O USO DOS FITOTERÁPICOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE

THE USE OF HERBAL MEDICINES IN THE TREATMENT OF OBESITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161658


Tatiana Santos Nascimento1
Vivian Jordanea Bezerra de Souza2
Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas3
Rebeca Sakamoto Figueiredo4


RESUMO  

Introdução: A obesidade é reconhecida como uma condição crônica de alta prevalência, associada a alterações  metabólicas e inflamatórias que elevam o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e esteatose hepática.  O tratamento farmacológico, embora eficaz, pode gerar efeitos adversos, o que impulsiona a busca por alternativas  complementares, como o uso de fitoterápicos, entre eles o extrato de Laranja Moro (Citrus sinensis), o Chá Verde  (Camellia sinensis) e a Pholia Negra (Ilex paraguariensis), com potencial para modular parâmetros lipídicos,  glicêmicos e inflamatórios. Objetivo: analisar o uso de fitoterápicos, como o extrato de Laranja Moro, o Chá verde  e a Pholia Negra, no tratamento da obesidade em adultos. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura  baseada em artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases BVS, MEDLINE e LILACS, selecionados conforme  critérios de inclusão que contemplaram estudos clínicos, experimentais e revisões sistemáticas. Resultados: Os  estudos revisados mostraram que o chá verde promoveu redução do peso corporal, circunferência abdominal,  triglicerídeos e colesterol LDL, além de aumento de HDL e melhora da sensibilidade à insulina. A Pholia Negra apresentou potencial para redução de adiposidade, melhora da tolerância à glicose e diminuição de marcadores  inflamatórios. O extrato de Laranja Moro demonstrou impacto positivo na redução da gordura visceral, modulação  hormonal e aumento da capacidade antioxidante, com segurança clínica comprovada. Considerações finais: As  evidências sugerem que Citrus sinensis, Camellia sinensis e Ilex paraguariensis podem atuar como adjuvantes no  manejo da obesidade, modulando processos metabólicos e inflamatórios. 

Palavras-chave: Fitoterapia; Obesidade; Citrus sinensis; Camellia sinensis; Ilex paraguariensis.

ABSTRACT 

Introduction: Obesity is recognized as a chronic condition of high prevalence, associated with metabolic and  inflammatory alterations that increase the risk of cardiovascular diseases, type 2 diabetes and hepatic steatosis.  Pharmacological treatment, although effective, can generate adverse effects, which drives the search for  complementary alternatives, such as the use of herbal medicines, including Moro Orange extract (Citrus sinensis),  Green Tea (Camellia sinensis) and Black Pholia (Ilex paraguariensis), with the potential to modulate lipid,  glycemic and inflammatory parameters. Objective: to analyze the use of herbal medicines, such as Moro Orange  extract, Green Tea and Pholia Negra, in the treatment of obesity in adults. Methodology: This is a literature review  based on articles published between 2020 and 2025 in the VHL, MEDLINE, and LILACS databases, selected  according to inclusion criteria that included clinical and experimental studies, and systematic reviews. Results: The reviewed studies showed that green tea promoted a reduction in body weight, waist circumference,  triglycerides, and LDL cholesterol, as well as an increase in HDL and improved insulin sensitivity. Pholia Negra  showed potential to reduce adiposity, improve glucose tolerance and decrease inflammatory markers. Moro  Orange extract has demonstrated a positive impact on the reduction of visceral fat, hormonal modulation and  increase of antioxidant capacity, with proven clinical safety. Final considerations: Evidence suggests that Citrus  sinensis, Camellia sinensis and Ilex paraguariensis may act as adjuvants in the management of obesity, modulating  metabolic and inflammatory processes. 

Keywords: Phytotherapy; Obesity; Citrus sinensis; Camellia sinensis; Ilex paraguariensis

1. INTRODUÇÃO  

A obesidade é classificada como problema de saúde pública de alcance mundial é definida como condição crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), associada a  múltiplas enfermidades resultantes do acúmulo excessivo de gordura corporal. Informações  reunidas na presente monografia indicam aumento nos índices de obesidade entre adultos no  Brasil nos últimos anos. No cenário internacional, observa-se expansão contínua da incidência,  o que reforça a necessidade de medidas eficazes no enfrentamento da condição (Alves et al.,  2024). 

Projeções apresentadas no Congresso Internacional sobre Obesidade (International  Congress on Obesity – ICO) em 2024 indicam que, até 2044, cerca de 75% dos adultos  brasileiros poderão apresentar sobrepeso ou obesidade. Atualmente, o índice atinge 56% da  população adulta. A tendência aponta para 130 milhões de brasileiros afetados nas próximas  duas décadas. Entre 2006 e 2019, observou-se aumento expressivo dos índices de obesidade no  Brasil, registrando quase o dobro de casos no período. Estimativas para 2030 indicam tendência  de maior prevalência entre mulheres, pessoas negras e grupos étnicos minorizados, o que  evidencia ampliação das desigualdades sociais e de saúde no país (Fiocruz, 2024). 

