 2021 | Pesquisa qualitativa de abordagem fenomenológica. | Compreender como enfermeiros coordenam o cuidado a condições crônicas em áreas rurais. | Mostrou-se que o cuidado é pautado no vínculo, escuta ativa e coordenação de redes locais. |
| 5 MEDLINE Nível 6 | Exploring family nurse practitioner professional identity formation at rural health care facilities. | Owens, 2020 | Estudo qualitativo interpretativo. | Explorar a formação da identidade profissional de enfermeiros de família em serviços rurais. | Identificou que a identidade é moldada pela autonomia, relações interprofissionais e desafios contextuais. |
| 6 MEDLINE Nível 2 | Developing and Implementing the Family Nurse Practitioner Role in Eswatini: Implications for Education, Practice, and Policy. | Dlamini et al., 2020 | Estudo de implementação de guia de prática clínica / relato de experiência. | Descrever o processo de desenvolvimento e implementação do papel do enfermeiro de família em Eswatini. | Concluiu que a inserção do enfermeiro de família ampliou o acesso e fortaleceu o sistema primário de saúde. |
| 7 LILACS Nível 6 | Primary Health Care in the rural context: the nurses’ view. | Oliveira et al., 2020 | Pesquisa qualitativa descritiva. | Compreender a visão de enfermeiros sobre a Atenção Primária no contexto rural. | A atuação é marcada pela integralidade do cuidado, mas limitada por carências estruturais e de pessoal. |
| 8 MEDLINE Nível 4 | Rural palliative care to support dying at home can be realised: experiences of family members and nurses with a new model of care. | Spelten et al., 2019 | Revisão sistemática de estudos observacionais e relatos de experiência. | Explorar percepções de familiares e enfermeiros sobre cuidados paliativos domiciliares rurais. | O modelo proposto mostrou viabilidade e satisfação dos envolvidos, destacando necessidade de suporte profissional contínuo. |
| 9 MEDLINE Nível 6 | The daily routine of nurses in rural areas in the Family Health Strategy. | Oliveira et al., 2019 | Estudo qualitativo descritivo-exploratório. | Analisar a rotina diária de enfermeiros da Estratégia Saúde da Família em áreas rurais. | Evidenciou-se sobrecarga de trabalho, múltiplas funções e desafios na continuidade do cuidado. |
| 10 LILACS Nível 6 | Gerenciamento em saúde: o olhar de trabalhadores da saúde da família rural. | Borges et al., 2016 | Estudo qualitativo descritivo, com profissionais da ESF rural. | Analisar a percepção dos trabalhadores sobre o gerenciamento em saúde na ESF rural. | Apontou-se fragilidade de recursos, excesso de demandas e importância da gestão participativa. |
| 11 LILACS Nível 5 | Conhecimento do enfermeiro sobre políticas de saúde da pessoa idosa. | Sena et al., 2016 | Estudo quantitativo descritivo. | Avaliar o conhecimento de enfermeiros sobre políticas públicas voltadas à pessoa idosa. | Verificou-se conhecimento parcial das políticas e necessidade de maior capacitação profissional. |
Fonte: Elaborado pela autora, 2025.
Após a leitura integral e análise crítica dos 11 artigos selecionados, foi possível identificar os principais aspectos que caracterizam a produção científica sobre os desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família (ESF) em áreas rurais. Observou-se que a maior parte das publicações é recente, com predominância dos anos de 2020 a 2023, o que demonstra o interesse crescente da comunidade científica pelo tema, possivelmente impulsionado pela ampliação das políticas de atenção primária e pela necessidade de compreender as desigualdades em saúde entre áreas urbanas e rurais.
Quanto ao idioma, houve equilíbrio entre publicações em português (45,5%) e inglês (54,5%), o que reflete a inserção internacional da discussão sobre saúde rural e práticas de enfermagem na atenção primária. O predomínio de estudos qualitativos descritivos e exploratórios (54,5%) indica a relevância das abordagens interpretativas para compreender as percepções, vivências e dificuldades enfrentadas pelos profissionais nesses contextos.