A obesidade apresenta ampla incidência e encontra-se vinculada aos padrões de vida  adotados pela população. Diversos fatores influenciam seu desenvolvimento, como condições  de trabalho, qualidade do sono, práticas de lazer e elementos culturais e sociais. As origens e  consequências da obesidade têm sido objeto de estudos frequentes, uma vez que a condição está  relacionada a diferentes graus de limitação nas atividades cotidianas, aumento dos custos com  tratamentos e elevação nos índices de morbidade e mortalidade (Araújo et al., 2018). 

O tratamento complementar da obesidade pode incluir o uso de fitoterápicos,  considerados opção com menor incidência de efeitos adversos. Os compostos atuam por  diferentes mecanismos fisiológicos. A literatura científica tem ampliado o foco em  medicamentos naturais com propriedades terapêuticas, capazes de substituir ou complementar  agentes sintéticos. Produtos extraídos de plantas, como extratos brutos e compostos isolados,  apresentam potencial para auxiliar no controle da obesidade relacionada aos hábitos alimentares  e contribuir para a redução do peso corporal (Brito et al., 2019). 

O uso de fármacos sintéticos para controle do peso corporal, apesar de frequente, pode  resultar em efeitos adversos, o que tem impulsionado a busca por opções menos agressivas.  Nesse cenário, observa-se aumento do interesse por fitoterápicos no tratamento da obesidade,  com ênfase em substâncias vegetais dotadas de propriedades bioativas. Entre os compostos analisados encontram-se o extrato de Laranja Moro (Citrus sinensis), o Chá Verde (Camellia  sinensis) e a Pholia Negra (Ilex paraguariensis), associados à regulação do metabolismo  lipídico e à manutenção do peso corporal (Rossi et al., 2023). 

A crescente prevalência da obesidade entre adultos têm impulsionado a busca por  alternativas complementares aos tratamentos convencionais, destacando- se o uso de  fitoterápicos. Substâncias naturais como o extrato de Laranja Moro (C. sinensis), o Chá Verde  (C. sinensis) e a Pholia Negra (I. paraguariensis) receberam ampla atenção em estudos  científicos quanto aos efeitos na redução do peso corporal e no controle do metabolismo. A  terapêutica fundamenta-se na ação de compostos bioativos que, conforme pesquisas,  influenciam o metabolismo lipídico e energético, favorecendo a diminuição da gordura corporal  e a melhora da composição corporal. 

O objetivo do estudo foi analisar o uso de fitoterápicos, como o extrato de Laranja Moro  (C. sinensis), o Chá verde (C. sinensis) e a Pholia Negra (I. paraguariensis), no tratamento da  obesidade em adultos. 

2. METODOLOGIA 

2.1 Tipo de estudo  

A pesquisa caracterizou-se por uma revisão de literatura. De acordo com Dorsa (2020),  a revisão de literatura constituiu etapa necessária para a elaboração de texto científico, fosse  tese, dissertação, projeto ou artigo de caráter revisional. A análise da produção bibliográfica  evidenciou a importância da temporalidade nas áreas temáticas, permitindo a exposição do  estado da arte sobre determinado tópico e apresentando ideias inéditas, assim como métodos  com diferentes níveis de evidência na literatura especializada.  

2.2 Coleta de dados  

A base de dados consultados na pesquisa foram: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),  Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Os descritores serão utilizados com  base na DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): Fitoterapia; Obesidade; Citrus sinensis;  Camellia sinensis; Ilex paraguariensis.

Os critérios de elegibilidade foram: pesquisa com recorte temporal de 5 anos (2020- 2025), pesquisas em língua portuguesa e língua inglesa, pesquisas de estudo de caso, estudo  randomizados, estudos clínicos, estudo de campo, estudos observacionais, estudos qualitativos,  estudos mistos, estudo de acordo com objetivo geral do estudo. Pesquisas apenas incompletas  ou não estejam de acordo com os descritores. 

Os critérios de inelegibilidade definiram que se retiraram as pesquisas publicadas fora  do intervalo temporal de 2020 a 2025, os estudos redigidos em idiomas distintos do português  e do inglês, os trabalhos sem delineamentos compatíveis com estudos de caso, estudos  randomizados, estudos clínicos, de campo, observacionais, qualitativos ou mistos, assim como  os que se afastam do objetivo geral da investigação. Excluíram-se ainda as publicações  incompletas ou que não contemplaram os descritores definidos na estratégia de busca. 

2.3 Análise de dados  

A análise da pesquisa ocorreu por meio de método descritivo e qualitativo, com foco na  interpretação dos dados coletados. Examinaram-se as características metodológicas, os  resultados obtidos e as evidências relacionadas ao uso de fitoterápicos no tratamento da  obesidade. Os estudos selecionados organizaram-se conforme critérios previamente definidos.  Os achados discutiram-se à luz do referencial teórico adotado. 

Figura 1 – Fluxograma da pesquisa.

Fonte: autoras (2025).

De acordo com a figura 1, a busca realizada nas bases BVS, MEDLINE e LILACS  resultou em 938 registros, dos quais 498 foram excluídos por não atenderem ao tema ou aos  objetivos propostos. Após a triagem, 440 artigos seguiram para a análise de elegibilidade, sendo 385 removidos por não se enquadrarem no recorte temporal estabelecido e por estarem em  idioma distinto do delimitado. Ao final do processo, 55 estudos preencheram todos os critérios  de inclusão e compuseram a amostra final da revisão. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

3.1 Obesidade 

A obesidade apresenta crescimento progressivo nas populações contemporâneas,  tornando-se um problema persistente de saúde pública. Balem et al. (2017) destacam que a  percepção social sobre o excesso de peso na infância ainda é subestimada, o que contribui para o atraso na prevenção e no diagnóstico. O excesso de peso impacta diretamente a saúde de  crianças, adolescentes e adultos, elevando o risco de comorbidades ao longo do ciclo de vida.  À medida que crianças e adolescentes amadurecem, ocorrem mudanças comportamentais que  exigem intervenções específicas nessas faixas etárias (Botelho et al., 2018). 

A obesidade está associada a implicações psicológicas que interferem na autoestima,  levando algumas pessoas a recorrerem a métodos de emagrecimento sem orientação adequada,  como o uso inadequado de medicamentos, o que acarreta riscos à saúde (Araújo et al., 2018). 

A obesidade integra o grupo das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), sendo  comumente classificada como doença crônica de etiologia complexa e multifatorial  (Szwarcwald; Stopa; Malta, 2022). Reconhecida pelo Código Internacional de Doenças (CID),  caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal em níveis prejudiciais à saúde. A  condição apresenta prevalência elevada em diferentes regiões do mundo e está relacionada ao  aumento das taxas de morbimortalidade (Cogan et al., 2023). 

A obesidade resulta de balanço energético positivo e envolve determinantes ambientais  e genéticos que contribuem para o acúmulo de tecido adiposo e seus agravos (Silva et al., 2023). A condição sofre influência de fatores sociais, culturais e psicológicos, frequentemente  associada ao estigma e discriminação que comprometem as relações sociais e a saúde emocional  (Cogan et al., 2023). 

O avanço da obesidade está relacionado ao estilo de vida sedentário e à adoção de dietas  com elevada densidade energética, fatores que impulsionam a progressão da doença em  populações com predisposição genética (Mohajan; Mohajan, 2023). Considerado fenômeno de impacto mundial, a obesidade assume caráter epidêmico e repercussões econômicas e sociais  expressivas, afetando de forma acentuada populações em maior vulnerabilidade  socioeconômica (Ribeiro; Spolador, 2022). 

Historicamente rara, a obesidade tornou-se prevalente a partir do século XX,  acompanhando mudanças no padrão alimentar e no estilo de vida, especialmente em países  industrializados com transição nutricional (Leite et al., 2023). A globalização e mudanças  socioculturais favorecem a expansão da obesidade ao redefinir hábitos de consumo e  alimentação, configurando relação complexa entre corpo, saúde e sociedade (Santana et al.,  2024). 

O aumento do tecido adiposo promove alterações metabólicas como elevação de  triglicerídeos e colesterol, quadros que favorecem a hiperlipidemia e ampliam risco para outras  DCNT (Lopes et al., 2022). A etiologia da obesidade é multifatorial e envolve interação de  fatores comportamentais, genéticos, fisiológicos e psicológicos, dificultando sua compreensão  e manejo (Masood; Moorthy, 2023). 

O Consenso Latino-Americano em Obesidade aponta que o principal fator causal está  no consumo energético superior ao gasto calórico, influenciado por contextos culturais e hábitos  familiares (Ferreira et al., 2023). A manifestação precoce da obesidade associa-se fortemente a  fatores hereditários e ao ambiente familiar, que pode influenciar a adesão ao tratamento e  promover mudanças no estilo de vida (Reis et al., 2024). 

O consumo elevado de alimentos de alta densidade energética, aliado à redução da  atividade física, é um dos principais fatores ambientais associados ao aumento da obesidade  (Ferreira et al., 2023). A predisposição genética possui caráter poligênico e se relaciona com  variáveis como índice de massa corporal e distribuição de gordura corporal, mas fatores  ambientais exercem influência significativa na expressão genética (Castilho et al., 2024). 

Alterações emocionais podem influenciar hábitos alimentares e manutenção da  obesidade, sendo frequente a presença de quadros de ansiedade, compulsão alimentar e  depressão (Ferreira et al., 2023). O acompanhamento psicológico auxilia no manejo da  obesidade, especialmente em casos de baixa autoestima e risco de isolamento social (Castilho  et al., 2024). 