Os níveis de evidência 5 e 6 (72,7%), prevalentes entre os estudos analisados, evidenciam que a literatura existente ainda é composta majoritariamente por pesquisas com limitações metodológicas, mas que oferecem contribuições significativas para a compreensão das práticas de enfermagem em áreas rurais. Essa característica reforça a necessidade de ampliar o desenvolvimento de estudos quantitativos e de maior rigor experimental para fortalecer a base científica sobre o tema, conforme também apontam Silva et al. (2018) e Oliveira et al. (2023).
Os resultados desta revisão integrativa indicam, de maneira abrangente, refletem a complexidade do trabalho do enfermeiro na ESF, especialmente em áreas rurais, onde a escassez de recursos e a dispersão populacional exigem do profissional uma atuação ampla e flexível, capaz de atender às diversas demandas da comunidade. Essa multiplicidade de funções já havia sido destacada por Oliveira et al. (2019), que ressalta o papel do enfermeiro como gestor, educador e cuidador em um mesmo cenário de atuação.
Em muitos estudos, a sobrecarga de trabalho, a carência de infraestrutura e a limitação de insumos foram apontadas como barreiras significativas para a oferta de um cuidado de qualidade. Silva et al. (2018) descrevem que a precariedade das Unidades de Saúde da Família (USF) em zonas rurais compromete a integralidade da assistência e sobrecarrega as equipes. Essa realidade foi observada também na presente revisão, reforçando a persistência desses entraves estruturais.
Outro ponto de destaque refere-se aos aspectos culturais e sociais que permeiam a assistência de enfermagem nas comunidades rurais. Vários estudos apontam que as crenças e práticas tradicionais influenciam diretamente na adesão aos cuidados de saúde. Oliveira et al. (2020) relatam que o apego às práticas caseiras e à medicina popular pode gerar resistência ao atendimento formal, exigindo do enfermeiro sensibilidade cultural e estratégias comunicativas eficazes. Esse dado converge com a observação de Fernandes e Chiesa (2019), segundo os quais o vínculo e a confiança são elementos essenciais para a efetividade das ações de enfermagem.
Além das barreiras culturais, os estudos também revelam a insuficiência de políticas públicas específicas para a saúde rural, o que fragiliza a implementação da ESF nesses territórios. Segundo Alves et al. (2023, p. 75), “a aplicação das políticas de saúde no contexto rural é frequentemente inadequada, pois as diretrizes não levam em consideração as especificidades do meio rural”.
Essa crítica é corroborada por Oliveira et al. (2020), que destacam a inconsistência da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta, frequentemente aplicada de forma uniforme às áreas urbanas, sem considerar as diferenças geográficas e culturais.
Em relação à formação e capacitação profissional, identificou-se que a ausência de conteúdos voltados à saúde rural nos currículos de enfermagem representa uma lacuna significativa. Essa limitação é evidenciada por Silva et al. (2018), ao afirmarem que “os currículos de enfermagem no Brasil são predominantemente voltados ao ambiente urbano, negligenciando as especificidades do contexto rural”. Assim, a formação insuficiente se traduz em dificuldades práticas, falta de preparo técnico e insegurança diante das particularidades dessas populações.
Apesar dessas dificuldades, alguns estudos analisados apontaram experiências positivas e estratégias de superação. A educação em saúde e a participação comunitária emergem como instrumentos eficazes na promoção do autocuidado e na redução de barreiras culturais.
Souza e Fernandes (2021) enfatizam que o uso de linguagens acessíveis e materiais visuais durante as orientações facilita o entendimento e fortalece o vínculo entre enfermeiros e comunidade.
Constatou-se que a fixação de profissionais em áreas rurais permanece como um dos principais desafios enfrentados pela Estratégia de Saúde da Família. A distância dos centros urbanos, a ausência de incentivos e as condições adversas de trabalho contribuem para a alta rotatividade das equipes, conforme Oliveira et al. (2023). Essa rotatividade compromete a continuidade do cuidado e enfraquece a relação de confiança com a população atendida.
Os resultados desta revisão evidenciam, portanto, a premência de investimentos em infraestrutura, formação especializada e políticas públicas contextualizadas para a realidade rural. Para além de desafios operacionais e administrativos, configura-se uma problemática de equidade em saúde, demandando estratégias contínuas de valorização e suporte aos profissionais de enfermagem que desenvolvem suas atividades em contextos de vulnerabilidade socioterritorial.