A obesidade exógena ou nutricional está relacionada a hábitos alimentares inadequados e  tem sido frequente em populações expostas a práticas alimentares industrializadas (Santana et  al., 2024). O sedentarismo interfere diretamente no ganho de peso corporal e contribui para o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade em todas as idades, associado à insatisfação com  a imagem corporal (Lopes et al., 2022). 

Fatores hereditários e ambientais interagem no desenvolvimento da obesidade, sendo  estimado que a genética contribui com aproximadamente 25% dos casos, fatores culturais 30%  e fatores ambientais 45% (Leite et al., 2023). 

De acordo com a Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation – WOF),  a prevalência da obesidade no mundo mais do que triplicou entre 1975 e 2022. Atualmente, a  condição é reconhecida como um dos maiores desafios da saúde pública global, com associação  a diversas enfermidades, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença hepática  gordurosa, alguns tipos de câncer e complicações mecânicas, como osteoartrite e apneia  obstrutiva do sono (Fapes, 2024).  

A obesidade atingiu proporções epidêmicas, com estimativas indicando que mais de um  bilhão de pessoas convivem com a doença, abrangendo aproximadamente 880 milhões de  adultos e 159 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos. Os dados indicam que grande  parte da população mundial reside em países onde o sobrepeso e a obesidade representam um  risco superior ao do baixo peso (Fapes, 2024). 

Conforme o Atlas Mundial da Obesidade 2022, projeções indicam que, até 2030, uma  em cada cinco mulheres e um em cada sete homens apresentaram obesidade (National  Collaborative on Disease Risk Factors, 2020). Estima-se que aproximadamente 17,5% da  população mundial será afetada pela condição, enquanto as formas mais graves, classificadas  como obesidade de classes II e III, poderão atingir 5,7% da população (Estivaleti et al., 2022).  Entre adolescentes de 15 a 17 anos, 19,4% apresentam excesso de peso, e 6,7% são  diagnosticados com obesidade. No Brasil, o aumento do número de indivíduos com sobrepeso  e obesidade intensificou-se em todas as faixas etárias ao longo das últimas quatro décadas,  representando um desafio relevante para a saúde pública (Brasil, 2022). 

A análise da prevalência de obesidade no Brasil entre 2013 e 2019 revela aumentos  distintos por região. O Norte apresentou crescimento de 1,71%, enquanto o Nordeste registrou  aumento de 25,14%. No Sudeste, a elevação alcançou 29,41%, e no Sul, 19,83%. A Região  Centro-Oeste teve crescimento de 15,38%, enquanto a média nacional passou de 20,8% para  25,9%, representando aumento de 24,04%. Os dados evidenciam a necessidade de estratégias  regionais para enfrentar a obesidade no país (Brasil, 2024). 

O tratamento da obesidade exige uma abordagem ampla e integrada, com participação  de diferentes áreas da saúde. A utilização de medicamentos ocorre como medida complementar,  sendo indicada a partir da prevenção secundária, com o objetivo de conter o agravamento do quadro e evitar o surgimento de complicações associadas. A condução terapêutica deve  respeitar as particularidades de cada indivíduo. A prevenção primária compreende intervenções  não medicamentosas, baseadas na adoção de hábitos mais saudáveis e na aplicação de  estratégias cognitivas e comportamentais, associadas à reeducação alimentar, com foco na  redução da ingestão calórica, bem como à prática regular de atividades físicas, destinadas a  aumentar o gasto energético diário e combater o sedentarismo em pessoas com sobrepeso ou  obesidade (Alves et al., 2024). 

As Diretrizes Alimentares para a População Brasileira caracterizam a alimentação  adequada e saudável como aquela que se alinha às dimensões biológicas e socioculturais do indivíduo. Essa conduta alimentar deve contemplar as exigências específicas de cada fase da  vida, respeitar os hábitos alimentares construídos historicamente pelas diferentes culturas,  garantir acesso universal aos alimentos e adotar práticas que preservem o meio ambiente. Deve,  ainda, minimizar a exposição a contaminantes de natureza física, química e biológica, de modo  a promover saúde e bem-estar (Castro et al., 2019). 

3.2 Fitoterápicos 

3.2.1 Citrus sinensis – Extrato da laranja Moro 

C. sinensis, comercialmente conhecido como Morosil, corresponde ao extrato da laranja  vermelha extraído da toranja C. sinensis. A laranja possui origem na Itália, nas proximidades  do vulcão Etna, na Sicília, desenvolvida por mutação decorrente do cultivo de laranjas  pigmentadas e do aumento do teor de antocianinas, pertencentes à classe dos flavonoides,  responsáveis pela coloração avermelhada (Martinucci et al., 2018).  