A análise dos achados evidencia que os enfermeiros atuantes na Estratégia de Saúde da Família em contextos rurais deparam-se com desafios complexos e multidimensionais, abrangendo aspectos relacionados às condições laborais, acesso à informação, infraestrutura inadequada e insuficiência de recursos humanos.
Conforme demonstrado por Alvarenga et al. (2022), a gestão da informação e a tradução do conhecimento configuram-se como obstáculos relevantes para a prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde, particularmente em regiões com limitado acesso a recursos tecnológicos e suporte técnico.
O estudo ressalta que a maioria dos profissionais manifesta a necessidade de ampliar suas competências em APS/ESF, reforçando a educação permanente como estratégia fundamental para a qualificação do cuidado.
De modo convergente, Sena et al. (2016) identificaram deficiências formativas e escassas oportunidades de capacitação continuada entre enfermeiros da ESF, fatores que restringem sua atuação na promoção da saúde e na assistência integral, realidade particularmente crítica em comunidades rurais, onde o isolamento geográfico e a carência de recursos acentuam as dificuldades de atualização profissional e implementação de políticas públicas.
A literatura consultada também aponta que adversidades logísticas e estruturais, como deslocamentos complexos, carência de transporte e insuficiência de equipamentos, comprometem a efetividade das ações preventivas e de promoção da saúde, conforme observado nos estudos de Oliveira et al. (2023) e Silva et al. (2018). Tais limitações impactam diretamente na resolutividade do cuidado e na satisfação profissional.
Outro aspecto significativo refere-se à sobrecarga laboral e à multifuncionalidade exigida dos enfermeiros em contextos rurais, que precisam articular atividades administrativas, assistenciais e educativas em condições frequentemente precárias. Oliveira et al. (2020) destacam que, não obstante as adversidades, esses profissionais desenvolvem estratégias criativas de adaptação, demonstrando significativo engajamento com as comunidades atendidas.
Adicionalmente, identificam-se barreiras socioculturais que influenciam a adesão da população aos cuidados em saúde. Em diversas comunidades rurais, persistem práticas tradicionais e certa resistência à medicalização contemporânea, demandando dos enfermeiros competências culturais e habilidades comunicativas aprimoradas para estabelecer relações de confiança e promover o envolvimento dos usuários (Fernandes; Chiesa, 2019; Souza; Fernandes, 2021).
Dessa forma, os resultados desta revisão sustentam que o fortalecimento da Estratégia de Saúde da Família em áreas rurais requer políticas públicas contextualizadas, que considerem as particularidades geográficas e sociais desses territórios, além de investimentos direcionados à formação, infraestrutura e valorização profissional. Tais iniciativas representam pressupostos indispensáveis para a consolidação de uma Atenção Primária à Saúde equitativa, resolutiva e humanizada.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A realização desta revisão integrativa permitiu consolidar as evidências científicas acerca dos desafios enfrentados pelos enfermeiros na Estratégia de Saúde da Família em contextos rurais, respondendo aos objetivos propostos e confirmando as hipóteses inicialmente delineadas. Os resultados obtidos demonstram consistentemente que a atuação desses profissionais é marcada por obstáculos multidimensionais que repercutem diretamente na qualidade da assistência prestada às populações rurais.
No que se refere aos objetivos específicos, identificou-se que as barreiras estruturais se constituem como desafios preponderantes, manifestando-se através da precariedade das unidades de saúde, carência de insumos básicos e deficiências na infraestrutura física. Estas limitações, conforme previsto nas hipóteses iniciais, impactam significativamente a qualidade da assistência de enfermagem, dificultando a implementação de ações de prevenção e promoção da saúde de forma adequada e segura.
A análise das políticas públicas de saúde revelou, conforme previsto, que a ausência de adaptações específicas para o contexto rural representa grave lacuna no sistema de saúde. Constatou-se que a aplicação indiferenciada de diretrizes concebidas para ambientes urbanos tem se mostrado ineficaz, confirmando a hipótese de que a insuficiência de políticas contextualizadas agrava os obstáculos enfrentados pelos enfermeiros na ESF rural.