A substância tem sido objeto de estudos devido à riqueza em vitaminas e aos compostos  com atuação na diurese e na função endotelial (Zahr et al., 2023). Citrus integra a família  Rutaceae, com ocorrência em diversas regiões do Pacífico e em áreas de clima quente. Trata-se de uma árvore perene, dotada de espinhos nos galhos e odor cítrico marcante. O fruto  apresenta forma arredondada, coloração variável entre tons de laranja e amarelo, e estrutura  dividida em casca (parte externa) e polpa com suco (parte interna), sendo empregado no  tratamento de enfermidades como constipação, cólicas, diarreia, bronquite, tuberculose, tosse,  resfriado, obesidade, distúrbios menstruais, angina, hipertensão, ansiedade, depressão e estresse  (Ali; Maran, 2021). 

As substâncias identificadas possuem função antioxidante, incluindo vitamina C, com  contribuição para a imunidade, glicósidos de flavonas e ácidos hidroxicinâmicos. A antocianina  C3G está associada à redução do peso corporal, com diminuição da gordura entre 25% e 50%, favorecendo o tratamento da esteatose hepática e promovendo o retardamento do  envelhecimento cutâneo (Li et al., 2022).  

Os compostos ativos atuam no metabolismo dos adipócitos, responsáveis pela inclusão  de lipídios e gorduras provenientes da alimentação. O índice glicêmico é de 25, valor que não  altera os níveis de insulina no sangue. Inibem a proliferação de células cancerosas, apresentam  efeitos antiangiogênicos e contribuem para a amenização da hiperglicemia (Ali; Maran, 2021). 

3.2.2 Camellia sinensis – Chá verde 

O chá verde, produzido a partir das folhas da planta Camellia sinensis, é a bebida não  alcoólica mais consumida no mundo depois da água. Seu uso é milenar, com registros históricos  de benefícios à saúde, na China, onde seu cultivo começou há cerca de três mil anos.  Atualmente, o chá verde é consumido em diversos países asiáticos, como Japão, Índia e  Tailândia, além de ser uma importante exportação de países como Sri Lanka e Indonésia  (Gonçalves et al., 2019).  

O chá verde contém compostos fenólicos, flavonoides, cafeína, aminoácidos e minerais  como cálcio, magnésio e ferro, além de vitaminas dos complexos B, C e E (Mendes; Soares,  2021). Seus principais flavanóis são catequinas, destacando-se a EGCG, que representa até 60%  do total. As variações na concentração dessas substâncias dependem do processamento, local  de cultivo e condições ambientais (Gonçalves et al., 2019). 

A concentração dos compostos presentes na infusão de chá verde varia conforme o  método de preparo. Quando se utiliza 1 grama de folhas para 100 mL de água, fervida por 3  minutos, a bebida resulta com cerca de 35 a 45 mg/100 mL de catequinas e aproximadamente  6 mg/100 mL de cafeína. De acordo com Hasler, uma xícara de 240 mL contém  aproximadamente 200 mg de epigalocatequina galato (EGCG), considerado o principal  polifenol do chá verde (Mendes; Soares, 2021). 

As catequinas demonstram atividade antioxidante ao atuarem na proteção contra os  efeitos citotóxicos provocados pelo estresse oxidativo em diversos tecidos. Essa ação ocorre  por meio da neutralização de radicais livres, da capacidade de quelar metais de transição, como  ferro e cobre, bloqueando a geração de espécies reativas de oxigênio via reação de Fenton, e da  inibição da lipoperoxidação (Lima et al., 2024). 

A atividade antioxidante dessas substâncias contribui para a prevenção ou controle de  doenças crônicas e degenerativas, como câncer, enfermidades cardiovasculares e diabetes  mellitus (Soares et al., 2023). Essa propriedade decorre da estrutura molecular das catequinas, cuja eficácia é ampliada pela presença de radicais associados aos anéis da molécula e pela  existência de grupos hidroxila nas estruturas cíclicas A, B e D (Lima et al., 2024). As catequinas capturam espécies reativas de oxigênio, como o radical superóxido (O₂⁻),  o peróxido de hidrogênio (H₂O₂) e o radical hidroxila (OH∙), compostos que podem causar  danos a lipídios, proteínas e DNA. A principal forma de atuação consiste na doação de elétrons,  o que estabiliza essas espécies reativas e origina um radical flavínico com menor capacidade de  reação (Soares et al., 2023). 

O sistema nervoso simpático regula a termogênese e a oxidação lipídica. Flavonoides  presentes no chá verde apresentam capacidade de interferência nesse sistema por meio da  modulação da noradrenalina, o que resulta em elevação da termogênese e da oxidação de  gorduras, com efeito na limitação do crescimento e da multiplicação de adipócitos, favorecendo  a regulação do peso corporal. Estudos apontam a ação das catequinas no controle do tecido  adiposo, notadamente pela influência da EGCG sobre enzimas envolvidas nos processos  anabólicos e catabólicos dos lipídios, como acetil-CoA carboxilase, sintetase de ácidos graxos,  lipase pancreática, lipase gástrica e lipooxigenase (Soares et al., 2023). 