No âmbito das barreiras geográficas e culturais, os resultados validaram sua influência determinante na adesão da população rural às práticas de saúde. A distância entre as residências e as unidades de saúde, associada à persistência de crenças tradicionais e práticas populares de cuidado, exige dos enfermeiros competências culturais específicas para estabelecer vínculos efetivos com a comunidade, conforme inicialmente pressuposto.
Quanto à formação e capacitação profissional, evidenciou-se a pertinência da hipótese que apontava deficiências na preparação dos enfermeiros para atuação em contextos rurais. A análise revelou que os currículos de graduação e os programas de educação permanente ainda não incorporam suficientemente as particularidades do trabalho no campo, limitando o desenvolvimento de competências específicas necessárias para o exercício profissional nestes territórios.
A investigação sobre a influência do vínculo profissional-comunidade reafirmou sua relevância como fator mitigador dos desafios estruturais. Os resultados demonstraram que relações de confiança e proximidade com a população rural favorecem a adesão aos cuidados e melhoram os resultados assistenciais, compensando parcialmente as limitações de recursos e infraestrutura.
As contribuições deste estudo situam-se em três dimensões principais: teórica, ao sistematizar o conhecimento existente sobre a temática; prática, ao oferecer subsídios para a reestruturação de processos de trabalho na ESF rural; e política, ao indicar a necessidade de reformulações nas políticas de saúde para contextos rurais. A pesquisa demonstrou a premência de investimentos em infraestrutura, formação especializada e políticas públicas contextualizadas como requisitos indispensáveis para a qualificação da atenção primária nestes territórios.
Conclui-se que o fortalecimento da ESF em áreas rurais demanda ações articuladas que contemplem a valorização profissional, a adequação das estruturas físicas, a implementação de programas de educação permanente específicos e o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis às particularidades territoriais. A superação dos desafios identificados exigirá o comprometimento de gestores, educadores e profissionais de saúde na construção de uma atenção primária verdadeiramente equitativa e resolutiva.
Esta revisão integrativa, ao sintetizar as evidências disponíveis, oferece uma base sólida para futuras investigações que possam aprofundar aspectos específicos da atuação de enfermeiros em contextos rurais, particularmente no que concerne às estratégias de enfrentamento desenvolvidas por estes profissionais e aos modelos de cuidado mais adequados às realidades locais. O estudo reforça a importância contínua da produção de conhecimento sobre saúde rural como fundamento para a redução das iniquidades em saúde e para a consolidação do SUS como sistema universal e integral.
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1Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Luzia. E-mail: 1782@faculdadesantaluzia.edu.br
2Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Tecnóloga em Redes de Computadores (Universidade Estadual do Maranhão, UEMA). Especialista em Gestão em Saúde (UEMA). Especialista em Gestão Pública (UEMA). Especialista em Enfermagem em Saúde da Família (UNIBF). e-mail: enf.jessicarayanne@gmail.com
3Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Especialista em Docência do Ensino Superior (Universidade Candido Mendes). Especialista em Educação Especial e Inclusiva (Uninter). e-mail: friecamila@gmail.com
4Enfermeira. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Especialista em Gestão de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas). e-mail: flaviaholanda64@gmail.com
5Enfermeira. Psicóloga. Mestra e Doutoranda em Família na Sociedade Contemporânea (Universidade Católica do Salvador, UCSal). e-mail: daphinerolim@gmail.com
6Enfermeira. Mestra em Saúde do Adulto (Universidade Federal do Maranhão – UFMA e Doutora em Ciências da Saúde (UFMA). e-mail: alinefigueiredoufma@gmail.com
7Enfermeira. Especialista em Enfermagem na Saúde Pública com Ênfase em Vigilância em Saúde (Faculdade Holística, FAHOL). Especialista em Saúde da Família. (Faculdade de Empreendedorismo e Ciências Humanas, FAECH). Especialista em Gestão e Auditoria em Saúde Pública. (Faculdade Instituto Brasil de Ensino, IBRA). e-mail: elysreginaarrudamartins@gmail.com
8Enfermeira. Especialista em Saúde Indígena (DNA PÓS). e-mail: tayanara.guajajara@saude.gov.br