Estudos in vitro e in vivo indicam que a EGCG atua na modulação da mitogênese, na  estimulação endócrina e na função metabólica de células adiposas, estando relacionada à  redução da absorção de carboidratos e gorduras no trato intestinal, por meio da inibição de  enzimas e do transportador de glicose dependente de sódio (Luz et al., 2017). 

3.2.3 Pholia Negra (I. paraguariensis) – Erva-mate 

O fitoterápico I. paraguariensis apresenta como mecanismo de ação o retardo no  esvaziamento gástrico e a redução da leptina circulante, com ativação de proteínas  desacopladoras e da fosforilação da enzima adenosina monofosfato quinase (AMPK), fator que  altera o metabolismo de ácidos graxos e de glicose, reduzindo a absorção de gordura visceral.  A espécie contém compostos polifenólicos com atuação como inibidores enzimáticos, inclusive  da lipase, enzima relacionada à absorção de gordura (Rodrigues et al., 2023).  

Dessa forma, I. paraguariensis consiste em uma erva cujas folhas secas e trituradas são  utilizadas no preparo de infusão, tradicionalmente consumida por amplas populações da  América do Sul. A bebida evoluiu de uma prática indígena dos povos Guarani para um elemento  com função social entre grupos sul-americanos contemporâneos. A planta é empregada como  fonte de cafeína, isoladamente ou em conjunto com chá e café, além de integrar práticas  terapêuticas devido às propriedades farmacológicas (Brito et al., 2019).

Do ponto de vista morfológico, duas variedades de I. paraguariensis podem ser  reconhecidas: I. paraguariensis St. Hil. variedade paraguariensis e I. paraguariensis variedade  vestita (Reisseck) Loes, esta última caracterizada por intensa pubescência e sem aplicação na  indústria. As variedades coexistem em determinadas regiões do Nordeste da Argentina e do  Brasil (Lima et al., 2018).  

Experimento com animais demonstrou que o extrato de I. paraguariensis, em  concentração de 20%, exerce efeito protetor contra o aumento de peso provocado por dieta  hiperlipídica, com elevação das proteínas desacopladoras e dos níveis de adenosina  monofosfato quinase fosforilada, resultando na redução do tecido adiposo visceral. No mesmo  estudo, observou-se perda de peso, diminuição da gordura visceral e melhora do perfil hepático  (Brito et al., 2019). 

Em modelo animal, o extrato de I. paraguariensis demonstrou efeito protetor contra o  aumento de peso induzido por dieta hiperlipídica, com elevação das proteínas desacopladoras  e dos níveis de adenosina monofosfato quinase fosforilada, resultando na redução do tecido  adiposo visceral. No mesmo estudo, observaram-se perda de peso, diminuição da gordura  visceral e melhora do perfil hepático (Lima et al., 2018).  

Em dieta hipercalórica administrada a ratos para indução de obesidade, a aplicação do  extrato aquoso promoveu melhora nos marcadores inflamatórios associados à condição e  aumento da saciedade, acompanhado da redução da ingestão calórica total (Cardozo et al.,  2021). 

No quadro 1, observa-se os principais achados sobre os benefícios dos fitoterápicos. 

Quadro 1 – Principais resultados do estudo.

Fonte: autora (2025).

De acordo com El Seedy, El-Shafey e Elsherbiny (2021), o uso do chá verde com  Ziziphus spina-christi atenuou os efeitos adversos da obesidade induzida por dieta rica em  gordura. O tratamento reduziu a inflamação sistêmica, melhorou parâmetros lipídicos e  glicêmicos e restaurou a função hepática. O estudo evidenciou diminuição do apoptose e da  expressão dos genes Notch-1 e Hes-1, relacionados à progressão da doença hepática gordurosa  não alcoólica. Os resultados reforçam o potencial terapêutico do uso combinado das plantas na  prevenção de distúrbios metabólicos. 

Segundo Júnior et al. (2024), os ensaios clínicos envolvendo C. sinensis mostraram  reduções de peso corporal e adiposidade abdominal quando associadas a dietas hipocalóricas  ou à prática regular de exercícios. As catequinas, em especial a EGCG, associadas à cafeína,  exerceram função no aumento da termogênese e na oxidação lipídica. As divergências entre  estudos foram atribuídas a diferenças de dose, tempo de intervenção e hábitos alimentares. Os  autores ressaltaram a necessidade de ensaios clínicos mais longos e com amostras amplas para  comprovar a eficácia e segurança do chá verde no manejo da obesidade. 

No estudo de Brimson et al. (2023) apontaram que a ingestão de chá proveniente de C.  sinensis apresentou efeitos na redução de peso corporal, na modulação do perfil lipídico e na  melhora da função endotelial. As catequinas e as teaflavinas contribuíram para a redução de  marcadores inflamatórios e para a regulação da glicemia. A análise de estudos revelou  associação entre o consumo diário de chá e menor risco de diabetes tipo 2 e doenças  cardiovasculares. 

Na pesquisa de Guimarães et al. (2022), a ingestão de C. sinensis demonstrou impacto  positivo em parâmetros antropométricos e metabólicos, incluindo redução de peso, IMC e  triglicerídeos, bem como melhora da sensibilidade à insulina e da pressão arterial. Resultados sobre glicemia, colesterol LDL e biomarcadores inflamatórios também mostraram tendência  favorável em alguns estudos. Os autores destacaram, contudo, a variabilidade metodológica e  a necessidade de ensaios clínicos mais robustos para confirmar a eficácia do chá verde na  obesidade. 

Para Valença et al. (2022), o tratamento com I. paraguariensis em estudo realizado com  camundongos obesos preveniu a intolerância à glicose, a resistência à insulina e a esteatose  hepática induzidas por dieta rica em gordura. A ingestão da planta manteve os níveis de HDL  e resistina próximos aos valores de controle, além de reduzir o tamanho dos adipócitos viscerais.  O estudo ressalta que embora não tenha evitado o ganho de peso, o fitoterápico exerceu efeito  protetor sobre parâmetros metabólicos e inflamatórios relacionados à obesidade. 

Na investigação de Sirotkin (2024), I. paraguariensis apresentou potencial para reduzir  o acúmulo de gordura, o peso corporal e os lipídios séricos em diferentes modelos  experimentais. O consumo da planta associou-se ao aumento da oxidação de gordura, ao gasto  energético e à modulação de marcadores inflamatórios. A variabilidade nos métodos e nas doses  avaliadas em estudos humanos limitou a comprovação dos efeitos clínicos, sendo necessária a  realização de pesquisas mais consistentes para confirmar os resultados observados. 

Na pesquisa de Maiztegui et al. (2023), a suplementação com I. paraguariensis elevou  a secreção de insulina estimulada pela glicose, aumentou a expressão gênica de IRS-1 e PI3K  e reduziu marcadores inflamatórios nas ilhotas pancreáticas. O tratamento também melhorou a  tolerância à glicose e a capacidade antioxidante, além de diminuir o estresse oxidativo  circulante. Os achados indicam potencial da planta em promover a sensibilidade à insulina e  proteger contra alterações metabólicas. 

Para Bravo et al. (2025), a ingestão diária de I. paraguariensis durante oito semanas  reduziu a pressão arterial, os níveis de colesterol LDL e os marcadores inflamatórios, além de  promover melhora na sensibilidade à insulina e na capacidade antioxidante. Verificou-se ainda  redução no percentual de gordura corporal em indivíduos saudáveis. O estudo evidencia um  potencial cardiometabólico da planta para a prevenção de fatores de risco cardiovascular. 

De acordo com Briskey, Malfa e Rao (2022), a suplementação com extrato padronizado  de C. sinensis durante seis meses promoveu redução significativa do peso corporal, IMC,  circunferência abdominal e gordura visceral em adultos com sobrepeso. O estudo demonstrou  segurança clínica, sem alterações nos marcadores hepáticos, e confirmou o potencial do  fitoterápico como recurso complementar em programas de emagrecimento associados à dieta e  exercício.

Segundo Schmitt et al. (2025), a suplementação com extrato de C. sinensis em ratos  obesos reduziu parâmetros glicêmicos, lipídicos e inflamatórios, aumentou a atividade de  enzimas antioxidantes e melhorou o perfil hormonal, aproximando os resultados aos de animais  controle. A análise histológica mostrou redução da hipertrofia adipocitária e restauração da  arquitetura tecidual. A pesquisa destaca o potencial terapêutico do extrato como adjuvante no  manejo da obesidade. 

Conforme pesquisa de Ghai et al. (2024), compostos presentes na C. sinensis, como  flavonoides incluindo antocianinas e hesperidina, ácidos fenólicos, carotenoides, vitamina C e  outros antioxidantes naturais, apresentaram efeitos favoráveis sobre parâmetros metabólicos em  modelos pré-clínicos e clínicos. Os constituintes bioativos foram associados à redução do peso  corporal, gordura visceral e circunferência abdominal, além da melhora na sensibilidade à  insulina e no perfil lipídico. Os estudos também relataram atenuação de processos  inflamatórios, aumento da atividade antioxidante e regulação de hormônios como leptina e  adiponectina, sugerindo relevância da espécie para o manejo da obesidade. 

3.3 Atuação do nutricionista para prescrever fitoterápico 

Observa-se ampliação no uso e na aceitação de fitoterápicos pela população. Entre os  fatores que contribuem para esse crescimento estão os avanços nos estudos científicos,  responsáveis pela produção de compostos com perfil de segurança e eficácia, e a procura por  terapias menos invasivas no contexto da atenção primária à saúde (David; Bello, 2023).  

O uso de fitoterápicos e de plantas medicinais configura alternativa terapêutica de fácil  acesso, com propriedades ativas que atendem às necessidades clínicas da população, sobretudo  no tratamento de doenças infantis prevalentes. A ampliação do uso de plantas medicinais  relaciona-se ao custo reduzido e à disponibilidade dos produtos (Siqueira; Martins, 2018). 

Com a publicação da Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) nº 402,  de 6 de agosto de 2007, ficou autorizada a prescrição de medicamentos fitoterápicos de uso oral  por nutricionistas, incluindo tanto a droga vegetal in natura quanto suas diferentes formas  farmacêuticas, o que ampliou o campo de atuação da categoria profissional (Nascimento et al.,  2019).  

A Resolução do CFN, juntamente com diretrizes de políticas nacionais, como a Política  Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (2006), e orientações de órgãos  internacionais, em especial da OMS, reconhece, valoriza e incentiva o uso de plantas medicinais  e fitoterápicos nos serviços públicos de saúde. A Portaria do Ministério da Saúde nº 971, de 3 de maio de 2006, incluiu essa prática no âmbito da atuação multidisciplinar, destacando a  necessidade de discussão sobre questões relacionadas à prescrição de fitoterápicos por  nutricionistas, aos desafios enfrentados e à insegurança que pode comprometer o exercício da  atividade profissional (Gama; Silva, 2023; Brasil, 2006). 

Compete ao nutricionista orientar quanto à necessidade de modificações nos hábitos  alimentares, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e  reestruturação do comportamento alimentar, com impacto positivo na expectativa e qualidade  de vida, além de favorecer o funcionamento orgânico e contribuir para a prevenção de doenças  crônicas não transmissíveis, com destaque para a variação cíclica de peso conhecida como  efeito sanfona caracterizado por oscilações entre perda e ganho de peso após dietas altamente  restritivas. Cabe também esclarecer os benefícios e os riscos associados ao uso de fitoterápicos,  tanto em prescrições quanto em situações de automedicação (Vieira; Medeiros, 2019)  

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

O chá verde (C. sinensis) apresenta efeitos sobre parâmetros antropométricos e  metabólicos relacionados à obesidade. Evidenciando a redução do peso corporal, da  circunferência abdominal, dos triglicerídeos e do colesterol LDL, associada ao aumento do  HDL e à melhora da sensibilidade à insulina. Os estudos clínicos e revisões sistemáticas  evidenciaram diminuição de marcadores inflamatórios, melhora da função endotelial e  incremento da atividade antioxidante. Verificaram-se variações nos resultados atribuídas à  heterogeneidade metodológica, quanto à dose, ao tempo de intervenção e às características das  populações analisadas, destacando a necessidade de ensaios clínicos mais robustos e  padronizados. 

No que se refere à Pholia Negra (I. paraguariensis), observou-se potencial preventivo e  terapêutico em distúrbios metabólicos induzidos pela obesidade. Os estudos in vivo e  intervenções clínicas demonstraram melhora da tolerância à glicose, aumento da secreção de  insulina, incremento da capacidade antioxidante e redução da pressão arterial, além de  diminuição de marcadores inflamatórios e modulação do perfil lipídico. Alguns resultados não  evidenciaram reduções no ganho de peso ou nos níveis séricos de triglicerídeos, e a literatura  reforça o potencial da espécie como agente coadjuvante na prevenção de complicações  hepáticas, inflamatórias e cardiovasculares associadas à obesidade.

O extrato da Laranja Moro (C. sinensis) apresentou efeitos na redução do peso corporal,  do índice de massa corporal, da circunferência da cintura e dos parâmetros lipídicos, como  colesterol total, LDL e triglicerídeos, além do aumento de HDL, adiponectina e enzimas  antioxidantes, como SOD, CAT e GPx. Observou-se diminuição dos níveis de leptina, redução  do estresse oxidativo, normalização da morfologia do tecido adiposo e segurança clínica  comprovada, sem registros de eventos adversos, o que sustenta seu uso como recurso  terapêutico complementar no manejo da obesidade. 

Os estudos indicam que os fitoterápicos apresentam propriedades na modulação de  processos metabólicos, inflamatórios e oxidativos relacionados à obesidade. Para consolidar a  aplicação clínica dos fitoterápicos, tornam-se necessários ensaios clínicos multicêntricos, com  amostras populacionais amplas e protocolos metodológicos rigorosos, visando confirmar a  eficácia, a segurança e elucidar os mecanismos moleculares envolvidos na ação terapêutica  observada. 

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1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail:  santostattiana09@gmail.com.
2Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail:  viviancedaspyam@gmail.com.
3Esp. Psicopedagogia, pela Estácio Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente  do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail:  francisca.freitas@fametro.edu.br.
4Co-orientadora, Mestre em ciência da saúde pela Universidade Federal do Amazonas Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br.